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1 Mãe vs 30 Pais

1 h 6 min de vídeo · 16 mil palavras · Com Bia Ben

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Legendas em português

Cada minuto é um botão que toca o vídeo a partir daquele trecho.

Bia Ben

Eu não fui aplaudida por criar um filho sozinha. O que eu tô explicando pra vocês é que a mãe não é vista.

Participante

É, só pra você entender que a figura do pai-

Bia Ben

Hã.

Participante

Na tua visão, tem que ser corrigida pra, pro que é um pai de verdade. E as pessoas assim-

Bia Ben

Nossa, citamos o mundo corporativo e eu amei. Quantos homens pensam em trabalhar só na carreira deles, só neles-

Participante

Mas aí é a questão-

Bia Ben

Só nas mulheres que eles querem conquistar-

Participante

Se o homem não trabalha, é um vagabundo. Se o homem não tá lá pra sustentar a criança-

Bia Ben

Se a mulher não cria o filho dela, ela não presta. Se a mulher não cria o filho dela, ela também é vagabunda. Então a gente tá usando aqui-

Participante

E se a mulher abandona a criança, a justiça não faz nada. Agora se o pai-

Bia Ben

A justiça não faz nada?

Participante

Então a realidade é essa, a mulher nunca pagou pensão.

Bia Ben

Nunca. Você tem certeza do que cê tá falando. Isso é um fato. Cê tá baseado no quê?

Participante

Eu tenho certeza até onde enxergo minha realidade.

Bia Ben

Que nenhuma mulher no mundo pagou uma pensão.

Participante

Ok. A cobrança da mulher, ela é exagerada em que ponto?

Bia Ben

Por que você acha isso?

Participante

Porque você disse que foi, era um problema você ter que amamentar. Você quis dizer isso na tua fala.

Bia Ben

Não, amamentar nunca é um problema, na verdade é uma benção.

Participante

Você quis dizer isso.

Bia Ben

Eu não disse que um pai, ele não vai ter uma cobrança. Pai tem cobrança como mulher também tem.

Participante

Perfeito.

Bia Ben

Só que a mulher vai ter essa cobrança em dobro.

Participante

É, não sei o que te fez crer que esse argumento faz sentido, mas pra mim tá descolado da realidade. Bia, vamo lá.

Bia Ben

Vamo.

Participante

Polêmica agora, vamo esquentar a parada. Sem dinheiro, o que que uma mãe faz?

Bia Ben

Oi, gente. Eu sou a Bia Ben, sou influenciadora e mãe de um bebê lindo de seis anos que é o Benjamin. Ai, ele é lindo, eu sou apaixonada. E hoje eu tô cercada por trinta pais. Mães fazem mais sacrifício do que os pais. Tudo bem?

Participante

Tudo bem.

Bia Ben

Prazer. Qual seu nome?

Participante

Prazer. Sérgio.

Bia Ben

Tudo bom, Sérgio?

Participante

Olha, discordo. Mães não fazem mais sacrifícios do que os pais. Até porque eu sou pai, tenho uma filha de cinco anos e a minha rotina inteira é baseada na rotina da minha filha, tal qual a da mãe dela. Então assim, no mínimo, não tem uma disparidade. Existe sim um equilíbrio ali nas responsabilidades. É, não sei o que te fez crer que esse argumento faz sentido, mas pra mim tá descolado da realidade.

Bia Ben

Entendo. Eu acho muito legal você ser um pai presente, isso é incrível pra sua filha. Mas eu acho que, acho não, né, tenho certeza, biologicamente falando, uma mãe vai parir uma criança, né? O corpo dela vai mudar por muito tempo, ela vai gerir aquela criança, aquela criança vai, é, crescer dentro dela, né? Eu, por exemplo, eu era muito magra quando eu tive meu bebê. E aí os, os órgãos da mãe, ela, eles ficam pressionados enquanto aquela criança cresce dentro dela e ela vai parir aquela criança.

Então, assim, biologicamente falando, é óbvio que ela vai fazer mais sacrifício. Agora eu entendo que você ajuda sua mulher, tipo, é, você f-falou que é cinquenta, cinquenta, né? Tipo, você faz tudo que ela faz. E isso é certo, porque na verdade não é uma ajuda, né? O pai não vem ajudando, ele tem que ser pai, ele, você exerce o papel de pai e esse é o correto.

E assim, é, quando uma criança, um bebê, um recém-nascido, ele acaba de nascer, existem coisas que cê não vai poder fazer por ele, como amamentar, né? Ou às vezes ele vai querer aquele colo da mãe que você não vai conseguir dar. Então, sem contar que ela tá muito debilitada, porque ela acabou de parir, seja normal ou cesárea, ela acabou de passar por uma cirurgia e ela vai cuidar de alguém.

E o parto é a única cirurgia onde uma mãe vai, né, ficar debilitada e ela vai cuidar de alguém e não alguém cuidar dela. A gente faz qualquer cirurgia, alguém cuida da gente e não a gente cuida de alguém. Então, na minha concepção, a mãe faz mais sacrifícios também por essa questão biológica. Tem muitas outras questões. No seu caso, que é um caso ótimo, que a sua esposa tenha você, é maravilhoso.

Mas existem mulheres que não têm, né? São mães solos e ainda assim elas têm que dar conta de cem por cento desse trabalho pra além de estarem debilitadas pós toda uma situação que é o parto e é, que é uma loucura. Enfim, é uma loucura.

Participante

Você é casada?

Bia Ben

Não.

Participante

Então talvez já comece por aí o, a, o teu problema, na verdade. O que você apresentou pra gente que foi um problema, que de fato-

Bia Ben

Não, não é um problema.

Participante

É, é um problema, na sua concepção, tudo que você falou foi numa forma e num caráter negativo, quando, na verdade, o pai tá presente na vida da criança, independente dessa questão biológica. Até pelo fato de que você falou que tem uma menina, não é?

Bia Ben

Não.

Participante

É um menino?

Bia Ben

Um menino.

Participante

Uma meni-- no meu caso eu tenho uma menina. O vínculo dela com o pai, ele, ela é assim, carnal, eu te afirmo isso.

Bia Ben

É, eu acho, eu tô entendendo-

Participante

Até pelo fato de que-

Bia Ben

O que você tá falando do vínculo, mas aqui não é sobre vínculo, é sobre fatos.

Participante

Sim, a, você disse sobre obrigações.

Bia Ben

A mãe vai parir e o pai não.

Participante

Só que a mãe-

Bia Ben

Isso não é uma reclamação.

Participante

Não, claro.

Bia Ben

O que eu tô te explicando é que são fatos. É como o dia vai tá claro e a noite vai tá escura. É fato.

Participante

Todos os teus argumentos foram em caráter nega-negativo, né.

Bia Ben

Por que você acha isso?

Participante

Porque você disse que foi, era um problema você ter que amamentar. Você quis dizer isso na tua fala.

Bia Ben

Não, amamentar nunca é um problema, na verdade é uma benção.

Participante

Você quis dizer isso. Claro que é uma benção.

Bia Ben

Ser uma bênção não significa que não é difícil.

Participante

Da mesma forma que um pai acordar de madrugada pra mãe poder descansar depois que ela amamentou e fazer a criança arrotar também é uma bênção.

Bia Ben

Você acha equivalente amamentar e acordar de madrugada pra ajudar um bebê?

Participante

Sem sombra de dúvidas, afinal de contas quando você-

Bia Ben

Equivalente?

Participante

Sem sombra de dúvidas, afinal de contas-

Bia Ben

O peito da mulher fica machucado, o peito da mulher empedra.

Participante

Tá tudo bem.

Bia Ben

Amamentar pra você é equivalente a acordar de madrugada, o que, uma coisa que um pai pode fazer, mas uma avó também, uma babá também.

Participante

Amamentar é uma questão biológica. Agora-

Bia Ben

Sim.

Participante

Que o pai não consegue fazer.

Bia Ben

Mas você falou que eu falei no caráter negativo e amamentar não é negativo.

Participante

Não, você foi negativa.

Bia Ben

Pelo menos pra mim não, porque eu amamentei meu filho até três anos de idade, por exemplo.

Participante

Então qual é a discrepância que existe entre as obrigações do pai com a mãe?

Bia Ben

A mãe é mais importante, ela faz mais sacrifício, isso é óbvio.

Participante

Talvez, talvez você tenha esse ponto de vista pelo fato de você não ter tido uma pessoa que possa ter te ajudado.

Bia Ben

Não, eu tive pessoas que me ajudaram, por mais que não tenha sido o pai-

Participante

Em algum momento você-

Bia Ben

Mas eu tive pessoas que me ajudaram.

Participante

Em algum momento, é, alguma coisa de ruim aconteceu nesse contexto que te faz crer que os pais não...

Bia Ben

Obrigada. Tudo bem? Prazer. Qual seu nome?

Participante

Roberto.

Bia Ben

Roberto. Nome do meu pai.

Participante

Sério?

Bia Ben

É.

Participante

Então é gente boa ele, né?

Bia Ben

Ele é. [riso]

Participante

Bia, vamo lá.

Bia Ben

Ele era. Ele não tá mais aqui.

Participante

Poxa.

Bia Ben

É.

Participante

Bia, eu discordo.

Bia Ben

Entendo.

Participante

Tá? Essa questão que a responsabilidade, como cê disse, é, a mulher amamenta. Mas se a mulher tiver o parto cesárea, o organismo dela demora muita das vezes pra gerar o leite pra essa criança.

Bia Ben

Entendo.

Participante

Então o pai consegue amamentar essa criança, porque é um leite, tá, de fórmula. Então muita das vezes a mãe que gera uma criança, ela não tem leite pra amamentar.

Bia Ben

Sim.

Participante

Então cê não pode afirmar cem por cento isso.

Bia Ben

Não, eu te entendo. Eu acho que o que a gente tá só, acho que fugindo um pouco, é que aqui não é sobre amamentar ou não amamentar. Amamentar é uma situação que a mãe sim faz um sacrifício, por quê? Mães fazem mais sacrifícios do que pais. Isso pra mim é um fato. Porque, por exemplo, ela amamenta, mas pra além disso ela vai parir. É literalmente uma criança saindo de dentro de você, que não acontece com um homem.

Então assim, um dia depois do seu filho nascer, cê tá cem por cento, tá de boa. Se você quiser jogar uma pelada agora, cê consegue. A mãe não. E se for uma cesárea, pior ainda, porque a recuperação é ainda maior, entende? Agora, nesse quesito que eu tô te falando biológico mesmo, biologicamente falando, as mães fazem mais sacrifícios. Vocês não vão parir, não vão ter todos os hormônios de vocês bagunçados, não vai demorar de seis a dois anos pra voltar o seu corpo integralmente, não vai acontecer, entendeu?

E mesmo assim O seu caso é casado?

Participante

Não.

Bia Ben

Então, aí você-

Participante

Mas eu tenho um filho.

Bia Ben

Tudo bem, ele tem quantos anos?

Participante

Doze, e mora comigo.

Bia Ben

É bem grande já, né? É doze anos. E mora com você, por exemplo. Mas se por-- quando ele nasceu, se ele tivesse que ficar com a mãe dele, ela ia ficar depois de um parto, eu não sei se foi normal ou se foi cesárea.

Participante

Normal.

Bia Ben

Ela teria que cuidar dele. Normal a mulher se recupera mais rápido porque eu tive normal e eu sei como é que é, mas cesárea ela demora um pouco mais, porque é uma cirurgia, né? Você vai abrir a mulher ali, são sete camadas, é uma loucura. Então o que eu tô te explicando é que biologicamente, por mais que você seja muito presente, e isso é incrível, eu acho que os, os homens têm que fazer exatamente isso, eles têm que ser presentes, eles têm que apoiar a mulher, ele tem que ser pai, entendeu?

Participante

Bia, mas assim ó, o que acontece. É, é, é o processo do parto, a mulher sentir dor.

Bia Ben

Claro.

Participante

É, a, a recuperação do parto normal é diferente do parto cesariana.

Bia Ben

Sim, claro.

Participante

Então essa mulher quando a criança nasce no parto normal, ela já volta pro quarto praticamente noventa por cento recuperada.

Bia Ben

Não, lembrando que uma criança saiu de dentro dela.

Participante

É o processo.

Bia Ben

A gente não foi ali fazer um exercício-

Participante

É o processo, Bia. É o processo

Bia Ben

...pra poder crescer o glúteo. Uma criança nasceu de dentro dela. É, tipo, saiu, é, ela foi rasgada. Eu posso, se, se você me der, assim, a, o tempo, eu posso te contar o meu relato de parto, pessoal, meu?

Participante

Pode, claro.

Bia Ben

Quando eu tive filho muito nova, né, eu tive o Benjamin. E aí, o que acontece? É, quarenta e cinco por cento das mulheres no Brasil, elas vão sofrer agressão obstétrica, e isso é muito triste. E foi uma coisa que eu sofri, porque forçaram o meu parto normal e eu não tinha passagem. E aí quando meu filho nasceu, ele nasceu com a cabecinha dele amassada, porque forçaram muito esse parto.

Eu passei mais de dezesseis horas em trabalho de parto. E pra além disso, o colo do meu útero foi rasgado. E aí eles queriam me levar pra uma sala de cirurgia, e aí não conseguiram. Aí eles pegaram um pedaço de ferro e colo-- me abriram e me costuraram a sangue frio. O que eu tô te explicando é que depois disso, eu tive que levantar, trocar a fralda do meu filho, dar banho no meu filho.

Eu ainda tinha o apoio da minha mãe, mas o pai dele, ele fez também, ele trocou a primeira fralda do filho. Primeira fralda do meu filho, quem trocou foi o pai dele, não fui eu. Mas ele tava íntegro. Ele só tava nervoso, porque ele me viu passando por tudo aquilo, mas ele não passou. O que eu tô te explicando aqui é que não é uma questão de, é, ele tá ali, ele tá apoiando, entendeu?

Porque você vai tá apoiando, você vai tá sendo pai, você vai tá exercitando o seu papel. A questão aqui é quem faz mais sacrifício. E depois de eu ter parido uma criança, rasgado o colo do meu útero, sido costurada a sangue frio, é, o sacrifício maior foi o meu.

Participante

É, não, mas é o sacrifício do processo do parto. E após o parto?

