Transcrição
1 Patrão vs 30 Demitidos
1 h 15 min de vídeo · 17 mil palavras · Com Tallis Gomes
Baixar o texto (.txt) ou a legenda (.srt)
Cada minuto é um botão que toca o vídeo a partir daquele trecho.
Eu não sou ONG
E eu não sou escravo
Na realidade, você está trabalhando com seres humanos
Demitir um vendedor da minha companhia me custa um milhão de reais
Eu fui demitido por causa da minha aparência
É justo eu demitir quatrocentas pessoas porque uma não tá performando?
Eu acredito que você pode resgatar essa pessoa aí
A culpa da demissão é sua
Eu deixei o meu filho muitas vezes pequeno pra trabalhar e eu fiquei doente de tanto trabalhar
Sim
E aí eu fui mandada embora
Empresário, cês pensam em números, você não tá cuidando de equipe e pessoas
Você acha que meritocracia é uma exceção ou é uma regra?
Não necessariamente. Eu sou fruto de meritocracia
Quantas horas por dia você trabalha?
Enquanto eu tô acordado. Por que que você discorda?
Há onze meses atrás eu fui demitida grávida. E você acha que isso eles me fizeram favor?
Companhia
Você teve orientação
Tive nada
Mas e esse jovem da periferia que não teve?
Eu li na internet e aprendi. Eu não tive orientação
E a internet que esse jovem não teve?
Agora de novo. Ó, turma, Tallis Gomes, empreendedor serial, sou fundador e presidente do G4. Eu tô aqui nesse debate com vinte e oito pessoas que foram demitidas. O primeiro tema é: empresa não é ONG, quem não entrega resultado é demitido. Vamo lá, vamo lá. Como é que é seu nome?
Graziela
Prazer, Graziela. Como gestor e como empresário, se eu tenho alguém que não tá performa-performando na minha companhia, eu tenho o dever moral e com os meus acionistas, né, sejam meus sócios ou investidores, de demitir essa pessoa para que a companhia não seja punida, porque uma pessoa não está fazendo bem o trabalho dela. Eu queria ver sua visão. Cê concorda, discorda?
Então, na realidade, você está trabalhando com seres humanos, né?
Concordo
Então teremos dias bons e dias ruins. E eu acredito que você mesmo, como empreendedor, se você chegou até aí, foi trabalhando com pessoas e criando conexões. E se você confiou nesses funcionários, eu acredito que você também, né, os conheça um pouco mais profundamente e sabem que eles vão ter dias não tão bons. Você, você vai estar trabalhando com mães, com pais, e eu acredito que ai, é, há, há dias que essas pessoas não vão estar bem e elas não vão produzir tão bem, né, naquele dia, mas porém, elas podem te retribuir com outros dias com mais qualidade se você se colocar no lugar delas.
É isso que eu acredito, que nós, é, quanto mais vínculo nós temos com o funcionário, eu acredito que se você trata um funcionário bem, entende o dia daquele funcionário, o compreende, eu acredito que você traz ele pra sua empresa e você se conecta mais com ele. Isso valoriza o trabalho dele, porque você percebeu que naquele dia ele não estava bem. E num dia não tão bom, nós não produzimos tanto.
E eu acredito que nunca em uma empresa nós podemos dar cem por cento, porque quando falta u-- se falta um por cento, se nós damos noventa e nove por cento, o nosso chefe, entre aspas, chefe ou líder, o que for, ele vai perceber. Então eu acredito que quando nós, é, trabalhamos de forma humanizada, você ganha e o funcionário também ganha. Então eu não concordo com você em demitir essa pessoa.
Eu acredito que você deve ter uma escuta ativa, uma comunicação assertiva e trabalhar com ele, é, essa parte humana.
Vamo lá, vamo quebrar seu ponto em dois. Primeiro ponto você trouxe pra mim que é: se uma pessoa tem um, um dia ruim, eu tenho que ter um olhar humano pra essa pessoa e entender que as pessoas às vezes têm dias ruins. Tamo superalinhados. Ninguém é demitido por ter um dia ruim, tá?
Sim
Porque demitir uma pessoa custa em média cinco vezes mais do que contratá-la. Eu vou te dar um dado da minha companhia que eu posso falar. Demitir um vendedor da minha companhia me custa um milhão de reais, pelo que eu deixo de ganhar em demitir ele, pla-- somado com aquilo que eu tenho de custo de demissão. Mas o que eu deixo de ganhar é muito mais do que o que me custa demiti-lo.
E olha que demitir no Brasil é muito caro.
Sim
Então nenhum empreendedor fica feliz em demitir pessoas.
Sim
Inclusive, isso é uma métrica negativa que o mercado como um todo pune o empreendedor quando ele tem o que a gente chama de turnover, né?
Sim
Se tem muitas pessoas sendo demitidas na companhia, se o seu turnover é alto, você é tido como um líder ruim, muitas vezes. Nenhum empreendedor quer demitir ninguém. Ninguém demite alguém porque tem um dia ruim. A pessoa ela é demitida porque ela continuamente não performa ou porque ela não evoluiu necessariamente pra ocupar aquela determinada cadeira. E aí eu te pergunto, se essa pessoa ou continuamente não performa ou não evoluiu necessariamente pra ocupar aquela cadeira, ela vai fazer com que a companhia tenha prejuízo.
Eu não con-- eu, eu discordo, porque eu vou-
Ela não vai fazer a companhia ter prejuízo?
Porque assim, não vai fazer. Porque assim-
Como, então?
Eu vou, eu vou utilizar o meu exemplo.
Tá bom.
É, eu fui demitida, eu fui contratada por uma fun-uma fundação, que eu não vou citar o nome aqui
Tá bom
Porque ela é conhecida nacionalmente, mundialmente.
Uhum
É uma fundação, eu sou uma militante pela primeira infância
Tá bom
E era o meu sonho trabalhar nessa empresa. E eu fui perseguida pelo meu ex-esposo, né? Ele me perseguiu tanto, era o emprego da minha vida, eu tinha todos os benefícios. E assim, o dia bom se tornou um dia mau e eu fui demitida em três dias. A empresa não me escutou e eu sou uma excelente funcionária. Eu sei até onde eu poderia ir. Então aquele dia mau, né, se transformou-- aquele dia, aquele dia mau se transformou em um dia muito pior, porque eu fui demitida.
E eu poderia ter dado muito lucro pra fundação. Por isso que eu acredito-
Ou talvez nem lucro, porque a fundação ela não quer lucro, mas cê poderia ter feito o teu propósito-
Sim
Que é trabalhar com a primeira infância, né?
Sim, então. Só que a, a, o que que aconteceu? Optaram por escutar o meu ex-marido. Era o emprego dos meus sonhos.
Foi no seu trabalho e causou um problema
Sim, foi no meu trabalho e causou um grande problema. Só que eles não tiveram uma escuta ativa, por isso que eu falei pra você
Entendi. Não, eu tô fazendo a associação
Escute os seus funcionários. É, escute os seus funcionários
Mas pensa bem, isso aqui cê tá me trazendo um problema pessoal que você teve
Sim
Com a fundação que cê trabalhava
Sim
E que quando a gente pega numa média e falando de demissões, a gente não pode dizer que todos os casos de demissão são por isso, né?
Sim.
Eu sinto muito cê ter passado por isso, tá? Então ninguém fica feliz em ver outra pessoa demitida, a não ser que a pessoa seja uma psicopata
Sim
Isso não existe, né? É, e principalmente você me dizendo que você tava trabalhando com algo que você ama
Sim
Com uma causa tão nobre que é a primeira infância. Agora, o que aconteceu ali na fundação, eu não posso julgar nesse debate. O mérito do debate é que quando uma pessoa é demitida de uma companhia, ela necessariamente é demitida porque a companhia parou de ver valor naquela pessoa. O seu caso pode ter sido diferente e eu sinto muito que tenha acontecido.
Sim
Mas o mérito do debate é o que acontece com uma companhia quando ela olha pra um funcionário e fala: "Esse funcionário não tá performando
Sim
Não evoluiu, eu tenho que ficar com esse funcionário?" Aí eu te digo-
Mas o que que tá acontecendo com esse funcionário? O que que está causando essa falta de motivação na sua empresa?
É que às vezes não é só motivação
Será que não é a questão salarial? Será que não é a questão de desvalorização? Você tá passando nos setores pra ver como os funcionários estão?
É que às vezes não é motivação, às vezes é tático, é técnico
Sim
Entendeu? Então às vezes essa pessoa, ela tá causando prejuízo pra companhia. Eu tô te dando um dado técnico, né?
Uhum.
Uma pessoa pode causar prejuízo pra companhia. Dependendo da cadeira que ela tá, pode colocar a companhia em ruína Vou te usar o meu exemplo. Eu tenho quatrocentos funcionários. Dependendo, pra salvar um funcionário, digamos que eu fique com pena de alguém. Pra salvar um funcionário, eu posso deixar quatrocentas famílias desamparadas. É justo com quatrocentas famílias ficarem desamparadas por causa de uma pessoa, uma família?
Mas uma vida vale muito.
Mas é in-- é justo eu desocupar quatrocentas pessoas por causa de uma não performando? Me diz.
Mas então, é-
Você acha justo ou não?
Eu, eu acho que essa vida vale. Vale a pena você buscar o que está acontecendo com ela, entendeu?
Mas uma pergunta, me responda: é justo eu demitir quatrocentas pessoas porque uma não tá performando?
Mas eu acredito, assim, eu discordo totalmente, porque vale a pena buscar a ovelha perdida. Eu acredito nisso.
É justo ou não?
Eu, eu não concordo com você, não adianta.
Ou seja, você acha que é melhor eu demitir quatrocentas pessoas pra salvar uma, é isso?
Eu acre-- não, eu acredito que você pode resgatar essa pessoa e essa pessoa poder ajudar essas quatrocentas, entendeu?
Só tem uma coisa que a gente tá divergindo. É justo eu demitir quatrocentas pessoas porque uma não tá performando, é isso?
Não, eu não concordo.
Você concorda que é justo ou não?
Não, eu não concordo.
Não é justo.
Eu acredito que você pode [risos]
Obrigado, tá? Sinto muito, tá? Tudo bem, cara?
Tudo.
Qual que é seu nome?
Fernando.
Fernando. Fernando, é, qual que é a tua visão sobre o tema? Cê concorda, discorda do ponto?
Eu discordo, porque vejo também vocês como uma parte que vocês procura empresário, cês pensam em números, dinheiro, valor. Você não tá cuidando de equipe e pessoas.
Será que não?
Não.
Como que eu vou continuar a companhia com quatrocentas pessoas se eu não cuido de pessoas?
Você não cuida, você é um empresário. Você apenas está pensando em números.
Claro que não.
Não, cê tá pensando em números.
O que que produz número?
Você vai trazer uma pessoa pra fazer isso pra você.
O que que produz um número?
Não, você como empresário-
Vamo falar, vamo chamar número de lucro?
Pode ser.
Vamo lá. O que que produz o lucro? Uma venda, né? Ela falou ali, é uma venda. Eu estou vendendo o quê? Um produto, certo? Que alguém produziu.
Qual que é o seu produto?
O meu produto é software, educação e comunidade. Então vamo lá. Pra eu vender um software, eu preciso de programadores pra programar esse software, certo? Então, ah, você está pensando em lucro. Claro que eu estou. É com esse lucro que eu vou pagar o salário de quatrocentas famílias. Se eu não pensar nas pessoas que estão comigo, elas vão embora. Vão falar especificamente-
Mas você tá pensando no número de quatrocentas pessoas, você tá trabalhando aí só com, em cima dessas pessoas. A gente tá falando-
Vamo falar de qualquer empresa. Vamo falar, vamo falar de empresas que empregam dez mil pessoas.
O que que você tá pensando? A gente tá falando do salário que você começou falando no começo do, da entrevista, que não é uma ONG, e sim você paga um fu-- um valor praquele, aquele funcionário. Mas você pegou o currículo daquela pessoa pra trabalhar, não é certo?
Claro.
Você colocou eu pra sentar aqui do nada.
Mas qual que é o ponto? Digamos que você não tá performando. Você não tá performando. Por que que eu vou te manter na companhia?
Mas então, você viu que eu não se-- no começo tem que verificar se o seu funcionário é adequado ou não pra sua empresa.
Mas eu não tenho Minority Report, eu não, eu não consigo prever futuro. Eu consigo saber que você tem o que precisa pra fazer a tarefa.
Não, você tem seu RH que faz isso.
Não, imagina.
Você procura essa pessoa pra fazer isso, né?
Eu vejo o seu currículo. Eu acho que você é capaz de executar a tarefa. Aí você entra lá, você não se demonstra capaz por N fatores.
Certo.
Cara-
Alguma coisa que esse funcionário não tá dando certo naquele produto. Se você tem três, cê tem uma empresa, vários setores. A gente vamos tentar mudar aquela pessoa porque ali ela não tá se dando bem. Alguma coisa tá acontecendo ali pra aquela pessoa não produzir. Vamo identificar o que aconteceu com aquela pessoa?
