1 Mãe vs 30 Pais (Canal Foco) https://www.youtube.com/watch?v=lnk79GbXOOo [00:00] Bia Ben Eu não fui aplaudida por criar um filho sozinha. O que eu tô explicando pra vocês é que a mãe não é vista. [00:04] Participante É, só pra você entender que a figura do pai- [00:07] Bia Ben Hã. [00:07] Participante Na tua visão, tem que ser corrigida pra, pro que é um pai de verdade. E as pessoas assim- [00:12] Bia Ben Nossa, citamos o mundo corporativo e eu amei. Quantos homens pensam em trabalhar só na carreira deles, só neles- [00:16] Participante Mas aí é a questão- [00:16] Bia Ben Só nas mulheres que eles querem conquistar- [00:17] Participante Se o homem não trabalha, é um vagabundo. Se o homem não tá lá pra sustentar a criança- [00:20] Bia Ben Se a mulher não cria o filho dela, ela não presta. Se a mulher não cria o filho dela, ela também é vagabunda. Então a gente tá usando aqui- [00:25] Participante E se a mulher abandona a criança, a justiça não faz nada. Agora se o pai- [00:28] Bia Ben A justiça não faz nada? [00:29] Participante Então a realidade é essa, a mulher nunca pagou pensão. [00:32] Bia Ben Nunca. Você tem certeza do que cê tá falando. Isso é um fato. Cê tá baseado no quê? [00:35] Participante Eu tenho certeza até onde enxergo minha realidade. [00:35] Bia Ben Que nenhuma mulher no mundo pagou uma pensão. [00:38] Participante Ok. A cobrança da mulher, ela é exagerada em que ponto? [00:41] Bia Ben Por que você acha isso? [00:42] Participante Porque você disse que foi, era um problema você ter que amamentar. Você quis dizer isso na tua fala. [00:46] Bia Ben Não, amamentar nunca é um problema, na verdade é uma benção. [00:48] Participante Você quis dizer isso. [00:48] Bia Ben Eu não disse que um pai, ele não vai ter uma cobrança. Pai tem cobrança como mulher também tem. [00:52] Participante Perfeito. [00:52] Bia Ben Só que a mulher vai ter essa cobrança em dobro. [00:54] Participante É, não sei o que te fez crer que esse argumento faz sentido, mas pra mim tá descolado da realidade. Bia, vamo lá. [01:00] Bia Ben Vamo. [01:00] Participante Polêmica agora, vamo esquentar a parada. Sem dinheiro, o que que uma mãe faz? [01:06] Bia Ben Oi, gente. Eu sou a Bia Ben, sou influenciadora e mãe de um bebê lindo de seis anos que é o Benjamin. Ai, ele é lindo, eu sou apaixonada. E hoje eu tô cercada por trinta pais. Mães fazem mais sacrifício do que os pais. Tudo bem? [01:29] Participante Tudo bem. [01:30] Bia Ben Prazer. Qual seu nome? [01:31] Participante Prazer. Sérgio. [01:32] Bia Ben Tudo bom, Sérgio? [01:33] Participante Olha, discordo. Mães não fazem mais sacrifícios do que os pais. Até porque eu sou pai, tenho uma filha de cinco anos e a minha rotina inteira é baseada na rotina da minha filha, tal qual a da mãe dela. Então assim, no mínimo, não tem uma disparidade. Existe sim um equilíbrio ali nas responsabilidades. É, não sei o que te fez crer que esse argumento faz sentido, mas pra mim tá descolado da realidade. [01:58] Bia Ben Entendo. Eu acho muito legal você ser um pai presente, isso é incrível pra sua filha. Mas eu acho que, acho não, né, tenho certeza, biologicamente falando, uma mãe vai parir uma criança, né? O corpo dela vai mudar por muito tempo, ela vai gerir aquela criança, aquela criança vai, é, crescer dentro dela, né? Eu, por exemplo, eu era muito magra quando eu tive meu bebê. E aí os, os órgãos da mãe, ela, eles ficam pressionados enquanto aquela criança cresce dentro dela e ela vai parir aquela criança. Então, assim, biologicamente falando, é óbvio que ela vai fazer mais sacrifício. Agora eu entendo que você ajuda sua mulher, tipo, é, você f-falou que é cinquenta, cinquenta, né? Tipo, você faz tudo que ela faz. E isso é certo, porque na verdade não é uma ajuda, né? O pai não vem ajudando, ele tem que ser pai, ele, você exerce o papel de pai e esse é o correto. E assim, é, quando uma criança, um bebê, um recém-nascido, ele acaba de nascer, existem coisas que cê não vai poder fazer por ele, como amamentar, né? Ou às vezes ele vai querer aquele colo da mãe que você não vai conseguir dar. Então, sem contar que ela tá muito debilitada, porque ela acabou de parir, seja normal ou cesárea, ela acabou de passar por uma cirurgia e ela vai cuidar de alguém. E o parto é a única cirurgia onde uma mãe vai, né, ficar debilitada e ela vai cuidar de alguém e não alguém cuidar dela. A gente faz qualquer cirurgia, alguém cuida da gente e não a gente cuida de alguém. Então, na minha concepção, a mãe faz mais sacrifícios também por essa questão biológica. Tem muitas outras questões. No seu caso, que é um caso ótimo, que a sua esposa tenha você, é maravilhoso. Mas existem mulheres que não têm, né? São mães solos e ainda assim elas têm que dar conta de cem por cento desse trabalho pra além de estarem debilitadas pós toda uma situação que é o parto e é, que é uma loucura. Enfim, é uma loucura. [03:26] Participante Você é casada? [03:27] Bia Ben Não. [03:28] Participante Então talvez já comece por aí o, a, o teu problema, na verdade. O que você apresentou pra gente que foi um problema, que de fato- [03:33] Bia Ben Não, não é um problema. [03:34] Participante É, é um problema, na sua concepção, tudo que você falou foi numa forma e num caráter negativo, quando, na verdade, o pai tá presente na vida da criança, independente dessa questão biológica. Até pelo fato de que você falou que tem uma menina, não é? [03:45] Bia Ben Não. [03:45] Participante É um menino? [03:45] Bia Ben Um menino. [03:46] Participante Uma meni-- no meu caso eu tenho uma menina. O vínculo dela com o pai, ele, ela é assim, carnal, eu te afirmo isso. [03:52] Bia Ben É, eu acho, eu tô entendendo- [03:53] Participante Até pelo fato de que- [03:53] Bia Ben O que você tá falando do vínculo, mas aqui não é sobre vínculo, é sobre fatos. [03:56] Participante Sim, a, você disse sobre obrigações. [03:58] Bia Ben A mãe vai parir e o pai não. [04:00] Participante Só que a mãe- [04:00] Bia Ben Isso não é uma reclamação. [04:01] Participante Não, claro. [04:01] Bia Ben O que eu tô te explicando é que são fatos. É como o dia vai tá claro e a noite vai tá escura. É fato. [04:05] Participante Todos os teus argumentos foram em caráter nega-negativo, né. [04:08] Bia Ben Por que você acha isso? [04:09] Participante Porque você disse que foi, era um problema você ter que amamentar. Você quis dizer isso na tua fala. [04:13] Bia Ben Não, amamentar nunca é um problema, na verdade é uma benção. [04:15] Participante Você quis dizer isso. Claro que é uma benção. [04:16] Bia Ben Ser uma bênção não significa que não é difícil. [04:18] Participante Da mesma forma que um pai acordar de madrugada pra mãe poder descansar depois que ela amamentou e fazer a criança arrotar também é uma bênção. [04:24] Bia Ben Você acha equivalente amamentar e acordar de madrugada pra ajudar um bebê? [04:29] Participante Sem sombra de dúvidas, afinal de contas quando você- [04:30] Bia Ben Equivalente? [04:31] Participante Sem sombra de dúvidas, afinal de contas- [04:32] Bia Ben O peito da mulher fica machucado, o peito da mulher empedra. [04:35] Participante Tá tudo bem. [04:35] Bia Ben Amamentar pra você é equivalente a acordar de madrugada, o que, uma coisa que um pai pode fazer, mas uma avó também, uma babá também. [04:40] Participante Amamentar é uma questão biológica. Agora- [04:43] Bia Ben Sim. [04:43] Participante Que o pai não consegue fazer. [04:45] Bia Ben Mas você falou que eu falei no caráter negativo e amamentar não é negativo. [04:47] Participante Não, você foi negativa. [04:48] Bia Ben Pelo menos pra mim não, porque eu amamentei meu filho até três anos de idade, por exemplo. [04:51] Participante Então qual é a discrepância que existe entre as obrigações do pai com a mãe? [04:53] Bia Ben A mãe é mais importante, ela faz mais sacrifício, isso é óbvio. [04:56] Participante Talvez, talvez você tenha esse ponto de vista pelo fato de você não ter tido uma pessoa que possa ter te ajudado. [05:00] Bia Ben Não, eu tive pessoas que me ajudaram, por mais que não tenha sido o pai- [05:03] Participante Em algum momento você- [05:04] Bia Ben Mas eu tive pessoas que me ajudaram. [05:05] Participante Em algum momento, é, alguma coisa de ruim aconteceu nesse contexto que te faz crer que os pais não... [05:12] Bia Ben Obrigada. Tudo bem? Prazer. Qual seu nome? [05:22] Participante Roberto. [05:23] Bia Ben Roberto. Nome do meu pai. [05:24] Participante Sério? [05:24] Bia Ben É. [05:25] Participante Então é gente boa ele, né? [05:26] Bia Ben Ele é. [riso] [05:27] Participante Bia, vamo lá. [05:27] Bia Ben Ele era. Ele não tá mais aqui. [05:29] Participante Poxa. [05:29] Bia Ben É. [05:30] Participante Bia, eu discordo. [05:31] Bia Ben Entendo. [05:31] Participante Tá? Essa questão que a responsabilidade, como cê disse, é, a mulher amamenta. Mas se a mulher tiver o parto cesárea, o organismo dela demora muita das vezes pra gerar o leite pra essa criança. [05:43] Bia Ben Entendo. [05:44] Participante Então o pai consegue amamentar essa criança, porque é um leite, tá, de fórmula. Então muita das vezes a mãe que gera uma criança, ela não tem leite pra amamentar. [05:52] Bia Ben Sim. [05:52] Participante Então cê não pode afirmar cem por cento isso. [05:54] Bia Ben Não, eu te entendo. Eu acho que o que a gente tá só, acho que fugindo um pouco, é que aqui não é sobre amamentar ou não amamentar. Amamentar é uma situação que a mãe sim faz um sacrifício, por quê? Mães fazem mais sacrifícios do que pais. Isso pra mim é um fato. Porque, por exemplo, ela amamenta, mas pra além disso ela vai parir. É literalmente uma criança saindo de dentro de você, que não acontece com um homem. Então assim, um dia depois do seu filho nascer, cê tá cem por cento, tá de boa. Se você quiser jogar uma pelada agora, cê consegue. A mãe não. E se for uma cesárea, pior ainda, porque a recuperação é ainda maior, entende? Agora, nesse quesito que eu tô te falando biológico mesmo, biologicamente falando, as mães fazem mais sacrifícios. Vocês não vão parir, não vão ter todos os hormônios de vocês bagunçados, não vai demorar de seis a dois anos pra voltar o seu corpo integralmente, não vai acontecer, entendeu? E mesmo assim O seu caso é casado? [06:38] Participante Não. [06:38] Bia Ben Então, aí você- [06:39] Participante Mas eu tenho um filho. [06:39] Bia Ben Tudo bem, ele tem quantos anos? [06:40] Participante Doze, e mora comigo. [06:42] Bia Ben É bem grande já, né? É doze anos. E mora com você, por exemplo. Mas se por-- quando ele nasceu, se ele tivesse que ficar com a mãe dele, ela ia ficar depois de um parto, eu não sei se foi normal ou se foi cesárea. [06:49] Participante Normal. [06:50] Bia Ben Ela teria que cuidar dele. Normal a mulher se recupera mais rápido porque eu tive normal e eu sei como é que é, mas cesárea ela demora um pouco mais, porque é uma cirurgia, né? Você vai abrir a mulher ali, são sete camadas, é uma loucura. Então o que eu tô te explicando é que biologicamente, por mais que você seja muito presente, e isso é incrível, eu acho que os, os homens têm que fazer exatamente isso, eles têm que ser presentes, eles têm que apoiar a mulher, ele tem que ser pai, entendeu? [07:09] Participante Bia, mas assim ó, o que acontece. É, é, é o processo do parto, a mulher sentir dor. [07:13] Bia Ben Claro. [07:14] Participante É, a, a recuperação do parto normal é diferente do parto cesariana. [07:18] Bia Ben Sim, claro. [07:18] Participante Então essa mulher quando a criança nasce no parto normal, ela já volta pro quarto praticamente noventa por cento recuperada. [07:24] Bia Ben Não, lembrando que uma criança saiu de dentro dela. [07:26] Participante É o processo. [07:27] Bia Ben A gente não foi ali fazer um exercício- [07:29] Participante É o processo, Bia. É o processo [07:29] Bia Ben ...pra poder crescer o glúteo. Uma criança nasceu de dentro dela. É, tipo, saiu, é, ela foi rasgada. Eu posso, se, se você me der, assim, a, o tempo, eu posso te contar o meu relato de parto, pessoal, meu? [07:39] Participante Pode, claro. [07:40] Bia Ben Quando eu tive filho muito nova, né, eu tive o Benjamin. E aí, o que acontece? É, quarenta e cinco por cento das mulheres no Brasil, elas vão sofrer agressão obstétrica, e isso é muito triste. E foi uma coisa que eu sofri, porque forçaram o meu parto normal e eu não tinha passagem. E aí quando meu filho nasceu, ele nasceu com a cabecinha dele amassada, porque forçaram muito esse parto. Eu passei mais de dezesseis horas em trabalho de parto. E pra além disso, o colo do meu útero foi rasgado. E aí eles queriam me levar pra uma sala de cirurgia, e aí não conseguiram. Aí eles pegaram um pedaço de ferro e colo-- me abriram e me costuraram a sangue frio. O que eu tô te explicando é que depois disso, eu tive que levantar, trocar a fralda do meu filho, dar banho no meu filho. Eu ainda tinha o apoio da minha mãe, mas o pai dele, ele fez também, ele trocou a primeira fralda do filho. Primeira fralda do meu filho, quem trocou foi o pai dele, não fui eu. Mas ele tava íntegro. Ele só tava nervoso, porque ele me viu passando por tudo aquilo, mas ele não passou. O que eu tô te explicando aqui é que não é uma questão de, é, ele tá ali, ele tá apoiando, entendeu? Porque você vai tá apoiando, você vai tá sendo pai, você vai tá exercitando o seu papel. A questão aqui é quem faz mais sacrifício. E depois de eu ter parido uma criança, rasgado o colo do meu útero, sido costurada a sangue frio, é, o sacrifício maior foi o meu. [08:47] Participante É, não, mas é o sacrifício do processo do parto. E após o parto? [08:50] Bia Ben Não exatamente. O meu parto, por exemplo, foi uma violência. [08:53] Participante Não, Bia, mas assim, tem momentos que você do parto, o pai não pode passar aquela dor. Você tem passado o processo do