Bia Ben

Não exatamente. O meu parto, por exemplo, foi uma violência.

Participante

Não, Bia, mas assim, tem momentos que você do parto, o pai não pode passar aquela dor. Você tem passado o processo do parto.

Bia Ben

Eu entendo, mas aqui não é sobre quem pode passar dor.

Participante

Isso não pode fazer a comparação.

Bia Ben

É quem vai fazer mais sacrifício. E a gente concorda que é a mãe?

Participante

Mas é sacrifício, mas é sempre, sempre, sempre vai ser a mulher, porque é o sacrifício seu. O homem não pode chegar lá-

Bia Ben

Então a gente concorda. A mulher faz mais sacrifício.

Participante

Não faz.

Bia Ben

A gente concorda. Eita! [risos] Quase.

Participante

Quem tem oia maior sobe na parede.

Bia Ben

Você deu uma...

Participante

No meu caso, eu tenho uma perna maior.

Bia Ben

É uma perna longa, é?

Participante

Tudo bem, prazer, Vitor.

Bia Ben

Prazer. Tudo bom, Vitor?

Participante

Sou pai de três filhos, sou muito orgulhoso.

Bia Ben

Qual idade?

Participante

É, vinte e sete, quinze e treze anos. Duas meninas-

Bia Ben

Tem mais velho que eu ainda.

Participante

E um menino. E assim, eu discordo-

Bia Ben

Entendo

Participante

...com você em partes, certo? Acho que a mulher sofre muito biologicamente em relação ao parto, isso é fato, não é? Porém, tem casos e casos. No meu caso, principalmente nos meus dois últimos filhos, eu fui presente muito antes do parto, porque a mãe teve que ficar de repouso por questões até biológicas do, desse primeiro parto dela, então eu tive três empregos. Eu tinha que deixar ela em casa com toda a tranquilidade enquanto eu trabalhava bastante.

Após o parto, ela continuou com uma certa dificuldade de amamentar, então meus filhos infelizmente começaram a utilizar Aptamil e eu tive que amamentar todas as noites. Então eu tive noites em claro e acordando cedo pra trabalhar e teve um sacrifício físico e mental e um desgaste que realmente é muito difícil de recuperar.

Bia Ben

Uhum.

Participante

Então é claro que numa parceria, principalmente num casal, tem que ter os dois-

Bia Ben

Cês são casados ainda?

Participante

Não, me separei.

Bia Ben

Tudo bem.

Participante

Certo? Mas assim, continuo presente, meus filhos são as coisas mais importantes do mundo.

Bia Ben

Eu também.

Participante

Mas desde a gestação até o parto, eu acho que uma família, um casal muito bem resolvido, sabe difi-dividir as responsabilidades. E daí não existe o sacrifício em vão. Existe simplesmente a compreensão de que tudo tem que ser melhor pro bem-estar da gestação e da criação do seu filho.

Bia Ben

Super concordo. Eu concordo que não existe o sacrifício em vão.

Participante

Então o homem sofre muito quando tem esse compromisso, principalmente de ajudar no caso de uma mulher que tem dificuldades no parto e pós-parto também. Tanto no caso biológico-

Bia Ben

Sua mulher não pôde amamentar, que você explicou pra mim, não foi isso?

Participante

Não, infelizmente.

Bia Ben

Aí você usou fórmula, certo?

Participante

Exatamente.

Bia Ben

É, é, eu entendo que você teve uma, um cansaço mental e físico, até porque as mulheres também têm um cansaço mental e físico.

Participante

Sim, claro.

Bia Ben

Porque parir é muito cansativo, a gente faz muita força pra criança sair de dentro da gente. Então biologicamente a gente concorda, a mulher faz mais sacrifício. Mas ainda tem a questão de, é, eu particularmente teria ficado arrasada se não pudesse amamentar meu filho. Como eu disse, eu amamentei meu filho até três anos de idade. E existem mulheres que passam pela depressão pós-parto, por exemplo, porque elas têm complicações depois que o filho dela nasce e ela não consegue fazer um monte de coisa.

Participante

Sim.

Bia Ben

Então, é, só dela ter esse apoio, de você ter sido pai, porque passar a noite em claro, ter esse cansaço físico e mental, é ser pai, porque criança dá trabalho. Você tem um filho sabendo que ele vai te dar trabalho. Um recém-nascido dá muito trabalho. Agora que tá grande é mais tranquilo. Meu filho tá com seis anos, eu falo: "Tá, agora é mais tranquilo do que quando tava com seis meses".

Mas tem mulheres que passam por isso sozinha, né? No caso da sua, da sua ex-mulher, ainda foi melhor porque ela tinha você. E que bom que ela tinha você. É incrível quando uma mulher ela tem um, um parceiro que é parceiro. Porque a gente sabe também que tem mulheres que têm parceiro dentro de casa que é qua-- é nada, praticamente, entendeu? Ou tem pais também que só saem pra trabalhar e eles não fazem o que você fez de voltar-

Participante

Tem vários casos diferentes, né?

Bia Ben

...e dar apoio. Exatamente, tem vários casos diferentes. Mas ainda assim Ela passou pelo sacrifício daquela dor psicológica dela de tá num resguardo. Ela tava completamente confusa ainda porque a gente sabe que os hormônios dela tava uma loucura, ela não conseguiu amamentar. E aí vem a frustração, porque tudo que uma mãe sabe é que o filho dela vai nascer e ela vai dar de mamar pro filho dela.

Aí ela não gera leite. E aí não gerar leite também, é, tem a ver com a mulher estar muito nervosa. Ela fica, ela fica muito fora de si. Aque-aquelas emoções fazem ela ficar de uma forma que ela não consegue fazer coisas que biologicamente ela conseguia fazer.

Participante

Mas você concorda também que o parceiro, no caso, né, no casal também sofre junto, tanto nas questões emocionais-

Bia Ben

Concordo

Participante

...e físicas que a mulher-

Bia Ben

Concordo

Participante

...também sofre?

Bia Ben

Concordo super. Eu só acho que a, que a porção é diferente.

Participante

O desgaste físico dele, assim, o desgaste físico do homem em várias relações-

Bia Ben

Aham

Participante

...em vários casos é maior, claro, dentro que tem que ir pra o trabalho, tem que voltar, tem que acordar de madrugada, amamentar quando a mãe não pode. Claro que dentro de um balanço, a mãe, como você mesma falou, tem todo esse sofrimento e m-e perda de muitas outras coisas que estão envolvidas-

Bia Ben

Eu acho que o ponto que a gente tá colocando aqui é da sua ex-esposa, que graças a Deus tinha você.

Participante

Não, mas nu-- tem muitos homens aqui também que concordam comigo, que passaram pelas mesmas situações.

Bia Ben

Claro, e tem muitas mulheres que concordam comigo. Então a gente tá, a gente tá completo nisso.

Participante

Eu acho que existe aí a dualidade.

Bia Ben

O ponto, não, o ponto é: você tá me dizendo que você fez mais sacrifício porque a sua mulher tinha acabado de-

Participante

Fisicamente, fisicamente

Bia Ben

...porque sua mulher tinha acabado de parir e você-- não, eu não concordo.

Participante

E mentalmente.

Bia Ben

Fisicamente, eu acho que ela fez mais sacrifício, porque além de ter pa-- não ter parido, ela também não conseguiu amamentar.

Participante

Mas já é outro tipo da mulher-

Bia Ben

E ainda assim ela te cui-

Participante

Não tô desmerecendo, não tô, não tô desmerecendo nada

Bia Ben

...ela cuidou zero ou você cuidou de tudo, ou vocês dividiram isso?

Participante

Eu cuidei de certa maneira e de muitos aspectos-

Bia Ben

E ela também

Participante

...muito mais do que ela.

Bia Ben

Mas ela cuidou também.

Participante

E algumas situações, ela, claro, com certeza-

Bia Ben

Ela cuidou também

Participante

...como mãe, já tem o próprio instinto materno.

Bia Ben

Então, mas ainda assim ela cuidou de alguém-

Participante

Certo? Que vocês tão muito mais preparadas para ser mãe. E às vezes nós, pais, temos que ser pai e mãe-

Bia Ben

Não concordo

Participante

...como muitas mães têm que ser mãe e pai.

Bia Ben

Não é toda mulher que tá preparada pra ser mãe. Inclusive, tem mulheres que não querem ser mãe.

Participante

Não querem.

Bia Ben

Exatamente.

Participante

Mas biologicamente, cientificamente, a gente-- vocês, mulheres, já têm já a natureza pra ser mãe.

Bia Ben

Não, isso inclusive é um pensamento completamente machista de uma sociedade. É uma estrutura.

Participante

Se tem pessoas que têm as suas ambições.

Bia Ben

Que vocês acreditam. Não, que vocês acreditam que mulheres têm-- nasceram pra cuidar da casa.

Participante

Não, claro, não, não é isso que eu tô falando.

Bia Ben

Não, criar, criar um filho.

Participante

Não tô falando sobre o machismo.

Bia Ben

Não é exatamente isso.

Participante

Eu tô falando sobre a natureza.

Bia Ben

Não, tem mulheres que não conseguem.

Participante

Não tem nada a ver com machismo, pelo amor de Deus.

Bia Ben

Tem mulheres que não têm aptidão, tem mulheres que não querem. Obrigada.

Participante

Obrigado.

Bia Ben

[risos] E aí, tudo bem?

Participante

Oi, bom dia. E aí?

Bia Ben

Tudo bem? Qual é seu nome?

Participante

Bão. Edson.

Bia Ben

Tudo bom, Edson?

Participante

Bão. Bom, é, discordo, mas vamos dialogar acerca disso. Sou-- vim de uma mãe, né, inclusive minha mãe também, bom, é, tom preto.

Bia Ben

Negrona igual a gente. Aham.

Participante

Negrona. Então eu entendo tudo que você falou aqui.

Bia Ben

Sua mãe era mãe solo?

Participante

Não.

Bia Ben

Só pra perguntar.

Participante

Graças a Deus-

Bia Ben

Tinha seu pai também?

Participante

...foi três irmãos, os três do mesmo pai, o pai vivo até hoje e tal.

Bia Ben

E apoiava ela?

Participante

Apoiava ela. Assim-

Bia Ben

Que legal

Participante

...é, tivemos alguns desafios ali com meu pai-

Bia Ben

Hum

Participante

...pelo entanto de beber um pouco e tal. Então minha mãe, ela passou por alguns momentos de dificuldade na vida ali, mas é mais aquela dificuldade mesmo de casal da década de 80, onde eles casam, então o pessoal vem do Nordeste, casa, então tem aquela, aquela-- culturalmente falando, hoje no Brasil nós temos que-

Bia Ben

É uma estrutura social, acaba.

Participante

É uma estrutura que-

Bia Ben

E que acaba que ela era casada, mas ela ainda assim exercia um papel ali de mãe sozinha em muitas, muitas esferas da vida de vocês, né? Que ele não tava presente.

Participante

Vamos dialogar acerca disso.

Bia Ben

Vamos.

Participante

É nesse tom que eu quero entrar, porque assim, minha mãe teve-- meu pai e minha mãe teve, têm três filhos. Eu entendo que biologicamente a mulher vai sofrer um pouquinho mais que o homem.

Bia Ben

Certo.

Participante

E é a natureza da mulher, não tem como discutir isso aí. Se a gente for discutir, vai ter que chamar Deus. Eu acho que ele tem coisa melhor pra fazer do que falar da biologia que ele mesmo criou. Concorda ou não? Porque ele criou que a mulher vai ter filho e vai sentir dores.

Bia Ben

[risos] Não, não concordo.

Participante

Ok.

[risos]

Participante

Ok. Então cê pode falar porque você não concorda.

Bia Ben

Não, eu acho que esse é um pensamento limitado mesmo, porque assim, não é sobre você sentir dor ou não sentir dor, é sobre os maiores sacrifícios. E é claro que ela vai fazer mais sacrifício biologicamente. Mas eu também tô aqui pra poder concordar com você e a gente dialogar sobre os outros sacrifícios, como eu tive com os meninos.

Participante

Sim.

Bia Ben

Então eu preciso entender qual o seu outro ponto.

Participante

Estamos, estamos nesse caminho.

Bia Ben

Porque biologicamente a gente concorda.

Participante

Concor-- plenamente.

Bia Ben

Então, acabou. Vamo ver o que a gente não concorda.

Participante

Tá. Meu pai, ele deu todo o suporte pra minha mãe criar os três filhos.

Bia Ben

Qual suporte?

Participante

Eu vim de uma periferia pobre.

Bia Ben

Também.

Participante

Tá? Do lado da minha casa tinha boca, na frente da minha casa tinha outra boca de droga.

Bia Ben

Da minha também.

Participante

Né? Então o que acontece? Meu pai, ele saía cedo e voltava tarde. Pedreiro. Minha mãe ali, aquela senhora que vendia aquele produto ali, cosméticos, não posso falar. Cosméticos, ela vendia.

Bia Ben

Tá entendendo.

Participante

Então ele deu todo o suporte pra minha mãe ficar em casa e cuidar dos três filhos.

Bia Ben

Esse suporte que você tá falando que seu pai deu foi financeiro?

Participante

Financeiro e psicológico também, porque não é fácil criar três homens.

Bia Ben

Psicológico, mas foi pra, pra sua mãe, no caso?

Participante

Pra minha mãe e pros filhos, pros, pros filhos dele, que é...

Bia Ben

Ele te deu suporte psicológico também.

Participante

Isso, também.

Bia Ben

Você em algum momento sentiu falta do seu pai na sua infância? Presença dele.

Participante

Cara, eu senti porque o meu pai é pedreiro, então-

Bia Ben

Aham

Participante

...às vezes ele viajava, ele pegava alguma obra longe, então a gente tinha que ficar longe.

Bia Ben

Imagino.

Participante

No, no entanto, eu tenho três filhos também. É, o primeiro eu participei muito, porque foi do-

Participante

Licença, gente, deu o tempo dessa pauta e-

Participante

Bia-

Bia Ben

Obrigada

Participante

...satisfação, eu vou-

Bia Ben

A gente volta nessa conversa. Pagar pensão não te faz um bom pai.

Participante

Acha-

Bia Ben

Oi, tudo bem?

Participante

Oi, Bia, tudo bom?

Bia Ben

Tudo bem.

Participante

É um prazer, João Paulo.

