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1 Conservadora x 30 Feministas
1 h 18 min de vídeo · 19 mil palavras · Com Pietra Bertolazzi
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Eu não defenderia o aborto em nenhuma ca-- você perguntou da minha filha, se a minha filha fosse estuprada, eu não defenderia o aborto.
E você não julga isso cruel?
Não, eu julgo cruel matar um bebê.
Você é médica? Você sabe a partir do momento-
Ninguém precisa ser médico pra saber que um feto é um ser humano, porque a própria medicina não entra em um consenso sobre quando começa a vida humana.
Se a ciência não tem um conceito de vida humana, por que que eu tô assassinando?
Sem os homens, não tem sociedade.
O trabalho invisível não remunerado é feito pelas mulheres.
Se não tem homem, a mulher, a mulher não consegue crescer na profissão dela.
Dentro das sociedades indígenas, não existe isso entre o homem ser maior do que a mulher.
E por que que hoje a sociedade não é indígena?
Infelizmente, hoje as mulheres ocupam os trabalhos mais precários.
Mas por que que é precário cuidar da casa?
Essa é uma pergunta que assim, se você não sabe isso, então acho que você tá muito distante da realidade.
Cê acha que todas as mulheres têm aptidão pra ser mãe?
A minha crítica, na verdade, é em relação às mulheres que acham que o sucesso profissional pode trazer mais felicidade do que elas se dedicarem à maternidade.
Por quê?
Porque naturalmente a gente é feito pra isso.
Se eu e minha companheira quisermos ter um filho, a sua religião, a gente vai ter apoio dela?
Não.
E pra onde vai a minha maternidade?
E as mulheres negras ganham absurdamente menos na história do Brasil.
Então por que que essas empresas não contratam só mulheres? Meu nome é Pietra Bertolazzi, eu sou cristã, antifeminista e hoje eu tô cercada por trinta feministas. [música de introdução] A sociedade só funciona por causa dos homens. [som de batidas]
Olá.
Olá.
Como cê chama?
Luca.
Bem, cê deu uma afirmação de que a sociedade só funciona por conta dos homens.
Uhum.
Porém, a gente tem dentrooo, tanto das ciências sociais quanto das estatísticas e afins, uma série de trabalhos, que se não forem sem feitos e que são trabalhos historicamente realizados pelas mulheres, em especial o trabalho de cuidados, o, os trabalhos relacionados a hospitalar, enfermaria, educação e afins, que são majoritariamente femininos, a sociedade também não funcionava. Assim como o trabalho reprodutivo, né? A gente tem um sistema em que dentro das casas e afins, as donas de casas vão garantir alimentação, vão garantir as roupas pra que inclusive os homens possam sair e fazer os seus trabalhos, sejam como operários, sejam como empresários e, e tal.
Sim, sim. É, quando a gente fala que a sociedade só funciona por causa dos homens, a gente tá falando dos trabalhos primários, né? Se não existe uma questão de segurança, é, física inclusive, se não existem homens pra cuidar da rede elétrica, dos esgotos, dos trabalhos relacionados à energia, aos trabalhos mais árduos e que de fato têm um risco de vida, noventa por cento deles são ocupados por homens.
E todos esses trabalhos que você trouxe são muito importantes, obviamente, uma sociedade é sempre complementar, mas eles, hã, pra que eles sejam exe-executado, é, de forma perfeita, né, de forma, é, completa, eles precisam do trabalho primário, que é dos homens e não das mulheres.
Que não, eu acho que, e aí tem uma diferença de concepção, porque eu acho que essa divisão entre trabalho primário e trabalho secundário, quando a gente vai-
Entende que não é uma questão de o que é mais importante do que o outro, né? Porque tudo é importante.
Por isso que eu tô falando que é uma diferença de concepção.
Porque vamo lá, se a gente tirar os homens da sociedade, em setenta e duas horas a sociedade colapsa. A gente não tem rede elétrica, a gente não tem sistema de esgoto, a gente não tem nada.
Não necessariamente.
Como não?
Assim como se você for tirar outras mulheres, você não tem o processo de cuidado e afins, entendeu?
A longo prazo, não. A longo prazo, mas aí se a gente pegar aquela pirâmide de Maslow, né, que vocês gostam de falar, é, se você pega a necessidade básica do ser humano, quem, quem sustenta são os homens.
Não, não é.
A questão de segurança...
Quando, quando cê vai pegar o processo, o processo de, é, reprodução e base do que é que a pessoa não trabalha-
É que você precisa colocar o né?
O trabalho de reprodução ele existe, o trabalho de culinária, o trabalho de, o trabalho doméstico, ele é um trabalho reprodutivo.
Não, mas o homem tam-- o homem também cozinha.
Também traba-- é, mas o trabalho reprodutivo na divisão se-sexual do trabalho, ela é diferente. E isso, se você retira-
É diferente sim, é complementar
...você não va-- você também colapsa.
Você colap- você colapsa a longo prazo.
Ela não é feita por um outro gênero.
Só que ela depende, ela depende dos trabalhos primários que são, é, que são executados por homens. Uma enfermeira sem, é, energia no hospital, sem segurança, ela não pode exercer a enfermagem.
Olá, boa tarde, meu nome é Alessandra. Tudo bom?
Prazer, Alessandra.
É, quando você afirma que a, a, o mundo não funciona sem homens, você está por dentro do que atualmente acontece no nosso país, aliás, no mundo. Você tem ideia da quantidade de mulheres que hoje dirigem ônibus, operam máquinas, cuidam de suas casas-
Tá, e daí? Eu tô falando que as mulheres não podem executar, tô falando que noventa por cento desse trabalho são majoritariamente-
Você está totalmente errada, inclusive com relação a essa física.
Cê acha que a socie- cê acha que a sociedade ela, ela caminha sem os homens?
Eu, muito-
Me fala uma sociedade que funciona sem homem.
Todas.
Qual?
Todas.
Fala uma.
Ué, na sua casa você tem homem?
Eu não tenho homem, mas a minha casa sou eu e minha filha.
Então me fala.
Me fala o quê?
Como é que sua casa funciona?
Funciona porque eu preciso de um eletricista, eu preciso de, eu precisei de um pedreiro pra construir meu, meu apartamento.
Mas porque você não quis se qualificar pra isso.
Eu não, eu não-
Porque na minha casa eu criei três homens-
Mas como é que você, mãe... Escuta, você é pedreira, você cuida do sistema elétrico da sua casa, você cuida do sistema de esgoto da sua casa?
Eu aprendi.
Você cuida da segurança da sua casa?
Eu me casei com dezoito anos de idade, tive o meu filho com dezoito anos, que é um camarada-
Quem construiu a casa? Quem fez a rede elétrica da sua casa?
Não, eu sempre morei de aluguel.
Quem cuida?
Eu sempre morei de aluguel.
Não, mas você mora num lugar construído por alguém, esse alguém foi um homem.
Eu aprendi. Eu aprendi a instalar um chuveiro. Eu aprendi a instalar um gás.
Você fez o sistema, você fez o sistema de esgoto da tua casa também?
E eu posso dizer sim, nunca precisei, porque nunca aconteceu, mas se precisasse eu faria.
Ô, então você mora num, você mora numa situação então bem peculiar, porque assim, você não precisa de ninguém pra viver.
Não é peculiar. Não, eu, eu aprendi a sobreviver.
Eu não tô falando que mulheres são incapazes de sobreviver sozinhas. Eu tô falando que uma sociedade... Não, não funciona mesmo.
E na sua casa-
Uma coisa é você fazer a manutenção do que já existe.
Então por que que não tem homem?
Não tem nada a ver, cê tá falando de construção familiar.
Não.
E eu tô falando de assistência técnica.
Não, eu tô falando de tudo.
Eu tô falando de estrutura.
Não, não. Você falou que o mundo não funciona sem homem.
Não funciona sem homem, porque pra morar como eu moro hoje, eu precisei de homens pra construir o sistema de esgoto, o sistema elétrico, é, eu precisei de pedreiros pra construir aquele apartamento.
Você concorda que tudo começa em casa ou não?
Tudo co-- sim, só que a minha casa precisou ser construída por homens
Olá, me chamo Naoê.
Oi, Naoê.
É muito problemático quando você fala que o, a sociedade não funcionaria sem os homens, por quê? Por que que as mulheres não estão fazendo cursos e, e praticando estudos relacionados ao cuidado de casa? Eu conheço muitas mulheres-
Não sei, responde você, porque
...muitas mulheres sabem fazer consertos de casa pra nece- não necessariamente precisar-
Consertos, não construção.
Não, mas é, tem mulheres dentro da, da construção civil, tem mulheres sendo engenheiras.
Tem, mas eu não tô falando que mulheres não podem fazer isso.
Mas quem disse que, quem disse que existe outros trabalhos-
Só que os homens que desenvolveram essas tecnologias, que constroem-
Vamos supor, ok
...os lugares onde nós moramos hoje, foram todos homens.
Vamo, vamo supor. A gente tá falando dentro de, dessa sociedade, né?
Que que seria essa sociedade?
Que colo-colonialista. A gente tá dentro de um território Pindorama, Brasil é um território indígena.
Pindorama?
Quando a gente pega, quando a gente pega-- então, se você não sabe, se você não é, se você não tá afim de, de entender o que que significa Pindorama e o território onde você está morando-
Tá, se tinha homens antes dos portugueses chegarem, assim.
Aí é uma questão sua. Indígenas. Sim. Dentro das sociedades indígenas, não existe isso entre o homem ser maior do que a mulher. Infelizmente, esse, esse modelo-
E por que que hoje a sociedade não é indígena?
Esse modelo, porque nós fomos colonizados.
Por quem?
E é por isso que hoje pessoas como você se veem no direito de falar uma besteira dessa. Simplesmente por isso.
Mas que besteira que há no fato de que uma sociedade não prospera sem homens?
Uma sociedade que uma so-
Que ódio é esse que você tem de homens?
Uma sociedade que a, que anda junto, uma sociedade que vive a p-a partir da sua comunidade, não que homens são melhores do que mulheres.
Mas eu não tô falando, mas eu falei que homens são melhores que mulheres?
Não funciona. Você tá falando que os, a sociedade não funcionaria sem homens.
Não funcionaria, assim como não funcionaria sem mulheres.
Exatamente.
Então, então qual que é, então qual que é o problema dessa afirmação?
Quem quiser vim, venha.
Licença, Pietra. Meu nome é Fernanda.
Azar, Fernanda.
Eu sou pesquisadora e atriz pela Universidade de São Paulo. Fala. É, quando você fala que a sociedade só funciona por conta dos homens, você trouxe um dado que cê falou que estava falando sobre necessidades básicas.
Uhum.
Só que necessidades básicas não necessariamente é só você conseguir acender a luz, você ter saneamento básico. Pela Constituição, necessidade básica também é educação.
Eu não tô falando de Constituição, a gente tá falando uma coisa mais pra trás, a gente tá falando de, de condições básicas pra sobrevivência humana.
Então, condições básicas pra sobrevivência humana-
Hoje em dia, né, considerando, considerando o mundo que vivemos hoje
...considerando uma sociedade que na pa-na própria palavra-
Que é complementar
...implica social-
Sim
...tá lazer, tá educação, tá saúde.
Sim, sim, mas ninguém tá excluindo a importância disso. O que eu tô dizendo é que uma mulher sozinha não consegue co-- tocar uma sociedade pra frente.
Sim, a gente precisa de muita gente pra fazer isso acontecer, de uma sociedade inteira.
Mas se forem muitas mulheres, não acontece, tem que ter homens, entendeu?
Necessariamente tem que ter homens envolvidos.
Porque várias mulheres não vão construir os prédios que a gente tem, não vão construir os hospitais que a gente tem, não vão construir, ééé, os, o co-o corpo de bombeiro, não vão ter uma frente militar, a gente não vai ter uma estru-
Mas o fato-
...uma estrutura primária básica que se resume à segurança, sistema de esgoto, eletricidade, enfim, as questões básicas, até relacionadas à agricu-agri-agricultura, nós não teríamos-
Mas o fato de mulheres terem entrado, por exemplo, na medicina e terem começado a desenvolver o que é o, a biologia do corpo de uma mulher, é o que faz com que hoje-
Mas elas só cursaram medicina porque alguém fez um hospital, trans-- ela transformou aquele ambiente favorável aos estudos dela.
Sim, se a gente for contar só o que os homens fizeram pela bio-- pela medicina, pela biologia, mulher não tinha prazer até ontem, assim, né?
De onde cê tirou isso?
O sistema reprodutivo, o sistema corporal das mulheres não era conhecido, porque simplesmente não era uma, uma importância pra medicina.
Por quem? Por quem que não era? Isso não faz sentido. Sabe quem descobriu o clitóris?
Hã.
Saint Hildegard de Bingen, von Bingen. Ela é do século treze, ela era uma san-- ela foi uma santa, uma religiosa, sim, uma freira católica, patriarcal, opressora, terrível, do século treze.
[riso] Patriarcal, opressora e terrível.
É claro, né, é, toda freira é patriarcal, toda, toda, todo cristão é patriarcal. Ééé, uma freira da Alemanha do século treze que descobriu o clitóris, só procê saber que não teve nada a ver com o movimento feminista e nem com luta pelo direito das mulheres.
Mas foi uma mulher que descobriu.
E daí?
E o fato dela ter descoberto, ela poder descobrir, significa alguma coisa.
Significa o quê?
Não foi o movimento antifeminista que colocou ela lá, né?
Mas muito menos o feminista, ela tá muito mais perto do antifeminista do que do feminista. Cê concorda, por ser uma freira conserva-conservadora, não, uma freira, uma freira tradicional, católica?
Eu sou a Juliana, sou feminista socialista.
Oi, Juliana.
É, então, Pietra, ééé, nós, feministas, a gente não defende que os homens não são importantes na sociedade. É, a gente defende, inclusive, que quem, eu sou uma feminista socialista, né, e a gente defende que quem move o mundo são a ca-- é, são os trabalhadores, né? É a classe trabalhadora. Se a gente fala de quem move o mundo, sim, são os trabalhadores, também homens.
É, então, por isso que eu acho esquisito todo mundo aqui se opor a essa ideia, né?
Os trabalhadores que tudo produzem, os trabalhadores que tão no chão das fábricas, assim como as mulheres.
São homens, são majoritariamente homens.
