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1 Mãe vs 30 Pais
1 h 6 min de vídeo · 16 mil palavras · Com Bia Ben
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Eu não fui aplaudida por criar um filho sozinha. O que eu tô explicando pra vocês é que a mãe não é vista.
É, só pra você entender que a figura do pai-
Hã.
Na tua visão, tem que ser corrigida pra, pro que é um pai de verdade. E as pessoas assim-
Nossa, citamos o mundo corporativo e eu amei. Quantos homens pensam em trabalhar só na carreira deles, só neles-
Mas aí é a questão-
Só nas mulheres que eles querem conquistar-
Se o homem não trabalha, é um vagabundo. Se o homem não tá lá pra sustentar a criança-
Se a mulher não cria o filho dela, ela não presta. Se a mulher não cria o filho dela, ela também é vagabunda. Então a gente tá usando aqui-
E se a mulher abandona a criança, a justiça não faz nada. Agora se o pai-
A justiça não faz nada?
Então a realidade é essa, a mulher nunca pagou pensão.
Nunca. Você tem certeza do que cê tá falando. Isso é um fato. Cê tá baseado no quê?
Eu tenho certeza até onde enxergo minha realidade.
Que nenhuma mulher no mundo pagou uma pensão.
Ok. A cobrança da mulher, ela é exagerada em que ponto?
Por que você acha isso?
Porque você disse que foi, era um problema você ter que amamentar. Você quis dizer isso na tua fala.
Não, amamentar nunca é um problema, na verdade é uma benção.
Você quis dizer isso.
Eu não disse que um pai, ele não vai ter uma cobrança. Pai tem cobrança como mulher também tem.
Perfeito.
Só que a mulher vai ter essa cobrança em dobro.
É, não sei o que te fez crer que esse argumento faz sentido, mas pra mim tá descolado da realidade. Bia, vamo lá.
Vamo.
Polêmica agora, vamo esquentar a parada. Sem dinheiro, o que que uma mãe faz?
Oi, gente. Eu sou a Bia Ben, sou influenciadora e mãe de um bebê lindo de seis anos que é o Benjamin. Ai, ele é lindo, eu sou apaixonada. E hoje eu tô cercada por trinta pais. Mães fazem mais sacrifício do que os pais. Tudo bem?
Tudo bem.
Prazer. Qual seu nome?
Prazer. Sérgio.
Tudo bom, Sérgio?
Olha, discordo. Mães não fazem mais sacrifícios do que os pais. Até porque eu sou pai, tenho uma filha de cinco anos e a minha rotina inteira é baseada na rotina da minha filha, tal qual a da mãe dela. Então assim, no mínimo, não tem uma disparidade. Existe sim um equilíbrio ali nas responsabilidades. É, não sei o que te fez crer que esse argumento faz sentido, mas pra mim tá descolado da realidade.
Entendo. Eu acho muito legal você ser um pai presente, isso é incrível pra sua filha. Mas eu acho que, acho não, né, tenho certeza, biologicamente falando, uma mãe vai parir uma criança, né? O corpo dela vai mudar por muito tempo, ela vai gerir aquela criança, aquela criança vai, é, crescer dentro dela, né? Eu, por exemplo, eu era muito magra quando eu tive meu bebê. E aí os, os órgãos da mãe, ela, eles ficam pressionados enquanto aquela criança cresce dentro dela e ela vai parir aquela criança.
Então, assim, biologicamente falando, é óbvio que ela vai fazer mais sacrifício. Agora eu entendo que você ajuda sua mulher, tipo, é, você f-falou que é cinquenta, cinquenta, né? Tipo, você faz tudo que ela faz. E isso é certo, porque na verdade não é uma ajuda, né? O pai não vem ajudando, ele tem que ser pai, ele, você exerce o papel de pai e esse é o correto.
E assim, é, quando uma criança, um bebê, um recém-nascido, ele acaba de nascer, existem coisas que cê não vai poder fazer por ele, como amamentar, né? Ou às vezes ele vai querer aquele colo da mãe que você não vai conseguir dar. Então, sem contar que ela tá muito debilitada, porque ela acabou de parir, seja normal ou cesárea, ela acabou de passar por uma cirurgia e ela vai cuidar de alguém.
E o parto é a única cirurgia onde uma mãe vai, né, ficar debilitada e ela vai cuidar de alguém e não alguém cuidar dela. A gente faz qualquer cirurgia, alguém cuida da gente e não a gente cuida de alguém. Então, na minha concepção, a mãe faz mais sacrifícios também por essa questão biológica. Tem muitas outras questões. No seu caso, que é um caso ótimo, que a sua esposa tenha você, é maravilhoso.
Mas existem mulheres que não têm, né? São mães solos e ainda assim elas têm que dar conta de cem por cento desse trabalho pra além de estarem debilitadas pós toda uma situação que é o parto e é, que é uma loucura. Enfim, é uma loucura.
Você é casada?
Não.
Então talvez já comece por aí o, a, o teu problema, na verdade. O que você apresentou pra gente que foi um problema, que de fato-
Não, não é um problema.
É, é um problema, na sua concepção, tudo que você falou foi numa forma e num caráter negativo, quando, na verdade, o pai tá presente na vida da criança, independente dessa questão biológica. Até pelo fato de que você falou que tem uma menina, não é?
Não.
É um menino?
Um menino.
Uma meni-- no meu caso eu tenho uma menina. O vínculo dela com o pai, ele, ela é assim, carnal, eu te afirmo isso.
É, eu acho, eu tô entendendo-
Até pelo fato de que-
O que você tá falando do vínculo, mas aqui não é sobre vínculo, é sobre fatos.
Sim, a, você disse sobre obrigações.
A mãe vai parir e o pai não.
Só que a mãe-
Isso não é uma reclamação.
Não, claro.
O que eu tô te explicando é que são fatos. É como o dia vai tá claro e a noite vai tá escura. É fato.
Todos os teus argumentos foram em caráter nega-negativo, né.
Por que você acha isso?
Porque você disse que foi, era um problema você ter que amamentar. Você quis dizer isso na tua fala.
Não, amamentar nunca é um problema, na verdade é uma benção.
Você quis dizer isso. Claro que é uma benção.
Ser uma bênção não significa que não é difícil.
Da mesma forma que um pai acordar de madrugada pra mãe poder descansar depois que ela amamentou e fazer a criança arrotar também é uma bênção.
Você acha equivalente amamentar e acordar de madrugada pra ajudar um bebê?
Sem sombra de dúvidas, afinal de contas quando você-
Equivalente?
Sem sombra de dúvidas, afinal de contas-
O peito da mulher fica machucado, o peito da mulher empedra.
Tá tudo bem.
Amamentar pra você é equivalente a acordar de madrugada, o que, uma coisa que um pai pode fazer, mas uma avó também, uma babá também.
Amamentar é uma questão biológica. Agora-
Sim.
Que o pai não consegue fazer.
Mas você falou que eu falei no caráter negativo e amamentar não é negativo.
Não, você foi negativa.
Pelo menos pra mim não, porque eu amamentei meu filho até três anos de idade, por exemplo.
Então qual é a discrepância que existe entre as obrigações do pai com a mãe?
A mãe é mais importante, ela faz mais sacrifício, isso é óbvio.
Talvez, talvez você tenha esse ponto de vista pelo fato de você não ter tido uma pessoa que possa ter te ajudado.
Não, eu tive pessoas que me ajudaram, por mais que não tenha sido o pai-
Em algum momento você-
Mas eu tive pessoas que me ajudaram.
Em algum momento, é, alguma coisa de ruim aconteceu nesse contexto que te faz crer que os pais não...
Obrigada. Tudo bem? Prazer. Qual seu nome?
Roberto.
Roberto. Nome do meu pai.
Sério?
É.
Então é gente boa ele, né?
Ele é. [riso]
Bia, vamo lá.
Ele era. Ele não tá mais aqui.
Poxa.
É.
Bia, eu discordo.
Entendo.
Tá? Essa questão que a responsabilidade, como cê disse, é, a mulher amamenta. Mas se a mulher tiver o parto cesárea, o organismo dela demora muita das vezes pra gerar o leite pra essa criança.
Entendo.
Então o pai consegue amamentar essa criança, porque é um leite, tá, de fórmula. Então muita das vezes a mãe que gera uma criança, ela não tem leite pra amamentar.
Sim.
Então cê não pode afirmar cem por cento isso.
Não, eu te entendo. Eu acho que o que a gente tá só, acho que fugindo um pouco, é que aqui não é sobre amamentar ou não amamentar. Amamentar é uma situação que a mãe sim faz um sacrifício, por quê? Mães fazem mais sacrifícios do que pais. Isso pra mim é um fato. Porque, por exemplo, ela amamenta, mas pra além disso ela vai parir. É literalmente uma criança saindo de dentro de você, que não acontece com um homem.
Então assim, um dia depois do seu filho nascer, cê tá cem por cento, tá de boa. Se você quiser jogar uma pelada agora, cê consegue. A mãe não. E se for uma cesárea, pior ainda, porque a recuperação é ainda maior, entende? Agora, nesse quesito que eu tô te falando biológico mesmo, biologicamente falando, as mães fazem mais sacrifícios. Vocês não vão parir, não vão ter todos os hormônios de vocês bagunçados, não vai demorar de seis a dois anos pra voltar o seu corpo integralmente, não vai acontecer, entendeu?
E mesmo assim O seu caso é casado?
Não.
Então, aí você-
Mas eu tenho um filho.
Tudo bem, ele tem quantos anos?
Doze, e mora comigo.
É bem grande já, né? É doze anos. E mora com você, por exemplo. Mas se por-- quando ele nasceu, se ele tivesse que ficar com a mãe dele, ela ia ficar depois de um parto, eu não sei se foi normal ou se foi cesárea.
Normal.
Ela teria que cuidar dele. Normal a mulher se recupera mais rápido porque eu tive normal e eu sei como é que é, mas cesárea ela demora um pouco mais, porque é uma cirurgia, né? Você vai abrir a mulher ali, são sete camadas, é uma loucura. Então o que eu tô te explicando é que biologicamente, por mais que você seja muito presente, e isso é incrível, eu acho que os, os homens têm que fazer exatamente isso, eles têm que ser presentes, eles têm que apoiar a mulher, ele tem que ser pai, entendeu?
Bia, mas assim ó, o que acontece. É, é, é o processo do parto, a mulher sentir dor.
Claro.
É, a, a recuperação do parto normal é diferente do parto cesariana.
Sim, claro.
Então essa mulher quando a criança nasce no parto normal, ela já volta pro quarto praticamente noventa por cento recuperada.
Não, lembrando que uma criança saiu de dentro dela.
É o processo.
A gente não foi ali fazer um exercício-
É o processo, Bia. É o processo
...pra poder crescer o glúteo. Uma criança nasceu de dentro dela. É, tipo, saiu, é, ela foi rasgada. Eu posso, se, se você me der, assim, a, o tempo, eu posso te contar o meu relato de parto, pessoal, meu?
Pode, claro.
Quando eu tive filho muito nova, né, eu tive o Benjamin. E aí, o que acontece? É, quarenta e cinco por cento das mulheres no Brasil, elas vão sofrer agressão obstétrica, e isso é muito triste. E foi uma coisa que eu sofri, porque forçaram o meu parto normal e eu não tinha passagem. E aí quando meu filho nasceu, ele nasceu com a cabecinha dele amassada, porque forçaram muito esse parto.
Eu passei mais de dezesseis horas em trabalho de parto. E pra além disso, o colo do meu útero foi rasgado. E aí eles queriam me levar pra uma sala de cirurgia, e aí não conseguiram. Aí eles pegaram um pedaço de ferro e colo-- me abriram e me costuraram a sangue frio. O que eu tô te explicando é que depois disso, eu tive que levantar, trocar a fralda do meu filho, dar banho no meu filho.
Eu ainda tinha o apoio da minha mãe, mas o pai dele, ele fez também, ele trocou a primeira fralda do filho. Primeira fralda do meu filho, quem trocou foi o pai dele, não fui eu. Mas ele tava íntegro. Ele só tava nervoso, porque ele me viu passando por tudo aquilo, mas ele não passou. O que eu tô te explicando aqui é que não é uma questão de, é, ele tá ali, ele tá apoiando, entendeu?