Bia Ben

Tudo bom, João Paulo?

Participante

Bia, vou discordar de você, porque é o seguinte: é, não é o valor da pensão. Um pai de verdade, ele tem que dar amor. Eu sou filho de mãe solteira. Meu pai saiu pra comprar um cigarro, nunca mais voltou.

Bia Ben

Oi.

Participante

Minha mãe criou eu e meu irmão sozinha, foi casada com alcoólatra. Eu tenho duas filhas, Júlia e Maria Luiza. Eu sou apaixonado pelas minhas filhas, então eu só pude ser pai quando eu Tive minhas filhas e pude compreender minha mãe, entendeu assim? Porque assim não é pagar a pensão. Tem mulher que faz o filho pra tirar a pensão do cara, pra ferrar o cara, desculpa a expressão.

Então assim, o pai tem que ser pai, tem que dar amor, tem que dar educação, tem que ajudar a esposa. Mas o-o-o, ó, eu vou, vou dar exemplo aqui que eu fico até emocionado com essa, esse tema. É, eu fui pai sem saber o que é ter o amor dum pai. É, como é que eu vou cuidar de duas crianças se eu nunca tive pai? E ainda fui criado por um padrasto que me batia, me espancava.

E nem por causa disso, cara, eu poderia fugir, poderia falar: "Não quero ter filho". Hoje meus filhos é tudo pra mim. Eu trabalho em prol das minhas filhas. Eu se eu precisar dar, tirar meu coração pra dar pra elas, eu dou meus olhos, minha vida, porque assim ó, eu pude respeitar minha mãe, fui um cara muito rebelde na minha vida, quando eu tive minhas filhas. Aí eu fui, fui lá falar pra minha mãe: "Esse é o verdadeiro sacrifício, não é o dinheiro.

Eu quero o dinheiro hoje pra deixar minhas filhas-

Bia Ben

Você entendeu sua mãe quando você teve filhos?

Participante

Exatamente, entendeu?

Bia Ben

É o que acontece.

Participante

A mesma coisa, o sacrifício que você falou. A, a mulher tem o sacrifício físico e fisco, é, psicológico se ela não tiver. Eu já passei situações com a minha mãe da gente não ter, mano, o dinheiro pra tomar um café e os, e os cara chegar, não é porque é minha mãe, não. Por ser muito bonita, eu queria oferecer o café pra ela em troca de outra coisa.

E minha mãe trabalhou de promotora, tá, em mercado, me levava, me colocava debaixo do, do biombo, eu não podia-- uma vez eu engasguei com a maçã, ela quase perdeu o emprego dela. Me criou uma pessoa de respeito, é-

Bia Ben

Qual o nome da sua mãe?

Participante

É dona Vera. Hoje ela, eu tenho duas, ela ajuda as netas dela, tem setenta e três anos, então aprendi com ela que o filho-

Bia Ben

Uma mulher muito guerreira, né?

Participante

Um filho, você também é guerreira, porque ser mãe solo é, é complicado.

Bia Ben

É.

Participante

Por mais que a gente-

Bia Ben

Eu com certeza admiro sua mãe, João. E o fato que você falou sobre, é, não ser valor, eu concordo super com você. Na minha concepção, a criança não entende nem se você dá, sei lá, quatrocentos reais ou mil reais ou quatro mil reais ou muito dinheiro, porque a criança não entende a proporção de dinheiro. O que ela vai entender mesmo é sobre se o pai tá ali, a, né?

A-a-na verdade, ser pai é ser presente, né? A criança quer presença. Eu digo isso por mim mesma. Eu tive meu pai seis anos na minha vida e logo depois disso ele faleceu, mas o que mais eu prezei ali, eu nem sei se ele deu pensão pra minha mãe. O que eu mais eu prezei foi a presença dele. Agora, o fato da mulher também, você citou um ponto aí da mulher safada que vai ficar com o cara só pra fazer pensão.

Participante

É.

Bia Ben

Temos que pensar que cara é esse, né? Porque que pensão é essa? A pensão é de duzentos, é de quatrocentos ou é de oito mil, é de dez mil?

Participante

Não, é assim ó, quatrocentos é uma ajuda de custo que é-

Bia Ben

Exatamente!

Participante

Alimentos das despesas, certo?

Bia Ben

Exatamente.

Participante

Só que tem cara que nem dá isso. Então assim, como é que funciona? E tem mulher que-

Bia Ben

Não, então, mas a mulher não vai ficar com o cara pra ganhar quatrocentos reais.

Participante

Não, é, é, tipo, vou dar um exemplo, essas de cara famoso, jogador. Só que qual que é o maior? Eu vou te dar um exemplo que cê vai concordar comigo agora-

Bia Ben

Uhum

Participante

...e eu vou ganhar. É assim, ó-

Bia Ben

Tudo bem.

Participante

Não, não é-

Bia Ben

Pode ganhar. Vamo lá! [risos]

Participante

Não é o valor, não é o valor do dinheiro, é o valor do sentimento da pessoa tá ali. Qual que é a ma-minha maior frustração? É nunca ter tido pai, até hoje, mas eu consegui superar-

Bia Ben

Eu imagino

Participante

...através das minhas duas filhas, porque eu dou amor, carinho, respeito e as minhas filhas são minhas amigas, entendeu?

Bia Ben

No final, eu percebi que você concorda comigo. Pagar pensão não te faz um bom pai.

Participante

Não, não, não, a questão, a questão que não é o dinheiro, é você tá presente. Isso vai fazer você um bom pai.

Bia Ben

Pagar pensão não te faz um bom pai. Exatamente, João. Tamo junto. [risos]

Participante

Não, você con-você concordou comigo. É, é. [risos]

Bia Ben

Tá, tá bom, João, você ganhou. Então tudo certo.

Participante

Mais ou menos. [risos]

Bia Ben

Tamo junto. [risos] Vamos, meninos, cadê vocês? Vem! [risos] Tudo bem?

Participante

Prazer.

Bia Ben

Prazer, qual seu nome?

Participante

Pedro.

Bia Ben

Tudo bom, Pedro?

Participante

Mais que, conhecido como Malocrente, depois me segue lá.

Bia Ben

Malocrente, legal.

Participante

Exatamente. O maluqueiro que virou crente. É, vamo lá.

Bia Ben

Você é evangélico?

Participante

Sou.

Bia Ben

Legal.

Participante

Sou evangélico, mas longe dos estigmas da religião. Eu sou padrasto, então eu tenho-

Bia Ben

Você não é pai?

Participante

...dois meninos. Sou pai.

Bia Ben

É pai?

Participante

Sou pai.

Bia Ben

O pai por escolha, né?

Participante

Exatamente.

Bia Ben

Você escolheu cuidar daquelas crianças.

Participante

E eles me escolheram também como pai.

Bia Ben

Coisa linda.

Participante

É, eu posso falar um pouco melhor sobre essa pauta porque eu vivo isso na pele. Então assim-

Bia Ben

Claro

Participante

...a questão financeira, ela não é o principal ponto, só que ela faz parte.

Bia Ben

Claro.

Participante

Se a gente falou de sacrifício biológico, a gente tá falando de sacrifício social, certo? Então você concorda comigo que pra que você consiga ser uma boa mãe e pra que você consiga cuidar dos seus filhos de uma forma, é, mais próxima, que você esteja realmente vivendo a maternidade, você precisa de alguém na retaguarda pensando no financeiro.

Bia Ben

Eu acho que essa é o ideal perfeito, né?

Participante

Isso, eu-

Bia Ben

Não necessariamente a gente tem, porque dez porcento das mães no Brasil são solos.

Participante

Tá, mas a gente-

Bia Ben

Então a gente não tem alguém na retaguarda

Participante

...só que a gente não pode falar dos dez porcento. A gente tem que falar-

Bia Ben

Não, a gente pode falar e deve-

Participante

Mas aí-

Bia Ben

...porque elas passam na pele uma coisa que é, tipo assim, completamente difícil. Eu faço parte dessas mães, entendeu? Então hoje, por exemplo, é, eu tenho uma vida confortável e posso até pagar por uma rede de apoio, mas tem muitas que não podem. Por exemplo, eu não podia pagar por uma rede de apoio quando eu trabalhava no shopping. E aí eu acordava supercedo, colocava meu filho na creche, ia trabalhar no shopping, batia meta, voltava pra casa, pegava meu filho, tentava passar tempo.

Então quando você não tem alguém, como, é, eu esqueci seu nome, mas ele falou... Vitor! O Vitor falou que ele foi um ótimo pai, de tipo assim: "Não, tá tranquilo, eu vou te dar apoio, eu vou tá aqui com você". Isso é um ideal maravilhoso, é o que toda mãe quer. É alguém pra poder, é, ser pai, né? Não é nem ajudar, porque ajuda a gente tem de uma avó, de um tio, de um, uma pessoa que fala: "Não, essa noite eu te ajudo.

Esse dia eu te ajudo." Agora, quando você tem alguém pra poder dividir com você, isso é maravilhoso.

Participante

Tá.

Bia Ben

Mas não é a realidade de muitas mulheres nesse Brasil.

Participante

Vou entrar em outro ponto. Não é a realidade.

Bia Ben

Não é.

Participante

Mas a gente tá discutindo o ideal.

Bia Ben

Ah, tamo, tamos discutindo um sonho?

Participante

Exa-- não, um sonho não, é realidade.

Bia Ben

O ideal é um sonho, né? Porque não é o que acontece.

Participante

Realidade, porque eu posso falar que é-

Bia Ben

É realidade ou é ideal?

Participante

É realidade. Se você falou pra mim que a-

Bia Ben

Ah, então voltamos pra realidade.

Participante

Você falou pra mim que dez porcento-

Bia Ben

Sim

Participante

...são essas mulheres. A gente tá falando de uma maioria que não passa por isso.

Bia Ben

Não, passa. Muitas mulheres também passam por isso dentro do casamento.

Participante

Não, mas é-

Bia Ben

Não é porque ela tem um homem do lado que ele se esforça e ele é pai presente.

Participante

Mas tá, mas a gente tá falando-

Bia Ben

Tem pais que estão ali e não estão.

Participante

A gente tá falando de um cenário-

Bia Ben

Tem pais que estão ali e não são pais.

Participante

A gente tá falando de um cenário-

Bia Ben

E a gente sabe disso

Participante

...eu tô falando do meu cenário específico.

Bia Ben

Sim.

Participante

Eu sou um padrasto presente.

Bia Ben

Que bom!

Participante

Certo? A realidade que acontece, realmente uma minoria, eu posso falar, dos pais, ele é um pouco mais ausente, que isso faz muita falta, isso faz diferença. O que que eu quero te-

Bia Ben

A minoria dos pais são ausentes? É o que cê tá me dizendo?

Participante

Se for pegar uma proporção, acho que sim.

Bia Ben

A minoria, né?

Participante

A minoria dos pais são um pouco mais ausentes.

Bia Ben

Quantas pessoas você-

Participante

A minoria é a maioria.

Bia Ben

Obrigada.

Participante

Que isso?

Bia Ben

[risos] Oi.

Participante

Voltei. Bia, vamo lá.

Bia Ben

Vamo.

Participante

Polêmica agora, vamo esquentar a parada. Sem dinheiro, o que que uma mãe faz?

Bia Ben

Ah, ela vai atrás

Participante

Ok. Se tiver ajuda do pai

Bia Ben

Se tiver ajuda do pai é ótimo, mas assim, a-- se ele ajudar tipo 100% no caso?

Participante

Não, se-

Bia Ben

Da grana?

Participante

Se ele não dá nada-

Bia Ben

Aí ela vai atrás

Participante

...mas ele tá presente, ele é um bom pai?

Bia Ben

Ele é. Depende da, da, do porquê que ele não dá nada, tá? Tem um porquê. Se ele é um encostado, não. Agora, se ele é um cara que, sei lá, ele tem uma, uma, um, é, um problema e ele não pode realmente trabalhar e ela vai fazer por onde, eu entendo. Aí também a gente tá falando de uma exceção da regra, né?

Participante

É, essa é-- essa pequena exceção-

Bia Ben

Sim

Participante

...que a sociedade não olha.

Bia Ben

Ah, mas assim, a gente vai falar-

Participante

Porque a mulherada-

Bia Ben

...a gente vai falar dessas pequenas exceções?

Participante

É, porque assim, é, a, a-

Bia Ben

Mas cê tá falando de quem especificamente?

Participante

Mas assim, vamo, eu, eu-

Bia Ben

Quem é essa exceção?

Participante

...eu quero usar um termo aqui que eu não possa ser prejudicado.

Bia Ben

Tá.

Participante

Mulherada ou as mulheres.

Bia Ben

As mulheres.

Participante

As mulheres.

Bia Ben

Legal.

Participante

Gostam de falar só da parcela dos homens que não presta. Eu não vejo uma mulher enaltecer um homem que pelo menos ele faz o que tem que ser feito como homem, que ele honre.

Bia Ben

Parabéns, você foi um ótimo pai. Eu disse pra ele isso agora. E eu acho que tem pessoas que são bons pais. Eu não acho que só tem mau pai no mundo. Inclusive tem pessoa-- tem pais que, na ver-- na minha concepção, pai é muito importante, tá? Tudo que eu queria na minha vida era ter meu pai.

Participante

Sim, pai é muito importante, concordo.

Bia Ben

Infelizmente, o meu pai se foi e eu gostaria-

Participante

Meus sentimentos

Bia Ben

...que ele tivesse aqui, porque o pai ele traz essa segurança quando ele é presente, ele te dá uma segurança na vida que se você não tem pai, você não tem. Só que, é, quando você não tem pai, você não deixa de viver e você dá um jeito de a-- se moldar ali sem ter, né? É, você, você veio do nada como eu vim do nada.

Participante

Sim.

Bia Ben

Então a gente já passou momentos que a gente não tinha o que comer e a gente deu um jeito. A gente já passou momentos que a gente não tinha o que fazer e a gente deu um jeito.

Participante

É, o próprio poder de se moldar com a situação nos ajuda, né?

Bia Ben

Isso não é o ideal. É o que, o que eu tô te explicando. É, mas eu-- não é o ideal. O ideal seria a gente ter comida na mesa todo dia, o ideal seria a gente ter uma família perfeita e completa, mas não é o que acontece. Então aqui nós temos um sonho, como eu tava falando com ele, e a realidade.