Você tem razão. E é essa a análise que a gente faz. Como eu disse, nenhum empresário quer demitir ninguém, porque dá trabalho e custo demitir as pessoas.
O empresário, a gente tá falando do empresário. Não é o empresário que contratou a pessoa e demitiu a pessoa.
Ah, mas é a mesma pessoa, certo? É o empreendedor.
Então, exata-
Se eu contratei alguém pra trabalhar naquela cadeira, e se eu demiti, eu te dei um dado, custa cinco vezes mais demitir essa pessoa.
Certo.
Digamos que eu abra uma vaga agora. Se eu fizer um trabalho muito bem feito e pegar uma consultoria que vai me cobrar em média três salários dessa pessoa só pra achar a pessoa pra mim, vai demorar no mínimo três a seis meses. Vamo botar três meses. O tempo de um funcionário entra-- lembra do teu último emprego, quando cê entrou no teu último emprego, até você falar assim: "Cara, eu tô bom nisso".
Demora uns três meses, até cê pegar, entrar ali e entender o que tá acontecendo. Eu perdi metade do meu ano. Imagina que eu começo o ano, aí eu vou falar da minha companhia.
Certo.
Eu começo o ano, eu tenho oitenta milhões de reais de folha que eu pago por ano. Eu começo devendo oitenta milhões de reais. Se eu não conseguir gerar lucro suficiente, pelo menos oitenta milhões de reais, tem família que eu não consigo pagar. Como é que eu vou ficar? Aí eu vou consumir o meu patrimônio. E aí como é que fica a minha família, que depende de mim?
As pessoas que dependem de mim, os outros negócios que eu sou sócio que dependem do meu aporte, certo? Então eu preciso de pessoas que entram ali e performam. Cê acha que eu realmente quero demitir alguém que vai me custar metade do meu ano pra ela voltar a produzir? E aí eu volto pra pergunta original: o que que é o lucro? O lucro, ele é nada mais do que o alfa que eu consigo extrair de uma venda.
E pra eu conseguir extrair lucro, eu tenho que ter eficiência. Ou seja, o número de pessoas que diretamente tá trabalhando na companhia e a qualidade do trabalho dela está intimamente ligada a essa eficiência. Se eu não demito a pessoa que é ineficiente, eu vou penalizar as outras pessoas que dependem de mim. E aqui eu tô usando o meu exemplo, mas pode usar de fábricas que empregam dez mil pessoas, e ela vai penalizar as pessoas que tão trabalhando, tão chegando no horário, tão entregando resultado, em detrimento de uma pessoa que talvez não esteja chegando no horário, não esteja entregando resultado.
Mas se a pessoa que não tá entregando resultado, ela não tá precisando passar por um treinamento, renovar ela?
Talvez, mas não, diga-
Acho que ela não pegou-
E a empresa deveria fazer isso.
Exatamente.
Não necessariamente ela é obrigada. Ela deveria. Não existe isso no acordo de trabalho. O contrato de trabalho, vamo lá pra definição do que é o trabalho. O trabalho é um contrato voluntário, certo? Então eu falo assim: "Cara, eu tenho um emprego pra você, mano. Tô montando, é, uma empresa lá, eu quero que você seja gerente de vendas, eu olho teu currículo e eu acho que você é um bom gerente de vendas".
Digamos que você não tá entregando o resultado.
No mínimo eu tenho que saber de vendas, né? Se for gerente, você vai colocar uma pessoa de gerente pra, gerente de vendas-
Eu tô assumindo que você sabe, é muito bom. Aí cê vai entrar na minha companhia, você não tá entregando resultado. No currículo, você é ótimo, mas você não tá entregando resultado. Eu vou falar assim: "Meu querido, muito obrigado. Eu vou ter que te demitir, que eu preciso de alguém que entrega resultado, senão vou ter que demitir todo mundo aqui".
Você como empresário falhar, você vai ter que fechar a sua empresa, cê não vai correr atrás de um, um empréstimo, um sócio, alguma coisa pra te ajudar. Simplesmente vai fechar a empresa porque você não se deu bem no que você fez agora. Tá quebrando.
Esse é o risco.
Mas não é o que as, os empresário faz, né?
Opa, é claro que é o que faz.
Não, ele sempre vai correr atrás de ou um empréstimo ou uma ajuda de um-
Selic tá quinze por cento ao ano, eu vou arrumar empréstimo a quanto hoje?
Cê vai procurar um sócio. Alguém vai te ajudar. Você tá indo pelo caminho errado, você tá errando nesse momento.
Eu sei, mas a gente tá entrando pro outro lado do debate. A gente tá falando se que a empresa tem que ou não demitir gente que não é-
Exatamente, a gente tá falando realmente de pessoas que tá-
Mas vamo pro lado do, do, do empréstimo, tá? Selic tá quinze por cento ao ano, tá? Hoje, se alguém for me emprestar um dinheiro, cê concorda que ela quer ganhar-
Em cima do seu, do que você pediu emprestado.
No mínimo quinze por cento ao ano.
Exatamente.
Mas não é sobre isso, porque quinze por cento ao ano eu deixo no CDB do banco e ganho.
Esse é o dever da outra empresa ganhar, entendeu? O fator é esse.
Quinze por cento ao ano, eu ganho deixando o CDB do banco. Eu sou investidor, eu falo assim: "Cara, ou você me dá pelo menos três, quatro vezes isso ou eu nem te empresto dinheiro". Que empresa que tem isso de margem pra conseguir pegar o empréstimo e valer a pena aí pagar o custo da dívida? Não tem, cara. Esse é o problema de você ter uma economia frangalhos como a gente tem, porque sobe muito a taxa de juros e o empreendedor, ele fica de mãos atadas pra to-- pra, pra tomar risco.
E o empreendedor, essencialmente, ele tem que tomar risco pra poder crescer a companhia. E crescer a companhia, essencialmente, é crescer gente. Eu preciso contratar gente. E se eu preciso ter eficiência pra ter lucro, aquelas que não são ef Obviamente produtivas, elas precisam ter de ser demitidas pra que eu possa contratar outras pessoas Não, discordo. Ela precisa ser renovada no que ela tá precisando fazer pra ela continuar.
E se eu não conseguir renovar? Meu, você pode ter uma, uma melhor gerente ali, se você conseguir mudar aquela pessoa porque ela tá ruim em alguma coisa. E se eu não conseguir? Às vezes é o próprio superior dela que tá em cima, que não tá suportando, entendeu? Você tem razão, as pessoas geralmente não abandonam a companhia, abandonam seus líderes, você tá certo. Exatamente. Agora, e se eu não conseguir?
E se o meu orçamento de treinamento for muito baixo? Né, o Brasil tem vinte e dois milhões de MPJs. Você voltou pensar pra você, o seu lado de empresário, não pro outro lado do CLT. Mas é óbvio que eu tenho que olhar pro meu lado da companhia. E o CLT tem que olhar pro lado dele. Mas aí quem vai pagar ele? A equipe dele. [risadas] Ele vai olhar quem vai pagar ele, certo?
Entendeu? E aí, qual que é o problema? Se eu não conseguir pagar o salário do resto da turma, o que que eles vão fazer? Eles vão embora, cê concorda comigo? Vão me processar e vão embora. Então não é muito melhor que todo mundo trabalhe junto- Mas muitas das vezes, eu posso responder por mim, que eu já trabalhei numa empresa, que ela até fechou, ela faliu- Tá bom ...que a gente ficou trabalhando com pagamento atrasado, VR caindo por dia.
Então tinha gente que não ia. Era mil e um funcionário, era dividido as pessoas. Então, tipo assim, não ia os mil e um funcionário trabalhar naquela, naquela época, que era dois prédios, um do lado do outro. Então, tipo assim, não vou porque eu não tenho dinheiro do transporte, não vou porque a empresa não paga o VR, não vou porque meu salário não caiu. Mas aí o- Os demais continuaram.
Mas aí vamo lá. Você tá no teu direito, a empresa não tá cumprindo o acordo de trabalho. Mas aí muita gente deu a mão pra continuar, manter o trabalho e ajudar a empresa. Mas a empresa, mas a empresa não tá preocupada se o funcionário tá indo ou não, ela tá querendo saber se ela vai resolver o problema dela. O empresário quer saber o do problema dele de hoje.
Olha, cara, ele tá, tá? Eu conheço vários empreendedores, e eu hoje tenho cinquenta e cinco mil empreendedores como clientes, e eu vou te dizer: se tem algo que deixa um empreendedor em frangalhos, é ele ter que fechar a empresa. Ninguém fecha a empresa feliz. Exatamente. O empresário nunca quer perder o, o, a empresa dele, como o CLT também não quer perder o emprego dele. Não, mas veja bem, se o empresário falhar, ele simplesmente acabou a vida dele.
Se você, a empresa falhar, o CLT arruma outro emprego, certo? Então é fácil mover pro outro, pra outro emprego. No caso do empreendedor, ele fica com a dívida pro resto da vida. Ele não quer falhar. Sim, mas é a dívida que ele vai negociar pra quitar. Ele vai quitar aquela dívida.
[aplausos]
Obrigado, irmão. Valeu. O segundo tema é: quem quer emprego sempre arruma trabalho. O problema é que ninguém quer começar de baixo. Quem quer vim pra cadeira? Tudo bem, cara? Prazer. Qual é seu nome?
Juliano.
Prazer, Juliano. Qual que é a tua opinião sobre o tema, Juliano?
Então, a partir do momento que você se prepara pra chegar no trabalho, você se preparou, você tá pronto, você entregou teu currículo, você tá pronto pra aquele trabalho.
Certo.
Cê não quer começar como office boy, já que você se formou como administrador de empresa.
Uhum.
Cê se formou pra administrar a empresa. Você vai chegar: "Ó, a gente tem uma vaga de office boy pra você". Não. Eu estudei pra chegar naquele ponto. É claro que o cara quando não tá preparado, ó, cê não tem preparo pra você ser o gerente, cê vai começar como office boy.
Uhum.
Mas a gente quando estuda, quando busca preparação, cê quer um emprego que seja cabível com o, o tempo que você investiu em faculdade, o tempo que você investiu de estudo, você quer que valha a pena. Cê chegar ganhando pouco, cê não quer. Daí o cara acaba esperando a vaga chegar e acaba ficando sem emprego e tem que correr pra outras áreas.
E aí ele vai fazer o quê nesse momento?
Então, essa que é a questão.
Aí ele vai fazer bico, vai correr pra outras coisas, né. Talvez não era melhor tentar começar de baixo e ir galgando um espaço, porque vamo pegar o teu exemplo. Eu estudei administração então, e aí eu entrei ali na empresa e falou: "Olha, eu não tenho vaga pra você ser um administrador, mas eu tenho vaga aqui pra você começar me ajudando aqui como um assistente e tal". E aí cê fala assim: "Pô, eu não estudei pra ser um pequeno assistente.
Era pra eu já chegar aqui, eu fiz uma boa faculdade, eu deveria ter um, um cargo que pelo menos pague o que eu investi na minha faculdade". Eu entendo o seu ponto, né.
Claro.
O problema aí é que é o seguinte, cara. O sistema educacional, em algum momento na história, ele realmente o currículo te garantia um lugar no mercado. Só que hoje, eu vou falar pela minha companhia, eu não olho muito o teu currículo acadêmico pra te contratar. O que eu quero saber é o que que cê já fez na vida, quais são as habilidades que você tem. Então se você aprendeu isso no ChatGPT, no YouTube, no curso online, mas se você teve o que me mostrar que você é competente, bom, eu vi projetos que você fez, eu converso com você, eu vejo uma profundidade técnica daquilo que você tá me ensinando, eu não tô nem aí se você é PhD, é, ou não, né.
Eu quero saber o que cê tem pra entregar. Então muitas vezes, você começar, vou usar o teu exemplo, como office boy, vai te permitir aí tendo contato nas companhias ou nas áreas da companhia, ir crescendo. Eu vou dar um exemplo pra você que é um superbacana, que acho que pode inspirar todo mundo aqui na roda, né. O fundador do BTG começou como office boy no Bradesco.
Uhum.
E hoje o BTG é uma empresa que vale dezenas de bilhões de reais. Ele começou como office boy no Bradesco, e aí por ser office boy, ele começou a ser útil pras pessoas e tem uma história superbacana, que ele fazia basicamente ficar levando envelope pra um lado e pro outro. E aí os gerentes lá do banco, na época lá do Bradesco, começou a pedir ele pra fazer um pouco a mais.
Ele saía seis, sete horas do trabalho, ele falou: "Eu posso ficar até mais tarde e você me ensina o que que cê faz?" Cara, se tem uma coisa que alguém gosta é fa-- é mentorar as pessoas. A gente quer ver gente esforçada querendo evoluir e mentorar. Eu pelo menos adoro.