Porque você vai tá apoiando, você vai tá sendo pai, você vai tá exercitando o seu papel. A questão aqui é quem faz mais sacrifício. E depois de eu ter parido uma criança, rasgado o colo do meu útero, sido costurada a sangue frio, é, o sacrifício maior foi o meu.
É, não, mas é o sacrifício do processo do parto. E após o parto?
Não exatamente. O meu parto, por exemplo, foi uma violência.
Não, Bia, mas assim, tem momentos que você do parto, o pai não pode passar aquela dor. Você tem passado o processo do parto.
Eu entendo, mas aqui não é sobre quem pode passar dor.
Isso não pode fazer a comparação.
É quem vai fazer mais sacrifício. E a gente concorda que é a mãe?
Mas é sacrifício, mas é sempre, sempre, sempre vai ser a mulher, porque é o sacrifício seu. O homem não pode chegar lá-
Então a gente concorda. A mulher faz mais sacrifício.
Não faz.
A gente concorda. Eita! [risos] Quase.
Quem tem oia maior sobe na parede.
Você deu uma...
No meu caso, eu tenho uma perna maior.
É uma perna longa, é?
Tudo bem, prazer, Vitor.
Prazer. Tudo bom, Vitor?
Sou pai de três filhos, sou muito orgulhoso.
Qual idade?
É, vinte e sete, quinze e treze anos. Duas meninas-
Tem mais velho que eu ainda.
E um menino. E assim, eu discordo-
Entendo
...com você em partes, certo? Acho que a mulher sofre muito biologicamente em relação ao parto, isso é fato, não é? Porém, tem casos e casos. No meu caso, principalmente nos meus dois últimos filhos, eu fui presente muito antes do parto, porque a mãe teve que ficar de repouso por questões até biológicas do, desse primeiro parto dela, então eu tive três empregos. Eu tinha que deixar ela em casa com toda a tranquilidade enquanto eu trabalhava bastante.
Após o parto, ela continuou com uma certa dificuldade de amamentar, então meus filhos infelizmente começaram a utilizar Aptamil e eu tive que amamentar todas as noites. Então eu tive noites em claro e acordando cedo pra trabalhar e teve um sacrifício físico e mental e um desgaste que realmente é muito difícil de recuperar.
Uhum.
Então é claro que numa parceria, principalmente num casal, tem que ter os dois-
Cês são casados ainda?
Não, me separei.
Tudo bem.
Certo? Mas assim, continuo presente, meus filhos são as coisas mais importantes do mundo.
Eu também.
Mas desde a gestação até o parto, eu acho que uma família, um casal muito bem resolvido, sabe difi-dividir as responsabilidades. E daí não existe o sacrifício em vão. Existe simplesmente a compreensão de que tudo tem que ser melhor pro bem-estar da gestação e da criação do seu filho.
Super concordo. Eu concordo que não existe o sacrifício em vão.
Então o homem sofre muito quando tem esse compromisso, principalmente de ajudar no caso de uma mulher que tem dificuldades no parto e pós-parto também. Tanto no caso biológico-
Sua mulher não pôde amamentar, que você explicou pra mim, não foi isso?
Não, infelizmente.
Aí você usou fórmula, certo?
Exatamente.
É, é, eu entendo que você teve uma, um cansaço mental e físico, até porque as mulheres também têm um cansaço mental e físico.
Sim, claro.
Porque parir é muito cansativo, a gente faz muita força pra criança sair de dentro da gente. Então biologicamente a gente concorda, a mulher faz mais sacrifício. Mas ainda tem a questão de, é, eu particularmente teria ficado arrasada se não pudesse amamentar meu filho. Como eu disse, eu amamentei meu filho até três anos de idade. E existem mulheres que passam pela depressão pós-parto, por exemplo, porque elas têm complicações depois que o filho dela nasce e ela não consegue fazer um monte de coisa.
Sim.
Então, é, só dela ter esse apoio, de você ter sido pai, porque passar a noite em claro, ter esse cansaço físico e mental, é ser pai, porque criança dá trabalho. Você tem um filho sabendo que ele vai te dar trabalho. Um recém-nascido dá muito trabalho. Agora que tá grande é mais tranquilo. Meu filho tá com seis anos, eu falo: "Tá, agora é mais tranquilo do que quando tava com seis meses".
Mas tem mulheres que passam por isso sozinha, né? No caso da sua, da sua ex-mulher, ainda foi melhor porque ela tinha você. E que bom que ela tinha você. É incrível quando uma mulher ela tem um, um parceiro que é parceiro. Porque a gente sabe também que tem mulheres que têm parceiro dentro de casa que é qua-- é nada, praticamente, entendeu? Ou tem pais também que só saem pra trabalhar e eles não fazem o que você fez de voltar-
Tem vários casos diferentes, né?
...e dar apoio. Exatamente, tem vários casos diferentes. Mas ainda assim Ela passou pelo sacrifício daquela dor psicológica dela de tá num resguardo. Ela tava completamente confusa ainda porque a gente sabe que os hormônios dela tava uma loucura, ela não conseguiu amamentar. E aí vem a frustração, porque tudo que uma mãe sabe é que o filho dela vai nascer e ela vai dar de mamar pro filho dela.
Aí ela não gera leite. E aí não gerar leite também, é, tem a ver com a mulher estar muito nervosa. Ela fica, ela fica muito fora de si. Aque-aquelas emoções fazem ela ficar de uma forma que ela não consegue fazer coisas que biologicamente ela conseguia fazer.
Mas você concorda também que o parceiro, no caso, né, no casal também sofre junto, tanto nas questões emocionais-
Concordo
...e físicas que a mulher-
Concordo
...também sofre?
Concordo super. Eu só acho que a, que a porção é diferente.
O desgaste físico dele, assim, o desgaste físico do homem em várias relações-
Aham
...em vários casos é maior, claro, dentro que tem que ir pra o trabalho, tem que voltar, tem que acordar de madrugada, amamentar quando a mãe não pode. Claro que dentro de um balanço, a mãe, como você mesma falou, tem todo esse sofrimento e m-e perda de muitas outras coisas que estão envolvidas-
Eu acho que o ponto que a gente tá colocando aqui é da sua ex-esposa, que graças a Deus tinha você.
Não, mas nu-- tem muitos homens aqui também que concordam comigo, que passaram pelas mesmas situações.
Claro, e tem muitas mulheres que concordam comigo. Então a gente tá, a gente tá completo nisso.
Eu acho que existe aí a dualidade.
O ponto, não, o ponto é: você tá me dizendo que você fez mais sacrifício porque a sua mulher tinha acabado de-
Fisicamente, fisicamente
...porque sua mulher tinha acabado de parir e você-- não, eu não concordo.
E mentalmente.
Fisicamente, eu acho que ela fez mais sacrifício, porque além de ter pa-- não ter parido, ela também não conseguiu amamentar.
Mas já é outro tipo da mulher-
E ainda assim ela te cui-
Não tô desmerecendo, não tô, não tô desmerecendo nada
...ela cuidou zero ou você cuidou de tudo, ou vocês dividiram isso?
Eu cuidei de certa maneira e de muitos aspectos-
E ela também
...muito mais do que ela.
Mas ela cuidou também.
E algumas situações, ela, claro, com certeza-
Ela cuidou também
...como mãe, já tem o próprio instinto materno.
Então, mas ainda assim ela cuidou de alguém-
Certo? Que vocês tão muito mais preparadas para ser mãe. E às vezes nós, pais, temos que ser pai e mãe-
Não concordo
...como muitas mães têm que ser mãe e pai.
Não é toda mulher que tá preparada pra ser mãe. Inclusive, tem mulheres que não querem ser mãe.
Não querem.
Exatamente.
Mas biologicamente, cientificamente, a gente-- vocês, mulheres, já têm já a natureza pra ser mãe.
Não, isso inclusive é um pensamento completamente machista de uma sociedade. É uma estrutura.
Se tem pessoas que têm as suas ambições.
Que vocês acreditam. Não, que vocês acreditam que mulheres têm-- nasceram pra cuidar da casa.
Não, claro, não, não é isso que eu tô falando.
Não, criar, criar um filho.
Não tô falando sobre o machismo.
Não é exatamente isso.
Eu tô falando sobre a natureza.
Não, tem mulheres que não conseguem.
Não tem nada a ver com machismo, pelo amor de Deus.
Tem mulheres que não têm aptidão, tem mulheres que não querem. Obrigada.
Obrigado.
[risos] E aí, tudo bem?
Oi, bom dia. E aí?
Tudo bem? Qual é seu nome?
Bão. Edson.
Tudo bom, Edson?
Bão. Bom, é, discordo, mas vamos dialogar acerca disso. Sou-- vim de uma mãe, né, inclusive minha mãe também, bom, é, tom preto.
Negrona igual a gente. Aham.
Negrona. Então eu entendo tudo que você falou aqui.
Sua mãe era mãe solo?
Não.
Só pra perguntar.
Graças a Deus-
Tinha seu pai também?
...foi três irmãos, os três do mesmo pai, o pai vivo até hoje e tal.
E apoiava ela?
Apoiava ela. Assim-
Que legal
...é, tivemos alguns desafios ali com meu pai-
Hum
...pelo entanto de beber um pouco e tal. Então minha mãe, ela passou por alguns momentos de dificuldade na vida ali, mas é mais aquela dificuldade mesmo de casal da década de 80, onde eles casam, então o pessoal vem do Nordeste, casa, então tem aquela, aquela-- culturalmente falando, hoje no Brasil nós temos que-
É uma estrutura social, acaba.
É uma estrutura que-
E que acaba que ela era casada, mas ela ainda assim exercia um papel ali de mãe sozinha em muitas, muitas esferas da vida de vocês, né? Que ele não tava presente.
Vamos dialogar acerca disso.
Vamos.
É nesse tom que eu quero entrar, porque assim, minha mãe teve-- meu pai e minha mãe teve, têm três filhos. Eu entendo que biologicamente a mulher vai sofrer um pouquinho mais que o homem.
Certo.
E é a natureza da mulher, não tem como discutir isso aí. Se a gente for discutir, vai ter que chamar Deus. Eu acho que ele tem coisa melhor pra fazer do que falar da biologia que ele mesmo criou. Concorda ou não? Porque ele criou que a mulher vai ter filho e vai sentir dores.
[risos] Não, não concordo.
Ok.
[risos]
Ok. Então cê pode falar porque você não concorda.
Não, eu acho que esse é um pensamento limitado mesmo, porque assim, não é sobre você sentir dor ou não sentir dor, é sobre os maiores sacrifícios. E é claro que ela vai fazer mais sacrifício biologicamente. Mas eu também tô aqui pra poder concordar com você e a gente dialogar sobre os outros sacrifícios, como eu tive com os meninos.
Sim.
Então eu preciso entender qual o seu outro ponto.
Estamos, estamos nesse caminho.
Porque biologicamente a gente concorda.
Concor-- plenamente.
Então, acabou. Vamo ver o que a gente não concorda.
Tá. Meu pai, ele deu todo o suporte pra minha mãe criar os três filhos.
Qual suporte?
Eu vim de uma periferia pobre.
Também.
Tá? Do lado da minha casa tinha boca, na frente da minha casa tinha outra boca de droga.
Da minha também.
Né? Então o que acontece? Meu pai, ele saía cedo e voltava tarde. Pedreiro. Minha mãe ali, aquela senhora que vendia aquele produto ali, cosméticos, não posso falar. Cosméticos, ela vendia.
Tá entendendo.
Então ele deu todo o suporte pra minha mãe ficar em casa e cuidar dos três filhos.
Esse suporte que você tá falando que seu pai deu foi financeiro?
Financeiro e psicológico também, porque não é fácil criar três homens.
Psicológico, mas foi pra, pra sua mãe, no caso?
Pra minha mãe e pros filhos, pros, pros filhos dele, que é...
Ele te deu suporte psicológico também.
Isso, também.
Você em algum momento sentiu falta do seu pai na sua infância? Presença dele.
Cara, eu senti porque o meu pai é pedreiro, então-
Aham
...às vezes ele viajava, ele pegava alguma obra longe, então a gente tinha que ficar longe.