parto. [08:58] Bia Ben Eu entendo, mas aqui não é sobre quem pode passar dor. [09:00] Participante Isso não pode fazer a comparação. [09:00] Bia Ben É quem vai fazer mais sacrifício. E a gente concorda que é a mãe? [09:02] Participante Mas é sacrifício, mas é sempre, sempre, sempre vai ser a mulher, porque é o sacrifício seu. O homem não pode chegar lá- [09:06] Bia Ben Então a gente concorda. A mulher faz mais sacrifício. [09:09] Participante Não faz. [09:09] Bia Ben A gente concorda. Eita! [risos] Quase. [09:21] Participante Quem tem oia maior sobe na parede. [09:22] Bia Ben Você deu uma... [09:23] Participante No meu caso, eu tenho uma perna maior. [09:25] Bia Ben É uma perna longa, é? [09:26] Participante Tudo bem, prazer, Vitor. [09:27] Bia Ben Prazer. Tudo bom, Vitor? [09:28] Participante Sou pai de três filhos, sou muito orgulhoso. [09:30] Bia Ben Qual idade? [09:31] Participante É, vinte e sete, quinze e treze anos. Duas meninas- [09:34] Bia Ben Tem mais velho que eu ainda. [09:35] Participante E um menino. E assim, eu discordo- [09:38] Bia Ben Entendo [09:38] Participante ...com você em partes, certo? Acho que a mulher sofre muito biologicamente em relação ao parto, isso é fato, não é? Porém, tem casos e casos. No meu caso, principalmente nos meus dois últimos filhos, eu fui presente muito antes do parto, porque a mãe teve que ficar de repouso por questões até biológicas do, desse primeiro parto dela, então eu tive três empregos. Eu tinha que deixar ela em casa com toda a tranquilidade enquanto eu trabalhava bastante. Após o parto, ela continuou com uma certa dificuldade de amamentar, então meus filhos infelizmente começaram a utilizar Aptamil e eu tive que amamentar todas as noites. Então eu tive noites em claro e acordando cedo pra trabalhar e teve um sacrifício físico e mental e um desgaste que realmente é muito difícil de recuperar. [10:20] Bia Ben Uhum. [10:21] Participante Então é claro que numa parceria, principalmente num casal, tem que ter os dois- [10:25] Bia Ben Cês são casados ainda? [10:25] Participante Não, me separei. [10:26] Bia Ben Tudo bem. [10:27] Participante Certo? Mas assim, continuo presente, meus filhos são as coisas mais importantes do mundo. [10:31] Bia Ben Eu também. [10:32] Participante Mas desde a gestação até o parto, eu acho que uma família, um casal muito bem resolvido, sabe difi-dividir as responsabilidades. E daí não existe o sacrifício em vão. Existe simplesmente a compreensão de que tudo tem que ser melhor pro bem-estar da gestação e da criação do seu filho. [10:47] Bia Ben Super concordo. Eu concordo que não existe o sacrifício em vão. [10:49] Participante Então o homem sofre muito quando tem esse compromisso, principalmente de ajudar no caso de uma mulher que tem dificuldades no parto e pós-parto também. Tanto no caso biológico- [10:57] Bia Ben Sua mulher não pôde amamentar, que você explicou pra mim, não foi isso? [10:58] Participante Não, infelizmente. [10:59] Bia Ben Aí você usou fórmula, certo? [11:01] Participante Exatamente. [11:02] Bia Ben É, é, eu entendo que você teve uma, um cansaço mental e físico, até porque as mulheres também têm um cansaço mental e físico. [11:07] Participante Sim, claro. [11:08] Bia Ben Porque parir é muito cansativo, a gente faz muita força pra criança sair de dentro da gente. Então biologicamente a gente concorda, a mulher faz mais sacrifício. Mas ainda tem a questão de, é, eu particularmente teria ficado arrasada se não pudesse amamentar meu filho. Como eu disse, eu amamentei meu filho até três anos de idade. E existem mulheres que passam pela depressão pós-parto, por exemplo, porque elas têm complicações depois que o filho dela nasce e ela não consegue fazer um monte de coisa. [11:28] Participante Sim. [11:28] Bia Ben Então, é, só dela ter esse apoio, de você ter sido pai, porque passar a noite em claro, ter esse cansaço físico e mental, é ser pai, porque criança dá trabalho. Você tem um filho sabendo que ele vai te dar trabalho. Um recém-nascido dá muito trabalho. Agora que tá grande é mais tranquilo. Meu filho tá com seis anos, eu falo: "Tá, agora é mais tranquilo do que quando tava com seis meses". Mas tem mulheres que passam por isso sozinha, né? No caso da sua, da sua ex-mulher, ainda foi melhor porque ela tinha você. E que bom que ela tinha você. É incrível quando uma mulher ela tem um, um parceiro que é parceiro. Porque a gente sabe também que tem mulheres que têm parceiro dentro de casa que é qua-- é nada, praticamente, entendeu? Ou tem pais também que só saem pra trabalhar e eles não fazem o que você fez de voltar- [12:02] Participante Tem vários casos diferentes, né? [12:03] Bia Ben ...e dar apoio. Exatamente, tem vários casos diferentes. Mas ainda assim Ela passou pelo sacrifício daquela dor psicológica dela de tá num resguardo. Ela tava completamente confusa ainda porque a gente sabe que os hormônios dela tava uma loucura, ela não conseguiu amamentar. E aí vem a frustração, porque tudo que uma mãe sabe é que o filho dela vai nascer e ela vai dar de mamar pro filho dela. Aí ela não gera leite. E aí não gerar leite também, é, tem a ver com a mulher estar muito nervosa. Ela fica, ela fica muito fora de si. Aque-aquelas emoções fazem ela ficar de uma forma que ela não consegue fazer coisas que biologicamente ela conseguia fazer. [12:35] Participante Mas você concorda também que o parceiro, no caso, né, no casal também sofre junto, tanto nas questões emocionais- [12:40] Bia Ben Concordo [12:40] Participante ...e físicas que a mulher- [12:41] Bia Ben Concordo [12:41] Participante ...também sofre? [12:42] Bia Ben Concordo super. Eu só acho que a, que a porção é diferente. [12:45] Participante O desgaste físico dele, assim, o desgaste físico do homem em várias relações- [12:48] Bia Ben Aham [12:48] Participante ...em vários casos é maior, claro, dentro que tem que ir pra o trabalho, tem que voltar, tem que acordar de madrugada, amamentar quando a mãe não pode. Claro que dentro de um balanço, a mãe, como você mesma falou, tem todo esse sofrimento e m-e perda de muitas outras coisas que estão envolvidas- [13:03] Bia Ben Eu acho que o ponto que a gente tá colocando aqui é da sua ex-esposa, que graças a Deus tinha você. [13:07] Participante Não, mas nu-- tem muitos homens aqui também que concordam comigo, que passaram pelas mesmas situações. [13:11] Bia Ben Claro, e tem muitas mulheres que concordam comigo. Então a gente tá, a gente tá completo nisso. [13:15] Participante Eu acho que existe aí a dualidade. [13:17] Bia Ben O ponto, não, o ponto é: você tá me dizendo que você fez mais sacrifício porque a sua mulher tinha acabado de- [13:20] Participante Fisicamente, fisicamente [13:21] Bia Ben ...porque sua mulher tinha acabado de parir e você-- não, eu não concordo. [13:23] Participante E mentalmente. [13:24] Bia Ben Fisicamente, eu acho que ela fez mais sacrifício, porque além de ter pa-- não ter parido, ela também não conseguiu amamentar. [13:29] Participante Mas já é outro tipo da mulher- [13:30] Bia Ben E ainda assim ela te cui- [13:30] Participante Não tô desmerecendo, não tô, não tô desmerecendo nada [13:31] Bia Ben ...ela cuidou zero ou você cuidou de tudo, ou vocês dividiram isso? [13:35] Participante Eu cuidei de certa maneira e de muitos aspectos- [13:37] Bia Ben E ela também [13:38] Participante ...muito mais do que ela. [13:39] Bia Ben Mas ela cuidou também. [13:39] Participante E algumas situações, ela, claro, com certeza- [13:41] Bia Ben Ela cuidou também [13:41] Participante ...como mãe, já tem o próprio instinto materno. [13:43] Bia Ben Então, mas ainda assim ela cuidou de alguém- [13:45] Participante Certo? Que vocês tão muito mais preparadas para ser mãe. E às vezes nós, pais, temos que ser pai e mãe- [13:49] Bia Ben Não concordo [13:49] Participante ...como muitas mães têm que ser mãe e pai. [13:49] Bia Ben Não é toda mulher que tá preparada pra ser mãe. Inclusive, tem mulheres que não querem ser mãe. [13:53] Participante Não querem. [13:53] Bia Ben Exatamente. [13:53] Participante Mas biologicamente, cientificamente, a gente-- vocês, mulheres, já têm já a natureza pra ser mãe. [13:57] Bia Ben Não, isso inclusive é um pensamento completamente machista de uma sociedade. É uma estrutura. [14:01] Participante Se tem pessoas que têm as suas ambições. [14:02] Bia Ben Que vocês acreditam. Não, que vocês acreditam que mulheres têm-- nasceram pra cuidar da casa. [14:06] Participante Não, claro, não, não é isso que eu tô falando. [14:08] Bia Ben Não, criar, criar um filho. [14:08] Participante Não tô falando sobre o machismo. [14:09] Bia Ben Não é exatamente isso. [14:10] Participante Eu tô falando sobre a natureza. [14:10] Bia Ben Não, tem mulheres que não conseguem. [14:12] Participante Não tem nada a ver com machismo, pelo amor de Deus. [14:12] Bia Ben Tem mulheres que não têm aptidão, tem mulheres que não querem. Obrigada. [14:15] Participante Obrigado. [14:16] Bia Ben [risos] E aí, tudo bem? [14:23] Participante Oi, bom dia. E aí? [14:24] Bia Ben Tudo bem? Qual é seu nome? [14:25] Participante Bão. Edson. [14:26] Bia Ben Tudo bom, Edson? [14:27] Participante Bão. Bom, é, discordo, mas vamos dialogar acerca disso. Sou-- vim de uma mãe, né, inclusive minha mãe também, bom, é, tom preto. [14:40] Bia Ben Negrona igual a gente. Aham. [14:41] Participante Negrona. Então eu entendo tudo que você falou aqui. [14:45] Bia Ben Sua mãe era mãe solo? [14:46] Participante Não. [14:46] Bia Ben Só pra perguntar. [14:46] Participante Graças a Deus- [14:47] Bia Ben Tinha seu pai também? [14:48] Participante ...foi três irmãos, os três do mesmo pai, o pai vivo até hoje e tal. [14:52] Bia Ben E apoiava ela? [14:53] Participante Apoiava ela. Assim- [14:54] Bia Ben Que legal [14:55] Participante ...é, tivemos alguns desafios ali com meu pai- [14:58] Bia Ben Hum [14:59] Participante ...pelo entanto de beber um pouco e tal. Então minha mãe, ela passou por alguns momentos de dificuldade na vida ali, mas é mais aquela dificuldade mesmo de casal da década de 80, onde eles casam, então o pessoal vem do Nordeste, casa, então tem aquela, aquela-- culturalmente falando, hoje no Brasil nós temos que- [15:17] Bia Ben É uma estrutura social, acaba. [15:19] Participante É uma estrutura que- [15:19] Bia Ben E que acaba que ela era casada, mas ela ainda assim exercia um papel ali de mãe sozinha em muitas, muitas esferas da vida de vocês, né? Que ele não tava presente. [15:26] Participante Vamos dialogar acerca disso. [15:28] Bia Ben Vamos. [15:28] Participante É nesse tom que eu quero entrar, porque assim, minha mãe teve-- meu pai e minha mãe teve, têm três filhos. Eu entendo que biologicamente a mulher vai sofrer um pouquinho mais que o homem. [15:38] Bia Ben Certo. [15:38] Participante E é a natureza da mulher, não tem como discutir isso aí. Se a gente for discutir, vai ter que chamar Deus. Eu acho que ele tem coisa melhor pra fazer do que falar da biologia que ele mesmo criou. Concorda ou não? Porque ele criou que a mulher vai ter filho e vai sentir dores. [15:52] Bia Ben [risos] Não, não concordo. [15:54] Participante Ok. [15:54] [risos] [15:56] Participante Ok. Então cê pode falar porque você não concorda. [15:59] Bia Ben Não, eu acho que esse é um pensamento limitado mesmo, porque assim, não é sobre você sentir dor ou não sentir dor, é sobre os maiores sacrifícios. E é claro que ela vai fazer mais sacrifício biologicamente. Mas eu também tô aqui pra poder concordar com você e a gente dialogar sobre os outros sacrifícios, como eu tive com os meninos. [16:12] Participante Sim. [16:12] Bia Ben Então eu preciso entender qual o seu outro ponto. [16:15] Participante Estamos, estamos nesse caminho. [16:15] Bia Ben Porque biologicamente a gente concorda. [16:16] Participante Concor-- plenamente. [16:18] Bia Ben Então, acabou. Vamo ver o que a gente não concorda. [16:19] Participante Tá. Meu pai, ele deu todo o suporte pra minha mãe criar os três filhos. [16:23] Bia Ben Qual suporte? [16:24] Participante Eu vim de uma periferia pobre. [16:26] Bia Ben Também. [16:27] Participante Tá? Do lado da minha casa tinha boca, na frente da minha casa tinha outra boca de droga. [16:32] Bia Ben Da minha também. [16:32] Participante Né? Então o que acontece? Meu pai, ele saía cedo e voltava tarde. Pedreiro. Minha mãe ali, aquela senhora que vendia aquele produto ali, cosméticos, não posso falar. Cosméticos, ela vendia. [16:43] Bia Ben Tá entendendo. [16:44] Participante Então ele deu todo o suporte pra minha mãe ficar em casa e cuidar dos três filhos. [16:48] Bia Ben Esse suporte que você tá falando que seu pai deu foi financeiro? [16:51] Participante Financeiro e psicológico também, porque não é fácil criar três homens. [16:55] Bia Ben Psicológico, mas foi pra, pra sua mãe, no caso? [16:57] Participante Pra minha mãe e pros filhos, pros, pros filhos dele, que é... [16:59] Bia Ben Ele te deu suporte psicológico também. [17:01] Participante Isso, também. [17:02] Bia Ben Você em algum momento sentiu falta do seu pai na sua infância? Presença dele. [17:04] Participante Cara, eu senti porque o meu pai é pedreiro, então- [17:09] Bia Ben Aham [17:09] Participante ...