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1 Juiz x 30 Torcida Organizada

1 h 26 min de vídeo · 17 mil palavras · Com Carlos Simon

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Legendas em português

Cada minuto é um botão que toca o vídeo a partir daquele trecho.

Carlos Simon

A maioria dos árbitros são pessoas honestas e corretas, eles querem acertar, porque quem mais sofre é o árbitro. Meus filhos foram ameaçados na escola.

Participante

Qual país do mundo você acha que tem a melhor arbitragem?

Carlos Simon

A Premier League.

Participante

O que que é a diferença de lá pra cá?

Carlos Simon

São profissionais. Já vi você errando muito assim também, foi contra o Atlético. Do erro do árbitro Carlos Eugênio Simon. E um que eu não esqueço foi contra o Palmeiras e Fluminense, né? Gooool! O juiz tá marcando uma falta.

Participante

Por que que um árbitro, num momento decisivo desse, comete um erro infantil?

Carlos Simon

Tu já pegou um livro de regras pra ler alguma vez na vida?

Participante

Se for o time dele que tiver ali na hora e ele tiver querendo favorecer o time dele, ele vai fazer isso e nós nunca ficaremos sabendo.

Carlos Simon

Roubar, tu tem que ter prova. Se eu errasse uma penalidade que eu não marcava, eu não dormia aquela noite. Eu cometi um erro, do maior da minha carreira, numa quarta de final de Copa do Brasil, Botafogo e Atlético Mineiro no Maracanã. Teve um pênalti que eu não dei. Se você quiser ver pessoas felizes, não vá ser árbitro de futebol, vá vender sorvete. Meu nome é Carlos Simo, o árbitro das Copas, o único brasileiro a apitar três Copas do Mundo.

Sou jornalista, trabalho na ESPN e hoje estou cercado por trinta torcedores. Vocês só acham que são roubados quando é o seu time. Opa!

Participante

Tudo bem, Simon?

Carlos Simon

E aí, tudo bom? Teu nome?

Participante

Gabriel.

Carlos Simon

Gabriel.

Participante

Então, eu vou falar do jogo-

Carlos Simon

Opa. Vamo lá

Participante

...do jogo recente que teve agora de Santos e Cruzeiro. O Santos já tá numa fase péssima, né, todo mundo sabe, né? Tem o Neymar que é lobisomem, joga a cada oito jogos. E a gente tá numa fase-

Carlos Simon

Então tu acha que o Neymar não tem que ir pra Copa?

Participante

Não, ele tem que ir pra Copa, óbvio, mas ele, né, tá foda. Fisicamente, ele tá mal, mas ele-- confio nele, acredito.

Carlos Simon

Mas e por que que vai pra Copa daí?

Participante

Não, porque ele tá melhorando, né?

Carlos Simon

Mas a Copa é...[risos]

Participante

Eu acredito, Santista.

Carlos Simon

Vamo lá.

Participante

Bom, é, tipo, teve o jogo de Santos e Cruzeiro que foi zero a zero e teve impedimento não marcado, né, marcado, no caso, pelo árbitro, que foi muito questionável. Depois todo mundo falou que foi, que não era pra ter sido marcado e prejudicou muito o Santos, né? Porque o Santos tá quase na zona de rebaixamento agora no Brasileirão e deu zero a zero. Então é meio inválido isso, né, tipo, eu acho que oito meses pra um árbitro ser capacitado é muito pouco tempo pra ele ser capacitado pra apitar um jogo de futebol profissional.

Porque você pensa, o jogador ele jogou desde a base, às vezes desde os dez, desde os doze, até os dezoito, então ele se capacitou muito tempo pra chegar na, ali naquele lugar onde ele tá. Oito meses pra um árbitro apitar um jogo é muito pouco tempo.

Carlos Simon

Não, oito meses pra te fazer um curso. Você é leigo, tá? Eu estudava na, é, escola técnica Parobé em Porto Alegre, segundo grau, e fui convidado por um professor, que foi árbitro, a fazer um curso de arbitragem. Eu queria ser jogador, meu sonho era ser jogador, como qualquer um de vocês ou das, das, das gurias que tão por aí, era tentar ser jogador de futebol, não consegui, como qualquer um que nasce nesse país, não é?

E aí eu morava no interior, aquela coisa toda, quando vim pra capital, fazia aquela peneira Grêmio e Internacional, era muito difícil passar. E acabei sendo árbitro. Então, e, e o que me proporcionou tá perto desses gênios aí, que a pouco eu citei o Ronaldinho Gaúcho, o Messi, Ronaldo Fenômeno, Romário, eu tava a cinco metros desses caras apitando. Isso é gratificante, porque eu sou apaixonado pelo esporte, em particular pela arbitragem.

Então, quando você vai fazer um curso, são oito meses. Você fez o curso. Aí você começa como? Na minha época, apitando juvenil, é, juniores, amador, tu vai pro interior, segunda divisão. Eu fiz todo esse processo, tá? Que eu fiquei sete anos enfiado no amador apitando futebol. Hoje em dia tem árbitro aí que se formou, hã, eu nem sonhava. Meu sonho quando comecei a apitar, era apitar um Gre-Nal.

Apitei vinte Gre-Nais, tá? Hoje o cara apita, o cara já quer saber, lá ou da arena do Grêmio ou do, do Beira-Rio, ou aqui do Morumbi, Itaquera ou Allianz, né, pra esses jogos. Então tá errado, os caras aceleraram demais esse processo. Então por isso, aí depois tu vai se capacitando, se capacitando. Só que agora tu tem que ter essa estrutura de profissionalização, que ainda bem que a CBF tá assinando o contrato dos árbitros para serem profissionais, exclusivamente, igual um jogador.

Terminou, vai treinar. O árbitro terminou o jogo domingo, quarta-feira, vai lá pra sentar com os companheiros e estudar.

Participante

Sim, com isso acho que pode-

Carlos Simon

Só assim nós vamos progredir.

Participante

Pode melhorar, mas em 2018. Aí sobrou nada pra mim.

Carlos Simon

Mas tu veio, tu veio foi bem, tu veio em cheio mesmo, porque veio falar do teu time, do impedimento, né?

Participante

Falar do Brasil também.

Carlos Simon

É.

Participante

Deixa quieto, né?

Carlos Simon

Oba, oi aí, rapaz do céu, meu caro velho. Olha aqui, não, não, não, já pode passar, já. Já pode passar. [risos]

Participante

Só porque é corintiano, né?

Carlos Simon

Porra, meu velho. Olha aí, olha aí, ó.

Participante

Prazer, eu sou o Luca.

Carlos Simon

Ô, Luca. Luca ou Lucas?

Participante

Lucá.

Carlos Simon

Ah, tá.

Participante

Eu não concordo com a sua, com a sua afirmação, até por um jogo recente, que eu tava Corinthians e Flamengo agora na arena, tava presente no estádio. Teve a expulsão polêmica no Breno Bidon, que o juiz, é, deu a expulsão, o VAR chamou a revisão, ele foi ver e manteve a decisão. Não concordo com a, com a decisão.

Carlos Simon

Também não.

Participante

Acho que não era pra ter sido expulso.

Carlos Simon

Também.

Participante

E teve o, também o, o pênalti em cima do André, que o juiz perto, em cima do lance, analisou, interpretou que não houve nada, o VAR não chamou e depois quando foram ver, todo mundo de fora, né, do ambiente externo, entendeu que deveria ter sido chamado e que deveria ter sido pênalti. Então, ele errou no que não deveria ter dado e errou no que deveria ter dado.

Carlos Simon

Não, eu con-- casualmente nesses dois lances eu concordo contigo, tá? Ele viu a, a infração, tá? Essa aí é outra questão que tem que ser bem esclarecida, essa questão das travas da chuteira, tá? Que agora é um negócio moderno no futebol. Antigamente pisava no pé, vamo embora. Hoje tem que ver com as travas e a intensidade. Aquilo ali é uma jogada temerária passível de cartão amarelo. Pra ser vermelho, tem que ter força excessiva.

Participante

Sim.

Carlos Simon

Não teve, tá? Mas aí ele foi e equivocadamente ele manteve a decisão dele, mas é a do árbitro, a decisão dele, do, do, do árbitro de campo que ele entendeu. Então é aquilo que nós, é, já respondi anteriormente. Essa padronização, essa falta de critério, essa insegurança que os árbitros estão vivendo, pesa muito, tá? Porque como é que tão orientando os árbitros? Ah, eu acho que tem bons árbitros no Brasil?

Tem. Só que infelizmente, a, acabou, estamos perdendo, né? Mas essa questão é, é, é fundamental. E a decisão próximo da jogada. E outra coisa, o árbitro, tá? Ele tem que, ele, ele tem que assumir, se ele errar, não tem problema nenhum. Eu acho que assumir a, que nós somos falíveis, tá, é, é, não é fraqueza, é um ato de coragem.

Participante

Sim.

Carlos Simon

Tá? Então tu tem que. Eu quando erro, eu vou lá e assumo, eu digo: "Você não vê mais", falando. Valeu, meu velho. Obrigado. [música de espera] [risos]

Participante

Olha.

Carlos Simon

Aqui é, é MG e SP. [risos]

Participante

Ah, para.

Participante

É nós. E aí, Simon.

Participante

Tudo bom?

Participante

É, meu nome é Cuba.

Participante

Como?

Participante

Meu nome é Cuba.

Participante

Cuba.

Participante

E sobre acreditar que eu só sou roubado quando é com meu time, qualquer pessoa que não entende nada de futebol, em 2013, se procurar um vídeo Boca Juniors e Corinthians, a pessoa que não entende nada, que não sabe o que é impedimento, a pessoa vai saber que aquilo foi roubado. Aquele jogo foi roubado. E qualquer outra pessoa vai falar que foi, qualquer outro torcedor de outro clube vai falar que foi.

E aquele ano era pra acontecer o título do Corinthians.

Carlos Simon

E aquele jogo do Corinthians e Internacional 2005, o pênalti do Tinga. Esqueceu, né? [risos]

Participante

2005 eu tava pequeno. 2005 eu tava pequeno ainda.

Carlos Simon

Não, mas vai dizer o seguinte: não é esse termo, sabe? Que eu acho que o árbitro se equivocou. Eu acho que o árbitro errou, porque roubar, tu tem que ter prova, tu tem que dizer o fulano foi lá, aconteceu um caso lamentável, que foi em 2005, Edilson Pereira de Carvalho, que aí sim foi comprovado e foi banido do futebol para o bem do futebol, tá? Ali houve um caso de comprovação, mas no mais não, no mais é, é o cara equ-- o cara se equivocou, o cara não viu, naquela época não tinha a VAR, não tinha a VAR.

O cara do, o cara do Boca deu um tapinha com a bola assim, ó, ele não viu. Ele fez o tapa aqui, ajeitou a bola aqui, o cara tá mal posicionado lá, ficou encoberto, não viu nada. Então o ca-o cara se equivocou, o cara errou, tá? Esse termo eu não uso, porque eu acho que o árbitro, a, a maioria dos árbitros é um, são pessoas honestas e corretas, eles querem acertar, porque quem mais sofre é o árbitro.

Tu, tu sabe o que que é, meus filhos foram ameaçados na escola. Foram ameaçados na escola quando eu apitava. E isso é muito triste, cara. Sabe? Então o árbitro sofre demais. Então esse termo, chegar: "Roubou", não, para aí um pouquinho. Roubar, então prova. Os que, os que me chamaram, eu processei, todos os processos eu ganhei, porque não é assim. E aí muitas vezes o torcedor vê de, de, dessa forma equivocada.

A pressão que o árbitro sofre é em casa, é fora de casa, é, é do torcedor, da família do árbitro envolvida.

Participante

E ele foi punido também, não foi?

Carlos Simon

É, esse foi, tinha que ter sido. Edilson Pereira de Carvalho.

Participante

Não, o Amarilha, em 2003, o Amarilha foi punido também.

Carlos Simon

O Amarilha foi punido pela CONMEBOL, foi afastado, né? Mas, a, então eu prefiro sempre usar "equívoco do árbitro".

Participante

Certo.

Carlos Simon

Tá bom, meu velho.

Participante

Obrigado.

Carlos Simon

Valeu. [música de espera]

Participante

Simon.

Participante

Tudo bem, meu velho?

Participante

Tudo bem, sou o Peron. É, em primeiro lugar, a gente tem, tem que reconhecer quando a arbitragem acerta, como acertou em Cruzeiro e Santos, que realmente foi impedido. [risos] É... Em segundo, é, você sendo um árbitro do Rio Grande do Sul, fora do eixo Rio-São Paulo, e assim, se-sem nenhuma crítica, né, ao eixo Rio-São Paulo, mas você não acha que, hum, em todo o tempo do futebol, não rolou um favorecimento pra, da arbitragem pra times que não, pra times que estão no eixo Rio-São Paulo?

Porque, por exemplo, a gente teve em 2010 um Brasileirão que basicamente foi decidido em um jogo com uma polêmica gigantesca entre Corinthians e Cruzeiro, com todo respeito, gente. [riso] Em que um pênalti meio mandrea que foi marcado do, do Gil no, no Ronaldo. Não sei se você lembra desse jogo, que foi no, no Pacaembu. E acho que é um lance que ilustra bem como que a gente pode desconfiar que existe, sim, um, um, uma má fé assim com os times que não estão no eixo Rio-São Paulo.

Você não acha que tem isso mesmo, você?

Carlos Simon

Não, eu acho que é o seguinte: a arbitragem, ou eu quando saí do Rio Grande do Sul pra apitar, eu vim apitar, eu quero acertar cem por cento. Eu, os meus árbitros assistentes, e sempre lembrando que o árbitro sozinho não vai a lugar nenhum. Não é, o, é, é trabalho dos, das bandeirinhas, enfim, do quarto árbitro, é sempre um time. Então o cara tá ali pra acertar.