Participante

Tá, então aqui a gente tá falando da realidade.

Bia Ben

Justo.

Participante

Tá. Então hoje o pai, assim, eu quero entender o seguinte, pra você, se o pai for presente e ele não dá pensão, ele ainda tem um valor como pai?

Bia Ben

Por que ele não dá pensão? Tá muito raso.

Participante

Tá.

Bia Ben

Pra você entender.

Participante

Vamos supor que é um pai que vem da periferia, não tem um, não tem uma instrução, ele trabalha, ganha pouco, o dinheiro dele, ele tem outras famílias e não consegue.

Bia Ben

Mas ele é marido? Marido não dá pensão.

Participante

Não, ele é pai solteiro.

Bia Ben

Marido ajuda dentro de casa. Não, mas e-ele é pai solteiro, ele cuida da criança.

Participante

É, ele-- não, ele é o pai, ele, ele, ele é o pai, mas não tá com a mãe.

Bia Ben

Aí ele não dá pensão. Pra mim ele tá errado. Se ele não tá com a mãe, ele tem que dar pensão, ponto. Não tem justificativa, não tem contexto.

Participante

Mas ele é presente.

Bia Ben

Tá, mas ele tem que fazer todas as partes.

Participante

Então sem dinhei-- com dinheiro...

Bia Ben

Licença, maioria!

Participante

Deu fácil. Deu certo.

Bia Ben

Deu certo, né? Tudo bom?

Participante

Prazer.

Bia Ben

Prazer. Qual seu nome?

Participante

Lucas.

Bia Ben

Tudo bom, Lucas?

Participante

E aí, como que você tá?

Bia Ben

Tô bem.

Participante

Eu-- é muito difícil discordar dos, das pautas que você tá trazendo-

Bia Ben

É

Participante

...mas eu queria colocar alguns pontos.

Bia Ben

Tudo bem.

Participante

É, sobre o pai, é, não é só aquele que paga a pensão. Eu concordo entre partes, mas eu gostaria também de olhar o outro lado. É-

Bia Ben

Só pra acertar o tema aqui, é, pagar pensão não te faz um bom pai.

Participante

Exato. Desculpa.

Bia Ben

É.

Participante

Não te faz como s-um pai somente pagar pensão.

Bia Ben

Isso.

Participante

Mas assim, tem outro, um outro ponto de vista que é o lado da mãe também. Vou, vou dar exemplo da minha pessoa. Eu sou-- eu tô no meu terceiro casamento, tenho dois filhos, dois divórcios, duas pensões. Então eu tenho dois filhos nos meus dois primeiros casamentos. E por mais que eu quisesse, eu acredito que muitos homens passam por isso, por mais que eu quisesse ser um pouco mais presente do que eu fui, porque ao meu ver, um pai que tem uma guarda compartilhada, ele nunca vai ser um pai presente de fato ali mesmo-

Bia Ben

Cê tem uma guarda compartilhada?

Participante

Eu tenho duas guardas compartilhadas.

Bia Ben

Não, então ele-- você vai ser presente.

Participante

Não.

Bia Ben

Ele passa uma semana lá, uma semana cá?

Participante

É, não, eu, eu-- o meu é a cada 15 dias. Desculpa se eu usei o termo errado.

Bia Ben

Não, então. Não, você vê ele?

Participante

Eu vejo meus filhos.

Bia Ben

É, não é guarda compartilhada. Guarda compartilhada cê compartilha mesmo a vida da criança.

Participante

Não, eu-

Bia Ben

Tudim. Tudim

Participante

...eu vejo diariamente, mas eu pego eles a cada 15 dias.

Bia Ben

É, cê vê ele duas vezes no mês ali.

Participante

Exato.

Bia Ben

Uhum.

Participante

Só que eu tive uma certa dificuldade no, no, no, nos términos ali, por conta que a mãe preferia o dinheiro do que propriamente o pai, por conta que ou era alguma coisa relacionada a ciúmes ou alguma coisa relacionada, é, queria que fosse de um jeito que não foi do, do jeito que, que estava se tratando. Todos foram perante justiça e tudo mais, brigas judiciais, coisas que eu acho que muitos homens passam também, mas só que a dificuldade que eu tinha, é, mesmo que eu sempre qui-- sempre paguei a pensão em dia, sempre, nunca fui ausente em relação à pensão, eu também tinha dificuldades em pegar meus filhos às vezes.

Então-

Bia Ben

Por quê?

Participante

Porque a, as mulheres te-tem-- existem mulheres que têm essa dificuldade de brigar com os homens, de não deixar pegar os filhos-

Bia Ben

Então aí ela não tem esse direito. Acho que o ponto-

Participante

...por conta que as mulheres-

Bia Ben

Não, ela não tem esse direito de te impedir de ver seu filho. E é aí que você tem que usar a justiça ao seu favor.

Participante

Sim.

Bia Ben

Porque eu acho que cê já ouviu esse termo até que eu vou te falar, mas quando cê chega ali, né, tá a juíza no tribunal e, por exemplo, cê, se você paga pensão, cê passou por ali-

Participante

Curioso

Bia Ben

...pra poder entender, tipo assim, quanto cê vai dar, se é 30, se é 20, se era 10. E aí, tudo bem. Cê passou ali.

Participante

Isso é assim que é no meu caso.

Bia Ben

A pre-- a, a juíza, tudo bem. A juíza disse pra você uma coisa que eu tenho certeza que no, na maioria dos casos acontece que é: ela não tá preocupada com o que você tá sentindo ou com o que a mãe tá sentindo. Ela se preocupa com a criança ali. A maior preocupação de uma juíza num, num relacionamento que acabou é a criança, é a integridade dessa criança.

E a integridade dessa criança não vai se basear somente na pensão, vai se basear na presença do pai também.

Participante

Se eu posso-

Bia Ben

Então se você tenta ser presente, você pode ser presente. E você pode recorrer à Justiça também e falar assim: "Olha, ela não tá deixando eu ver meu filho".

Participante

Não, eu passei por duas audiências-

Bia Ben

"E eu quero ver meu filho. O que que eu vou fazer pra..." Entendeu? Me ajudar aqui. E ela não vai contra a Justiça.

Participante

Eu passei por duas audiências de, de pensão, de divórcio ali, e foge um pouco do que você tá falando. Acho que-

Bia Ben

Tô entendendo

Participante

...é bem tendencioso em que a mulher tem mais direitos numa, num divórcio, numa, numa guarda de pensão, é, e tudo mais, do que o homem, isso é fato. Eu acho que na hora da-

Bia Ben

Mas você tem provas que ela não deixou você pegar seu filho?

Participante

Na hora...

Bia Ben

Cê tem?

Participante

Na hora-

Bia Ben

Cê tem?

Participante

...do, da própria, do próprio juiz falar, é, e, e dar o veredito ali pra que, que parte, como que seria, vai pegar os finais de semana, é, nas férias, 15 dias com cada-

Bia Ben

Justo

Participante

...e tudo mais. A preocupação maior-

Bia Ben

Mas você foi um pai que queria pegar muito

Participante

...a preocupação maior era, era a preocupação se tinha algum bem, se tinha alguma coisa pra dividir.

Bia Ben

Não, não me importa. Então-

Participante

Se tinha isso

Bia Ben

...eu acho que o ponto que a gente tá, a gente-

Participante

É esse é o ponto que eu tô trazendo

Bia Ben

...não, o ponto que a gente tá saindo aqui, não, o ponto que a gente tá saindo aqui é que a gente acabou focando na mulher que quer muito o seu dinheiro. E a gente não tá nem aí pra mulher que quer seu dinheiro. A gente tá aí pro seu filho.

Participante

Não, eu tô dizendo que existem isso.

Bia Ben

Não, existe muita coisa no mundo. [riso] É isso aí.

Participante

Tô dizendo que existe isso, entendeu?

Bia Ben

Mas eu tô te falando que a gente não tá nem aí pra essa mulher.

Participante

Que existe isso. [riso]

Bia Ben

A gente quer saber se você bateu lá e falou assim: "Ó, não me importa que dia é hoje. Eu quero meu filho. Eu quero ver meu filho. Deixa eu levar ele na escola. Deixa eu sair com ele. Hoje eu tô sem grana. Só quero ir na pracinha com ele brincar de, sei lá, empurrar, qualquer coisa". Mas o ponto, tipo assim, cê quer, é, brincar de gangorra com seu filho?

Cê quer brincar de pique-pega, pique-esconde?

Participante

Não, já, já aconteceu o ponto de eu ir buscar meu fi-- minha filha e minha filha ter, tá em outro estado, porque a mãe foi sem me avisar.

Bia Ben

E aí você pegou essa prova e apresentou na Justiça?

Participante

Cara, a Justiça não é tão fácil assim para um homem do que para uma mulher.

Bia Ben

Mas você tentou?

Participante

Referente a isso.

Bia Ben

Licença, maioria!

Participante

Obrigado.

Bia Ben

Obrigada. [riso]E aí?

Participante

Olá! Eu aqui de novo.

Bia Ben

Você é um bom pai, já tô sabendo.

Participante

Prazer em voltar. É um pouco sobre isso. É, vou ser breve pelos minutos que tem. É, eu tive a oportunidade de dar pros meus filhos, pós-separação, é, duas casas, né? Comprei uma casa pra minha filha, uma casa pro meu filho e comprei um terreno quando minha filha, que estudou Direito, hoje é uma ótima advogada, Tarsila, um beijo, te amo, tá mandando muito bem, vou ser vovô. E o que acontece?

Bia Ben

Cê tem uma, uma condição financeira boa, né?

Participante

Não, eu trabalhei bastante, não tenho. Hoje eu tô quase falido, porque eu investi muito pra comprar essas casas, né? Fiz um-

Bia Ben

Imagino

Participante

... montei uma estrutura legal pros meus filhos, um lugar onde eles possam puxar esporte, lazer, pegar onda, em Ilhéus. E nesse caso-

Bia Ben

Minha mãe nasceu em Ilhéus

Participante

Ah, que bom!

Bia Ben

Bahia.

Participante

Maravilha-

Bia Ben

Aham

Participante

...lugar sagrado-

Bia Ben

Lindo lá

Participante

...Jorge Amado. Então, é, d-d esse período todo de construção, eu passei alguns perrengues, porque eu investi tudo que eu tinha ganhado durante a minha vida, que eu investi, eu tive-- falei: "Não, é momento de segurar pelo menos o futuro dos meus filhos". E quando eu passei nessa dificuldade, alguns perrengues, tendo que fazer vários pagamentos, eu atrasei pensão. E eu já pagava uma pensão, é, mais do que foi determinado pelo juiz.

E a mãe começou a criar um caso comigo, certo? Me cobrando de maneira desnecessária, sabendo que eu estava construindo tudo aquilo pelos me- pelos meus filhos. Em nenhum momento ela respeitou o meu sacrifício, o esforço que eu tive pra o futuro deles.

Bia Ben

Sim.

Participante

E fui levado dessa forma por um certo tipo de alinaç-alienação parental, que eu acredito que chegou a esse ponto, infelizmente, por ciúme ou por inveja, de saber que eu fiz aquilo pelos meus filhos. E sei que ela é uma ótima mãe, mas acredito que nessa questão da pensão, às vezes muita coisa tem que ser avaliada. Como você mesmo disse-

Bia Ben

Claro

Participante

...que o pai presente, às vezes é melhor do que qualquer dinheiro que você possa ter. Um pai que fala "eu te amo" pros seus filhos todos os dias, é a melhor coisa que tem na vida, de eles entenderem o quanto você o ama. E ninguém vai tirar isso de você. Não tem valor que pague pra uma criança-

Bia Ben

Concordo

Participante

...saber que seu pai ama e ama muito e faz qualquer coisa por ele. Então-

Bia Ben

E se importa com ele

Participante

...concordo-

Bia Ben

Eu entendo o que você falou e-

Participante

...que é necessário pagar a pensão, mas em qualquer coisa, o amor é privilegiado.

Bia Ben

Claro.

Participante

Obrigado. Desculpa, eu quase chorei aqui, tá?

Bia Ben

Você é um bom pai mesmo! A sociedade cobra muito mais da mãe do que do pai. Tudo bem?

Participante

Tudo bom, Bia?

Bia Ben

Prazer.

Participante

Prazer, Amarildo.

Bia Ben

Amarildo.

Participante

Pode me chamar de Kilox.

Bia Ben

Kilox?

Participante

Isso.

Bia Ben

Tá, eu vou lembrar. Eu tenho uma memória meio...

Participante

É?

Bia Ben

É.

Participante

Bom, vamo lá. Eu discordo, porque a sociedade cobra mais do homem. Desde pequeno, eu nasci homem. E quando a gente-- assim que a gente nasce, a cobrança já vem de pequeno.

Bia Ben

Em que sentido?

Participante

No sentido de que você nasceu homem, você tem que fazer mais.

Bia Ben

Uhum.

Participante

A mulher já nasce como se fosse sofredora, mas o homem já nasce cobrado. Se voc-- se a gente for voltar o tempo, tempo atrás-

Bia Ben

É! Não, não, mas a gente não tá falando aqui sobre a cobrança da mulher e do homem

Participante

Não

Bia Ben

É da mãe e do pai-

Participante

Mãe e do pai

Bia Ben

...nesse lugar. Então quando você nasceu, você não é ainda pai. Então não é a partir daí, é a partir de: "tive um filho". Quem cobra, quem é o mais cobrado? Mãe.

Participante

Mas querendo ou não, o filho já aprende com o pai. Eu, hoje eu sou pai, mas eu fui filho.

Bia Ben

Sim.

Participante

Então vi muitas cobrança. Que horas você vai trabalhar?

Bia Ben

Uhum.

Participante

Por que você não fez o café ainda? O homem é mais cobrado.

Bia Ben

Você era cobrado porque cê não fez o café?

Participante

Não, eu tô falando que eu-

Bia Ben

Não, engraçado que eu também sou mulher e minha mãe falava: "E aí, vai fazer a comida que horas, gata? Vai trabalhar, não? Então eu acho que tem-"

Participante

Não, eu via isso com meu pai-

Bia Ben

Então é uma cobrança parecida

Participante

...fui crescendo, fui aprendendo. Hoje eu sou pai e às vezes o próprio homem se cobra dentro de si.