Infelizmente, hoje, as mulheres ocupam os trabalhos mais precários, né? Se a gente fala do trabalho doméstico, do trabalho de cuidados, são as mulheres-
Mas por que que é precário cuidar da casa?
Não, é precário cuidar da casa dos outros. Essa é uma pergunta que assim, se você não sabe a resposta do porquê uma empregada doméstica-
Mas o homem constrói a casa dos outros. O homem cuida do esgoto dos outros. O homem cuida da eletricidade dos outros
...recebe menos, né, é um trabalho precário. Se você não sabe isso, então acho que você tá muito distante da realidade.
Não, eu acho que você tá distante da natureza feminina e da espécie humana. Tá bom, não precisa gritar.
Eu não acho que é isso. Eu acho que você sabe que as mulheres estão nos trabalhos mais precários.
Eu não, eu discordo.
Assim como os homens também estão em trabalhos precários.
A maioria dos homens tá nos trabalhos precários. Sim, porque o mundo pra sustentar precisa de trabalhadores em trabalhos precários como as-
Os homens também tão nos traba-nos trabalhos, os trabalhadores públicos e muitos-
Eu acho muito digno uma mulher cuidar da casa da outra.
Tá bom. Então, Pietra, mas sabe quem defende os homens trabalhadores?
Dos filhos dela, eu acho. Hã.
Por que a direita vem defender os trabalhadores homens quando é pra se colocar contra as mulheres?
Olha, eu não tô, eu não tô com bandeira política aqui, eu tô falando-
Mas, não, a sua bandeira é política.
Não, não é, é ideológica.
Isso, é, é ideologia política.
Eu tô falando de Cristian Gádji e de ideologia.
A direita é quem ataca os trabalhadores homens.
Eu não sou de direita.
Você é de direita, Pietra.
Não, eu não sou de direita.
Ah, é?
Eu não sou de direita.
É, você fala que você é feudalista, né, você-
Eu sou monarquista, isso.
Monarquista. Exatamente, né, gente.
Que a monarquia não pode ser de direita.
A monarquia, Pietra, foi construída em cima da escravização dos negros no nosso país.
Isso é uma grande bobagem que tá falando.
Isso não é uma grande bobagem, isso é história.
É porque na, porque na Idade Média não existia escravidão.
Essa, você é de direita. Sabe quem defende os trabalhadores do nosso país?
A Idade Média foi um momento onde não tinha escravidão.
É a esquerda. A direita se coloca contra todos os direitos.
Por que que a gente tá falando de trabalhadores, se a gente tá falando aqui da sociedade, da sociedade sobre os homens?
Porque você afirma que os trabalhadores homens movem o mundo.
Exatamente.
Não são os burgueses, não é você que é coach que fica tentando no mercadinho, Pietra.
Eu não defen-- mas cê não defende. Eu não sou coach, meu amor. Eu, enfim
Que fica tentando convencer as mulheres do antifeminismo, não é você, são os trabalhadores óbvios.
Olha, se você vai pro lado de homem, essa conversa vai ficar infrutífera.
Então, é que daí você foge do tema, né? Primeiro o seu tema é-
É você que tá fugindo, você tá trazendo o socialismo-
Não
É, trabalhador-
Não, Pietra
...direito trabalhador. Eu tô falando de uma, de uma construção social-
A construção social é: os trabalhadores movem o mundo
...que nos diz que a sociedade funciona porque-
Sim, homens e mulheres.
Então cê tá concordando comigo?
Não é que eu tô concordando com você. Você faz isso pra desqualificar o trabalho das mulheres, que é sim mais precário.
Eu não acho.
As mulheres tão nos postos mais precários.
Aí é você que tá, você que tá desqualificando a mulher, não eu.
Agora, sim, os trabalhadores homens também têm trabalho precário, que a direita ataca.
Você tá falando que o trabalho da mulher não é digno? Cê tá dizendo que não é digno cuidar de casa?
Você está dizen-- não, não tô dizendo que não é digno. Você tá dizendo que as mulheres não movem o mundo.
Cê tá falando que é precário?
Que quem move o mundo-
Não, eu não tô falando isso
...só funciona com os trabalhadores homens.
Não, você tá colocando coisa na minha boca.
Não, é isso que você tá dizendo. É ilogismo pra você, Pietra.
Eu falei que a sociedade funciona por causa dos homens.
É muito fácil, porque daí você vai mudando o tema, você não responde-
Eu não tô mudando o tema
...você não dialoga com as perguntas que a gente tá colocando.
É que você que tá batendo no espantalho. Você tá colocando palavra na minha boca.
Quem move o mundo são homens e mulheres.
Eu não falei que mulh-- eu não falei que mulher não é importante pro homem.
Agora, o seu antifeministo tá, o seu antifeminismo tá a serviço de precarizar a vida das mulheres.
É você que tá precarizando.
Sim, não.
Eu tô valorizando o serviço das mulheres. Eu tô valorizando o que a mulher faz.
Olá.
Olá.
Eu sou a Daniela.
Oi, Daniela.
É, você falou que a sociedade só funciona por causa dos homens, ok?
Uhum.
Você concorda que a sociedade também funciona pelas mulheres, por causa das mulheres?
Com certeza. Claro, a sociedade é um complemento.
Então ela não só funciona por causa dos homens.
Sim, ela só funciona por causa dos homens, mas também funciona por causa-- sem os homens não tem uma sociedade.
Então ela é só. Então a sociedade funciona por, por causa de homens e mulheres. Você-
Não, não, mas se não tiver homens, ela não funciona.
Mas ninguém tá dizendo isso, ninguém discordou disso.
Todo mundo discordou disso até agora.
Não, ninguém discordou disso.
Todo mundo que sentou aqui veio combater essa ideia.
Não, as pessoas estão dizendo que a sociedade também funciona por causa das mulheres e não-
Você é a primeira a falar isso
...e não só por causa dos homens, porque o sa-- a sua fala é só funciona por causa dos homens.
Sim, porque se não tem homem, se não tem homem, a mulher, a mulher não consegue crescer na profissão dela ou nos atributos dela.
Não, ela também, ela também funciona por causa dos homens. Ela funciona por causa de homens e mulheres. Deixa eu te falar uma coisa, a-
As necessidades básicas do ser humano são supridas pelo homem.
Pela mulher também. O trabalho-
Básica?
...o trabalho invisível não remunerado é feito pelas mulheres.
O trabalho invisível não remunerado depende do trabalho primordial que é feito pelos homens.
Não, não, não.
Sim. Ah, não.
Os homens não conseguiriam fazer o trabalho-
Quantos mulheres você conhece que trabalham no esgoto?
Os hom-- deixa eu concluir minha fala, por favor.
Que trabalham com energia elétrica?
Deixa eu, deixa eu concluir minha fala, por favor.
Que trabalham na, na área civil?
Os homens, os homens que trabalham nesses trabalhos primários que você menciona-
Uhum
...eles não estariam conseguindo re-realizar esses trabalhos com eficiência se não fossem as mulheres cuidando dos lares, das crianças, de todo o trabalho invisível que você negligencia, que você negligencia.
Eu con-- ó, eu, olha, eu olho mais, pelo contrário, eu, eu defendo muito mais. A tua amiga ali que tava falando que é um trabalho, é, que é um trabalho, sei lá qual a palavra que ela usou. É, mas é você que tão negligis-negligenciando o trabalho da mulher. Ela falou que o trabalho da mulher é muito pior que o do homem. Eu não acho, pelo contrário, o trabalho da-- é precário.
Eu considero o tra-- o do homem muito mais precário. Eu prefiro um m-- se eu pre-precisasse escolher entre ficar no esgoto o dia inteiro cuidando do sistema de esgoto dos, da cidade ou, ou ficar na casa de alguém cuidando da faxina, fazendo comida, cuidando de criança, eu prefiro o segundo, a segunda opção.
Você acha, você acha que mulheres poderiam aprender a realizar esses mesmos trabalhos que os homens realizam? Tanto na energia elétrica-
É óbvio que elas poderiam, mas por que que elas fariam isso?
Então, fariam se precisar fa-- se precisar faz. Quer dizer que a sociedade-
Ai, nat-- e por que que os homens, por que que os homens, por que que os homens fazem 90%?
Quer dizer que a sociedade não precisa necessariamente de só ter homens nesses lugares?
Por que que esses homens ocupam 90% desses espaços?
Porque foi assim que a sociedade se, se organizou.
E por que que ela se organizou assim?
Se organizou assim por causa-- o patriarcado existe, né, Pietra? O machismo existe, né, Pietra?
E o, e o que que é o patriarcado?
O patriarcado é aquele, aquela sistema-
Cê acha machismo? O que que cê entende por machismo? Porque você tá falando que trabalhos mais precários são, são preenchidos por homens por causa do patriarcado.
Se você deixar eu concluir uma fala pelo menos uma frase.
É que não faz sentido, você falar que o patriarcado defende os homens, sendo que os homens tão nos tra-- nos piores trabalhos.
Ah, mas existe também uma dinâmica que coloca os homens nos piores traba-- aliás, os ho-- quem são os homens que tão nos piores trabalhos? Os pobres. Os ricos não estão nos piores trabalhos.
Não tô falando de classe social, tô falando de homem e mulher.
Assim como as mulheres sempre trabalharam, né?
Sim, claro.
Porque também existe um, existe um mito de que-
Concordo, com certeza. Mulheres-
...a, a, as mulheres conquistaram o direito de traba-- não, as mulheres sempre trabalharam.
Sempre trabalharam.
Os homens pobres sempre trabalharam.
Bom, você pelo menos é uma feminista honesta intelectualmente sobre isso, pelo menos.
Os homens semp-- os homens pobres estão nesses lugares e os ricos não estão nesses lugares.
Assim como as mulheres pobres também tão em trabalhos precários, como diz a outra lá.
Quem aborta é assassino. [efeito sonoro]
Olá, como cê chama?
Stephanie, sou advogada. Pra gente falar do aborto, a gente precisa entender que uma coisa é criminalização do aborto e a outra coisa é você ser a favor do aborto. Você entende essa diferenciação?
Uma coisa é a lei passar pano pro assassinato e a outra é a pessoa fazer isso sem a lei aprovar?
Não. Bom, por exemplo, eu, Stephanie, eu não faria um aborto.
Tá.
Entendeu? Embora eu seja feminista e ativista a favor da descriminalização do aborto.
Sim, toda feminista é a favor do aborto, sim.
E aí, co-- a, a grande questão é, independente se eu sou a favor ou contra, as mulheres continuam fazendo. A diferença é que elas morrem por causa disso.
Bom, independentemente de eu ser contra ou a favor do assassinato, as pessoas continuam assassinando.
Mas o que que isso tem ligação? Então você-
Ué, o aborto não é matar uma vida?
Não.
Não? É o quê? É matar o quê?
Um feto, né? Diferente.
Matar um feto?
É.
E o que que é um feto?
O feto é um amontoado de células, né?
Um amontoado de células?
Você é médica? Você sabe a partir do momento-
Um amontoado-- ninguém precisa ser médico pra saber que um feto é um ser humano, certo? Ou você acha que se tiver um feto congelado daqui mil anos, alguém descongelar esse feto, vai falar o quê? "Ah, isso aqui é um embrião dum cachorro", é o quê? Uma, uma concha vai sair daqui?
Vai ser uma vida ali?
Não vai ter ou vai, ou a conclus-- é claro que é uma vida.
A partir de qual momento que é uma vida? Qual que é a sua concepção de vida?
A partir do momento que o, que o, que o, que o zigoto feminino e masculino se unem.
Essa é a sua concepção de vida.
Sim, o coração já começa a bater ali dali a poucos dias.
Ah, então quando, então se uma pessoa tiver morte cerebral, é, não pode desligar os aparelhos, porque-
Quem falou cerebral? Eu falei de morte cerebral, por acaso?
Não, você falou de bater o coração.
Não, eu tô fa-
Pra você a vida tá linkada com o coração?
Não, não, não, não tá linkada com o coração.
Porque o feto não bate a partir de-
Eu falei que dali, inclusive, há poucos dias-- é porque eu me lembrei da minha gravidez. Em poucos dias você começa a ouvir o coração já. Então assim, a partir do momento que você tem uma célula da, fa-- é, feminina e masculina unidas, aquilo já é uma vida humana.
A, com a sua concepção, não uma concepção médica, né?
Mas o que que é con-- não, a concepção natural
Tudo bom?
Tudo bom?
Prazer.
Prazer, como você chama?
Meu nome é Daiara.
Prazer, Daiara.
Então, você é a fa-- é contra o aborto, correto?
Uhum, uhum.
Eu sou contra e sou a favor também.
Hum.
Tem muitas adolescentes aí, crianças em vários lugares precários, que assim, passam por estupro, violências, que eu acho que no caso eu seria a favor.
E aí você é a favor-- bom, já que ocorreu o crime do estupro, você é a favor de consertar isso com outro crime, que é o homicídio?
Como que você se colocaria no lugar de uma criança que foi molestada e aconteceu um estupro e não queria ser, não queria ser mãe?
Primeiro lugar, toda a vi-- aliás, a criança, primeiro lugar
Sim.
Não precisa seeer, ela não precisa cuidar daquela criança, ela pode colocar pra adoção. Inclusive a fila de adoção-
Sim.
A fila de pais que querem adotar é muito maior do que o número de crianças.
Você adotaria?
Claro que eu adotaria.
Você adotaria? E por que que não adotou até hoje?
Porque eu não considero que eu tenho estrutura pra isso, primeiro porque eu não sou casada.
Então, do mesmo modo que muitas pessoas não adotaria. Aí já tá um ponto, então assim-
Não, não, não, cê não ouviu o que eu falei? Eu falei que a fila pra, de casais que querem adotar é maior do que o número de crianças disponíveis pra adoção.
Só que você como uma ex-
Cê sabia disso?
Sim, só que você como uma solteira criando mais uma-
Então segunda coisa, então segunda coisa, se eu fosse entrar na fila pra adotar, eu ia demorar anos. Todo mundo sabe como é o processo pra adoção no Brasil. É complicadíssimo.
Não, sim.
Isso se dá também porque existe uma escassez de crianças. Tem muito mais gente querendo adotar do que criança disponível.
Mas concorda comigo que criança não falta, porque tem bastante aí, se você for em vários lugares-
Então por que que não tão pra adoção?
Então, claro que tão.
Mas se tem mais, se, se a fila de pais pra adotar é maior?