Imagino.
No, no entanto, eu tenho três filhos também. É, o primeiro eu participei muito, porque foi do-
Licença, gente, deu o tempo dessa pauta e-
Bia-
Obrigada
...satisfação, eu vou-
A gente volta nessa conversa. Pagar pensão não te faz um bom pai.
Acha-
Oi, tudo bem?
Oi, Bia, tudo bom?
Tudo bem.
É um prazer, João Paulo.
Tudo bom, João Paulo?
Bia, vou discordar de você, porque é o seguinte: é, não é o valor da pensão. Um pai de verdade, ele tem que dar amor. Eu sou filho de mãe solteira. Meu pai saiu pra comprar um cigarro, nunca mais voltou.
Oi.
Minha mãe criou eu e meu irmão sozinha, foi casada com alcoólatra. Eu tenho duas filhas, Júlia e Maria Luiza. Eu sou apaixonado pelas minhas filhas, então eu só pude ser pai quando eu Tive minhas filhas e pude compreender minha mãe, entendeu assim? Porque assim não é pagar a pensão. Tem mulher que faz o filho pra tirar a pensão do cara, pra ferrar o cara, desculpa a expressão.
Então assim, o pai tem que ser pai, tem que dar amor, tem que dar educação, tem que ajudar a esposa. Mas o-o-o, ó, eu vou, vou dar exemplo aqui que eu fico até emocionado com essa, esse tema. É, eu fui pai sem saber o que é ter o amor dum pai. É, como é que eu vou cuidar de duas crianças se eu nunca tive pai? E ainda fui criado por um padrasto que me batia, me espancava.
E nem por causa disso, cara, eu poderia fugir, poderia falar: "Não quero ter filho". Hoje meus filhos é tudo pra mim. Eu trabalho em prol das minhas filhas. Eu se eu precisar dar, tirar meu coração pra dar pra elas, eu dou meus olhos, minha vida, porque assim ó, eu pude respeitar minha mãe, fui um cara muito rebelde na minha vida, quando eu tive minhas filhas. Aí eu fui, fui lá falar pra minha mãe: "Esse é o verdadeiro sacrifício, não é o dinheiro.
Eu quero o dinheiro hoje pra deixar minhas filhas-
Você entendeu sua mãe quando você teve filhos?
Exatamente, entendeu?
É o que acontece.
A mesma coisa, o sacrifício que você falou. A, a mulher tem o sacrifício físico e fisco, é, psicológico se ela não tiver. Eu já passei situações com a minha mãe da gente não ter, mano, o dinheiro pra tomar um café e os, e os cara chegar, não é porque é minha mãe, não. Por ser muito bonita, eu queria oferecer o café pra ela em troca de outra coisa.
E minha mãe trabalhou de promotora, tá, em mercado, me levava, me colocava debaixo do, do biombo, eu não podia-- uma vez eu engasguei com a maçã, ela quase perdeu o emprego dela. Me criou uma pessoa de respeito, é-
Qual o nome da sua mãe?
É dona Vera. Hoje ela, eu tenho duas, ela ajuda as netas dela, tem setenta e três anos, então aprendi com ela que o filho-
Uma mulher muito guerreira, né?
Um filho, você também é guerreira, porque ser mãe solo é, é complicado.
É.
Por mais que a gente-
Eu com certeza admiro sua mãe, João. E o fato que você falou sobre, é, não ser valor, eu concordo super com você. Na minha concepção, a criança não entende nem se você dá, sei lá, quatrocentos reais ou mil reais ou quatro mil reais ou muito dinheiro, porque a criança não entende a proporção de dinheiro. O que ela vai entender mesmo é sobre se o pai tá ali, a, né?
A-a-na verdade, ser pai é ser presente, né? A criança quer presença. Eu digo isso por mim mesma. Eu tive meu pai seis anos na minha vida e logo depois disso ele faleceu, mas o que mais eu prezei ali, eu nem sei se ele deu pensão pra minha mãe. O que eu mais eu prezei foi a presença dele. Agora, o fato da mulher também, você citou um ponto aí da mulher safada que vai ficar com o cara só pra fazer pensão.
É.
Temos que pensar que cara é esse, né? Porque que pensão é essa? A pensão é de duzentos, é de quatrocentos ou é de oito mil, é de dez mil?
Não, é assim ó, quatrocentos é uma ajuda de custo que é-
Exatamente!
Alimentos das despesas, certo?
Exatamente.
Só que tem cara que nem dá isso. Então assim, como é que funciona? E tem mulher que-
Não, então, mas a mulher não vai ficar com o cara pra ganhar quatrocentos reais.
Não, é, é, tipo, vou dar um exemplo, essas de cara famoso, jogador. Só que qual que é o maior? Eu vou te dar um exemplo que cê vai concordar comigo agora-
Uhum
...e eu vou ganhar. É assim, ó-
Tudo bem.
Não, não é-
Pode ganhar. Vamo lá! [risos]
Não é o valor, não é o valor do dinheiro, é o valor do sentimento da pessoa tá ali. Qual que é a ma-minha maior frustração? É nunca ter tido pai, até hoje, mas eu consegui superar-
Eu imagino
...através das minhas duas filhas, porque eu dou amor, carinho, respeito e as minhas filhas são minhas amigas, entendeu?
No final, eu percebi que você concorda comigo. Pagar pensão não te faz um bom pai.
Não, não, não, a questão, a questão que não é o dinheiro, é você tá presente. Isso vai fazer você um bom pai.
Pagar pensão não te faz um bom pai. Exatamente, João. Tamo junto. [risos]
Não, você con-você concordou comigo. É, é. [risos]
Tá, tá bom, João, você ganhou. Então tudo certo.
Mais ou menos. [risos]
Tamo junto. [risos] Vamos, meninos, cadê vocês? Vem! [risos] Tudo bem?
Prazer.
Prazer, qual seu nome?
Pedro.
Tudo bom, Pedro?
Mais que, conhecido como Malocrente, depois me segue lá.
Malocrente, legal.
Exatamente. O maluqueiro que virou crente. É, vamo lá.
Você é evangélico?
Sou.
Legal.
Sou evangélico, mas longe dos estigmas da religião. Eu sou padrasto, então eu tenho-
Você não é pai?
...dois meninos. Sou pai.
É pai?
Sou pai.
O pai por escolha, né?
Exatamente.
Você escolheu cuidar daquelas crianças.
E eles me escolheram também como pai.
Coisa linda.
É, eu posso falar um pouco melhor sobre essa pauta porque eu vivo isso na pele. Então assim-
Claro
...a questão financeira, ela não é o principal ponto, só que ela faz parte.
Claro.
Se a gente falou de sacrifício biológico, a gente tá falando de sacrifício social, certo? Então você concorda comigo que pra que você consiga ser uma boa mãe e pra que você consiga cuidar dos seus filhos de uma forma, é, mais próxima, que você esteja realmente vivendo a maternidade, você precisa de alguém na retaguarda pensando no financeiro.
Eu acho que essa é o ideal perfeito, né?
Isso, eu-
Não necessariamente a gente tem, porque dez porcento das mães no Brasil são solos.
Tá, mas a gente-
Então a gente não tem alguém na retaguarda
...só que a gente não pode falar dos dez porcento. A gente tem que falar-
Não, a gente pode falar e deve-
Mas aí-
...porque elas passam na pele uma coisa que é, tipo assim, completamente difícil. Eu faço parte dessas mães, entendeu? Então hoje, por exemplo, é, eu tenho uma vida confortável e posso até pagar por uma rede de apoio, mas tem muitas que não podem. Por exemplo, eu não podia pagar por uma rede de apoio quando eu trabalhava no shopping. E aí eu acordava supercedo, colocava meu filho na creche, ia trabalhar no shopping, batia meta, voltava pra casa, pegava meu filho, tentava passar tempo.
Então quando você não tem alguém, como, é, eu esqueci seu nome, mas ele falou... Vitor! O Vitor falou que ele foi um ótimo pai, de tipo assim: "Não, tá tranquilo, eu vou te dar apoio, eu vou tá aqui com você". Isso é um ideal maravilhoso, é o que toda mãe quer. É alguém pra poder, é, ser pai, né? Não é nem ajudar, porque ajuda a gente tem de uma avó, de um tio, de um, uma pessoa que fala: "Não, essa noite eu te ajudo.
Esse dia eu te ajudo." Agora, quando você tem alguém pra poder dividir com você, isso é maravilhoso.
Tá.
Mas não é a realidade de muitas mulheres nesse Brasil.
Vou entrar em outro ponto. Não é a realidade.
Não é.
Mas a gente tá discutindo o ideal.
Ah, tamo, tamos discutindo um sonho?
Exa-- não, um sonho não, é realidade.
O ideal é um sonho, né? Porque não é o que acontece.
Realidade, porque eu posso falar que é-
É realidade ou é ideal?
É realidade. Se você falou pra mim que a-
Ah, então voltamos pra realidade.
Você falou pra mim que dez porcento-
Sim
...são essas mulheres. A gente tá falando de uma maioria que não passa por isso.
Não, passa. Muitas mulheres também passam por isso dentro do casamento.
Não, mas é-
Não é porque ela tem um homem do lado que ele se esforça e ele é pai presente.
Mas tá, mas a gente tá falando-
Tem pais que estão ali e não estão.
A gente tá falando de um cenário-
Tem pais que estão ali e não são pais.
A gente tá falando de um cenário-
E a gente sabe disso
...eu tô falando do meu cenário específico.
Sim.
Eu sou um padrasto presente.
Que bom!
Certo? A realidade que acontece, realmente uma minoria, eu posso falar, dos pais, ele é um pouco mais ausente, que isso faz muita falta, isso faz diferença. O que que eu quero te-
A minoria dos pais são ausentes? É o que cê tá me dizendo?
Se for pegar uma proporção, acho que sim.
A minoria, né?
A minoria dos pais são um pouco mais ausentes.
Quantas pessoas você-
A minoria é a maioria.
Obrigada.
Que isso?
[risos] Oi.
Voltei. Bia, vamo lá.
Vamo.
Polêmica agora, vamo esquentar a parada. Sem dinheiro, o que que uma mãe faz?
Ah, ela vai atrás
Ok. Se tiver ajuda do pai
Se tiver ajuda do pai é ótimo, mas assim, a-- se ele ajudar tipo 100% no caso?
Não, se-
Da grana?
Se ele não dá nada-
Aí ela vai atrás
...mas ele tá presente, ele é um bom pai?
Ele é. Depende da, da, do porquê que ele não dá nada, tá? Tem um porquê. Se ele é um encostado, não. Agora, se ele é um cara que, sei lá, ele tem uma, uma, um, é, um problema e ele não pode realmente trabalhar e ela vai fazer por onde, eu entendo. Aí também a gente tá falando de uma exceção da regra, né?
É, essa é-- essa pequena exceção-
Sim
...que a sociedade não olha.
Ah, mas assim, a gente vai falar-
Porque a mulherada-
...a gente vai falar dessas pequenas exceções?
É, porque assim, é, a, a-
Mas cê tá falando de quem especificamente?
Mas assim, vamo, eu, eu-
Quem é essa exceção?
...eu quero usar um termo aqui que eu não possa ser prejudicado.
Tá.
Mulherada ou as mulheres.
As mulheres.
As mulheres.
Legal.
Gostam de falar só da parcela dos homens que não presta. Eu não vejo uma mulher enaltecer um homem que pelo menos ele faz o que tem que ser feito como homem, que ele honre.
Parabéns, você foi um ótimo pai. Eu disse pra ele isso agora. E eu acho que tem pessoas que são bons pais. Eu não acho que só tem mau pai no mundo. Inclusive tem pessoa-- tem pais que, na ver-- na minha concepção, pai é muito importante, tá? Tudo que eu queria na minha vida era ter meu pai.
Sim, pai é muito importante, concordo.
Infelizmente, o meu pai se foi e eu gostaria-
Meus sentimentos
...que ele tivesse aqui, porque o pai ele traz essa segurança quando ele é presente, ele te dá uma segurança na vida que se você não tem pai, você não tem. Só que, é, quando você não tem pai, você não deixa de viver e você dá um jeito de a-- se moldar ali sem ter, né? É, você, você veio do nada como eu vim do nada.