Bia Ben

E tá certo, tem que se cobrar mesmo.

Participante

Nós como pais-- e então, então não tem como a sociedade cobrar mais da mulher.

Bia Ben

Ela cobra. Acredite se quiser, até porque a sociedade assim num todo, né, ainda mais quando a mulher é mãe, que é sobre o que estamos falando. Exemplo, vou te dar um super exemplo aqui. Uma mãe agora ela acabou de ter um bebê.

Participante

Certo.

Bia Ben

O bebê tem quatro meses. Ela decidiu fazer uma viagem com as amigas dela prum outro país. Ela vai ser apontada como uma má mãe, que deixou o filho pra avó criar, que ela não dá confiança pra esse filho, escaroba quatro. Agora, se um pai viajou, na-- às vezes ele não vai ser nem visto. Isso não vai ser nem uma pauta. O que eu tô te explicando é que tem muita coisa que passa e pra mãe não passa.

A mãe sempre vai ser apontada. Não existe uma mãe não saber quantas gotas de remédio dar pro filho. Agora, se o pai não souber, a gente explica: "Não, tem que ver o quilo, tem que ver quanto ele pesa".

Participante

Tá, aí eu te pergunto-

Bia Ben

É o que eu tô te explicando

Participante

...aí eu te pergunto: se o pai some-

Bia Ben

Como mãe e como pai

Participante

...se o pai some, a sociedade cobra o quê?

Bia Ben

É horrível!

Participante

"Cadê a pensão? Senão vai preso". Cê concorda?

Bia Ben

Sim, e tá certo, né?

Participante

E no momento que a mãe some e a mãe é presa?

Bia Ben

Não, a mãe também precisa fazer o mesmo. Se a mãe não-

Participante

Não, com certeza

Bia Ben

...se o pai cria, se o pai cria a criança-

Participante

Aham

Bia Ben

...a gente tá falando de lei aqui. Se o pai cria a criança, a mãe vai ter que pagar uma pensão pra aquela criança. E eu espero que ela também seja presente na vida daquela criança.

Participante

Eu nunca vi isso.

Bia Ben

Nunca viu? Ah, pode-- mas tudo bem você nunca ter visto.

Participante

Bom, pode exis-

Bia Ben

Pode ser na sua realidade

Participante

...pode existir a lei.

Bia Ben

Mas existe.

Participante

Sim, é, a gente tá falando de realidade ou sonhos?

Bia Ben

Realidade.

Participante

Então a realidade é essa, a mulher nunca pagou pensão.

Bia Ben

Nunca?

Participante

Até onde eu conheço.

Bia Ben

Você tem certeza do que cê tá falando? Isso é um fato. Cê tá baseado no quê?

Participante

Eu tenho certeza até onde enxergo minha realidade.

Bia Ben

Que nenhuma mulher no mundo nunca pagou uma pensão. Então, então é sua realidade. A sua realidade infelizmente é limitada, porque você não estudou até lá.

Participante

Na sua realida-- na sua realidade, nunca teve.

Bia Ben

Já, já vi.

Participante

Já viu?

Bia Ben

Já vi pais que cri-- pais solos, a-- conhece, acontece, existe.

Participante

E na sua realidade, a mulher é mais cobrada que o homem?

Bia Ben

Aham.

Participante

Não.

Bia Ben

A mulher é mais cobrada.

Participante

A sociedade cobra mais o homem.

Bia Ben

Não, eu acho que você tá colocando num lugar que, é, eu não concordo. A mulher é mais cobrada.

Participante

Não, e não tem como concordar-

Bia Ben

Na minha concepção

Participante

...numa coisa que o homem é sendo cobrado desde a parte da pensão, o homem é cobrado desde a parte que fala assim: "Você não tem que cuidar só dos seus filhos, tem que cuidar da sua mulher também".

Bia Ben

Sim.

Participante

Às vezes fala que a mulher se-

Participante

tempo!

Bia Ben

Obrigada, querido. [riso]

Participante

Obrigado.

Bia Ben

E aí, tudo bem?

Participante

Tudo bem.

Bia Ben

Prazer, qual seu nome?

Participante

Renan.

Bia Ben

Renan.

Participante

Tudo bom?

Bia Ben

Tudo bem.

Participante

Eu não concordo, de vo-- com você, porque não faz sentido a quantidade de homem preso por conta de pensão. O rapaz acabou de ser pai, ter que, ter que sair pra, pra, pra trabalhar. Você coloca um ponto que a mãe pariu sobrecarregado aquilo, porque ela pariu.

Bia Ben

Sim.

Participante

Mas acaba o homem, o homem, nós estamos falando de, de pai.

Bia Ben

Sim.

Participante

Ter que ter a consciência de levantar cedo, de sair pra procurar, é, é, pra sustentar-

Bia Ben

Na sua concepção, isso é muito mais difícil?

Participante

É, certeza.

Bia Ben

É, e a mãe que não tem um homem? Porque a gente tá colocando da mãe que tem. E a mãe que não tem homem, ela tem a mesma responsabilidade de sair pra trabalhar e conseguir o dinheiro pra dentro de casa e conseguir uma boa creche, porque creche boa a gente não consegue fácil, não. A gen-- ainda mais se for pública, a gente tem que ficar na fila pra conseguir.

Digo isso porque já passei por filas pra conseguir, tipo: "Ah, é que ela é melhor", então a gente tem que en-entrar na fila, tem que inscrever a criança. O que eu tô te explicando só, é que eu, eu entendo o que você tá falando, só que tem mulheres que passam por isso também.

Participante

Não, mas você tá-

Bia Ben

E a gente tá batendo num tema que passou, que é pagar pensão.

Participante

Não, mas-

Bia Ben

Esquece a pensão. Agora-

Participante

Mas coloca-

Bia Ben

É-

Participante

...hom-- é, é pai e mãe, independente do, do-

Bia Ben

Sim

Participante

...do, do contexto. É pai e mãe. Pai e pai, pai mesmo, é cobrado.

Bia Ben

Claro.

Participante

É mais cobrado do que a mu-- a mãe.

Bia Ben

Mais cobrado?

Participante

Com certeza, porque o, o cara tem que sair pra trabalhar. Pergunta pra qualquer um aqui, se não sai pra trabalhar, é vagabundo. Pro próprio homem.

Bia Ben

E tem muitos que se-

Participante

Não, não, mas entenda

Bia Ben

...se orgulham de serem, né? Tipo-

Participante

A mu-- a, ó, se a mulher não vai Pra outra mulher é empoderada

Bia Ben

Se não vai o quê?

Participante

Tipo, não, não procura, tem mulher que larga o filho e tá certo.

Bia Ben

Claro que não.

Participante

Existe.

Bia Ben

Claro que não.

Participante

Você sabe que existe.

Bia Ben

Claro que não. Eu acho que o ponto aqui que você tá que-

Participante

Não, você não está entendendo.

Bia Ben

Não, você tá querendo, você tá querendo distorcer a mentalidade de mulheres boas.

Participante

Não, s-

Bia Ben

Nenhuma mulher vai olhar pra uma mulher que abandonou o filho e vai apoiar ela.

Participante

Pra qualquer homem aqui-

Bia Ben

Na verdade, a, uma mãe boa não abandona o seu filho.

Participante

Sim.

Bia Ben

Eu nunca abandonaria meu filho.

Participante

E um pai bom também não abandona o filho.

Bia Ben

Eu tive que... Exatamente.

Participante

Então, mas é o mesmo.

Bia Ben

Estamos no mesmo lugar.

Participante

Qualquer homem que sair daqui e largar o filho, vai ser julgado por, pelos próprios homens.

Bia Ben

E, e tá errado de ser julgado.

Participante

Não, tá certo.

Bia Ben

Pronto.

Participante

Mas aí é que tá, o homem é o mais cobrado.

Bia Ben

Não.

Participante

O homem é cobrado pelo homem.

Bia Ben

Não, você tá me dizendo aqui que o homem ele é cobrado quando ele larga um filho. Olha o extremo: uma mulher é cobrada se ela sai uma noite e deixa o filho com a mãe. Uma mulher é cobrada se ela não sabe o remédio do filho dela. Uma mulher é cobrada se ela não coloca um lencinho numa mochila pro filho.

Participante

Certo, mas-

Bia Ben

Uma mulher é cobrada se o filho dela cresce, por exemplo, faz qualquer coisa de errada, a culpa é da mãe.

Participante

Por que que a mulher vai ser cobrada?

Bia Ben

A mãe que não criou direito.

Participante

Não, mas por que que ela-

Bia Ben

A mulher é cobrada nesse sentido.

Participante

Não, mas em qual se-- e que, quem que tá cobrando a mulher?

Bia Ben

Todo o peso é colocado em cima dela. A sociedade.

Participante

Não, a socie-

Bia Ben

A gente tá falando de uma estrutura social que não depende de mim, nem de você.

Participante

Entenda.

Bia Ben

É, vem muito antes de mim e quando a gente passar por esse mundo, vai continuar.

Participante

Aí entra a situação-

Bia Ben

Espero que não

Participante

...ó, calma, de, de a mulher ter vários filhos com vários homens. Se ela fosse cobrada desta forma-

Bia Ben

Quem é que tem uma mulher ter vários filhos com vários homens?

Participante

Não, então, mas se ela fosse cobrada dessa forma, o cara não ia atrás ou o cara não ficava, o outro cara não fazia filho. O cara tá pouco se lixando. Que-quem se cobra são vocês mesmo. O homem, em geral, cobra o próprio homem.

Bia Ben

[risos] A gente não se cobra, é a sociedade que cobra.

Participante

Não, a sociedade cobra.

Bia Ben

A gente é cobrada desde muito pequena.

Participante

Com todo respeito ao mundo.

Bia Ben

A gente tem que ser boa mãe, a gente querendo ou não, você entende?

Participante

A maioria dos homens aqui-

Bia Ben

Mesmo quando a gente tá mal, olha só-

Participante

...é independente de você ter filho ou não

Bia Ben

Não, não, não, não.

Participante

Aí que tá.

Bia Ben

O que eu tô te explicando é que...

Participante

Tempo.

Bia Ben

Obrigada.

Participante

Prazer te conhecer.

Bia Ben

O prazer. [risos] Ui! [risos]

Participante

Fala, Bia. Prazer.

Bia Ben

Tudo bem? Prazer.

Participante

Tudo bem? Me chamo Wesley. Vou te dar um pouquinho do contexto. Sou pai de gêmeas.

Bia Ben

Ai, que tudo. Meninas?

Participante

Elisa e Luísa.

Bia Ben

Quanto tempo?

Participante

Seis anos.

Bia Ben

Ai, beijo meu.

Participante

Coração pra vocês.

Bia Ben

Seis anos, sei bem como tá.

Participante

Parabéns pela sua trajetória.

Bia Ben

Muito obrigada.

Participante

É, eu acredito que toda mãe solo, ela tem a honra da trajetória e da jornada que ela fez, mas toda mãe solo preferia ter um bom pai ao lado do que viver a trajetória de uma mãe solo.

Bia Ben

Claro.

Participante

Quando você diz que o marido ou o homem, ou o pai, ele é cobrado pela sociedade e a mulher não, você traz exemplos-

Bia Ben

Não, eu disse o contrário

Participante

...que a mulher-

Bia Ben

Eu não disse que o pai não é cobrado, eu só disse que a mulher é mais cobrada.

Participante

Ok. A cobrança da mulher, ela é exagerada em que ponto?

Bia Ben

Em muitos pontos.

Participante

Vamo lá.

Bia Ben

Por exemplo, eu vou, eu vou citar aqui novamente, tá?

Participante

Ok.

Bia Ben

E vou te citar pontos muito básicos aqui.

Participante

Sim.

Bia Ben

Uma coisa bem boba. Exemplo: você falou que você tem gêmeas.

Participante

Sim.

Bia Ben

Se você tiver com uma das suas gêmeas no canguru e a outra no seu carrinho-

Participante

Ok

Bia Ben

...com certeza você vai ser elogiado por vários lugares que passar. "Ai, que lindo, você tá sendo um ótimo pai". Se você entra num lugar pra trocar sua filha: "Caramba, olha que bom pai você é". Se você for na consulta com a sua esposa enquanto ela tava grávida: "Caramba, eu quero um marido desse, porque ele é bom". Agora, se a mulher tá na consulta, ela não vai ganhar elogios.

Se ela tá trocando uma fralda, também não tem elogios. O que eu tô te explicando é que quando o pai ele faz o mínimo, que é ser pai, a sociedade vai aplaudir demais. Agora quando uma mãe tá ali fazendo... Não tô falando que não é trabalhoso, tá?

Participante

Uhum.

Bia Ben

Porque cuidar de uma criança é trabalhoso.

Participante

Sim.

Bia Ben

Mas quando uma mãe também tá fazendo o mesmo, ela nem é vista.

Participante

Sim.

Bia Ben

Mas se ela não fizer, ela vai ser apontada.

Participante

Mas talvez isso não é uma resposta cultural ao, ao país que a gente vive?

Bia Ben

Então, mas a gente concorda então que é estrutural uma mulher ser mais cobrada que um homem.

Participante

Ok, estrutural.

Bia Ben

Então a gente concorda.

Participante

Ok, estrutural. Porém a gente não pode ignorar a cobrança que o homem retém.

Bia Ben

Eu falei, eu não disse que o homem não tem cobrança.

Participante

Ok.

Bia Ben

Eu falei que ele tem cobrança, só que a mulher tem mais.

Participante

Eu fui em cima que a cobrança moral que existe, a cobrança social, a cobrança financeira, e aí a gente entra naquele outro ponto, porque eu não posso também focar em um sacrifício e ignorar todos os outros.

Bia Ben

Não, claro que não.

Participante

Porque a gente, por exemplo, tem um sacrifício psicológico. Crianças que crescem sem o pai apresentam vários problemas durante a jornada da vida dela.

Bia Ben

E são muitas, né?

Participante

E muita das vezes só vai descobrir lá na frente-

Bia Ben

Sim

Participante

...que a ausência do pai lá na infância teve e conseguiu trazer de consequência todos esses problemas.

Bia Ben

Uma ausência de uma mãe também.

Participante

Sim, totalmente.

Bia Ben

Né?

Participante

Mas a gente tá cuidando como homem agora, o julgamento do homem.