Não. [estalo de língua] A fi, a fi-
Como não?
Não, a fila-
Não sou eu que tô falando, cê pega, você puxa qualquer dado de qualquer lugar.
Você, você já pensou em adotar?
Já, se eu for casada um dia, pode ser que eu adote.
Então, e por que que não casou?
Bom, cê quer entrar na minha vida pessoal, é isso?
Não, né?
Aí é, aí é complicado, né, querida? Se for pra falar da vida pessoal de cada uma aqui, vai complicar a coisa.
Bom, eu sou a Virgínia Guitzel, mais conhecida como travesti comunista. Então você já assumiu aqui no programa que as crianças são obrigadas a parir filhos de estupro.
Pensa, não, eu tô falando que qualquer pessoa-
Que você inclusive acha que as, o-
Que engravide, sim.
O que hoje já está garantido na lei tem que ser revogado, é isso, né?
Sim, não é porque tá na lei que é uma lei que é moral.
Então crianças de doze anos que têm risco biológico, porque você adora usar biologia pra ser transfóbica. Agora pra usar a biologia de fato-
Não, não tem, mas que risco é esse?
Pra entender que uma criança de doze anos... Cê imagina o corpo de uma criança de doze anos ser obrigada a parir uma, uma outra criança.
Bom, dependendo da biologia, se ela já, já, se o corpo dela já posiciona ela numa gravidez, é porque ele tá pronto pra parir, não?
Você não sabe o que cê tá falando, você não sabe o que cê tá falando.
Ah, não?
Não, você não sabe.
Ah, não, quem sabe é você.
Se você for buscar os estudos médicos-
Hum.
Você vai ver que tem vários riscos, inclusive de morte. Só que é engraçado que você inclusive-
Olha, isso não existe tanto inclusive. Hoje, hoje a gente tem a cesárea, né, que é uma cirurgia supersegura pra quem tem risco de, de-
Não tenho a ver com isso, tem a ver com a gestação. Tem a ver com a gestação. Sem contar que a gente vê uma realidade no Brasil hoje, que mulheres lésbicas, homens trans, são vítimas de estupros corretivos.
E vamo lá, né, Virgínia. A maioria das pessoas que defendem o aborto, a maioria das pessoas que abortam-
E você inclusive é parte de atacar o movimento feminista que luta por justiça pra essas pessoas.
A maioria, a maioria das pessoas que querem, que defendem o aborto hoje, não são as pessoas da favela que tão, que, de as meninas de doze anos, que sofrem estupro, que tão querendo, é, que tão querendo abortar. A maioria são pessoas por trás de ideologia de gênero, são pessoas, são pessoas, é, são as patricinhas que querem fazer mochilona Europa fumando maconha e pegando todo mundo.
Não são essas pessoas que defendem o aborto.
São essas pessoas que defendem o aborto.
Você é a favor de uma-
Então essa família patriarcal que você defende. Pai e mãe.
A família patriarcal que eu defendo não é sobre isso.
O pai e a mãe abusam das suas crianças.
A maioria dos abo-- a maioria dos estupros acontecem por parentes, por tios, e não por pais.
Essa é a realidade. Então assim, Pietra, vamo falar a verdade, esse debate hipócrita da sua parte é um debate só pra justificar a violência que as pessoas sofrem. Virgínia, cê tá querendo, cê tá querendo compensar a vergonha que cê passou comigo no outro debate? Tudo bem, mas assim-
Que vergonha? Você assumiu que você é transfóbica.
Você tá trazendo coisas que não fazem sentido. Cê tá me chamando de transfóbica, cê tá fazendo um monte de coisa que não faz sentido nenhum.
Você assumiu. Você me chamou de traveco, não foi? Cê vai chamar de novo agora?
Como é que eu vo-- hã?
Você vai chamar de novo agora?
Do quê?
O que que cê me chamou no outro debate?
Do quê?
Vamo. Cê não lembra? Cê não tem memória?
Falei da carta traveco. E eu vou saber que não, que é um problema chamar de traveco?
Ah, então você não sabe. Tadinha de você.
Não sei. Travesti e traveco pra mim não sei qual a diferença.
Claro, porque você é transfóbica.
Não tenho tanta paciência. Travesti e traveco pra mim não faz diferença nenhuma.
Você é transfóbica.
É, sou transfóbica.
Olá.
Oi, eu sou a Luana. E é importante, eu, eu quero saber de uma coisa. Se por um acaso acontecesse, você disse que tem uma filha.
Uhum.
Se por um acaso acontecesse com ela, você conseguiria ver a sua filha não só passando por um sofrimento de um estupro, porque aparentemente você, desculpa perguntar, caso você não queira dizer, tudo bem.
Uhum.
Mas aparentemente você nunca passou por uma situação de um estupro.
Não, nunca fui estuprada.
Ok. Então quando a gente fala sobre estupro, a gente não só fala sobre o ato de estuprar alguém, mas você toca num ponto sensível de várias mulheres aqui ao redor.
Uhum.
Isso toca num ponto sensível-
É que eu não acho, hã-
Não, licença que eu não terminei de falar. Muito obrigada. É muito importante lembrar que você ver uma criança sendo estuprada, você, você tem que lidar não só com o corpo infantil sendo colocado num ato adulto, porque por mais que eles sejam-
Eu não defenderia o aborto em uma ca-- você perguntou da minha filha, se a minha filha fosse estuprada.
Não terminei de falar.
Eu não defenderia o aborto.
Eu não terminei de falar.
Eu não defenderia que ela abortasse.
Eu não terminei de falar. Eu não terminei de falar. Peço que você não me interrompa.
Vai, querida, fala.
A sua filha é uma criança.
Aham.
Ela é uma criança.
Exatamente.
E mesmo que você não concorde com o aborto, ainda assim não acho que o sistema em si deveria levar a sua opinião como mãe em consideração, porque ainda é um corpo infantil.
Não, não é a minha opinião, a opinião da maioria dos brasileiros, né?
Não, licença que eu não terminei. Não terminei de falar.
É que se você fica falando vira um monólogo e não um debate, né?
Mas você tem que respeitar.
Cê quer um palco? Cê quer uma street? Cê quer uma stand-up comedy? Aí, tipo, você não é a que tocar.
Mas você tem que respeitar os relatos dos outros. Se você não respeita a minha fala, não é nem um monólogo, nem um debate, é só você que vai falando.
Não, é um debate, o tempo tá correndo, aqui não é Papo Unico, entendeu? Não é pra você chegar e discorrer longamente sobre algo.
Mas é só você que fala.
Você traz o argumento, eu respondo.
Mas é só você que fala.
Vai, então complete, complete a sua argumentação.
Eu quero saber se acontecesse com a sua filha, você ia sustentar a ideia?
Eu já falei que não, já respondi. Ia. Já respondi.
Você ia ver o corpo de uma criança-
Sim.
Gestando.
Sim.
E você não julga isso cruel?
Não, eu julgo cruel matar um bebê.
Mas não é um bebê, é um, é uma junção de moléculas.
É, aí-
Só tem sistema nervoso depois de três, quatro meses.
O que define, o que que define quando vira um ser humano ou não?
E aí o aborto acontece.
Porque cada um fala que é uma hora, né? Tem gente que fala que é em quatro semanas, tem gente que fala em três meses, tem gente que fala em no-- tem gente que defende que é um feto até o nono mês. O que que define se é uma cri-- se é um ser humano ou não?
O sistema nervoso.
O sistema nervoso? Mas isso é uma opinião tua, então, porque a própria medicina-
Não, é ciência.
A, a própria ciência não tem uma, um, um, não entra aí num consenso sobre quando começa a vida humana
Ué, então-
Não é o que?
Uai, então se não co, se, então se a ciência não tem um conceito de vida humana, por que que eu tô assassinando? Você se contradisse, minha amiga.
Não, não, mas eu não, mas eu não tô falando que eu tô de acordo com a ciência.
Não, você se contradisse.
Não, não, mas quem disse-
Você acabou de se contradizer, não fui eu.
Mas quem disse que eu tô, mas quem disse que eu tô defendendo a ciência?
Ué.
Eu tô defendendo a lei natural.
Você tá se contradizendo, dichava.
Eu tô defendendo a lei natural-
Não sou eu que estou me contradizendo
independentemente do que a militância cientificista diga.
Se não existe conceito exato de vida, aonde que entra o assassinato?
Entra a partir do momento-
Assassinato é corpo físico, dentro da Constituição é corpo físico.
Não, não, a vida, a vida acontece, a vida acontece é quando o zigoto feminino está junto.
É sair e matar, sabe? Bom, bom, se não tem...
Exatamente, como é que cê mata, como é que cê mata um, um embrião?
Eu que te pergunto isso, como é que você mata um embrião?
Então, a distonia, você, exatamente, tem várias formas.
Se não tem conceito de vida, não tem morte.
Como que não tem conceito de vida, mas não so, mas pra mim tem conceito de vida.
Não tem conceito de vida.
Qualquer cristão sabe que a partir do momento que-
Não tem conceito de vida, fechamos.
Ah, não, não tem conceito de vida. Quando a criança nascer é o que então? O que que é ali?
Não tem conceito de vida, não tem essa vida.
Mas se não tem vida, não precisa matar. Por que que precisa matar se não tem vida?
Se não tem conceito de vida, por que que tem?
Petra.
Olá.
Como você chama?
Muito prazer.
Prazer.
Eu sou Felipe.
Prazer, Felipe.
É muito bom poder te encontrar aqui, acompanho o seu trabalho e eu acredito muito que a partir de um, de um diálogo orientado, respeitoso, a gente consegue divergir e se respeitar em algum momento.
Ai, ufa, que bom, finalmente.
Porque eu penso que toda militância, ela precisa ter propósito.
Claro.
Se a militância não tem propósito, ela vira chatice.
Concordo.
E se a gente entrar-
E agitação simbólica, né, e não efetiva, claro
E se a gente não tá aqui num propósito só de expor as nossas ideias e aprender uns com os outros, a gente tá aqui meramente pra poder se atacar e esse não é um lugar que eu gosto de ocupar.
Perfeito, fico feliz.
Então rapidamente aqui, eu sou o Felipe, eu sou um homem gay, faço parte da classe LGBT, tenho uma identidade de gênero andrógeno, por isso que os meus cabelos são longos, eu me visto dessa maneira e me sinto muito feliz e leve e livre pra ser assim. E não necessariamente preciso ser uma mulher pra poder defini, é, defender pautas que sejam elas-
Claro
feministas, até mesmo porque eu acredito muito no poder da empatia
Sim
do respeito e da sororidade que deve ser aplicada em todas as suas nuances e camadas. Quando você fala, por exemplo, sobre o aborto, eu fui quase vítima de um aborto. É, é, a minha mãe tentou me abortar, em decorrência disso eu, eu nasci de sete meses e, e eu cresci com essa, com, com essa imagem sobre o aborto. É, venho também de uma, de um lar cristão e a partir dessa pauta, Petra, eu passo a entender que quando uma mulher tem a possibilidade de gerar de, em vias naturais com consentimento
Uhum
qualquer ato que ela faz a partir dali, sim, é um ato criminoso. Agora, quando uma mulher, ela é violentada e ela passa por uma questão de abuso sexual, eu não, eu não sou uma mulher, infelizmente fui abusado por três vezes quando criança, próximo à adolescência, então sei a dor que é-
Ah, sinto muito por isso
ser abusado, se-ser estuprado.
Sim.
E quando eu me pego pensando numa criança, numa adolescente que foi estuprada de uma forma, é, violenta, penso eu e acredito que ela tem o direito, sim, de poder escolher entre dar a vida, aquele ser que está sendo gerado, ou seguir com aquela, com aquela gravidez.
Sim.
Entretanto, penso que não é um crime. E por favor, tô aqui pra poder te ouvir também.
Não, então Felipe, obrigada pela tua educação.
Imagina.
Que bom, que bom ter alguém assim pra conversar. É, primeiro lugar, a gente tá trazendo muito a questão da, do estupro contra, contra, contra crianças, né? Agora, a maioria dos, a maioria dos estupros não são contra crianças e a maioria das pessoas que abortam não são crianças e nem vítimas de estupro. É, o que acontece é que geralmente as crianças que engravidam são vítimas de um, de um, de uma sequência, né, de, de estupros dentro da família, como vocês muito bem sabem, e ela só vai descobrir que tá grávida depois de alguns meses, depois de três, quatro meses, às vezes com seis meses, a gente teve um caso famoso no Brasil que foi até o sétimo mês, se não me engano.
É, e o que acontece? O meu ponto é, já que a criança tá com o bebê na barriga por tanto tempo, por que não... Ela vai ter que expele, ela, aquele bebê vai ter que sair de alguma forma.
Certo.
Já vai ser traumático praquela criança, certo?
Certo.
Por que não tirar aquele bebê com vida ao invés de matar aquele bebê?
Eu penso, eu penso em duas coisas aqui que eu acho que é importante a gente poder dissertar sobre. Quando a gente fala sobre a, a, a, o tirar a criança logo que, que a, que a mãe tem a percepção, eu não consigo configurar isso como um que, um crime, até mesmo porque, é, não fez parte de um plano daquela pessoa gerar aquela criança.
Sim.
Outro ponto que você trouxe também que eu achei interessante e posso falar com conhecimento de causa. Eu tô há seis anos na fila de adoção pra poder ado-adotar uma criança, porque sim...
Olha aí, complicado, né? É ou não é complicado adotar?
É bem complicado.
Pois é. Oi de novo.
Oi de novo, tudo bem? Bem, Petra, você virou e falou que pra você, mulheres que abortam são assassinas.
Uhum.
É, isso é um conce-
É um nome que se dá pra quem mata outra vida humana, né
É o, é o conceito que você traz do direito. E aí quando, se a gente vai tratar do direito, eu acho que é importante a gente também entender que no nosso-
Não, mas é ver, assassínio não tá só na, na legislação
Tá, isso tá na legislação, isso tá na legislação.
Assassínio tá dentro de um testamento, é uma questão religiosa também.
Inclusive no nosso código civil, tem uma determinação de encontrar a vida.
O fato de estar no código civil é porque ele veio do cristianismo, esse conceito, né?