Isso não é uma coisa muito comum na empresa, entende? A partir do momento que você tem uma vaga pequena, você não tem nem acesso ao seu patrão pra mostrar que realmente você tem um potencial.
Esse caso ele não era um patrão, tá? Ele era um gerente do banco ali. Então, e como o cara era o office boy que interagia com ele o tempo inteiro, ele viu que esse menino, ele era muito trabalhador, muito esforçado, ele falou: "Posso ficar até depois do tempo, cê me ensina o que que cê tá fazendo pra eu te ajudar?" Aí o cara falou: "Bom, cê vai fazer o meu trabalho?
Então demorou. Toma aqui que eu te ensino, cê vai fazer fechamento comigo." Ele foi aprendendo, virou gerente, daqui a pouco virou superintendente, daqui a pouco virou um diretor do Bradesco, daqui a pouco ele fundou o BTG. E ser empreendedor é exceção mesmo, né. Se todo mundo fosse ser empreendedor, quem que ia ser CLT? É, na verdade, é um, é um, é uma sinergia, é uma simbiose entre os empreendedores e o traba-- e os trabalhadores, que somos nós, eu e você, que produzimos a riqueza desse país.
Os burocratas, eles só consomem as nossas riquezas, não produzem nada. Eles vivem do seu trabalho e do meu trabalho. Então quando a gente pensa nisso Começar por algum lugar é, é, é preciso. Eu não sei se é começar como office boy, mas começar com alguma oportunidade. Mas o tema do debate, pelo menos o exemplo que eu usaria-
Aham.
É que muitas vezes eu vou pegar um exemplo. O jovem fez engenharia, então o sonho dele era começar um emprego onde ele entra ali como engenheiro. Talvez não há tantos empregos assim pra engenharia, dependendo do tipo de faculdade que esse jovem fez. Então a gente já viu casos que infelizmente esse jovem formado em engenharia ele tá sendo Uber. Mas aí ele tá fazendo Uber, pelo menos ele não tá passando fome, pelo menos ele co-- ele consegue ajudar em casa, ele tá dando um jeito dele.
Se ele chega ali eventualmente numa companhia e fala: "Cara, o que tiver pra fazer, tá bom. Me dá aqui, eu vou galgando um caminho melhor." Pode ser um caminho, né?
A, a questão que eu quero levantar aqui é o seguinte, que muitas vezes esse funcionário que fala alto, o que que ele produziu? O que que ele tá produzindo? Ele tem que ter o espaço pra produzir. Se ele não tiver o espaço pra produzir, ele não vai, vai produzir.
Valeu. [aplausos] Tudo bem, mano?
Oi, tudo bem.
Vamo lá, Davi, qual é o teu ponto sobre o tema?
Então, eu acho que você vim de baixo, é, se submeter a vim de baixo pra poder crescer não é um problema quando você se predispõe a isso. Mas se você já tá entrando no mercado já de baixo e daí você começa a subir, e aí você é demitido por alguma coisa de um contrato temporário, é, uma empresa que não dá um suporte pra você, uma infraestrutura que realmente te dê uma valorização, um desenvolvimento, né, às vezes essa, essa parte da pergunta de falar que quem quer pode e consegue arrumar emprego, é só ter força de vontade, não é.
Eu acho que no meu caso, por exemplo, eu tive muitos trabalhos temporários, eu mando currículo todo santo dia. Eu acho que você começar de baixo não é uma, uma, uma vergonha, nenhum problema.
Nenhum. Você tá me falando que tem uma escassez de trabalho no Brasil, é isso?
Tem uma escassez.
Você sabe qual é o desemprego no Brasil hoje?
Qual a taxa de desemprego? Não.
Sete por cento.
Sete por cento.
Sete por cento. Então assim, e qual que é o turnover do Brasil? Ou seja, turnover é quando a pessoa sai do emprego, né. Por ano, o turnover médio do Brasil é de cinquenta por cento. Ou seja, tem um giro muito grande de emprego.
Então, tem muita rotatividade.
Talvez isso é um-
Isso é um grande problema também.
Mas na verdade uma oportunidade pra quem tá buscando, porque se tem a rotatividade, abre-se uma vaga. Talvez você tá pegando uma experiência pessoal que infelizmente cê tá tendo, sinto muito, tá? De tentar conseguir um emprego, mas tentando colocar isso como uma verdade. Isso não é uma verdade. Você tem muitos empregos no Brasil. Talvez não tenha exatamente o que você quer.
Pode ter bastante emprego, pode ter que partes do, do país tenha bastante emprego, uma rotatividade maior. Eu tô falando pela minha experiência aqui em São Paulo.
Qual que é o teu caso? Qual que é a tua profissão? O que que cê tá buscando?
Eu tô fazendo gestão de RH.
Tá bom.
E trabalho com administração também. É, durante toda essa minha trajetória, é, trabalhando, eu trabalhei muito com, com empregos curtos. E não foi por, é, que eu quis, que eu não queria me desenvolver ou minha falta de desempenho. Eu não a-- consigo acreditar nisso pela forma que eu me esforço, pelos cursos que eu faço todo-
E quando as pessoas te, te demitiam, qual que era o feedback que elas te davam?
Não tinha feedback. Era-- isso era um grande problema das empresas que eu passei, pelo menos.
O que é um baita erro do gestor, né? No final do dia, ele tem que te demitir com feedback. Mas no final do dia, aquilo que eu te falei, cara, como empreendedor, ninguém vai te contratar querendo te demitir. O meu sonho é que alguém entre e fique na minha empresa pra sempre. Se eu tivesse uma lâmpada mágica pra esfregar e fazer esse pedido, esse seria o pedido.
Se você tá sendo demitido, é um feedback que o mercado está te dando, por mais que ele não esteja te dando diretamente, que é: existem coisas que você pode melhorar.
Não, mas se você não tem o desenvolvimento-
Depois eu te dou um toque ali, tá? Me lembra disso. [aplausos] Tudo bem? Qual é seu nome?
Bárbara.
Prazer, Bárbara.
Tudo bem? Você acha que meritocracia é uma, é uma exceção ou é uma regra?
Meritocracia...
Dentro do trabalho. Tipo, se eu me esforço muito, se eu fico até tarde trabalhando doze horas por dia pra um empresário, eu posso ser uma pessoa, uma gerente, uma líder?
Não necessariamente. A meritocracia não é o volume de trabalho que você coloca, é o quanto você é bem-sucedido naquilo que você fez. Se você me perguntar se eu acredito em meritocracia, sim, eu sou fruto de meritocracia.
Uhum.
Né? Eu sou filho de uma empregada, bom, de uma cabeleireira e um policial militar, que eu fui criado, por isso que eu falo que eu sou filho, pela minha avó, que é uma empregada doméstica, que trabalhava em três empregos, e eu, e ela me arrumou uma forma de morar de favor na casa do patrão dela junto com ela. É daí que eu vim. Então eu sou fruto da meritocracia.
Eu construí a minha própria sorte com, sim, muito trabalho, mas também um pouco de sorte e sendo bem-sucedido naquilo que eu fiz.
Quanto você trabalha? Quantas horas por dia você trabalha?
Enquanto eu tô acordado. Sem o meu nosso domingo.
Cê acha saudável isso?
Pra mim, é a forma como eu escolhi viver, mas nem todo mundo tem que viver assim.
Sim.
Nem todo mundo tem que ser empreendedor.
Aí você acha que essa pessoa que não vive assim, ela pode ser um CLT?
Pode.
E aí ficar ganhando três mil reais por mês pra sempre, tendo condições de trabalhos que não são boas, não tendo home office, não tendo atualização, por exemplo, que cê tá-
Não, ela pode mudar de emprego, ela pode procurar um lugar onde tenha home office-
Mas a gente acabou de falar que tem um problema super sério pra, pra empregos. Tá difícil arrumar emprego.
Não é verdade.
Não é verdade?
Tem sete por cento de desemprego no Brasil só. Não é um problema muito grande.
Entendi.
Cê tem cinquenta por cento de turnover. Eu tô te dando dado. Você tá pegando a experiência pessoal, que eu sinto muito que cê esteja vivendo.
Não, não, não.
Mas colocando como realidade.
Pra mim não é um problema, porque eu não tô procurando emprego, entendeu?
Ah, entendi.
Pra mim não é um problema, eu tô falando de um problema social.
Eu entendi.
A gente tem problema assim, aqui todo mundo tem, teve problema pra arrumar emprego.
Eu entendo que sim.
Não é uma coisa simples.
Mas aí é o que a gente falou no debate. É a gestão de expectativa.
Uhum.
O que eu quero versus o que eu consigo nesse exato momento. E a meritocracia ela entra em você, pelo seu mérito, pelo seu trabalho, conseguir galgar um espaço na companhia entregando valor. Vou te falar um negócio. Tudo que o empreendedor quer é alguém que entregue valor pra companhia dele. Ele quer pagar bônus pra isso.
Aham.
Ele quer muitas vezes fazer com que as pessoas sejam sócias dele por isso, entendeu? Se você entra-
Não, não é verdade.
Eu faço isso.
É o que eu tô falando, são muitos-- eu já trabalhei em dez empresas, eu tenho vinte e seis anos.
Uhum.
Eu tenho pós-graduação, eu fiz faculdade, eu tive mu-
E por que que cê não tá procurando emprego?
Porque eu tive muita experiência e eu acho que as pessoas exigem demais De coisas que eu já tenho e já posso entregar e eu não sou contratada praquela vaga específica, entendeu?
É porque você tá escolhendo demais, você tem que conseguir focar no mínimo.
Mas eu posso escolher demais. Eu, eu tô te falando, eu sou contratada-
A tua vida permite porque você tem formas de viver-
Não, porque eu não preciso trabalhar pra outra empresa. Eu posso empreender, mas pra ganhar um salário normal, entendeu? Tipo-
Isso aí, cê tem razão
...um valor específico, eu posso. Hoje, hoje eu faço isso-
Olha o dado que eu vou te dar. Quanto que você acha que, na média, um empreendedor brasileiro, dono de empresa, ganha por mês?
Eu queria te perguntar isso.
Chuta pra mim um número.
Cê disse pra mim que sua, sua folha de pagamento é oitenta milhões.
A minha. Mas quanto que cê acha que na média-
Quanto que cê fatura por mês?
Quinhentos milhões por ano. Agora me fala o seguinte, na média-
Como isso? Não faz sentido.
É, ué.
Oitenta milhões por mês, cê paga de-
Não, oitenta milhões por ano.
Por ano, ah, tá.
Me fala um negócio, quanto que você acha que um empreendedor ganha por mês, bota no bolso por mês, na média?
Depende do empreendedor, depende da empresa, depende do negócio.
Chuta um número. Se for chutar um número da média brasileira.
Não sei te dizer.
Chuta, pô.
Me fala você, você que é empreendedor, eu quero saber esse dado.
Eu vou te dar um dado, cê vai ficar chocada.
Diga.
Mais ou menos três mil reais. Eu trouxe o dado pra vocês que eu sabia que cês não iam acreditar. Ó!
Então, cara, vai ser CLT, véio.
Lê pra turma aqui ó, que que eles tão falando aqui ó.
Quase setenta por cento dos empreendedores brasileiros têm renda de até dois salários mínimos.
Esse dado do Sebrae, não é verdade?
De quando esse dado aí? Me fala-
Agora, do ano passado.
Do ano passado, quando?
Ali ó, olha a datinha aqui ó.
Aqui ó.
Aqui ó.
Tá.
Dado de-
É de nove do dez de 2023. Não, é dois anos já quase.
Mas não vai mudar muito, cê concorda? Obrigado, tá? Tudo bem, irmão? Pode dizer o nome?
Lucas.
Prazer. Imagina, Lucas, você tomar risco, começar o ano sem saber se cê vai sair vivo desse ano pra ganhar dois salários por ano. Vale a pena, não?
Não, mas assim, quando a gente entra numa empresa-
Vale a pena, se der certo, né? Se der errado, não vale.
Pô, é o seu negócio, cê tá construindo algo, mas quando a gente entra numa empresa, é, você é empresário, eu tô trabalhando ainda minha identidade profissional.
Legal.
Acredito que todo mundo poderia tá fazendo isso, mas quando cê chega numa empresa, cê tem que fazer o previsto das oito, das oito à dezoito-
Pelo menos
...e você não, não tem espaço pra mostrar o seu talento.
Ué, mas das oito, das oito às dezoito cê vai fazer o quê?
Você faz o previsto. Você abre uma planilha, você coloca os dados-
Ali cê vai mostrar o seu talento, pô. Não é?
É o seu talento operacional ali fazendo o previsto.
Mas é o que eu quero nessa função. Imagina, cê di-- você falou de abrir a planilha. Digamos que cê seja uma analista, tá? E que você me entregue ali, é, insights que vão permitir com que eu aumente o lucro da minha companhia.
Perfeito.