Bia Ben

Porque uma mãe não substitui o lugar de um pai e o pai não substitui o lugar da mãe.

Participante

Certo. Então, mas a gente tem um país aonde, por exemplo, homens, vamo, vamo filosofar um pouco, homens abortam mais do que mulheres, certo?

Bia Ben

Uhum.

Participante

Então é natural que quando a gente veja um homem fazendo o papel que ele tem que fazer, a sociedade mesmo possa aplaudir essa situação.

Bia Ben

Então a gente concorda.

Participante

Mas a gente não pode criar uma regra disso.

Bia Ben

A gente concorda.

Participante

A gente não pode ignorar a cobrança que existe no homem pra ele ser esse homem presente. Por exemplo, eu tendo gêmeas, a gente teve uma situação aonde minhas filhas ficaram-

Bia Ben

Tá, tá vendo a cobrança que cê falou?

Participante

Ok.

Bia Ben

Existe uma cobrança pro pai ser presente.

Participante

Sim.

Bia Ben

Não vai existir essa cobrança pra mãe.

Participante

Mas aí a gente tá falando da cultura que o Brasil tem.

Bia Ben

Porque é claro que a mãe vai ser presente, mesmo machucada depois de um parto, ela vai ser presente.

Participante

Depende, depende. Porque você tá usando raros-

Bia Ben

Mesmo, mesmo debilitada, ela vai ser presente

Participante

...raras exceções também.

Bia Ben

Não, eu estou usando a maioria.

Participante

Pra criar o argumento que você tá criando.

Bia Ben

Não, eu tô usando a maioria.

Participante

Ok.

Bia Ben

Eu tô usando como base aqui a, a realidade, a maioria.

Participante

Uhum.

Bia Ben

Quando a gente vai olhar, se a gente vier numa, aqui nessa roda, por exemplo, a gente vai contar aqui.

Participante

Então.

Bia Ben

Quantas pessoas não tiveram pai e quantas pessoas não tiveram mãe?

Participante

Ok, mas aí o argumento nosso não é de debate então, é de concordar os pontos que o homem-

Bia Ben

Eu tô falando isso desde que eu me sentou aqui.

Participante

Perfeito, perfeito.

Bia Ben

A mulher tem mais cobrança do que um homem.

Participante

Perfeito. Porque um bom pai ele vai ter a cobrança de si mesmo, da sociedade, dos homens que estão julgando ele.

Bia Ben

E tá tudo certo.

Participante

Tudo certo.

Bia Ben

Eu não disse que um pai, ele não vai ter uma cobrança.

Participante

Perfeito.

Bia Ben

Pai tem cobrança como mulher também tem.

Participante

Perfeito.

Bia Ben

Só que a mulher vai ter essa cobrança em dobro.

Participante

Então, mas-

Bia Ben

É muito mais difícil pra ela

Participante

...o que você tá usando de cobrança em dobro são situações pontuais que eu também posso listar dos homens, por exemplo.

Bia Ben

Não, não são situações pontuais.

Participante

Como foi colocado pelos meus amigos aqui de questão financeira.

Bia Ben

É rotina. E também, cita, cita

Participante

...de questão social.

Bia Ben

Cita

Participante

...de questão de jornada de trabalho, tô listando todas elas.

Bia Ben

Me fala... Não, não, não. Sem ser o pai abandonar a criança e ele ser cobrado pra pagar uma pensão.

Participante

Esses pontos podem ser regras utilizadas na narrativa.

Bia Ben

Sem ser o pai se abandonar a cria-

Participante

Mas você tá usando pontos.

Bia Ben

Não, não, não. Sem ele se abandonar, sem abandonar.

Participante

Você colocou da madrugada que a mulher vai pra balada e ela é julgada socialmente.

Bia Ben

Ela é.

Participante

Então, por exemplo, você tá usando um ponto pra criar uma regra.

Bia Ben

Aham.

Participante

Pra fortalecer sua narrativa. A gente todo pode usar os pontos-

Bia Ben

E o cara que vai toda sexta-feira pra balada, ele é julgado socialmente?

Participante

Também é julgado socialmente.

Bia Ben

Não é.

Participante

Também é julgado socialmente.

Bia Ben

Não é, não é um problema.

Participante

Também é julgado socialmente.

Bia Ben

Não vão ligar pra ele dizendo assim: "Seu filho tá chorando".

Participante

Porque a gente pode falar da cultura que tá sendo-

Bia Ben

"Meu amor, quantas espátulas eu coloco duna na madeira?"

Participante

Mas aí é uma realidade paralela que você criou pra fortalecer o argumento que você tem.

Bia Ben

Claro que não é uma realidade paralela.

Participante

Como eu posso também criar uma realidade pra fortalecer meu argumento?

Bia Ben

Eu tenho certeza que existem muitas mulheres que, que a realidade delas-

Participante

Como foi dito por aqui.

Bia Ben

Não é

Participante

...quantas mulheres que usam esse pretexto-

Bia Ben

Eu acho que você tá criando uma utopia na sua cabeça e você tá amando isso e seguindo isso, mas não é uma realidade.

Participante

Não, não, de forma alguma, de forma alguma, que eu sou pai e eu tô falando da minha realidade.

Bia Ben

E eu sou mãe e tô falando da minha.

Participante

Entendeu? Então por isso que a gente não pode ignorar os seus sacrifícios.

Bia Ben

Não estou ignorando os seus.

Participante

E ignorar os seus julgamentos, os julgamentos que fazem contra você.

Bia Ben

Sim.

Participante

Da mesma forma que a gente não pode desvalorizar os julgamentos que todos os pais recebem.

Bia Ben

Não estou desvalorizando, eu acho que o ponto é exatamente esse.

Participante

A gente não pode fazer isso.

Bia Ben

Eu olho pra você e digo: "Os pais..."

Participante

Porque você tá exagerando. É o dobro daquilo que toda-

Bia Ben

Sim, é o dobro.

Participante

Não, não é.

Bia Ben

É, é o dobro.

Participante

Não é.

Bia Ben

É o dobro.

Participante

Até porque como que você contabiliza isso?

Bia Ben

É o dobro. É por muitas, por dados, primeiramente, dizendo.

Participante

Como? Quais dados?

Bia Ben

Por dados.

Participante

Quais dados?

Bia Ben

É só você pesquisar, só você pesquisar. Tem muitos dados.

Participante

Não, mas aí é fácil eu julgar o argumento-

Bia Ben

Olha só, o que eu tô te explicando aqui, dez por cento, você tem noção de todas as mulheres no Brasil, dez por cento são mães solos.

Participante

Ok. E eu comecei falando sobre mães, mães solo.

Bia Ben

Você imagina... Então, mas o meu ponto é exatamente esse.

Participante

Eu comecei falando sobre isso.

Bia Ben

Você me disse que você é um bom pai, não é?

Participante

Não, não falei isso, eu falei que eu sou pai.

Bia Ben

Mas você não, não é um bom pai?

Participante

Não, eu não posso me julgar como um bom pai.

Bia Ben

Tá bom, então tá.

Participante

Quem me julga como um bom pai é a minha esposa, são as minhas filhas.

Bia Ben

Tudo bem, então você me disse que você é um pai.

Participante

Ok.

Bia Ben

Ok.

Participante

Me julgo como um bom pai.

Bia Ben

Então espero que, que bom então.

Participante

Beleza.

Bia Ben

Então, então você se julga como um bom pai.

Participante

Vamo lá. Você se julga como uma boa mãe?

Bia Ben

Eu me julgo como uma boa mãe.

Participante

Então perfeito.

Bia Ben

Eu acho que eu posso me julgar como uma boa mãe.

Participante

Perfeito, perfeito.

Bia Ben

Tá? Mas eu acho que se, se você se julga como um bom pai, eu espero que você apoie sua esposa, que você-

Participante

Perfeito, tudo isso

Bia Ben

...crie suas filhas, né? Que você exerça a paternidade.

Participante

Sim.

Bia Ben

Que ótimo que você faça isso.

Participante

Perfeito.

Bia Ben

Mas você imagina uma mulher que faz isso sozinha. Não é sobre um cara pagar pensão.

Participante

Eu entendo isso.

Bia Ben

É sobre o ca-- aí você falou, mas tem-

Participante

Tempo.

Participante

Valeu. Bia, show de bola.

Bia Ben

Obrigadão. Obrigada E aí?

Participante

E aí, Bia, voltei. Discordo.

Bia Ben

Tudo bem.

Participante

Pelo seguinte: é, a cobrança do homem é maior porque a mulher tem o amparo da sociedade, por exemplo, se, se ela tiver desempregada, ela vai ter o apoio, ela tem o benefício pra poder cuidar do filho. Qual ONG que-

Bia Ben

Qual benefício? Baseado em quê?

Participante

É, benefício de, dela, dela ter uma pensão, tipo um bolsa família-

Bia Ben

Quanto é o bolsa família por criança?

Participante

Não, depende. É seiscentos reais, depende do Estado.

Bia Ben

Cê cria uma criança com seiscentos reais?

Participante

Não, não crio, mas vou te falar.

Bia Ben

Não, ela não tem um apoio.

Participante

Cê tá falando da cobrança. Quando-

Bia Ben

Não, cê falou que ela tem apoio, ela não tem. A gente corta essa, esse argumento aí.

Participante

Tem, tem apoio de, de-- lógico que tem.

Bia Ben

Não, não tem.

Participante

Se a mulher procurar, tem.

Bia Ben

Seiscentos reais não cria criança nenhuma, em lugar nenhum.

Participante

Não, não, a gente tá falando de valores. Agora eu vou falar o valor em relação à cobrança do homem. O homem é muito mais cobrado. Quando o cara não paga pensão, ele vai preso.

Bia Ben

Essa mulher que precisa desse apoio de um bolsa família, porque o pai não paga uma pensão, daí ele já tá errado.

Participante

Ela é, ela, ela recorre ao marido. Não, às vezes ela é igual-

Bia Ben

Que marido? Se a gente tá falando que ela não tem marido.

Participante

Não, cê tá falando da questão social. Se ela-

Bia Ben

Sim.

Participante

Cê tá, tá falando que o homem é mais cobrado. Somos mais cobrados, sim, porque se não pagar, eu sou preso. E eu, o homem-

Bia Ben

E pra mim tá certo.

Participante

O homem tem um exemplo. Não, aqui não é questão de tá certo. Tá falando que a cobrança da mulher é maior. Não, não, não. Ela tem, ó-

Bia Ben

Eu abandonei o meu filho, não quero pagar a pensão pro meu filho, porque eu nem ligo se ele tá comendo direito e pra mim ou tinha que ficar solto ou ele tem que ser preso.

Participante

Quando a mulher sofre violência, ela tem amparo. O homem tem quando sofre violência de uma, de uma mulher? É isso que eu tô te falando. Então a-

Bia Ben

Ah, sério? [risos]

Participante

Não, sério, sério, sério, sério.

Bia Ben

Ah, não. [risos] Tá de brincadeira, gente.

Participante

É aonde, é aonde a gente vai chegar.

Bia Ben

Claro que não.

Participante

Cê tá falando que a mulher é mais cobrada?

Bia Ben

É sério. Então quantos homens morre aqui no nosso país semanalmente, mensalmente, porque eles são mortos por mulheres, por maníacos que perseguem elas, que se apaixonam, que você deita com aquele cara, você não sabe se tá dormindo com o seu inimigo, que ele te mata depois, que ele te fere, que ele te machuca, que ele te bate.

Participante

Mas aí é falta de caráter, falta de caráter, não é?

Bia Ben

Ué, mas você disse que você queria um apoio se você apanhasse. Quem te bateu?

Participante

Quando a mulher-- não, não. Eu não quis falar isso. [risos]

Participante

Sentei primeiro, hein? Ó. Eu percebi que tem que ser um pouco agressivo aqui.

Bia Ben

Não, também não. Vamos com calma.

Participante

Calma, calma. Não, ele falou de feminicídio, é melhor trocar de assunto.

Bia Ben

Vamo trocar, por favor.

Participante

É, inclusive eu conheço o Benjamim, tá? Eu vi o vídeo do Dureg, muito legal.

Bia Ben

Muito fofinho.

Participante

Fofinho.

Bia Ben

Ele é um, ele é um lindo, sou apaixonada.

Participante

Eu acho que eu vou discordar em alguns pontos.

Bia Ben

Vamo.

Participante

Eu acho que o ponto central de quando a gente fala a respeito dessa, dessas questões de, de como que a gente vê a, a função do pai ou da mãe dentro da família, essa, esse tipo de cobrança, vem muita, tem muito a ver com as funções de cada um dentro da família. A gente falou muito aqui sobre mãe e a sua parte biológica. A gente falou muito aqui sobre pai e a parte social, financeira.

Eu sou cristão.

Bia Ben

Legal.

Participante

Interessante. E quando cê falou, quando ele falou, alguém falou sobre Deus, ele já começou a falar de não sei, discorde, não sei como que é a sua perspectiva de fé, não sei, não faço ideia.

Bia Ben

Jesus é tudo pra mim, minha mãe também é cristã, víde uma cristão, é, mas assim, reli-religião aqui agora não é a, a questão.

Participante

Então, pra mim é.

Bia Ben

Respeito todas.

Participante

Eu, eu entendo que, que faça, que faz parte. No caso, assim, cada um tem a sua, obviamente, a gente tem os nossos pressupostos. A gente sempre vai argumentar de acordo com a nossa forma de religião.

Bia Ben

Não, calma, existe alguma religião que fala que pai não ser pai?

Participante

Não, existem as, a, a minha fé, ela me diz como deve ser um pai.

Bia Ben

É.

Participante

E como deve ser uma mãe.

Bia Ben

E a sua fé também diz que o amor mais próximo do amor de Deus é o amor de mãe.

Participante

Não, a Bíblia não fala isso.

Bia Ben

Fala.

Participante

Não, não fala.

Bia Ben

Tá bom.

Participante

É, mas assim, o que-- inclusive, o amor de Deus é, é o, a, a gente fala que tem o, o, um atributo, né? Deus é amor. E Deus é conhecido como pai, e não como mãe.

Bia Ben

Incrível.

Participante

Isso é importante. Mas-

Bia Ben

Ele foi o pai que eu tive quando perdi o meu.

Participante

Atenção, tempo.