às vezes ele viajava, ele pegava alguma obra longe, então a gente tinha que ficar longe. [17:14] Bia Ben Imagino. [17:14] Participante No, no entanto, eu tenho três filhos também. É, o primeiro eu participei muito, porque foi do- [17:20] Participante Licença, gente, deu o tempo dessa pauta e- [17:22] Participante Bia- [17:23] Bia Ben Obrigada [17:23] Participante ...satisfação, eu vou- [17:24] Bia Ben A gente volta nessa conversa. Pagar pensão não te faz um bom pai. [17:34] Participante Acha- [17:35] Bia Ben Oi, tudo bem? [17:35] Participante Oi, Bia, tudo bom? [17:36] Bia Ben Tudo bem. [17:36] Participante É um prazer, João Paulo. [17:37] Bia Ben Tudo bom, João Paulo? [17:38] Participante Bia, vou discordar de você, porque é o seguinte: é, não é o valor da pensão. Um pai de verdade, ele tem que dar amor. Eu sou filho de mãe solteira. Meu pai saiu pra comprar um cigarro, nunca mais voltou. [17:48] Bia Ben Oi. [17:48] Participante Minha mãe criou eu e meu irmão sozinha, foi casada com alcoólatra. Eu tenho duas filhas, Júlia e Maria Luiza. Eu sou apaixonado pelas minhas filhas, então eu só pude ser pai quando eu Tive minhas filhas e pude compreender minha mãe, entendeu assim? Porque assim não é pagar a pensão. Tem mulher que faz o filho pra tirar a pensão do cara, pra ferrar o cara, desculpa a expressão. Então assim, o pai tem que ser pai, tem que dar amor, tem que dar educação, tem que ajudar a esposa. Mas o-o-o, ó, eu vou, vou dar exemplo aqui que eu fico até emocionado com essa, esse tema. É, eu fui pai sem saber o que é ter o amor dum pai. É, como é que eu vou cuidar de duas crianças se eu nunca tive pai? E ainda fui criado por um padrasto que me batia, me espancava. E nem por causa disso, cara, eu poderia fugir, poderia falar: "Não quero ter filho". Hoje meus filhos é tudo pra mim. Eu trabalho em prol das minhas filhas. Eu se eu precisar dar, tirar meu coração pra dar pra elas, eu dou meus olhos, minha vida, porque assim ó, eu pude respeitar minha mãe, fui um cara muito rebelde na minha vida, quando eu tive minhas filhas. Aí eu fui, fui lá falar pra minha mãe: "Esse é o verdadeiro sacrifício, não é o dinheiro. Eu quero o dinheiro hoje pra deixar minhas filhas- [18:44] Bia Ben Você entendeu sua mãe quando você teve filhos? [18:46] Participante Exatamente, entendeu? [18:47] Bia Ben É o que acontece. [18:47] Participante A mesma coisa, o sacrifício que você falou. A, a mulher tem o sacrifício físico e fisco, é, psicológico se ela não tiver. Eu já passei situações com a minha mãe da gente não ter, mano, o dinheiro pra tomar um café e os, e os cara chegar, não é porque é minha mãe, não. Por ser muito bonita, eu queria oferecer o café pra ela em troca de outra coisa. E minha mãe trabalhou de promotora, tá, em mercado, me levava, me colocava debaixo do, do biombo, eu não podia-- uma vez eu engasguei com a maçã, ela quase perdeu o emprego dela. Me criou uma pessoa de respeito, é- [19:15] Bia Ben Qual o nome da sua mãe? [19:16] Participante É dona Vera. Hoje ela, eu tenho duas, ela ajuda as netas dela, tem setenta e três anos, então aprendi com ela que o filho- [19:21] Bia Ben Uma mulher muito guerreira, né? [19:22] Participante Um filho, você também é guerreira, porque ser mãe solo é, é complicado. [19:25] Bia Ben É. [19:25] Participante Por mais que a gente- [19:26] Bia Ben Eu com certeza admiro sua mãe, João. E o fato que você falou sobre, é, não ser valor, eu concordo super com você. Na minha concepção, a criança não entende nem se você dá, sei lá, quatrocentos reais ou mil reais ou quatro mil reais ou muito dinheiro, porque a criança não entende a proporção de dinheiro. O que ela vai entender mesmo é sobre se o pai tá ali, a, né? A-a-na verdade, ser pai é ser presente, né? A criança quer presença. Eu digo isso por mim mesma. Eu tive meu pai seis anos na minha vida e logo depois disso ele faleceu, mas o que mais eu prezei ali, eu nem sei se ele deu pensão pra minha mãe. O que eu mais eu prezei foi a presença dele. Agora, o fato da mulher também, você citou um ponto aí da mulher safada que vai ficar com o cara só pra fazer pensão. [20:00] Participante É. [20:00] Bia Ben Temos que pensar que cara é esse, né? Porque que pensão é essa? A pensão é de duzentos, é de quatrocentos ou é de oito mil, é de dez mil? [20:07] Participante Não, é assim ó, quatrocentos é uma ajuda de custo que é- [20:09] Bia Ben Exatamente! [20:09] Participante Alimentos das despesas, certo? [20:10] Bia Ben Exatamente. [20:11] Participante Só que tem cara que nem dá isso. Então assim, como é que funciona? E tem mulher que- [20:13] Bia Ben Não, então, mas a mulher não vai ficar com o cara pra ganhar quatrocentos reais. [20:15] Participante Não, é, é, tipo, vou dar um exemplo, essas de cara famoso, jogador. Só que qual que é o maior? Eu vou te dar um exemplo que cê vai concordar comigo agora- [20:22] Bia Ben Uhum [20:23] Participante ...e eu vou ganhar. É assim, ó- [20:24] Bia Ben Tudo bem. [20:24] Participante Não, não é- [20:25] Bia Ben Pode ganhar. Vamo lá! [risos] [20:26] Participante Não é o valor, não é o valor do dinheiro, é o valor do sentimento da pessoa tá ali. Qual que é a ma-minha maior frustração? É nunca ter tido pai, até hoje, mas eu consegui superar- [20:33] Bia Ben Eu imagino [20:34] Participante ...através das minhas duas filhas, porque eu dou amor, carinho, respeito e as minhas filhas são minhas amigas, entendeu? [20:38] Bia Ben No final, eu percebi que você concorda comigo. Pagar pensão não te faz um bom pai. [20:42] Participante Não, não, não, a questão, a questão que não é o dinheiro, é você tá presente. Isso vai fazer você um bom pai. [20:46] Bia Ben Pagar pensão não te faz um bom pai. Exatamente, João. Tamo junto. [risos] [20:50] Participante Não, você con-você concordou comigo. É, é. [risos] [20:52] Bia Ben Tá, tá bom, João, você ganhou. Então tudo certo. [20:55] Participante Mais ou menos. [risos] [20:57] Bia Ben Tamo junto. [risos] Vamos, meninos, cadê vocês? Vem! [risos] Tudo bem? [21:10] Participante Prazer. [21:11] Bia Ben Prazer, qual seu nome? [21:11] Participante Pedro. [21:11] Bia Ben Tudo bom, Pedro? [21:12] Participante Mais que, conhecido como Malocrente, depois me segue lá. [21:15] Bia Ben Malocrente, legal. [21:16] Participante Exatamente. O maluqueiro que virou crente. É, vamo lá. [21:18] Bia Ben Você é evangélico? [21:19] Participante Sou. [21:20] Bia Ben Legal. [21:20] Participante Sou evangélico, mas longe dos estigmas da religião. Eu sou padrasto, então eu tenho- [21:23] Bia Ben Você não é pai? [21:24] Participante ...dois meninos. Sou pai. [21:25] Bia Ben É pai? [21:26] Participante Sou pai. [21:26] Bia Ben O pai por escolha, né? [21:27] Participante Exatamente. [21:27] Bia Ben Você escolheu cuidar daquelas crianças. [21:28] Participante E eles me escolheram também como pai. [21:30] Bia Ben Coisa linda. [21:31] Participante É, eu posso falar um pouco melhor sobre essa pauta porque eu vivo isso na pele. Então assim- [21:35] Bia Ben Claro [21:36] Participante ...a questão financeira, ela não é o principal ponto, só que ela faz parte. [21:41] Bia Ben Claro. [21:41] Participante Se a gente falou de sacrifício biológico, a gente tá falando de sacrifício social, certo? Então você concorda comigo que pra que você consiga ser uma boa mãe e pra que você consiga cuidar dos seus filhos de uma forma, é, mais próxima, que você esteja realmente vivendo a maternidade, você precisa de alguém na retaguarda pensando no financeiro. [22:00] Bia Ben Eu acho que essa é o ideal perfeito, né? [22:02] Participante Isso, eu- [22:02] Bia Ben Não necessariamente a gente tem, porque dez porcento das mães no Brasil são solos. [22:06] Participante Tá, mas a gente- [22:06] Bia Ben Então a gente não tem alguém na retaguarda [22:07] Participante ...só que a gente não pode falar dos dez porcento. A gente tem que falar- [22:10] Bia Ben Não, a gente pode falar e deve- [22:11] Participante Mas aí- [22:11] Bia Ben ...porque elas passam na pele uma coisa que é, tipo assim, completamente difícil. Eu faço parte dessas mães, entendeu? Então hoje, por exemplo, é, eu tenho uma vida confortável e posso até pagar por uma rede de apoio, mas tem muitas que não podem. Por exemplo, eu não podia pagar por uma rede de apoio quando eu trabalhava no shopping. E aí eu acordava supercedo, colocava meu filho na creche, ia trabalhar no shopping, batia meta, voltava pra casa, pegava meu filho, tentava passar tempo. Então quando você não tem alguém, como, é, eu esqueci seu nome, mas ele falou... Vitor! O Vitor falou que ele foi um ótimo pai, de tipo assim: "Não, tá tranquilo, eu vou te dar apoio, eu vou tá aqui com você". Isso é um ideal maravilhoso, é o que toda mãe quer. É alguém pra poder, é, ser pai, né? Não é nem ajudar, porque ajuda a gente tem de uma avó, de um tio, de um, uma pessoa que fala: "Não, essa noite eu te ajudo. Esse dia eu te ajudo." Agora, quando você tem alguém pra poder dividir com você, isso é maravilhoso. [22:55] Participante Tá. [22:55] Bia Ben Mas não é a realidade de muitas mulheres nesse Brasil. [22:57] Participante Vou entrar em outro ponto. Não é a realidade. [22:58] Bia Ben Não é. [22:58] Participante Mas a gente tá discutindo o ideal. [23:00] Bia Ben Ah, tamo, tamos discutindo um sonho? [23:01] Participante Exa-- não, um sonho não, é realidade. [23:03] Bia Ben O ideal é um sonho, né? Porque não é o que acontece. [23:04] Participante Realidade, porque eu posso falar que é- [23:05] Bia Ben É realidade ou é ideal? [23:06] Participante É realidade. Se você falou pra mim que a- [23:08] Bia Ben Ah, então voltamos pra realidade. [23:09] Participante Você falou pra mim que dez porcento- [23:11] Bia Ben Sim [23:12] Participante ...são essas mulheres. A gente tá falando de uma maioria que não passa por isso. [23:15] Bia Ben Não, passa. Muitas mulheres também passam por isso dentro do casamento. [23:18] Participante Não, mas é- [23:19] Bia Ben Não é porque ela tem um homem do lado que ele se esforça e ele é pai presente. [23:21] Participante Mas tá, mas a gente tá falando- [23:22] Bia Ben Tem pais que estão ali e não estão. [23:24] Participante A gente tá falando de um cenário- [23:24] Bia Ben Tem pais que estão ali e não são pais. [23:25] Participante A gente tá falando de um cenário- [23:27] Bia Ben E a gente sabe disso [23:27] Participante ...eu tô falando do meu cenário específico. [23:29] Bia Ben Sim. [23:30] Participante Eu sou um padrasto presente. [23:31] Bia Ben Que bom! [23:31] Participante Certo? A realidade que acontece, realmente uma minoria, eu posso falar, dos pais, ele é um pouco mais ausente, que isso faz muita falta, isso faz diferença. O que que eu quero te- [23:42] Bia Ben A minoria dos pais são ausentes? É o que cê tá me dizendo? [23:45] Participante Se for pegar uma proporção, acho que sim. [23:46] Bia Ben A minoria, né? [23:47] Participante A minoria dos pais são um pouco mais ausentes. [23:49] Bia Ben Quantas pessoas você- [23:50] Participante A minoria é a maioria. [23:51] Bia Ben Obrigada. [23:52] Participante Que isso? [23:52] Bia Ben [risos] Oi. [23:58] Participante Voltei. Bia, vamo lá. [24:00] Bia Ben Vamo. [24:01] Participante Polêmica agora, vamo esquentar a parada. Sem dinheiro, o que que uma mãe faz? [24:05] Bia Ben Ah, ela vai atrás [24:07] Participante Ok. Se tiver ajuda do pai [24:10] Bia Ben Se tiver ajuda do pai é ótimo, mas assim, a-- se ele ajudar tipo 100% no caso? [24:13] Participante Não, se- [24:14] Bia Ben Da grana? [24:15] Participante Se ele não dá nada- [24:16] Bia Ben Aí ela vai atrás [24:17] Participante ...mas ele tá presente, ele é um bom pai? [24:19] Bia Ben Ele é. Depende da, da, do porquê que ele não dá nada, tá? Tem um porquê. Se ele é um encostado, não. Agora, se ele é um cara que, sei lá, ele tem uma, uma, um, é, um problema e ele não pode realmente trabalhar e ela vai fazer por onde, eu entendo. Aí também a gente tá falando de uma exceção da regra, né? [24:34] Participante É, essa é-- essa pequena exceção- [24:37] Bia Ben Sim [24:37] Participante ...que a sociedade não olha. [24:38] Bia Ben Ah, mas assim, a gente vai falar- [24:39] Participante Porque a mulherada- [24:39] Bia Ben ...a gente vai falar dessas pequenas exceções? [24:41] Participante É, porque assim, é, a, a- [24:42] Bia Ben Mas cê tá falando de quem especificamente? [24:43] Participante Mas assim, vamo, eu, eu- [24:44] Bia Ben Quem é essa exceção? [24:44] Participante ...eu quero usar um termo aqui que eu não possa ser prejudicado. [24:48] Bia Ben Tá. [24:48] Participante Mulherada ou as mulheres. [24:50] Bia Ben As mulheres. [24:51] Participante As mulheres. [24:52] Bia Ben Legal. [24:52] Participante Gostam de falar só da parcela dos homens que não presta. Eu não vejo uma mulher enaltecer um homem que pelo menos ele faz o que tem que ser feito como homem, que ele honre. [25:02] Bia Ben Parabéns, você foi um ótimo pai. Eu disse pra ele isso agora. E eu acho que tem pessoas que são bons pais. Eu não acho que só tem mau pai no mundo. Inclusive tem pessoa-- tem pais que, na ver-- na minha concepção, pai é muito importante, tá? Tudo que eu queria na minha vida era ter meu pai. [25:13] Participante Sim, pai é muito importante, concordo. [25:14] Bia Ben Infelizmente, o meu pai se foi e eu gostaria- [25:17] Participante Meus sentimentos [25:17] Bia Ben ...que ele tivesse aqui, porque o pai ele traz essa segurança quando ele é presente, ele te dá uma segurança na vida que se você não tem pai, você não tem. Só que, é, quando você não tem pai, você não deixa de viver e você dá um jeito de a-- se moldar ali sem ter, né? É, você, você veio do nada como eu vim do nada. [25:34] Participante Sim. [25:34] Bia Ben Então a gente já passou momentos que a gente não tinha o que comer e a gente deu um jeito. A gente já passou momentos que a gente não tinha o que fazer e a gente deu um jeito. [25:40] Participante É, o próprio poder de se moldar com a situação nos ajuda, né? [25:41] Bia Ben Isso não é o ideal. É o que, o que eu tô te explicando. É, mas eu-- não é o ideal. O ideal seria a gente ter comida na mesa todo dia, o ideal seria a gente ter uma família perfeita e completa, mas não é o que acontece. Então aqui nós temos um sonho, como eu tava falando com ele, e a realidade. [25:54] Participante Tá, então aqui a gente tá falando da realidade. [25:56] Bia Ben Justo. [25:56] Participante Tá. Então hoje o pai, assim, eu quero entender o