Sim.
Então a gente já passou momentos que a gente não tinha o que comer e a gente deu um jeito. A gente já passou momentos que a gente não tinha o que fazer e a gente deu um jeito.
É, o próprio poder de se moldar com a situação nos ajuda, né?
Isso não é o ideal. É o que, o que eu tô te explicando. É, mas eu-- não é o ideal. O ideal seria a gente ter comida na mesa todo dia, o ideal seria a gente ter uma família perfeita e completa, mas não é o que acontece. Então aqui nós temos um sonho, como eu tava falando com ele, e a realidade.
Tá, então aqui a gente tá falando da realidade.
Justo.
Tá. Então hoje o pai, assim, eu quero entender o seguinte, pra você, se o pai for presente e ele não dá pensão, ele ainda tem um valor como pai?
Por que ele não dá pensão? Tá muito raso.
Tá.
Pra você entender.
Vamos supor que é um pai que vem da periferia, não tem um, não tem uma instrução, ele trabalha, ganha pouco, o dinheiro dele, ele tem outras famílias e não consegue.
Mas ele é marido? Marido não dá pensão.
Não, ele é pai solteiro.
Marido ajuda dentro de casa. Não, mas e-ele é pai solteiro, ele cuida da criança.
É, ele-- não, ele é o pai, ele, ele, ele é o pai, mas não tá com a mãe.
Aí ele não dá pensão. Pra mim ele tá errado. Se ele não tá com a mãe, ele tem que dar pensão, ponto. Não tem justificativa, não tem contexto.
Mas ele é presente.
Tá, mas ele tem que fazer todas as partes.
Então sem dinhei-- com dinheiro...
Licença, maioria!
Deu fácil. Deu certo.
Deu certo, né? Tudo bom?
Prazer.
Prazer. Qual seu nome?
Lucas.
Tudo bom, Lucas?
E aí, como que você tá?
Tô bem.
Eu-- é muito difícil discordar dos, das pautas que você tá trazendo-
É
...mas eu queria colocar alguns pontos.
Tudo bem.
É, sobre o pai, é, não é só aquele que paga a pensão. Eu concordo entre partes, mas eu gostaria também de olhar o outro lado. É-
Só pra acertar o tema aqui, é, pagar pensão não te faz um bom pai.
Exato. Desculpa.
É.
Não te faz como s-um pai somente pagar pensão.
Isso.
Mas assim, tem outro, um outro ponto de vista que é o lado da mãe também. Vou, vou dar exemplo da minha pessoa. Eu sou-- eu tô no meu terceiro casamento, tenho dois filhos, dois divórcios, duas pensões. Então eu tenho dois filhos nos meus dois primeiros casamentos. E por mais que eu quisesse, eu acredito que muitos homens passam por isso, por mais que eu quisesse ser um pouco mais presente do que eu fui, porque ao meu ver, um pai que tem uma guarda compartilhada, ele nunca vai ser um pai presente de fato ali mesmo-
Cê tem uma guarda compartilhada?
Eu tenho duas guardas compartilhadas.
Não, então ele-- você vai ser presente.
Não.
Ele passa uma semana lá, uma semana cá?
É, não, eu, eu-- o meu é a cada 15 dias. Desculpa se eu usei o termo errado.
Não, então. Não, você vê ele?
Eu vejo meus filhos.
É, não é guarda compartilhada. Guarda compartilhada cê compartilha mesmo a vida da criança.
Não, eu-
Tudim. Tudim
...eu vejo diariamente, mas eu pego eles a cada 15 dias.
É, cê vê ele duas vezes no mês ali.
Exato.
Uhum.
Só que eu tive uma certa dificuldade no, no, no, nos términos ali, por conta que a mãe preferia o dinheiro do que propriamente o pai, por conta que ou era alguma coisa relacionada a ciúmes ou alguma coisa relacionada, é, queria que fosse de um jeito que não foi do, do jeito que, que estava se tratando. Todos foram perante justiça e tudo mais, brigas judiciais, coisas que eu acho que muitos homens passam também, mas só que a dificuldade que eu tinha, é, mesmo que eu sempre qui-- sempre paguei a pensão em dia, sempre, nunca fui ausente em relação à pensão, eu também tinha dificuldades em pegar meus filhos às vezes.
Então-
Por quê?
Porque a, as mulheres te-tem-- existem mulheres que têm essa dificuldade de brigar com os homens, de não deixar pegar os filhos-
Então aí ela não tem esse direito. Acho que o ponto-
...por conta que as mulheres-
Não, ela não tem esse direito de te impedir de ver seu filho. E é aí que você tem que usar a justiça ao seu favor.
Sim.
Porque eu acho que cê já ouviu esse termo até que eu vou te falar, mas quando cê chega ali, né, tá a juíza no tribunal e, por exemplo, cê, se você paga pensão, cê passou por ali-
Curioso
...pra poder entender, tipo assim, quanto cê vai dar, se é 30, se é 20, se era 10. E aí, tudo bem. Cê passou ali.
Isso é assim que é no meu caso.
A pre-- a, a juíza, tudo bem. A juíza disse pra você uma coisa que eu tenho certeza que no, na maioria dos casos acontece que é: ela não tá preocupada com o que você tá sentindo ou com o que a mãe tá sentindo. Ela se preocupa com a criança ali. A maior preocupação de uma juíza num, num relacionamento que acabou é a criança, é a integridade dessa criança.
E a integridade dessa criança não vai se basear somente na pensão, vai se basear na presença do pai também.
Se eu posso-
Então se você tenta ser presente, você pode ser presente. E você pode recorrer à Justiça também e falar assim: "Olha, ela não tá deixando eu ver meu filho".
Não, eu passei por duas audiências-
"E eu quero ver meu filho. O que que eu vou fazer pra..." Entendeu? Me ajudar aqui. E ela não vai contra a Justiça.
Eu passei por duas audiências de, de pensão, de divórcio ali, e foge um pouco do que você tá falando. Acho que-
Tô entendendo
...é bem tendencioso em que a mulher tem mais direitos numa, num divórcio, numa, numa guarda de pensão, é, e tudo mais, do que o homem, isso é fato. Eu acho que na hora da-
Mas você tem provas que ela não deixou você pegar seu filho?
Na hora...
Cê tem?
Na hora-
Cê tem?
...do, da própria, do próprio juiz falar, é, e, e dar o veredito ali pra que, que parte, como que seria, vai pegar os finais de semana, é, nas férias, 15 dias com cada-
Justo
...e tudo mais. A preocupação maior-
Mas você foi um pai que queria pegar muito
...a preocupação maior era, era a preocupação se tinha algum bem, se tinha alguma coisa pra dividir.
Não, não me importa. Então-
Se tinha isso
...eu acho que o ponto que a gente tá, a gente-
É esse é o ponto que eu tô trazendo
...não, o ponto que a gente tá saindo aqui, não, o ponto que a gente tá saindo aqui é que a gente acabou focando na mulher que quer muito o seu dinheiro. E a gente não tá nem aí pra mulher que quer seu dinheiro. A gente tá aí pro seu filho.
Não, eu tô dizendo que existem isso.
Não, existe muita coisa no mundo. [riso] É isso aí.
Tô dizendo que existe isso, entendeu?
Mas eu tô te falando que a gente não tá nem aí pra essa mulher.
Que existe isso. [riso]
A gente quer saber se você bateu lá e falou assim: "Ó, não me importa que dia é hoje. Eu quero meu filho. Eu quero ver meu filho. Deixa eu levar ele na escola. Deixa eu sair com ele. Hoje eu tô sem grana. Só quero ir na pracinha com ele brincar de, sei lá, empurrar, qualquer coisa". Mas o ponto, tipo assim, cê quer, é, brincar de gangorra com seu filho?
Cê quer brincar de pique-pega, pique-esconde?
Não, já, já aconteceu o ponto de eu ir buscar meu fi-- minha filha e minha filha ter, tá em outro estado, porque a mãe foi sem me avisar.
E aí você pegou essa prova e apresentou na Justiça?
Cara, a Justiça não é tão fácil assim para um homem do que para uma mulher.
Mas você tentou?
Referente a isso.
Licença, maioria!
Obrigado.
Obrigada. [riso]E aí?
Olá! Eu aqui de novo.
Você é um bom pai, já tô sabendo.
Prazer em voltar. É um pouco sobre isso. É, vou ser breve pelos minutos que tem. É, eu tive a oportunidade de dar pros meus filhos, pós-separação, é, duas casas, né? Comprei uma casa pra minha filha, uma casa pro meu filho e comprei um terreno quando minha filha, que estudou Direito, hoje é uma ótima advogada, Tarsila, um beijo, te amo, tá mandando muito bem, vou ser vovô. E o que acontece?
Cê tem uma, uma condição financeira boa, né?
Não, eu trabalhei bastante, não tenho. Hoje eu tô quase falido, porque eu investi muito pra comprar essas casas, né? Fiz um-
Imagino
... montei uma estrutura legal pros meus filhos, um lugar onde eles possam puxar esporte, lazer, pegar onda, em Ilhéus. E nesse caso-
Minha mãe nasceu em Ilhéus
Ah, que bom!
Bahia.
Maravilha-
Aham
...lugar sagrado-
Lindo lá
...Jorge Amado. Então, é, d-d esse período todo de construção, eu passei alguns perrengues, porque eu investi tudo que eu tinha ganhado durante a minha vida, que eu investi, eu tive-- falei: "Não, é momento de segurar pelo menos o futuro dos meus filhos". E quando eu passei nessa dificuldade, alguns perrengues, tendo que fazer vários pagamentos, eu atrasei pensão. E eu já pagava uma pensão, é, mais do que foi determinado pelo juiz.
E a mãe começou a criar um caso comigo, certo? Me cobrando de maneira desnecessária, sabendo que eu estava construindo tudo aquilo pelos me- pelos meus filhos. Em nenhum momento ela respeitou o meu sacrifício, o esforço que eu tive pra o futuro deles.
Sim.
E fui levado dessa forma por um certo tipo de alinaç-alienação parental, que eu acredito que chegou a esse ponto, infelizmente, por ciúme ou por inveja, de saber que eu fiz aquilo pelos meus filhos. E sei que ela é uma ótima mãe, mas acredito que nessa questão da pensão, às vezes muita coisa tem que ser avaliada. Como você mesmo disse-
Claro
...que o pai presente, às vezes é melhor do que qualquer dinheiro que você possa ter. Um pai que fala "eu te amo" pros seus filhos todos os dias, é a melhor coisa que tem na vida, de eles entenderem o quanto você o ama. E ninguém vai tirar isso de você. Não tem valor que pague pra uma criança-
Concordo
...saber que seu pai ama e ama muito e faz qualquer coisa por ele. Então-
E se importa com ele
...concordo-
Eu entendo o que você falou e-
...que é necessário pagar a pensão, mas em qualquer coisa, o amor é privilegiado.
Claro.
Obrigado. Desculpa, eu quase chorei aqui, tá?
Você é um bom pai mesmo! A sociedade cobra muito mais da mãe do que do pai. Tudo bem?
Tudo bom, Bia?
Prazer.
Prazer, Amarildo.
Amarildo.
Pode me chamar de Kilox.
Kilox?
Isso.
Tá, eu vou lembrar. Eu tenho uma memória meio...
É?
É.
Bom, vamo lá. Eu discordo, porque a sociedade cobra mais do homem. Desde pequeno, eu nasci homem. E quando a gente-- assim que a gente nasce, a cobrança já vem de pequeno.
Em que sentido?
No sentido de que você nasceu homem, você tem que fazer mais.
Uhum.
A mulher já nasce como se fosse sofredora, mas o homem já nasce cobrado. Se voc-- se a gente for voltar o tempo, tempo atrás-
É! Não, não, mas a gente não tá falando aqui sobre a cobrança da mulher e do homem
Não
É da mãe e do pai-
Mãe e do pai
...nesse lugar. Então quando você nasceu, você não é ainda pai. Então não é a partir daí, é a partir de: "tive um filho". Quem cobra, quem é o mais cobrado? Mãe.