Bia Ben

Ser mãe é o trabalho mais difícil que existe. Voltamos.

Participante

Vamo voltar, né? Mas agora é com outro assunto.

Bia Ben

Tá, tudo bem.

Participante

Bom, é, eu discordo, porque eu entendo que, é, naquela primeira, no primeiro tema, cê falou a respeito da, da, dos sacrifícios da mulher, da mãe, no caso, né? Eu concordo, porque se a gente falar da parte biológica, não só do início da gestação, mas da vida da criança, é um, é um sacrifício muito grande. Mas quando a gente fala sobre um, um maior trabalho ou trabalho mais difícil, aí sim eu acho que a gente tá entrando num extremo e a gente tá, é, negando o papel do homem, que é o que eu falei da questão das funções.

Pra mim, o homem ele tem sim a função de prover, embora a mulher possa ajudar na parte financeira, o homem ele tem esse dever. Da mesma forma que biologicamente o homem não pode ge-gestar, a mulher tem esse, tem essa, essa função. Eu acredito que quando a gente tem uma família estruturada, então a gente tá pensando aqui numa família ideal, a gente vai olhar pra esses dois, esses dois campos e dentro da família, eu acredito que o papel do pai, ele é um pouco mais pesado, porque ele é um, um papel geralmente esquecido.

Quando o pai ele, sei lá, trabalha em um, dois, três empregos, ninguém vai falar nada pra ele. Se a mulher ela cuida dos filhos, que é o que geralmente acontece, cuida dos filhos ou, sei lá, faz uma faculdade também, trabalha e tal, ela sempre é aplaudida, ela sempre vai falar, o pessoal vai falar: "Ah, é uma guerreira", aquele negócio todo e tal. É...

Bia Ben

E pra mim tinha que ter mais. Ela tinha que passar mesmo, ser muito aplaudida, o pessoal tipo: "Uhul, vai guerreira", porque ela realmente é uma guerreira.

Participante

Não, ela é.

Bia Ben

É.

Participante

Mas a questão, a questão justamente dessa que eu tô, que eu tô falando é: você tá, pra mim, você tem essa perspecção, essa, essa perspecção, pers-

Bia Ben

Não, eu entendi qual é o seu ponto.

Participante

Perspectiva.

Bia Ben

Você disse pra mim que o pai trabalha em três empregos ou sei lá quantos empregos e a partir dali ele não tem uma percepção de tudo que ele fez, ele não tem uma pessoa tipo parabenizando ele.

Participante

Não, não, não é a respeito dele.

Bia Ben

Ele merece um prêmio.

Participante

É a respeito das pessoas. Eu entendo que o seu ponto de vista, ele é justamente por conta disso, por conta desse esquecimento do papel que o pai tem dentro da família.

Bia Ben

Agora, eu acho que a gente tá focando de novo nessa questão do pai, do pai, do pai, e pra mim ser mãe é o trabalho mais difícil do mundo, porque simplesmente você tá criando um ser humano. E não existe trabalho nesse mundo que você vá formar o caráter-

Participante

Mas o pai também cria o ser humano, esse mesmo ser humano.

Bia Ben

Ele cria, ele cria. Mas e, eu tô falando aqui que ela vai se dedicar a essa criança vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, trinta dias do mês.

Participante

E o pai também.

Bia Ben

A gente tava falando de pais aqui, por exemplo, que saem pra trabalhar e são provedores. E eles ficam pouco tempo com essa criança.

Participante

Mas aí você tá falando de uma-

Bia Ben

Quem tá a maior parte do tempo com essa criança?

Participante

De uma, de uma, de uma mãe específica.

Bia Ben

Eu acho que se eu-- eu acho, não, não.

Participante

Cê tá falando da mãe-

Bia Ben

Eu tô falando da maioria em casa

Participante

Da mãe que tá em casa cuidando dos filhos e cuidando da casa, porque aí sim.

Bia Ben

Não, eu tô falando, não, eu tô falando da maioria. E pra, na minha concepção, as pessoas que mais vão se aproximar ali de ajudar nessa cocriação desse caráter ali são professores, que passam tempos também com essa criança. Então, numa creche, na escola, a gente vai aprender, a gente conversa. Eu mesma, tipo, tinha amores por vários professores e eles me ajudaram a criar o, ideais que eu tenho até hoje formados.

Então, assim, só que a minha mãe é a minha referência E eu tive um bom pai. E meu pai também tem, tem momentos ali que ele foi minha referência e ele foi presente pra mim até onde ele pôde, porque ele faleceu. Mas o ponto aqui é que não existe nenhum trabalho em que você vai poder dizer que você não tem, tipo, um momento pra respirar. E você sendo mãe, você tá doente ou não tá doente, cê vai cuidar da criança.

Cê não tem folga, não tem como botar testado, não tem o que fazer. Agora já o pai-

Participante

Eu ainda, eu ainda acho que existe o recorte. Eu acho que-

Bia Ben

Maioria! Obrigada, amigo.

Participante

Valeu.

Bia Ben

Tamo junto. [som de batida] Oh my God! [risos]

Participante

Sai daí.

Participante

Chega aí, chega aí, chega aí.

Participante

Não, sai daí. [risos]

Participante

Não, desculpa, é porque eu, eu tenho que falar, tocar nesse assunto.

Bia Ben

Não, e você tem uma situação ali com...

Participante

Claro.

Bia Ben

Sim.

Participante

Bom, vim agora pra concordar com você, gênero, número e grau, em relação à mulher sofre muito mais que os homens, principalmente quando ela não tem o apoio de um homem, que é o pai da criança.

Bia Ben

Sim.

Participante

Então eu quero aparalizar a minha filha Tarsila, porque ela vai ser mãe agora em outubro. Ela não teve nenhum apoio da pessoa que fez promessas e que garantiu mundos e fundos, mesmo ela sendo uma mulher linda e independente. Hoje ela sofre com, é, esse abuso emocional, com a falta de presença do pai.

Bia Ben

Maioria! [som de batida] Eita, tá tudo bem.

Participante

Bia, voltamos.

Bia Ben

Voltamos.

Participante

Bia, eu discordo, tá? Porque existem mulheres que elas só colocam filhos no mundo também, tá?

Bia Ben

Claro, existe.

Participante

Então acontece. Eu cuido do meu filho, meu filho mora comigo-

Bia Ben

Cê sabe mais ou menos qual a porcentagem dessas mulheres?

Participante

Não, não sei dizer.

Bia Ben

É, então a gente não pode dizer se elas são as mai-- a maioria, a minoria, mas assim, a gente olhando prum total de-

Participante

Existem, mas existem.

Bia Ben

Existir não é ser a maioria.

Participante

Mas existem, igual a dez por cento, né? De mães solos.

Bia Ben

Existir não é ser a maioria.

Participante

Tem, existe dez por cento de mães solo que não escolheram o pai, o pai da criança.

Bia Ben

Poderiam existir dois por cento na... É o quê?

Participante

Existem mães dez, sete, de mães solo-

Bia Ben

Não é sobre esco-- não é sobre...

Participante

Que não só não escolheu o pai da criança.

Bia Ben

Não é sobre escolher o pai da criança, é sobre o pai não ser pai.

Participante

Isso é fato. Isso é fato.

Bia Ben

É sobre o pai não ser pai, e é sobre ela fazer sacrifícios-

Participante

Mas vamo lá

Bia Ben

Que independente do pai ser pai ou não ser presente, ela vai fazer.

Participante

Existem, existem mulheres que só colocaram o filho no mundo.

Bia Ben

Eu juro que eu achei que essa pergunta fosse você, não é pra mim.

Participante

Existem, existem mulheres que só colocaram o filho no mundo, que não fazem questão de ser presente na vida da criança.

Bia Ben

Tá, existe aí.

Participante

Entendeu? E outra parte também de mães, que não sei a porcentagem, que é do mundo corporativo. Elas pensam em só trabalhar e não tem tempo de qualidade, porque eu conheço pessoas assim.

Bia Ben

Nossa, citamos o mundo corporativo e eu amei. Quantos homens pensam só em trabalhar, só na carreira deles, só neles-

Participante

Mas aí é a questão

Bia Ben

Só nas mulheres que eles querem conquistar e a vida deles.

Participante

Se o homem não tá lá pra sustentar a criança-

Bia Ben

Se o homem não cria o filho dela, ela não presta.

Participante

Se não paga pensão, a justiça prende.

Bia Ben

Se a mulher não cria o filho dela, ela também é vagabunda.

Participante

Aí se a mulher-

Bia Ben

Então a gente tá usando aqui, hã...

Participante

E se a mulher abandona a criança, a justiça não faz nada. Agora se o pai-

Bia Ben

A justiça não faz nada?

Participante

Não faz.

Bia Ben

Se o pai recorrer, faz.

Participante

Não faz.

Bia Ben

Se o pai recorrer, faz.

Participante

Tem o caso do nosso amigo que falou, que apresentou aqui e não aconteceu.

Bia Ben

Então cadê ele aqui? Cadê ele aqui?

Participante

Não aconteceu nada.

Bia Ben

Pra falar o caso dele. Se o pai recorrer, faz.

Participante

Não faz.

Bia Ben

Faz, faz, sim.

Participante

Não faz. Já viu algum caso que já fez?

Bia Ben

Já vi.

Participante

Quantos por cento?

Bia Ben

Já vi. Eu já vi algum caso.

Participante

Quantos por cento? A porcentagem.

Bia Ben

Eu não tenho dados, você tem dados?

Participante

Ah, não tenho então.

Bia Ben

Os tipos também, nós não temos dados.

Participante

Não, então. Então cê não pode falar. Também da mesma maneira.

Bia Ben

Exatamente. Então vamo ficar isso aí.

Participante

Cê entendeu?

Bia Ben

Vai lá, meu amigo. Tamo junto.

Participante

Mas, mas ex-- um exemplo, eu cuido do meu filho.

Bia Ben

Hã.

Participante

Meu filho...

Bia Ben

Maioria! Vai, ah, pelo amor de Deus. [som de batida] Pô, dessa vez ninguém te empurrou.

Participante

Cê viu?

Bia Ben

Gostei.

Participante

Mas eu voltei.

Bia Ben

Tá, você também não tem essa coisa não, né, de que você não soube escolher o pai da criança.

Participante

Não, não, não. Eu acho que assim, você, inclusive, tenho que te parabenizar.

Bia Ben

Obrigada.

Participante

Além da tua, a boa argumentação, cê tem uma retórica ótima, o ponto que eu acredito que-

Bia Ben

Cê também. Cê é advogado?

Participante

Sou advogado.

Bia Ben

Percebi.

Participante

É, inclusive, assim, nessa questão do direito, é, vou até te ajudar na, na questão da guarda compartilhada.

Bia Ben

Sim.

Participante

A guarda compartilhada não significa uma semana e uma semana. Significa, na verdade, compartilhadas decisões da vida da criança.

Bia Ben

Uhum.

Participante

Então, a decisão de uma escola: "Ah, a Bia quer que estude na escola X", ela tem que consultar com o pai também, independente de ser divorciado ou não.

Bia Ben

Sim. Quer viajar, consultar com o pai.

Participante

Isso.

Bia Ben

Legal.

Participante

Vai sair do estado, enfim.

Bia Ben

Então mesmo com guarda compartilhada, o pai não é obrigado a dar presença pra criança, às vezes apenas dinheiro, né? Isso é triste.

Participante

Não, não, não. A presença dele se dá com aquela visita que tem que ser agendada. Agora-

Bia Ben

É, mas duas vezes no mês você não conhece ninguém.

Participante

Isso, não, lógico.

Bia Ben

Se você vê seu amigo duas vezes no mês, você não conhece ele, quem dirá seu filho.

Participante

Com certeza. Isso pra mim não é algo que tem que existir. É, o ponto-

Bia Ben

É, eu concordo. Eu concordo.

Participante

O ponto que eu acho que todo o teu debate tem que ser levado em consideração é a tua visão do que é ser pai, porque todos os teus argumentos são muito razoáveis.

Bia Ben

Sim.

Participante

São muito razoáveis.

Bia Ben

Muito obrigada por isso.

Participante

O ponto, é, crucial é que nós vivemos numa sociedade predominantemente cristã, católica, evangélica, mas é cristã.

Bia Ben

Tô entendendo.

Participante

Que acredita em Deus. O dogma da igreja cristã é a família.

Bia Ben

Sim.

Participante

E a família como pai provedor. Então o pai de verdade, que muitos aqui são pais de verdade, eu sou pai de verdade, eu do-dou a vida pela minha filha, cuido dela com unhas e dentes.

Bia Ben

E é isso.

Participante

E eu vou prover a família e ela, e assim, a minha filha ela vai ser o que ela quiser na vida dela, porque ela tem um pai.

Bia Ben

Que bom.

Participante

E essa é a figura do pai. Então, quando você fala num debate, eu acho que tem que separar do que é ser um pai de verdade, e aí-

Bia Ben

O que é, o que isso é ser um pai de verdade pra você?

Participante

Um pai de verdade é estar presente na dor, é dividir com a esposa, como eu disse, o sacrifício.

Bia Ben

Um pai de verdade é estar presente-

Participante

Cê lembra quando eu disse que não tem-

Bia Ben

Financiarmente também.

Participante

Presença-

Bia Ben

Dar amor pra criança.

Participante

A questão financeira é condição sine qua non, é, é obrigação.

Bia Ben

A gente, cê vê o que a gente tá discutindo, porque pra mim também pai de verdade é isso.

Participante

A gente discute exatamente pelo fato de quando você disse da questão do patrimônio, do sacrifício.

Bia Ben

Tá.

Participante

Que a mulher, ela tem mais sacrifício.

Bia Ben

Tem, ela tem.

Participante

Na verdade, não, o pai, ele tem que ter sacrifício igual.

Bia Ben

Ó, eu tô vendo que cês tão voltando nos temas.

Participante

Sim, mas é, é só pra você entender que a figura do pai-

Bia Ben

Hã

Participante

A figura do pai, na tua visão, tem que ser corrigida pra o que é um pai de verdade. Porque aqui, quando todo mundo discorda de você-

Bia Ben

Não, calma, calma, calma, calma. Você tá dizendo pra mim que eu não sei o que é um pai de verdade, e você tá tentando corrigir o que é um pai de verdade.