O cara tá ali independentemente de, de, de, é, de cores clubísticas, de know-how de jogador. O árbitro tem que entrar em campo, tá? Porque o árbitro, se você quiser, é, quiser se ver pessoas felizes, não vá ser árbitro de futebol, vá vender sorvete. [risos] Aí tu vai ver todo mundo feliz. O árbitro é o cara que tá ali, é, entra no universo de cada um: "Isso pode, isso não pode".

Tá toda hora interferindo. Então ele fica com essa figura meio antipática, assim. Mas eu acho que pelo contrário, o árbitro tem que ter empatia, conversar com o jogador. Isso é do jogo, tá? Porque tu tem que entender que tão vinte e dois jogadores, que os caras tão tentando ganhar ali. O maior tem que ter esse entendimento, com clareza, sabe? Sempre respeitando, e a recíproca tem que ser verdadeira.

Eu jamais enfiei o dedo na cara do jogador, porque atrás daquele jogador tem um pai de família. E exigiu mesmo, que eu, eu tenho quatro filhos. Chegar em casa, o cara deitou e rolou. Não, não. Vem reclamar, embaixo, advertência e ponto. Então, o árbitro quer acertar sempre. Ele pode errar? Pode. Tu pegou um exemplo, o outro vai pegar outro exemplo. E, e a matemática da arbitragem é injusta.

Eu apitei, é, apitei do-doze finais de Brasileirão, é, Brasileirão e Copa do Brasil. Cara, se eu errei numa, eles só vão se lembrar daquela uma, as outras ninguém mais se lembra. Então é, é injusta essa, essa matemática da arbitragem. O cara sempre fica, gravou pra ti aquele lance. E outras vezes que o Cruzeiro provavelmente foi beneficiado, o ca-- já passa batido.

Participante

Ah, mas nem existiu. Mas só pra terminar. Sandro Meira Richa errou ou não naquele lan-lance?

Carlos Simon

Cara, não tô me recordando bem aqui, são tanto lance. Pô, tu tá falando de dezesseis ano atrás, né? Dezesseis anos.

Participante

Cê lembra de lance de 2002, 2000, não lembra desse lance, pô?

Carlos Simon

Não, eu lembro dos que eu tava apitando, né? É, aí era eu que apitava.

[risos]

Participante

Olá, Simon.

Carlos Simon

Opa, meu velho.

Participante

Muito prazer. Meu nome é Cauã.

Carlos Simon

Cauã?

Participante

Vamo lá. Sem cubismo nenhum, tá? É, sobre a pauta agora. É, o que acontece? A gente vê lances indiscutíveis que principalmente tem que proteger o São Paulo, que lances que são pra ser falta, pênalti, não estão sendo marcado. E diante a esse grande fa-- É, fator, né, é, durante o jogo, né, principalmente quem é corintiano, quem é palmeirense, quem é são-paulino, protege muita das vezes o seu próprio time durante a partida, fala: "Pô, foi pênalti isso".

E com a tecnologia, após o jogo, a gente vê que foi lances indiscutíveis, que muita das vezes não foi. Na hora ali, a gente pensou que seria falta e tudo mais. Então, assim, eu não concordo com esses lances com você. Eu queria entender como que funciona a cobrança diante aos árbitros, porque a gente vê que no Brasil, é, pós-jogo ali, os árbitros não falam dep-- É, o que de fato era falta pra ele ser marcado, ele não fala, ele não dá depoimento nenhum.

Então eu queria entender essa questão. Se vocês realmente têm essa cobrança fora do jogo.

Carlos Simon

Eu, eu defendo que o árbitro tem que dar entrevista. Eu dava quando apitava antes do jogo, depois, eu falava. Muitas vezes eu recebi uma ou outra bronca daqui, dali, mas eu falava. Acho que o árbitro tem que falar, tem que se comunicar. A informação é pública e todos têm o direito. Por que só o jogador se manifesta, o técnico se manifesta? Terminou, vou lá e digo: "Olha aqui, velho, eu olhei no campo, a minha decisão foi essa.

Qual é o problema?"

Participante

Certo, mas por que que hoje os árbitros brasileiros, você vê que no final da partida apenas os jogadores vão pro repórter, conversam, dão feedback sobre a partida, mas o árbitro não.

Carlos Simon

Eu não, eu não sou eu que comando, né? Então isso aí tem que perguntar pra quem comanda. Eu, eu sou favorável de que árbitro dê entrevista, sim. O árbitro tem que dar entrevista. E, e essa questão do lance, por exemplo, n-no, no qual lance que você praticamente deixou a-

Participante

Contra o Palmeiras, exemplo

Carlos Simon

É, esse aí, o pênalti claríssimo.

Participante

Indiscutível, exato.

Carlos Simon

O árbitro foi punido quarenta dias. O árbitro ficou sem apitar quarenta dias, depois foi voltar. É, um árbitro jovem, com bom potencial, que acabou sendo meio queimado nessa jogada. Depois que voltou, ele não voltou muito bem, tá? Mas errou naquele lance. Então o árbitro é punido. E, e, e a princípio, o árbitro não é nem profissional. Como é que você vai punir um cara que é jornalista, personal trainer, que é metalúrgico, professor?

Tá? Eu achava um absurdo essa questão de, dessas punições. Agora, o cara vai ser profissional, vai assinar, tá ali, vai, vai depender só daquilo ali, vai ganhar só pra aquilo ali.

Participante

Sim.

Carlos Simon

Tá? Então essa questão, hã, do profissionalismo, eu entendo que vai melhorar nesse aspecto bastante para a arbitragem.

Participante

E última pergunta: o que que você acha que falta pra melhorar a arbitra-arbitragem brasileira? Qual ponto cê acha que ainda precisa-

Carlos Simon

Não, eu te falei bastante, eu acho que falta pelo comando, pelas orientações. E eu acho que o outro ponto importante, o árbitro não é só o árbitro culpado, tá? Pelo, pelo, pelo nível do futebol que tão jogando no Brasil.

Participante

Certo.

Carlos Simon

Por exemplo, o número de faltas no Brasil. Se tu pegar da Premier League, são vinte e uma faltas por temporada. O campeonato, a, espanhol, ó, o, o espanhol são vinte e cinco, o italiano vinte e seis, o Brasil vinte e oito, né? Então o número de faltas é, é, é muito-- É muitas faltas no futebol brasileiro. Outro dia teve um jogo que teve cinquenta faltas. A bola não rola.

A média é quarenta e cinco, quarenta e seis, quarenta e nove minutos de bola rolando pro jogo, que é muito pouco. Então isso aí é uma cruzada. Feito.

Participante

Muito obrigado.

Participante

[risos] É, eu acho que o que eu vou falar agora vai se tornar um pouco polêmico, mas hoje eu falo que o Fluminense é um dos clubes que mais sofre com a arbitragem no Brasil e o favorecimento dos clubes como Corinthians, Flamengo, é muito grande, muito grande. E isso é notório e eu queria saber qual que é a sua ideia sobre isso.

Carlos Simon

Vixe. [risos]

Participante

É só a verdade. É só a verdade.

Carlos Simon

Opa! Opa.

Participante

Eu queria muito vim. Eu sou a Belle, eu trabalho com futebol e eu falo de todos os times. Eu não torço pra um time, eu torço pra todos os times. Então vou na torcida do Galo, do Cruzeiro, do Inter, do Santos, eu vou em tudo. E aí eu consigo ver... Calma aí, gente. Eu consigo ver os dois lados. Então eu consigo compreender o lado deles, de sentir, é...

Porque tem pesquisas que falam que setenta por cento dos torcedores falam que os ti-- Tem três times do Brasil que são mais beneficiados pela arbitragem, que é Flamengo, Palmeiras e Corinthians. É uma pesquisa, tem dados. Mas ao mesmo tempo, quando eu vou na torcida dos outros times, eu vejo que sim, eles ficam querendo sempre apoiar o próprio time. Então é isso.

Carlos Simon

Não, não, eu acho que é, sempre é bom essas estatísticas e estudo e tal. Agora são pesquisas e é, o, o torcedor ele sempre tá puxando lenha pro seu assado, né? No teu caso, tu tá pra seleção brasileira, né, que também é meu time. Mas, hã, essa questão do, do, do, do árbitro, aí não é um problema só do árbitro. Que nem eu falava, o futebol brasileiro tem que ter uma cruzada contra essas simulações, contra esse monte de falta, contra esse monte de reclamações, mas aí é o árbitro, são os jogadores, são os técnicos, são os dirigentes, a imprensa, tá?

E a, o Tribunal de Justiça, né, punir com rigor. Então acho que aí, sim, nós vamos elevar o futebol brasileiro.

Participante

Sim, eu concordo. E quando eu vou na torcida, sempre ela apoia o próprio time e nunca fala que o impedimento tá errado. Ops.

Carlos Simon

É. O torcedor é quem menos sabe. Ó, meu velho, essa foi boa. Ê, rapaz. Tu viu só? Ê, rapaz.

Participante

Simon, eu discordo, né. É, hoje a gente tem aí, é, primeiro o árbitro, temos os bandeirinhas, quarto árbitro, o VAR. Da sua época pra cá, teve mudança de regra, teve cartões, né, inseridos e muitas regras e outras que estão por vir. E como a colega tinha falado ali, mesmo assim, ainda a gente tem muitas coisas acontecendo que, né... A gen-- A gente não quer, como torcedor, quando um time da gente ganha: "Ah, nosso time ganhou.

Ah, mas ganhou porque o juiz roubou", né? Então, é, você tinha comentado antes, mas não ficou claro pra mim. É, quando, por exemplo, um jogador, por exemplo, o Vini Jr, ele não ganha, ele não joga, ou o Neymar, ele é cobrado, seja pela torcida, seja pelo time. E vocês, quando vocês erram, e é comprovado ali que errou Existe uma punição? Existe alguém que chega em você? E qual é essa punição?

Já aconteceu isso com você? Queria que você explicasse pra gente, porque a gente queri-- e a gente, nós torcedores, gostaríamos que isso fosse, é, público saber, né?

Carlos Simon

Não, já aconteceu, tá? Eu acho que sim, o árbitro é punido. Primeiro, a, o que, que nem eu falei, o árbitro é o que mais sofre. Eu quando errava, eu, pode ter certeza que eu não dormia. Dava tudo errado. Chegava em casa, não queria falar com ninguém, perdia sono, passava a noite em claro e tal. Eu cometi um erro, que foi o maior da minha carreira, numa quarta de final de Copa do Brasil, Botafogo e Atlético Mineiro no Maracanã, tá?

Teve um pênalti que eu não dei. Não vi na hora e não dei o pênalti, tá? Aí vieram me entrevistar e tal, naquela hora não deu, lá no Maracanã. No dia seguinte eu fui pra casa, minha esposa gravava os vídeos em VHS, eu sentava lá e sempre ia ver: "Mas como é que, por que que eu não, por que que eu não vi esse lance?" Porque tu fica se corroendo, velho.

Até hoje, muitas vezes, o cara se lembra aquele lan-- a torcida do Galo não esquece, tá? Porque os caras se-- aquele lance, quantos jogos eu apitei do Galo, apitei de outros tantos times, campeão daqui, dali, enfim. E, mas aí da, depois daquele time lá, depois daquele erro, aquilo lá me, me, me incomodou muito.

Participante

Mas houve punição pra você? Chegou uma comissão, alguém chegou e falou: "Ó, você vai ter um tipo de..."

Carlos Simon

Vai, vai ter. Vai, vai, vai ter.

Participante

E como que é? Você pode explicar pra gente como é que é isso?

Carlos Simon

Não, aí a comissão ligou, tá? E o, e aí me puniram, disse: "Ó, não, não apita, não vai apitar lá". Fiquei um mês afastado.

Participante

Isso se torna público?

Carlos Simon

Se torna público. Todo mundo ficou fa-- sabendo. Se botar, der um Google, aí tá lá. E aí o seguinte, eu ficava treinando, treinando, sozinho, não ganhava nada. Tinha que treinar, tinha que batalhar. A pressão muito enorme, tá? Os filhos na, na escola, as pessoas criticando, não sei o quê, indo na escola, dá palestra.

Participante

Na sua época não tinha VAR, mas, é, é hoje que tem o VAR, es-essa mesma aplicação de regra, como é que você vê isso? Por isso que você, como você tava falando de VAR e tal, que não pode ser aplicado.

Carlos Simon

Não, eu sou favorável ao VAR.

Participante

É por isso que a torcida fica com raiva, porque hoje tem muita regra, tem muita coisa pra poder, hã, isso não acontecer. E, e, é igual a colega falou ali, a con-- hoje é mais falado do que antigamente, porque antes a gente falava: "Não, pera aí, é, é realmente não tem como o juiz ver", a gente até, entre aspas, passava um pano. É ser humano. Mas hoje não tem como.

Como eu disse, tem...

Carlos Simon

Se tivesse VAR nessa época aí, eu teria acertado. Olhava no vídeo e dava o pênalti.

Participante

Sim. Obrigado.

Carlos Simon

Valeu.

[som de erro] [risadas]

Carlos Simon

Ó, vocês que se entendam, é mesmo time ele aí, ó.

Participante

É, cê viu? [riso]

Carlos Simon

Como é teu nome?

Participante

Prazer, eu sou a Carol.

Carlos Simon

Carol. Tudo bom?

Participante

Tudo bem?

Carlos Simon

Tudo.

Participante

Então, eu discordo muito dessa, dessa afirmação. Por quê? Porque a gente tá no estádio, a gente tá no, quando não tá em estádio, tá em casa, a gente assiste futebol, tanto do nosso time quanto do, de outros times. E aí falar que a gente não sabe nada de arbitragem ou de tudo que acontece no jogo é, é horrível. Então eu queria entender o porquê dessa afirmação.