Que que cê acha que eu vou fazer com um cara igual você? Cê acha que eu vou querer te mandar embora ou querer fazer com que cê cresça na companhia? Cê tá me gerando dinheiro. Cê concorda comigo que eu vou querer que cê me gere mais dinheiro? E aí eu vou te remunerar mais, senão cê vai embora, né?
Sim
Se você é talentoso. Então você desenvolve o seu talento através do trabalho, executando aquilo que cê tá fazendo. E olha que maravilha. Em outro momento, cê ia ter que ir pra uma pós-graduação pra aprender essas coisas. Hoje cê abre o ChatGPT e fala assim: "Cara, o que que tem de insight pra eu fazer uma análise melhor aqui?" Ou talvez cê nem faz, cê usa o Manus, que é uma outra AI pra fazer essa análise pra você.
Eu não tô nem aí como empreendedor, só quero pronto. Se você me entregar o dado e falar assim: "Tallis, investe nesse negócio que eu tô te falando aqui ó, fiz a análise pra você, isso vai ser bom pro negócio." Se é bom eu vou falar: "Parabéns, irmão. Continue fazendo isso." Daqui a pouco eu vou falar: "Cara, eu quero que você agora seja gerente, contrate outras pessoas, eu quero que mais pessoas façam o que cê tá fazendo."
Por quê? No final do dia, a função da empresa é gerar lucro. E eu preciso de pessoas que me ajudem a gerar lucro, porque enquanto eu sou um pequeno empreendedor, um microempreendedor, sou eu fazendo ali, dando um jeito. Pra eu crescer essa companhia, eu preciso de gente. Eu preciso de gente melhor do que eu tecnicamente. Se essas pessoas me dão dinheiro, eu quero remunerá-las, porque senão alguém vai contratar, pô.
Né? Tem vinte e dois milhões de CNPJs no Brasil, tem um monte de gente tentando contratar a minha empresa o tempo inteiro, as pessoas tentando contratar meus funcionários porque são muito bem treinados. Então se eu não remunerá-los melhor, eles vão embora. Eu vou ter o trabalho de tentar contratá-los novamente, eu vou ficar perdendo tempo com esse negócio.
Com certeza. Nesse cenário hipotético é muito bonito.
É.
Se supostamente todas as empresas fizessem isso, ia ser excelente. Cê estou o dado do microempreendedor do Sebrae, só que o Sebrae-
Não micro não, é a média do empreendedor brasileiro
É que o Sebrae, ele é o maior órgão de apoio ao microempreendedor e o pequeno empreendedor do Brasil-
Mas ele tem o censo de todas as empresas brasileiras, né?
Eu faço faculdade lá-
Legal
...no próprio Sebrae.
Legal.
E bom, não, não é muito assim que acontece. Geralmente você, eu acredito que todo mundo aqui pode concordar, né, a gente que tá no papel de quem tá executando o operacional, a gente faz o mínimo ali, porque não importa se a gente faz o mínimo, se a gente faz o médio, se a gente faz o máximo, o resultado é sempre o mesmo.
Irmão-
O pior é quando tem um gestor mais empinado ali
Deixa eu te falar uma parada, de verdade, aqui uma, um conselho de amigo. É uma pena que você faça isso com você mesmo, porque pra empresa, você tá fazendo o mínimo e daqui a pouco tem alguém que vai fazer um pouco mais e ele te demite e contrata outro, e contrata outro. Mas você não vai se dar a oportunidade de se desenvolver e conhecer a sua potência.
Então eu quando tava na tua cadeira, quando eu fui funcionário, e já fui funcionário algumas vezes na minha vida-
Hoje não, hoje eu tô demitido.
Não, mas eu já fui funcionário algumas vezes na minha vida, eu trabalhava, cara, até onze e meia noite sem precisar. A turma saía às sete horas da noite, eu trabalhei no Ortobom. Eu, eu lembro que a gente tinha que bater o ponto, eu batia o ponto, voltava escondido pra minha sala, fechava a porta e ficava até onze e meia noite, na época eu tava fazendo o e-commerce dos caras.
Por que que eu tava fazendo isso? Não é pra empresa não, era por mim. Então você fazer o mínimo, você tá se enganando. Cê não tá enganando tua empresa, não. Não tá enganando teu patrão, não.
Eu entendi. Não é o que eu faço, mas é algo que eu trouxe pra gente discutir.
Tamo junto, moleque. Valeu. Tamo junto, meu brother. O terceiro tema é: a culpa da demissão é sua. E aí, irmão.
Tudo bem? Prazer.
Tá bem vestido, hein, moleque. Estiloso.
Isso é estiloso.
Qual que é a tua opinião sobre o tema, cara?
Bom, eu não concordo com a situação, porque eu acho que muitas vezes o funcionário ele se dedica, se esforça, dá o máximo de si dentro da empresa-
Uhum
...e muitas vezes quem é valorizado é quem menos trabalha, quem menos faz as coisas dentro da empresa. Ó, eu trabalhei numa empresa que eu cheguei cerca de um mês, provavel
Por volta de um mês e eu me dedicava ao máximo, cortava a placa de radiestesia, sabe?
Eu não sei o que é radiestesia, mas imagino que é uma placa.
Desenhos pra tratamento de radiestesia.
Tá.
E me dedicava pra caramba, assim, de verdade, em todas as minhas funções.
Uhum.
Limpava o ambiente e quem ficou foi a que menos fazia as coisas dentro da empresa.
Que era a que puxava saco, que conseguiu galgar o caminho dela.
Cara, eu não sei se ela puxava saco.
Vou te falar o que que acontece. Ou seja, o que você tá me dizendo é: "Cara, eu trabalhava muito bem, eu me esforçava, eu fazia mais do que era pedido e eu não era reconhecido." Essencialmente é isso que cê tá falando pra mim.
Sim, mas é sempre assim.
O que cê tem que fazer?
Todas as empresas que eu passei, que eu já passei.
Não é verdade, a minha não é assim. Quem é bem gerido, não é assim.
Ué.
Quem sabe? Tem vaga aberta. Mas a verdade é, o que vo-- o que, o que você tem que fazer no final do dia, quando você não tá se sentindo reconhecido, isso vale pra todos vocês, você tem que pedir demissão, porque se você é um bom, é um bom funcionário, se você faz mais do que é pedido, vai ter empreendedor sério que tem uma boa gestão que vai te-
Mas como que a gente vai pedir demissão se a gente tá precisando do dinheiro?
Você vai procurar outro emprego, você vai mandar currículo, você vai buscar uma agência.
Emprego não surge assim do nada. Não, a gente se dedica, a gente faz o máximo na empresa e quem fica geralmente é o que menos trabalha, cara.
Não é verdade. De novo, cê tá pegando uma experiência pessoal sua e transformando isso numa verdade.
Não foi só uma experiência, foram várias experiências na minha vida.
E, e tem várias pessoas que já passaram pela mesma experiência sua, que não quer dizer que seja uma verdade, nem a maioria, certo?
Uhum.
Então o que acontece é, quando você não tá se sentindo reconhecido, você tem uma escolha, o contrato de trabalho, ele é uma escolha. Você pode ou não ficar. É?
Pô, meu Deus.
Beleza.
Por favor.
Parabéns, irmão. Valeu.
Vamo lá.
Vamo lá.
Eu vou discordar de você novamente.
Tá bom.
Porque temos vin-- eu sou um dos vinte e oito desempregado aqui, com aparência diferente. Cada um sua aparência.
Hum.
Eu fui demitido por causa da minha aparência.
Pô.
E foi dito isso.
Você tomou esse feedback?
Foi.
Você não aparenta bem.
Exato. Não, depois de dez meses-
Hã
A síndica queria que eu cortasse o cabelo.
Certo.
Sendo que eu me ofereci pra cortar o cabelo quando eu entrei no meu emprego.
Certo.
Aí você fala que posso mudar porque eu tenho currículo? Não.
Não, cê pode cortar o cabelo.
Eu posso demitir. Não. Eu quando eu entrei-
É uma escolha, certo?
Não.
Você pode falar: "Não quero mexer no meu cabelo, eu gosto do meu cabelo." Então vai pro emprego.
Dez meses depois, não. Se você tá no, ali, fazendo uma entrevista, você me passa, que eu vou mudar a aparência, beleza.
Cê sabe que ela não pode falar isso com você na entrevista, né?
Eu sei disso.
Juridicamente, ela não pode falar.
Não, na, na empre-empresa.
Ela pode, por exemplo, depois que você tiver contratado, falar assim: "Cara, posso te dar uma sugestão?"
Ela pode não contratar.
Existe um padrão aqui, tal.
Você vai ouvir-
Você quer, você quer, pô, se adequar a esse padrão ou não, e você pode falar: "Não, eu gosto de mexer-"
Não me enquadro, não vou trabalhar naquele ambiente porque eu não sou...
Perfeito, cê vai pra outro emprego.
Exato. Não, então, no começo, eu vou tá avaliando isso.
Agora eu vou te dar a minha opinião sobre o que ela fez, ela fez errado.
Exato.
Eu não faria assim. Se pro ambiente que eu trabalho, o teu cabelo é um problema, pro meu ambiente não tem problema nenhum o teu cabelo, mas pro ambiente que eu trabalho, o teu, o teu cabelo é um problema, eu não deveria te contratar. Então já começa por aí.
Exatamente, é isso que eu penso.
Mas uma-
Mas você falou pra pessoa, tipo assim, pra procurar outro emprego, né?
É óbvio.
Eu vou começar tudo de novo, vou, vou bater em porta de outro lugar.
Então corta o cabelo.
Fazer exame, etc. Não, eu, eu nem, eu nem pedi pra ir pra ela. Ela me ligou, entendeu?
Mas então, você só tinha duas escolhas ali. Ou você, no caso que cê tá me contando, né?
Não, mas o meu-
Ou que cê corta o cabelo ou cê procura outro emprego.
No meu emprego, eu tava indo muito bem. Com meus clientes, eu tava indo muito bem. Então eu tava fazendo meu trabalho muito bem.
Eu entendo, mas aí você tem um, sei lá, uma pessoa que era tua chefe, que ela que tinha a caneta e ela que ia tomar a decisão, ela te deu um feedback. Cê pode ouvir e seguir na companhia ou não, e arrumar outro emprego.
[risos]
Tudo bem?
Olá, tudo bem?
Como é que é seu ponto aí? O que que cê acha sobre o tema?
Eu discordo.
Uhum.
Porque eu tinha um sonho de trabalhar no banco. Eu comecei terceirizada na empresa.
Uhum.
Eu trabalhei por treze anos nessa empresa. Me dei o máximo. Eu me cobrava, não, não precisava ninguém me cobrar. Eu mesmo me cobrava. Só que eu adoeci, tive burnout, e aí eu tive que ficar afas-afastada pelo INSS. Quando eu voltei, eles me desligaram.
É. Olha, primeiro eu sinto muito que cê tenha passado por isso, tá? E segundo que é o seguinte: a companhia, no final do dia, eu não acredito que ela tenha te desligado só porque cê ficou afastada um tempo.
Mas eu acho que os resultados eram-
É porque os teus atos no trabalho-
Não
Em algum momento, ele co-- ele incomodou quem é o teu gestor.
Não tinha como. Sabe por quê? Porque-
Eu não posso julgar porque eu não conheço.
Não, porque eu sei que-
Eu vou seguir o que cê tá me dizendo.
Porque assim-
Mas eu tô falando do lado de alguém que é gestor.
Sim, mas quando eu-
Eu não vou gerir alguém que é importante, eu não vou demitir alguém que é importante pra mim, não faz sentido.
Mas quando eu voltei, eu sabia que eu tava na, eu estava na estabilidade e eu fiz de tudo pra me destacar justamente pra não ser desligada.
Entendi.
Então, assim, eu acho que foi uma injustiça, porque eu, eu, é, foi o meu sonho, eu, eu fiz mu-- duas faculdades pra entrar. Eu deixei o meu filho muitas vezes pequeno pra trabalhar. Quando eu trabalhei home office, eu não, eu não parava nem pra, pra, pra almoçar. E eu fiquei doente de tanto trabalhar. Não fiz o mínimo, que nem você falou.
Sim.
E aí eu fui mandada embora.
Acho que é o seguinte: a julgar pela informação que cê tá me dando, eu concordo contigo. Foi injustiça mesmo, né, o que fizeram com você. Eu não sei qual foi os motivos que eventualmente eles se, te deram ou eventualmente eles pe-- usaram.
Porque eu fiquei doente.
E eu nem tô aqui pra defender a empresa que te demitiu.
Não, mas eu, eu, eu-
Acho que eu tô aqui pra defender um tema-
Não, sim
Que é apartado da experiência pessoal que cada um aqui viveu, que é a demissão é culpa do funcionário.
Então, mas a culpa não foi minha.
Com relação a esse tema, eu concordo com você que a culpa não foi sua.
Porque eu trabalhei o máximo que eu podia.