Participante

Você não consegue enxergar o que é, o que é a figura masculina de um pai provedor de verdade.

Bia Ben

Você acabou de me dizer qual é a sua opinião de um pai de verdade, que é um pai que dá presença pra criança, é um pai que ajuda financeiramente e pra ele-

Participante

É um pai que divide todas as atribuições com a mãe.

Bia Ben

E eu concordo.

Participante

Cem por cento, é isso.

Bia Ben

Então aonde eu não sei ver um pai de verdade?

Participante

Em mim.

Bia Ben

Não, eu-- você acabou de falar que é, eu te parabenizo.

Participante

É isso.

Bia Ben

Não, parabéns, cê é um pai de verdade.

Participante

E aí, o que você precisa enxergar é isso.

Bia Ben

Enxerguei.

Participante

Que, na verdade, quando você fala assim, aí você, você tava discutindo com o rapaz.

Bia Ben

Obrigada. Mas cê é um pai de verdade, fica de boa É isso aí. Vocês precisam muito de validação, gente. Vocês precisam se olhar e ter certeza que são pai de verdade. E é isso aí.

Participante

Vai me dar o selo?

Bia Ben

No, é, é, não, eu não vou te dar um selo, tipo assim: "Vem aqui, garota, agora desfila o pai de verdade". Não é isso, gente. Vocês são pais e é isso. E ser pai não é a co-- não é pra vocês serem aplaudidos, não. Você é aplaudido quando você vence um campeonato, você é aplaudido quando você bate a meta da tua empresa-

Participante

Mas não-

Bia Ben

...quando você consegue um bilhão de reais. Agora, o pai, ele não tem que ser aplaudido por ser pai, porque a mãe não é aplaudida por ser mãe. Eu não fui aplaudida quando eu pari, eu não fui aplaudida quando eu quase morri depois de ter parido meu filho. Eu não fui aplaudida por amamentar e o sofrimento ninguém viu. Eu não fui aplaudida por criar um filho sozinha. O que eu tô explicando pra vocês é que a mãe não é vista.

Oh, my God! [risos] Não, tá. A gente já se falou?

Participante

Não.

Bia Ben

Só de longe, né? Teu nome?

Participante

Marcelo Frias.

Bia Ben

Marcelo, é o que eu falei com vocês, eu já tô com o rostinho na cabeça.

Participante

É, bom, a pauta é a mulher, a, a mãe tem o trabalho mais difícil do mundo. E aí eu acho que tem que ter não a supervalorização do trabalho da mãe.

Bia Ben

Não tem que ter.

Participante

Mas a equidade do trabalho de ambos.

Bia Ben

Sim, se ambos fizerem seu papel.

Participante

Exato.

Bia Ben

Então fechou, tamo junto.

Participante

Então, mas n-a-

Bia Ben

Se ambos fizerem seu papel, a gente tem uma família perfeita-

Participante

Mas o meu ponto-

Bia Ben

...e é isso que é meu sonho

Participante

...é que não é que a mãe tem o trabalho mais difícil do mundo, é que os dois têm um trabalho difícil.

Bia Ben

Mas a mãe tem mais.

Participante

É igual. Discordo.

Bia Ben

A gente não, não-

Participante

Cada um nas suas funções.

Bia Ben

A gente não tem como discutir que um pare e outro não.

Participante

Não, não, essa-

Bia Ben

Um gesta, outro não

Participante

...essa parte é biológica, a gente não precisa resolver.

Bia Ben

Não, mas a gente não pode, a gente não pode ignorar essa parte, a gente não pode esquecer essa parte.

Participante

Você não escolheu ser f-mulher e eu não escolhi ser careca. A gente nasceu assim.

Bia Ben

Tu nasceu careca?

Participante

Não.

Bia Ben

E tu não raspou a cabeça?

Participante

Não, eu sou-

Bia Ben

Você escolheu, sim, ser careca, cara. Que loucura, eu esco-

Participante

Não, a natureza quis que eu fosse.

Bia Ben

Ah, não. Gente.

Participante

A natureza quis que eu fosse, mas o meu ponto aqui é que temos-

Bia Ben

Ai, eu não escolhi ser careca, juro.

Participante

Não escolhi.

Bia Ben

Ah, não. Você não escolheu ser mulher, e olha, eu não escolhi ser careca, não foi nem escolher ser homem. Tá, vamo lá. Oh, meu Deus.

Participante

Eu não escolhi. Mas o ponto aqui não é esse, o ponto aqui é que temos-

Bia Ben

Mas trouxe esse

Participante

...trabalhos e divisões diferentes.

[risos]

Participante

O ponto que eu trouxe é re-é rela-relação à biologia, e não é esse o, o ponto em questão. O ponto em questão são as funções.

Bia Ben

Sim.

Participante

E a mulher não tem o trabalho mais difícil do mundo, na minha opinião, porque ela tem as funções dela enquanto mãe, assim como o pai tem as funções dele enquanto pai. E num casal estruturado, aí eu não tô falando de pai solo ou mãe solo, mas num casal estruturado, eles têm que conversar e dividir essas funções.

Bia Ben

Mas tem função que não tem como dividir. Eu não tenho como dividir com você que meu filho tem que mamar no peito. A não ser que eu fique dormindo e você bote o meu filho mamar no peito, que não é uma realidade. O que eu tô te explicando é que eu não tô tirando o seu papel de pai, tá? Tá? Se você é um bom pai, eu te respeito por isso.

E tá tudo certo você ajudar. Mas existe um momento ali-

Participante

Não é ajuda.

Bia Ben

É, exatamente. Existe um momento ali que nesse início, ele precisa, a criança precisa muito da mãe. Então é por isso que é difícil. Eu não tô invalidando os pais, entende? Os pais são superimportantes.

Participante

Aí cê voltou pra biologia.

Bia Ben

E aí, por exemplo... Não, eu não tô invalidando, os pais são superimportantes. Só que existem momentos que é só a mãe. Mesmo depois de t-- de novo, voltando pra bio-da biologia, mesmo depois de tudo que ela passou, ela vai ter que se dedicar ali sete dias por semana, trinta dias no mês, e ela não tem o que fazer, ela tem que fazer aquilo ali, porque ela precisa cuidar do filho dela, e ela quer, porque ela quis aquele filho.

Eu não tô falando que é um problema nem um peso, eu só tô dizendo que é difícil. A gente tem coisas que a gente quer na vida, mas a gente encara aquele desafio.

Participante

Bem como o pai tem as questões dele.

Bia Ben

Sim, mas o pai-

Participante

Ele vai acordar cedo

Bia Ben

Exatamente, ele vai cuidar também.

Participante

Ele vai acordar cedo.

Bia Ben

Não quer dizer que não passou a madrugada acordado. Não necessariamente.

Participante

Entendi.

Bia Ben

Não necessariamente. Não necessariamente. Pode ser que ele tenha passado a madrugada acordado, mas tem coisas que vai depender só da mãe. E aí eu, eu tô sentindo que biologicamente você não tá conseguindo pegar isso daqui, porque, por exemplo, você pode cuidar de uma criança de cinco anos? Óbvio. Mas às vezes um bebê de um mesinho, você até quer ajudar, porque eu sei que tem pais que querem, tipo: "Por favor, eu quero te dar apoio, eu quero exercer minha paternidade".

Participante

Mas cê não acha-

Bia Ben

Mas no início, ele não consegue.

Participante

...que ao falar isso, você-

Bia Ben

E nisso aqui, eu não tô dizendo que você é ruim.

Participante

Deixa eu, te fazer uma provocaçãozinha.

Bia Ben

Eu tô dizendo pra você que o, a maternidade-

Participante

Sim

Bia Ben

...é o trabalho mais difícil do mundo, e isso é um fato. Não é sobre o pai ser bom ou o pai ser ruim. E eu acho que vocês tão sentindo que eu tô atacando vocês. Não, eu não tô atacando vocês como pai.

Participante

Não, não, não, de maneira nenhuma.

Bia Ben

Mesmo que a mãe tenha um bom pai-

Participante

Eu só acho que você enaltece muito o trabalho da mãe-

Bia Ben

A maternidade ainda vai ser difícil

Participante

...desmerecendo um pouquinho o trabalho do pai.

Bia Ben

Não, é que vocês-

Participante

E eu acho que a gente tem que fazer uma equidade da parada, porque todo mundo tem seus-

Bia Ben

Obrigada

Participante

...suas funções.

Bia Ben

[risos] Oi, tudo bem?

Participante

Olá, Bia, tudo bem?

Bia Ben

Prazer.

Participante

Meu nome é Sérgio.

Bia Ben

Tudo bom, Sérgio?

Participante

Eu vou fazer quarenta anos de casado.

Bia Ben

Que legal.

Participante

Tenho três filhos, duas filhas e um filho. E assim, é lógico, você tá correta com a sua afirmação, porém, a gente também, é, eu vejo assim: a atribuição dos pais é separado, a medida e o peso. E tem que ser, porque quando um assume mais do que o outro, alguma coisa tá errada, tá errada, né? Então eu vejo assim: eu tive total participação na vida dos meus filhos.

Desde da gestação da minha esposa, eu acompanhei todos a, as visitas ao médico. Então, ser pai é isso, é participar.

Bia Ben

Exato.

Participante

Né? Eu acho que hoje o nosso debate aqui tem que ser pra enaltecer a juventude, os jovens que estão aí, pensar duas vezes em formar uma família.

Bia Ben

Com certeza.

Participante

Tamanha a importância que é a família. Então eu vejo assim, isso é ser pai. É lógico, é, depois que você contou-

Bia Ben

Muito coerente da sua parte, Sérgio. Concordo com você

Participante

...depois que, depois que você contou que o seu esposo faleceu-

Bia Ben

Sim

Participante

...então tá claro, né, que você assumiu tudo isso pra você.

Bia Ben

Assumi.

Participante

Né? É diferente de outras pessoas que são solas, porque a, foram abandonadas, né?

Bia Ben

E que mesmo assim assumiram tudo pra elas, porque no, o fato de ser abandonado e de ele ter falecido não vai tirar o peso de você criar uma criança sozinha, que é muito pesado. E é claro que se eu pudesse escolher, o pai do meu filho estaria aqui.

Participante

Sim.

Bia Ben

Ele teria essa referência masculina. É claro que se eu pudesse escolher, eu poderia ter meu pai aqui comigo hoje. Há pouco tempo eu fiz uma das coisas que foi a coisa mais feliz da minha vida, que foi dar uma casa pra minha mãe. E eu fico imaginando, será que eu poderia dar um carro pro meu pai?

Participante

Poderia.

Bia Ben

Qual seria a que, qual seria o carro perfeito que meu pai a-amaria? Eu, essas perguntas nunca vão sair da minha cabeça.

Participante

Eu sei.

Bia Ben

Eu sou, eu entendo super a sua visão de família, e é uma visão que eu tenho também. E que se Deus quiser, eu vou casar e eu vou ter filhos, e esses filhos vão ter um pai. E tudo que eu quero é que as crianças tenham pais. A questão aqui é que sim, o pai é superimportante, eu concordo com você. Uma mãe nunca vai substituir um pai, e o pai nunca vai substituir uma mãe.

Mas o que eu tô te explicando é que independente de tudo isso, por conta dessas situações biológicas que são indiscutíveis, o peso é maior pra ela.

Participante

Sim.

Bia Ben

O trabalho é maior pra ela.

Participante

Sim.

Bia Ben

Mas é claro que é trabalhoso pros dois, porque se você é um pai maravilhoso, como eu tô vendo que você é diante da sua fala, que exerce o seu papel, vai ser pesado. Porque criar uma criança, formar uma criança não é fácil.

Participante

Não, é isso que eu quero-

Bia Ben

Eu sei.

Participante

É, é nesse ponto que eu quero dizer. Porque a pessoa pra assumir essa responsabilidade de ser um pai ou de ser uma mãe, tem que pensar em tudo isso. Às vezes, é, gera-se uma criança sem esse pensamento. Então dá-se a impressão que depois, ah, paga uma pensão. Hoje em dia as pessoas pagam a pensão, é Tem pais que paga pensão, dá a impressão que tá dando uma esmola pro filho.

Bia Ben

É.

Participante

Né? É ridículo isso.

Bia Ben

É.

Participante

Porque eu vejo assim: é, ser pai é, é ser pai sempre, presente.

Bia Ben

Exato.

Participante

O tempo todo.

Bia Ben

Ser pai não é só dinheiro, ser pai é presença.

Participante

Totalmente.

Bia Ben

Totalmente.

Participante

O seu filho vai lembrar de você, o carinho que você deu pra ele, não o dinheiro que você deu pra ele.

Bia Ben

Exatamente, então a gente concorda, Sérgio. Totalmente.

Participante

Então tá bom. [riso]

Bia Ben

Totalmente. Adorei debater com eles, inclusive já disse pra eles que eu amei todos. Eu gostei muito, achei que foi um debate muito interessante, onde eles colocaram os pontos deles e eu os meus. Quero dizer aqui que eu não sou contra pais, muito pelo contrário, acho que o ideal da família é que tenha um bom pai, uma boa mãe, pra gente ter uma criança ali completamente, é, como eu posso dizer?

Completa. Amparada e feliz, amém. Brigada. Uma criança amparada e feliz, mas completa, né? Porque uma criança que não tem a mãe, ela vai ser incompleta e que não tem o pai, vai ser incompleta também. E isso é um fato, infelizmente. E é isso. Mas acima de tudo, eu tive uma mãe que foi só mãe, porque eu não tive o pai, meu pai morreu, eu tinha seis anos, então parabéns pra todas as mães solos desse Brasil, que fazem muito esforço pra poder criar os seus filhos.

E eu sei que não é fácil. E que nenhum pai entenderia tá na nossa pele, porque é muito complicado. E por mais que a gente tenha que a obrigação de criar os nossos filhos, mas vai pra além disso, porque tem amor. Então, parabéns também pra vocês, que são ótimos pais, pra todos que sentaram aqui comigo e pros que não sentaram também, que eu sei que exercem esse papel e eu admiro vocês.

E eu esperava que todos os homens fossem assim, bons pais, presentes e que amassem tanto os filhos ao ponto de não conseguir viver sem eles. Era o meu sonho ideal. E é isso, gente. Acima de tudo, feliz Dia dos Pais. Um beijo no coração de vocês. [aplausos] É isso.