1 Conservadora x 30 Feministas (Canal Foco) https://www.youtube.com/watch?v=1ZIFPdnH-HE [00:00] Pietra Bertolazzi Eu não defenderia o aborto em nenhuma ca-- você perguntou da minha filha, se a minha filha fosse estuprada, eu não defenderia o aborto. [00:05] Participante E você não julga isso cruel? [00:06] Pietra Bertolazzi Não, eu julgo cruel matar um bebê. [00:08] Participante Você é médica? Você sabe a partir do momento- [00:10] Pietra Bertolazzi Ninguém precisa ser médico pra saber que um feto é um ser humano, porque a própria medicina não entra em um consenso sobre quando começa a vida humana. [00:18] Participante Se a ciência não tem um conceito de vida humana, por que que eu tô assassinando? [00:22] Pietra Bertolazzi Sem os homens, não tem sociedade. [00:23] Participante O trabalho invisível não remunerado é feito pelas mulheres. [00:27] Pietra Bertolazzi Se não tem homem, a mulher, a mulher não consegue crescer na profissão dela. [00:30] Participante Dentro das sociedades indígenas, não existe isso entre o homem ser maior do que a mulher. [00:34] Pietra Bertolazzi E por que que hoje a sociedade não é indígena? [00:36] Participante Infelizmente, hoje as mulheres ocupam os trabalhos mais precários. [00:39] Pietra Bertolazzi Mas por que que é precário cuidar da casa? [00:41] Participante Essa é uma pergunta que assim, se você não sabe isso, então acho que você tá muito distante da realidade. [00:45] Participante Cê acha que todas as mulheres têm aptidão pra ser mãe? [00:48] Pietra Bertolazzi A minha crítica, na verdade, é em relação às mulheres que acham que o sucesso profissional pode trazer mais felicidade do que elas se dedicarem à maternidade. [00:56] Participante Por quê? [00:56] Pietra Bertolazzi Porque naturalmente a gente é feito pra isso. [00:58] Participante Se eu e minha companheira quisermos ter um filho, a sua religião, a gente vai ter apoio dela? [01:03] Pietra Bertolazzi Não. [01:03] Participante E pra onde vai a minha maternidade? [01:05] Participante E as mulheres negras ganham absurdamente menos na história do Brasil. [01:09] Pietra Bertolazzi Então por que que essas empresas não contratam só mulheres? Meu nome é Pietra Bertolazzi, eu sou cristã, antifeminista e hoje eu tô cercada por trinta feministas. [música de introdução] A sociedade só funciona por causa dos homens. [som de batidas] [01:33] Participante Olá. [01:34] Pietra Bertolazzi Olá. [01:34] Participante Como cê chama? [01:35] Pietra Bertolazzi Luca. [01:37] Participante Bem, cê deu uma afirmação de que a sociedade só funciona por conta dos homens. [01:42] Pietra Bertolazzi Uhum. [01:43] Participante Porém, a gente tem dentrooo, tanto das ciências sociais quanto das estatísticas e afins, uma série de trabalhos, que se não forem sem feitos e que são trabalhos historicamente realizados pelas mulheres, em especial o trabalho de cuidados, o, os trabalhos relacionados a hospitalar, enfermaria, educação e afins, que são majoritariamente femininos, a sociedade também não funcionava. Assim como o trabalho reprodutivo, né? A gente tem um sistema em que dentro das casas e afins, as donas de casas vão garantir alimentação, vão garantir as roupas pra que inclusive os homens possam sair e fazer os seus trabalhos, sejam como operários, sejam como empresários e, e tal. [02:30] Pietra Bertolazzi Sim, sim. É, quando a gente fala que a sociedade só funciona por causa dos homens, a gente tá falando dos trabalhos primários, né? Se não existe uma questão de segurança, é, física inclusive, se não existem