Mas querendo ou não, o filho já aprende com o pai. Eu, hoje eu sou pai, mas eu fui filho.
Sim.
Então vi muitas cobrança. Que horas você vai trabalhar?
Uhum.
Por que você não fez o café ainda? O homem é mais cobrado.
Você era cobrado porque cê não fez o café?
Não, eu tô falando que eu-
Não, engraçado que eu também sou mulher e minha mãe falava: "E aí, vai fazer a comida que horas, gata? Vai trabalhar, não? Então eu acho que tem-"
Não, eu via isso com meu pai-
Então é uma cobrança parecida
...fui crescendo, fui aprendendo. Hoje eu sou pai e às vezes o próprio homem se cobra dentro de si.
E tá certo, tem que se cobrar mesmo.
Nós como pais-- e então, então não tem como a sociedade cobrar mais da mulher.
Ela cobra. Acredite se quiser, até porque a sociedade assim num todo, né, ainda mais quando a mulher é mãe, que é sobre o que estamos falando. Exemplo, vou te dar um super exemplo aqui. Uma mãe agora ela acabou de ter um bebê.
Certo.
O bebê tem quatro meses. Ela decidiu fazer uma viagem com as amigas dela prum outro país. Ela vai ser apontada como uma má mãe, que deixou o filho pra avó criar, que ela não dá confiança pra esse filho, escaroba quatro. Agora, se um pai viajou, na-- às vezes ele não vai ser nem visto. Isso não vai ser nem uma pauta. O que eu tô te explicando é que tem muita coisa que passa e pra mãe não passa.
A mãe sempre vai ser apontada. Não existe uma mãe não saber quantas gotas de remédio dar pro filho. Agora, se o pai não souber, a gente explica: "Não, tem que ver o quilo, tem que ver quanto ele pesa".
Tá, aí eu te pergunto-
É o que eu tô te explicando
...aí eu te pergunto: se o pai some-
Como mãe e como pai
...se o pai some, a sociedade cobra o quê?
É horrível!
"Cadê a pensão? Senão vai preso". Cê concorda?
Sim, e tá certo, né?
E no momento que a mãe some e a mãe é presa?
Não, a mãe também precisa fazer o mesmo. Se a mãe não-
Não, com certeza
...se o pai cria, se o pai cria a criança-
Aham
...a gente tá falando de lei aqui. Se o pai cria a criança, a mãe vai ter que pagar uma pensão pra aquela criança. E eu espero que ela também seja presente na vida daquela criança.
Eu nunca vi isso.
Nunca viu? Ah, pode-- mas tudo bem você nunca ter visto.
Bom, pode exis-
Pode ser na sua realidade
...pode existir a lei.
Mas existe.
Sim, é, a gente tá falando de realidade ou sonhos?
Realidade.
Então a realidade é essa, a mulher nunca pagou pensão.
Nunca?
Até onde eu conheço.
Você tem certeza do que cê tá falando? Isso é um fato. Cê tá baseado no quê?
Eu tenho certeza até onde enxergo minha realidade.
Que nenhuma mulher no mundo nunca pagou uma pensão. Então, então é sua realidade. A sua realidade infelizmente é limitada, porque você não estudou até lá.
Na sua realida-- na sua realidade, nunca teve.
Já, já vi.
Já viu?
Já vi pais que cri-- pais solos, a-- conhece, acontece, existe.
E na sua realidade, a mulher é mais cobrada que o homem?
Aham.
Não.
A mulher é mais cobrada.
A sociedade cobra mais o homem.
Não, eu acho que você tá colocando num lugar que, é, eu não concordo. A mulher é mais cobrada.
Não, e não tem como concordar-
Na minha concepção
...numa coisa que o homem é sendo cobrado desde a parte da pensão, o homem é cobrado desde a parte que fala assim: "Você não tem que cuidar só dos seus filhos, tem que cuidar da sua mulher também".
Sim.
Às vezes fala que a mulher se-
tempo!
Obrigada, querido. [riso]
Obrigado.
E aí, tudo bem?
Tudo bem.
Prazer, qual seu nome?
Renan.
Renan.
Tudo bom?
Tudo bem.
Eu não concordo, de vo-- com você, porque não faz sentido a quantidade de homem preso por conta de pensão. O rapaz acabou de ser pai, ter que, ter que sair pra, pra, pra trabalhar. Você coloca um ponto que a mãe pariu sobrecarregado aquilo, porque ela pariu.
Sim.
Mas acaba o homem, o homem, nós estamos falando de, de pai.
Sim.
Ter que ter a consciência de levantar cedo, de sair pra procurar, é, é, pra sustentar-
Na sua concepção, isso é muito mais difícil?
É, certeza.
É, e a mãe que não tem um homem? Porque a gente tá colocando da mãe que tem. E a mãe que não tem homem, ela tem a mesma responsabilidade de sair pra trabalhar e conseguir o dinheiro pra dentro de casa e conseguir uma boa creche, porque creche boa a gente não consegue fácil, não. A gen-- ainda mais se for pública, a gente tem que ficar na fila pra conseguir.
Digo isso porque já passei por filas pra conseguir, tipo: "Ah, é que ela é melhor", então a gente tem que en-entrar na fila, tem que inscrever a criança. O que eu tô te explicando só, é que eu, eu entendo o que você tá falando, só que tem mulheres que passam por isso também.
Não, mas você tá-
E a gente tá batendo num tema que passou, que é pagar pensão.
Não, mas-
Esquece a pensão. Agora-
Mas coloca-
É-
...hom-- é, é pai e mãe, independente do, do-
Sim
...do, do contexto. É pai e mãe. Pai e pai, pai mesmo, é cobrado.
Claro.
É mais cobrado do que a mu-- a mãe.
Mais cobrado?
Com certeza, porque o, o cara tem que sair pra trabalhar. Pergunta pra qualquer um aqui, se não sai pra trabalhar, é vagabundo. Pro próprio homem.
E tem muitos que se-
Não, não, mas entenda
...se orgulham de serem, né? Tipo-
A mu-- a, ó, se a mulher não vai Pra outra mulher é empoderada
Se não vai o quê?
Tipo, não, não procura, tem mulher que larga o filho e tá certo.
Claro que não.
Existe.
Claro que não.
Você sabe que existe.
Claro que não. Eu acho que o ponto aqui que você tá que-
Não, você não está entendendo.
Não, você tá querendo, você tá querendo distorcer a mentalidade de mulheres boas.
Não, s-
Nenhuma mulher vai olhar pra uma mulher que abandonou o filho e vai apoiar ela.
Pra qualquer homem aqui-
Na verdade, a, uma mãe boa não abandona o seu filho.
Sim.
Eu nunca abandonaria meu filho.
E um pai bom também não abandona o filho.
Eu tive que... Exatamente.
Então, mas é o mesmo.
Estamos no mesmo lugar.
Qualquer homem que sair daqui e largar o filho, vai ser julgado por, pelos próprios homens.
E, e tá errado de ser julgado.
Não, tá certo.
Pronto.
Mas aí é que tá, o homem é o mais cobrado.
Não.
O homem é cobrado pelo homem.
Não, você tá me dizendo aqui que o homem ele é cobrado quando ele larga um filho. Olha o extremo: uma mulher é cobrada se ela sai uma noite e deixa o filho com a mãe. Uma mulher é cobrada se ela não sabe o remédio do filho dela. Uma mulher é cobrada se ela não coloca um lencinho numa mochila pro filho.
Certo, mas-
Uma mulher é cobrada se o filho dela cresce, por exemplo, faz qualquer coisa de errada, a culpa é da mãe.
Por que que a mulher vai ser cobrada?
A mãe que não criou direito.
Não, mas por que que ela-
A mulher é cobrada nesse sentido.
Não, mas em qual se-- e que, quem que tá cobrando a mulher?
Todo o peso é colocado em cima dela. A sociedade.
Não, a socie-
A gente tá falando de uma estrutura social que não depende de mim, nem de você.
Entenda.
É, vem muito antes de mim e quando a gente passar por esse mundo, vai continuar.
Aí entra a situação-
Espero que não
...ó, calma, de, de a mulher ter vários filhos com vários homens. Se ela fosse cobrada desta forma-
Quem é que tem uma mulher ter vários filhos com vários homens?
Não, então, mas se ela fosse cobrada dessa forma, o cara não ia atrás ou o cara não ficava, o outro cara não fazia filho. O cara tá pouco se lixando. Que-quem se cobra são vocês mesmo. O homem, em geral, cobra o próprio homem.
[risos] A gente não se cobra, é a sociedade que cobra.
Não, a sociedade cobra.
A gente é cobrada desde muito pequena.
Com todo respeito ao mundo.
A gente tem que ser boa mãe, a gente querendo ou não, você entende?
A maioria dos homens aqui-
Mesmo quando a gente tá mal, olha só-
...é independente de você ter filho ou não
Não, não, não, não.
Aí que tá.
O que eu tô te explicando é que...
Tempo.
Obrigada.
Prazer te conhecer.
O prazer. [risos] Ui! [risos]
Fala, Bia. Prazer.
Tudo bem? Prazer.
Tudo bem? Me chamo Wesley. Vou te dar um pouquinho do contexto. Sou pai de gêmeas.
Ai, que tudo. Meninas?
Elisa e Luísa.
Quanto tempo?
Seis anos.
Ai, beijo meu.
Coração pra vocês.
Seis anos, sei bem como tá.
Parabéns pela sua trajetória.
Muito obrigada.
É, eu acredito que toda mãe solo, ela tem a honra da trajetória e da jornada que ela fez, mas toda mãe solo preferia ter um bom pai ao lado do que viver a trajetória de uma mãe solo.
Claro.
Quando você diz que o marido ou o homem, ou o pai, ele é cobrado pela sociedade e a mulher não, você traz exemplos-
Não, eu disse o contrário
...que a mulher-
Eu não disse que o pai não é cobrado, eu só disse que a mulher é mais cobrada.
Ok. A cobrança da mulher, ela é exagerada em que ponto?
Em muitos pontos.
Vamo lá.
Por exemplo, eu vou, eu vou citar aqui novamente, tá?
Ok.
E vou te citar pontos muito básicos aqui.
Sim.
Uma coisa bem boba. Exemplo: você falou que você tem gêmeas.
Sim.
Se você tiver com uma das suas gêmeas no canguru e a outra no seu carrinho-
Ok
...com certeza você vai ser elogiado por vários lugares que passar. "Ai, que lindo, você tá sendo um ótimo pai". Se você entra num lugar pra trocar sua filha: "Caramba, olha que bom pai você é". Se você for na consulta com a sua esposa enquanto ela tava grávida: "Caramba, eu quero um marido desse, porque ele é bom". Agora, se a mulher tá na consulta, ela não vai ganhar elogios.
Se ela tá trocando uma fralda, também não tem elogios. O que eu tô te explicando é que quando o pai ele faz o mínimo, que é ser pai, a sociedade vai aplaudir demais. Agora quando uma mãe tá ali fazendo... Não tô falando que não é trabalhoso, tá?
Uhum.
Porque cuidar de uma criança é trabalhoso.
Sim.
Mas quando uma mãe também tá fazendo o mesmo, ela nem é vista.
Sim.
Mas se ela não fizer, ela vai ser apontada.
Mas talvez isso não é uma resposta cultural ao, ao país que a gente vive?
Então, mas a gente concorda então que é estrutural uma mulher ser mais cobrada que um homem.
Ok, estrutural.
Então a gente concorda.
Ok, estrutural. Porém a gente não pode ignorar a cobrança que o homem retém.
Eu falei, eu não disse que o homem não tem cobrança.
Ok.
Eu falei que ele tem cobrança, só que a mulher tem mais.
Eu fui em cima que a cobrança moral que existe, a cobrança social, a cobrança financeira, e aí a gente entra naquele outro ponto, porque eu não posso também focar em um sacrifício e ignorar todos os outros.
Não, claro que não.
Porque a gente, por exemplo, tem um sacrifício psicológico. Crianças que crescem sem o pai apresentam vários problemas durante a jornada da vida dela.
E são muitas, né?
E muita das vezes só vai descobrir lá na frente-
Sim
...que a ausência do pai lá na infância teve e conseguiu trazer de consequência todos esses problemas.