A gente, a gente tá alinhado, a gente tá alinhado nisso aí que foi um erro da companhia de ter te demitido, dado que os, o que cê tá me dizendo, os fatos, é isso. Eu não teria demitido alguém, é, nesse caso, tá? E de novo, não estou aqui pra poder, é, defender a companhia, não sou advogado de companhia.
Não, sim, só que assim, é, eu ouvi do meu gestor, quando eu voltei, que mesmo eu doente, eu tava assim, é, mesmo, assim, com as dificuldades que eu estava, com as limitações que eu estava, que eu não poderia continua-- é, que eu não poderia continuar no ca-- naquele cargo, porque nenhum gestor queria trabalhar comigo, porque eu estava doente.
De novo, não tô aqui pra defender a companhia. É, dado os fatos que cê tá me dando, realmente foi uma demissão, é, injusta pra você, mas a vida é injusta, a gente sabe que é, né? A vida, a gente deveria buscar justiça na nossa vida, e a forma que cê tem de fazer isso, cê tem N formas, desde caminhos jurídicos ou até, cara, você se Como você é uma boa funcionária que cê falou e já tem experiência, com certeza você deveria conseguir se recolocar.
Sinto muito, tá?
Obrigada. [aplausos]
Você acha que em todos os casos a culpa da demissão é do funcionário?
Não. Por exemplo, o caso dela, dado os fatos que ela me deu, não é do funcionário.
E você não demitiria alguém que ficou afastado por seis meses, cê falou? Seis meses. Sendo que você me falou que se o funcionário não tá dando lucro, ele não é útil.
Pois é, mas no caso é o seguinte: se, é, se ela é uma pessoa que tá sempre em destaque, batendo as metas dela e ela teve um problema de saúde que ela se afastou, eu não quero perder essa pessoa, eu quero que ela se recupere.
Tá, me deixa eu lembrar de uma palavra que ela falou, ela teve um burnout por conta do trabalho.
Perfeito.
Aí a gente já sabe que tem um problema ali.
Uhum.
Seus funcionários, cê tá acompanhando se seus funcionários têm problemas?
Estou, eles têm-
De burnout.
Eles têm inclusive suporte psicológico pra isso.
É.
Exatamente. E acontece, tá? Eu já tive casos de burnout na minha companhia.
Uhum.
Agora, o que a gente faz quando há casos de burnout é suportar aquelas pessoas, porque se ele tá ali, ele não foi demitido ainda, é porque eu quero que essa pessoa trabalhe de novo.
Porque é um bom funcionário.
Porque é um bom funcionário, porque entrega resultado pra companhia.
Entendi.
Eu não faço favor pra ninguém, tá?
Aham.
Eu só estou contratando as pessoas, porque eu preciso das pessoas. Se eu não precisasse, eu não ia contratar. Empresa não é ONG, foi o que a gente começou a falar aqui. Eu mantenho uma pessoa no trabalho dela, porque ela traz lucro pra companhia. Então, se eventualmente eu preciso que essa pessoa se afaste pra ela se recuperar, mas eu não consigo achar uma pessoa melhor que ela no mercado, eu quero que ela volte, eu quero que ela se recupere.
E foi o conselho que eu dei pra moça que tava aqui agora. Eu falei: "Olha, sinto muito que isso aconteceu.
Uhum.
Não sou advogado da empresa, não tô aqui pra poder defender a companhia. O que você tem que fazer, dado que você tá se tratando daqui a pouco, é procurar uma outra companhia, porque cê tem experiência, você é batedora de meta, você é destaque."
Você demite muitas pessoas hoje ou você faz esse acompanhamento?
Eu demito muitas pessoas e também faço acompanhamento. Eu faço os dois. Treinamento-
Quantas pessoas cê demite?
Opa, centenas.
Me dá dados, você é o homem dos dados.
Centenas de pessoas, sim, centenas de pessoas por ano. E também contrato centenas de pessoas por ano.
Centenas?
Centenas. É isso aí. Ah, de novo, eu não sou ONG, eu não tô aqui pra fazer caridade.
Uhum.
Eu tô aqui pra fazer com que a companhia tenha mais resultado e que entregue valor pro meu cliente. Se a pessoa é essa pessoa, eu quero desenvolvê-la, eu quero que ela cresça na companhia, porque vai ser bom pra mim, pra minha companhia. Entende o pon-
Tá. Aliás, sua liderança tá alinhada com você?
Superalinhada.
É uma pergunta muito importante, porque as lideranças não tão alinhadas, elas não tão acompanhando se a pessoa tá dando resultado de verdade ou não.
De novo.
A liderança tem-
A gente tá generalizando, isso não é verdade.
Não, mas-
As lideranças, como se todas as lideranças.
Não, nós-
Algumas lideranças, esse é o tema.
Estamos fa-- estamos num debate onde tem vinte e oito pessoas que concordam com esse ponto.
Uhum.
E você é um empresário que conhece outros empresários que concordam com outros pontos.
Sim, mas vamo lá.
Então a gente não tá tirando um dado do nada, a gente tá tirando um dado de experiências de cada um aqui.
Chama experiência empírica, né?
É.
Tô pegando minha experiência de vida.
Exato.
Mas aí a gente tem que ter uma definição pra isso, né? Não posso falar "as lideranças não são alinhadas", é "algumas lideranças não são alinhadas".
Algumas, vamos lá.
Não são todas.
Aham.
Então concordamos nesse ponto. Essas precisam se preparar, inclusive minha companhia ajuda elas nisso, pra que eles sejam melhores líderes, pra que as companhias sejam melhores geridas, pra não perder pessoas boas, como provavelmente algumas das pessoas que tão aqui, podem ser que sejam boas, como a moça que tava aqui debatendo comigo, eventualmente é uma boa funcionária.
Então.
Aliás. [risos]
Volto na questão do burnout, eu não consigo mais me recolocar no mercado justamente pelas sequelas que eu fiquei devido ao burnout. Ou seja, eu tenho sequelas psicológicas que me, que me impossibilitam de trabalhar.
Uhum.
Eu tomo remédio, eu faço tratamentos.
Uhum.
E eu perdi todos os benefícios da empresa de convênio, enfim, justamente pelo problema que eu tive.
Uhum.
E hoje eu não consigo mais trabalhar. Eu já tentei passar por algumas entrevistas, já tentei ir em treinamentos e eu comecei a passar mal, justamente porque hoje eu tenho essa dificuldade.
Veja, primeiro é, como eu te disse, eu sinto muito que cê esteja passando por isso. Eu imagino que deva ser muito duro cê querer fazer alguma coisa e não conseguir. Você tem que procurar um caminho pra que você consiga resolver isso. Eu não sou médico, eu não tenho profundidade pra debater isso, eu não consigo-
Não, sim, mas eu, eu sempre fiz o meu tratamento.
Tá.
Só que faltou respaldo da empresa.
Eu não tô falando que você não tá fazendo.
Não, não, sim, mas-
E de novo, não sou advogado da empresa, eu tô aqui pra defe-demi-
Eu sei, mas faltou o respaldo da empresa. É, quando eu con-- quando o burnout, que agora tá mais, é, o pessoal conhece mais, agora ele tá mais em alta, infelizmente, é, as empresas, elas não colocavam pessoas, é, qualificadas para nos ajudar, para nos entender o que que tá acontecendo com essa pessoa.
É.
Que nem a nossa amiga falou-
Posso te dar um dado de um negócio que acontece?
Sim.
Que eu vejo? E eu já passei por isso, tá? Tem pessoas que o caso é sério, como o seu, que pelo que cê tá me falando, parece sério mesmo e é grave, a pessoa realmente tem burnout.
Sim.
Agora, cê reconhece, ou pelo menos sabia, de pessoas que inventam isso também? Então as companhias muitas vezes, eu já passei por isso.
Não tem como inventar burnout.
Opa, eu já passei por isso.
Não tem como inventar.
As pessoas inventam-
Quem vai querer tomar remédio tarja preta?
Ah, é, mas aí ela toma remédio. E quando não toma? Aí fala: "Não, eu tô burnoutado, eu não posso trabalhar."
Mas o psiquiatra, ele não, ele não, o psiquiatra identifica que de fato se a pessoa tem ou não.
Se você tiver o laudo, tá falado. E quando o laudo vem negativo? Vai falar: "Não, mas eu tô."
Não, mas aí-
Aí é o transburnout, ele se sente com burnout sem burnout. [risos]
Mas aí cê vai passar por uma perícia pelo INSS.
Não é? Já viu esse caso? Não tem o transburnout? [risos]
Mas aí você vai passar por uma perícia pra ver sério.
Cê tem razão, o que eu tô dizendo é quando a perícia vem.
Sim.
O, o psiquiatra fala: "Não, não tem burnout." "Não, mas eu me sinto com burnout."
Não, sim.
Então você é transburnoutista.
Aí é outra situação. Mas eu tô falando assim, quando a pessoa vem, porque eu fiquei afastada pelo INSS.
Não tô fazendo brincadeira com teu caso, tá?
Ah, não, sim.
Eu não conheço teu caso.
Não, tudo bem.
[risos] [aplausos] Cê entendeu que eu não tô brincando com seu caso, né? Tá? Cê entendeu. O quarto tema é: o mercado tá cheio de profissional mimado e sem resiliência. Eu não contrato gente woke pra minha companhia. Quem quer debater? [risos] Vamo lá. Meu grande debatedor, qual é o teu ponto sobre o tema, irmão?
Eu discordo, vamo lá.
Por quê?
Quais são os benefícios da sua empresa pra você, é, escolher o que você quer dentro da sua empresa?
Salário bem acima do mercado, bônus, possibilidade de se transformar em sócio, ter contato com empreendedores do Brasil inteiro, ter acesso ao melhor programa de formação executiva do Brasil. Tem bastante benefício.
Na sua empresa.
Na minha empresa.
Não falo dos empresários em geral.
Não, tô falando da minha, eu tô da minha.
Tá, qual que é o benefício hoje? É o vale-transporte?
Depende da companhia.
Não, porque vale-transporte não é-
Mas esse não é o tema do debate.
Não, sim.
O tema do debate é que o mercado tá cheio de profissionais sem resiliência.
Ele tá querendo escolher.
E muito escolhem ele falar: "Ah, mas qual que é a diversidade da companhia?" Que que a companhia tem a ver com isso?
Só que o jovem aprendiz que quer aprender a trabalhar, ou a sua empresa vai pedir, é, experiência no mercado. E ele não tem experiência, a pessoa. Cê tem que dar esse espaço pra ele aprender.
Eu não tenho, mas por que que eu tenho que dar? Ué, você que é o- Às vezes até a obrigação de dar espaço pra alguém. Como que a pessoa vai trabalhar se ela nunca trabalhou? Aí cê quer experiência da pessoa no primeiro emprego. Ela vai ter que galgar o caminho dela, irmão. Da mesma forma que o empreendedor, ele tem que galgar o caminho dele pra fazer o negócio certo.
Então se ela tá estudando, ela pode escolher sim. Mas- Então ela pode escolher pra onde ela vai e o valor que ela quer. Ela pode escolher. O empreendedor não tem a obrigação de aceitar. E ele também não tem a obrigação de aceitar o que a empresa concorda, entendeu? Não, mas se liga. Você que tá buscando emprego, vamos colocar você é o jovem empreendedor, você tá buscando emprego.
Eu não tenho obrigação nenhuma de te contratar. Certo. Certo? Eu não sou ONG, eu não sou governo, eu sou uma empresa. Exatamente. Se você me provar- E eu não sou escravo pra você, tipo- Mas ninguém tá falando que cê é escravo. Ninguém está falando que cê é escravo. Exatamente. O ponto é, se você quer trabalhar na minha companhia, cê tem que provar que cê tem competência pra entrar lá.
Exatamente. Um contrato de trabalho é um contrato livre, onde eu contrato quem eu quiser e você trabalha se você quiser. Exatamente. Você seria escravo se eu fosse te obrigasse a trabalhar lá. Então te boto numa fazenda e cê fala: "Não quero trabalhar mais aqui." Eu trampo com a, a porta, te prendo lá, isso é escravidão, é crime, a Polícia Federal tem que cuidar disso. Não, aí cê coloca- Eles não tão falando disso.
Aí cê coloca no contrato, vamo, vamo trabalhar de segunda a sexta, final de semana, hora extra, se quiser. Cê vê que seu funcionário não tá- Se você quiser trabalhar pra isso, beleza ...te produzindo no final de semana porque não quer fazer hora extra, porque não é obrigado, aí cê vai mandar ele embora, ué. Vamo colocar, deixar o pessoal que tá fazendo hora extra. Vamo lá. Tá rendendo pra gente.
Se eu preciso de hora extra e eu tenho um limitante ali pra poder pagar em pessoas, pra um gasto de pessoas, e eu tenho pessoas que querem fazer hora extra. E outras que não querem. E de repente outras que não querem, eu vou priorizar quem? Eles. Claro! Tem diferença de errado nisso? Não, mas você colocou-- Exatamente. Cê vai, cê tá demitindo pessoas porque não tá fazendo hora extra, é isso?