homens pra cuidar da rede elétrica, dos esgotos, dos trabalhos relacionados à energia, aos trabalhos mais árduos e que de fato têm um risco de vida, noventa por cento deles são ocupados por homens. E todos esses trabalhos que você trouxe são muito importantes, obviamente, uma sociedade é sempre complementar, mas eles, hã, pra que eles sejam exe-executado, é, de forma perfeita, né, de forma, é, completa, eles precisam do trabalho primário, que é dos homens e não das mulheres. [03:08] Participante Que não, eu acho que, e aí tem uma diferença de concepção, porque eu acho que essa divisão entre trabalho primário e trabalho secundário, quando a gente vai- [03:17] Pietra Bertolazzi Entende que não é uma questão de o que é mais importante do que o outro, né? Porque tudo é importante. [03:21] Participante Por isso que eu tô falando que é uma diferença de concepção. [03:22] Pietra Bertolazzi Porque vamo lá, se a gente tirar os homens da sociedade, em setenta e duas horas a sociedade colapsa. A gente não tem rede elétrica, a gente não tem sistema de esgoto, a gente não tem nada. [03:29] Participante Não necessariamente. [03:29] Pietra Bertolazzi Como não? [03:30] Participante Assim como se você for tirar outras mulheres, você não tem o processo de cuidado e afins, entendeu? [03:35] Pietra Bertolazzi A longo prazo, não. A longo prazo, mas aí se a gente pegar aquela pirâmide de Maslow, né, que vocês gostam de falar, é, se você pega a necessidade básica do ser humano, quem, quem sustenta são os homens. [03:44] Participante Não, não é. [03:44] Pietra Bertolazzi A questão de segurança... [03:46] Participante Quando, quando cê vai pegar o processo, o processo de, é, reprodução e base do que é que a pessoa não trabalha- [03:52] Pietra Bertolazzi É que você precisa colocar o né? [03:54] Participante O trabalho de reprodução ele existe, o trabalho de culinária, o trabalho de, o trabalho doméstico, ele é um trabalho reprodutivo. [03:59] Pietra Bertolazzi Não, mas o homem tam-- o homem também cozinha. [04:01] Participante Também traba-- é, mas o trabalho reprodutivo na divisão se-sexual do trabalho, ela é diferente. E isso, se você retira- [04:08] Pietra Bertolazzi É diferente sim, é complementar [04:09] Participante ...você não va-- você também colapsa. [04:11] Pietra Bertolazzi Você colap- você colapsa a longo prazo. [04:13] Participante Ela não é feita por um outro gênero. [04:14] Pietra Bertolazzi Só que ela depende, ela depende dos trabalhos primários que são, é, que são executados por homens. Uma enfermeira sem, é, energia no hospital, sem segurança, ela não pode exercer a enfermagem. [04:25] Participante Olá, boa tarde, meu nome é Alessandra. Tudo bom? [04:26] Pietra Bertolazzi Prazer, Alessandra. [04:27] Participante É, quando você afirma que a, a, o mundo não funciona sem homens, você está por dentro do que atualmente acontece no nosso país, aliás, no mundo. Você tem ideia da quantidade de mulheres que hoje dirigem ônibus, operam máquinas, cuidam de suas casas- [04:49] Pietra Bertolazzi Tá, e daí? Eu tô falando que as mulheres não podem executar, tô falando que noventa por cento desse trabalho são majoritariamente- [04:52] Participante Você está totalmente errada, inclusive com relação a essa física. [04:55] Pietra Bertolazzi Cê acha que a socie- cê acha que a sociedade ela, ela caminha sem os homens? [04:58] Participante Eu, muito- [04:59] Pietra Bertolazzi Me fala uma sociedade que funciona sem homem. [05:01] Participante Todas. [05:02] Pietra Bertolazzi Qual? [05:03] Participante