seguinte, pra você, se o pai for presente e ele não dá pensão, ele ainda tem um valor como pai? [26:05] Bia Ben Por que ele não dá pensão? Tá muito raso. [26:07] Participante Tá. [26:08] Bia Ben Pra você entender. [26:08] Participante Vamos supor que é um pai que vem da periferia, não tem um, não tem uma instrução, ele trabalha, ganha pouco, o dinheiro dele, ele tem outras famílias e não consegue. [26:15] Bia Ben Mas ele é marido? Marido não dá pensão. [26:17] Participante Não, ele é pai solteiro. [26:17] Bia Ben Marido ajuda dentro de casa. Não, mas e-ele é pai solteiro, ele cuida da criança. [26:20] Participante É, ele-- não, ele é o pai, ele, ele, ele é o pai, mas não tá com a mãe. [26:24] Bia Ben Aí ele não dá pensão. Pra mim ele tá errado. Se ele não tá com a mãe, ele tem que dar pensão, ponto. Não tem justificativa, não tem contexto. [26:30] Participante Mas ele é presente. [26:31] Bia Ben Tá, mas ele tem que fazer todas as partes. [26:33] Participante Então sem dinhei-- com dinheiro... [26:35] Bia Ben Licença, maioria! [26:37] Participante Deu fácil. Deu certo. [26:46] Bia Ben Deu certo, né? Tudo bom? [26:47] Participante Prazer. [26:48] Bia Ben Prazer. Qual seu nome? [26:49] Participante Lucas. [26:49] Bia Ben Tudo bom, Lucas? [26:50] Participante E aí, como que você tá? [26:51] Bia Ben Tô bem. [26:52] Participante Eu-- é muito difícil discordar dos, das pautas que você tá trazendo- [26:55] Bia Ben É [26:55] Participante ...mas eu queria colocar alguns pontos. [26:57] Bia Ben Tudo bem. [26:58] Participante É, sobre o pai, é, não é só aquele que paga a pensão. Eu concordo entre partes, mas eu gostaria também de olhar o outro lado. É- [27:05] Bia Ben Só pra acertar o tema aqui, é, pagar pensão não te faz um bom pai. [27:09] Participante Exato. Desculpa. [27:10] Bia Ben É. [27:10] Participante Não te faz como s-um pai somente pagar pensão. [27:12] Bia Ben Isso. [27:13] Participante Mas assim, tem outro, um outro ponto de vista que é o lado da mãe também. Vou, vou dar exemplo da minha pessoa. Eu sou-- eu tô no meu terceiro casamento, tenho dois filhos, dois divórcios, duas pensões. Então eu tenho dois filhos nos meus dois primeiros casamentos. E por mais que eu quisesse, eu acredito que muitos homens passam por isso, por mais que eu quisesse ser um pouco mais presente do que eu fui, porque ao meu ver, um pai que tem uma guarda compartilhada, ele nunca vai ser um pai presente de fato ali mesmo- [27:42] Bia Ben Cê tem uma guarda compartilhada? [27:43] Participante Eu tenho duas guardas compartilhadas. [27:45] Bia Ben Não, então ele-- você vai ser presente. [27:46] Participante Não. [27:46] Bia Ben Ele passa uma semana lá, uma semana cá? [27:48] Participante É, não, eu, eu-- o meu é a cada 15 dias. Desculpa se eu usei o termo errado. [27:52] Bia Ben Não, então. Não, você vê ele? [27:53] Participante Eu vejo meus filhos. [27:54] Bia Ben É, não é guarda compartilhada. Guarda compartilhada cê compartilha mesmo a vida da criança. [27:57] Participante Não, eu- [27:57] Bia Ben Tudim. Tudim [27:57] Participante ...eu vejo diariamente, mas eu pego eles a cada 15 dias. [28:01] Bia Ben É, cê vê ele duas vezes no mês ali. [28:02] Participante Exato. [28:03] Bia Ben Uhum. [28:03] Participante Só que eu tive uma certa dificuldade no, no, no, nos términos ali, por conta que a mãe preferia o dinheiro do que propriamente o pai, por conta que ou era alguma coisa relacionada a ciúmes ou alguma coisa relacionada, é, queria que fosse de um jeito que não foi do, do jeito que, que estava se tratando. Todos foram perante justiça e tudo mais, brigas judiciais, coisas que eu acho que muitos homens passam também, mas só que a dificuldade que eu tinha, é, mesmo que eu sempre qui-- sempre paguei a pensão em dia, sempre, nunca fui ausente em relação à pensão, eu também tinha dificuldades em pegar meus filhos às vezes. Então- [28:41] Bia Ben Por quê? [28:41] Participante Porque a, as mulheres te-tem-- existem mulheres que têm essa dificuldade de brigar com os homens, de não deixar pegar os filhos- [28:49] Bia Ben Então aí ela não tem esse direito. Acho que o ponto- [28:51] Participante ...por conta que as mulheres- [28:51] Bia Ben Não, ela não tem esse direito de te impedir de ver seu filho. E é aí que você tem que usar a justiça ao seu favor. [28:55] Participante Sim. [28:56] Bia Ben Porque eu acho que cê já ouviu esse termo até que eu vou te falar, mas quando cê chega ali, né, tá a juíza no tribunal e, por exemplo, cê, se você paga pensão, cê passou por ali- [29:03] Participante Curioso [29:03] Bia Ben ...pra poder entender, tipo assim, quanto cê vai dar, se é 30, se é 20, se era 10. E aí, tudo bem. Cê passou ali. [29:08] Participante Isso é assim que é no meu caso. [29:08] Bia Ben A pre-- a, a juíza, tudo bem. A juíza disse pra você uma coisa que eu tenho certeza que no, na maioria dos casos acontece que é: ela não tá preocupada com o que você tá sentindo ou com o que a mãe tá sentindo. Ela se preocupa com a criança ali. A maior preocupação de uma juíza num, num relacionamento que acabou é a criança, é a integridade dessa criança. E a integridade dessa criança não vai se basear somente na pensão, vai se basear na presença do pai também. [29:31] Participante Se eu posso- [29:31] Bia Ben Então se você tenta ser presente, você pode ser presente. E você pode recorrer à Justiça também e falar assim: "Olha, ela não tá deixando eu ver meu filho". [29:37] Participante Não, eu passei por duas audiências- [29:37] Bia Ben "E eu quero ver meu filho. O que que eu vou fazer pra..." Entendeu? Me ajudar aqui. E ela não vai contra a Justiça. [29:41] Participante Eu passei por duas audiências de, de pensão, de divórcio ali, e foge um pouco do que você tá falando. Acho que- [29:47] Bia Ben Tô entendendo [29:47] Participante ...é bem tendencioso em que a mulher tem mais direitos numa, num divórcio, numa, numa guarda de pensão, é, e tudo mais, do que o homem, isso é fato. Eu acho que na hora da- [29:57] Bia Ben Mas você tem provas que ela não deixou você pegar seu filho? [30:00] Participante Na hora... [30:01] Bia Ben Cê tem? [30:01] Participante Na hora- [30:02] Bia Ben Cê tem? [30:02] Participante ...do, da própria, do próprio juiz falar, é, e, e dar o veredito ali pra que, que parte, como que seria, vai pegar os finais de semana, é, nas férias, 15 dias com cada- [30:12] Bia Ben Justo [30:12] Participante ...e tudo mais. A preocupação maior- [30:13] Bia Ben Mas você foi um pai que queria pegar muito [30:15] Participante ...a preocupação maior era, era a preocupação se tinha algum bem, se tinha alguma coisa pra dividir. [30:21] Bia Ben Não, não me importa. Então- [30:22] Participante Se tinha isso [30:22] Bia Ben ...eu acho que o ponto que a gente tá, a gente- [30:23] Participante É esse é o ponto que eu tô trazendo [30:23] Bia Ben ...não, o ponto que a gente tá saindo aqui, não, o ponto que a gente tá saindo aqui é que a gente acabou focando na mulher que quer muito o seu dinheiro. E a gente não tá nem aí pra mulher que quer seu dinheiro. A gente tá aí pro seu filho. [30:31] Participante Não, eu tô dizendo que existem isso. [30:33] Bia Ben Não, existe muita coisa no mundo. [riso] É isso aí. [30:36] Participante Tô dizendo que existe isso, entendeu? [30:36] Bia Ben Mas eu tô te falando que a gente não tá nem aí pra essa mulher. [30:38] Participante Que existe isso. [riso] [30:38] Bia Ben A gente quer saber se você bateu lá e falou assim: "Ó, não me importa que dia é hoje. Eu quero meu filho. Eu quero ver meu filho. Deixa eu levar ele na escola. Deixa eu sair com ele. Hoje eu tô sem grana. Só quero ir na pracinha com ele brincar de, sei lá, empurrar, qualquer coisa". Mas o ponto, tipo assim, cê quer, é, brincar de gangorra com seu filho? Cê quer brincar de pique-pega, pique-esconde? [30:54] Participante Não, já, já aconteceu o ponto de eu ir buscar meu fi-- minha filha e minha filha ter, tá em outro estado, porque a mãe foi sem me avisar. [31:00] Bia Ben E aí você pegou essa prova e apresentou na Justiça? [31:02] Participante Cara, a Justiça não é tão fácil assim para um homem do que para uma mulher. [31:06] Bia Ben Mas você tentou? [31:07] Participante Referente a isso. [31:08] Bia Ben Licença, maioria! [31:09] Participante Obrigado. [31:09] Bia Ben Obrigada. [riso]E aí? [31:16] Participante Olá! Eu aqui de novo. [31:18] Bia Ben Você é um bom pai, já tô sabendo. [31:19] Participante Prazer em voltar. É um pouco sobre isso. É, vou ser breve pelos minutos que tem. É, eu tive a oportunidade de dar pros meus filhos, pós-separação, é, duas casas, né? Comprei uma casa pra minha filha, uma casa pro meu filho e comprei um terreno quando minha filha, que estudou Direito, hoje é uma ótima advogada, Tarsila, um beijo, te amo, tá mandando muito bem, vou ser vovô. E o que acontece? [31:40] Bia Ben Cê tem uma, uma condição financeira boa, né? [31:42] Participante Não, eu trabalhei bastante, não tenho. Hoje eu tô quase falido, porque eu investi muito pra comprar essas casas, né? Fiz um- [31:48] Bia Ben Imagino [31:48] Participante ... montei uma estrutura legal pros meus filhos, um lugar onde eles possam puxar esporte, lazer, pegar onda, em Ilhéus. E nesse caso- [31:55] Bia Ben Minha mãe nasceu em Ilhéus [31:56] Participante Ah, que bom! [31:56] Bia Ben Bahia. [31:57] Participante Maravilha- [31:57] Bia Ben Aham [31:57] Participante ...lugar sagrado- [31:58] Bia Ben Lindo lá [31:58] Participante ...Jorge Amado. Então, é, d-d esse período todo de construção, eu passei alguns perrengues, porque eu investi tudo que eu tinha ganhado durante a minha vida, que eu investi, eu tive-- falei: "Não, é momento de segurar pelo menos o futuro dos meus filhos". E quando eu passei nessa dificuldade, alguns perrengues, tendo que fazer vários pagamentos, eu atrasei pensão. E eu já pagava uma pensão, é, mais do que foi determinado pelo juiz. E a mãe começou a criar um caso comigo, certo? Me cobrando de maneira desnecessária, sabendo que eu estava construindo tudo aquilo pelos me- pelos meus filhos. Em nenhum momento ela respeitou o meu sacrifício, o esforço que eu tive pra o futuro deles. [32:35] Bia Ben Sim. [32:36] Participante E fui levado dessa forma por um certo tipo de alinaç-alienação parental, que eu acredito que chegou a esse ponto, infelizmente, por ciúme ou por inveja, de saber que eu fiz aquilo pelos meus filhos. E sei que ela é uma ótima mãe, mas acredito que nessa questão da pensão, às vezes muita coisa tem que ser avaliada. Como você mesmo disse- [32:53] Bia Ben Claro [32:53] Participante ...que o pai presente, às vezes é melhor do que qualquer dinheiro que você possa ter. Um pai que fala "eu te amo" pros seus filhos todos os dias, é a melhor coisa que tem na vida, de eles entenderem o quanto você o ama. E ninguém vai tirar isso de você. Não tem valor que pague pra uma criança- [33:06] Bia Ben Concordo [33:06] Participante ...saber que seu pai ama e ama muito e faz qualquer coisa por ele. Então- [33:10] Bia Ben E se importa com ele [33:11] Participante ...concordo- [33:11] Bia Ben Eu entendo o que você falou e- [33:12] Participante ...que é necessário pagar a pensão, mas em qualquer coisa, o amor é privilegiado. [33:16] Bia Ben Claro. [33:16] Participante Obrigado. Desculpa, eu quase chorei aqui, tá? [33:18] Bia Ben Você é um bom pai mesmo! A sociedade cobra muito mais da mãe do que do pai. Tudo bem? [33:28] Participante Tudo bom, Bia? [33:29] Bia Ben Prazer. [33:30] Participante Prazer, Amarildo. [33:31] Bia Ben Amarildo. [33:31] Participante Pode me chamar de Kilox. [33:32] Bia Ben Kilox? [33:33] Participante Isso. [33:33] Bia Ben Tá, eu vou lembrar. Eu tenho uma memória meio... [33:35] Participante É? [33:35] Bia Ben É. [33:35] Participante Bom, vamo lá. Eu discordo, porque a sociedade cobra mais do homem. Desde pequeno, eu nasci homem. E quando a gente-- assim que a gente nasce, a cobrança já vem de pequeno. [33:44] Bia Ben Em que sentido? [33:45] Participante No sentido de que você nasceu homem, você tem que fazer mais. [33:48] Bia Ben Uhum. [33:48] Participante A mulher já nasce como se fosse sofredora, mas o homem já nasce cobrado. Se voc-- se a gente for voltar o tempo, tempo atrás- [33:54] Bia Ben É! Não, não, mas a gente não tá falando aqui sobre a cobrança da mulher e do homem [33:57] Participante Não [33:58] Bia Ben É da mãe e do pai- [33:59] Participante Mãe e do pai [33:59] Bia Ben ...nesse lugar. Então quando você nasceu, você não é ainda pai. Então não é a partir daí, é a partir de: "tive um filho". Quem cobra, quem é o mais cobrado? Mãe. [34:05] Participante Mas querendo ou não, o filho já aprende com o pai. Eu, hoje eu sou pai, mas eu fui filho. [34:09] Bia Ben Sim. [34:10] Participante Então vi muitas cobrança. Que horas você vai trabalhar? [34:12] Bia Ben Uhum. [34:12] Participante Por que você não fez o café ainda? O homem é mais cobrado. [34:15] Bia Ben Você era cobrado porque cê não fez o café? [34:16] Participante Não, eu tô falando que eu- [34:17] Bia Ben Não, engraçado que eu também sou mulher e minha mãe falava: "E aí, vai fazer a comida que horas, gata? Vai trabalhar, não? Então eu acho que tem-" [34:22] Participante Não, eu via isso com meu pai- [34:24] Bia Ben Então é uma cobrança parecida [34:24] Participante ...fui crescendo, fui aprendendo. Hoje eu sou pai e às vezes o próprio homem se cobra dentro de si. [34:29] Bia Ben E tá certo, tem que se cobrar mesmo. [34:30] Participante Nós como pais-- e então, então não tem como a sociedade cobrar mais da mulher. [34:33] Bia Ben Ela cobra. Acredite se quiser, até porque a sociedade assim num todo, né, ainda mais quando a mulher é mãe, que é sobre o que estamos falando. Exemplo, vou te dar um super exemplo aqui. Uma mãe agora ela acabou de ter um bebê. [34:42] Participante Certo. [34:42] Bia Ben O bebê