A vida existe, a vida exis... É, a vida, inclusive-
Não é do código civil
O código, o código civil tá, ele determina em quanto a vida? Depois do nascimento, primeiro, primei-
Eu não tenho nada contra o código civil, eu tô em plano natural, tô em plano de Deus
primeiro sopro de vida após saída do útero. Este é o conceito de vida que está instalado no nosso país juridicamente, entendeu?
Só, só vira um ho-- Você perguntou pra você, só vira um ser humano depois que sai da barriga.
Entendeu? E a outra coisa, você está escolhendo qual é a vida que vale.
Então o bebê que nasce em sete meses, um bebê de oito meses... Não, é você que tá escolhendo.
Não, você, porque você que tá ignorando.
É você que tá escolhendo.
Você está ignorando mortalidade materna.
Isso chama eugenia
Quantas mães você conhece que morrem por ca-por causa do, do aborto ou do, do parto?
Várias, várias.
Hoje em dia?
Eclampsia, pré-eclâmpsia.
Hoje em dia é minoria.
Você tem, você tem possibilidades pelo não pesquisa.
A gente não tá falando desses casos.
Se você tá falando de direitos sexuais e reprodutivos, você tá partindo da premissa então que toda mulher morre no parto.
Você tá partindo de uma premissa... Não, você tá escolhendo que quem ba-- que quem morre são as mulheres.
Não, porque cê tá, cê tá falando que toda mulher morre no parto, é uma loucura isso. [aplausos] Mulher bem-sucedida é a mulher que virou mãe. [vinheta] Ah, eu gosto de você que cê não grita.
Às vezes eu tenho uma projeção.
Ah, jura? [risos]
É, mas não é nada, não é nada ofensivo.
Tá, você não vai pro ad hominem, muito bom.
Não. [risos]
Tá.
Cê não acha que isso é uma escolha muito individual?
O que que você entende por um ser...
Mulher bem-sucedida é a mulher que virou mãe. O sucesso das pessoas não é muito individual? O que que cada um deseja pra si? O que que cada um considera sucesso pra si? Cê não acha que isso é uma pauta, um tema muito, é, raso pra se trazer pra um debate social, pra gente debater sociedade?
Eu acho que não, porque é uma questão ontológica, né, uma questão de lei natural. Ex-- to-toda, toda criação tem um fim próprio, né? A criação, tanto naturalmente falando quanto espiritualmente da mulher, é a maternidade, né. E se a gente vai pra, até pro sentido etimológico, né, da palavra, é, maternidade, né, "mater" obviamente que vem de mãe, é, "maternitás" é, é uma condição, é um estado de vida, né.
Então quando a gente diz que uma mulher bem-sucedida é a que vive a maternidade, não necessariamente é a maternidade, hã, biológica.
Cê acha, cê acha que toda mulher tem...
Ela pode ser mãe espiritual de várias pessoas também.
Entendi. Pois é.
Só que eu acho que a perfeição e a felicidade, de acordo com a, né, com, com a ontologia, com a lei natural e com a espiritualidade, com a cristandade, a mulher que alcança o maior sucesso é a que exerce a maternidade de forma perfeita, né, da melhor forma.
Cê acha, cê acha que todas as mulheres têm aptidão pra ser mãe?
Sim.
Cê acha mesmo?
Sim, é, é o fim último da, da, da criação divina, né.
Você não acredita que uma, que alguma... É, é esquisito isso, porque assim, a gente vê tantas pessoas sem aptidão pra maternidade, que a gente fala "mas por que que..."
Mas cê não acha que a sociedade pode educar essas mulheres pra não, pra acreditarem que elas não são aptas pra, a maternidade?
Não, eu, por exemplo, eu não me considero apta pra ser mãe, embora eu tenha um instinto de mater... eu, eu, eu tenho
Mas você, você, você entendeu que quando eu falo que a maternidade não é só sobre a biologia, é sobre essa, essa tendência a, ao cuidado, à, à maternidade espiritual também de outras pessoas, de cuidar da sociedade?
Porque nesse ponto, nesse ponto, nesse ponto, eu concordo plenamente, porque eu sou uma pessoa maternal, mas para me responsabilizar
Você não é uma pessoa má, você é uma mulher, toda mulher é maternal, não existe mulher não maternal.
Exato, mas aqui a gente concorda. A questão é, quando você fala que o sucesso da mulher é quando ela se torna mãe, aí a gente tá falando de um aspecto biológico, de um aspecto que é, é situacional mesmo.
Não, não, é, olha só, é, a gravidez é um, é um processo biológico temporário, certo? Agora, maternidade é algo ontológico, é algo que transcende, né.
Mas então, então vamos, vamos especificar.
A maternidade é um estado, é um estado feminino natural.
Vamos especificar. O que que você quis dizer quando você disse que o sucesso da mulher é quando ela se torna mãe?
Exa-- é quando, é quando ela exerce a maternidade acima de qualquer outra coisa, ou seja, ela prioriza a maternidade.
Não necessariamente ter uma gestação e parir.
A minha, a minha crítica, na verdade, é se, em relação às mulheres que acham que o sucesso profissional pode trazer mais felicidade do que elas, hã, se dedicarem à maternidade, seja ela biológica ou espiritual.
Por que isso? Porque, por que que...
Porque naturalmente a gente é feito pra isso.
Mas vem cá, o sucesso profissional, ele também não é parte do gestar algo, do gerar algo, do criar algo?
Pode ser, mas não ontologicamente. Você, a-assim, uma mulher pode ser tranquila, ela pode ser tranquilamente realizada sem, sem a parte profissional. Agora, eu não creio em felicidade feminina sem a maternidade.
A maternidade que a gente tá falando de ter um filho...
De cuidado biológico ou não, de exercer essa maternidade no sentido espiritual. Por exemplo, uma freira, uma freira, ela não se casa, ou seja, ela não tem filhos, mas ela é mãe espiritual de muitas pessoas, de muitas almas. Ou seja, ela conduz, ela ensina, ela cuida, ela, ela encaminha.
É, eu, eu acho que isso, eu acho que isso sai um pouco...
Olá, boa tarde.
Tudo bem? Meu nome é Lua.
Prazer, Lua.
É, eu tenho uma comunidade de mulheres, não sou mãe, mas sou filha de uma, de uma mulher muito forte, inclusive. E eu vejo hoje a maternidade como uma pauta muito importante pra gente se pensar a longo prazo, né? Porque a gente falou aqui sobre aborto, falamos agora sobre a maternidade, e não é só gestar, você tem que educar uma pessoa futuramente. E hoje em dia, na sociedade, como você vai educar uma mulher ou um homem, onde a gente sofre violência, onde a gente corre perigos nas ruas, obviamente, acho que você não se sente segura caminhando sozinha na rua.
De forma alguma.
Exato, e acho que todas nós aqui também não. Somos duas mulheres brancas privilegiadas e a gente tem que enxergar isso, né?
Você se considera privilegiada por isso?
Eu me considero privilegiada, porque pra eu estar aqui foi muito mais fácil, com certeza, do que muitas que tiveram que...
Por que cê acha?
Porque eu acho que o estético, né, eles nos colocam em vários lugares.
Porque olha só, você, você é a única loira de olhos azuis, não é? Tem alguma outra loira de olhos azuis?
Pois é, eu e você.
Nós duas, mas se a maioria aqui...
Então acho que nosso estético nos leva em vários lugares, consegue nos colocar...
Mas você é a única loira de olhos azuis, por que que cê acha que a loira de olhos azuis é privilegiada? Se todas as outras não são.
Eu acho que o nosso estético consegue nos colocar em vários lugares onde outras mulheres não são bem-vindas estereotipicamente, né, você olhando. Então, pra ter filho hoje, acho que você precisa ter essa estrutura, né? Eu tenho um grupo terapêutico de mulheres...
Mas você não acha que é um pouco materialista essa visão, do sentido de que só as mulheres que têm privilégio podem ser mães?
Não, acho que não é, porque a educação... Não, eu não falei isso de jeito nenhum.
Sendo que é uma condição ontológica natural.
Eu não falei isso de jeito nenhum.
Então qual que é a ideia?
Eu falei que pra você hoje ter um filho, você precisa minimamente ter uma estrutura e conseguir colocar comida na sua, na frente da sua casa.
Você diz uma estrutura, quando você fala de estrutura, você fala de questão financeira.
Estrutura, falo de financeiro, de rede de apoio, né, de, de educação, onde sua filha vai estudar, onde sua filha estuda hoje. Você, você concorda com a educação?
Num colégio bom.
Num colégio bom?
Sim.
Que bom, você tem o privilégio de conseguir colocar sua filha.
Sim, tenho.
Muitas pessoas, muitas meninas não têm. Então eu trago muito esse apoio para essas meninas que não conseguem hoje colocar...
Mas, mas é porque você depe-- é que você acha que uma boa estrutura é um bom colégio, eu não vejo dessa forma, entende?
Ó, eu acho que hoje, a, é, a nossa sociedade, nós meninas jovens, muitas vezes temos dificuldade de criar sonhos. Pra você tá aqui hoje falando, você teve que criar esse sonho. Alguém teve que te incentivar.
Não, eu nunca sonhei, eu fui meio que... enfim, isso é um outro papo, né? Eu nunca sonhei em tá aqui, as coisas foram acontecendo na minha vida dessa forma.
Não, mas é assim, é a questão de muitas meninas.
Mas a questão da, da violência que você trouxe, por que que cê acha que em outras épocas o mundo não era violento?
Não, ele é violento, hoje nós estamos falando...
Pensa que nós tivemos duas guerras mundiais durante o século vinte.
Hoje nós estamos aqui com informações pra falar sobre isso. E é por isso que eu...
Mas é que o mundo sempre foi violento, entende?
Se eu guio o meu grupo... Com certeza, mas é por isso que eu guio o meu, o meu, o meu mundo.
Obrigada
Oi de novo. Você quer ser mãe de três crianças.
Sim, só que-
E se você não conseguir engravidar três vezes?
Ah, não tem problema, eu adoto. Mas se eu não der também, não é uma grande aspiração.
Cê acha que a maternidade é um direito?
É um direito, é o meu corpo.
É um direito?
Quem tá custando-
Mas, mas o filho, mas quem vai te transformar numa mãe é teó-- né, são teus filhos.
Sim.
Mas eles são outro corpo, não são o teu corpo.
Sim, mas... Não entendi.
E se você adotar, e se você adotar não é o teu corpo.
Não, mas ainda é meu filho.
Sim, mas é que você falou, é que você falou que você pode escolher, você tá falando que a maternidade é um direito porque é o teu corpo. Mas se você adotar, não foi o teu corpo que gerou.
Mas ainda eu tô escolhendo ser mãe, né? Eu tô escolhendo maternar, depois que você disse.
E quem não pode adotar e quem não pode, é, engravidar, como é que faz? Não realiza esse direito? Não tem esse direito?
Ué, se a pessoa não conseguir, aí já é além das minhas escolhas, não?
É que eu não parto da premissa que a gra-- de que a maternidade é um direito, entendeu? Ela é um privilégio, na verdade. Aliás, a maternidade sempre foi vista como um privilégio. Se a gente pegar em todas as, em todas as socie-sociedades do globo, em todas as épocas do mundo, hã, inclusive as mulheres inférteis sempre foram vistas como, como infelizes, como mulheres que foram acometidas por maldições.
Nunca foi bem visto uma mulher não conseguir gestar, né?
Dentro da nossa sociedade, levando em consideração o capitalismo, eu já escutei muitas vezes que é quem pariu Mateus que o embale. Ou seja, tem que-
Como é que é? Descul-
"Quem pariu Mateus que o embale". Não sei se você já chegou a ouvir isso.
Não, não ouvi.
Eu já escutei muitas vezes. Que na maioria das vezes precariza o trabalho da mãe e na maioria das vezes culpa-culpabiliza mulheres quando elas são abandonadas pelos homens, tendo em vista que o Brasil bate recorde de abandono paternal.
Sim.
Então quando a gente fala de maternidade, a gente também fala da ausência maternal. A ausência paternal, desculpa. A gente fala da ausência dos homens dentro do trabalho materno.
Não, é que é se-- é que a pauta é outra, né? A, a, a pauta é a seguinte: a mulher bem-sucedida é a mulher que virou mãe.
Mas a mulher não faz o filho sozinho, então não existe falar sobre maternidade sem envolver os homens nisso.
É óbvio que não.
Então.
Mas a gente tá só-- a gente tá falando da, da maternida bi-- da, da maternidade biológica. O que eu trouxe inicialmente é a ideia de que a maternidade pode ser biológica ou não. Eu trouxe até o caso de freiras e religiosas, são mulheres que têm filhos espirituais. Ou seja, o fim ontológico natural da mulher-
Mas você falou de biologia...
É porque você falou que você quer ser mãe de três.
Sim, porque isso é uma aspiração minha, mas se não acontecer eu vou continuar sendo, eu vou continuar sendo bem-sucedida, porque se eu não tenho dinheiro, o dinheiro pra mim, ó, tá acima de tudo. Se eu não tenho-
O dinheiro está acima de tudo.
Está acima de tudo, porque se eu não tenho dinheiro, não tem problema.
Então o meu ponto é justamente esse.
Tudo bem?
Tudo bom? Como você chama?
Eu sou a Paula Fernanda.
Prazer, Paula.
Eu tenho quarenta e dois anos. Eu discordo um pouco de-desse tema que você trouxe, porque assim, eu tive filho com vinte e um anos e hoje ele está com vinte anos. É, e infelizmente eu carrego a culpa, porque eu tive que trabalhar muito e estudar. Então eu trabalhava, fazia a faculdade, então eu não tive-
Cê era casada já?
Sim. E eu não tive tempo pra cuidar do meu filho.
Sim.
Então assim, hã, os melhores momentos que eu poderia passar com ele, eu não consegui, devido porque eu precisava trabalhar pra sustentá-lo.
Perfeito, você é um exemplo perfeito que corrobora a premissa de que a mulher bem-sucedida é a que virou mãe, porque você não pôde exercer a maternidade de forma integral e perfeita, porque você precisou trabalhar.
Sim, mas eu não me vejo bem-sucedida hoje. Hoje eu me vejo uma pessoa infeliz.
Perfeito, porque você não pôde exercer a maternidade, porque você teve que trabalhar.
Exato, sim, então por isso que eu não me vejo uma mulher bem-sucedida.
Mas, mas a gen- a gente tá concordando. A gente tá concordando.
Não, a gente tá concordando por que? Não, eu não concordo.