Todas. [05:03] Pietra Bertolazzi Fala uma. [05:04] Participante Ué, na sua casa você tem homem? [05:06] Pietra Bertolazzi Eu não tenho homem, mas a minha casa sou eu e minha filha. [05:07] Participante Então me fala. [05:08] Pietra Bertolazzi Me fala o quê? [05:08] Participante Como é que sua casa funciona? [05:10] Pietra Bertolazzi Funciona porque eu preciso de um eletricista, eu preciso de, eu precisei de um pedreiro pra construir meu, meu apartamento. [05:14] Participante Mas porque você não quis se qualificar pra isso. [05:15] Pietra Bertolazzi Eu não, eu não- [05:16] Participante Porque na minha casa eu criei três homens- [05:18] Pietra Bertolazzi Mas como é que você, mãe... Escuta, você é pedreira, você cuida do sistema elétrico da sua casa, você cuida do sistema de esgoto da sua casa? [05:22] Participante Eu aprendi. [05:23] Pietra Bertolazzi Você cuida da segurança da sua casa? [05:24] Participante Eu me casei com dezoito anos de idade, tive o meu filho com dezoito anos, que é um camarada- [05:29] Pietra Bertolazzi Quem construiu a casa? Quem fez a rede elétrica da sua casa? [05:30] Participante Não, eu sempre morei de aluguel. [05:31] Pietra Bertolazzi Quem cuida? [05:32] Participante Eu sempre morei de aluguel. [05:33] Pietra Bertolazzi Não, mas você mora num lugar construído por alguém, esse alguém foi um homem. [05:35] Participante Eu aprendi. Eu aprendi a instalar um chuveiro. Eu aprendi a instalar um gás. [05:38] Pietra Bertolazzi Você fez o sistema, você fez o sistema de esgoto da tua casa também? [05:41] Participante E eu posso dizer sim, nunca precisei, porque nunca aconteceu, mas se precisasse eu faria. [05:45] Pietra Bertolazzi Ô, então você mora num, você mora numa situação então bem peculiar, porque assim, você não precisa de ninguém pra viver. [05:49] Participante Não é peculiar. Não, eu, eu aprendi a sobreviver. [05:52] Pietra Bertolazzi Eu não tô falando que mulheres são incapazes de sobreviver sozinhas. Eu tô falando que uma sociedade... Não, não funciona mesmo. [05:58] Participante E na sua casa- [05:58] Pietra Bertolazzi Uma coisa é você fazer a manutenção do que já existe. [06:01] Participante Então por que que não tem homem? [06:01] Pietra Bertolazzi Não tem nada a ver, cê tá falando de construção familiar. [06:04] Participante Não. [06:04] Pietra Bertolazzi E eu tô falando de assistência técnica. [06:05] Participante Não, eu tô falando de tudo. [06:06] Pietra Bertolazzi Eu tô falando de estrutura. [06:07] Participante Não, não. Você falou que o mundo não funciona sem homem. [06:09] Pietra Bertolazzi Não funciona sem homem, porque pra morar como eu moro hoje, eu precisei de homens pra construir o sistema de esgoto, o sistema elétrico, é, eu precisei de pedreiros pra construir aquele apartamento. [06:19] Participante Você concorda que tudo começa em casa ou não? [06:21] Pietra Bertolazzi Tudo co-- sim, só que a minha casa precisou ser construída por homens [06:27] Participante Olá, me chamo Naoê. [06:28] Pietra Bertolazzi Oi, Naoê. [06:29] Participante É muito problemático quando você fala que o, a sociedade não funcionaria sem os homens, por quê? Por que que as mulheres não estão fazendo cursos e, e praticando estudos relacionados ao cuidado de casa? Eu conheço muitas mulheres- [06:42] Pietra Bertolazzi Não sei, responde você, porque [06:43] Participante ...muitas mulheres sabem fazer consertos de casa pra nece- não necessariamente precisar- [06:47] Pietra Bertolazzi Consertos, não construção. [06:48] Participante Não, mas é, tem mulheres