tem quatro meses. Ela decidiu fazer uma viagem com as amigas dela prum outro país. Ela vai ser apontada como uma má mãe, que deixou o filho pra avó criar, que ela não dá confiança pra esse filho, escaroba quatro. Agora, se um pai viajou, na-- às vezes ele não vai ser nem visto. Isso não vai ser nem uma pauta. O que eu tô te explicando é que tem muita coisa que passa e pra mãe não passa. A mãe sempre vai ser apontada. Não existe uma mãe não saber quantas gotas de remédio dar pro filho. Agora, se o pai não souber, a gente explica: "Não, tem que ver o quilo, tem que ver quanto ele pesa". [35:08] Participante Tá, aí eu te pergunto- [35:08] Bia Ben É o que eu tô te explicando [35:09] Participante ...aí eu te pergunto: se o pai some- [35:10] Bia Ben Como mãe e como pai [35:11] Participante ...se o pai some, a sociedade cobra o quê? [35:13] Bia Ben É horrível! [35:13] Participante "Cadê a pensão? Senão vai preso". Cê concorda? [35:15] Bia Ben Sim, e tá certo, né? [35:15] Participante E no momento que a mãe some e a mãe é presa? [35:18] Bia Ben Não, a mãe também precisa fazer o mesmo. Se a mãe não- [35:20] Participante Não, com certeza [35:21] Bia Ben ...se o pai cria, se o pai cria a criança- [35:22] Participante Aham [35:22] Bia Ben ...a gente tá falando de lei aqui. Se o pai cria a criança, a mãe vai ter que pagar uma pensão pra aquela criança. E eu espero que ela também seja presente na vida daquela criança. [35:28] Participante Eu nunca vi isso. [35:29] Bia Ben Nunca viu? Ah, pode-- mas tudo bem você nunca ter visto. [35:31] Participante Bom, pode exis- [35:31] Bia Ben Pode ser na sua realidade [35:32] Participante ...pode existir a lei. [35:33] Bia Ben Mas existe. [35:33] Participante Sim, é, a gente tá falando de realidade ou sonhos? [35:36] Bia Ben Realidade. [35:36] Participante Então a realidade é essa, a mulher nunca pagou pensão. [35:38] Bia Ben Nunca? [35:39] Participante Até onde eu conheço. [35:39] Bia Ben Você tem certeza do que cê tá falando? Isso é um fato. Cê tá baseado no quê? [35:42] Participante Eu tenho certeza até onde enxergo minha realidade. [35:42] Bia Ben Que nenhuma mulher no mundo nunca pagou uma pensão. Então, então é sua realidade. A sua realidade infelizmente é limitada, porque você não estudou até lá. [35:49] Participante Na sua realida-- na sua realidade, nunca teve. [35:49] Bia Ben Já, já vi. [35:49] Participante Já viu? [35:50] Bia Ben Já vi pais que cri-- pais solos, a-- conhece, acontece, existe. [35:53] Participante E na sua realidade, a mulher é mais cobrada que o homem? [35:55] Bia Ben Aham. [35:56] Participante Não. [35:56] Bia Ben A mulher é mais cobrada. [35:56] Participante A sociedade cobra mais o homem. [35:58] Bia Ben Não, eu acho que você tá colocando num lugar que, é, eu não concordo. A mulher é mais cobrada. [36:02] Participante Não, e não tem como concordar- [36:04] Bia Ben Na minha concepção [36:04] Participante ...numa coisa que o homem é sendo cobrado desde a parte da pensão, o homem é cobrado desde a parte que fala assim: "Você não tem que cuidar só dos seus filhos, tem que cuidar da sua mulher também". [36:12] Bia Ben Sim. [36:13] Participante Às vezes fala que a mulher se- [36:14] Participante tempo! [36:15] Bia Ben Obrigada, querido. [riso] [36:16] Participante Obrigado. [36:22] Bia Ben E aí, tudo bem? [36:23] Participante Tudo bem. [36:24] Bia Ben Prazer, qual seu nome? [36:24] Participante Renan. [36:25] Bia Ben Renan. [36:26] Participante Tudo bom? [36:26] Bia Ben Tudo bem. [36:27] Participante Eu não concordo, de vo-- com você, porque não faz sentido a quantidade de homem preso por conta de pensão. O rapaz acabou de ser pai, ter que, ter que sair pra, pra, pra trabalhar. Você coloca um ponto que a mãe pariu sobrecarregado aquilo, porque ela pariu. [36:42] Bia Ben Sim. [36:43] Participante Mas acaba o homem, o homem, nós estamos falando de, de pai. [36:46] Bia Ben Sim. [36:47] Participante Ter que ter a consciência de levantar cedo, de sair pra procurar, é, é, pra sustentar- [36:53] Bia Ben Na sua concepção, isso é muito mais difícil? [36:54] Participante É, certeza. [36:55] Bia Ben É, e a mãe que não tem um homem? Porque a gente tá colocando da mãe que tem. E a mãe que não tem homem, ela tem a mesma responsabilidade de sair pra trabalhar e conseguir o dinheiro pra dentro de casa e conseguir uma boa creche, porque creche boa a gente não consegue fácil, não. A gen-- ainda mais se for pública, a gente tem que ficar na fila pra conseguir. Digo isso porque já passei por filas pra conseguir, tipo: "Ah, é que ela é melhor", então a gente tem que en-entrar na fila, tem que inscrever a criança. O que eu tô te explicando só, é que eu, eu entendo o que você tá falando, só que tem mulheres que passam por isso também. [37:17] Participante Não, mas você tá- [37:17] Bia Ben E a gente tá batendo num tema que passou, que é pagar pensão. [37:20] Participante Não, mas- [37:20] Bia Ben Esquece a pensão. Agora- [37:21] Participante Mas coloca- [37:22] Bia Ben É- [37:22] Participante ...hom-- é, é pai e mãe, independente do, do- [37:25] Bia Ben Sim [37:25] Participante ...do, do contexto. É pai e mãe. Pai e pai, pai mesmo, é cobrado. [37:30] Bia Ben Claro. [37:31] Participante É mais cobrado do que a mu-- a mãe. [37:32] Bia Ben Mais cobrado? [37:33] Participante Com certeza, porque o, o cara tem que sair pra trabalhar. Pergunta pra qualquer um aqui, se não sai pra trabalhar, é vagabundo. Pro próprio homem. [37:39] Bia Ben E tem muitos que se- [37:40] Participante Não, não, mas entenda [37:41] Bia Ben ...se orgulham de serem, né? Tipo- [37:42] Participante A mu-- a, ó, se a mulher não vai Pra outra mulher é empoderada [37:46] Bia Ben Se não vai o quê? [37:46] Participante Tipo, não, não procura, tem mulher que larga o filho e tá certo. [37:50] Bia Ben Claro que não. [37:50] Participante Existe. [37:51] Bia Ben Claro que não. [37:51] Participante Você sabe que existe. [37:51] Bia Ben Claro que não. Eu acho que o ponto aqui que você tá que- [37:54] Participante Não, você não está entendendo. [37:54] Bia Ben Não, você tá querendo, você tá querendo distorcer a mentalidade de mulheres boas. [37:57] Participante Não, s- [37:57] Bia Ben Nenhuma mulher vai olhar pra uma mulher que abandonou o filho e vai apoiar ela. [38:00] Participante Pra qualquer homem aqui- [38:01] Bia Ben Na verdade, a, uma mãe boa não abandona o seu filho. [38:03] Participante Sim. [38:03] Bia Ben Eu nunca abandonaria meu filho. [38:04] Participante E um pai bom também não abandona o filho. [38:05] Bia Ben Eu tive que... Exatamente. [38:07] Participante Então, mas é o mesmo. [38:07] Bia Ben Estamos no mesmo lugar. [38:08] Participante Qualquer homem que sair daqui e largar o filho, vai ser julgado por, pelos próprios homens. [38:12] Bia Ben E, e tá errado de ser julgado. [38:13] Participante Não, tá certo. [38:14] Bia Ben Pronto. [38:15] Participante Mas aí é que tá, o homem é o mais cobrado. [38:16] Bia Ben Não. [38:17] Participante O homem é cobrado pelo homem. [38:18] Bia Ben Não, você tá me dizendo aqui que o homem ele é cobrado quando ele larga um filho. Olha o extremo: uma mulher é cobrada se ela sai uma noite e deixa o filho com a mãe. Uma mulher é cobrada se ela não sabe o remédio do filho dela. Uma mulher é cobrada se ela não coloca um lencinho numa mochila pro filho. [38:29] Participante Certo, mas- [38:30] Bia Ben Uma mulher é cobrada se o filho dela cresce, por exemplo, faz qualquer coisa de errada, a culpa é da mãe. [38:34] Participante Por que que a mulher vai ser cobrada? [38:34] Bia Ben A mãe que não criou direito. [38:35] Participante Não, mas por que que ela- [38:35] Bia Ben A mulher é cobrada nesse sentido. [38:36] Participante Não, mas em qual se-- e que, quem que tá cobrando a mulher? [38:37] Bia Ben Todo o peso é colocado em cima dela. A sociedade. [38:40] Participante Não, a socie- [38:40] Bia Ben A gente tá falando de uma estrutura social que não depende de mim, nem de você. [38:43] Participante Entenda. [38:43] Bia Ben É, vem muito antes de mim e quando a gente passar por esse mundo, vai continuar. [38:47] Participante Aí entra a situação- [38:47] Bia Ben Espero que não [38:48] Participante ...ó, calma, de, de a mulher ter vários filhos com vários homens. Se ela fosse cobrada desta forma- [38:53] Bia Ben Quem é que tem uma mulher ter vários filhos com vários homens? [38:56] Participante Não, então, mas se ela fosse cobrada dessa forma, o cara não ia atrás ou o cara não ficava, o outro cara não fazia filho. O cara tá pouco se lixando. Que-quem se cobra são vocês mesmo. O homem, em geral, cobra o próprio homem. [39:07] Bia Ben [risos] A gente não se cobra, é a sociedade que cobra. [39:09] Participante Não, a sociedade cobra. [39:09] Bia Ben A gente é cobrada desde muito pequena. [39:11] Participante Com todo respeito ao mundo. [39:11] Bia Ben A gente tem que ser boa mãe, a gente querendo ou não, você entende? [39:14] Participante A maioria dos homens aqui- [39:15] Bia Ben Mesmo quando a gente tá mal, olha só- [39:17] Participante ...é independente de você ter filho ou não [39:18] Bia Ben Não, não, não, não. [39:18] Participante Aí que tá. [39:18] Bia Ben O que eu tô te explicando é que... [39:20] Participante Tempo. [39:21] Bia Ben Obrigada. [39:21] Participante Prazer te conhecer. [39:22] Bia Ben O prazer. [risos] Ui! [risos] [39:33] Participante Fala, Bia. Prazer. [39:33] Bia Ben Tudo bem? Prazer. [39:34] Participante Tudo bem? Me chamo Wesley. Vou te dar um pouquinho do contexto. Sou pai de gêmeas. [39:39] Bia Ben Ai, que tudo. Meninas? [39:40] Participante Elisa e Luísa. [39:41] Bia Ben Quanto tempo? [39:41] Participante Seis anos. [39:42] Bia Ben Ai, beijo meu. [39:43] Participante Coração pra vocês. [39:44] Bia Ben Seis anos, sei bem como tá. [39:45] Participante Parabéns pela sua trajetória. [39:47] Bia Ben Muito obrigada. [39:47] Participante É, eu acredito que toda mãe solo, ela tem a honra da trajetória e da jornada que ela fez, mas toda mãe solo preferia ter um bom pai ao lado do que viver a trajetória de uma mãe solo. [40:00] Bia Ben Claro. [40:01] Participante Quando você diz que o marido ou o homem, ou o pai, ele é cobrado pela sociedade e a mulher não, você traz exemplos- [40:08] Bia Ben Não, eu disse o contrário [40:09] Participante ...que a mulher- [40:10] Bia Ben Eu não disse que o pai não é cobrado, eu só disse que a mulher é mais cobrada. [40:12] Participante Ok. A cobrança da mulher, ela é exagerada em que ponto? [40:16] Bia Ben Em muitos pontos. [40:17] Participante Vamo lá. [40:17] Bia Ben Por exemplo, eu vou, eu vou citar aqui novamente, tá? [40:19] Participante Ok. [40:19] Bia Ben E vou te citar pontos muito básicos aqui. [40:21] Participante Sim. [40:21] Bia Ben Uma coisa bem boba. Exemplo: você falou que você tem gêmeas. [40:24] Participante Sim. [40:24] Bia Ben Se você tiver com uma das suas gêmeas no canguru e a outra no seu carrinho- [40:27] Participante Ok [40:27] Bia Ben ...com certeza você vai ser elogiado por vários lugares que passar. "Ai, que lindo, você tá sendo um ótimo pai". Se você entra num lugar pra trocar sua filha: "Caramba, olha que bom pai você é". Se você for na consulta com a sua esposa enquanto ela tava grávida: "Caramba, eu quero um marido desse, porque ele é bom". Agora, se a mulher tá na consulta, ela não vai ganhar elogios. Se ela tá trocando uma fralda, também não tem elogios. O que eu tô te explicando é que quando o pai ele faz o mínimo, que é ser pai, a sociedade vai aplaudir demais. Agora quando uma mãe tá ali fazendo... Não tô falando que não é trabalhoso, tá? [40:52] Participante Uhum. [40:52] Bia Ben Porque cuidar de uma criança é trabalhoso. [40:53] Participante Sim. [40:54] Bia Ben Mas quando uma mãe também tá fazendo o mesmo, ela nem é vista. [40:56] Participante Sim. [40:56] Bia Ben Mas se ela não fizer, ela vai ser apontada. [40:59] Participante Mas talvez isso não é uma resposta cultural ao, ao país que a gente vive? [41:02] Bia Ben Então, mas a gente concorda então que é estrutural uma mulher ser mais cobrada que um homem. [41:07] Participante Ok, estrutural. [41:07] Bia Ben Então a gente concorda. [41:08] Participante Ok, estrutural. Porém a gente não pode ignorar a cobrança que o homem retém. [41:11] Bia Ben Eu falei, eu não disse que o homem não tem cobrança. [41:12] Participante Ok. [41:12] Bia Ben Eu falei que ele tem cobrança, só que a mulher tem mais. [41:14] Participante Eu fui em cima que a cobrança moral que existe, a cobrança social, a cobrança financeira, e aí a gente entra naquele outro ponto, porque eu não posso também focar em um sacrifício e ignorar todos os outros. [41:23] Bia Ben Não, claro que não. [41:24] Participante Porque a gente, por exemplo, tem um sacrifício psicológico. Crianças que crescem sem o pai apresentam vários problemas durante a jornada da vida dela. [41:31] Bia Ben E são muitas, né? [41:32] Participante E muita das vezes só vai descobrir lá na frente- [41:34] Bia Ben Sim [41:35] Participante ...que a ausência do pai lá na infância teve e conseguiu trazer de consequência todos esses problemas. [41:40] Bia Ben Uma ausência de uma mãe também. [41:41] Participante Sim, totalmente. [41:42] Bia Ben Né? [41:42] Participante Mas a gente tá cuidando como homem agora, o julgamento do homem. [41:43] Bia Ben Porque uma mãe não substitui o lugar de um pai e o pai não substitui o lugar da mãe. [41:46] Participante Certo. Então, mas a gente tem um país aonde, por exemplo, homens, vamo, vamo filosofar um pouco, homens abortam mais do que mulheres, certo? [41:52] Bia Ben Uhum. [41:52] Participante Então é natural que quando a gente veja um homem fazendo o papel que ele tem que fazer, a sociedade mesmo possa aplaudir essa situação. [42:00] Bia Ben Então a gente concorda. [42:01] Participante Mas a gente