Não, você teve um filho, mas não é, não significa que você não exer-- não significa que você exerceu a maternidade da forma como naturalmente ou espiritualmente uma mulher deveria fazer. Entende?
Uhum. Entendo.
Porque quando a gente fala de maternidade, não é sobre, sobre você parir. A maternidade é uma condição, né, eterna da mulher.
Sim, sim, eu entendo.
Então a, a gravidez é uma questão. Hoje em dia, infelizmente, as mulheres têm que ter filhos e têm que abandoná-los, hã, com poucos meses, muitas vezes, né, pra voltar ao trabalho, pra ter-
Mas eu abandonei anos.
Anos? Não, não. Digo, com poucos meses de vida.
Sim, sim.
E depois tem que ficar anos longe do teu filho. Ou seja, isso faz com que você não exerça a maternidade.
Sim, por isso que eu me considero-
Que é o teu status quo.
Por isso que eu me considero uma pessoa não bem-sucedida.
Que não exerceu a maternidade. Se você não tivesse que trabalhar e exercido a maternidade, seria perfeito. Olá.
Meu nome é Jana, eu sou professora de História e tem uma categoria de mulheres que, na verdade, não, não se atribui a elas, hã, o direito integral de ser mãe, e nem se tem apoio, inclusive religiosamente falando, de serem mães, que são as mulheres lésbicas.
Tá.
Por exemplo, se eu e minha companheira quisermos ter um filho, a sua religião, na-no caso da sua religião, a gente vai ter apoio dela?
Não.
E pra onde vai a minha maternidade? [aplausos]
Mas o que cê quer dizer com isso?
Se pra eu ser bem-sucedida, eu preciso ser mãe, então por eu gostar apenas de mulher, eu vou, eu sou naturalmente mal sucedida.
Mas eu disse, mas você não ouviu o que eu falei inicialmente? Que a maternidade pode, pode ser exercida biologicamente ou não. Ou seja, pelo fato de você ser, é-
Sim, adoção tá claro pra mim.
Gay, lésbica, cê disse, eu não sei mais os termos que pode usar, que não pode.
Lésbica, Pietra.
Lésbica. Por você ser lésbica, é, você pode exercer a tua maternidade de outra forma.
Ok, eu posso adotar.
Você é professora.
Eu posso adotar uma criança.
Você pode ajudar a educar outras pessoas.
Não, eu posso adotar, Pietra, uma criança? Posso adotar com a minha esposa?
Ué, tá na digitação que você tá. Ué, teu corpo, tuas regras, não é? Quem sou eu pra-
E você apoia, Pietra, isso? Pra eu ser mãe, pra eu ser mãe bem-sucedida, já que a gente tá falando sobre isso.
Isso não diz respeito a mim.
Ah, isso não diz respeito a você, mas foi o que você trouxe aqui.
O quê?
É a sua afirmação pra mulher ser bem-sucedida, ela precisa ser mãe.
Mas eu não disse que ela precisa biológica.
Mas aí se eu quiser adotar junto com a minha companheira, você diz que não diz respeito a você.
Não, não, eu tô falando que você pode ser mãe, você pode ser mãe caminhando crianças de outra forma.
Cê sabe que cê não quer responder, Pietra, porque isso vai afetar a base que te segue, que é uma base que tem preconceito cristã.
Eu não tenho base que me segue, não é preconceito. Existem as regras da igreja, as leis de Deus, que eu não tenho que palpitar ou não, elas independem da minha opinião.
Ah, então-
É a religião que eu sigo. Eu não posso escolher quais partes do catolicismo eu posso seguir ou não.
Então eu posso ser bem-sucedida sem ter filhos, se eu, se ou tendo um filho-
Claro, exercendo a maternidade de outra forma.
Com a minha, com a minha companheira. Com a minha companheira, Pietra?
Bom, não é o que a religião diz.
Com a minha companheira, Pietra?
A igreja católica não apoia isso.
Ah, então é só isso, gente, que eu queria falar.
Ué, mas isso corrobora a premissa. Isso... [aplausos]Acho que vocês não en- vocês não entenderam até agora o conceito de maternidade que eu trago aqui, mas tudo bem. Olá!
Muito linda você-
Obrigada, você é linda também
Apesar de discordarmos de 99% das coisas.
Olha só, é bastante 99, hein?
E tá tudo bem. E caso você não saiba, é isso que o feminismo prega, a possibilidade de você discordar de mim, de eu discordar de você. Quando você fala sobre a maternidade, cê pode repetir o tema pra mim, por favor?
Mulher bem-sucedida é mulher que vira mãe.
E a mulher que não consegue ser mãe?
Ela é uma exceção, mas isso não exclui o fato de que pra ela ser bem-sucedida, o ideal seria que ela fosse mãe.
Mas não é uma escolha dela. Ela geneticamente não pode ser mãe, mas tudo bem.
Tudo bem, mas, mas, mas isso não muda o fato. Assim, ou seja, ela tem, se ela não pode ter bebê, ela tem um defeito.
Então ela, ela tem um defeito.
É claro.
Ela já nasceu, é, sem sucesso.
Um, ó, um corpo, um corpo que não, ela, vamo lá, se a mulher não pode ter filhos.
Uhum.
Isso eu digo assim com todo o meu coração, eu conhe-eu conheço mulheres que não podem ter, mas é, ué, mas as minhas palavras-
Coitadas, mal sucedidas.
Sim, infelizmente, e eu me compadeço-
Só porque elas não te geraram.
Não, não, só que olha só, elas podem exercer a maternidade de outra forma e ser muito bem sucedidas. Elas podem não só adotar, como elas podem ter filhos espirituais.
Então se pode exercer a maternidade de outra forma, nem podia existir essa pauta, porque já tá resolvido.
Mas tem mulheres que não-
Se você concorda que a mulher bem-sucedida não só é criando um filho, mas sendo uma mãe de pet, mas criando alguém.
Não, mãe de pet, não, né?
Então, gente, tinha mais o que discutir.
Eu não tô falando de mãe de cachorro.
Eu acho, eu sou mãe de pet.
Eu discordo de você, então, mas eu não acho que você possa ser, eu não acho que um pet, eu não acho que você possa se, realizar a tua maternidade sendo mãe de um pet, porque ele não é um ser humano, ele não te dá-
Certo, certo.
Você não [risos]-
Tá, então vamo entrar em outro e vamos, é, interpretar tudo isso que a gente falou entrando com outro contexto. Na sua concepção única e exclusivamente, a, o sucesso da mulher depende de gerar um filho.
Não, depende dela exercer a maternidade. É o filho, é um filho, ó, vamo lá, é uma questão ontológica. Isso aí é São Tomás, é, Aristóteles. Vão falar, to-tudo que é criado tem um fim último, certo? Tipo, uma faca é feita pra cortar. Se aquela faca não corta, ela tem um defeito, certo? O corpo da mulher tem um útero que deve funcionar direito, tem o, tem todo um sistema reprodutor.
Mas que ele pode não funcionar e não depende dela.
E aí, é um defeito. Aí ele tem um defeito, entende? E não é a regra, é exceção. E mesmo assim a mulher pode exercer a maternidade dela de várias outras formas.
Então, se eu escolho não maternar, eu já sou mal sucedida.
Eu, eu, tá, sim.
Na sua concepção, a mulher só é bem-sucedida se ela maternar.
Exato.
E se na minha concepção a mulher só é bem-sucedida se ela for casada. Você é casada?
Não, não sou casada.
E eu não sou mãe.
Não, mas é teu direito.
Então eu sou mal sucedida pra você e você é mal sucedida pra mim.
Pode ser que sim. [aplausos] Qual que é o problema? Mas, mas cês não tão entendendo.
É, o problema é que você é uma feminista, mas não sabe.
Não, não sou.
Porque você é independente, você é mãe solteira.
Não sou. Infelizmente.
Você não tem marido.
Eu não tenho escolha.
Você tem o direito de falar aqui.
Eu não tenho escolha.
Mas você alimenta aí na internet que as mulheres não podem ser o que você é.
Todas as mulheres falaram muito antes do feminismo.
É tipo, faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.
Não, não é. Todas as mulheres faziam o que eu fazia. Todas as mulheres já faziam o que eu faço. Não adianta você achar que cê lacrou, porque cê não lacrou. Você não trouxe nenhum argumento sólido.
Igualmente, eu também acho. Eu também acho.
Então pronto. A desigualdade salarial entre homens e mulheres não existe. [efeito sonoro] Olá, tudo bom? Como cê chama?
Eu sou a Simone Nascimento.
Prazer, Simone.
Eu sou da bancada feminista. Nós somos o mandato de mulheres mais votados do Brasil em 2022.
Que legal. Hum.
É, Pietra, a nossa pauta principalmente é a classe trabalhadora, assim. Então eu queria te perguntar, é, dentro dessa pergunta da desigualdade salarial, qual classe social você se entende?
Eu?
É.
Hã, média-alta.
Média-alta? É, cê imagina assim que o Brasil tem uma pirâmide social. E aí nessa pirâmide social econômica, vários economistas mostram isso, desenham inclusive. O topo dessa pirâmide são os homens brancos, eles historicamente ganham mais, tá no IBGE.
Ah, uh, se tá no IBGE é porque é verdade. [risos]
Tá no IBGE. Depois vem as mulheres brancas.
Hã.
Depois os homens negros.
Tá.
E na base dessa pirâmide-
Eu já vi isso
...estão as mulheres negras. As mulheres negras aga-- às vezes ganham metade do que um homem branco ganha no Brasil. Então há desigualdade-
Mas exercendo o mesmo trabalho, a mesma carga horária?
Muitas vezes, muitas vezes.
É porque e-essa narrativa não se sustenta.
Então, não só pra terminar, é, então existe sim desigualdade salarial, inclusive as mulheres negras ganham absurdamente menos na história do Brasil.
Exercendo o mesmo serviço?
O mesmo serviço.
A mesma carga horária?
A mesma função.
Então por que que essas empresas não contratam só mulheres?
Porque existe uma diversidade grande no mundo do trabalho e tem empresas que fazem uma discussão-
É, vem cá
...de ter mais vagas pras mulheres, mas não são todas.
Qual que é o objetivo da empresa? Não é lucrar?
É lucrar.
Se uma mulher exerce o mesmo trabalho que o homem, se ela entrega a mesma coisa que o homem, na mes-na mesma categoria, na mes-, né, tamo falando da, da mesma li- da mesma profissão, por que que a empresa não contrata só mulher se ela vai entregar a mesma coisa que o homem por menos?
Mas cê sabe que tem uma lei chamada Trabalho Igual, Salário Igual, da atual gestão de Presidência da República, né?
Olha-
Essa lei é porque existe um problema social.
Sim.
As mulheres ganham menos.
Tem o artigo 461 da CLT, que já diz-
As mulheres ganham menos
...que, que já, já, não, tem, tem, tem hoje duas formas de você processar uma empresa por isso. Tem o artigo 461 da CLT e tem a lei 14.611 de 2023, que é essa que você diz do, do governo atual.
Trabalho Igual, Salário Igual.
Exatamente. Ou seja, uma empresa-
Se a lei existe é porque tem um problema, né?
Mas cadê, mas eu não conheço nenhuma empresa que foi processada.
Você não conhece nenhuma mulher que ganha menos pelo mesmo posto que-
Não conheço. Ninguém nunca-
Eu conheço várias
Me fala um exemplo, que exerce, que tem a mesma formação, que exerce a mesma carga horária.
A minha mãe-
Que tem o mesmo tempo de, de função.
A minha mãe foi empregada doméstica e cozinheira muitos anos.
Tá.
E um homem cozinheiro, sabe quanto ganha um homem cozinheiro?
R$3.000. Sabe quanto ganha uma mulher negra cozinheira? Às vezes um salário mínimo.
Mas você tá falando baseado em quê?
Na minha vida e na vida da maioria das mulheres brasileiras, Pietra.
Não, mas pera aí, mas pera aí. Isso aí varia muito, depende da região.
Não varia. Isso é classe trabalhadora.
Salário de empregada doméstica varia a região.
Isso é classe trabalhadora.
Depende do tempo que ela fica, depende de quantas conduções ela toma, depende de um monte de coisa.
Pietra, você acredita na monarquia, certo? Você acredita na monarquia, certo?
Eu defendo o sistema monárquico, sim.
No sistema monárquico existe a galera que é da monarquia, a burguesia e os servos.
Não existe monarquia hoje, cê sabe.
Não, lá atrás, né, na, na época que ela existia.
É porque-
Esse sistema, esse sistema, inclusive, da monarquia, escravizou por quase quatro séculos-
Não, não escravizou, não escra-
Os meus ancestrais que não eram remunerados.
Ah, perdão, tudo que cê tá falando, cara.
Eu tô falando de racismo estrutural e de desigualdade salarial.
Ah, por que que cê tá falando de racismo estrutural, a gente tá falando de salário, de disparidade salarial.
Porque a maior parte das mulheres são negras e ganham menos.
A gente tá falando já-- Veja, a gente tá falando-- Ó, não vamo, não vamo segmentar, porque senão a gente vai ficar maluco aqui.
A maior parte é do IBGE.
Tamo falando de homens e mulheres.
Não sei como segmentar. A maior parte da sociedade brasileira são de mulheres negras e elas ganham menos, tá na pirâmide do IBGE.
E por que que, por que que elas não processam essas empresas então?
Você pode consultar no Google depois. Porque muitas vezes elas sofrem opressão do patrão. Hoje, inclusive, tá em discussão o fim da escala seis por um.
Mas isso, mas isso tá no campo das ideias. Eu preciso-- Mas cadê as provas disso?
Não é ideias, não.
Cadê a prova?
No próprio dia primeiro de maio vai ter ato no Brasil todo pelo fim da escala seis por um.
Porque a gente não consegue medir, a gente não consegue medir esses dados, essas premissas. Se a gente tiver algum, alguma coisa cadastrada.
Tem dado, tem dado que eu tô te falando. Dá um Google no IBGE.
Se você tá falando que são oprimidas, elas não tão colocando isso em nenhum, em nenhum dado.
Não, claro que tão.
Não tem fonte de, de dados sobre isso.
Existe, ó, existe Sindicato de Trabalhadora Doméstica.
Cê tá fazendo uma retórica.
Existe o movimento Vida Além do Trabalho que tá discutindo.
Mas cadê as provas de que elas ganham menos do que homens?
Tá nos dados do IBGE.