Carlos Simon

É, a, a questão é o seguinte: o, é, não sabe em termos de arbitragem. Tu já pegou um livro de regras pra ler alguma vez na vida?

Participante

Não peguei pra ler, mas já vi vídeos, muitos vídeos sobre regras.

Carlos Simon

Não, você, nem muitos técnicos. Uma vez eu participei duma palestra com um, é, ex-técnico aí campeão. Eu perguntei pra ele: "Tu pegou?" Ele também não sabia, porque o jogador também não sabe a regra. Eu acho que o jogador ti-- tem obrigação de saber? Não tem, mas se ele souber, é melhor, é. Se ele souber que aos dez minutos de jogo o cara vai fazer um gol, é zagueiro, ou o centroavante vai fazer o gol, o zagueiro vem atrás e, e faz uma falta, impedir uma clara e manifesta possibilidade de fazer um gol, ele vai receber cartão vermelho.

O time vai ficar com dez jogadores em campo. Vale a pena ou é melhor tu sofrer o gol e ficar com onze aos, a partir dos dez minutos do primeiro tempo, por exemplo. Se ele souber, ele pode pensar um pouco melhor. Então ele não sabe. Nesse aspecto que o torcedor não sabe, ele não sabe da regra. Porque o torcedor, claro, o torcedor consome futebol, o torcedor é a essência do futebol.

Se não tiver torcedor, é a pior coisa que tem é apitar em campo vazio. Eu apitei já em campo vazio, é a pior coisa que tem. Árbitro, aquele estádio lotado, cheio, cento e tantas mil pessoas. Na minha época era, era possível pegar um estádio com cem mil pessoas. Então lotado é a melhor coisa que tem pra todo mundo. Então o torcedor, nesse aspecto, ele é, ele tem, ele, ele faz autocrítica também.

E hoje em dia mais ainda, porque vocês que é jo-- tu que é jovem, tu entra nesse, nessas internets, comunicação social aí, nas mídias sociais, tu tem tudo ali pra ver, pra ler, pra saber disso, saber daquilo e tal. Então, nesse aspecto, quando eu me refiro a isso, é na regra. São as dezessete regras, que tu não, não, não, não tem, o torcedor não tem esse conhecimento.

Participante

É, não vou saber na, na, na didática mesmo, mas assistindo, mas acompanhando, a gente sabe o que que é uma falta, o que que é um impedimento, o que que é...

Carlos Simon

Sim.

Participante

E esses erros enormes que tá acontecendo agora, que todo mundo tá falando, a, a gente sabe também. Então essa, essa afirmação pra mim não faz sentido nenhum, nenhum.

Carlos Simon

É, mas foi isso aí, em termos disso aí, da regra mesmo.

Participante

Então tá bom. Obrigada.

Carlos Simon

Valeu.

[som de erro] [risadas]

Participante

Olou.

Carlos Simon

Ooopa.

Participante

Foi nada. [riso] Sentisse.

Carlos Simon

Aê.

Participante

Prazer, meu nome é Fabiano Simon. É, eu sou dessa época, né, sou torcedor dos, da, dos tempos noventa, né? Já vi você errando muito assim também, assim. O, dois lances, assim, que você errou, né, que foi contra o Atlético e um que eu não esqueço foi contra o Palmeiras e Fluminense, né? Contra o, contra o Obina, na que o Obina fez o gol, né, e você não, não deu aquele gol legítimo.

Eu acho assim, como o tema tá falando lá do torcedor, eu acho que o torcedor sabe, sim, assim, às vezes, às vezes vê lances que tão ali... Eu, eu tô entendendo o que cê tá falando. Quando cê tá em jogo ali, o árbitro tá passando uma pressão, pressão muito grande. Hoje em dia, então, no futebol brasileiro, que tá acontecendo muitos erros, eu acho que o, o árbitro também tá deixando muito a desejar, esperando muito a, é, é, o VAR.

Muitos lances que acontecem, o, o árbitro espera o VAR. Se fosse na sua época assim, cê acha que o, os, os árbitros também fariam isso? Esperasse muito do VAR?

Carlos Simon

É. Não, primeiro tu viu vários jogos eu apitar, vários anos, né? Até porque a gente tem quase a mesma idade. Eu apitei mil cento e noventa e oito jogos. Você falou de dois. Então graças a Deus eu errei-

Participante

Os dois mais que você, é, uns lances mais-

Carlos Simon

Mas é o que tu te lembra.

Participante

Que pretativa, assim. Teve os outros, lógico, né, mas...

Carlos Simon

Não, tu te lembra que a que apitei, né?

Participante

Teve, teve, eu sei que teve. Eu lembro.

Carlos Simon

A Copa dos Campeões lá em Maceió, Sport e Palmeiras.

Participante

Sim, tu falou que-

Carlos Simon

O Palmeiras campeão, quem tava no apito era eu. Vários outros jogos do Palmeiras, do Parque Antártica que eu apitei, enfim. Mas dois lances, dos quais eu vendo na televisão depois eu reconheci publicamente. Eu acho que isso aí tem que engrandecer a pessoa, quando a pessoa tem a humildade de chegar e dizer: "Olha, velho, na televisão é uma coisa, lá no campo é outra".

Participante

É verdade, por isso que eu falei.

Carlos Simon

Então, é, então eu acho que tu tem que pegar e-

Participante

Ali dentro você.

Carlos Simon

E foram, tá? Então desses mil cento e noventa e oito jogos, claro que eu cometi alguns equívocos lá, bem menos, mas não tinha VAR naquela época. Por isso que eu sou favorável. Então tu, tu vai ter uma outra oportunidade, é, o VAR hoje te dá essa oportunidade pra erros claros e óbvios, né? O VAR, o VAR interferir. Aaah, então, é, nesse aspecto, ah, eu sou extremamente favorável ao VAR.

Eu acho que se, se tivesse na minha época seria ótimo, mas não tem. O VAR começou no Brasil, começou depois da Copa do Mundo 2010. Em 2012, veio a tecnologia da linha do gol e a partir de 2016, a interferência do VAR, tendo a primeira Copa do Mundo 2018 com o auxílio do VAR já. Agora tem que dar um, uma padronização nesse árbitro de vídeo.

Participante

Maravilha.

Carlos Simon

Valeu.

Participante

Por favor.

Participante

Opa, cheguei. Tudo bem, Simon?

Carlos Simon

Tudo, tudo.

Participante

Oh, até que enfim, prazer.

Carlos Simon

Oh, é, dá um-

Participante

Rafinha Patito, tudo bom?

Carlos Simon

Já teve aí, né, meu? É.

Participante

Segura os, segura os cartão aí no seu bolso, hein, por favor. Então, Simon, tudo bem? Prazer, Rafinha Patito.

Carlos Simon

Valeu, meu velho.

Participante

Bom, sou influenciador, a- não a-acompanho, acompanho o futebol, sou torcedor também do Santos.

Carlos Simon

Já tá seguindo o véio?

Participante

Já. Ainda não. Eu vou, vou, vou seguir.

Carlos Simon

Oh, rapaz, que mundo vivo, cara.

Participante

Calma. Eu conheço, ó, eu já joguei com... Joguei jogos beneficentes, tava o Godoy, seu amigo.

Carlos Simon

Ô, bom.

Participante

Oh, o Margarida, conhece o Margarida? Aquele-

Carlos Simon

Sim, sim, o Clésio.

Participante

Então parece que os árbitros hoje não têm nenhuma profissionalismo, porque não é possível. Foi, foi falado aqui diversas vezes sobre regras, sobre ah, é, o VAR, ah, tá ajudando e tal, ou não, enfim. O que importa é o seguinte: a decisão do cara é o que importa. Porque sobre, não sei da onde até apareceu um cruzeirense aqui, mas beleza. Falou que, falou que naquele jogo contra o Cruzeiro, vo-- sua decisão, naquele jogo contra o Cruzeiro, tava impedido ou não?

Do, do Simon, vamo lá. Um cara raiz que foi um puta árbitro.

Carlos Simon

Não, mas tu vê, aquele lance é o seguinte, meu, meu amigo: foi um lance milimétrico que eu falava antes. O cara tá na cabine do VAR, o cara tem vários ângulos, então o cara tá operando ali. Aquele negócio agora ficou-

Participante

Sim, mas aquilo ali na pontinha do joelho?

Carlos Simon

É.

Participante

Pelo amor de Deus.

Carlos Simon

Pelo amor de Deus.

Participante

O que que eu-- você, ali cê concorda comigo que não foi impedimento?

Participante

Licença, meu amigo.

Participante

Ah, deixa ele falar. Deixa ele falar.

Participante

Bom, Simon.

Carlos Simon

Tudo.

Participante

Eu de novo. Cê falou sobre a profissionalização e sobre o torcedor não saber, né? Mas na Copa de 2018 a gente teve o lance contra a Bélgica, que foi pênalti no Gabriel Jesus. Tanto que o juiz falou no momento que não foi pênalti e depois ele veio se corrigir e falar que foi pênalti. Aí cê acha: "Bom, o juiz em Copa do Mundo, numas quartas de finais, ele dá uma dessa".

Claramente ele não tá capacitado pra aquele momento. Então eu acho que é muito inválido o cara tá numa Copa do Mundo e ele não tá capacitado pra aquele momento, que foi, prejudicou o Brasil, né? O Brasil não classificou.

Carlos Simon

Sim, foi o pênalti do Kompany.

Participante

Sim.

Carlos Simon

Zagueirão, né, que é em cima do Gabriel Jesus e foi pênalti mesmo.

Participante

Sim.

Carlos Simon

Tava zero a zero o jogo.

Participante

Exato.

Carlos Simon

Se o Brasil, saiu o pênalti, o pênalti também não quer dizer que é gol. Provavelmente vai fazer o gol, mas pode ser que não faça, né. Então tinha, é, 2018 e tinha o VAR, né? Ah, então eu acho que essa questão, esse, esse era o tipo do lance que tinha que ter chamado. Mas o, o cara quando vai pra Copa do Mundo, tem toda uma preparação. Eu fui em três: 2002 Japão-Coréia, seis Alemanha e dez África.

Tá? Não fui na quarta no Brasil, porque a arbitragem na minha época até quarenta e cinco anos tinha que parar. Se não tivesse que parar, eu tinha feito quatro Copa do Mundo.

Participante

Sim.

Carlos Simon

Mas tinha que parar com quarenta e cinco anos de idade. Depois de 2013, a FIFA reviu isso e hoje vocês olham o árbitro apitando com quarenta e oito, quarenta e nove, cinquenta, enfim. Então, hã, mas eu a-- concordo contigo, foi um erro crasso.

Participante

Mas cê não acha que ele devia ter sido mais capacitado pra esse momento? Porque é uma Copa do Mundo, não é qualquer situação, não é um joguinho de várzea, tipo, não desmerecendo a várzea.

Carlos Simon

Eu sei.

Participante

Mas é algo muito importante, né, pra o país, é...

Carlos Simon

Mas, meu velho, depois do Pelé, o maior jogador desse país foi Zico. E o Zico errou um pênalti. E aí o Zico não tava capacitado numa Copa do Mundo em 86? Tava. Um grande jogador de futebol. Isso acontece pra quem tá lá dentro.

Participante

Certo, obrigado, Carlos.

Carlos Simon

Valeu.

Participante

Não, é porque hoje eu tenho que deixar tempo pros cara.

Carlos Simon

Ô, meu narrador.

Participante

Ô, Simon.

Carlos Simon

Eita, meu velho. Vamo lá.

Participante

Bom, vamo lá, Simon. É, deixa eu te fazer uma pergunta que um, um torcedor acabou de fazer há pouco. Porém, assim, eu gostaria, por mais que, é, você na ESPN já tenha se desculpado, e eu acho isso muito louvável, até mesmo pelo que você mesmo falou, na ocasião não tinha VAR e vocês não tinham, assim, recursos pra isso. Mas é um pouquinho diferente a maneira que ele perguntou.

Eu vou te perguntar agora especificamente isso, tá? Nada pessoal, mas ali tava valendo um título. Em 2009, esse jogo Palmeiras e Fluminense, tava zero a zero no Rio de Janeiro, cobrança de escanteio, o Obina tava na frente do zagueiro do Fluminense, ele não encostou em ninguém e ele fez o gol O que que você viu ali na hora pra você ter anulado aquele gol?

Carlos Simon

É que teve a disputa com o goleiro, né, e eu acabei apitando. Pra mim, teve quando eu me virei, era um escanteio, voltou a bola, deu rebote, o outro cruzou, quando eu olhei, quando eu olhei já tava ali, o goleiro caído e tal, aquela situação, e pra mim teve um toque, né, eu vi no, no campo e aí acabei anulando. Mas o Palmeiras não foi, não foi, não perdeu o campeonato por causa daquilo.

Faltavam cinco rodadas. Cinco rodadas pro, pro-

Participante

Mas só que aquilo contribuiu.

Carlos Simon

Mas faltavam cinco rodadas pra jogar. Depois le-eles foram jogar em Porto Alegre, os jogadores andaram brigando numa agência bancária. Já teve muita confusão depois do jogo lá, entendeu?

Participante

Aham.

Carlos Simon

Inclusive, é, tenho um grande amigo que é palmeirense, o PVC.

Participante

Sim.

Carlos Simon

É, e ele tem muitos argumentos e ele mesmo di-já me disse: "Não foi por causa daquele lance lá". Mas enfim, foi um equívoco que eu, é, que eu acabei cometendo, mas-

Participante

É, e como eu falei, eu achei louvável da sua parte você ter-

Carlos Simon

Tá bom.

Participante

Tá bom?

Carlos Simon

Tá lá no meu Instagram lá, o vídeo.