não pode criar uma regra disso. [42:02] Bia Ben A gente concorda. [42:02] Participante A gente não pode ignorar a cobrança que existe no homem pra ele ser esse homem presente. Por exemplo, eu tendo gêmeas, a gente teve uma situação aonde minhas filhas ficaram- [42:11] Bia Ben Tá, tá vendo a cobrança que cê falou? [42:12] Participante Ok. [42:12] Bia Ben Existe uma cobrança pro pai ser presente. [42:15] Participante Sim. [42:15] Bia Ben Não vai existir essa cobrança pra mãe. [42:17] Participante Mas aí a gente tá falando da cultura que o Brasil tem. [42:18] Bia Ben Porque é claro que a mãe vai ser presente, mesmo machucada depois de um parto, ela vai ser presente. [42:22] Participante Depende, depende. Porque você tá usando raros- [42:22] Bia Ben Mesmo, mesmo debilitada, ela vai ser presente [42:24] Participante ...raras exceções também. [42:25] Bia Ben Não, eu estou usando a maioria. [42:27] Participante Pra criar o argumento que você tá criando. [42:28] Bia Ben Não, eu tô usando a maioria. [42:29] Participante Ok. [42:30] Bia Ben Eu tô usando como base aqui a, a realidade, a maioria. [42:33] Participante Uhum. [42:33] Bia Ben Quando a gente vai olhar, se a gente vier numa, aqui nessa roda, por exemplo, a gente vai contar aqui. [42:36] Participante Então. [42:36] Bia Ben Quantas pessoas não tiveram pai e quantas pessoas não tiveram mãe? [42:38] Participante Ok, mas aí o argumento nosso não é de debate então, é de concordar os pontos que o homem- [42:43] Bia Ben Eu tô falando isso desde que eu me sentou aqui. [42:44] Participante Perfeito, perfeito. [42:45] Bia Ben A mulher tem mais cobrança do que um homem. [42:46] Participante Perfeito. Porque um bom pai ele vai ter a cobrança de si mesmo, da sociedade, dos homens que estão julgando ele. [42:50] Bia Ben E tá tudo certo. [42:51] Participante Tudo certo. [42:51] Bia Ben Eu não disse que um pai, ele não vai ter uma cobrança. [42:53] Participante Perfeito. [42:53] Bia Ben Pai tem cobrança como mulher também tem. [42:55] Participante Perfeito. [42:55] Bia Ben Só que a mulher vai ter essa cobrança em dobro. [42:57] Participante Então, mas- [42:57] Bia Ben É muito mais difícil pra ela [42:58] Participante ...o que você tá usando de cobrança em dobro são situações pontuais que eu também posso listar dos homens, por exemplo. [43:03] Bia Ben Não, não são situações pontuais. [43:04] Participante Como foi colocado pelos meus amigos aqui de questão financeira. [43:07] Bia Ben É rotina. E também, cita, cita [43:07] Participante ...de questão social. [43:08] Bia Ben Cita [43:09] Participante ...de questão de jornada de trabalho, tô listando todas elas. [43:11] Bia Ben Me fala... Não, não, não. Sem ser o pai abandonar a criança e ele ser cobrado pra pagar uma pensão. [43:15] Participante Esses pontos podem ser regras utilizadas na narrativa. [43:15] Bia Ben Sem ser o pai se abandonar a cria- [43:16] Participante Mas você tá usando pontos. [43:17] Bia Ben Não, não, não. Sem ele se abandonar, sem abandonar. [43:18] Participante Você colocou da madrugada que a mulher vai pra balada e ela é julgada socialmente. [43:22] Bia Ben Ela é. [43:22] Participante Então, por exemplo, você tá usando um ponto pra criar uma regra. [43:25] Bia Ben Aham. [43:25] Participante Pra fortalecer sua narrativa. A gente todo pode usar os pontos- [43:27] Bia Ben E o cara que vai toda sexta-feira pra balada, ele é julgado socialmente? [43:29] Participante Também é julgado socialmente. [43:31] Bia Ben Não é. [43:31] Participante Também é julgado socialmente. [43:32] Bia Ben Não é, não é um problema. [43:33] Participante Também é julgado socialmente. [43:34] Bia Ben Não vão ligar pra ele dizendo assim: "Seu filho tá chorando". [43:37] Participante Porque a gente pode falar da cultura que tá sendo- [43:37] Bia Ben "Meu amor, quantas espátulas eu coloco duna na madeira?" [43:40] Participante Mas aí é uma realidade paralela que você criou pra fortalecer o argumento que você tem. [43:44] Bia Ben Claro que não é uma realidade paralela. [43:45] Participante Como eu posso também criar uma realidade pra fortalecer meu argumento? [43:46] Bia Ben Eu tenho certeza que existem muitas mulheres que, que a realidade delas- [43:49] Participante Como foi dito por aqui. [43:49] Bia Ben Não é [43:49] Participante ...quantas mulheres que usam esse pretexto- [43:50] Bia Ben Eu acho que você tá criando uma utopia na sua cabeça e você tá amando isso e seguindo isso, mas não é uma realidade. [43:55] Participante Não, não, de forma alguma, de forma alguma, que eu sou pai e eu tô falando da minha realidade. [43:57] Bia Ben E eu sou mãe e tô falando da minha. [43:58] Participante Entendeu? Então por isso que a gente não pode ignorar os seus sacrifícios. [44:01] Bia Ben Não estou ignorando os seus. [44:02] Participante E ignorar os seus julgamentos, os julgamentos que fazem contra você. [44:05] Bia Ben Sim. [44:05] Participante Da mesma forma que a gente não pode desvalorizar os julgamentos que todos os pais recebem. [44:09] Bia Ben Não estou desvalorizando, eu acho que o ponto é exatamente esse. [44:11] Participante A gente não pode fazer isso. [44:12] Bia Ben Eu olho pra você e digo: "Os pais..." [44:12] Participante Porque você tá exagerando. É o dobro daquilo que toda- [44:15] Bia Ben Sim, é o dobro. [44:16] Participante Não, não é. [44:16] Bia Ben É, é o dobro. [44:17] Participante Não é. [44:17] Bia Ben É o dobro. [44:18] Participante Até porque como que você contabiliza isso? [44:19] Bia Ben É o dobro. É por muitas, por dados, primeiramente, dizendo. [44:22] Participante Como? Quais dados? [44:23] Bia Ben Por dados. [44:23] Participante Quais dados? [44:23] Bia Ben É só você pesquisar, só você pesquisar. Tem muitos dados. [44:25] Participante Não, mas aí é fácil eu julgar o argumento- [44:26] Bia Ben Olha só, o que eu tô te explicando aqui, dez por cento, você tem noção de todas as mulheres no Brasil, dez por cento são mães solos. [44:31] Participante Ok. E eu comecei falando sobre mães, mães solo. [44:32] Bia Ben Você imagina... Então, mas o meu ponto é exatamente esse. [44:34] Participante Eu comecei falando sobre isso. [44:35] Bia Ben Você me disse que você é um bom pai, não é? [44:36] Participante Não, não falei isso, eu falei que eu sou pai. [44:38] Bia Ben Mas você não, não é um bom pai? [44:38] Participante Não, eu não posso me julgar como um bom pai. [44:40] Bia Ben Tá bom, então tá. [44:41] Participante Quem me julga como um bom pai é a minha esposa, são as minhas filhas. [44:43] Bia Ben Tudo bem, então você me disse que você é um pai. [44:45] Participante Ok. [44:46] Bia Ben Ok. [44:46] Participante Me julgo como um bom pai. [44:47] Bia Ben Então espero que, que bom então. [44:48] Participante Beleza. [44:49] Bia Ben Então, então você se julga como um bom pai. [44:50] Participante Vamo lá. Você se julga como uma boa mãe? [44:51] Bia Ben Eu me julgo como uma boa mãe. [44:52] Participante Então perfeito. [44:53] Bia Ben Eu acho que eu posso me julgar como uma boa mãe. [44:54] Participante Perfeito, perfeito. [44:54] Bia Ben Tá? Mas eu acho que se, se você se julga como um bom pai, eu espero que você apoie sua esposa, que você- [44:58] Participante Perfeito, tudo isso [44:59] Bia Ben ...crie suas filhas, né? Que você exerça a paternidade. [45:01] Participante Sim. [45:01] Bia Ben Que ótimo que você faça isso. [45:02] Participante Perfeito. [45:03] Bia Ben Mas você imagina uma mulher que faz isso sozinha. Não é sobre um cara pagar pensão. [45:06] Participante Eu entendo isso. [45:06] Bia Ben É sobre o ca-- aí você falou, mas tem- [45:08] Participante Tempo. [45:09] Participante Valeu. Bia, show de bola. [45:10] Bia Ben Obrigadão. Obrigada E aí? [45:16] Participante E aí, Bia, voltei. Discordo. [45:18] Bia Ben Tudo bem. [45:19] Participante Pelo seguinte: é, a cobrança do homem é maior porque a mulher tem o amparo da sociedade, por exemplo, se, se ela tiver desempregada, ela vai ter o apoio, ela tem o benefício pra poder cuidar do filho. Qual ONG que- [45:29] Bia Ben Qual benefício? Baseado em quê? [45:30] Participante É, benefício de, dela, dela ter uma pensão, tipo um bolsa família- [45:33] Bia Ben Quanto é o bolsa família por criança? [45:35] Participante Não, depende. É seiscentos reais, depende do Estado. [45:37] Bia Ben Cê cria uma criança com seiscentos reais? [45:38] Participante Não, não crio, mas vou te falar. [45:39] Bia Ben Não, ela não tem um apoio. [45:40] Participante Cê tá falando da cobrança. Quando- [45:41] Bia Ben Não, cê falou que ela tem apoio, ela não tem. A gente corta essa, esse argumento aí. [45:44] Participante Tem, tem apoio de, de-- lógico que tem. [45:45] Bia Ben Não, não tem. [45:46] Participante Se a mulher procurar, tem. [45:46] Bia Ben Seiscentos reais não cria criança nenhuma, em lugar nenhum. [45:48] Participante Não, não, a gente tá falando de valores. Agora eu vou falar o valor em relação à cobrança do homem. O homem é muito mais cobrado. Quando o cara não paga pensão, ele vai preso. [45:54] Bia Ben Essa mulher que precisa desse apoio de um bolsa família, porque o pai não paga uma pensão, daí ele já tá errado. [45:58] Participante Ela é, ela, ela recorre ao marido. Não, às vezes ela é igual- [46:01] Bia Ben Que marido? Se a gente tá falando que ela não tem marido. [46:03] Participante Não, cê tá falando da questão social. Se ela- [46:05] Bia Ben Sim. [46:05] Participante Cê tá, tá falando que o homem é mais cobrado. Somos mais cobrados, sim, porque se não pagar, eu sou preso. E eu, o homem- [46:10] Bia Ben E pra mim tá certo. [46:11] Participante O homem tem um exemplo. Não, aqui não é questão de tá certo. Tá falando que a cobrança da mulher é maior. Não, não, não. Ela tem, ó- [46:16] Bia Ben Eu abandonei o meu filho, não quero pagar a pensão pro meu filho, porque eu nem ligo se ele tá comendo direito e pra mim ou tinha que ficar solto ou ele tem que ser preso. [46:22] Participante Quando a mulher sofre violência, ela tem amparo. O homem tem quando sofre violência de uma, de uma mulher? É isso que eu tô te falando. Então a- [46:28] Bia Ben Ah, sério? [risos] [46:29] Participante Não, sério, sério, sério, sério. [46:30] Bia Ben Ah, não. [risos] Tá de brincadeira, gente. [46:33] Participante É aonde, é aonde a gente vai chegar. [46:34] Bia Ben Claro que não. [46:35] Participante Cê tá falando que a mulher é mais cobrada? [46:36] Bia Ben É sério. Então quantos homens morre aqui no nosso país semanalmente, mensalmente, porque eles são mortos por mulheres, por maníacos que perseguem elas, que se apaixonam, que você deita com aquele cara, você não sabe se tá dormindo com o seu inimigo, que ele te mata depois, que ele te fere, que ele te machuca, que ele te bate. [46:52] Participante Mas aí é falta de caráter, falta de caráter, não é? [46:53] Bia Ben Ué, mas você disse que você queria um apoio se você apanhasse. Quem te bateu? [46:56] Participante Quando a mulher-- não, não. Eu não quis falar isso. [risos] [47:06] Participante Sentei primeiro, hein? Ó. Eu percebi que tem que ser um pouco agressivo aqui. [47:10] Bia Ben Não, também não. Vamos com calma. [47:12] Participante Calma, calma. Não, ele falou de feminicídio, é melhor trocar de assunto. [47:15] Bia Ben Vamo trocar, por favor. [47:16] Participante É, inclusive eu conheço o Benjamim, tá? Eu vi o vídeo do Dureg, muito legal. [47:19] Bia Ben Muito fofinho. [47:20] Participante Fofinho. [47:20] Bia Ben Ele é um, ele é um lindo, sou apaixonada. [47:22] Participante Eu acho que eu vou discordar em alguns pontos. [47:24] Bia Ben Vamo. [47:24] Participante Eu acho que o ponto central de quando a gente fala a respeito dessa, dessas questões de, de como que a gente vê a, a função do pai ou da mãe dentro da família, essa, esse tipo de cobrança, vem muita, tem muito a ver com as funções de cada um dentro da família. A gente falou muito aqui sobre mãe e a sua parte biológica. A gente falou muito aqui sobre pai e a parte social, financeira. Eu sou cristão. [47:47] Bia Ben Legal. [47:48] Participante Interessante. E quando cê falou, quando ele falou, alguém falou sobre Deus, ele já começou a falar de não sei, discorde, não sei como que é a sua perspectiva de fé, não sei, não faço ideia. [47:56] Bia Ben Jesus é tudo pra mim, minha mãe também é cristã, víde uma cristão, é, mas assim, reli-religião aqui agora não é a, a questão. [48:01] Participante Então, pra mim é. [48:02] Bia Ben Respeito todas. [48:03] Participante Eu, eu entendo que, que faça, que faz parte. No caso, assim, cada um tem a sua, obviamente, a gente tem os nossos pressupostos. A gente sempre vai argumentar de acordo com a nossa forma de religião. [48:10] Bia Ben Não, calma, existe alguma religião que fala que pai não ser pai? [48:12] Participante Não, existem as, a, a minha fé, ela me diz como deve ser um pai. [48:17] Bia Ben É. [48:17] Participante E como deve ser uma mãe. [48:18] Bia Ben E a sua fé também diz que o amor mais próximo do amor de Deus é o amor de mãe. [48:21] Participante Não, a Bíblia não fala isso. [48:22] Bia Ben Fala. [48:23] Participante Não, não fala. [48:23] Bia Ben Tá bom. [48:24] Participante É, mas assim, o que-- inclusive, o amor de Deus é, é o, a, a gente fala que tem o, o, um atributo, né? Deus é amor. E Deus é conhecido como pai, e não como mãe. [48:33] Bia Ben Incrível. [48:34] Participante Isso é importante. Mas- [48:35] Bia Ben Ele foi o pai que eu tive quando perdi o meu. [48:36] Participante Atenção, tempo. [48:39] Bia Ben Ser mãe é o trabalho mais difícil que existe. Voltamos. [48:47] Participante Vamo voltar, né? Mas agora é com outro assunto. [48:49] Bia Ben Tá, tudo bem. [48:50] Participante Bom, é, eu discordo, porque eu entendo que, é, naquela primeira, no primeiro tema, cê falou a respeito da, da, dos sacrifícios da mulher, da mãe, no