Ué, se é o que, se eu tenho que fazer uma escolha, qual o problema? Nada. Eu tenho obrigação de manter a pessoa que não tá fazendo hora extra- Se ela tá- Se eu preciso de gente que faça hora extra? Eu acho que sim. Claro que não, aonde que na lei tem essa obrigação? Então, mas por que você quer demitir a pessoa? Ué, se a- Cê não tá produzindo ...se eu tenho uma escolha.
Certo. Eu tenho cem reais, cem dinheiros pra pagar essas pessoas. Certo. E eu tenho gente aqui disposta a pegar esses cem dinheiros aqui. E tem um outro aqui que não quer. Eu vou ficar fazendo o que com ele na companhia? Ou eu preciso de mais força de trabalho. Essa pessoa fala: "Ah, eu não quero fazer hora extra." Eu falo: "Beleza, tem alguém que quer?" "Quero." "Obrigado, irmão, pelo tempo que cê trabalhou, aqui tá aqui seus direitos, vem pra cá, cê tá demitido, eu contrato outro."
O que que tem de errado nisso, pô? É um contrato livre de trabalho, você fica se você quiser. E eu também fico com você se eu quiser, certo? Se a empresa se transformar numa ONG, aí é outro caso, mas não, eu preciso ter lucro, preciso ter resultado. Aí que entra a meritocracia, quem trabalha mais, se esforça mais e é tecnicamente entregue no resultado- Eu tô demitido desse assunto.
[risos] Valeu, mano. [aplausos] Qual que é o seu nome?
Vitória.
Vamo lá, Vitória, qual que é o teu ponto sobre o tema?
Então, se você quer que a pessoa faça hora extra, por que que você não contrata ela de segunda a sábado?
Posso fazer isso também, mas é que o tema do debate nem é esse, a gente só entrou ali, né?
Ah, tá.
O tema do debate aqui é: a gente tá em, com o mercado, com pessoas, que inclusive tem até um termo pra isso, né, nem-nem, né? Que nem trabalham, nem procuram emprego. Mui-- não são todos, a gente não pode generalizar tudo. Alguns não têm resiliência, alguns entram com a cabeça que é, é, tá cheia de direitos, mas também não quer também jogar luz às suas obrigações. Alguns entram em companhia, por exemplo, e falam: "Ah, aqui se não tiver home office, eu quero, pô, eu não quero trabalhar aqui também."
Então-
E você acha que a gente não, não, não tem que ter direitos?
É claro que tem que ter direitos, em qual momento que eu falei que não? É só que também tem que ter obrigações.
Você tem que obedecer.
Certo?
Mas um funcionário que cumpre as suas obrigações, você acha que ele não tem que ter um direito?
Claro que sim. Em momento nenhum eu falei que não. A gente tá alinhado nesse tema.
Sim.
O ponto aqui que a gente tá falando é, cê tem funcionários que são mimizentos, que acham: "Ah, mas agora eu tenho que ter café da manhã na companhia." Se a companhia puder pagar e for do interesse da companhia, ela vai botar. Se for bom pra companhia, ela vai botar. Aí o funcionário vai falar assim: "Não, eu tenho que ter direito de café da manhã." Desculpe, cê não tem que ter.
Então você tem que ver a-
Cê tem que procurar uma outra companhia que dá café da manhã.
Cê tem que ver algo que é bom pra companhia e pro funcionário, não só pra companhia.
Todo empreendedor que é bom vai ver isso.
Não vai.
Porque senão, o bom, eu tô falando o bom.
Então não tem bom.
Todo empreendedor que é bom-- opa, tem. Na minha companhia é assim. Em vários dos clientes, eu tenho cinquenta e cinco mil companhias como clientes, vários são assim. Por que que acontece isso? Porque é do interesse da companhia manter as pessoas boas motivadas e com o pacote certo, senão alguém vai lá e vai tomar esse bom funcionário de mim. Acredite em mim, nenhum empreendedor quer perder gente boa.
Se você for bom o suficiente, sempre vai ter um espaço pra você na companhia.
Então quer dizer, se eu entrar na sua empresa-
E o empreendedor não vai querer te perder
...e um ano eu me destacar, eu vou se tornar sua sócia?
Não necessariamente, mas já aconteceu.
Ah.
Já aconteceu em seis meses se tornar sócia da minha companhia.
Eu não acredito.
Já acon-- pode pesquisar meu nome na internet que cê vai ver. Já aconteceu de pessoas trabalharem comigo e ganhar dezenas de milhões de reais em sociedade.
Sem investir nada?
Sem investir um real.
Só investiu o trabalho?
Investiu. O trabalho é tudo que eu preciso. Muitas vezes, hoje, na minha companhia, tudo que eu preciso é trabalho, quem trabalha duro.
Então, no caso, se eu entrar na sua empresa e daqui a um mês eu me esforçar bastante, você vai aumentar meu salário?
Não necessariamente esforçar, entregar um resultado-
Entregar o resultado que você precisa, você vai aumentar o, só o meu salário?
Você vai aumentar teu total como bônus. Na minha companhia, por exemplo, metade é bônus, metade é salário. Então metade do teu resultado é um variável em cima daquilo que cê traz pra companhia. Isso é meritocracia, na veia. Quem entrega mais pra companhia, ganha mais resultado. Mas eu não faço isso porque eu sou bonzinho. Eu faço porque eu preciso ter um pacote desse pra manter as melhores pessoas, senão o meu competidor vai roubar essas pessoas de lá.
Entendi, tá bom.
Tá bom? [aplausos] Qual que é a tua visão sobre o tema?
Bom, é o seguinte: eu vou falar de acordo com o que eu trabalhei, tá? De acordo com a minha visão.
Certo.
Eu trabalho com crianças, jovens e adolescentes, né?
Tá bom.
E hoje nós temos uma geração totalmente diferente da sua geração e da minha geração.
Aham.
Considerados, entre aspas, e rotulados pela sociedade de mimados. Ou seja, não é que eles, não é que eles sejam mimados.
Uhum.
Eles precisam estar preparados emocionalmente, né, socialmente também, para serem inseridos no mercado de trabalho, ainda mais com uma grande empresa como a sua, certo? Então você rotulando esses jovens no mercado de trabalho como mimados, como você vai, é, demonstrar a eles uma maturidade da tua empresa? Entendeu?
Ó, eu tenho quatrocentos funcionários Nenhum é mimado, nenhum é woke, todo trabalha muito. Então a gente não pode falar que todos os jovens são assim. A gente pode falar que alguns são mimados. Os meus, que trabalham comigo, idade média da minha empresa é vinte e seis anos, não são assim. São super trabalhadores, são com muito propósito, adoram Brasil, adoram produzir, gostam do que a gente faz, querem crescer na companhia.
E qual o seu critério de avaliação em relação a esses jovens que você fala que são mimados, que não são contratados pela sua empresa? Qual o seu critério de avaliação?
Eu resumiria em uma frase: aqueles que querem todos os direitos sem nenhum dever.
E você acha-
Esse não.
E o Estatuto da Criança? Onde entra na tua empresa?
Eu nem conheço o Estatuto da Criança, eu não posso debater isso.
Ah, então você contrata pessoas, é, é, é-
Eu não contrato criança.
Então você contrata do-- jovens que estão inseridos ali no Estatuto da Criança e do Adolescente, certo?
Eu não conheço o Estatuto da Criança, pode me, inclusive me ensinar. Um jovem de vinte e seis anos tá no Estatuto da Criança?
Não, eu tô falando da questão do jovem, de jovem aprendiz, eu tô falando. Não tô falando dessa idade que você tá falando, eu tô entrando num debate do jovem.
Certo, mas eu tô falando da minha idade média, que é vinte e seis anos.
Tá, e por que você-
Esses caras tão no estatuto, não.
Não, tá, e por que-- não, tudo bem. Tirando o estatuto.
Tá bom.
Por que você rotula eles de mimados? Qual, qual, qual, você não falou ainda-
Eu posso te dar um ponto.
Qual o seu-
O ponto é o seguinte, você falou o seguinte: esses jovens, eles precisam amadurecer-
Sim!
E aí talvez... Você acha que a empresa tem o dever de ajudar esses jovens a amadurecer?
Com certeza, porque você é um empreendedor conhecido na mídia e eu acredito que por você ser conhecido, você deveria incentivar esses jovens a se tornar, a se tornarem empreendedores como você, e não rotulá-los de mimados.
Tá bom, peguei teu ponto. Número um, é, se você conhece os meus conteúdos, você vê que sim, eu incentivo eles. E principalmente falando o seguinte: "Olha, não seja mimizento. Construa tua própria sorte. Eu construí a minha própria sorte."
O que seria mimizento pra você?
Vou te dar exemplo. Quando eu fundei a minha primeira companhia, que foi expandida pra trinta e cinco países lá, a Easy Taxi, eu morava na favela do Santo Amaro, no Rio de Janeiro. Eu literalmente era um favelado. E eu saí de um favelado pra construir uma empresa que vale um bilhão de reais.
Então você-
Eu poderia simplesmente falar assim: "Eu sou favelado, o mundo é injusto, bilionários não deveriam existir," e eu ia ficar ali remoendo na inveja e no meu pequenismo e nunca ia me desenvolver. Eu escolhi um outro caminho, de botar a cara, tomar risco, escolher entre almoçar e jantar pra construir a companhia.
Tá, você teve orientação, mas e esse jovem da periferia que não teve?
Tive nada. Eu li na internet e aprendi. Eu não tive orientação.
E essa internet que esse jovem não teve?
Agora, de novo, a empresa não é pai nem mãe. Quem tem que amadurecer a criança emocionalmente é o pai e mãe. Isso acontece, você sabe disso, na primeira infância.
E se o adolescente não tem pai nem mãe?
De zero a seis anos.
Sim.
Ele vai ter que dar um jeito. Eu fui criado também-
Que jeito?
Sem pai nem mãe.
Se embasando na internet?
Pode ser, pegando as referências certas, foi o que eu fiz. Não quer dizer que vai dar certo pra todo mundo.
Socorro.
Mas é a única solução que eles têm. Não é a minha função ser pai e mãe de cara com vinte e poucos anos que chega na minha companhia. Isso aí depende deles.
Vamos trocar? [risos] [aplausos]
Meu irmão, vamo lá. Então, é o seguinte: primeiro que a gente parte do princípio que meritocracia num país como o Brasil, já é desleal de você falar.
Eu discordo.
Calma, deixa eu falar.
Tá bom.
Tudo bem, que você teve seu, seu caso, você teve sua, sua sorte-
Você vai falar que eu sou uma exceção. Eu entendo.
Não vou dizer que você é uma exceção.
E sou mesmo. Eu sou uma exceção dela.
Mas eu não vou dizer isso. Meu, minha conclusão é outra.
Fala pra mim.
O que que você acha que tem mais? Profissionais com pouca resiliência ou empresários com pouca resiliência?
Eu acho que profissionais com menos resiliência do que empresário, porque resiliência, ele é algo que se o profss-- se o empreendedor não tiver, ele nem consegue empreender. Porque no final do dia é o seguinte: eu acabei de te dar um dado do Sebrae, eu mostrei pra moça que tava aqui, que setenta por cento dos empresários brasileiros, em média, vivem com dois salários. Cê concorda que viver com dois salários é muito difícil?
Tá, mas calma aí-
É um baita de um desafio. E ele vai ter que, ele vai ter que galgar esse caminho por anos, talvez até décadas, pra poder sair dessa posição e crescer na tua companhia.
Quantas empresas, quantos empreendedores tem no Brasil? Cê tem a cima-
Vinte e dois milhões.
Vinte e dois milhões. Agora vamo lá.
CNPJs. Empreendedores, talvez mais.
Qual que é o ticket médio de cada um desses empreendedores? Quanto que é o médio de funcionários que tem em cada uma dessas empresas que são empreendedores?
A gente pode puxar do Sebrae, eu não tenho esse número. Se tem vinte e dois milhões de CNPJs-
Eu aposto é, eu aposto é que a maioria são empresas pequenas e pessoas que não têm-
Esmagadora, tá? Desses vinte e dois milhões, onze milhões é MEI, tá?
Exato.
Aí cê tem os outros onze milhões, que noventa por cento são pequenas empresas.
Nem todos os empreendedores têm a mesma resiliência que um profissional tem. Porque muitas vezes tem profissional que engole sap, que faz mais do que deve e não é reconhecido, porque a gente parte da meritocracia, porque nem todo mundo tem a mesma construção de sorte.
Você tem razão, isso que cê tá falando não é, não é uma, não é mentira, cê tá certo.
Então a gente tá diferente.
Agora, o empreendedor, se ele não for resiliente na base, ele nem empreende, porque o negócio é o seguinte: você acorda sem saber como que cê vai pagar suas contas, bichão. Você vai lá e investe, eu tô usando o meu exemplo, eu invisto oitenta milhões de reais só em salário, tá? Meu custo são centenas de milhões de reais por ano. Se a minha empresa tiver uma dor de barriga num ano e não performar, eu vou destruir patrimônio.