dentro da, da construção civil, tem mulheres sendo engenheiras. [06:51] Pietra Bertolazzi Tem, mas eu não tô falando que mulheres não podem fazer isso. [06:53] Participante Mas quem disse que, quem disse que existe outros trabalhos- [06:54] Pietra Bertolazzi Só que os homens que desenvolveram essas tecnologias, que constroem- [06:56] Participante Vamos supor, ok [06:57] Pietra Bertolazzi ...os lugares onde nós moramos hoje, foram todos homens. [06:58] Participante Vamo, vamo supor. A gente tá falando dentro de, dessa sociedade, né? [07:02] Pietra Bertolazzi Que que seria essa sociedade? [07:03] Participante Que colo-colonialista. A gente tá dentro de um território Pindorama, Brasil é um território indígena. [07:07] Pietra Bertolazzi Pindorama? [07:08] Participante Quando a gente pega, quando a gente pega-- então, se você não sabe, se você não é, se você não tá afim de, de entender o que que significa Pindorama e o território onde você está morando- [07:18] Pietra Bertolazzi Tá, se tinha homens antes dos portugueses chegarem, assim. [07:21] Participante Aí é uma questão sua. Indígenas. Sim. Dentro das sociedades indígenas, não existe isso entre o homem ser maior do que a mulher. Infelizmente, esse, esse modelo- [07:27] Pietra Bertolazzi E por que que hoje a sociedade não é indígena? [07:29] Participante Esse modelo, porque nós fomos colonizados. [07:31] Pietra Bertolazzi Por quem? [07:32] Participante E é por isso que hoje pessoas como você se veem no direito de falar uma besteira dessa. Simplesmente por isso. [07:37] Pietra Bertolazzi Mas que besteira que há no fato de que uma sociedade não prospera sem homens? [07:40] Participante Uma sociedade que uma so- [07:41] Pietra Bertolazzi Que ódio é esse que você tem de homens? [07:41] Participante Uma sociedade que a, que anda junto, uma sociedade que vive a p-a partir da sua comunidade, não que homens são melhores do que mulheres. [07:48] Pietra Bertolazzi Mas eu não tô falando, mas eu falei que homens são melhores que mulheres? [07:50] Participante Não funciona. Você tá falando que os, a sociedade não funcionaria sem homens. [07:52] Pietra Bertolazzi Não funcionaria, assim como não funcionaria sem mulheres. [07:55] Participante Exatamente. [07:56] Pietra Bertolazzi Então, então qual que é, então qual que é o problema dessa afirmação? [08:00] Participante Quem quiser vim, venha. [08:02] Participante Licença, Pietra. Meu nome é Fernanda. [08:04] Pietra Bertolazzi Azar, Fernanda. [08:05] Participante Eu sou pesquisadora e atriz pela Universidade de São Paulo. Fala. É, quando você fala que a sociedade só funciona por conta dos homens, você trouxe um dado que cê falou que estava falando sobre necessidades básicas. [08:17] Pietra Bertolazzi Uhum. [08:18] Participante Só que necessidades básicas não necessariamente é só você conseguir acender a luz, você ter saneamento básico. Pela Constituição, necessidade básica também é educação. [08:28] Pietra Bertolazzi Eu não tô falando de Constituição, a gente tá falando uma coisa mais pra trás, a gente tá falando de, de condições básicas pra sobrevivência humana. [08:34] Participante Então, condições básicas pra sobrevivência humana- [08:34] Pietra Bertolazzi Hoje em dia, né, considerando, considerando o mundo que vivemos hoje [08:37] Participante ...considerando uma sociedade que na pa-na própria palavra- [08:41] Pietra Bertolazzi Que é complementar [08:41] Participante ...implica social- [08:43] Pietra Bertolazzi Sim [08:43] Participante ...tá lazer, tá educação, tá saúde. [08:45] Pietra