Participante

Maravilha.

Carlos Simon

Valeu.

Participante

Segue o véio.

Carlos Simon

Segue. Mas dá aquela corridinha, dá aquele migué. Ah, vem cá, minha. Parece que ele tá, o árbitro tá indo pro VAR. Parece que tá indo pro VAR. É.

Participante

Não, pô, eu sou fumante, já viu. Simon, eu entendi perfeitamente o ponto que você falou e eu vou apresentar outro ponto de vista em relação à sua afirmação. Sobre o torcedor de repente não entender ou de repente ter essa outra visão, é, eu falo como torcedor, assim como a grande maioria, e o torcedor é quem move o futebol, até aproveitando o seu gancho do que você falou.

Porém, eu acho que, na minha humilde opinião, eu acho que deveria ser uma coisa muito melhor estruturada, principalmente em relação à arbitragem no Brasil, porque acaba destoando um pouco. Então, ao mesmo tempo que o torcedor move o futebol, ele move os clubes, as entidades, as federações. E acho que perante isso, deveria existir um carinho um pouco maior com o torcedor, uma consideração maior com o principal combustível, principalmente nessa questão de profissionalização.

Carlos Simon

Não, eu concordo plenamente. Pra mim, o torcedor é muito desrespeitado. Tem jogos que começam dez da noite, dez e meia da noite, o cara chega em casa de madrugada, não é? É, sair uma hora da manhã, pegar ônibus, pegar lotação, pegar trem, chegar em casa, outro dia seis da manhã tem que tá no serviço. Isso aí realmente complica, né. Isso aí eu, eu acho que teria que ter, ter, ter um pouco mais de respeito o torcedor, no, sobretudo no futebol brasileiro, porque ele é a essência do, do jogo.

Se não tiver torcedor ali, eu te falei, apitar jogo com o estádio vazio é a pior coisa que tem, né. Então eu acho que, hã, e essa questão do torcedor, da, o torcedor e a regra, é, que não sabe em, em termos da regra, né, do livro de regra ali. O torcedor sabe muito e muita coisa e torce, e é passional, quer ver o seu time campeão, não interessa como.

Como a colega aí, são-paulina que veio aí, quer, quer saber do São Paulo campeão, né. É a melhor coisa, senão não dorme, perde a semana, fica indignado. É brabo. Batimento cardíaco vai lá em cima quando tá vendo o jogo. Tudo isso. Mas o, eu sei, porque lá dentro do campo, tu olha o árbitro lá quantas vezes lá dentro lá, sabe, querer acertar e acertar e acertar. Só que não tem como acertar tudo.

É, não tem como. Não, não tem, né, mas tu quer sempre tá acertando. Até em respeito ao torcedor que pagou ingresso e não é barato, o transporte.

Participante

Muito.

Carlos Simon

Vai comer um, um cachorro-quente, tomar um refrigerante, lá se foram cinquenta reais. Então é, é muito difícil, sabe? Então tu tem que acertar, mas pode ter certeza que o árbitro se cobra muito. O árbitro é o que quer acertar, embora ele seja odiado, né. A maioria das pessoas odeia o, o árbitro. Mas é que, é como diz o Cortella, o, é, a respeito do árbitro odiado: "O suce-- o sucesso chateia, o talento incomoda e a energia boa causa inveja".

Participante

Muito obrigado, Carlos. [aplausos]

Carlos Simon

O juiz sabe mais que a tecnologia. [efeito sonoro]

Participante

Prazer, Simon.

Carlos Simon

Opa.

Participante

Me chamo Pedro. Eu queria falar sobre, né, o juiz sabe mais que a tecnologia. Pra mim é totalmente errado. A gente vê várias situações. Eu queria debater com você sobre o árbitro de vídeo, porque você vê que em certas situações, mesmo tendo a tecnologia ao seu favor, né, os árbitros, tanto quem tá ali no comando da cabine do VAR ou o árbitro de campo, eles batem o pé em certas decisões ou até mesmo de não chamar.

Tem situações até recentes, muito polêmicas, que não chamou o, o árbitro de vídeo, né, pra realmente ver o lance, enfim. E o juiz ele acha que sabe mais que a tecnologia, mas mesmo tendo, né, ali a linha certinho, vendo que foi um lance ali de pênalti ou não, de falta ou não, de impedimento ou não, eu queria saber por que que o juiz sabe mais que a tecnologia, sendo que tem a seu favor e não usa essa muleta muitas vezes.

Carlos Simon

Não, tu veja bem, é, Pedro, o futebol é o esporte mais jogado no mundo. Foi um dos últimos esportes de massa em que a tecnologia entrou no esporte, né. O futebol é jogado por seres humanos e apitado por ser humano. A falibilidade faz parte do, hã, do ser humano, tá? Pa-- perfeito só o patrão velho lá de cima. Portanto, a tecnologia ela veio para grandes erros. Mínima interferência, máximo benefício.

Pra isso que foi criada a tecnologia, tá? Porque a matéria do, do futebol ela é subjetiva. Noventa por cento da regra ela é interpretativa. Então a melhor decisão pra ti não necessariamente vai ser a minha. Por isso que o árbitro não deve interferir, o árbitro de vídeo, em lances interpretativos.

Participante

E porque muitas vezes em lances que, né, a grande maioria das pessoas ou mesmo fatos não são interpretativos, realmente aconteceu impedimento ou uma falta ali inexistente e não chamou nem o árbitro pra cabine.

Carlos Simon

Não, na, na verdade, o seguinte: chama. Por exemplo, no Brasileirão do ano passado, tá, seiscentas e quarenta e duas intervenções do VAR. Em cento e noventa e duas-- seiscentas e vinte e quatro. Cento e noventa e duas, o árbitro mudou de decisão, tá? Mas o que que acontece? O VAR, o VAR no Brasil é intervencionista. Ele não tem que entrar quase duas vezes por, por partida, tá?

É um absurdo. O VAR ele veio pra grande decisões. Por exemplo, tá, a bola entrou dois metros O árbitro não viu, é passível, no campo de jogo tudo pode acontecer. São frações de segundo, você não viu que aquela bola tava lá dentro. Aí tem, na minha época não tinha, tá? E eu sou favorável ao VAR. Hoje tem, o árbitro chama e diz: "Olha, essa bola entrou dois metros.

Esse gol foi legal, foi colocado pra dentro da, da, da meta legalmente e ele tem que ser validado". Então o VAR veio pra ajudar a arbitragem nesse sentido e não no sentido interpretação. Que nem eu te falei, nós-- um jogo de corpo, uma entrada aqui, pra ti é falta, pra mim não é. O, o futebol é um jogo de contato físico, tá? Então o VAR, no Brasil, ele não tem que se meter como se mete de-- ne-nessa maneira, tá?

E é por isso que fica a dúvida no torcedor. Tem que entrar, não tem que entrar. E o torcedor tem que saber, tá, que o futebol é um jogo de erros, assim como o, o teu meia esquerda errou uma penalidade máxima. Isso aí faz parte-

Participante

Sim, mas-

Carlos Simon

...do ser humano.

Participante

O que-

Carlos Simon

Aí, o grande detalhe no Brasil é essa tua discussão. Chama o VAR, chama o VAR. Pra que chamar o VAR? Pra, pra quê? Então, tu não tem mais futebol. Toda hora é o VAR que vai apitar, põe um robô lá pra apitar, não é o árbitro.

Participante

Mas a tecnologia vem justamente pra inibir esses erros. Claro que errar esse, é do ser humano, mas muitas vezes, eu vou dar exemplo até o São Paulo e Palmeiras agora, que a Daiane apitou, que teve, na minha visão, dois erros, ali tanto no pênalti inexistente, ali do, em cima do Bobadilla, jogador do São Paulo, e também no, no pênalti que não foi, que marcou, que não marcou em cima ali do-

Carlos Simon

Na tua opinião.

Participante

Na mão do Gustavo Gomez. Na minha opinião, sim, mas por que não chamou nem a, a imagem, como tem a tecnologia agora? Claro que errar-- e tá bom, na minha opinião, que errar, esse é, que foi erro, pode não ter sido, enfim, mas por que não chamou o árbitro de vídeo pra checar ali? Por que que não foi chamada, né, a Daiane pra olhar ali a imagem?

Realmente o VAR deixou a decisão dela dentro de campo.

Carlos Simon

Porque-

Participante

Esse, esse é meu questionamento, que o juiz sabe mais que a tecnologia, né, essa é a afirmação que você trouxe, mas muitas vezes ele precisa da tecnologia a seu favor.

Carlos Simon

Não, é justamente-

Participante

É justamente o intuito e não é utilizada essa, esse mecanismo muitas vezes.

Carlos Simon

Na verdade, o juiz é o que decide sobre a-- a palavra final é do árbitro de campo, não é da tecnologia, tá?

Participante

Mas por que muitas vezes ele não é acionado pra checar com a tecnologia?

Carlos Simon

Justamente por isso. Eu tô próximo da jogada, eu tô livre na jogada, eu vi a jogada, o que que o VAR vai se meter? Pra que que o VAR vai se meter?

Participante

E por que eu tenho o VAR?

Carlos Simon

O quê? Mas aí, aí não, aí não adianta, aí é esse negócio. Pra ti é pênalti, pra mim não é pênalti. Entendeu? Então pra quê? Aí vai ficar chamando toda hora-

Participante

Pra ver de outros ângulos, às vezes não viu de um, de um claro.

Carlos Simon

Não, se tiver esse entendimento, mas se o VAR chegar e disser pra ele: "Eu vi a jogada tal, pegou na mão e pra mim não é mão anti-- não é mão deliberada nem antinatural, portanto nada a marcar", não chama. Que quem apita é o árbitro do campo e quem decide tem que ser sempre o árbitro do campo.

Participante

Certo.

Participante

Obrigada.

Carlos Simon

Tudo bom?

Participante

Oi, tudo bem? Prazer.

Carlos Simon

Tudo.

Participante

Eu sou a Belle Tófani. É, eu queria trazer também essa pauta sobre os, o juiz saber mais que o árbit-- que o VAR. Eu entendo o que você tá falando sobre ser um lado subjetivo e o outro lado objetivo, porque a câmera tá olhando ali totalmente técnico e você tá olhando a parte mais subjetiva de interpretar o que a câmera não faz. Mas a questão aqui que a gente fala muito, né, a torcida traz muito, é sobre como que muitas vezes o árbitro, ele tem critérios diferentes de um árbitro pro outro.

Então o que eu queria entender pr-- com você, o árbitro sabe mais que o VAR ou o árbitro deveria saber mais que o VAR e por isso a gente deveria ter um treinamento maior dos árbitros?

Carlos Simon

Não, exa-- ó, o VAR, é o que eu quero dizer é o seguinte: o, o, o árbitro de vídeo veio pra auxiliar o árbitro.

Participante

Sim.

Carlos Simon

Quem decide é o árbitro central, tá?

Participante

Sim.

Carlos Simon

Eu é-- o árbitro central é que vai decidir. A tecnologia veio auxiliar o árbitro.

Participante

Concordo.

Carlos Simon

Por exemplo, você falou no lance factual, objetivo, tá? O sujeito tá impedido cinco metros, o assistente não viu. O VAR vai dizer: "Olha, esse cara tá impedido cinco metros". Ele vai dizer, o árbitro não precisa nem ir lá no vi-- no monitor olhar. Esses lance factual, tá, quando é objetivo, ele só fala, né, que é uma consulta silenciosa que fala-se. Então, ponto, isso é muito fácil. Quando é interpretação, quando ba-- parte da interpretação, aí se o árbitro tá na jogada, a decisão tem que ser de campo.

Participante

Então, mas-

Carlos Simon

A questão do critério, tá, isso vai de árbitro pra árbitro.

Participante

Sim.

Carlos Simon

Mas aí pra ti o, a, pra ti ter uma padronização, tem que partir desse pro-- desse pressuposto. A comissão de arbitragem tem que dizer pros árbitros o seguinte: "Olha, só chama-se em erros claros e óbvios". É um erro, é uma penalidade que cem por cento tão dizendo que é pênalti, o, o juiz tava olhando lá pra cima, o disco voador, sei lá o que que ele tava olhando e não viu uma penalidade claríssima, o VAR chama o árbitro: "Pô, isso é pênalti", tá?

Então marca seu pênalti. Caso contrário, não tem que se meter. Por isso que tá a confusão no futebol brasileiro, porque parte da orientação de quem orienta os árbitros, que é equivocada.

Participante

Uhum.

Carlos Simon

O negócio da mão. É mão, não é mão. Não, na minha época era mão intencional que se falava. Depois o termo mudou pra mão deliberada. A bola vai passar aqui, eu dou um tapa na mão. Isso era pênalti, tá? Antigamente, se pegasse da mão acidental, não era. Eu, por exemplo, fui instrutor de árbitros da FIFA 2011 e num congresso da FIFA em Zurique, os treinadores falaram, falaram o seguinte pra nós: "Nós mandamos o jogador se jogar na bola, se joga na bola com os braços levantados.

Se a bola pega na mão, não é nada". Na época, a regra dizia que não era nada. Aí nós, instrutores, dissemos: "Opa, isso aí é uma burla, isso aí tem que ser punido". Então o que que a gente botou? Antinatural. Você, é uma bobagem que eu vejo os jogadores indo pra bola com as mãos pra trás. Tu perde o equilíbrio, tu não tem como se equilibrar, tu tem que jogar de mão aqui, tá?

Então, se tu tá na posição natural, não é antinatural, segue-se o jogo. É isso que tem que orientar. Então hoje o futebol brasileiro, o árbitro não sabe quando é pênalti, quando não é pênalti, dá na mão, é uma gritaria no estádio, dá pênalti. Então o que passa muito pela arbitragem nacional O comando da arbitragem que tem que ser um comando firme e orientar corretamente os árbitros. Aí a gente vai diminuir essas dúvidas.