Se eu destruir patrimônio por alguns anos, eu vou a zero, bichão, eu volto pra favela.
Exato.
É esse risco que eu tombo o tempo inteiro.
Mas aí às vezes-
Cê imagina você correr o risco de, sei lá, tua empresa não bater uma meta. O empreendedor começa a falar assim: "Cara, não bateu minha meta esse ano, esse mês." O empre-- o, o funcionário, ele recebe o salário igual. Agora, eu não recebo dividendo, eu não tenho dinheiro na caixa.
Às vezes ele não recebe, tá lá trabalhando com resiliência, engolindo sap, porque tá com o salário atrasado-
Se ele não recebe, ele tá trabalhando pra um criminoso, porque ele deveria pagá-lo. Então, não, a gente não pode pegar exceções de um criminoso.
Não, eu tô dizendo que a pessoa tá com o salário atrasado, mas ela tem a resiliência o suficiente pra engolir o sapo e ir lá fazer a função dela e, e trazer lucro pra empresa.
Nisso a gente concorda, mas o, o tema aqui é-
Aí resiliência é um pouquinho mais.
A companhia não tem, a companhia não tem o dever de fazer o papel que o pai deveria ter feito, inclusive na primeira infância.
Lógico.
Eu não tenho que receber gente aqui e falar: "Vou te ensinar a ser maduro."
Lógico.
Eu não, irmão. Isso aí é seus pais que ter, ter feito, a tua família, você que deveria ter feito pra você, entendeu?
Voltam pro tema. Os profissionais são mimizentos e não têm resiliência.
E não têm resiliência e eu não contrato gente woke.
Eu não vou vim com taxação de paradigma, de nada, mas é o seguinte: eu acredito que a resiliência, na minha visão-
Tá.
Como profissional e como pessoa que lida com seres humanos, eu vejo com os meus olhos, né
Não sei se é um dado, não tenho esse dado. Também, você também não mostrou que teve. Eu acredito que tem mais profissionais com resiliência do que empreendedores com resiliência.
A gente não pode afirmar isso.
Não dá pra afirmar.
É porque talvez não tenha nem como medir esse negócio.
Essa é a minha ótica.
Mas esse não é nem o tema do debate. O tema do debate é assim: existem, existe uma geração com muito pouca resiliência e que chega nas companhias querendo todos os deve-- os direitos sem ter deveres.
Ah, eu discordo disso.
E aí o que acontece? É um fato. Eu tô te falando a visão como empreendedor e que eu vejo que isso acontece. E aí vamo pegar o tema do home office, por exemplo, 2020, 2021, teve ali o tema do home office. A minha companhia, por exemplo, eu nunca permiti. Eu só permiti quando era lei, quando eu tinha as bandeiras. Acabou, eu falei: "Cara, home office aqui na minha companhia é sábado e domingo.
Segunda a sexta cê trabalha aqui". Fica quem quer.
Eu acho que é muito relativo também.
Ninguém tem a obrigação de ficar na minha empresa.
Acho que home office tem lugares que...
Não, mas vamo lá. Tanto faz. O ponto é: fica na minha empresa quem quiser. Ninguém é obrigação, ninguém tem a obrigação de ficar na minha empresa. Eu, eu não sou um, um escravista que tá ali com escravo. Você sai da empresa a hora que cê quiser.
Lógico!
Esse é o meu tema que eu quero contratar gente assim. Só que às vezes o cara chega lá: "Ah, segunda e sexta eu quero trabalhar de casa". Beleza, bichão, comigo não. Entendeu? Quem quer trabalhar de verdade mesmo, senta ali, trabalha e ganha dinheiro, meu.
Nisso eu concordo com você, mas é parte da resiliência.
Tá vendo como é que a gente tá alinhado? Valeu. O quinto tema é: demitir é te fazer um favor. Quem discorda?
Vamos todo mundo, quem quiser.
Por que que você discorda?
Porque há onze meses atrás eu fui demitida grávida. E você acha que isso eles me fizeram favor? Porque muita gente também é demitida quando tá grávida, porque eles acham que a gente não vai fazer o nosso trabalho perfeitamente como fazia antes de estar grávida.
Isso é crime, pra começar, tá?
Sim.
Você não pode ser demitida grávida, você deveria procurar os seus direitos. Ponto número um: eu discordo que alguém possa demitir alguém grávida. Isso é uma falta de caráter imensa e falta de humanidade. Partindo desse princípio, quando você foi demitida desse trabalho, apesar de ter sido uma injustiça, acredite em mim, foi talvez a melhor coisa que poderia acontecer na tua vida pra você trabalhar pra alguém que de fato te dá o teu valor, pra você ter oportunidade de evoluir na tua vida, pra você ter oportunidade eventualmente.
Digamos que você, por exemplo, pegue a experiência que cê tinha e você fala: "Agora eu vou empreender" ou "Agora eu vou trabalhar pra alguém que valorize o que eu tô fazendo".
Tudo bem, mas só que ninguém contrata uma grávida.
Olha, eu contratei. Inclusive ela é minha sócia hoje.
Parabéns pra você, mas nem todo mundo...
Eu vou dar um dado pra você, tá? Eu contratei uma mulher grávida de seis meses como CFO da minha companhia, diretora financeira e que hoje é a CEO da minha companhia.
Você vai pro céu, mas muita gente não contrata.
Eu não vou pro céu, não. Vou te falar por que que eu fiz isso. Eu fiz isso porque eu sou bonzinho não. Eu fiz isso pensando em mim. Sabe por que que eu contratei essa mulher? Porque ela é a melhor que eu tinha pra vaga. Eu tinha plena confiança nela, porque ela era CEO da empresa anterior que a gente tava.
E caso ela não tivesse um currículo bom, você contrataria?
De jeito nenhum. Eu não sou ONG, eu não, eu não contrato ninguém por favor.
Nenhuma empresa contrata grávida se não tiver um resultado...
Não é verdade que nenhuma, porque eu contratei. Eu já quebrei teu argumento.
Você contratou por conta que ela tinha um currículo bom.
Então não é nenhuma. Talvez a maioria não contrate. Pode ser. Eu não posso julgar esse ponto.
Então, de cem por cento, você foi os únicos por cento que se salvou.
Eu não sei se é verdade, mas eu só posso falar por mim. E eu concordo com você que é uma lástima que tenha pessoas sem éticas que demitam mulheres grávidas, tá? Agora, o tema aqui é o seguinte: tirando a sua exceção e a minha, vamo colocar nós dois como exceção?
Tá.
Vamo colocar uma mediana aqui.
Tá.
Quando uma pessoa é demitida, é um favor pra ela, eu vou explicar o meu racional. Porque você tá tomando o feedback mais sincero que o mercado pode te dar. Olha-
Depende da situação que a pessoa esteja, sim, é um favor.
Mas, mas-
Mas só que no meu caso não foi um favor, porque eu não consegui emprego em lugar nenhum.
Eu concordo. E eu combinei contigo que você é uma exceção e eu sou uma exceção.
Eu passei necessidade. Eu coloquei a empresa na justiça, até hoje eu não recebi um real.
E eu sinto muito que cê tenha passado por isso. E de novo, eu concordei que você é uma exceção e eu sou uma exceção por contratar mulher grávida.
Certo.
Mas, na média, quando alguém é demitido, ele tá te dando um feedback falando: "Você não é o suficiente pra minha companhia. Melhore!" Sinto muito, tá? Qual que é o teu ponto, irmão?
Então, meu ponto é o seguinte: a pessoa demitir a outra é um favor. Eu acho que é mais fácil você dar um aviso prévio. "Ó, cê não tá rendendo, te dou aí um mês pra você começar a render".
E provavelmente é o que vai acontecer, tá?
É.
Se o cara não fizer isso, no mínimo ele é um, ele é um gestor ruim.
É claro.
Porque se-- como eu, eu te dei um dado: custa cinco vezes mais demitir.
Sim, mas a gente vê muito disso.
Se ele não fizer isso, tá jogando dinheiro fora.
A gente vê muito disso, que o cara simplesmente: "Ó, ó, cê não tá rendendo, te mando embora".
E olha que oportunidade. Nesse debate, se ele me assistir, ele vai começar a falar assim: "Pô, o TG, que é considerado um bom gestor, tá me falando que eu deveria tentar desenvolver as pessoas".
Aham.
"E eu só demitir se não der certo", porque custa muito tempo e dinheiro.
Mas a gente não vê isso, né? A gente não vê, não vê na, na, na-
É óbvio que vê. Na minha empresa você vê, cê vê várias companhias que são meus clientes.
Sim, mas por que que a gente tem tanta gente reclamando, reclamando de em-- de empresários?
Porque-
Acontece o seguinte: o cara é um número, o cara é um número. A gente pode substituir ele porque tem muita gente querendo emprego.
Então, mas cê pode substituir por alguém melhor, né? Porque pior ninguém substitui.
Sim, mas a questão é essa. Muitas vezes você acha que o cara é melhor.
E se você é bom, e se você é bom, por que que eu vou te substituir?
Então, muitas vezes cê acha que o cara é bom, mas ele não é.
Posso te falar um negócio? Cê falou assim: por que que as pessoas têm uma visão ruim do empresário? Eu vou te dizer o por que que as pessoas têm uma visão ruim do empresário. Porque existe um sistema que explora a mim e a você. E esse sistema é uma casta superior de reis que vivem do seu trabalho e do meu. Eles querem que eu fique contra você e que você fique contra mim, pra que a gente esqueça que eles, por exemplo, só o presidente da República, nos últimos três anos, gastou cinquenta e cinco milhões de reais no cartão corporativo e noventa e nove por cento do gasto é sigiloso.
A gente tá do mesmo lado, esse que é o meu ponto.
Aê. Ele foi.
Tira vai, vai. Tirando na porreta.
É, pra dissuar nesse debate, você visa lucro, certo?
Claro, obviamente.
Pra puxar um pouco o saco do Sebrae, já que a gente falou dele.
Tá bom.
Lá a gente aprende que existe O empresário e o empreendedor.
Certo.
O empresário, ele vê o lucro, o empreendedor ele vê o impacto social.
Você tá falando sério que o Sebrae te ensina isso?
Ensina.
Essa é uma definição etimologicamente errada, inclusive. Você pode procurar isso no dicionário que não é isso.
Não, então, lógico que não é um princípio onde a gente-- é uma visão, sabe? É mais algo que você coloca ali pra você-
Cê tem certeza que o Sebrae te ensinou isso? Porque esse negócio tá gravado.
É uma visão.
Tá bom. É uma interpretação tua. [risada]
Não, é uma visão.
Porque é um absurdo esse negócio. Não tem diferença entre empreendedor e empresário, galera. É a mesma parada.
Quando a gente volta ao tema e você gera uma demissão, tem que ter um motivo. Quando não se tem motivo, você tá errando. Agora, quando cê tem um motivo, você tá acertando. Você tem que passar esse feedback.
É claro.
Se você passa o feedback, eu concordo com o tema.
E de novo.
Se não passa, eu nego.
Todo mundo que foi demitido, não todo mundo. A grande maioria das pessoas que foram demitidas, tirando as injustiças, como a moça que foi demitida grávida, tá? Ela foi demitida porque na visão do empreendedor ou do gestor que a demitiu, ele não produziu o suficiente pra poder ficar naquela cadeira, porque no final do con-- das contas, cê chegou e me perguntou: "Você visa o lucro?" Eu falei: "Claro, qual que é a conta que eu vou fazer?
Qual que é o retorno sobre o capital investido?" Digamos que você me custa cem mil reais por ano. Cara, eu espero ter um retorno maior do que eu tô te pagando, senão eu sou uma ONG, certo? Se eu acho que você não vai me dar esse retorno, eu vou te demitir e contratar alguém que me dá esse retorno, porque eu tenho cem mil reais por ano pra poder investir naquela cadeira.
Você acha que é errado eu fazer isso? Sinceramente, cê acha que é errado?
Bom, se a pessoa-
Você tá sendo filmado.
Se a pessoa não entrega-- você sendo filmado, precisa lembrar mil vezes.
Cê, cê acha que é errado, cê acha que é errado eu demitir alguém e contratar alguém melhor?
Não, com certeza não.
Ah, então tamo aliado, pô.
No seu papel eu faria isso.
Então tamo aliado.
Só que o problema é que-
Você faria a mesma coisa se fosse empreendedor.
É, com certeza.
Então tamo aliado, pô.
Mas não acontece isso no mercado.
Não é verdade.
É a prova disso, ó.
Não é verdade.
Vou dar um exemplo próprio aí pra gerar um pouco até de crítica.
Tá.
Eu trabalhava em um, em uma empresa que era um clube de negócios. A gente recebia empresários como você.
Tá.