Bertolazzi Sim, sim, mas ninguém tá excluindo a importância disso. O que eu tô dizendo é que uma mulher sozinha não consegue co-- tocar uma sociedade pra frente. [08:52] Participante Sim, a gente precisa de muita gente pra fazer isso acontecer, de uma sociedade inteira. [08:54] Pietra Bertolazzi Mas se forem muitas mulheres, não acontece, tem que ter homens, entendeu? [08:57] Participante Necessariamente tem que ter homens envolvidos. [08:59] Pietra Bertolazzi Porque várias mulheres não vão construir os prédios que a gente tem, não vão construir os hospitais que a gente tem, não vão construir, ééé, os, o co-o corpo de bombeiro, não vão ter uma frente militar, a gente não vai ter uma estru- [09:09] Participante Mas o fato- [09:09] Pietra Bertolazzi ...uma estrutura primária básica que se resume à segurança, sistema de esgoto, eletricidade, enfim, as questões básicas, até relacionadas à agricu-agri-agricultura, nós não teríamos- [09:19] Participante Mas o fato de mulheres terem entrado, por exemplo, na medicina e terem começado a desenvolver o que é o, a biologia do corpo de uma mulher, é o que faz com que hoje- [09:28] Pietra Bertolazzi Mas elas só cursaram medicina porque alguém fez um hospital, trans-- ela transformou aquele ambiente favorável aos estudos dela. [09:35] Participante Sim, se a gente for contar só o que os homens fizeram pela bio-- pela medicina, pela biologia, mulher não tinha prazer até ontem, assim, né? [09:43] Pietra Bertolazzi De onde cê tirou isso? [09:45] Participante O sistema reprodutivo, o sistema corporal das mulheres não era conhecido, porque simplesmente não era uma, uma importância pra medicina. [09:53] Pietra Bertolazzi Por quem? Por quem que não era? Isso não faz sentido. Sabe quem descobriu o clitóris? [09:56] Participante Hã. [09:56] Pietra Bertolazzi Saint Hildegard de Bingen, von Bingen. Ela é do século treze, ela era uma san-- ela foi uma santa, uma religiosa, sim, uma freira católica, patriarcal, opressora, terrível, do século treze. [10:07] Participante [riso] Patriarcal, opressora e terrível. [10:08] Pietra Bertolazzi É claro, né, é, toda freira é patriarcal, toda, toda, todo cristão é patriarcal. Ééé, uma freira da Alemanha do século treze que descobriu o clitóris, só procê saber que não teve nada a ver com o movimento feminista e nem com luta pelo direito das mulheres. [10:18] Participante Mas foi uma mulher que descobriu. [10:20] Pietra Bertolazzi E daí? [10:20] Participante E o fato dela ter descoberto, ela poder descobrir, significa alguma coisa. [10:24] Pietra Bertolazzi Significa o quê? [10:25] Participante Não foi o movimento antifeminista que colocou ela lá, né? [10:27] Pietra Bertolazzi Mas muito menos o feminista, ela tá muito mais perto do antifeminista do que do feminista. Cê concorda, por ser uma freira conserva-conservadora, não, uma freira, uma freira tradicional, católica? [10:37] Participante Eu sou a Juliana, sou feminista socialista. [10:39] Pietra Bertolazzi Oi, Juliana. [10:39] Participante É, então, Pietra, ééé, nós, feministas, a gente não defende que os homens não são importantes na sociedade. É, a gente defende, inclusive, que quem, eu sou uma feminista socialista, né, e a gente defende que quem move o mundo são a ca-- é, são os trabalhadores, né? É a classe trabalhadora. Se a gente fala de quem move o mundo, sim, são os trabalhadores, também homens. [10:58] Pietra Bertolazzi É, então, por isso que eu acho esquisito todo mundo aqui se opor a essa ideia, né? [11:01] Participante Os trabalhadores que