Mas cadê?
Eu tô te falando, cê dá um Google depois. Cê deveria saber disso.
Isso que eu dei. É que eu tive, é que eu tive um debate-- Ex-exato, eu vi há duas semanas um debate sobre isso. Eu fui pesquisar, não existe registro, nem, não tem.
Existe, sim, tá no IBGE. Mulheres negras ganham menos na pirâmide social.
Exercendo o mesmo trabalho? Não, elas tão exercendo outro trabalho.
E a gente precisa-- Exercendo o mesmo trabalho.
Muitas vezes elas têm que, por exemplo, eu tenho uma funcionária que muitas vezes ela falta, muitas vezes ela não consegue ir, muitas vezes ela falta.
Muitas mulheres, muitas mulheres têm filhos e depois são mandadas embora por terem filhos.
A empresa é processada se ela faz isso.
Quando ela consegue garantir essa processo trabalhista. Cê sabe que a sociedade é desigual.
Sim, mas todas conseguem. Aliás, se tem um sindicato que funciona é o trabalhista hoje no Brasil.
Pelo fim da escala seis por um.
É a única, a única, a única, o único sindicato que trabalha, que funciona no Brasil é o trabalhista. Olá de novo.
É, deixa eu te fazer uma pergunta. É, de, quando você afirma, é, pra mim desculpa se eu respeito um absurdo desse, você afirma baseado em quê?
Baseado em dados.
De onde cê tirou isso?
Da internet inteira. Se você pega, inclusive, é, baseada na lei também, né, porque nós temos duas leis hoje que proíbem empresas de-
É que sabe o que acontece?
De, de, de pagar mais pra homens e, aliás, não pagar nem pra homens e mulheres, né?
Assim como proíbem também, é, exatamente.
Só que assim, eu pesquisei recentemente as empresas que tão sendo processadas por pagar menos pra mulheres do que pra homens.
Não, não.
Quando a gente vai ver, essas mulheres tão trabalhando há muito mais tempo, elas não têm as mesmas formações que os homens que ela, que elas tão processando ou que tão ganhando mais do que elas. Elas não têm uma série de pré-requisitos básicos pra você considerar desigual o pagamento do salário.
Você tá quase dizendo aqui, é, e eu tô
Que, que uma, que sim, que uma pessoa que trabalha há mais tempo numa empresa, uma empresa, uma pessoa que tem mais formação do que a outra merece ganhar mais. Sim, tô.
Não, não, não. Vamo fazer disso um diálogo agora.
Tô dizendo isso. É.
É, o que acontece, você tá, você está dizendo, primeiramente, que por mais que a mulher se esforce, ela nunca vai se igualar ao um que o, ao que o homem consegue fazer, um.
Pelo contrário, é onde, de onde cê tirou isso? Inclusive, tem um, não sei se você conhece o economista chamado Thomas Sowell.
Não, assim como a nossa colega disse, não, eu, ah-
Ele escreveu um livro, ele tem, ele tem um estudo que ele comprova que mulheres na faixa dos quarenta anos, que nunca se casaram e não tiveram filhos, em cargos de liderança, ganham inclusive mais do que homens.
É que esse tempo nós, esse tempo nós não vamos ter, mas a gente po-poderia passar quarenta e oito horas falando sobre isso.
Concordo, porque cê não vai conseguir me convencer, porque tá aí uma fala que eu não percento.
Eu teria um imenso prazer. Mas agora nós estamos falando sobre o assunto de igualdade salarial.
Exatamente.
A nossa colega citou aqui um fato familiar, é, muito, muito, é, próximo na, na, na vida dela. Eu tenho na minha família, eu agradeço.
Mas qual foi o fato familiar que ela trouxe?
Qual é a, um, uma cozinheira, ela acabou de dizer pra você, uma cozinheira hoje, negra, ganha bem menos.
É que não tem como cê trazer isso.
Não, não, não, porque assim-
Não tem como cê provar isso, porque você não sabe quais custos esse cozinheiro fez pra ele ganhar mais.
Não, não, não, não.
Você não sabe qual a experiência que ele tem pra ele ganhar mais.
Eu posso falar, Pietra?
Você não sabe, você não sabe o que ele entrega pra ele ganhar mais.
Ô Pietra, eu posso falar?
É o tipo de traba-- Esse trabalho, esse tipo de trabalho mais doméstico, você ganha o quanto você entrega.
Você, é, infelizmente eu não consegui expor.
Só não grita, tá?
Bom, Pietra, ééé, eu sei que tá claro aqui que você ignora os dados, né, mas mesmo assim eu vou tentar trazer alguns pra gente-
Não, eu trouxe dados aqui, Thomas Sowell, eu trouxe tudo, trouxe leis.
Eu vou tentar trazer alguns pra gente começar o debate, tá?
Vai.
Em geral, uma mulher trabalha quase dez horas a mais por semana do que um homem, né?
De qual profissão cê tá falando?
É, em, em jornadas-- Qualquer profissão, isso é um dado geral. As mulheres, e ó-
Da onde esse dado?
É um dado do IBGE. Aí você pode duvidar do IBGE, porque você-
O IBGE tá dizendo que mulheres trabalham dez horas a mais que homens?
Sim, por se, é, por semana, em, devido a jornadas duplas, triplas, que muitas vezes as mulheres fazem com o trabalho doméstico.
Mas, mas cê tá falando que-- Pera aí, pera aí, você tá falando que todas as mulheres, você tá falando que todas as mulheres-
Eu vou terminar de ler os dados. Em média. Não, não é todas, é porque quando a gente fa-- vou te explicar como funciona uma pesquisa.
Tá bom, uma média. As mulheres trabalham dez horas a mais que os homens?
A pesquisa, a gente vai lá e faz uma pesquisa com um grupo de mulheres e homens, a partir daí chega a conclusões, né?
Aham.
Então isso é uma pesquisa, não é todas as mulheres.
E essa pesquisa tá dizendo que os homens, que as mulheres trabalham dez horas a mais-
Esse é um dado, em média, as mulheres trabalham dez horas a mais. Próximo dado, a mulher negra no Brasil-
Elas podem processar as empresas, cê sabe, né?
As mu-- eu vou chegar nesse ponto.
Aham.
Uma mulher negra no Brasil recebe em média menos da metade, cerca de quarenta e quatro a quarenta e seis por cento do salário de um homem branco É, então assim, Pietra, aí você vem dizer que bom, então me diz-
Mas qual trabalho eles tão falando? Porque não é, é que não adianta-
Não, eu vou explicar de novo o que acontece com a pesquisa
...essa pesquisa, não adianta você entrevistar uma funcionária, uma, uma empregada doméstica e um CEO de uma empresa e achar que faz sentido você colocar tudo no mesmo bolo, porque é isso que essas pesquisas fazem.
Tá, então vou te explicar o que acontece, tá? A maioria das mulheres não ocupam cargo de CEO, majoritariamente são os homens. Isso é um dado importante.
Uhum. Sim.
Né? Por isso que é uma pesquisa, pega vários grupos e chega a essa conclusão.
Exatamente, só que não faz sentido misturar todas as profissões juntas, né?
É, faz sentido, né, gente? Porque as mulheres tão menos nos cargos que recebem mais. Mas mesmo assim-
Mas elas escolhem muitas vezes isso, né? Você sabe que mulheres muitas vezes abandonam a profissão porque elas querem cuidar dos filhos.
Não escolhe, não.
Eu mesma, eu, eu priorizei cuidar da minha filha.
É, você é uma mulher privilegiada. Eu sou uma professora-
Mas eu conheço muitas mulheres que não são privilegiadas e escolheram não ficar em casa
...eu sou uma professora e as mães dos meus bebês, elas precisam trabalhar em escala seis por um, perdem parte importante, porque elas precisam escolher entre tá ali e dar comida. Mas essa não é a pauta.
Sim, concordo. Sim, mas aí são outros clientes, tá.
Essa foi a pauta anterior. Que 54 mil empresas pagam menos pra mulheres do que pra homens no mesmo cargo. Sabe por que você-
É, esse da- esse dado, ele é totalmente enviesado.
Não, não. Esse é o-
Eu li sobre isso ainda essa semana
...sabe por que você não sabe o nome de nenhuma?
Ele é enviesado.
É, é que quando você não concorda com o dado, ele é enviesado.
Os poucos nomes que eu pesquisei-- então, é porque não dá.
Não tem nome.
Esses dados não faz sentido, porque quando você pega uma empresa e processa a empresa porque ela paga mais pro homem do que pra mulher, porque você pegou uma média, não faz sentido, porque muitas vezes esse cara tem uma pro-
Então, é Pietra...
Tem uma, tem uma formação de mais anos, ele tem mais especializações, ele tem mais tempo de empresa.
Sim, é porque você entende que você pega, você fala que você-
Você não tem como equiparar o que o homem faz e a mulher, de-depen-dependendo do, do estudo
...você entende que você pega todos os dados e você diz que nenhum deles é verdadeiro, sendo que todos os dados que a gente tem-
Não, não são todos. Esses são bizarros
...a gente chega à conclusão, todos, Pietra, chega à conclusão que os homens recebem mais do que as mulheres. Sabe por que a gente não tem-
E por que que não processa então, quando os processos-
Elas são processadas. E por que a gente não tem o nome dessas 54 mil empresas?
Então resolveu então.
Porque alguns partidos entraram com o pedido pra que o STF não divulgue a lei de igualdade salarial. É uma lei dentro dessas-
E desde quando o STF defende o pessoal que defende isso?
De-- essa lei é uma lei que é, seria pra divulgar os nomes e pra ter igualdade salarial. Essa foi um pedido de entrada de partido de direita e por isso não é divulgado.
Ah, se processou, a empresa tem que pagar. Já não resolveu o assunto?
Agora, o dado concreto é esse. Por outro lado, Pietra, tem mulheres que-
Resolveu, não resolveu?
A gente, a gente mora num país-
Não tem uma lei pra defender já isso?
Que tem uma história que eu vou te contar. Eu vou te contar uma história.
Responde, resolveu ou não resolveu?
Deixa eu te falar uma história, Pietra.
Resolveu ou não resolveu?
Você fala que as mulheres não recebem menos.
Já não tem o STF protegendo isso?
E a gente mora num país que tem uma mulher que chama Sônia, que vive-
Você quer falar ou você quer conversar? Você fez uma pergunta. Já não resolveu?
Por que que você não deixa eu terminar de falar? Você nega todos os fatos que eu trago.
Não, é porque você quer fazer um monólogo. Você quer fazer um monólogo, você quer trazer uma pesquisa bizarra do IBGE que compara CEO com empregada doméstica. Aí não dá, né?
Você diz que a gente não pode confiar em relatórios do governo.
É óbvio que a empregada doméstica ganha menos que o CEO. Da mesma forma, a mulher CEO pode ganhar mais do que um homem CEO.
Então, Pietra, mas você nega todos os fatos e você não tem nenhum fato que comprova que as mulheres, nenhuma das pesquisas.
E você nega que a mulher muitas vezes não quer trabalhar tanto quanto o homem.
As mulheres no Brasil, inclusive em várias vezes, vivem em situação análogo à escravidão. A gente tem uma mulher que chama Sônia Maria de Jesus.
Escravidão?
Pesquisa Sônia Maria de Jesus.
Hã.
Ela é uma mulher negra e surda, que foi dada como morta por décadas pela família. Depois a família descobriu que ela está-
Você tá pegando um caso específico, uma exceção.
Não é específico, não é exceção.
Eu não conheço o caso, mas isso que cê tá falando é um amor. Isso não é regra.
Todos os anos a gente vê caso de trabalho análogo à escravidão. Sônia Maria-
E homens também. Por que que cê acha que homens também não passam por isso?
Homens também, inclusive, homens precários.
Então por que que, então por que que cê tá comportando que a, a coisa é igual entre os dois? É igual?
Essa escravidão, essa escravidão, que é uma herança da época monárquica do Brasil, que você tanto defende, que hoje ainda existe no capitalismo.
Eu não defendo, eu não defendo o Brasil Império.
Você é monarquista, tudo bem.
Sim, monarquista, mas quem disse que eu defendo a monarquia brasileira?
Mas é isso que significa. E Sônia Maria é uma mulher negra que não recebe salário e ainda está na casa do seu, né, entre aspas, dono, porque ele se sente assim dela. Essa é a realidade das mulheres. Você fecha seus olhos pra realidade das-- não é a exceção.
Cê tá trazendo uma exceção pra falar que é a realidade de toda mulher, da maioria das mulheres.
Essa é a realidade das mulheres.
É sério isso? Tá falando que a maior parte das mulheres são escravizadas no Brasil, é isso que cê tá me dizendo?
A massa de mulheres, elas são, não são escravizadas.
É isso que cê tá me dizendo? Que a maioria das mulheres é escravizadas?
Mas a gente vê no Brasil um trabalho que é um trabalho extremamente precário pras mulheres.
E pros homens, não?
Inclusive, pras mulhe-- principalmente pras mulheres negras.
E os homens, 90% dos homens que preenchem os cargos de-
Isso é fruto de um racismo estrutural no nosso país
...racismo?
Um racismo estrutural.
Quantas mulheres tão trabalhando no esgoto?
As mulheres negras-
Quantos homens tão trabalhando na mina de carvão?
Pietra, Pietra.
Quantos homens, quantas mulheres tão trabalhando na, como eletricista?
Novamente, você usa de uma forma hipócrita os homens em trabalho precário pra se contar contra as mulheres.
Quantas mulheres tão trabalhando como pedreiro? Quantas mulheres tão trabalhando como motorista de caminhão, de ônibus? Quantas mulheres?
Eu tô-- nós, nós feministas estamos ao lado de cada um desses homens.
É a minoria, é a minoria.
Desses homens que sofrem. As mulheres trabalhadoras domésticas-
Só não sofrem porque elas tão trabalhando, trabalhando dignamente, recebendo salário
...70% são negras.
Tão trabalhando dignamente, por que que sofrem?
70% são negras das mulheres de trabalho doméstico.
Que bom, tem um trabalho.
E a grande maioria não tem nem carteira assinada. Essa é a realidade do Brasil.
O que que isso tem a ver? O que que isso tem a ver com a premissa?
Isso tem a ver com o salário menor.
Não, não tem a ver com isso.
Você não traz nenhum dado, Pietra.
Porque homens também têm salário baixo. O pedreiro não ganha muito.