Eu fui demitido porque atrasaram, é, os meus pagamentos e inclusive minhas comissões. Eu mandei um e-mail cobrando. Foi por isso que eu fui demitido.
Cê foi vítima de uma injustiça.
Um dia antes do, da festa da firma que eu queria encher a cara.
[risada] Cê foi vítima de uma injustiça, irmão, mas a gente não pode generalizar exceções.
É certo.
Tal qual eu sou uma exceção por ter contratado uma mulher grávida. Eu não posso generalizar, falar que todo empreendedor contrata mulher grávida, entendeu? A gente não pode pegar uma exceção, colocar como regra e criar uma verdade e ficar nessa dicotomia entre nós contra eles. De novo, a gente tem que lembrar que o inimigo é o sistema, irmão. Eles que estão se fudendo com nós.
Exato, por isso que eu lembrei do impacto social. O seu papel como empreendedor, cê atinge muitas pessoas.
Perfeito.
Cê gera muito emprego. Cê tem que exaltar sua comunidade.
Perfeito. E outra coisa, a nossa sinergia, a sinergia entre o homem e a mulher, a sinergia entre o empreendedor e o funcionário, historicamente é isso que construiu o mundo, sempre foi.
Com certeza.
Só que agora o sistema tenta colocar um contra o outro, homem contra mulher, empreendedor contra empresário. Isso não existe, gente. Isso aí é um equilíbrio de sinergia. Eu preciso de você, você precisa de mim. É só a gente não esquecer que tem uma turma ali querendo manipular isso pra que a gente fique brigando entre a gente e esqueça o que eles tão fazendo.
Isso é verdade.
Tamo junto, irmão.
Valeu.
Valeu. [aplausos] [risada] Ele gosta da confusão, meu irmão. Bate aqui. Que tal aqui entre vinte e oito pessoas que já foi injusta no trabalho, falir a sua empresa ou a empresa do empresário?
Não vai falir, porque eu só vou contratar se tiver valor pra entregar pra companhia.
Não, mas empresas também falem.
É claro.
Então, tipo, exatamente. Hoje é um favor demitir uma pessoa, mas se-
Perfeito
...aquelas pessoas falir aquela empresa, foi um favor?
Claro que não.
Se ela foi tão injusta, vinte e oito pessoas.
Mas que lógica é essa? O que que uma coisa tem a ver com a outra?
Porque o número de pessoas que são injustas no trabalho-
Me explica, me explica teu ponto, vai. Eu não entendi teu ponto.
Número de pessoas hoje que são demitida injusta.
Tá bom. Qual é o número? Não sei.
Hoje tem vinte e oito pessoas na sua frente.
Beleza.
Hoje.
Aí eu não, eu não estou julgando o mérito se foi justamente ou injustamente demitida.
É que a gente tava, é que a gente tava falando de dados da empresa.
Cê tá dizendo que, cara, demissão é um favor.
Exatamente.
E aí o que eu estou dizendo aqui no tema que é o seguinte: se eu demito alguém-
É um favor
...eu vou falar por mim.
Sim.
Eu tô demitindo alguém, tá me custando cinco vezes mais demitir essa pessoa, vai me custar um baita tempo recontratar, eu falar: "Cara, melhore."
Foi. [aplausos] Thomas Shelby do debate.
É isso aí.
Pô, moleque bem vestido, mané.
Não sei quem é.
Cê é estiloso, mané.
Ô, valeu, obrigado.
Vai, Piggybanker, fala pra mim, qual que é o teu tema? Qual a tua visão sobre isso?
Bom, você falou sobre meritocracia, resili-resiliência.
Exato.
E também demissão injusta.
Uhum.
Eu queria saber de você qual a sua visão com relação às más lideranças que acontecem hoje em dia nas empresas, porque eu vejo que muitas empresas hoje em dia têm uma má liderança.
É claro que têm. Cê tem razão.
É, a gente muitas vezes é demitido injustamente por não ter resiliência justamente por conta da má liderança dentro das empresas.
Não só isso.
Isso é um grande problema.
O que acontece é o seguinte: as pessoas geralmente não abandonam a empresa.
Sei.
Elas abandonam seus líderes. E aí a gente tá convergindo nisso. É preciso ter um desenvolvimento melhor do sistema de gestão da companhia dos líderes. A minha empresa faz isso, o G4 faz isso. A gente forma lideranças, a gente forma empreendedores melhores-
Mais de funcionários que já estão lá dentro
...pra que eles possam-- perfeito, a gente faz isso. A gente forma essas pessoas pra que eles possam crescer a companhia, ter mais lucro e gerar mais empregos.
Porque eu já vi empresas que colocam uma placa na porta dizendo assim: "Eu preciso de um líder, eu preciso de um gerente". Não, não tem a capacidade de formar uma pessoa que tá lá dentro-
Porque a gestão é ruim
...que trabalha lá dentro, assumir de, de-
A gente só não pode generalizar, porque o ponto é o seguinte: eu tenho cinquenta e cinco mil clientes.
Sei.
Que geraram setecentos e cinquenta e seis mil empregos nos últimos seis anos. Eles tão de parabéns. Isso é construir Brasil, certo?
E como que você fica em cima da liderança pra tomar conta disso?
O meu processo de gestão é formar pessoas que tenham uma, eu não quero falar framework, né, que tenha um modelo de pensar parecido com o meu e que executa o nosso plano Com o sistema. O que quer dizer? Ele não tem que ficar improvisando, porque o problema da companhia da gestão, quando-- que gera uma, uma demissão injusta, por exemplo, né, como aconteceu da menina que tá grávida.
Isso aí é um, é uma pessoa que tá completamente perdida. Inclusive ela arrumou problemas jurídicos gigantes para ela. Não só moral, como jurídico. Então, a-- mas o tema do debate, só pra gente não fugir, é quando uma pessoa demitida é um favor, então quando você foi demitido, pode ser, por exemplo, digamos que foi uma demissão injusta, que você me disse que você era um cara que trabalhava muito bem, tá?
Você tem uma oportunidade de trabalhar numa empresa melhor. Como você trabalha muito bem, se você achar um bom líder, ele vai te dar a oportunidade de se desenvolver. E aí quem sabe você não vai ser um líder e aí, eventualmente, você corta essa injustiça com outra pessoa.
Mas muitas vezes, a outra empresa que você vai entrar, eles olham pro seu, pra sua CLT ou pra aquilo que, pro seu currículo e fala: "Ah, mas você ficou pouco tempo aqui, então eu não vou te contratar."
Esse é um cuidado que você-
Justamente por conta da liderança, nem sempre é a gente.
Olha, esse é um cuidado que você tem que ter e todo mundo que tá me assistindo aqui tem que ter mesmo. Nós olhamos, sim, quanto tempo as pessoas ficam na empresa. E isso é um problema geracional. Eles tendem a ficar pouco tempo, então o pessoal fica pulando de emprego. Quem fica mudando de emprego todo ano, se queima no mercado. E aí vai criando uma barreira.
Sim, mas nem sempre é culpa da pessoa, às vezes é culpa da liderança, da má liderança dessas empresas.
Pode ser que sim, só que a gente não pode general-generalizar. Tamo junto, cara. Valeu. Acho que vai ser bom debater com você, porque cê trabalhou em RH.
Sim.
Qual que é a tua visão sobre o tema?
Então, eu fui auxiliar de RH, na verdade. Comecei e fui demitido injustamente também.
Uhum.
Foi uma parte bem, bem complicada na empresa que eu trabalhei. Eu fui tomando conta tanto da parte de RH quanto da parte administrativa.
Certo.
Então foi bem complicado no começo, porque eu era pra ser auxiliar. A menina foi demitida porque ela não fazia bem o trabalho dela. E eu não fui visto como uma pessoa que poderia ser desenvolvida lá. O meu próprio chefe chegou pra mim e falou que eu não tinha a formação adequada pra estar operando o cargo.
Olha que oportunidade, cê tomou esse feedback, agora você pode ir buscar a formação e de repente tentar um outro emprego.
Não foi lá um feedback, porque eles poderiam ter contratado alguém pra ser a cabeça do RH e ter continuado comigo lá como um auxiliar de RH.
E provavelmente é o que eles fizeram. Eles te demitiram, demitiram outras pessoas e pegaram alguém mais experiente pra cadeira. E de novo, assim, esse é o jogo.
Sim, mas daí o meu emprego, meu emprego foi pro ralo, sendo que eu não fiz a minha parte ruim.
E é uma pena que você perdeu. E de novo, é uma pena que você perdeu esse emprego, mas talvez foi uma oportunidade pra que você agora consiga um melhor, pra que você se desenvolva.
Eu posso até conseguir um melhor.
E provavelmente vai, se você se desenvolver. Não necessariamente. De novo, desemprego no Brasil é sete por cento, só, cara. Tem muito emprego por aí. O que tá faltando é gente qualificada querendo trabalhar duro e trabalhar de verdade.
Mas tem pessoas qualificadas. Eu acho que eu sou uma pessoa qualificada.
Perfeito, então você-
Eu posso estar num, num cargo e realmente fazer o que eu vou fazer.
Você tem que procurar uma agência de recolocação, você tem que mandar bastante currículo. Cara, eu já tive no teu papel, tá?
Não, mas eu já faço isso.
Eu já tive no teu papel. Eu já fui CLT. Sabe o que que eu fazia quando eu queria arrumar emprego? Porque eu não tenho faculdade, tá? Eu comecei a faculdade, mas eu não tinha dinheiro pra continuar. Aí comecei a empreender e aí larguei a faculdade. Quando as coisas deram errado, e deram, eu já fali algumas vezes, eu ficava tentando conseguir emprego. E aí era isso. Eu não conseguia emprego.
Eu mandava cem, duzentos currículos, fazia entrevista o tempo inteiro. Chegava no fim da entrevista e falava: "Ah, qual que é a sua formação?" Aí eu não tenho formação.
É isso que eu faço.
Não me contratavam. E sabe o que que eu fiz? Sabe o que que eu fiz? Eu criei meu emprego.
Mas um ponto que você falou-
Eu criei meu emprego.
Que você acabou de falar, que era a questão de, de ter essa, essa dinâmica com as, as pessoas ao seu redor e tudo mais. É, você não, não deu oportunidade pra algumas pessoas seguir nessa carreira.
Eu não dei?
Não você exatamente.
Eu dou todas as oportunidades pra quem é bom. Eu só não dou oportunidade pra quem é ruim. E a gente não pode falar "os empresários". De novo, acho que o que a gente pode aprender desse debate aqui é que não dá pra generalizar as coisas. Né, a gente tem que colocar os nomes certos pras coisas. O fato é: alguém que foi demitido, ela tomou um feedback. Foi injusto ou injusto é outra discussão, mas ela tomou um feedback.
No mínimo é: não fica nessa empresa que ela é ruim, que a gestão é ruim, não tem um líder que vai te desenvolver. Vai pra um lugar onde você pode se desenvolver. [aplausos] Beleza, tamo aí. Bom, posso só fazer um, uma fala pra turma? Turma, primeiro, assim, pra mim é um prazer imenso tá debatendo com vocês aqui e a meu, meu objetivo quando eu aceitei esse debate e vim pra cá é poder mostrar pro Brasil, e eu tenho certeza que vão ter milhões de pessoas que vão assistir a gente, que as pessoas podem divergir com respeito.
Elas podem debater e precisam, que é isso que a gente precisa no Brasil hoje. Que hoje, na verdade, o que acontece é que ninguém quer debater mais. Hoje eu começo a falar alguma coisa, você é fascista. Ah, o outro começa a falar: "Ah, esquerdista". Então não tem um respeito no debate. E cês viram que em vários momentos a gente convergiu. Do meu lado, do lado de vocês.
É porque a real é que é o seguinte: quem tem ética, quem tem valores, o fim é o mesmo. A gente quer a mesma coisa. A gente quer que todo mundo tenha oportunidade, a gente quer que todo mundo tenha emprego, a gente quer que todo mundo, pô, tenha uma família estruturada, a gente quer que todo mundo tenha alimento em casa, a gente quer que todo mundo tenha a oportunidade de crescer na vida.
Os meios que a gente pode discordar. Cês acham que é por outros meios, muitas vezes eu acho que é por outros meios e tem vezes que a gente converge, inclusive. Então, assim, o meu conselho que eu tenho pra vocês e pra quem tá nos assistindo aqui é: não caiam na armadilha do nós contra eles. Essa é uma armadilha retórica antiga, antiga, fruto do Iluminismo e que eles querem que a gente acredita que eles são os iluminados, né, e nós aqui temos que ficar brigando um contra os outros e esquece do que que eles tão fazendo lá, como sistema.
De novo, o inimigo é o sistema. O inimigo não é o empresário, o inimigo não é o trabalhador. É a simbiose entre o empresário e o trabalhador. É a parceria entre o empresário e o trabalhador que constitui o Brasil. Não são eles. Na verdade, eles vivem do prove-- provento dos nossos trabalhos. Beleza? Tamo junto, galera. [aplausos]