tudo produzem, os trabalhadores que tão no chão das fábricas, assim como as mulheres. [11:05] Pietra Bertolazzi São homens, são majoritariamente homens. [11:06] Participante Infelizmente, hoje, as mulheres ocupam os trabalhos mais precários, né? Se a gente fala do trabalho doméstico, do trabalho de cuidados, são as mulheres- [11:12] Pietra Bertolazzi Mas por que que é precário cuidar da casa? [11:14] Participante Não, é precário cuidar da casa dos outros. Essa é uma pergunta que assim, se você não sabe a resposta do porquê uma empregada doméstica- [11:19] Pietra Bertolazzi Mas o homem constrói a casa dos outros. O homem cuida do esgoto dos outros. O homem cuida da eletricidade dos outros [11:22] Participante ...recebe menos, né, é um trabalho precário. Se você não sabe isso, então acho que você tá muito distante da realidade. [11:26] Pietra Bertolazzi Não, eu acho que você tá distante da natureza feminina e da espécie humana. Tá bom, não precisa gritar. [11:29] Participante Eu não acho que é isso. Eu acho que você sabe que as mulheres estão nos trabalhos mais precários. [11:32] Pietra Bertolazzi Eu não, eu discordo. [11:33] Participante Assim como os homens também estão em trabalhos precários. [11:34] Pietra Bertolazzi A maioria dos homens tá nos trabalhos precários. Sim, porque o mundo pra sustentar precisa de trabalhadores em trabalhos precários como as- [11:40] Participante Os homens também tão nos traba-nos trabalhos, os trabalhadores públicos e muitos- [11:41] Pietra Bertolazzi Eu acho muito digno uma mulher cuidar da casa da outra. [11:43] Participante Tá bom. Então, Pietra, mas sabe quem defende os homens trabalhadores? [11:46] Pietra Bertolazzi Dos filhos dela, eu acho. Hã. [11:46] Participante Por que a direita vem defender os trabalhadores homens quando é pra se colocar contra as mulheres? [11:51] Pietra Bertolazzi Olha, eu não tô, eu não tô com bandeira política aqui, eu tô falando- [11:52] Participante Mas, não, a sua bandeira é política. [11:54] Pietra Bertolazzi Não, não é, é ideológica. [11:55] Participante Isso, é, é ideologia política. [11:56] Pietra Bertolazzi Eu tô falando de Cristian Gádji e de ideologia. [11:57] Participante A direita é quem ataca os trabalhadores homens. [11:59] Pietra Bertolazzi Eu não sou de direita. [12:00] Participante Você é de direita, Pietra. [12:00] Pietra Bertolazzi Não, eu não sou de direita. [12:00] Participante Ah, é? [12:00] Pietra Bertolazzi Eu não sou de direita. [12:02] Participante É, você fala que você é feudalista, né, você- [12:05] Pietra Bertolazzi Eu sou monarquista, isso. [12:06] Participante Monarquista. Exatamente, né, gente. [12:07] Pietra Bertolazzi Que a monarquia não pode ser de direita. [12:08] Participante A monarquia, Pietra, foi construída em cima da escravização dos negros no nosso país. [12:13] Pietra Bertolazzi Isso é uma grande bobagem que tá falando. [12:14] Participante Isso não é uma grande bobagem, isso é história. [12:15] Pietra Bertolazzi É porque na, porque na Idade Média não existia escravidão. [12:17] Participante Essa, você é de direita. Sabe quem defende os trabalhadores do nosso país? [12:18] Pietra Bertolazzi A Idade Média foi um momento onde não tinha escravidão. [12:20] Participante É a esquerda. A direita se coloca contra todos os direitos. [12:23] Pietra Bertolazzi Por que que a gente tá falando de trabalhadores, se a gente tá falando aqui da sociedade, da sociedade sobre os homens? [12:27] Participante Porque você afirma que os trabalhadores homens movem o mundo. [12:28] Pietra