caso, né? Eu concordo, porque se a gente falar da parte biológica, não só do início da gestação, mas da vida da criança, é um, é um sacrifício muito grande. Mas quando a gente fala sobre um, um maior trabalho ou trabalho mais difícil, aí sim eu acho que a gente tá entrando num extremo e a gente tá, é, negando o papel do homem, que é o que eu falei da questão das funções. Pra mim, o homem ele tem sim a função de prover, embora a mulher possa ajudar na parte financeira, o homem ele tem esse dever. Da mesma forma que biologicamente o homem não pode ge-gestar, a mulher tem esse, tem essa, essa função. Eu acredito que quando a gente tem uma família estruturada, então a gente tá pensando aqui numa família ideal, a gente vai olhar pra esses dois, esses dois campos e dentro da família, eu acredito que o papel do pai, ele é um pouco mais pesado, porque ele é um, um papel geralmente esquecido. Quando o pai ele, sei lá, trabalha em um, dois, três empregos, ninguém vai falar nada pra ele. Se a mulher ela cuida dos filhos, que é o que geralmente acontece, cuida dos filhos ou, sei lá, faz uma faculdade também, trabalha e tal, ela sempre é aplaudida, ela sempre vai falar, o pessoal vai falar: "Ah, é uma guerreira", aquele negócio todo e tal. É... [50:06] Bia Ben E pra mim tinha que ter mais. Ela tinha que passar mesmo, ser muito aplaudida, o pessoal tipo: "Uhul, vai guerreira", porque ela realmente é uma guerreira. [50:11] Participante Não, ela é. [50:12] Bia Ben É. [50:12] Participante Mas a questão, a questão justamente dessa que eu tô, que eu tô falando é: você tá, pra mim, você tem essa perspecção, essa, essa perspecção, pers- [50:19] Bia Ben Não, eu entendi qual é o seu ponto. [50:20] Participante Perspectiva. [50:20] Bia Ben Você disse pra mim que o pai trabalha em três empregos ou sei lá quantos empregos e a partir dali ele não tem uma percepção de tudo que ele fez, ele não tem uma pessoa tipo parabenizando ele. [50:29] Participante Não, não, não é a respeito dele. [50:30] Bia Ben Ele merece um prêmio. [50:30] Participante É a respeito das pessoas. Eu entendo que o seu ponto de vista, ele é justamente por conta disso, por conta desse esquecimento do papel que o pai tem dentro da família. [50:38] Bia Ben Agora, eu acho que a gente tá focando de novo nessa questão do pai, do pai, do pai, e pra mim ser mãe é o trabalho mais difícil do mundo, porque simplesmente você tá criando um ser humano. E não existe trabalho nesse mundo que você vá formar o caráter- [50:50] Participante Mas o pai também cria o ser humano, esse mesmo ser humano. [50:52] Bia Ben Ele cria, ele cria. Mas e, eu tô falando aqui que ela vai se dedicar a essa criança vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, trinta dias do mês. [51:00] Participante E o pai também. [51:01] Bia Ben A gente tava falando de pais aqui, por exemplo, que saem pra trabalhar e são provedores. E eles ficam pouco tempo com essa criança. [51:06] Participante Mas aí você tá falando de uma- [51:06] Bia Ben Quem tá a maior parte do tempo com essa criança? [51:08] Participante De uma, de uma, de uma mãe específica. [51:09] Bia Ben Eu acho que se eu-- eu acho, não, não. [51:09] Participante Cê tá falando da mãe- [51:10] Bia Ben Eu tô falando da maioria em casa [51:11] Participante Da mãe que tá em casa cuidando dos filhos e cuidando da casa, porque aí sim. [51:13] Bia Ben Não, eu tô falando, não, eu tô falando da maioria. E pra, na minha concepção, as pessoas que mais vão se aproximar ali de ajudar nessa cocriação desse caráter ali são professores, que passam tempos também com essa criança. Então, numa creche, na escola, a gente vai aprender, a gente conversa. Eu mesma, tipo, tinha amores por vários professores e eles me ajudaram a criar o, ideais que eu tenho até hoje formados. Então, assim, só que a minha mãe é a minha referência E eu tive um bom pai. E meu pai também tem, tem momentos ali que ele foi minha referência e ele foi presente pra mim até onde ele pôde, porque ele faleceu. Mas o ponto aqui é que não existe nenhum trabalho em que você vai poder dizer que você não tem, tipo, um momento pra respirar. E você sendo mãe, você tá doente ou não tá doente, cê vai cuidar da criança. Cê não tem folga, não tem como botar testado, não tem o que fazer. Agora já o pai- [51:55] Participante Eu ainda, eu ainda acho que existe o recorte. Eu acho que- [51:57] Bia Ben Maioria! Obrigada, amigo. [51:59] Participante Valeu. [51:59] Bia Ben Tamo junto. [som de batida] Oh my God! [risos] [52:05] Participante Sai daí. [52:05] Participante Chega aí, chega aí, chega aí. [52:06] Participante Não, sai daí. [risos] [52:07] Participante Não, desculpa, é porque eu, eu tenho que falar, tocar nesse assunto. [52:10] Bia Ben Não, e você tem uma situação ali com... [52:12] Participante Claro. [52:13] Bia Ben Sim. [52:13] Participante Bom, vim agora pra concordar com você, gênero, número e grau, em relação à mulher sofre muito mais que os homens, principalmente quando ela não tem o apoio de um homem, que é o pai da criança. [52:22] Bia Ben Sim. [52:23] Participante Então eu quero aparalizar a minha filha Tarsila, porque ela vai ser mãe agora em outubro. Ela não teve nenhum apoio da pessoa que fez promessas e que garantiu mundos e fundos, mesmo ela sendo uma mulher linda e independente. Hoje ela sofre com, é, esse abuso emocional, com a falta de presença do pai. [52:39] Bia Ben Maioria! [som de batida] Eita, tá tudo bem. [52:47] Participante Bia, voltamos. [52:47] Bia Ben Voltamos. [52:48] Participante Bia, eu discordo, tá? Porque existem mulheres que elas só colocam filhos no mundo também, tá? [52:53] Bia Ben Claro, existe. [52:54] Participante Então acontece. Eu cuido do meu filho, meu filho mora comigo- [52:56] Bia Ben Cê sabe mais ou menos qual a porcentagem dessas mulheres? [52:58] Participante Não, não sei dizer. [52:59] Bia Ben É, então a gente não pode dizer se elas são as mai-- a maioria, a minoria, mas assim, a gente olhando prum total de- [53:03] Participante Existem, mas existem. [53:04] Bia Ben Existir não é ser a maioria. [53:05] Participante Mas existem, igual a dez por cento, né? De mães solos. [53:07] Bia Ben Existir não é ser a maioria. [53:08] Participante Tem, existe dez por cento de mães solo que não escolheram o pai, o pai da criança. [53:10] Bia Ben Poderiam existir dois por cento na... É o quê? [53:13] Participante Existem mães dez, sete, de mães solo- [53:13] Bia Ben Não é sobre esco-- não é sobre... [53:15] Participante Que não só não escolheu o pai da criança. [53:15] Bia Ben Não é sobre escolher o pai da criança, é sobre o pai não ser pai. [53:19] Participante Isso é fato. Isso é fato. [53:19] Bia Ben É sobre o pai não ser pai, e é sobre ela fazer sacrifícios- [53:21] Participante Mas vamo lá [53:21] Bia Ben Que independente do pai ser pai ou não ser presente, ela vai fazer. [53:24] Participante Existem, existem mulheres que só colocaram o filho no mundo. [53:26] Bia Ben Eu juro que eu achei que essa pergunta fosse você, não é pra mim. [53:28] Participante Existem, existem mulheres que só colocaram o filho no mundo, que não fazem questão de ser presente na vida da criança. [53:34] Bia Ben Tá, existe aí. [53:35] Participante Entendeu? E outra parte também de mães, que não sei a porcentagem, que é do mundo corporativo. Elas pensam em só trabalhar e não tem tempo de qualidade, porque eu conheço pessoas assim. [53:44] Bia Ben Nossa, citamos o mundo corporativo e eu amei. Quantos homens pensam só em trabalhar, só na carreira deles, só neles- [53:48] Participante Mas aí é a questão [53:48] Bia Ben Só nas mulheres que eles querem conquistar e a vida deles. [53:50] Participante Se o homem não tá lá pra sustentar a criança- [53:52] Bia Ben Se o homem não cria o filho dela, ela não presta. [53:53] Participante Se não paga pensão, a justiça prende. [53:54] Bia Ben Se a mulher não cria o filho dela, ela também é vagabunda. [53:55] Participante Aí se a mulher- [53:56] Bia Ben Então a gente tá usando aqui, hã... [53:57] Participante E se a mulher abandona a criança, a justiça não faz nada. Agora se o pai- [54:00] Bia Ben A justiça não faz nada? [54:02] Participante Não faz. [54:02] Bia Ben Se o pai recorrer, faz. [54:03] Participante Não faz. [54:03] Bia Ben Se o pai recorrer, faz. [54:05] Participante Tem o caso do nosso amigo que falou, que apresentou aqui e não aconteceu. [54:07] Bia Ben Então cadê ele aqui? Cadê ele aqui? [54:08] Participante Não aconteceu nada. [54:08] Bia Ben Pra falar o caso dele. Se o pai recorrer, faz. [54:10] Participante Não faz. [54:10] Bia Ben Faz, faz, sim. [54:11] Participante Não faz. Já viu algum caso que já fez? [54:13] Bia Ben Já vi. [54:13] Participante Quantos por cento? [54:13] Bia Ben Já vi. Eu já vi algum caso. [54:14] Participante Quantos por cento? A porcentagem. [54:15] Bia Ben Eu não tenho dados, você tem dados? [54:16] Participante Ah, não tenho então. [54:17] Bia Ben Os tipos também, nós não temos dados. [54:17] Participante Não, então. Então cê não pode falar. Também da mesma maneira. [54:20] Bia Ben Exatamente. Então vamo ficar isso aí. [54:20] Participante Cê entendeu? [54:21] Bia Ben Vai lá, meu amigo. Tamo junto. [54:22] Participante Mas, mas ex-- um exemplo, eu cuido do meu filho. [54:25] Bia Ben Hã. [54:25] Participante Meu filho... [54:26] Bia Ben Maioria! Vai, ah, pelo amor de Deus. [som de batida] Pô, dessa vez ninguém te empurrou. [54:34] Participante Cê viu? [54:35] Bia Ben Gostei. [54:35] Participante Mas eu voltei. [54:36] Bia Ben Tá, você também não tem essa coisa não, né, de que você não soube escolher o pai da criança. [54:39] Participante Não, não, não. Eu acho que assim, você, inclusive, tenho que te parabenizar. [54:43] Bia Ben Obrigada. [54:43] Participante Além da tua, a boa argumentação, cê tem uma retórica ótima, o ponto que eu acredito que- [54:47] Bia Ben Cê também. Cê é advogado? [54:48] Participante Sou advogado. [54:49] Bia Ben Percebi. [54:49] Participante É, inclusive, assim, nessa questão do direito, é, vou até te ajudar na, na questão da guarda compartilhada. [54:55] Bia Ben Sim. [54:55] Participante A guarda compartilhada não significa uma semana e uma semana. Significa, na verdade, compartilhadas decisões da vida da criança. [55:00] Bia Ben Uhum. [55:01] Participante Então, a decisão de uma escola: "Ah, a Bia quer que estude na escola X", ela tem que consultar com o pai também, independente de ser divorciado ou não. [55:07] Bia Ben Sim. Quer viajar, consultar com o pai. [55:09] Participante Isso. [55:09] Bia Ben Legal. [55:10] Participante Vai sair do estado, enfim. [55:11] Bia Ben Então mesmo com guarda compartilhada, o pai não é obrigado a dar presença pra criança, às vezes apenas dinheiro, né? Isso é triste. [55:16] Participante Não, não, não. A presença dele se dá com aquela visita que tem que ser agendada. Agora- [55:20] Bia Ben É, mas duas vezes no mês você não conhece ninguém. [55:22] Participante Isso, não, lógico. [55:22] Bia Ben Se você vê seu amigo duas vezes no mês, você não conhece ele, quem dirá seu filho. [55:25] Participante Com certeza. Isso pra mim não é algo que tem que existir. É, o ponto- [55:28] Bia Ben É, eu concordo. Eu concordo. [55:30] Participante O ponto que eu acho que todo o teu debate tem que ser levado em consideração é a tua visão do que é ser pai, porque todos os teus argumentos são muito razoáveis. [55:38] Bia Ben Sim. [55:38] Participante São muito razoáveis. [55:39] Bia Ben Muito obrigada por isso. [55:40] Participante O ponto, é, crucial é que nós vivemos numa sociedade predominantemente cristã, católica, evangélica, mas é cristã. [55:47] Bia Ben Tô entendendo. [55:47] Participante Que acredita em Deus. O dogma da igreja cristã é a família. [55:51] Bia Ben Sim. [55:51] Participante E a família como pai provedor. Então o pai de verdade, que muitos aqui são pais de verdade, eu sou pai de verdade, eu do-dou a vida pela minha filha, cuido dela com unhas e dentes. [56:00] Bia Ben E é isso. [56:00] Participante E eu vou prover a família e ela, e assim, a minha filha ela vai ser o que ela quiser na vida dela, porque ela tem um pai. [56:06] Bia Ben Que bom. [56:06] Participante E essa é a figura do pai. Então, quando você fala num debate, eu acho que tem que separar do que é ser um pai de verdade, e aí- [56:14] Bia Ben O que é, o que isso é ser um pai de verdade pra você? [56:16] Participante Um pai de verdade é estar presente na dor, é dividir com a esposa, como eu disse, o sacrifício. [56:20] Bia Ben Um pai de verdade é estar presente- [56:21] Participante Cê lembra quando eu disse que não tem- [56:22] Bia Ben Financiarmente também. [56:23] Participante Presença- [56:24] Bia Ben Dar amor pra criança. [56:25] Participante A questão financeira é condição sine qua non, é, é obrigação. [56:27] Bia Ben A gente, cê vê o que a gente tá discutindo, porque pra mim também pai de verdade é isso. [56:29] Participante A gente discute exatamente pelo fato de quando você disse da questão do patrimônio, do sacrifício. [56:34] Bia Ben Tá. [56:34] Participante Que a mulher, ela tem mais sacrifício. [56:36] Bia Ben Tem, ela tem. [56:36] Participante Na verdade, não, o pai, ele tem que ter sacrifício igual. [56:39] Bia Ben Ó, eu tô vendo que cês tão voltando nos temas. [56:41] Participante Sim, mas é, é só pra você entender que a figura do pai- [56:45] Bia Ben Hã [56:45] Participante A figura do pai, na tua visão, tem que ser corrigida pra o que é um pai de verdade. Porque aqui, quando todo mundo discorda de você- [56:52] Bia Ben Não, calma, calma, calma, calma. Você tá dizendo pra mim que eu não sei o que é um pai de verdade, e você tá tentando corrigir o que é um pai de verdade. [56:55] Participante Você não consegue enxergar o que é, o que é a figura masculina de um pai provedor de verdade. [57:02] Bia