Participante

Tá, entendo. Qual que você acha que-- qual país do mundo você acha que tem a melhor arbitragem?

Carlos Simon

A Premier League.

Participante

Tá.

Carlos Simon

O campeonato inglês.

Participante

O que que é a diferença de lá pra cá?

Carlos Simon

São profissionais.

Participante

Então a gente não tá falando sobre a questão do juiz. Lá, eles são muito mais treinados.

Carlos Simon

Porque são profissionais.

Participante

E por isso, eles conseguem também entregar mais do que os árbitros do Brasil.

Carlos Simon

Exatamente.

Participante

Então, beleza, que foi a minha pergunta, que a gente fala muito que a gente tá levantando a pauta que o juiz tem mais conhecimento ali que o VAR.

Carlos Simon

Que o VAR.

Participante

Ele interpreta melhor que o VAR.

Carlos Simon

Sim.

Participante

Mas se a gente pegar na Premier League, lá eles têm uma capacitação muito maior, porque eles têm mais de quinhentos profissionais já contratados que mexem só com isso.

Carlos Simon

Exatamente.

Participante

E no Brasil, a partir de 2026, que a gente começou a ter realmente os profissionais contratados. Então eu entendo também que a torcida, ela tem esse receio, esse problema com a arbitragem, exatamente porque os árbitros antes eles tinham que, sei lá, fazer bico, né, pra ser árbitro.

Carlos Simon

É.

Participante

Então tem essa questão também de concordo com o seu lado subjetivo de que tem que ter inter-interpretação, só que também tem que ter a capa-capacitação maior.

Carlos Simon

Com certeza. Só que quando eu errava lá, tu não pensava assim. Tu me criticava. "É, seu cego, tu não errou". O torcedor pensa assim.

Participante

Sim.

Carlos Simon

Ele não se coloca no lugar do árbitro, que é um ser humano. Então, graças a Deus, é uma lu-- é uma luta antiga, tá? Que vem antes de mim, dos árbitros ainda, da profissionalização da arbitragem.

Participante

Sim.

Carlos Simon

Porque era um absurdo. O futebol é um negócio de milhões de reais, em que a figura amadora era o árbitro.

Participante

Uhum.

Carlos Simon

Eu era jornalista, trabalhava lá no jornal, final de semana eu ia apitar um clássico Grenal.

Participante

Sim, sendo que é das profissões mais importantes que tem ali.

Carlos Simon

Exatamente. Então a CBF, palmas para a CBF, que a partir deste ano, deste mês de março, não é, a profissionalizou a arbitragem.

Participante

Sim.

Carlos Simon

Profissionalização quer dizer erro zero? Não. Não, porque pode acontecer, mas o árbitro vai tá mais preparado. Esse tipo de situação que eu trouxe aí, você poderá reunir os árbitros no Rio de Janeiro e começar a passar todas as instruções.

Participante

Uhum.

Carlos Simon

Inclusive, su-- já, já nos ensinou Paulo Freire, que o melhor aprendizado é de mão dupla. Você aprende junto com o aluno. Põe esse vídeo lá na tela e vamo decidir todos os árbitros aqui. Os trinta vão decidir se isso é pênalti ou não é. Vinte vão dizer que é, dez que não. Então nós vamos dizer: "Opa, então vamo, vamo nos vinte?" Então isso aqui vai ser pênalti.

Participante

Uhum.

Carlos Simon

Isso aí já vai diminuir essa aberração que é e essas críticas e ofensas que tem contra a arbitragem brasileira.

Participante

Sim, e só pra fechar, lá na Premier League, eles usam um tipo de VAR um pouco mais evoluído que o nosso, que é o semiautomático. Você acha que trazendo ele, agregaria ainda mais?

Carlos Simon

Muito mais. Por quê? E depois na-

Participante

Que já tão tentando instalar no nosso caso.

Carlos Simon

É, e depois nós até vamos discutir a questão da regra também. Mas essa questão, é, de impedimento milimétrico vai acabar o semiautomático que decide e não mais o árbitro assistente.

Participante

Muito obrigada.

Carlos Simon

Eu que te agradeço.

Participante

Tchau, foi um prazer.

Carlos Simon

Valeu.

[som de batida]

Participante

Olá, senhor. Tudo bem?

Carlos Simon

Opa, tudo bem.

Participante

Meu nome é Marcelo Borges, eu sou locutor. Como cê pode ver, torcedor do Palmeiras, eu vou fazer, é, perguntas mais baseando-se no, nos jogos que eu vejo do meu time.

Carlos Simon

Sim.

Participante

Tá? Nós estamos falando sobre arbitragem e tecnologia. E aí eu te pergunto: o tema que, que você trouxe foi "Os árbitros sabem mais", tá? Então citando alguns jogos do Palmeiras, porém o mesmo exemplo, tá? Vamo lá. É, contra o Chelsea, né, no mundial, teve aquele lance do Luan, que já faltando dois minutos pra ir pra cobrança de pênalti, o jogador do Chelsea dentro da área, à queima-roupa, ele chutou a bola no braço do Luan.

O Luan ainda tentou se virar com o braço colado. Ele não tinha o que fazer.

Carlos Simon

Sim.

Participante

É como você falou. E aí, tanto que o árbitro de campo, você deve se recordar, ele deixou o lance seguir. Pra ele, não tinha sido pênalti. E aí o VAR, como você mesmo disse, dessa maneira equivocada, chamou o juiz. Não sei se lá eles falam: "Ó, veja bem, tem certeza? Não vai dar?" O juiz foi, viu o, o VAR, voltou e deu pênalti pro Chelsea. Segundo lance.

No-- ainda sustentando essa situação de que o árbitro sabe mais. Jogo Palmeiras e São Paulo em 2022, final do Campeonato Paulista. Primeiro jogo, três a um pro São Paulo no Morumbis. Eu não me recordo o nome do árbitro, mas o mesmo tipo de lance. O jogador do São Paulo chutou à queima-roupa, o Marcos Rocha com o braço colado, pegou, o juiz não deu na, ali na hora, porém o VAR chamou, ele viu o VAR, voltou e deu pênalti pro São Paulo.

Na volta, aconteceu o mesmo lance. O jogador do Palmeiras chutou, o Nestor do São Paulo tentou recolher o braço, o braço colado, o Claus foi, viu o VAR, voltou e deu pênalti. Se o árbitro sabe mais, por que que tantas interpretações diferentes? Essa é a minha pergunta.

Carlos Simon

O, o lance do Gustavo Gomes tu não vai se referir.

Participante

Não, posso me referir também, porém, então tá.

Carlos Simon

Só trouxe até o papo.

Participante

Não, não, não, não, não, não. Então tá, então eu vou me referir ao lance do Gustavo Gomes.

Carlos Simon

Não, mas esse também é...

Participante

Porém, o lance do Gustavo Gomes, eu já posso te, a meio que te responder em cima do que você falou.

Carlos Simon

Claro.

Participante

Que não dá pra jogar com os braços pra trás.

Carlos Simon

Que não dá. É.

Participante

E aí, se eu não me engano, você falou que foi pênalti, que teria que ser marcado.

Carlos Simon

Não, não, não foi.

Participante

Não, né? Você não. Teve, então. Então fo-- acho que foi o Paulo César de Oliveira que falou que foi pênalti e você falou que não foi porque era movimento natural.

Carlos Simon

É.

Participante

Ele até tava recolhendo o braço, né?

Carlos Simon

Não, mas entã-

Participante

Então por que que você falou uma coisa, o Paulo César de Oliveira falou outra, se o árbitro sabe mais?

Carlos Simon

Pois é, é, exatamente. Até trouxe isso, excelência, porque é, é a questão da interpretação, é interpretativo. Por isso que o VAR não tem que se meter. Tá que o VAR, ele é a solução, mas ele não vai resolver tudo no futebol. Nós tem que aprender a trabalhar com isso aí. Então, lances interpretativos, naquele lance do Palmeiras, esse específico do braço, a árbitra tava em cima da jogada.

Ela interpretou. E não quer dizer assim cinco centímetro pra lá, cinco centímetro pra cá. A regra fala o seguinte: é deliberado? Não é. É antinatural? Não é. Tu joga futebol com o braço aqui.

Participante

Exato.

Carlos Simon

Não joga futebol de braços abertos, se for assim, tudo bem. Tá? Então essa questão da interpretação, ela é, é-- mas é a regra do futebol que é assim. As dezessete regras, é matéria subjetiva, é interpretação.

Participante

E você concorda-

Carlos Simon

Por isso que eu comento. Até porque quem opera a máquina do VAR é um ser humano.

Participante

É isso que eu ia dizer agora.

Carlos Simon

É o árbitro que tá ali. É ele que opera o VAR.

Participante

É isso que eu ia dizer agora. Falam que o VAR veio pra melhorar. Porém, quem comanda o VAR é um ser humano.

Carlos Simon

É um ser humano.

Participante

E se o coração desse árbitro que tiver ali comem, é, comandando o, a arbitragem de vídeo, se ele, se for o time dele que tiver ali na hora e ele não sabemos, não podemos afirmar, tá? Porque qualquer afirmação pode ser complicada. Mas se ele ali na hora te fizer, aí, tiver querendo assim, é, favorecer o time dele, ele vai fazer isso e nós nunca ficaremos sabendo. É o mesmo que acontece no desfile de escola de samba, quando de repente, às vezes você vê, tá todo mundo dando dez e um vai lá, dá nove ponto um.

Aí cê fala: "Da onde isso?" Né? Então são coisas que acontecem, que aí você vê que o VAR hoje em dia, se a gente for analisar esse sistema do VAR que tem hoje, piorou.

Carlos Simon

Mas vou te dizer o seguinte: o tempo esgotou e eu sou do época, eu sou da época que não dava tanto acréscimo assim. Mas valeu.

Participante

Sim.

Carlos Simon

Valeu pela, pela participação aí e pelo debate que rende.

Participante

Eu é que agradeço.

Carlos Simon

E boas narrações.

Participante

Obrigado. Bom trabalho.

Carlos Simon

A culpa não é do juiz, é da regra. [som de batida]

Participante

Se-- ô não. Meu nome é Pedro, prazer.

Carlos Simon

Prazer.

Participante

Cara, eu acho que, na verdade, esse argumento também eu acho que contraponho as coisas que você falou antes, em relação, principalmente quando você fala que, é, o juiz, né, é, sabe mais e as regras são subjetivas. Em tese, essa, esse, esse argumento ele já cai por terra, né? Porque, por exemplo, é, se a regra é subjetiva, o juiz sabe mais como que, como que e-e-essa parte da regra ela fica à mercê do que o juiz entende que é, e não que a regra é clara, entendeu?

Justamente o que você falou, a regra não é clara, né, eu acho que não.

Carlos Simon

Não, não é, não é clara. Né? Eu digo sempre que a regra é obscura. Porque o seguinte: não, é interpretação uma jogada. Tu tem elementos pra interpretar um lance, tá? Que pra ti pode ser, pra mim não é. Vamo pegar um exemplo, um exemplo de mão na bola. Eu vou disputar uma bola aqui contigo. Bola pegou na minha mão, pela regra, pra mim não é antinatural e não é deliberado, portanto o jogo que segue.

Tu vai interpretar diferente? Aí nós tem que ver qual é o que que a maioria pensa. Se pensa como eu ou pensa como você, entendeu? E aí pra tentar criar um critério, porque também como é subjetivo, esse critério fica meio, ah, sabe, desigual. E a questão da regra, por exemplo, eu, no caso, mudaria a regra número onze, que é o impedimento. Porque pra mim, essa questão do, de você anular um gol milimétrico, que foi o caso do Santos que o companheiro trouxe anteriormente ali.

Participante

Eu acho que, eu acho que o caso do, do, do ar, do VAR semiautomático, ele, ele-

Carlos Simon

Não, mas mesmo assim.

Participante

Eliminaria uma parte disso.

Carlos Simon

Eu acho que ele vai eliminar es-- e essa questão da dúvida para o torcedor, mas pra regra é injusta, porque você anular um gol pela ponta do nariz, pela ponta do pé, não tem ganho técnico nenhum.

Participante

Sim. Acho que-

Carlos Simon

Aí você anula esse gol. Eu, pra mim, essa regra teria que ser a base, os pés. Você tá com o pé junto, eu posso tá com-- se, se eu tiver com o tronco, qualquer coisinha na frente que possa fazer um gol, menos o braço, eu anulo esse gol, tá?

Participante

Uhum.

Carlos Simon

Mas onde é que vai ser, a, onde é que tu vai ter ganho técnico quando tu tá milimetricamente, nós vimos, o, o semiautomático vai mostrar, milimetricamente, você não ganhou ganho técnico nenhum, acho que isso aí é contra o futebol, o futebol tem que ter gols.

Participante

Sim.

Carlos Simon

Então por isso que a regra número onze, na minha concepção, tinha que ser alterada. A base, os pés, o tronco, cabeça, tudo na frente, fez o gol, tá valendo o gol. Por isso que eu disse aqui, ó. Então, a regra, nesse ponto, a, a do futebol tinha que ser a, a alterada a regra número onze. Agora, veio o semiautomático, beleza. A máquina vai dizer que tu tá um centímetro na frente, marca o impedimento e acabou.

Participante

Sim, eu acho que isso já elimina a interpretação, né? Ou então alguém manusear essa parte de dadinho.

Carlos Simon

Nesse caso, sim, elimina-se a interpretação.

Participante

Mas cê concorda-

Carlos Simon

Mas a essência da regra, pra mim, tá errada.