Uma ausência de uma mãe também.
Sim, totalmente.
Né?
Mas a gente tá cuidando como homem agora, o julgamento do homem.
Porque uma mãe não substitui o lugar de um pai e o pai não substitui o lugar da mãe.
Certo. Então, mas a gente tem um país aonde, por exemplo, homens, vamo, vamo filosofar um pouco, homens abortam mais do que mulheres, certo?
Uhum.
Então é natural que quando a gente veja um homem fazendo o papel que ele tem que fazer, a sociedade mesmo possa aplaudir essa situação.
Então a gente concorda.
Mas a gente não pode criar uma regra disso.
A gente concorda.
A gente não pode ignorar a cobrança que existe no homem pra ele ser esse homem presente. Por exemplo, eu tendo gêmeas, a gente teve uma situação aonde minhas filhas ficaram-
Tá, tá vendo a cobrança que cê falou?
Ok.
Existe uma cobrança pro pai ser presente.
Sim.
Não vai existir essa cobrança pra mãe.
Mas aí a gente tá falando da cultura que o Brasil tem.
Porque é claro que a mãe vai ser presente, mesmo machucada depois de um parto, ela vai ser presente.
Depende, depende. Porque você tá usando raros-
Mesmo, mesmo debilitada, ela vai ser presente
...raras exceções também.
Não, eu estou usando a maioria.
Pra criar o argumento que você tá criando.
Não, eu tô usando a maioria.
Ok.
Eu tô usando como base aqui a, a realidade, a maioria.
Uhum.
Quando a gente vai olhar, se a gente vier numa, aqui nessa roda, por exemplo, a gente vai contar aqui.
Então.
Quantas pessoas não tiveram pai e quantas pessoas não tiveram mãe?
Ok, mas aí o argumento nosso não é de debate então, é de concordar os pontos que o homem-
Eu tô falando isso desde que eu me sentou aqui.
Perfeito, perfeito.
A mulher tem mais cobrança do que um homem.
Perfeito. Porque um bom pai ele vai ter a cobrança de si mesmo, da sociedade, dos homens que estão julgando ele.
E tá tudo certo.
Tudo certo.
Eu não disse que um pai, ele não vai ter uma cobrança.
Perfeito.
Pai tem cobrança como mulher também tem.
Perfeito.
Só que a mulher vai ter essa cobrança em dobro.
Então, mas-
É muito mais difícil pra ela
...o que você tá usando de cobrança em dobro são situações pontuais que eu também posso listar dos homens, por exemplo.
Não, não são situações pontuais.
Como foi colocado pelos meus amigos aqui de questão financeira.
É rotina. E também, cita, cita
...de questão social.
Cita
...de questão de jornada de trabalho, tô listando todas elas.
Me fala... Não, não, não. Sem ser o pai abandonar a criança e ele ser cobrado pra pagar uma pensão.
Esses pontos podem ser regras utilizadas na narrativa.
Sem ser o pai se abandonar a cria-
Mas você tá usando pontos.
Não, não, não. Sem ele se abandonar, sem abandonar.
Você colocou da madrugada que a mulher vai pra balada e ela é julgada socialmente.
Ela é.
Então, por exemplo, você tá usando um ponto pra criar uma regra.
Aham.
Pra fortalecer sua narrativa. A gente todo pode usar os pontos-
E o cara que vai toda sexta-feira pra balada, ele é julgado socialmente?
Também é julgado socialmente.
Não é.
Também é julgado socialmente.
Não é, não é um problema.
Também é julgado socialmente.
Não vão ligar pra ele dizendo assim: "Seu filho tá chorando".
Porque a gente pode falar da cultura que tá sendo-
"Meu amor, quantas espátulas eu coloco duna na madeira?"
Mas aí é uma realidade paralela que você criou pra fortalecer o argumento que você tem.
Claro que não é uma realidade paralela.
Como eu posso também criar uma realidade pra fortalecer meu argumento?
Eu tenho certeza que existem muitas mulheres que, que a realidade delas-
Como foi dito por aqui.
Não é
...quantas mulheres que usam esse pretexto-
Eu acho que você tá criando uma utopia na sua cabeça e você tá amando isso e seguindo isso, mas não é uma realidade.
Não, não, de forma alguma, de forma alguma, que eu sou pai e eu tô falando da minha realidade.
E eu sou mãe e tô falando da minha.
Entendeu? Então por isso que a gente não pode ignorar os seus sacrifícios.
Não estou ignorando os seus.
E ignorar os seus julgamentos, os julgamentos que fazem contra você.
Sim.
Da mesma forma que a gente não pode desvalorizar os julgamentos que todos os pais recebem.
Não estou desvalorizando, eu acho que o ponto é exatamente esse.
A gente não pode fazer isso.
Eu olho pra você e digo: "Os pais..."
Porque você tá exagerando. É o dobro daquilo que toda-
Sim, é o dobro.
Não, não é.
É, é o dobro.
Não é.
É o dobro.
Até porque como que você contabiliza isso?
É o dobro. É por muitas, por dados, primeiramente, dizendo.
Como? Quais dados?
Por dados.
Quais dados?
É só você pesquisar, só você pesquisar. Tem muitos dados.
Não, mas aí é fácil eu julgar o argumento-
Olha só, o que eu tô te explicando aqui, dez por cento, você tem noção de todas as mulheres no Brasil, dez por cento são mães solos.
Ok. E eu comecei falando sobre mães, mães solo.
Você imagina... Então, mas o meu ponto é exatamente esse.
Eu comecei falando sobre isso.
Você me disse que você é um bom pai, não é?
Não, não falei isso, eu falei que eu sou pai.
Mas você não, não é um bom pai?
Não, eu não posso me julgar como um bom pai.
Tá bom, então tá.
Quem me julga como um bom pai é a minha esposa, são as minhas filhas.
Tudo bem, então você me disse que você é um pai.
Ok.
Ok.
Me julgo como um bom pai.
Então espero que, que bom então.
Beleza.
Então, então você se julga como um bom pai.
Vamo lá. Você se julga como uma boa mãe?
Eu me julgo como uma boa mãe.
Então perfeito.
Eu acho que eu posso me julgar como uma boa mãe.
Perfeito, perfeito.
Tá? Mas eu acho que se, se você se julga como um bom pai, eu espero que você apoie sua esposa, que você-
Perfeito, tudo isso
...crie suas filhas, né? Que você exerça a paternidade.
Sim.
Que ótimo que você faça isso.
Perfeito.
Mas você imagina uma mulher que faz isso sozinha. Não é sobre um cara pagar pensão.
Eu entendo isso.
É sobre o ca-- aí você falou, mas tem-
Tempo.
Valeu. Bia, show de bola.
Obrigadão. Obrigada E aí?
E aí, Bia, voltei. Discordo.
Tudo bem.
Pelo seguinte: é, a cobrança do homem é maior porque a mulher tem o amparo da sociedade, por exemplo, se, se ela tiver desempregada, ela vai ter o apoio, ela tem o benefício pra poder cuidar do filho. Qual ONG que-
Qual benefício? Baseado em quê?
É, benefício de, dela, dela ter uma pensão, tipo um bolsa família-
Quanto é o bolsa família por criança?
Não, depende. É seiscentos reais, depende do Estado.
Cê cria uma criança com seiscentos reais?
Não, não crio, mas vou te falar.
Não, ela não tem um apoio.
Cê tá falando da cobrança. Quando-
Não, cê falou que ela tem apoio, ela não tem. A gente corta essa, esse argumento aí.
Tem, tem apoio de, de-- lógico que tem.
Não, não tem.
Se a mulher procurar, tem.
Seiscentos reais não cria criança nenhuma, em lugar nenhum.
Não, não, a gente tá falando de valores. Agora eu vou falar o valor em relação à cobrança do homem. O homem é muito mais cobrado. Quando o cara não paga pensão, ele vai preso.
Essa mulher que precisa desse apoio de um bolsa família, porque o pai não paga uma pensão, daí ele já tá errado.
Ela é, ela, ela recorre ao marido. Não, às vezes ela é igual-
Que marido? Se a gente tá falando que ela não tem marido.
Não, cê tá falando da questão social. Se ela-
Sim.
Cê tá, tá falando que o homem é mais cobrado. Somos mais cobrados, sim, porque se não pagar, eu sou preso. E eu, o homem-
E pra mim tá certo.
O homem tem um exemplo. Não, aqui não é questão de tá certo. Tá falando que a cobrança da mulher é maior. Não, não, não. Ela tem, ó-
Eu abandonei o meu filho, não quero pagar a pensão pro meu filho, porque eu nem ligo se ele tá comendo direito e pra mim ou tinha que ficar solto ou ele tem que ser preso.
Quando a mulher sofre violência, ela tem amparo. O homem tem quando sofre violência de uma, de uma mulher? É isso que eu tô te falando. Então a-
Ah, sério? [risos]
Não, sério, sério, sério, sério.
Ah, não. [risos] Tá de brincadeira, gente.
É aonde, é aonde a gente vai chegar.
Claro que não.
Cê tá falando que a mulher é mais cobrada?
É sério. Então quantos homens morre aqui no nosso país semanalmente, mensalmente, porque eles são mortos por mulheres, por maníacos que perseguem elas, que se apaixonam, que você deita com aquele cara, você não sabe se tá dormindo com o seu inimigo, que ele te mata depois, que ele te fere, que ele te machuca, que ele te bate.
Mas aí é falta de caráter, falta de caráter, não é?
Ué, mas você disse que você queria um apoio se você apanhasse. Quem te bateu?
Quando a mulher-- não, não. Eu não quis falar isso. [risos]
Sentei primeiro, hein? Ó. Eu percebi que tem que ser um pouco agressivo aqui.
Não, também não. Vamos com calma.
Calma, calma. Não, ele falou de feminicídio, é melhor trocar de assunto.
Vamo trocar, por favor.
É, inclusive eu conheço o Benjamim, tá? Eu vi o vídeo do Dureg, muito legal.
Muito fofinho.
Fofinho.
Ele é um, ele é um lindo, sou apaixonada.
Eu acho que eu vou discordar em alguns pontos.
Vamo.
Eu acho que o ponto central de quando a gente fala a respeito dessa, dessas questões de, de como que a gente vê a, a função do pai ou da mãe dentro da família, essa, esse tipo de cobrança, vem muita, tem muito a ver com as funções de cada um dentro da família. A gente falou muito aqui sobre mãe e a sua parte biológica. A gente falou muito aqui sobre pai e a parte social, financeira.
Eu sou cristão.
Legal.
Interessante. E quando cê falou, quando ele falou, alguém falou sobre Deus, ele já começou a falar de não sei, discorde, não sei como que é a sua perspectiva de fé, não sei, não faço ideia.
Jesus é tudo pra mim, minha mãe também é cristã, víde uma cristão, é, mas assim, reli-religião aqui agora não é a, a questão.
Então, pra mim é.
Respeito todas.
Eu, eu entendo que, que faça, que faz parte. No caso, assim, cada um tem a sua, obviamente, a gente tem os nossos pressupostos. A gente sempre vai argumentar de acordo com a nossa forma de religião.
Não, calma, existe alguma religião que fala que pai não ser pai?
Não, existem as, a, a minha fé, ela me diz como deve ser um pai.
É.
E como deve ser uma mãe.
E a sua fé também diz que o amor mais próximo do amor de Deus é o amor de mãe.
Não, a Bíblia não fala isso.
Fala.
Não, não fala.
Tá bom.
É, mas assim, o que-- inclusive, o amor de Deus é, é o, a, a gente fala que tem o, o, um atributo, né? Deus é amor. E Deus é conhecido como pai, e não como mãe.
Incrível.
Isso é importante. Mas-
Ele foi o pai que eu tive quando perdi o meu.
Atenção, tempo.
Ser mãe é o trabalho mais difícil que existe. Voltamos.
Vamo voltar, né? Mas agora é com outro assunto.
Tá, tudo bem.