Ben Você acabou de me dizer qual é a sua opinião de um pai de verdade, que é um pai que dá presença pra criança, é um pai que ajuda financeiramente e pra ele- [57:07] Participante É um pai que divide todas as atribuições com a mãe. [57:09] Bia Ben E eu concordo. [57:09] Participante Cem por cento, é isso. [57:10] Bia Ben Então aonde eu não sei ver um pai de verdade? [57:12] Participante Em mim. [57:13] Bia Ben Não, eu-- você acabou de falar que é, eu te parabenizo. [57:15] Participante É isso. [57:15] Bia Ben Não, parabéns, cê é um pai de verdade. [57:16] Participante E aí, o que você precisa enxergar é isso. [57:19] Bia Ben Enxerguei. [57:19] Participante Que, na verdade, quando você fala assim, aí você, você tava discutindo com o rapaz. [57:23] Bia Ben Obrigada. Mas cê é um pai de verdade, fica de boa É isso aí. Vocês precisam muito de validação, gente. Vocês precisam se olhar e ter certeza que são pai de verdade. E é isso aí. [57:31] Participante Vai me dar o selo? [57:32] Bia Ben No, é, é, não, eu não vou te dar um selo, tipo assim: "Vem aqui, garota, agora desfila o pai de verdade". Não é isso, gente. Vocês são pais e é isso. E ser pai não é a co-- não é pra vocês serem aplaudidos, não. Você é aplaudido quando você vence um campeonato, você é aplaudido quando você bate a meta da tua empresa- [57:46] Participante Mas não- [57:46] Bia Ben ...quando você consegue um bilhão de reais. Agora, o pai, ele não tem que ser aplaudido por ser pai, porque a mãe não é aplaudida por ser mãe. Eu não fui aplaudida quando eu pari, eu não fui aplaudida quando eu quase morri depois de ter parido meu filho. Eu não fui aplaudida por amamentar e o sofrimento ninguém viu. Eu não fui aplaudida por criar um filho sozinha. O que eu tô explicando pra vocês é que a mãe não é vista. Oh, my God! [risos] Não, tá. A gente já se falou? [58:13] Participante Não. [58:13] Bia Ben Só de longe, né? Teu nome? [58:15] Participante Marcelo Frias. [58:15] Bia Ben Marcelo, é o que eu falei com vocês, eu já tô com o rostinho na cabeça. [58:18] Participante É, bom, a pauta é a mulher, a, a mãe tem o trabalho mais difícil do mundo. E aí eu acho que tem que ter não a supervalorização do trabalho da mãe. [58:28] Bia Ben Não tem que ter. [58:29] Participante Mas a equidade do trabalho de ambos. [58:33] Bia Ben Sim, se ambos fizerem seu papel. [58:34] Participante Exato. [58:35] Bia Ben Então fechou, tamo junto. [58:36] Participante Então, mas n-a- [58:37] Bia Ben Se ambos fizerem seu papel, a gente tem uma família perfeita- [58:38] Participante Mas o meu ponto- [58:39] Bia Ben ...e é isso que é meu sonho [58:40] Participante ...é que não é que a mãe tem o trabalho mais difícil do mundo, é que os dois têm um trabalho difícil. [58:46] Bia Ben Mas a mãe tem mais. [58:47] Participante É igual. Discordo. [58:48] Bia Ben A gente não, não- [58:49] Participante Cada um nas suas funções. [58:50] Bia Ben A gente não tem como discutir que um pare e outro não. [58:52] Participante Não, não, essa- [58:52] Bia Ben Um gesta, outro não [58:53] Participante ...essa parte é biológica, a gente não precisa resolver. [58:55] Bia Ben Não, mas a gente não pode, a gente não pode ignorar essa parte, a gente não pode esquecer essa parte. [58:57] Participante Você não escolheu ser f-mulher e eu não escolhi ser careca. A gente nasceu assim. [59:02] Bia Ben Tu nasceu careca? [59:03] Participante Não. [59:03] Bia Ben E tu não raspou a cabeça? [59:04] Participante Não, eu sou- [59:05] Bia Ben Você escolheu, sim, ser careca, cara. Que loucura, eu esco- [59:07] Participante Não, a natureza quis que eu fosse. [59:10] Bia Ben Ah, não. Gente. [59:10] Participante A natureza quis que eu fosse, mas o meu ponto aqui é que temos- [59:13] Bia Ben Ai, eu não escolhi ser careca, juro. [59:15] Participante Não escolhi. [59:16] Bia Ben Ah, não. Você não escolheu ser mulher, e olha, eu não escolhi ser careca, não foi nem escolher ser homem. Tá, vamo lá. Oh, meu Deus. [59:23] Participante Eu não escolhi. Mas o ponto aqui não é esse, o ponto aqui é que temos- [59:26] Bia Ben Mas trouxe esse [59:26] Participante ...trabalhos e divisões diferentes. [59:29] [risos] [59:30] Participante O ponto que eu trouxe é re-é rela-relação à biologia, e não é esse o, o ponto em questão. O ponto em questão são as funções. [59:36] Bia Ben Sim. [59:36] Participante E a mulher não tem o trabalho mais difícil do mundo, na minha opinião, porque ela tem as funções dela enquanto mãe, assim como o pai tem as funções dele enquanto pai. E num casal estruturado, aí eu não tô falando de pai solo ou mãe solo, mas num casal estruturado, eles têm que conversar e dividir essas funções. [59:57] Bia Ben Mas tem função que não tem como dividir. Eu não tenho como dividir com você que meu filho tem que mamar no peito. A não ser que eu fique dormindo e você bote o meu filho mamar no peito, que não é uma realidade. O que eu tô te explicando é que eu não tô tirando o seu papel de pai, tá? Tá? Se você é um bom pai, eu te respeito por isso. E tá tudo certo você ajudar. Mas existe um momento ali- [1:00:11] Participante Não é ajuda. [1:00:12] Bia Ben É, exatamente. Existe um momento ali que nesse início, ele precisa, a criança precisa muito da mãe. Então é por isso que é difícil. Eu não tô invalidando os pais, entende? Os pais são superimportantes. [1:00:22] Participante Aí cê voltou pra biologia. [1:00:22] Bia Ben E aí, por exemplo... Não, eu não tô invalidando, os pais são superimportantes. Só que existem momentos que é só a mãe. Mesmo depois de t-- de novo, voltando pra bio-da biologia, mesmo depois de tudo que ela passou, ela vai ter que se dedicar ali sete dias por semana, trinta dias no mês, e ela não tem o que fazer, ela tem que fazer aquilo ali, porque ela precisa cuidar do filho dela, e ela quer, porque ela quis aquele filho. Eu não tô falando que é um problema nem um peso, eu só tô dizendo que é difícil. A gente tem coisas que a gente quer na vida, mas a gente encara aquele desafio. [1:00:45] Participante Bem como o pai tem as questões dele. [1:00:47] Bia Ben Sim, mas o pai- [1:00:48] Participante Ele vai acordar cedo [1:00:49] Bia Ben Exatamente, ele vai cuidar também. [1:00:50] Participante Ele vai acordar cedo. [1:00:50] Bia Ben Não quer dizer que não passou a madrugada acordado. Não necessariamente. [1:00:52] Participante Entendi. [1:00:53] Bia Ben Não necessariamente. Não necessariamente. Pode ser que ele tenha passado a madrugada acordado, mas tem coisas que vai depender só da mãe. E aí eu, eu tô sentindo que biologicamente você não tá conseguindo pegar isso daqui, porque, por exemplo, você pode cuidar de uma criança de cinco anos? Óbvio. Mas às vezes um bebê de um mesinho, você até quer ajudar, porque eu sei que tem pais que querem, tipo: "Por favor, eu quero te dar apoio, eu quero exercer minha paternidade". [1:01:10] Participante Mas cê não acha- [1:01:11] Bia Ben Mas no início, ele não consegue. [1:01:12] Participante ...que ao falar isso, você- [1:01:12] Bia Ben E nisso aqui, eu não tô dizendo que você é ruim. [1:01:14] Participante Deixa eu, te fazer uma provocaçãozinha. [1:01:15] Bia Ben Eu tô dizendo pra você que o, a maternidade- [1:01:17] Participante Sim [1:01:17] Bia Ben ...é o trabalho mais difícil do mundo, e isso é um fato. Não é sobre o pai ser bom ou o pai ser ruim. E eu acho que vocês tão sentindo que eu tô atacando vocês. Não, eu não tô atacando vocês como pai. [1:01:25] Participante Não, não, não, de maneira nenhuma. [1:01:25] Bia Ben Mesmo que a mãe tenha um bom pai- [1:01:27] Participante Eu só acho que você enaltece muito o trabalho da mãe- [1:01:28] Bia Ben A maternidade ainda vai ser difícil [1:01:29] Participante ...desmerecendo um pouquinho o trabalho do pai. [1:01:31] Bia Ben Não, é que vocês- [1:01:32] Participante E eu acho que a gente tem que fazer uma equidade da parada, porque todo mundo tem seus- [1:01:35] Bia Ben Obrigada [1:01:36] Participante ...suas funções. [1:01:37] Bia Ben [risos] Oi, tudo bem? [1:01:41] Participante Olá, Bia, tudo bem? [1:01:42] Bia Ben Prazer. [1:01:43] Participante Meu nome é Sérgio. [1:01:44] Bia Ben Tudo bom, Sérgio? [1:01:45] Participante Eu vou fazer quarenta anos de casado. [1:01:48] Bia Ben Que legal. [1:01:48] Participante Tenho três filhos, duas filhas e um filho. E assim, é lógico, você tá correta com a sua afirmação, porém, a gente também, é, eu vejo assim: a atribuição dos pais é separado, a medida e o peso. E tem que ser, porque quando um assume mais do que o outro, alguma coisa tá errada, tá errada, né? Então eu vejo assim: eu tive total participação na vida dos meus filhos. Desde da gestação da minha esposa, eu acompanhei todos a, as visitas ao médico. Então, ser pai é isso, é participar. [1:02:24] Bia Ben Exato. [1:02:24] Participante Né? Eu acho que hoje o nosso debate aqui tem que ser pra enaltecer a juventude, os jovens que estão aí, pensar duas vezes em formar uma família. [1:02:35] Bia Ben Com certeza. [1:02:36] Participante Tamanha a importância que é a família. Então eu vejo assim, isso é ser pai. É lógico, é, depois que você contou- [1:02:44] Bia Ben Muito coerente da sua parte, Sérgio. Concordo com você [1:02:46] Participante ...depois que, depois que você contou que o seu esposo faleceu- [1:02:49] Bia Ben Sim [1:02:50] Participante ...então tá claro, né, que você assumiu tudo isso pra você. [1:02:54] Bia Ben Assumi. [1:02:55] Participante Né? É diferente de outras pessoas que são solas, porque a, foram abandonadas, né? [1:02:59] Bia Ben E que mesmo assim assumiram tudo pra elas, porque no, o fato de ser abandonado e de ele ter falecido não vai tirar o peso de você criar uma criança sozinha, que é muito pesado. E é claro que se eu pudesse escolher, o pai do meu filho estaria aqui. [1:03:10] Participante Sim. [1:03:10] Bia Ben Ele teria essa referência masculina. É claro que se eu pudesse escolher, eu poderia ter meu pai aqui comigo hoje. Há pouco tempo eu fiz uma das coisas que foi a coisa mais feliz da minha vida, que foi dar uma casa pra minha mãe. E eu fico imaginando, será que eu poderia dar um carro pro meu pai? [1:03:20] Participante Poderia. [1:03:20] Bia Ben Qual seria a que, qual seria o carro perfeito que meu pai a-amaria? Eu, essas perguntas nunca vão sair da minha cabeça. [1:03:25] Participante Eu sei. [1:03:25] Bia Ben Eu sou, eu entendo super a sua visão de família, e é uma visão que eu tenho também. E que se Deus quiser, eu vou casar e eu vou ter filhos, e esses filhos vão ter um pai. E tudo que eu quero é que as crianças tenham pais. A questão aqui é que sim, o pai é superimportante, eu concordo com você. Uma mãe nunca vai substituir um pai, e o pai nunca vai substituir uma mãe. Mas o que eu tô te explicando é que independente de tudo isso, por conta dessas situações biológicas que são indiscutíveis, o peso é maior pra ela. [1:03:51] Participante Sim. [1:03:51] Bia Ben O trabalho é maior pra ela. [1:03:52] Participante Sim. [1:03:52] Bia Ben Mas é claro que é trabalhoso pros dois, porque se você é um pai maravilhoso, como eu tô vendo que você é diante da sua fala, que exerce o seu papel, vai ser pesado. Porque criar uma criança, formar uma criança não é fácil. [1:04:02] Participante Não, é isso que eu quero- [1:04:03] Bia Ben Eu sei. [1:04:04] Participante É, é nesse ponto que eu quero dizer. Porque a pessoa pra assumir essa responsabilidade de ser um pai ou de ser uma mãe, tem que pensar em tudo isso. Às vezes, é, gera-se uma criança sem esse pensamento. Então dá-se a impressão que depois, ah, paga uma pensão. Hoje em dia as pessoas pagam a pensão, é Tem pais que paga pensão, dá a impressão que tá dando uma esmola pro filho. [1:04:28] Bia Ben É. [1:04:28] Participante Né? É ridículo isso. [1:04:30] Bia Ben É. [1:04:30] Participante Porque eu vejo assim: é, ser pai é, é ser pai sempre, presente. [1:04:35] Bia Ben Exato. [1:04:36] Participante O tempo todo. [1:04:36] Bia Ben Ser pai não é só dinheiro, ser pai é presença. [1:04:39] Participante Totalmente. [1:04:39] Bia Ben Totalmente. [1:04:40] Participante O seu filho vai lembrar de você, o carinho que você deu pra ele, não o dinheiro que você deu pra ele. [1:04:45] Bia Ben Exatamente, então a gente concorda, Sérgio. Totalmente. [1:04:47] Participante Então tá bom. [riso] [1:04:48] Bia Ben Totalmente. Adorei debater com eles, inclusive já disse pra eles que eu amei todos. Eu gostei muito, achei que foi um debate muito interessante, onde eles colocaram os pontos deles e eu os meus. Quero dizer aqui que eu não sou contra pais, muito pelo contrário, acho que o ideal da família é que tenha um bom pai, uma boa mãe, pra gente ter uma criança ali completamente, é, como eu posso dizer? Completa. Amparada e feliz, amém. Brigada. Uma criança amparada e feliz, mas completa, né? Porque uma criança que não tem a mãe, ela vai ser incompleta e que não tem o pai, vai ser incompleta também. E isso é um fato, infelizmente. E é isso. Mas acima de tudo, eu tive uma mãe que foi só mãe, porque eu não tive o pai, meu pai morreu, eu tinha seis anos, então parabéns pra todas as mães solos desse Brasil, que fazem muito esforço pra poder criar os seus filhos. E eu sei que não é fácil. E que nenhum pai entenderia tá na nossa pele, porque é muito complicado. E por mais que a gente tenha que a obrigação de criar os nossos filhos, mas vai pra além disso, porque tem amor. Então, parabéns também pra vocês, que são ótimos pais, pra todos que sentaram aqui comigo e pros que não sentaram também, que eu sei que exercem esse papel e eu admiro vocês. E eu esperava que todos os homens fossem assim, bons pais, presentes e que amassem tanto os filhos ao ponto de não conseguir viver sem eles. Era o meu sonho ideal. E é isso, gente. Acima de tudo, feliz Dia dos Pais. Um beijo no coração de vocês. [aplausos] É isso.