Participante

Mas cê concorda que, por exemplo, então, é o que você bate no ponto que tem antes, né, talvez do, dos árbitros, é, eles es, conhecerem mais que a né, entenderem mais do que a tecnologia. Mas cê concorda que tem árbitros, por exemplo, você, na época que você apitava contra alguém que tá hoje, você era mais bem preparado e tem árbitros que são melhores árbitros que outros, como qualqu-qualquer profissão, né, na minha opinião.

Então, como que você nivela tudo isso? Cê acha que é só a, a, você concorda então que tem árbitros que são melhores árbitros que outros?

Carlos Simon

Sim, assim como tem jogadores melhores que outros, cada um tem um talento. O velhinho lá de cima te dá uma vocação, te dá um dom. Deu dom pro Ronaldinho Gaúcho ser o, o gênio que foi. Dom pro Messi, pro Zidane, pro Ronaldo Fenômeno, Romário, enfim, que são gênios da bola, tá? Então isso aí é o dom de cada um. Você ter a sua profissão também recebeu um, um dom.

E eu apitar futebol.

Participante

Mas cê não acha que a, a regra, então, ela devia, deveria não ser subjetiva e ser objetiva, cem por cento objetiva? Porque do mesmo modo que o VAR ele veio pra, é, eliminar esses erros, todos os erros vão vim a partir de uma coisa subjetiva. Porque os erros objetivos eu concordo, não tem como errar a linha de impedimento. Você coloca o semiautomático.

Carlos Simon

Acabou.

Participante

Eliminou. Passou a bola do gol. Não viu? Beleza.

Carlos Simon

Claro.

Participante

Passou, acabou. Mas tudo que é subjetivo é o que deveria não ser subjetivo.

Carlos Simon

Mas é que-

Participante

Por exemplo, esse da mão é, é extremamente controverso. Por exemplo, ah, tá com a mão no corpo. Ah, mas se a bola passasse da mão dele, ia ser gol. E aí cê fala: "Putz, isso não é digno de..." Por mais que não seja um-- tanto que acho que tem grandes jogadores que agora eles começam sempre com a mão pra trás, porque, é, não tem essa interpretação. Tipo assim, o Simon interpretaria isso.

O outro não interpretaria isso.

Carlos Simon

Sim.

Participante

Então eu acho que é um negócio-

Carlos Simon

Mas aí passa por aquela orientação, nós nos reunirmos e falar: "Pessoal, isso vamos marcar, isso não vamos marcar". Essa orientação. Porque não tem, o futebol é um jogo de contato físico. Tá? Não, não, não é, não quer contato, vai jogar vôlei.

Participante

Sim, concordo.

Carlos Simon

A gente não tem contato nenhum, beleza. Mas é o contato físico. E tem carga lícita e carga ilícita. A questão do ombro. Eu e tu ombro a ombro, tá valendo. Aí o ombro nas costas do cara, eu fui com o ombro nas costas, é falta.

Participante

Mas cê não acha que então é o excesso de subjetividade das regras que gera esse monte de erro ou não?

Carlos Simon

A questão é o critério da interpretação

Participante

Entendi. Deveria ser mais padronizado.

Carlos Simon

Exatamente.

Participante

Obrigado, senhor.

Carlos Simon

Valeu.

Participante

Opa, Carlinhos, tudo bom?

Carlos Simon

Tudo bom.

Participante

Eu sou a Thainá, Thainá Hosper. E eu queria falar o seguinte: de tudo que foi dito aqui, é, se eu não me engano, o nome do vídeo é "Um árbitro contra trinta torcedores", e eu vim falar aqui como torcedora. Sinceramente, eu como torcedora, eu não tô ligando pra como vocês vão chegar na regra, como que vocês vão chegar num, num parâmetro a ser seguido. Eu quero ver meu time pontuando.

Eu quero chegar lá e eu quero ver um jogo de futebol, porque assim, o árbitro, tando regulamentado ou não, tando profissionalizado ou não, ele tá ganhando o dele, o jogador tá ganhando o dele. O torcedor tá só gastando, Carlinhos.

Carlos Simon

Só.

Participante

E gastando a paciência, gastando dinheiro, sabe? E assim, é, como torcedora mesmo, eu venho dizer: pô, minha vontade-- ô, indignada, minha vontade é comer, tomar mijo de lagartixa, comer barata crocante no café da manhã. Assim, eu não quero viver e eu não tô ganhando nada, sabe? Então, tipo assim, independente da regra estar, como que ela está sendo feita, como os árbitros estão se profissionalizando, como torcedora, eu quero ter direito ao acesso e assistir um jogo de futebol digno, sabe?

Eu tô lá pra me divertir, eu tô tirando dinheiro do meu bolso pra estar lá. Então eu acho que, assim como o senhor disse em questão, ah, que o árbitro tem a parte dele humana, não sei o quê, nós, nós torcedores temos também, bastante, sabe? Então, tipo assim, muitas pessoas acabam, pô, aqui a gente tem uma galera que acompanha futebol loucamente. É, eu sou uma dessas pessoas, comecei muito cedo e aí eu vejo, tipo, a galera vai lá, ela se disponibiliza do tempo dela pra assistir o jogo de futebol, pra tornar aquilo ali mais, como eu posso dizer, mais criterioso.

Só que ela acaba tirando o saldo dela, sabe? E aí o retorno como torcedora, como torcedora, minha função.

Carlos Simon

Não, e eu concordo plenamente contigo, só que não, não é contra, eu tô cercado por trinta torcedores.

Participante

É isso, isso.

Carlos Simon

Mas em dizer o seguinte: olha, não, o torcedor é passional, você é passional, você não quer saber, sabe, do, do, do, do árbitro, quer saber que o árbitro, se o árbitro erra a favor teu, nunca contra.

Participante

Não, não, não.

Carlos Simon

Se erra a favor, normal que...

Participante

Não é isso, não é isso que eu digo.

Carlos Simon

Tu vai vibrar. Não, o teu sonho é ganhar do Palmeiras aos quarenta e oito do segundo tempo num impedido.

Participante

Não, não.

Carlos Simon

Não é? [risos]

Participante

Não, não, não, não é isso, não é isso. Aí é que tá. Eu acho que a gente tem muita tecnologia que vem pra auxiliar. Nós temos, é, a clara capacitação, né, que tá sendo feita pela CBF, mas a gente ainda tem muito erro. Tem uns erros grotescos, tem uns erros que, pô, a gente não, não tinha tantos quando não tinha a tecnologia e a gente não, não tinha tanta discussão quanto tá tendo agora, sabe?

Então pra mim o ponto é esse, é muito tempo gasto, o, a questão financeira gasta e o resultado demora muito a chegar, entende? Então o meu ponto é esse. Então eu não quero ver meu time sendo, é, gan-ganhando... Não, eu não quero ver meu time ganhando no impedimento.

Carlos Simon

Mas o maior respeito, eu acho que é isso aí. O, o torcedor é a essência do futebol.

Participante

Exatamente.

Carlos Simon

É, é isso aí.

Participante

Ali o rapaz quer falar.

Carlos Simon

Vambora.

Participante

[som de batidas] Oba! Ó, ó, ó. Ei, take it easy.

Participante

Eu pensei que foi jogo de corpo.

Participante

Ó aqui, ó.

Participante

Vamo nessa, Simon.

Carlos Simon

Vamo que vamo.

Participante

Continuo sendo Kuba e eu trago meio que uma notícia, não notícia não, uma pergunta que é sobre a regra, só que é sobre falcatruas que pode acontecer. É, na época que o senhor apitava, existia o clube das, clube dos treze e falavam sobre mala branca. Hoje tem casa de aposta, que afeta muito no resultado do jogo. É, então como é que segue a regra, sendo que eles podem manipular a situação do resultado?

Carlos Simon

Olha, é, essa questão até foi bom tu trazer esse assunto aí à baila. Não teve nenhum árbitro até hoje envolvido nessa questão de, de, de, de apostas. Aqui no Brasil, pelo menos, eu não sei de nenhum árbitro envolvido em nada. Sei de jogadores, tá? Sobre essa questão que você tá trazendo aí de apostas. Então já começa por aí, né, que eu acho que a arbitragem brasileira é correta, honesta, tá?

E, ah, e não tem ninguém envolvido. Teve aquele episódio lá no passado, do qual eu já falei, a, o cidadão foi banido e ponto final. Agora, que existe muita coisa, mas isso vai do caráter da pessoa. Isso vai, vai, vai, vai, vai, isso vai de cada um, não é? Isso aí não pode, caráter, dignidade, tu não compra no, no, no boteco da esquina, isso aí tu já traz de casa.

Então vai muito de cada um. Tem aí as ofertas e, e tem casos aí de jogadores que já foram punidos, vários jogadores do futebol brasileiro foram punidos já por essa questão, mas não tem como controlar isso aí. Não, não, isso aí não, não cabe ao árbitro controlar isso. Se você vai receber ou se eu vou te dar um cartão amarelo porque tu fez uma atitude passível de cartão amarelo.

E agora por que que tu recebeu o cartão amarelo, aí não me diz respeito. É uma questão de, da tua consciência e da justiça, né. Se é que tá envolvido ou não. Aí cada um responde pela, pela sua biografia. Mas nesse aspecto existe muito aí no, no, no futebol e no mundo todo essa questão, mas eu sempre a-atribuo isso o caráter da pessoa, não é? Eu digo por onde eu andei.

Eu entrei e saí de peito aberto. Os caras diz: "Ah, o Simon errou aqui, errou ali". É da fa-falibilidade humana. Agora, uma questão, nunca teve nada, nada, nada. Até digo com categoria, fui o árbitro de futebol que mais pagou imposto de renda nesse país. Tenho os comprovantes lá pra provar, que eu fazia questão de pagar. Tá? Então eu acho que isso aí é muito da, da, da, da filosofia.

Isso eu aprendi com meu falecido pai, que era professor, né, e que ele dizia, hã, acima de tudo, das qualidades do ser humano, a indispensável é a coragem. E tu tem que ter coragem na vida pra enfrentar os problemas. E no caso de futebol, mais ainda do árbitro do futebol, entrar no campo e apitar o que é.

Participante

Então, certo. É, até bonito da tua parte ter essa competência, né, dessa conduta, de acertar com, com o seu procedimento de vida aqui na Terra, né? Tipo, tô pagando tudo certinho, fazendo todas as situações.

Carlos Simon

Claro, isso é de cada um.

Participante

É, só que então não tem nenhuma investigação de árbitro envolvido com nada. Então é só os jogadores mesmo.

Carlos Simon

Tá. Deve ter, mas não encontraram. Não tem árbitro envolvido.

Participante

Não encontraram, hein?

Carlos Simon

É, deve ter. [risos]

Participante

Valeu, obrigado.

Participante

Um tempo, por favor.

Carlos Simon

Opa, mas de novo, rapaz.

Participante

A próxima você vai.

Carlos Simon

Senta ali agora.

Participante

Então, Simon, eu queria, eu queria entender de você, que o tema é falar que o árbitro não erra, né? Quem erra é a regra. Mas e um lance que o juiz erra em um lance interpretativo e segundo ele, ele julga certo, porque ele que define, né? E o Brasil inteiro discorda. Ele ainda continua correto?

Carlos Simon

Não, se, ah, no campo de jogo, tu apita o que tu vê. Tu entra lá concentrado, focado em cima do teu conhecimento, teu estudo e apita. Tu viu, apitou, tá? Mas tem coisas que tu não vê, entendeu? O ser humano não é infalível.

Participante

Sim, mas muitas...

Carlos Simon

Não é, não é infalível, é falível.

Participante

Mas...

Carlos Simon

Tá? Então tem coisa que tu não vê. Agora, que nem aconteceu comigo, eu não vi determinadas situações, tá? Graças a Deus, foram poucas. Depois olhando a televisão, olhando com calma, analisando como é que eu não vi. Aí me procurar, porque tu tem, a gente tem que aprender com os erros que a gente tem pra melhorar enquanto ser humano, em, na profissão, enfim, tá? Mas na hora tu não viu.

Aí fica repetindo, repetindo aquela imagem e todo mundo: "Como é que não?", e eu: "Como é que tu não deu isso? Como é que tu não deu isso?" Bom, lá no campo é, é, sabe?

Participante

Sim, sim.

Carlos Simon

É, são vinte e dois jogadores aí tentando pra ganhar e, e o árbitro tem que tá no meio deles tentando resolver da melhor maneira possível.

Participante

Mas é que atualmente eles-

Carlos Simon

Eu não vejo problema nenhum, se tu vai ver na televisão depois de errar e assumir. Eu assumi os, os equívocos que eu tive. Eu só: "Eu errei, agora eu tô vendo aqui, foi falta", qual é o problema?

Participante

Aham. Não, mas o meu ponto é que atualmente eles têm a oportunidade de ver durante o jogo com o VAR, né? E muitas vezes o VAR, eles não vão no VAR e é um lance muito claro de pênalti ou de expulsão. Por exemplo, foi a favor do meu time, aquele carrinho que o Allan, foi o Allan que deu no Tapia, e eu achei pênalti. E eu a, eu acredito que seja até, é, prejudicial ao meu time, porque erros de arbitragem corroboram com essa fala de que, é, alguns times são ladrões.

Então, às vezes, a, é, a falta de profissionalismo do árbitro, a falta de capacidade, acaba corroborando com essa visão e coloca um peso nos próximos árbitros que vão apitar a favor desse time. Por exemplo, o árbitro vai com medo de acharem que ele tá roubando por apitar em um, em um lance interpretativo.

Carlos Simon

Mas aí vai o seguinte: foi a, a comissão que puniu esse árbitro, tá? E não puniu o outro, que não deu um pênalti, hã, do Jorginho no Gustavo Gomes, tá? No Maracanã, o Palmeiras e, e Flamengo. Foi, empurrou com as duas mãos. O árbitro aquele lá não foi punido, esse foi punido. Aí cria dentro da cabeça do árbitro, isso aí que tu tá dizendo, é inconsciente do cara.