Então, é muito fácil pra você, quando você nega todos os dados, pra tirar uma ideia da Pietrolândia, da sua cabeça.
Um cara, um cara que trabalha com, um cara que trabalha em mineração de carvão, de carvão, não é-
Uma realidade que só existe na sua cabeça.
É, só na minha cabeça.
Arrasou!
Olá, você não veio ainda. Como cê chama?
Circe.
Ceice?
Circe.
Circe, prazer, Circe.
Você pode repetir a pauta de novo?
A desigualdade salarial entre homem e mulher não existe.
Bom, eu não queria trazer dados, eu queria trazer uma experiência, tanto quanto mulher trans como mulher mesmo, porque eu não me baseio só nesse fato, nesse, nessa, nesse nome de trans. Eu também sou uma mulher. É, como cê falou que as pessoas elas pegaram como uma faxineira, como se, um cozinheiro grande.
Uhum.
Então, na, eu vou, eu dito na Bahia, que, que é onde eu vim. Eu fiz um curso, é, de auxiliar de necrópsia, eu fiz necromaquiagem, fiz tudo, e tentei me ingressar nessa área lá de, lá na Bahia, mas eles não quiseram me aceitar. Não foi por causa de transfobia, nada do tipo, porque eles não chegaram nem a saber que eu era trans.
Uhum.
Era realmente porque eles não queriam-
Eu queria falar, você nem parece.
Obrigada. Mas eu não sei se é um elogio.
Não, não é elogio.
O "não parecer". Mas agradeço o elogio de qualquer forma. Então, tipo assim, eles não quiseram me por porque, tipo, a mulher não pode exercer isso, porque ela fracassa, sendo que eu fui pesquisar sobre isso, as, os caras lá dentro, eles não têm nem esse curso. Eu tive um curso preparatório, eu estudei pra tá ali, eu estudei pra fazer aquilo, estudei pra falar, pra fazer, pra preparada pra tá lá.
E eles nem tiveram, eles não quiseram me por lá só por ser mulher
Mas cê não acha que tem a ver também, é, né, né, necrópsia tem a ver, né, com você lidar com questões-
Isso
...é, é meio pesado emocionalmente.
Aham.
Poxa, é uma área bem pesada emocionalmente, né?
É.
E mulheres são mais sensíveis, querendo ou não, né? Eu acho que, acho que não é uma questão de preconceito, é uma questão de, é, e deve existir de alguma forma uma experiência até das pessoas que trabalham com isso, de falar: "Olha, mulheres geralmente não seguram, não seguram a onda por muito tempo nessa, é, é, né, nessa profissão específica-
É, mas aí-
...porque lida com muitas questões emocionais-
Uhum
...é uma coisa meio pesado até. Não sei qual que era o traba-- cê falou de maquiagem, né?
Isso, maquiagem.
Mas cê tinha que também vestir e tudo mais.
Isso.
E eu, eu já vi, eu já, já, eu sei como é essa coisa de vestir, é, um, um defunto, tal. É uma coisa também que exige uma força física maior. Eu imagino que o fato de eles não quererem colocar uma, uma mulher nesse trabalho tenha a ver com uma experiência que eles possam ter tido com mulheres que abandonaram a rua dessa profissão.
Não cê não acha que isso é general-generalizar as mulheres de uma certa forma? Porque uma não conseguiu, todas não dá.
É, generalizar, mas assim, imagina, imagina que, eu não sei, tô supondo, tá?
Tá, tudo bem.
Que, que essas pessoas, os donos dessa, dessa empresa, é, tenham tido uma experiência com cinco mulheres. É, aí na sexta mulher ele fala: "Poxa vida, outra mulher a gente vai perder, em dois meses ela vai embora". Então é mais fácil contratar homem, que homem geralmente fica aqui dez anos, entende? Não, tô supondo porque você trouxe uma, um caso de uma profissão específica que-
Isso
...eu entendo que mulheres sejam mais sensíveis, entendeu, a respeito. Não sei, é a forma como eu enxergo.
Sim, não enxergo.
E aí não existe a questão da dispar-da disparidade salarial, né? É uma questão de não quero uma mulher aqui por, enfim, mu-- qualquer motivo que seja.
É, bom tempo.
Mas bom, bom você ter trazido isso. [aplausos] "A liberdade sexual das mulheres só beneficiou os homens." [som de batidas] Olha ela de novo.
Oi. Eu quero entender como que você entende o que você acabou de dizer. O que seria a liberdade sexual das mulheres e o que seria o benefício dos homens em relação à nossa sexualidade?
Tá.
Pra eu entender como é que cê coloca.
O benefício seria, é, o benefício que a revolução sexual trouxe, né, que foi a ideia de que a mulher pode ter inúmeros parceiros, é, sem consequências, é, de, de qualquer forma, né, inclusive trazendo a questão da, da pílula anticoncepcional, ou seja, as mulheres podem se deitar com vários homens e não ter a consequência natural biológica que seria uma gravidez, né? Isso, é, se deu, né, uma, uma coisa-
Sim
...é, é, elas se retroalimentam, né?
Sim.
A liberdade sexual e os métodos contraceptivos. Ou seja, isso beneficiou os homens, porque as mulheres têm várias consequências-
Sim
...porque muitas vezes os método-os métodos-
Entendi
...contraceptivos falham.
Sim.
E quem lida com a consequência é a mulher e não o homem.
Ok. O que eu entendo dessa frase é, realmente os homens eles se beneficiam da sexualidade das mulheres, tendo em vista que o capitalismo se cresce em prol da compulsão da maternidade. Então, de certa forma, eu estou sendo obrigada a gestar, mesmo que eu, em um momento, decida isso. E o sistema patriarcal, ele se cresce em cima da maternidade e da sexualidade das mulheres. Mas a partir do momento em que você cresce sendo mulher, você cresce por dois caminhos: ou você vê a sua sexualidade como um estupro ou como a maternidade.
E a terceira via, que é o prazer, normalmente é direcionada à promiscuidade e as mulheres são automaticamente levadas a se ver como sujeira. Tanto que o movimento red pill diz que essa aqui ó, vai ser esposa de alguém usando a nossa liberdade sexual contra nós.
Olha, eu não tenho nada a ver com o movimento red pill, tá? Eu não tenho, eu não tô nem aí pra nenhum movimento, eu sou a Pietra.
Não, eu só estou utilizando o benefício dos homens em prol à sexualidade das mulheres.
Então, o benefício, vamo lá.
É só uma vertente desse benefício do nosso sexo.
Quando você dissocia, você, você dissocia a procriação do ato sexual, cê já tá transformando aquele ato em algo que biologicamente, ontologicamente, metafisicamente, espiritualmente, não faz sentido, porque desde que o mundo é mundo, como, não, pera-
As pessoas transam.
As pessoas transam e aí, e aí, pasme...
Você transa?
Não, eu vivo a castidade, graças a Deus.
Que triste.
E aí, pasme, a cons-- bom, pra você. Eu vivo com sexo, muito feliz, graças a Deus.
O sexo é muito bom, amiga.
Eu vivo, é...
E saber do próprio corpo é uma delícia.
E você acha que as mulheres hoje-
Na verdade, faz bem até pra saúde
...você acha que as mulheres hoje tão mais felizes?
Faz bem pro humor, pro espírito.
Você acha que as mulheres hoje tão mais felizes?
Acho.
Cê acha que as mulheres tão mais felizes? Porque os índices mostram o contrário.
A gente tem acesso a gozo. A gente tem acesso a gozar.
E por que que você acha que isso não acontecia antes?
Só os homens gozam. Porque os homens-
Por que você tá tirando isso?
Ué, é só você ver a Constituição. A Constituição, não, a forma como a história se construiu dentro do sexo para as mu-nós mulheres.
Cê acha que as mulheres não tinham prazer até a década de 60?
Elas não tinham.
Durante cinco mil anos, seis mil anos, as mulheres não tinham prazer?
Não, elas não tinham. Não, principalmente pelo desconhecimento. Principalmente pelo desconhecimento.
Mas por que você tira isso? Porque a gente vê várias mulheres da literatura que fa-
É, é a história.
Não, mas que história? Qual história?
Mas essas mu-mas essas mulheres, elas foram silenciadas pela própria narrativa hegemônica.
Como silenciadas se, se tem na literatura? Bom...
Mas nós estudamos isso nas escolas?
Mas que que cê tá falando de estudo na escola?
Não entendi, então.
Não, eu que não entendi qual é, qual é a relação de prazer feminino com...
Pietra, voltei. É, Pietra, eu vi uma matéria na CNN, eu espero que também cê tenha ficado muito chocada, que com base naquela caso, naquele caso da Pelicot, sabe aquela mulher francesa?
Uhum.
Que foi casada há cinquen-- eu te, vou te contar então. Tem uma mulher francesa que foi casada há cinquenta anos, e aí ela descobriu que durante dez anos ela foi dopada e uma rede de estupradores, é, abusou dela com consentimento do marido dela.
Um horror, eu, eu desejo que eles sejam mortos.
Um horror. Então, só que continuando essa história.
Uhum.
Com ca-com qua-com base nisso, descobriram uma rede internacional chamado Academia do Estupro. E grande parte-
O que que isso tem a ver com liberdade sexual das mulheres?
Eu vou, vou te explicar por quê.
Isso é um estupro, isso é um...
É, eu quero dizer que os homens se beneficiam do corpo das mulheres há muito tempo, através da ausência de consentimento. Então, quando as mulheres podem consentir, isso que você chama de revolução sexual, é as mulheres terem o direito de escolher se elas querem transar, fazer sexo ou não.
Mas quando que elas não tiveram essa opção?
Muitas vezes não tiveram essa opção.
Quando?
Por exemplo, na monarquia, quando elas pertenciam ao pai, ao irmão, ao marido, e não a elas mesmas.
Não, mas elas escolhiam, não tem relação, tanto que as que, as que queriam tinham.
Não, elas eram obrigadas.
É que o mundo era muito cristão, obviamente.
Elas eram obrigadas, isso na monarquia.
Obrigadas, não.
Obrigadas a fazer o que os donos delas quisessem.
É, é, os valores, a sociedade era muito... Que dono? Mas que dono, gente? Que história de dono?
Ó, por exemplo, as mulheres quando foram escravizadas, as minhas ancestrais, elas não podiam consentir a sexualidade delas. Demorou muitos anos.
Mas a gente não tá falando de estupro. A gente tá falando-
A gente tá falando de liberdade sexual
...a gente tá falando do, do ato, a gente tá falando... Vamo lá.
De liberdade sexual. Esse caso-
A gente tá falando da, de prome-da promiscuidade trazida pela liberdade sexual, trazida pela revolução sexual, que é o fato de que as mulheres hoje trans, é, é, elas saem por aí, elas se deitam com qualquer um.
Elas podem escolher. Elas podem escolher.
Só que as consequências disso são que os homens são beneficiados, porque eles podem dormir com elas.
Elas tam-elas são beneficiadas pela escolha delas.
Os homens têm muito mais acesso, os homens têm muito mais acesso à vida sexual.
As mulheres não são beneficiadas quando elas não podem consentir, quando elas são estupradas.
Eles entram em um aplicativo hoje com... Os hom-- mas, mas hoje-
Quando elas não podem acessar anticoncepcional, quando elas não podem abortar, elas não podem consentir. Quando elas consentem, elas podem fazer o que quiser. Próxima.
Hoje os homens entram, hoje os homens entram num aplicativo, eles transam com quem eles querem todos os dias. Se o homem quiser dormir com uma mulher diferente todo dia, ele consegue.
Eu sou a Sara, eu tenho trinta e cinco anos, eu sou feminista e evangélica.
Olha lá!
Eu acho isso bem interessante pra, pra gente poder conversar um pouco sobre isso, sobre a liberdade sexual. É-
E como evangélica, você defende a castidade ou não?
Então, eu respeito, porque não é porque eu sou cristã, que eu sou evangélica-
Que você segue a vontade de Deus [risos].
Não, não, não. É que eu, eu, eu não sou obrigada a fazer as pessoas-
Tudo que daí, que Deus manda.
Ai, meu Deus, ela, ela não deixa a gente falar, ela não deixa, meu Deus. Olha, não é porque eu sou evangélica que eu tenho que obrigar as outras pessoas a seguirem o que eu sigo.
Não, mas ninguém tá obrigando ninguém.
Eu sigo a castidade. Eu tenho trinta e cinco anos e sou virgem, não tenho vergonha de falar isso.
Amém, Deus concede.
Mas se eu quisesse, eu poderia muito bem estar fazendo sexo, porque é meu direito.
Mas, mas ninguém tá discutindo o que as pessoas podem ou não fazer com o próprio corpo. Elas obviamente estão fazendo o que elas podem, o que elas querem.
E qual que é a questão que você tá falando?
O-- a questão é que isso beneficia os homens e não as mulheres.
Por quê?
Os homens hoje que têm acesso a sexo a hora que eles querem, com quem eles querem, o tempo todo.
Não!
Na verdade, eles que-- porque quem fica com a consequência biológica, quem corre o risco, quem mutila o próprio corpo são as mulheres, porque as mulheres têm que, as mulheres que têm que ge-
Aí tá errado, a consequência não tem que ficar pra mulher.
Não, não, mas vem cá, é a mulher pra, ó, vem cá-
Aí tá o machismo do, do, do patriarcado.
O mar-- o machismo da biologia?
O patriarcado, ele fala que quem, que, que tem que, que sofre mais é a mulher.
Não é patriarcado, é biologia. Porque o útero fica na mulher, pasme, o útero fica no corpo feminino.
Por isso, por isso que nós, mulheres, feministas-
Somos o que? Oprimidas pela biologia?
Não, a gente é a favor da legalização do aborto.
Pelo amor de Deus, você é uma cristã le-- pedindo a legalização do aborto, isso é a coisa mais surreal do mundo.
Nossa, eu queria falar mais. Ah.
Oi, de novo.
Oi.
Vamo lá. Ééé, você vira e fala que o fato das mulheres poderem dormir e escolherem com quem dormir, isso ba-- beneficia maior os homens.
Não é poder escolher com quem, é, é dormir deliberadamente com vários homens, essa cultura de, de sexo casual, tudo mais.
A questão é, sim, isso faz parte de escolhas, é óbvio que isso, e a gente não tá falando de estupro de vulnerável quando a gente tá falando de alcoolismo.
Sim.
Ok?