Bom, é, eu discordo, porque eu entendo que, é, naquela primeira, no primeiro tema, cê falou a respeito da, da, dos sacrifícios da mulher, da mãe, no caso, né? Eu concordo, porque se a gente falar da parte biológica, não só do início da gestação, mas da vida da criança, é um, é um sacrifício muito grande. Mas quando a gente fala sobre um, um maior trabalho ou trabalho mais difícil, aí sim eu acho que a gente tá entrando num extremo e a gente tá, é, negando o papel do homem, que é o que eu falei da questão das funções.
Pra mim, o homem ele tem sim a função de prover, embora a mulher possa ajudar na parte financeira, o homem ele tem esse dever. Da mesma forma que biologicamente o homem não pode ge-gestar, a mulher tem esse, tem essa, essa função. Eu acredito que quando a gente tem uma família estruturada, então a gente tá pensando aqui numa família ideal, a gente vai olhar pra esses dois, esses dois campos e dentro da família, eu acredito que o papel do pai, ele é um pouco mais pesado, porque ele é um, um papel geralmente esquecido.
Quando o pai ele, sei lá, trabalha em um, dois, três empregos, ninguém vai falar nada pra ele. Se a mulher ela cuida dos filhos, que é o que geralmente acontece, cuida dos filhos ou, sei lá, faz uma faculdade também, trabalha e tal, ela sempre é aplaudida, ela sempre vai falar, o pessoal vai falar: "Ah, é uma guerreira", aquele negócio todo e tal. É...
E pra mim tinha que ter mais. Ela tinha que passar mesmo, ser muito aplaudida, o pessoal tipo: "Uhul, vai guerreira", porque ela realmente é uma guerreira.
Não, ela é.
É.
Mas a questão, a questão justamente dessa que eu tô, que eu tô falando é: você tá, pra mim, você tem essa perspecção, essa, essa perspecção, pers-
Não, eu entendi qual é o seu ponto.
Perspectiva.
Você disse pra mim que o pai trabalha em três empregos ou sei lá quantos empregos e a partir dali ele não tem uma percepção de tudo que ele fez, ele não tem uma pessoa tipo parabenizando ele.
Não, não, não é a respeito dele.
Ele merece um prêmio.
É a respeito das pessoas. Eu entendo que o seu ponto de vista, ele é justamente por conta disso, por conta desse esquecimento do papel que o pai tem dentro da família.
Agora, eu acho que a gente tá focando de novo nessa questão do pai, do pai, do pai, e pra mim ser mãe é o trabalho mais difícil do mundo, porque simplesmente você tá criando um ser humano. E não existe trabalho nesse mundo que você vá formar o caráter-
Mas o pai também cria o ser humano, esse mesmo ser humano.
Ele cria, ele cria. Mas e, eu tô falando aqui que ela vai se dedicar a essa criança vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, trinta dias do mês.
E o pai também.
A gente tava falando de pais aqui, por exemplo, que saem pra trabalhar e são provedores. E eles ficam pouco tempo com essa criança.
Mas aí você tá falando de uma-
Quem tá a maior parte do tempo com essa criança?
De uma, de uma, de uma mãe específica.
Eu acho que se eu-- eu acho, não, não.
Cê tá falando da mãe-
Eu tô falando da maioria em casa
Da mãe que tá em casa cuidando dos filhos e cuidando da casa, porque aí sim.
Não, eu tô falando, não, eu tô falando da maioria. E pra, na minha concepção, as pessoas que mais vão se aproximar ali de ajudar nessa cocriação desse caráter ali são professores, que passam tempos também com essa criança. Então, numa creche, na escola, a gente vai aprender, a gente conversa. Eu mesma, tipo, tinha amores por vários professores e eles me ajudaram a criar o, ideais que eu tenho até hoje formados.
Então, assim, só que a minha mãe é a minha referência E eu tive um bom pai. E meu pai também tem, tem momentos ali que ele foi minha referência e ele foi presente pra mim até onde ele pôde, porque ele faleceu. Mas o ponto aqui é que não existe nenhum trabalho em que você vai poder dizer que você não tem, tipo, um momento pra respirar. E você sendo mãe, você tá doente ou não tá doente, cê vai cuidar da criança.
Cê não tem folga, não tem como botar testado, não tem o que fazer. Agora já o pai-
Eu ainda, eu ainda acho que existe o recorte. Eu acho que-
Maioria! Obrigada, amigo.
Valeu.
Tamo junto. [som de batida] Oh my God! [risos]
Sai daí.
Chega aí, chega aí, chega aí.
Não, sai daí. [risos]
Não, desculpa, é porque eu, eu tenho que falar, tocar nesse assunto.
Não, e você tem uma situação ali com...
Claro.
Sim.
Bom, vim agora pra concordar com você, gênero, número e grau, em relação à mulher sofre muito mais que os homens, principalmente quando ela não tem o apoio de um homem, que é o pai da criança.
Sim.
Então eu quero aparalizar a minha filha Tarsila, porque ela vai ser mãe agora em outubro. Ela não teve nenhum apoio da pessoa que fez promessas e que garantiu mundos e fundos, mesmo ela sendo uma mulher linda e independente. Hoje ela sofre com, é, esse abuso emocional, com a falta de presença do pai.
Maioria! [som de batida] Eita, tá tudo bem.
Bia, voltamos.
Voltamos.
Bia, eu discordo, tá? Porque existem mulheres que elas só colocam filhos no mundo também, tá?
Claro, existe.
Então acontece. Eu cuido do meu filho, meu filho mora comigo-
Cê sabe mais ou menos qual a porcentagem dessas mulheres?
Não, não sei dizer.
É, então a gente não pode dizer se elas são as mai-- a maioria, a minoria, mas assim, a gente olhando prum total de-
Existem, mas existem.
Existir não é ser a maioria.
Mas existem, igual a dez por cento, né? De mães solos.
Existir não é ser a maioria.
Tem, existe dez por cento de mães solo que não escolheram o pai, o pai da criança.
Poderiam existir dois por cento na... É o quê?
Existem mães dez, sete, de mães solo-
Não é sobre esco-- não é sobre...
Que não só não escolheu o pai da criança.
Não é sobre escolher o pai da criança, é sobre o pai não ser pai.
Isso é fato. Isso é fato.
É sobre o pai não ser pai, e é sobre ela fazer sacrifícios-
Mas vamo lá
Que independente do pai ser pai ou não ser presente, ela vai fazer.
Existem, existem mulheres que só colocaram o filho no mundo.
Eu juro que eu achei que essa pergunta fosse você, não é pra mim.
Existem, existem mulheres que só colocaram o filho no mundo, que não fazem questão de ser presente na vida da criança.
Tá, existe aí.
Entendeu? E outra parte também de mães, que não sei a porcentagem, que é do mundo corporativo. Elas pensam em só trabalhar e não tem tempo de qualidade, porque eu conheço pessoas assim.
Nossa, citamos o mundo corporativo e eu amei. Quantos homens pensam só em trabalhar, só na carreira deles, só neles-
Mas aí é a questão
Só nas mulheres que eles querem conquistar e a vida deles.
Se o homem não tá lá pra sustentar a criança-
Se o homem não cria o filho dela, ela não presta.
Se não paga pensão, a justiça prende.
Se a mulher não cria o filho dela, ela também é vagabunda.
Aí se a mulher-
Então a gente tá usando aqui, hã...
E se a mulher abandona a criança, a justiça não faz nada. Agora se o pai-
A justiça não faz nada?
Não faz.
Se o pai recorrer, faz.
Não faz.
Se o pai recorrer, faz.
Tem o caso do nosso amigo que falou, que apresentou aqui e não aconteceu.
Então cadê ele aqui? Cadê ele aqui?
Não aconteceu nada.
Pra falar o caso dele. Se o pai recorrer, faz.
Não faz.
Faz, faz, sim.
Não faz. Já viu algum caso que já fez?
Já vi.
Quantos por cento?
Já vi. Eu já vi algum caso.
Quantos por cento? A porcentagem.
Eu não tenho dados, você tem dados?
Ah, não tenho então.
Os tipos também, nós não temos dados.
Não, então. Então cê não pode falar. Também da mesma maneira.
Exatamente. Então vamo ficar isso aí.
Cê entendeu?
Vai lá, meu amigo. Tamo junto.
Mas, mas ex-- um exemplo, eu cuido do meu filho.
Hã.
Meu filho...
Maioria! Vai, ah, pelo amor de Deus. [som de batida] Pô, dessa vez ninguém te empurrou.
Cê viu?
Gostei.
Mas eu voltei.
Tá, você também não tem essa coisa não, né, de que você não soube escolher o pai da criança.
Não, não, não. Eu acho que assim, você, inclusive, tenho que te parabenizar.
Obrigada.
Além da tua, a boa argumentação, cê tem uma retórica ótima, o ponto que eu acredito que-
Cê também. Cê é advogado?
Sou advogado.
Percebi.
É, inclusive, assim, nessa questão do direito, é, vou até te ajudar na, na questão da guarda compartilhada.
Sim.
A guarda compartilhada não significa uma semana e uma semana. Significa, na verdade, compartilhadas decisões da vida da criança.
Uhum.
Então, a decisão de uma escola: "Ah, a Bia quer que estude na escola X", ela tem que consultar com o pai também, independente de ser divorciado ou não.
Sim. Quer viajar, consultar com o pai.
Isso.
Legal.
Vai sair do estado, enfim.
Então mesmo com guarda compartilhada, o pai não é obrigado a dar presença pra criança, às vezes apenas dinheiro, né? Isso é triste.
Não, não, não. A presença dele se dá com aquela visita que tem que ser agendada. Agora-
É, mas duas vezes no mês você não conhece ninguém.
Isso, não, lógico.
Se você vê seu amigo duas vezes no mês, você não conhece ele, quem dirá seu filho.
Com certeza. Isso pra mim não é algo que tem que existir. É, o ponto-
É, eu concordo. Eu concordo.
O ponto que eu acho que todo o teu debate tem que ser levado em consideração é a tua visão do que é ser pai, porque todos os teus argumentos são muito razoáveis.
Sim.
São muito razoáveis.
Muito obrigada por isso.
O ponto, é, crucial é que nós vivemos numa sociedade predominantemente cristã, católica, evangélica, mas é cristã.
Tô entendendo.
Que acredita em Deus. O dogma da igreja cristã é a família.
Sim.
E a família como pai provedor. Então o pai de verdade, que muitos aqui são pais de verdade, eu sou pai de verdade, eu do-dou a vida pela minha filha, cuido dela com unhas e dentes.
E é isso.
E eu vou prover a família e ela, e assim, a minha filha ela vai ser o que ela quiser na vida dela, porque ela tem um pai.
Que bom.
E essa é a figura do pai. Então, quando você fala num debate, eu acho que tem que separar do que é ser um pai de verdade, e aí-
O que é, o que isso é ser um pai de verdade pra você?
Um pai de verdade é estar presente na dor, é dividir com a esposa, como eu disse, o sacrifício.
Um pai de verdade é estar presente-
Cê lembra quando eu disse que não tem-
Financiarmente também.
Presença-
Dar amor pra criança.
A questão financeira é condição sine qua non, é, é obrigação.
A gente, cê vê o que a gente tá discutindo, porque pra mim também pai de verdade é isso.
A gente discute exatamente pelo fato de quando você disse da questão do patrimônio, do sacrifício.
Tá.
Que a mulher, ela tem mais sacrifício.
Tem, ela tem.
Na verdade, não, o pai, ele tem que ter sacrifício igual.
Ó, eu tô vendo que cês tão voltando nos temas.
Sim, mas é, é só pra você entender que a figura do pai-
Hã
A figura do pai, na tua visão, tem que ser corrigida pra o que é um pai de verdade. Porque aqui, quando todo mundo discorda de você-
Não, calma, calma, calma, calma. Você tá dizendo pra mim que eu não sei o que é um pai de verdade, e você tá tentando corrigir o que é um pai de verdade.
Você não consegue enxergar o que é, o que é a figura masculina de um pai provedor de verdade.
Você acabou de me dizer qual é a sua opinião de um pai de verdade, que é um pai que dá presença pra criança, é um pai que ajuda financeiramente e pra ele-
É um pai que divide todas as atribuições com a mãe.
E eu concordo.
Cem por cento, é isso.
Então aonde eu não sei ver um pai de verdade?