Pá, se eu errar aqui, se eu errar lá... E não pode existir. Então, de fato, sabe, que ou tu vai punir quem errar ou não pune ninguém. Então, e, e o torcedor fica com essa questão na cabeça e não tem como não ficar. Por quê? Porque um pune e o outro não pune. Entendeu? E aí tamo falando de times grandes. Imagina quando é contra um time pequeno.

Então, o cara... Então, isso aí muito, mas isso aí é, isso aí tem que mudar essa, o, é, essa questão que, de orientação, de comando, enfim, dessa questão, pra ter mais uma uniformização nesses critérios aí.

Participante

Certo.

Carlos Simon

Valeu.

Participante

Beleza, era isso. Deixa o Tim Maia vim. [risos]

Carlos Simon

É. Eu preciso te encontrar. Aí, aí, hein. [risos] Não precisa nem se apresentar que eu já sei. Eu sou Carlos Simon, tu é o Tim Maia. [risos]

Participante

É, pronto. Bom, meu nome é Anderson.

Carlos Simon

Anderson.

Participante

É, o ponto da, é, das regras, como você colocou, que a culpa não é do juiz e sim da regra. É, essa abertura na interpretação tem afetado os campeonatos em diversas formas. Você vai ter esses erros interpretativos, eles punem os times com pontuação, punem em eliminação, em competições eliminatórias, e no fim das contas, quem acaba pagando a conta é o time e o torcedor, que vai puto trabalhar no dia seguinte.

[risos] Entendeu?

Carlos Simon

Não, e o árbitro querer, o árbitro também é punido. Tem árbitros, é, a situação que nós falávamos anterior, uns são punidos, os outros não, mas muitas vezes o cara ficou, o outro cara ficou quarenta dias sem apitar, tá? Então isso aí passa também pela, pela, por essa punição. Mas é claro que ninguém queria errar. O mundo ideal era todos nós acertar, mas isso aí não tem como tu, tu, tu, tu, tu, são seres humanos jogando, apitando, não tem como tu não cometer um equívoco ali.

E essa questão da regra, só pra sintonizar vocês, já entrando um pouquinho, embora terminou aqui, a, o futebol foi organizado em 1863 na Universidade de Cambridge, que foi separado o futebol do rugby. Lá começaram a organização da... E ela vem evoluindo. De lá pra cá já teve várias evoluções, tá? Várias releituras da regra do jogo, a última foi em 2016. Coisas que vieram pro bem do futebol.

Como por exemplo, o cara dominava a bola, recuava pro goleiro. Antigamente, o goleiro, pra tu pegar um vídeo da época de setenta lá, o leão ficava com ela embaixo do braço, o centroavante vinha, ele pegava com a mão. Isso era um absurdo. Hoje, se tu recuar com o pé, tá, tu não pode pegar mais com a mão. Então agilizou o futebol, isso dá dinâmica pro futebol. Então tem coisas boas que vieram com essas alterações e coisas que não, não, não, também não vieram muito pra, pra evolução.

E agora tem uma série de medidas que a partir da Copa do Mundo será, a, se-serão também aplicadas, né? A questão de reverter o lateral, mais de cinco segundos, enfim, uma série de, de mudanças que terá de novo.

Participante

Perfeito. Ok

Participante

Obrigado.

Carlos Simon

Valeu, meu velho. Se fosse vocês apitando, seria pior. E aí, meu velho.

Participante

Tudo bom?

Carlos Simon

Tudo.

Participante

Prazer, Neto.

Carlos Simon

Opa.

Participante

Eu, eu discordo um pouco. Eu apito algumas vezes jogos na várzea. Sei que a questão de inter-interpretação vai muito de árbitro pra árbitro, mas eu tenho critério, olho em campo e falo que muita das vezes os erros que os árbitros brasileiros têm no Brasileirão, eu não cometeria. Então eu acho que a capacitação é necessária, mas a gente, torcedor, muita das vezes tem um olhar muito mais crítico do que o próprio árbitro em campo.

Carlos Simon

É, não, o que que a afirmação diz, se você tivesse apitando, seria pior. Por quê? Você não tá tão preparado quanto o árbitro, porque o árbitro pra ele exercer aquela profissão dele ali, ele fez oito a-- oito meses de curso, né, são no mínimo duzentos e quarenta horas que ele tem que tá estudando as dezessete regras, ele passa por provas, avaliação psicológica, é, teste físico, que é extremamente rigoroso.

Então, nesse sentido, o torcedor não tá tão preparado quanto um árbitro que vai, o, vai fazer aquela função, vai desempenhar aquela atividade, né, ele tá preparado. Eu corria, é, semanalmente, corria sessenta quilômetros por semana, não é? Um árbitro corre em torno de treze quilômetros numa partida de futebol. Então o, o stress no futebol é muito alto. Então essa preparação, é claro que se fosse um torcedor, fosse lá apitar, que, que, que geralmente é o que mais critica o árbitro ou se-- um dirigente, não tá tão preparado quanto o árbitro.

O árbitro se preparou pra desempenhar aquela, a, aquela função. Só que o desgaste é tremendo. E isso era uma figura amadora, o árbitro é uma figura solitária. Eu treinava sozinho, eu ia pro meio do, do mato correr sozinho, eu me lesionava, eu tinha que procurar um médico, eu tinha que procurar um fisioterapeuta e o jogador sempre teve aquele aparato por trás dele. Médico, fisioterapeuta, psicólogos, enfim. Então era injusto, muitas vezes, você massacrar o árbitro, né?

Eu, no caso, quando eu errava, quem mais sofre é o árbitro, quando é, comete um erro. Se eu errasse uma penalidade que eu não marcava, eu não dormia aquela noite.

Participante

Não, mas...

Carlos Simon

Tá? Então nesse sentido do que o árbitro é mais preparado. O torcedor fala, o torcedor quer saber do, do time dele ganhar. Não é? Tu é, tu é torcedor do Tricolor, tu, tu quer saber, se for apitar, embora o companheiro que antecedeu, ele disse: "Ah, o árbitro é aquele time". Não tem. Depois que você-- eu comecei, entrei no futebol, a militar no futebol com dezoito anos de idade, né?

Meu sonho era ser jogador de futebol, não consegui. Aí fui ser árbitro, com dezoito anos. Depois tu acaba esquecendo, né? Esquecendo, tu vai apitar, tu apita por quem? Pela, por, por você e pela sua família. Tu quer acertar. Então esse negócio de torcedor dentro da arbitragem, praticamente não existe.

Participante

Mas você entende que muita das vezes o torcedor ele estuda também porque o time dele errou e a-aprende muito com os erros dos árbitros, porque você vê lances hoje dentro do futebol brasileiro, que tem erros gritantes aonde você consegue, se tivesse em campo, falar: "Eu faria diferente". E a gente acaba se ca-capacitando cada vez mais pra poder entender por que que a arbitragem erra.

Carlos Simon

Não, porque eu te falei, passa muito pelo comando da arbitragem. Quem é hoje que comanda a arbitragem nacional? Entendeu? Então quem pariu Mateus que embale. Essa responsabilidade, quem tem que assumir essa responsabilidade. Os árbitros tão muito mal orientados no Brasil. Eu vejo muitas vezes os árbitros não marcando uma falta simples, uma falta simples que é falta, que todo mundo vê o lance, é falta. No lance do, do São Paulo com o Palmeiras, numa penalidade máxima, que o jogador escorrega e acerta o cara, sem querer também, dentro da área, é pênalti.

Participante

Sim.

Carlos Simon

E o árbitro viu, o árbitro tava próximo da jogada, mandou a jogada seguir. Entendeu? Então falta essa orientação para os árbitros.

Participante

Perfeito. Obrigado. Prazer, Simon.

Participante

Ô, meu velho. Tudo bom?

Participante

Me chamo Luiz. É, eu queria entrar nessa pauta que você falou que falta capacitação pros árbitros. Então eu até concordo com, com a sua, com a sua pauta de que nós ar-apitaríamos pior, porém eu acredito que a distância não seja tão discrepante por conta da falta de instrução da, da própria arbitragem do Brasil. E agora eu sei que esse ano vai entrar o... Como que fala? Isso.

E eu queria saber de você sobre o que você acha e entende do, da arbitragem do Brasil antes dessa capacitação, porque eu acredito que, é, eu concordo que vocês eram pessoas muito mal interpretadas por conta de que vocês não tiveram tanta instrução. Eu queria saber de você, é, é pra mais saber a sua opinião mesmo, sobre a falta de instrução da arbitragem.

Carlos Simon

Na nossa época, nós tinha boas instruções. O maior presidente que essa Comissão da Arbitragem teve nesse país chamava-se Armando Marques. Foi um grande presidente. Na minha época, eu tive grandes contemporâneos que, que eram bons árbitros, os cara Roberto Godoy, Marcio Rezende Freitas, Cláudio Vinícius Cerdeira, Sidrack Marinho, aí, João Paulo Araújo, enfim, Antônio Pereira. Tinha uma série de bons árbitros, tá? Que apitavam a, o, o futebol brasileiro.

E, e, e tinha boas orientações. Dum tempo pra cá, e a gente sempre tem que ter a humildade de tá sempre aprendendo. Eu tô aqui, tô aprendendo com vocês, tá? Já, já ouvi críticas de torcedores, elogios de torcedores, e a gente é ser humano, a gente tem que aprender e evoluir. É, a arbitragem brasileira tem bons árbitros, tem bons árbitros. O que passa pra mim muito é pela orientação, tem que orientar e sentir firmeza em quem tá comandando.

A Copa anda de acordo com o seu comandante, né? E eu não tenho nada pessoal contra ninguém, contra esses caras que tão lá, uns foram os meus contemporâneos, enfim, mas eu sinto que a arbitragem brasileira tá muito enfraquecida nesse aspecto, porque hoje em dia você vai, a autoridade, o árbitro não tem mais autoridade, é um circo, é, o, o cara apita uma jogada aqui, ó, é como se trinta tivesse cercando o árbitro.

Isso é um absurdo. O árbitro tem que manter a sua autoridade. Não autoritário, que a coisa é bem diferente, tá? Isso aí pra mim é passado e não pode voltar nunca mais, o autoritarismo. Agora, a autoridade o árbitro tem que ter. Quem manda aqui sou eu e o respeito tem que ter. E como é que tu defende isso? Com o seu conhecimento e com a sua competência, essa autoridade.

E por isso, muitas vezes, o discritério da arbitragem brasileira, que na minha opinião, são mal orientados.

Participante

Nesse ponto eu concordo muito com o senhor E eu também vejo muitos árbitros, é, usando o VAR como muleta. Então, no, no tópico anterior eu até acabo concordando, porque eu vejo muitos árbitros dentro do campo não entendendo direito o que tá acontecendo e às vezes eles parece que espera pra apitar pra ver se vai vim algum chamado no, no árbitro de vídeo.

Carlos Simon

Sim, e eu trouxe um dado aqui que, que é, que é muito significativo, tá? Olha aqui ó, o a, na, na, seiscentas e vinte e quatro paralisações, ou seja, toda hora o árbitro tá entrando no jogo. Seiscentos e vinte e quatro intervenções. O cara tá ali apitando e aí, aí, aí eu concordo plenamente contigo. É uma muleta. É o cara: "aqui ó, eu não vou decidir, tá?

Eu não vou decidir, vou deixar o cara me chamar". O cara me chama. Cento e noventa e duas mudanças da decisão que eu tomou no campo, ele foi lá pra área de vídeo e mudou. Isso é exatamente o que tá acontecendo. Eu não vou assumir, o VAR é uma muleta. Deixa o árbitro chamar. Chamou, vou lá, eu mudo a minha decisão. Então isso também é equivocado, porque quanto melhor for a arbitragem de campo, melhor será o serviço do VAR.

Participante

Isso que eu vejo também. E eu também acabo percebendo... Eu acho que eu vou ter que sair. [risos]

Carlos Simon

Não, beleza. Vai lá então. Foi boa.

Participante

Muito obrigado. Um prazer.

Carlos Simon

É isso.

Participante

Bom dia, Simon.

Carlos Simon

Ô, meu velho. E aí, tudo bom?

Participante

Tudo bem?

Carlos Simon

Tudo.

Participante

É, antes de mais nada, queria fazer uma pergunta: cê tem um time de coração?

Carlos Simon

Tenho.

Participante

Tá, não precisa dizer que-, qual é, se você não quiser.

Carlos Simon

Não, pode dizer sem problema nenhum, Gaúcho de Passo Fundo.

Participante

Tá. Então vamo lá. O que acontece? Baseado em cima das suas palavra que você falou que se fosse nós torcedores que seria pior, eu queria dizer pra você primeiro que assim, eu sou árbitro de futebol na várzea, eu ten-, eu sou técnico de futebol, tenho um time e sou árbitro de futebol na várzea. Sobre a pressão que você falou. Ah, que o árbitro tá-

Carlos Simon

Tá, peraí, só um pouquinho. Tu é técnico e árbitro?

Participante

Sou técnico dum time e também apito jogos na var-, na várzea.

Carlos Simon

Ah, tá. Apita. Achei que tu era o técnico e apitava o jogo.

Participante

Não, não. Sou técnico de um time só. [risos]

Carlos Simon

Não, mas tá bom.

Participante

E o que acontece, em cima da, das suas palavra que cê falou que, que se fosse apitado por nós seria pior, é, eu discordo pelo fato de o seguinte: é, primeiro que na várzea nós não tem o que vocês têm, o apoio que vocês têm, o aparato todo, a proteção que vocês têm. Entenda que se eu errar na várzea, os cara vão pular dentro do campo lá e não vai ter a polícia pra me defender igual tem pra defender vocês.