Sim.
É...
Sim, sim, obviamente.
Eu-- vamo só estabelecer esse critério que a gente não tá falando disso.
Mas cê acha que uma mulher alco-- que se alcoolizou, ela não escolheu ficar alcoolizada?
Mas não necessariamente ela escolheu ser estuprada. Se ela não tem a compreensão-
Mas aí depende-
Isso eu acho que é um limite que a gente precisa entender. Se você, se você-
Tá, vamo considerar que ela não bebeu.
Entendeu?
Tá.
Acho que tem uma questão, que antes do processo da, da revolução sexual nos anos setenta, etc, nós tínhamos uma série de questões de violência sexual, inclusive dentro do próprio casamento. É a partir dos anos setenta que a gente começa a debater a questão do estupro marital.
Hum.
Inclusive a possibilidade da mulher dizer não.
Mas a mulher sempre pode dizer não, assim como o homem sempre pode dizer não.
Não, não é verdade isso, e você sabe muito bem disso.
Não, não.
Porque a mulher, ela, ela se, a mulher, em especial, as mulheres negras, as mulheres brancas, elas eram vistas enquanto propriedade. Inclusive no Brasil, no Brasil-
As mulheres brancas e negras, cê falou?
Sim, propriedade.
Ah, porque, mas então fala mulheres, né? Não precisa dividir.
E aí quando a gente vai pegar no processo de escravidão, de escravização, o processo das mulheres negras, do ponto de vista de não dizer não pro seu sinhozinho, pros seus donos, don-
Mas o que tem a ver? Mas, mas, mas vamo resturar as coisas, porque fica infrutífero o papo. A gente tá fazendo, a gente tá falando, ó: vamo falar das mulheres brancas privilegiadas que hoje podem escolher dormir cada dia com homem diferente e isso beneficiar mais os homens e não as mulheres.
É que eu não posso falar em mulheres brancas privilegiadas, eu também sou uma mulher negra.
Gente, fala, mas você é uma mulher negra. Mas por que que cê quer di-
E aí assim ó-
Você não é negra, você é branca.
Eu sou negra negrega.
Você é uma mulher negra trans.
Não.
Que você se diz negra sem ser.
Não, eu sou uma mulher negra.
Você é da cor, olha aqui ó.
Não.
Olha aqui, você é da minha cor.
Não, eu sou uma mulher negra.
Como é que cê é negra? [risos] Aí eu também tenho um avô negro, eu vou me considerar ne-negra porque ele tem um avô negro?
Eu não só tenho um avô, eu sei uma-
Desculpa, a tua pele é do tom a minha, desculpa, não vem com essa.
Não, nossa!
Só mais essa.
Nem, nem um pouco, nem um pouco, inclusive.
Coloca aqui ó, bota aqui, bota aqui.
Não, não é, não é. Inclusive-
Bota aqui então, vamo ver.
Tem o, é só ver os pelinhooo.
Bota aqui pra gente ver então. Tá com medo.
Não tô com medo.
Bota aqui teu braço.
Não tô com medo, olha só, não é, não é a mesma coisa.
Aqui ó, aqui ó. Ah, pelo amor de Deus, gente.
Não é a mesma coisa. É, a questão é, hoje a gente pode dizer não, e do dizer não garante a gente não sofrer violência.
Só que o fa- o fato é que as mulheres tão falando mais sim do que não, né? Aí transforma tudo numas bola e os homens podem fazer o que eles querem.
Mas assim, não é o problema, o problema-
Desculpa, eu esqueci teu nome, que era?
Sara.
Sara, Sara.
É, então, a gente parou falando que a mulher que tem mais consequência. Eu discordo, porque isso é o machismo que vem do patriarcado. É, a mulher tem mais-
Mas di-- aonde que você discorda?
Repete, então.
Aonde que você discorda?
A sua frase.
Que os homens têm mais benefícios com a revolução sexual.
Não, não tem. É errado isso, porque você-
Por quê?
Você falou assim que a, que as mulheres el-
Quem que engravida, é o homem ou a mulher?
É a mulher.
Então.
Só que é errado a mulher ficar com, com o sacrifício ali.
Eu também concordo. Eu concordo que o homem tinha que ficar com a mulher, tinha que ser casado, tinha que ter o filho todo mundo junto.
E, e isso é culpa do patriarcado, do machismo.
Não, é, é uma consequência biológica de você ter um ato sexual.
Não, isso é culpa do patriarcado, porque, porque existe pílula-
Pasme, o ato sexual tem como fim a reprodução, naturalmente falando.
Do dia seguinte, existe o aborto legalizado.
Não, não existe o aborto legalizado, existe o assassinato legalizado, cê tá dizendo?
Não, não, é aborto legalizado.
Bom-
E eu sou a favor do aborto legalizado, porque-
Você é uma cristã a favor de assassinar crianças nos ventres das mães.
Não, não, de assassinar a criança, não. Do aborto legalizado.
O que que é o aborto legalizado? É matar uma criança dentro do ventre, né?
Porque não é justo. E o, e o homem quando abandona uma criança, uma mulher grávida-
Tá errado também.
Ele tá sendo um abortista.
Então quer dizer que o ho-- quer dizer, não, não, não.
Por que que o homem não sofre as consequências?
O homem, o homem, ué, mas a mulher não é forte? A mulher não consegue bancar o filho, não consegue criar o filho?
Não, não, não. O homem também tá sendo assassino quando ele abandona a mulher grávida.
Agora, ele pode ser um grande babaca, um grande imbecil.
Ele tá sendo um assassino.
Agora, assassino, ele não é. Assassino é o ato de matar uma outra vida.
Não é só a mulher. Não, a mulher, o homem também está sendo assassino.
Isso quem faz é uma mulher quando escolhe abortar.
O homem também é assassino quando ele aborta.
Então quer dizer que é melhor matar a criança do que, do que criar ela sozinha?
Talvez, sim.
Ah, pelo amor de Deus.
Talvez, sim
Oi Pietra, novamente.
Oi, de novo.
Então, acho que esses assuntos são importantes da gente trazer em pautas escolares, né? Porque a gente falou hoje tanto de violência como foi a pauta que eu trouxe antes, e por que não ensinar esses jovens a lidar com tudo isso, a lidar com todas as informações que a gente tem nas redes sociais e como eles vão fazer com seus próprios corpos, né? Como é a relação lésbica, a relação heterossexual, a relação-
Por que que cê quer impor uma ideologia pra crianças que nem tem ainda-
Não é uma ideologia, é consciência do que eles podem fazer.
Não, quando você fala, quando você fala de, de agenda LGBT, você trouxe: "Ah, tem que ensinar o que é lésbica, o que é gay". Por que que cê quer ensinar isso pra crianças que muitas vezes não têm nem isso-
Não tô falando pra crianças, eu tô falando pra jovens e adolescentes que estão atualmente indo pra festas, bebendo, curtindo-
Mas por que, mas por que, mas por que que cê acha necessariamente que todo jovem vai pra festa beber?
Se tendo esse relacionamento sexual, por que que eles não podem ter informações necessárias? Não, não tô falando, eu tô falando da realidade, é o que eles vão, é o que eles fazem.
Mas cê não acha que são os pais que têm que decidir o que ensinam pros filhos?
Claro, com certeza, mas e a escola-
E por que que a escola tem que se meter nisso?
Quantas vezes os jovens não fazem escondido dos pais? Por que que eles não têm-
Ué, mas tá errado isso, aí é, aí, aí é uma irresponsabilidade dos pais.
Claro que tá errado, mas aí a escola poderia dar essa, essa possibilidade de trazer informações necessárias e importantes pras crianças saberem os jovens-
Eu não acho que a gente deve delegar pro Estado, eu não acho que o Estado tem que interferir no que eu quero ensinar pros meus filhos com relação à sexualidade.
Eles precisam saber o que é certo e errado pro seu próprio corpo.
Até porque como cristã, eu defendo a castidade, eu defendo, eu defendo o cristianismo.
Defende, mas não é a sua realidade, não é sua realidade.
Mas eu quero ter o direito de ensinar minha filha o que eu quero, e não, e não é o Estado que tem que decidir.
Para, mas não é só sua filha, é pra nossa sociedade inteira.
Mas o Estado não tem que interferir.
O nosso mundo é diferente do seu, então aceita.
Mas se você quer ensinar pra tua filha que ela pode ser gay, que ela pode ser isso e aquilo, você ensina, por que que o Estado tem que ensinar?
Por que que cê tira minha carta pauta do colégio?
Porque não é o Estado que tem que decidir o que as crianças vão assistir.
É necessário, é necessário trazer essas informações pro colégio.
Não, não, não, cada família tem o pátrio poder sobre o seu próprio filho.
Mas não é assim que acontece, não é assim que acontece.
Como não é assim que acontece? Se não, se não é o, se não são os pais que têm direito, quem que é? [som de buzina] Ah, eu, eu fico horas, não. Já fiquei seis horas.
Silêncio, por favor.
Pietra, cê pode repetir a sua afirmação, por favor?
A liberdade sexual das mulheres só be-beneficiou aos homens.
Certo. Me responde, você é a favor de preservativo?
Não.
Você é a favor de anticoncepcional?
Não.
Você é a favor de algum método contraceptivo?
Não.
Então, eu acho que é meio claro que pra mim não é somente a, a ideia que existe na Pietrolândia de revolução sexual, mas existe a própria defesa da Pietra que as pessoas não podem ter acesso a ter uma relação sexual minimamente saudável e etc.
A minha defesa é congruente com a minha fé católica apostólica romana. Não sou eu quem defino o que a minha fé impõe.
Quais são os métodos de prevenção pra ISTs que você propõe?
IST, DST? É que virou DST.
É IST, né, que são infecções.
Ai, é que muda, né, que muda as coisas. Tá.
Então, você pode procurar a ciência pra se informar. Por quê? Porque existe uma infecção sexualmente transmissível.
Ah, bom, bom, enfim, a gente sabe o que a gente tá falando, né? Tá. Tá, é doença que cê quer, eu sei lá.
Não é doença. AIDS não é HIV, são coisas diferentes. É importante, né, quem tá em casa poder pesquisar também sobre isso.
É, o que eu defendo é que as pessoas tenham atos sexuais dentro do matrimônio.
Sim, mas isso não é a realidade do mundo, né? Isso só na Pietrolândia.
Infelizmente, porque a revolução sexual trouxe esse novo conceito de vida sexual, onde as pessoas dissociam o ato da reprodução.
Tá. Antes do feminismo, existia estupro?
Claro, sempre existiu estupro, sempre existiu todo tipo de crime.
Antes do feminismo, existia relações não consensuais?
Mas que cê tá dizendo, cê acha que o estuprador vai colocar a camisinha?
Não, eu estou dizendo que existem vários níveis de violência sexual que acontecem e que não é parte do que a mulher quer ou não fazer.
Mas o que que muda, o que que mu-- cê quer dizer então que a mulher tem que tomar pílula pra caso ela seja estuprada?
Não, Pietra, o que eu tô dizendo é que em várias situações concretas, as mulheres sempre sofreram um problema que é chamado machismo, patriarcado, onde elas pouco tiveram o direito de poder decidir sobre os seus corpos.
E por que que cê acha que é melhor elas terem liberdade sexual, delas pegarem geral, terem depressão, elas estarem sozinhas, as crianças serem criadas sem pais?
Porque o que você tá atacando, o que você tá atacando não é o feminismo, você tá atacando teoricamente o machismo.
A revolução sexual criada pelo, pelas feministas.
Revolução sexual que existe só na sua cabeça, porque a realidade hoje é que as mulheres hoje não podem viver liberdade sexual, porque pessoas como você atacam, utilizam inclusive do discurso da promiscuidade pra atacar a liberdade da mulher.
Não, não, eu defendo, de novo, eu defendo, eu não tenho nada a ver com o Bolsonaro, eu não tenho político de estimação, vocês são comunistas.
Agora, quando o Bolsonaro, quando os líderes políticos que você representa, você...
Olha, cê sabia que, cê, cê é comunista, né? Cê sabe o que o Che Guevara-
Sou comunista pra vestir comunista. Agora, vamo lá.
Cê sabe o que o Che Guevara fazia com os gays, com os trans?
Quando os líderes políticos que você não fala nada, ele vai lá diretamente, sabe o que ele faz?
Cê sabia que o Che Guevara, cê sabe que os líderes comunistas metralhavam os comunistas?
Ele fala que tem dado clima pra mulheres de quatorze anos, e você não repudia isso.
Cê sabia que Lênin metralhava gay?
As falas, as falas da extrema direita que você apóia, você não repudia.
Cê sabia que Che Guevara matava travesti? Cê sabia que não existe travesti em Cuba? Sabia?
Você fortalece o patriarcado. Você é capaz de fortalecer que as mulheres sejam vítimas dessa situação de mulheres.
Você fortalece os líderes revolucionários comunistas que matam pessoas como você. Você fortalece líderes comunistas que matam pessoas como você.
Pietra, na Pietrolândia.
Aham. [risos] Bom, é claro que a gente que tá acostumada com esse tipo de, de debate, num-- a gente sabe que não vai convencer ninguém do lado contrário aqui da nossa posição, da nossa crença, da nossa fé, mas, é, eu vejo isso como uma forma de levar a possibilidade pra quem tá assistindo, de entender que elas não têm uma única opção, que é seguir a mentalidade e a cultura feminista nefasta hoje que invadiu o mundo, né?
Que existe uma outra opção, que não é seguir essa libertinagem imposta pelo feminismo, é, pela revolução sexual, né. Então ain-ainda existem pessoas que defendem e que vivem uma, é, buscam, né, uma vida de virtudes, uma vida, hã, alinhada com, com Cristo, né, com os valores que, e com os ensinamentos cristãos e, e que isso com certeza é a melhor escolha, né. Então a ideia é justamente que, tra-trazer esse aspecto, né.
Eu, eu por exemplo lembro que eu não, na, na, na época em que eu cresci, em que eu fui adolescente, permeava muito só a ideologia feminista, né. Então ninguém entendia ainda que existia a opção da castidade, que entendia ainda, que existia ainda um caminho de virtudes, uma vida cristã. E, e hoje com a internet, com esse tipo de debate que a gente pode participar, a gente pode levar essa opção às meninas que acham que só têm esse único caminho, que é viver a libertinagem imposta pelo feminismo.
Então essa é a minha mensagem. Obrigada