Bertolazzi Exatamente. [12:28] Participante Não são os burgueses, não é você que é coach que fica tentando no mercadinho, Pietra. [12:31] Pietra Bertolazzi Eu não defen-- mas cê não defende. Eu não sou coach, meu amor. Eu, enfim [12:33] Participante Que fica tentando convencer as mulheres do antifeminismo, não é você, são os trabalhadores óbvios. [12:36] Pietra Bertolazzi Olha, se você vai pro lado de homem, essa conversa vai ficar infrutífera. [12:38] Participante Então, é que daí você foge do tema, né? Primeiro o seu tema é- [12:41] Pietra Bertolazzi É você que tá fugindo, você tá trazendo o socialismo- [12:42] Participante Não [12:43] Pietra Bertolazzi É, trabalhador- [12:43] Participante Não, Pietra [12:44] Pietra Bertolazzi ...direito trabalhador. Eu tô falando de uma, de uma construção social- [12:46] Participante A construção social é: os trabalhadores movem o mundo [12:48] Pietra Bertolazzi ...que nos diz que a sociedade funciona porque- [12:50] Participante Sim, homens e mulheres. [12:50] Pietra Bertolazzi Então cê tá concordando comigo? [12:52] Participante Não é que eu tô concordando com você. Você faz isso pra desqualificar o trabalho das mulheres, que é sim mais precário. [12:57] Pietra Bertolazzi Eu não acho. [12:57] Participante As mulheres tão nos postos mais precários. [12:58] Pietra Bertolazzi Aí é você que tá, você que tá desqualificando a mulher, não eu. [13:00] Participante Agora, sim, os trabalhadores homens também têm trabalho precário, que a direita ataca. [13:01] Pietra Bertolazzi Você tá falando que o trabalho da mulher não é digno? Cê tá dizendo que não é digno cuidar de casa? [13:04] Participante Você está dizen-- não, não tô dizendo que não é digno. Você tá dizendo que as mulheres não movem o mundo. [13:08] Pietra Bertolazzi Cê tá falando que é precário? [13:08] Participante Que quem move o mundo- [13:10] Pietra Bertolazzi Não, eu não tô falando isso [13:10] Participante ...só funciona com os trabalhadores homens. [13:11] Pietra Bertolazzi Não, você tá colocando coisa na minha boca. [13:12] Participante Não, é isso que você tá dizendo. É ilogismo pra você, Pietra. [13:14] Pietra Bertolazzi Eu falei que a sociedade funciona por causa dos homens. [13:15] Participante É muito fácil, porque daí você vai mudando o tema, você não responde- [13:18] Pietra Bertolazzi Eu não tô mudando o tema [13:18] Participante ...você não dialoga com as perguntas que a gente tá colocando. [13:20] Pietra Bertolazzi É que você que tá batendo no espantalho. Você tá colocando palavra na minha boca. [13:22] Participante Quem move o mundo são homens e mulheres. [13:23] Pietra Bertolazzi Eu não falei que mulh-- eu não falei que mulher não é importante pro homem. [13:25] Participante Agora, o seu antifeministo tá, o seu antifeminismo tá a serviço de precarizar a vida das mulheres. [13:29] Pietra Bertolazzi É você que tá precarizando. [13:30] Participante Sim, não. [13:30] Pietra Bertolazzi Eu tô valorizando o serviço das mulheres. Eu tô valorizando o que a mulher faz. [13:35] Participante Olá. [13:37] Pietra Bertolazzi Olá. [13:37] Participante Eu sou a Daniela. [13:39] Pietra Bertolazzi Oi, Daniela. [13:39] Participante É, você falou que a sociedade só funciona por causa dos homens, ok? [13:44] Pietra Bertolazzi Uhum. [13:44] Participante Você concorda que a sociedade também funciona pelas mulheres, por causa das mulheres? [13:48] Pietra Bertolazzi Com certeza. Claro, a sociedade é um complemento. [13:48] Participante Então ela não só funciona por causa dos