Então a pressão em cima de nós da várzea é pior do que a pressão em cima de você. Concorda? Que eu tô lá apitando o jogo dentro da favela, hã, ou dentro da comunidade, qualquer que seja o lugar, tá a torcida em peso tocando a bateria e se acontecer alguma coisa os cara vai entrar, vai querer pegar eu pelo pescoço e não vai ter quem vai me defender.

Então o que acontece? É, o fato de que seria pior eu discordo, porque eu vou tá lá tranquilo, não tenho preocupação nenhuma. Se acontecer alguma coisa, alguém vai entrar pra me defender, então eu não tenho que tá preocupado pra apitar o jogo. Segundo, porque é minha profissão.

Carlos Simon

Sim.

Participante

Se eu entrei lá pra fazer aquele papel, eu não tenho que tá desesperado, eu não tenho que tá apavorado pra fazer aquilo, porque é o que eu faço no meu dia a dia. Então eu tenho que chegar lá, desempenhar o meu papel com braveza e sair tranquilo. Concorda? E sobre que cê falou que, né, em cima do, da, do VAR, o que acontece? Vocês tomam decisão, é, que num, não faz sentido pra nós, torcedor.

Ah, o VAR não chamou, o árbitro deu um, deu alguma coisa. Ou o VAR chamou e o árbitro foi lá e não deu o que o, o Green falou. Você disse que tem cento e noventa e duas intervenções, mas o árbitro sabe mais que a tecnologia. Como que o árbitro sabe mais que a tecnologia e a tecnologia interviu o jogo mais do que o árbitro? E quem toma conta da tecnologia também é um ser humano, que também foi árbitro na maioria das vezes.

Carlos Simon

Claro, claro.

Participante

Certo? Então a decisão tá sendo de um árbitro e não da tecnologia.

Carlos Simon

Sim.

Participante

Concorda? Porque ele tá lá também a tecnologia, então a decisão foi dele, não foi da tecnologia. E o erro acontece da mesma forma, entendeu? Ah, credo, como alguns pontuaram os seus jogos. Alguns pontuaram os seus jogos e aonde o erro aconteceu, tanto do árbitro como do juiz, nada disso foi corrigido. Acontece e depois vai acabar, vocês vão embora. Você falou que você vai, não vai dormir por causa de um erro que você acha que você cometeu ou que você talvez tenha cometido.

Carlos Simon

Não, o que eu con-- não, é o seguinte, eu acho que é o seguinte: no campo tu toma aquela decisão que tem que ser tomada.

Participante

Correto.

Carlos Simon

Depois tu vai pra casa, eu ia pra casa, minha esposa gravava os jogos, eu fazia meu chimarrão, ia lá no escritório, olhava. Ah, errei. Aí eu via, na televisão, com vários ângulos e tal, via que errei. Inclusive alguns erros eu admiti depois de eu ver na televisão.

Participante

Concordo.

Carlos Simon

Só pra eu, é, te responder aqui em parte, né?

Participante

Certo.

Carlos Simon

Porque senão... Aí o seguinte: eu apitei de oitenta e quatro a noventa e um, apitei a várzea. Passei por tudo que você passou. Tudo, tudo, tudo. Não tinha policiamento, era um, não recebia, muitas vezes cheque não pagavam. A alambrado desse tamanhinho, chamando horrores. Então essa base que eu fiz foi muito boa. Isso me fez amar o futebol, porque aí eu concordo contigo. Em termos de segurança, é melhor você apitar a Série A do Brasileirão, é, é melhor apitar uma Copa do Mundo.

Agora, em termos de conhecimento que eu falo, é o seguinte: é que eu tenho mais condições, como sendo, sendo um árbitro federado, sendo um árbitro da CBF, sendo um árbitro da FIFA, eu tenho mais elementos, chega mais em minhas mãos o, o conteúdo, não é? As determinações, as orientações. Nesse aspecto, o árbitro sabe mais que o torcedor.

Participante

Então o árbitro tem que ter muito menos erro. Se você sabe muito mais, tem que errar muito menos.

Carlos Simon

Tu tem, tu tem mais condições de, de ver, de, de, de interpretar a regra, porque você recebe a regra, tá? É, nesse aspecto, o árbitro sabe mais do que...

Participante

Então, aí o árbitro ele sabe a regra.

Carlos Simon

Agora, tem uma coisa que eu te digo, você nunca ouviu, tá? Uma vez eu, eu apitei um jogo na... Eu voltei da Copa do Mundo da Alemanha 2006, a segunda que eu tinha ido, e fui apitar um jogo do interior do Rio Grande do Sul, na várzea. Isso aí você nunca ouviu. Eu, eu lhe garanto que você nunca ouviu. Tinha um torcedor lá fora na, na, na tela, agarrado na tela, gritando: "ô, Simon, eu nunca matei um juiz de Copa do Mundo."

[risos]

Participante

Mas dessa vez é a primeira vez.

Carlos Simon

Não vai ser hoje também, né?

Participante

É, porque ele também nunca teve um juiz da Copa do Mundo. Esse era o primeiro, né? Então não tinha como ter matado.

Carlos Simon

Não, mas é isso aí, mas eu concordo plenamente contigo. E o que falta pra essa arbitragem de hoje, que eu chamo de árbitros de apartamento, porque muitos fizeram o curso, botaram o livro embaixo do braço aqui ó, e vamos apitar futebol. Não é assim. Você tem que ir lá amassar o barro, a várzea, esses seis anos, sete anos que você não adora, tem que sair do futebol.

Participante

Então não pode acontecer os erros que têm acontecido.

Carlos Simon

De jeito nenhum. Demais, tão errando demais.

Participante

Demais.

Carlos Simon

Demais, concordo. Isso aí nós tamo de acordo.

Participante

Como tem acontecido no, em todos os campeonatos.

Carlos Simon

Claro.

Participante

E o fato de você falou que a arbitragem lá fora ela é muito mais preparada, então falta preparo pra vocês.

Carlos Simon

Sim.

Participante

Se lá fora é muito mais preparado e vocês cometem o erro aqui, se eu tiver na, na minha empresa e eu tiver cometendo es-- um excesso de erro, ou a empresa vai mandar embora ou ela vai me qualificar. Eu não posso tá dentro de uma empresa cometendo um monte de erro, toda hora tá acontecendo erro e eu continuando todo dia. E você vai pra sua casa, vai receber o seu dinheiro, e você fala: "Ó, quando você erra, você não dorme".

Nós não dorme quarta, domingo, várias quartas, vários domingos a gente não dorme, com o inúmero erro de vocês, entendeu? Então se você vai lá-

Carlos Simon

Mas quando o jogador teu também erra o pênalti ou perde um gol sem goleiro, tu também fica sem dormir?

Participante

Mas aí eles não vão falar, aí nós não tamo falando de arbitragem. Aí nós tamo falando do jogador. Já muda, já, já, a gente já muda a pauta.

Carlos Simon

Torcedor, né? O torcedor não dorme quando o árbitro não erra.

Participante

Mas a, a briga sempre é igual.

Carlos Simon

Mas e quando o jogador erra?

Participante

Tudo bem, quando o jogador erra a gente vai conversar.

Carlos Simon

Não vai trabalhar?

Participante

Não, a gente vai lá pegar ele, vai lá tro-- protestar no estádio. Não é pegar na pan-, não é pegar na pancada, nós vai lá protestar no estádio.

Carlos Simon

Claro, jamais, jamais agressão.

Participante

A gente vai lá protestar, a gente vai lá brigar, vai lá, principalmente nós corintiano, que a gente briga mesmo, a gente vai lá no estádio, a gente vai lá brigar e acontece isso, entendeu?

Carlos Simon

Valeu, meu velho.

Participante

Muito obrigado.

Carlos Simon

Boa sorte pra ti.

Participante

Obrigado.

Carlos Simon

Opa, rapaz.

Participante

Prazer, tudo bem?

Carlos Simon

Tu me le-

Participante

Passadas largas, né, rapaziada?

Carlos Simon

Tu me lembrou o Robinho nas pedalada da final aquela.

Participante

Não deve falar esse nome aí.

Carlos Simon

Eu tava do lado do lance. Eu tava do lado do lance do Robinho no, no, em cima do Rogério na final do Brasileiro.

Participante

Tinha nascido, né, cara.

Carlos Simon

Três a dois o clássico.

Participante

Sim.

Carlos Simon

No Morumbi, eu apitei esse jogo, o Robinho tava, ah, tu, tu nem tinha visto?

Participante

Não. 10 de abril de 2002.

Carlos Simon

É, tu, tu, tu não teve tanta sorte, tu perdeu, devia o véio apitar aqui agora, tu bota, bota no YouTube lá, ó. Simon no apito.

Participante

Não, pode deixar. Não, mas o que eu queria falar com você é que, por exemplo, é, desculpa, eu não lembro seu nome, mas, desculpa. Mas ela trouxe um ponto muito, desculpa, mas ela trouxe um ponto interessante que era-

Carlos Simon

Tá bom. Ouve o nome dela, ela tá dizendo...

Participante

Belle.

Participante

Belle. Então, tipo, ela trouxe um ponto muito interessante que foi a questão da arbitragem da Premier League. E na Copa do Mundo que a gente teve, se não me engano, foi Inglaterra, eu não lembro outro time que o Wilton Pereira Sampaio apitou. Você disse que a gente tem muitos bons árbitros. A reação dos europeus foi totalmente negativa. Então você fala: "Ah, mas o torcedor não conseguiria apitar tanto quanto nós".

Eu entendo que talvez pela questão de profissionalização, mas eu duvido muito, porque talvez a gente tenha o exemplo do Darono, que muitas vezes quando é analisado, falam de ter distância de lances, de não tá preparado psicologicamente. Então basta ter uma estrutura maior pra todo, pra esses, pra esses árbitros também.

Carlos Simon

Não, pois é, não, a, essa afirmação tá no sentido seguinte, aquilo que eu falei pro companheiro anterior. A, as condições que os, que os árbitros têm, que o torcedor não tem, não sabe do livro de regra, das novas orientações, do protocolo. O protocolo tem, o protocolo do VAR são oitenta e oito páginas, tá? Pra ti ler e tal. Isso aí o torcedor não tem, então a afirmação é nesse sentido, não tem como você ter o mesmo conhecimento que eu tenho pra ir apitar um jogo, tu pegar o apito aqui, toma aqui, vai apitar Santos e Corinthians.

Participante

Não, é por isso que vocês são importantes nesse sentido. Tanto alguns criadores têm o Sol do Apito, que faz esse tipo de criação de conteúdo, é, sobre arbitragem, vocês são importantes pra gente entender.

Carlos Simon

Eu tô lá no @carlisimonoapito, né? Tem dúvida, chama o véio.

Participante

Eu te sigo, porra.

Carlos Simon

Então tá. Tamo junto.

Participante

Prazer falar com você, viu, Simon.

Carlos Simon

Desculpa, Belle. Tamo junto, viu? Bem, agradecer a oportunidade, não é? Quem me convenceu pra estar aqui foi meu filho, um dos filhos, eu tenho quatro filhos, uma filha e três filhos. O Ramiro, o mais jovem, tem vinte e oito anos, foi jogador de futebol e já tava a par dessas coisas que acontecem na internet. Ele que criou o meu Instagram, né? E aí ele que me, é, me falou pra ir pro programa, depois eu fui convidado e ele acabou batendo esse papo e até me convencendo, tá, pra vim aqui.

E eu também sempre tava de, de tranquilo pra vim, porque eu gosto de falar e expressar e colocar essa questão humana do árbitro, que muitos não conhecem. O árbitro como ser humano, como um cara que acerta, que erra, que treina, que batalha. Eu sei a dureza que foi pra eu chegar em três Copa do Mundo e apitar vinte e sete anos de futebol, aí ma, mil cento e noventa e oito jogos.

Foi muito duro, muito sacrifício, mas cheguei graças, sobretudo, à minha família. Minha esposa, meus filhos, e eu hoje já tenho quatro netos, né? Então, é muito difícil isso. E é uma, uma, uma maneira de, de expor isso com, a, esses torcedores que estiveram aqui, todos muito cordial, sabe, com, conhecem profundamente o futebol, conhecem o futebol, vivem, né, cada momento aí com alegria, algumas vezes com tristeza, né, mas tão presente no futebol, isso é importante.

Todos aqui com educação, agradeço a todos do programa, da produção, enfim, porque é um programa e um debate que vale a pena assistir. Eu acho que isso aí vai ir pro YouTube, né, e ter uma repercussão, porque aqui tá um árbitro de futebol, tá um árbitro de futebol, segundo Milton Neves, que sabe muito de futebol, diz que eu sou o maior árbitro da história desse país, tá?

Então eu, aaah, me considero um cara que foi muito determinado, trabalhei demais, cheguei no topo da arbitragem mundial e continuo sempre a mesma pessoa, sabe? Eu acho que isso aí é fundamental. Então agradeço a todos aqui, aos, aos amigos, às amigas que participaram de uma forma ou doutra, né, nesse debate aqui. E eu espero ter contribuído um pouquinho para que eles entendessem um pouco mais a regra do futebol.

E o juiz, como disse o escritor Eduardo Galhano, é o álibi de todos os erros. Se perde, é por causa dele. Se ganham, é apesar dele. Mas se ele não existisse, teriam que inventá-lo, tá? Então eu acho importante o juiz também se manifestar, dar entrevista, sabe? Depois do jogo não tem problema. Abertamente falar se aconteceu e ver posteriormente o erro e lá, e tiver que assumir, assumir o erro.

Mas eu acho importante, quanto mais transparente for, não é, no futebol, na nossa vida, na sociedade, as coisas mais transparentes, melhor é para nós convivermos. [aplausos]