Em mim.
Não, eu-- você acabou de falar que é, eu te parabenizo.
É isso.
Não, parabéns, cê é um pai de verdade.
E aí, o que você precisa enxergar é isso.
Enxerguei.
Que, na verdade, quando você fala assim, aí você, você tava discutindo com o rapaz.
Obrigada. Mas cê é um pai de verdade, fica de boa É isso aí. Vocês precisam muito de validação, gente. Vocês precisam se olhar e ter certeza que são pai de verdade. E é isso aí.
Vai me dar o selo?
No, é, é, não, eu não vou te dar um selo, tipo assim: "Vem aqui, garota, agora desfila o pai de verdade". Não é isso, gente. Vocês são pais e é isso. E ser pai não é a co-- não é pra vocês serem aplaudidos, não. Você é aplaudido quando você vence um campeonato, você é aplaudido quando você bate a meta da tua empresa-
Mas não-
...quando você consegue um bilhão de reais. Agora, o pai, ele não tem que ser aplaudido por ser pai, porque a mãe não é aplaudida por ser mãe. Eu não fui aplaudida quando eu pari, eu não fui aplaudida quando eu quase morri depois de ter parido meu filho. Eu não fui aplaudida por amamentar e o sofrimento ninguém viu. Eu não fui aplaudida por criar um filho sozinha. O que eu tô explicando pra vocês é que a mãe não é vista.
Oh, my God! [risos] Não, tá. A gente já se falou?
Não.
Só de longe, né? Teu nome?
Marcelo Frias.
Marcelo, é o que eu falei com vocês, eu já tô com o rostinho na cabeça.
É, bom, a pauta é a mulher, a, a mãe tem o trabalho mais difícil do mundo. E aí eu acho que tem que ter não a supervalorização do trabalho da mãe.
Não tem que ter.
Mas a equidade do trabalho de ambos.
Sim, se ambos fizerem seu papel.
Exato.
Então fechou, tamo junto.
Então, mas n-a-
Se ambos fizerem seu papel, a gente tem uma família perfeita-
Mas o meu ponto-
...e é isso que é meu sonho
...é que não é que a mãe tem o trabalho mais difícil do mundo, é que os dois têm um trabalho difícil.
Mas a mãe tem mais.
É igual. Discordo.
A gente não, não-
Cada um nas suas funções.
A gente não tem como discutir que um pare e outro não.
Não, não, essa-
Um gesta, outro não
...essa parte é biológica, a gente não precisa resolver.
Não, mas a gente não pode, a gente não pode ignorar essa parte, a gente não pode esquecer essa parte.
Você não escolheu ser f-mulher e eu não escolhi ser careca. A gente nasceu assim.
Tu nasceu careca?
Não.
E tu não raspou a cabeça?
Não, eu sou-
Você escolheu, sim, ser careca, cara. Que loucura, eu esco-
Não, a natureza quis que eu fosse.
Ah, não. Gente.
A natureza quis que eu fosse, mas o meu ponto aqui é que temos-
Ai, eu não escolhi ser careca, juro.
Não escolhi.
Ah, não. Você não escolheu ser mulher, e olha, eu não escolhi ser careca, não foi nem escolher ser homem. Tá, vamo lá. Oh, meu Deus.
Eu não escolhi. Mas o ponto aqui não é esse, o ponto aqui é que temos-
Mas trouxe esse
...trabalhos e divisões diferentes.
[risos]
O ponto que eu trouxe é re-é rela-relação à biologia, e não é esse o, o ponto em questão. O ponto em questão são as funções.
Sim.
E a mulher não tem o trabalho mais difícil do mundo, na minha opinião, porque ela tem as funções dela enquanto mãe, assim como o pai tem as funções dele enquanto pai. E num casal estruturado, aí eu não tô falando de pai solo ou mãe solo, mas num casal estruturado, eles têm que conversar e dividir essas funções.
Mas tem função que não tem como dividir. Eu não tenho como dividir com você que meu filho tem que mamar no peito. A não ser que eu fique dormindo e você bote o meu filho mamar no peito, que não é uma realidade. O que eu tô te explicando é que eu não tô tirando o seu papel de pai, tá? Tá? Se você é um bom pai, eu te respeito por isso.
E tá tudo certo você ajudar. Mas existe um momento ali-
Não é ajuda.
É, exatamente. Existe um momento ali que nesse início, ele precisa, a criança precisa muito da mãe. Então é por isso que é difícil. Eu não tô invalidando os pais, entende? Os pais são superimportantes.
Aí cê voltou pra biologia.
E aí, por exemplo... Não, eu não tô invalidando, os pais são superimportantes. Só que existem momentos que é só a mãe. Mesmo depois de t-- de novo, voltando pra bio-da biologia, mesmo depois de tudo que ela passou, ela vai ter que se dedicar ali sete dias por semana, trinta dias no mês, e ela não tem o que fazer, ela tem que fazer aquilo ali, porque ela precisa cuidar do filho dela, e ela quer, porque ela quis aquele filho.
Eu não tô falando que é um problema nem um peso, eu só tô dizendo que é difícil. A gente tem coisas que a gente quer na vida, mas a gente encara aquele desafio.
Bem como o pai tem as questões dele.
Sim, mas o pai-
Ele vai acordar cedo
Exatamente, ele vai cuidar também.
Ele vai acordar cedo.
Não quer dizer que não passou a madrugada acordado. Não necessariamente.
Entendi.
Não necessariamente. Não necessariamente. Pode ser que ele tenha passado a madrugada acordado, mas tem coisas que vai depender só da mãe. E aí eu, eu tô sentindo que biologicamente você não tá conseguindo pegar isso daqui, porque, por exemplo, você pode cuidar de uma criança de cinco anos? Óbvio. Mas às vezes um bebê de um mesinho, você até quer ajudar, porque eu sei que tem pais que querem, tipo: "Por favor, eu quero te dar apoio, eu quero exercer minha paternidade".
Mas cê não acha-
Mas no início, ele não consegue.
...que ao falar isso, você-
E nisso aqui, eu não tô dizendo que você é ruim.
Deixa eu, te fazer uma provocaçãozinha.
Eu tô dizendo pra você que o, a maternidade-
Sim
...é o trabalho mais difícil do mundo, e isso é um fato. Não é sobre o pai ser bom ou o pai ser ruim. E eu acho que vocês tão sentindo que eu tô atacando vocês. Não, eu não tô atacando vocês como pai.
Não, não, não, de maneira nenhuma.
Mesmo que a mãe tenha um bom pai-
Eu só acho que você enaltece muito o trabalho da mãe-
A maternidade ainda vai ser difícil
...desmerecendo um pouquinho o trabalho do pai.
Não, é que vocês-
E eu acho que a gente tem que fazer uma equidade da parada, porque todo mundo tem seus-
Obrigada
...suas funções.
[risos] Oi, tudo bem?
Olá, Bia, tudo bem?
Prazer.
Meu nome é Sérgio.
Tudo bom, Sérgio?
Eu vou fazer quarenta anos de casado.
Que legal.
Tenho três filhos, duas filhas e um filho. E assim, é lógico, você tá correta com a sua afirmação, porém, a gente também, é, eu vejo assim: a atribuição dos pais é separado, a medida e o peso. E tem que ser, porque quando um assume mais do que o outro, alguma coisa tá errada, tá errada, né? Então eu vejo assim: eu tive total participação na vida dos meus filhos.
Desde da gestação da minha esposa, eu acompanhei todos a, as visitas ao médico. Então, ser pai é isso, é participar.
Exato.
Né? Eu acho que hoje o nosso debate aqui tem que ser pra enaltecer a juventude, os jovens que estão aí, pensar duas vezes em formar uma família.
Com certeza.
Tamanha a importância que é a família. Então eu vejo assim, isso é ser pai. É lógico, é, depois que você contou-
Muito coerente da sua parte, Sérgio. Concordo com você
...depois que, depois que você contou que o seu esposo faleceu-
Sim
...então tá claro, né, que você assumiu tudo isso pra você.
Assumi.
Né? É diferente de outras pessoas que são solas, porque a, foram abandonadas, né?
E que mesmo assim assumiram tudo pra elas, porque no, o fato de ser abandonado e de ele ter falecido não vai tirar o peso de você criar uma criança sozinha, que é muito pesado. E é claro que se eu pudesse escolher, o pai do meu filho estaria aqui.
Sim.
Ele teria essa referência masculina. É claro que se eu pudesse escolher, eu poderia ter meu pai aqui comigo hoje. Há pouco tempo eu fiz uma das coisas que foi a coisa mais feliz da minha vida, que foi dar uma casa pra minha mãe. E eu fico imaginando, será que eu poderia dar um carro pro meu pai?
Poderia.
Qual seria a que, qual seria o carro perfeito que meu pai a-amaria? Eu, essas perguntas nunca vão sair da minha cabeça.
Eu sei.
Eu sou, eu entendo super a sua visão de família, e é uma visão que eu tenho também. E que se Deus quiser, eu vou casar e eu vou ter filhos, e esses filhos vão ter um pai. E tudo que eu quero é que as crianças tenham pais. A questão aqui é que sim, o pai é superimportante, eu concordo com você. Uma mãe nunca vai substituir um pai, e o pai nunca vai substituir uma mãe.
Mas o que eu tô te explicando é que independente de tudo isso, por conta dessas situações biológicas que são indiscutíveis, o peso é maior pra ela.
Sim.
O trabalho é maior pra ela.
Sim.
Mas é claro que é trabalhoso pros dois, porque se você é um pai maravilhoso, como eu tô vendo que você é diante da sua fala, que exerce o seu papel, vai ser pesado. Porque criar uma criança, formar uma criança não é fácil.
Não, é isso que eu quero-
Eu sei.
É, é nesse ponto que eu quero dizer. Porque a pessoa pra assumir essa responsabilidade de ser um pai ou de ser uma mãe, tem que pensar em tudo isso. Às vezes, é, gera-se uma criança sem esse pensamento. Então dá-se a impressão que depois, ah, paga uma pensão. Hoje em dia as pessoas pagam a pensão, é Tem pais que paga pensão, dá a impressão que tá dando uma esmola pro filho.
É.
Né? É ridículo isso.
É.
Porque eu vejo assim: é, ser pai é, é ser pai sempre, presente.
Exato.
O tempo todo.
Ser pai não é só dinheiro, ser pai é presença.
Totalmente.
Totalmente.
O seu filho vai lembrar de você, o carinho que você deu pra ele, não o dinheiro que você deu pra ele.
Exatamente, então a gente concorda, Sérgio. Totalmente.
Então tá bom. [riso]
Totalmente. Adorei debater com eles, inclusive já disse pra eles que eu amei todos. Eu gostei muito, achei que foi um debate muito interessante, onde eles colocaram os pontos deles e eu os meus. Quero dizer aqui que eu não sou contra pais, muito pelo contrário, acho que o ideal da família é que tenha um bom pai, uma boa mãe, pra gente ter uma criança ali completamente, é, como eu posso dizer?
Completa. Amparada e feliz, amém. Brigada. Uma criança amparada e feliz, mas completa, né? Porque uma criança que não tem a mãe, ela vai ser incompleta e que não tem o pai, vai ser incompleta também. E isso é um fato, infelizmente. E é isso. Mas acima de tudo, eu tive uma mãe que foi só mãe, porque eu não tive o pai, meu pai morreu, eu tinha seis anos, então parabéns pra todas as mães solos desse Brasil, que fazem muito esforço pra poder criar os seus filhos.
E eu sei que não é fácil. E que nenhum pai entenderia tá na nossa pele, porque é muito complicado. E por mais que a gente tenha que a obrigação de criar os nossos filhos, mas vai pra além disso, porque tem amor. Então, parabéns também pra vocês, que são ótimos pais, pra todos que sentaram aqui comigo e pros que não sentaram também, que eu sei que exercem esse papel e eu admiro vocês.
E eu esperava que todos os homens fossem assim, bons pais, presentes e que amassem tanto os filhos ao ponto de não conseguir viver sem eles. Era o meu sonho ideal. E é isso, gente. Acima de tudo, feliz Dia dos Pais. Um beijo no coração de vocês. [aplausos] É isso.