homens. [13:50] Pietra Bertolazzi Sim, ela só funciona por causa dos homens, mas também funciona por causa-- sem os homens não tem uma sociedade. [13:54] Participante Então ela é só. Então a sociedade funciona por, por causa de homens e mulheres. Você- [13:57] Pietra Bertolazzi Não, não, mas se não tiver homens, ela não funciona. [13:59] Participante Mas ninguém tá dizendo isso, ninguém discordou disso. [14:01] Pietra Bertolazzi Todo mundo discordou disso até agora. [14:02] Participante Não, ninguém discordou disso. [14:03] Pietra Bertolazzi Todo mundo que sentou aqui veio combater essa ideia. [14:05] Participante Não, as pessoas estão dizendo que a sociedade também funciona por causa das mulheres e não- [14:09] Pietra Bertolazzi Você é a primeira a falar isso [14:10] Participante ...e não só por causa dos homens, porque o sa-- a sua fala é só funciona por causa dos homens. [14:15] Pietra Bertolazzi Sim, porque se não tem homem, se não tem homem, a mulher, a mulher não consegue crescer na profissão dela ou nos atributos dela. [14:19] Participante Não, ela também, ela também funciona por causa dos homens. Ela funciona por causa de homens e mulheres. Deixa eu te falar uma coisa, a- [14:24] Pietra Bertolazzi As necessidades básicas do ser humano são supridas pelo homem. [14:27] Participante Pela mulher também. O trabalho- [14:29] Pietra Bertolazzi Básica? [14:29] Participante ...o trabalho invisível não remunerado é feito pelas mulheres. [14:31] Pietra Bertolazzi O trabalho invisível não remunerado depende do trabalho primordial que é feito pelos homens. [14:35] Participante Não, não, não. [14:36] Pietra Bertolazzi Sim. Ah, não. [14:36] Participante Os homens não conseguiriam fazer o trabalho- [14:37] Pietra Bertolazzi Quantos mulheres você conhece que trabalham no esgoto? [14:39] Participante Os hom-- deixa eu concluir minha fala, por favor. [14:40] Pietra Bertolazzi Que trabalham com energia elétrica? [14:41] Participante Deixa eu, deixa eu concluir minha fala, por favor. [14:41] Pietra Bertolazzi Que trabalham na, na área civil? [14:43] Participante Os homens, os homens que trabalham nesses trabalhos primários que você menciona- [14:46] Pietra Bertolazzi Uhum [14:47] Participante ...eles não estariam conseguindo re-realizar esses trabalhos com eficiência se não fossem as mulheres cuidando dos lares, das crianças, de todo o trabalho invisível que você negligencia, que você negligencia. [14:56] Pietra Bertolazzi Eu con-- ó, eu, olha, eu olho mais, pelo contrário, eu, eu defendo muito mais. A tua amiga ali que tava falando que é um trabalho, é, que é um trabalho, sei lá qual a palavra que ela usou. É, mas é você que tão negligis-negligenciando o trabalho da mulher. Ela falou que o trabalho da mulher é muito pior que o do homem. Eu não acho, pelo contrário, o trabalho da-- é precário. Eu considero o tra-- o do homem muito mais precário. Eu prefiro um m-- se eu pre-precisasse escolher entre ficar no esgoto o dia inteiro cuidando do sistema de esgoto dos, da cidade ou, ou ficar na casa de alguém cuidando da faxina, fazendo comida, cuidando de criança, eu prefiro o segundo, a segunda opção. [15:22] Participante Você acha, você acha que mulheres poderiam aprender a realizar esses mesmos trabalhos que os homens realizam? Tanto na energia elétrica- [15:27] Pietra Bertolazzi É óbvio que elas poderiam, mas por que que elas fariam isso? [15:29] Participante Então, fariam se precisar fa-- se precisar faz. Quer dizer que a sociedade- [15:32] Pietra Bertolazzi Ai, nat-- e por que que os homens, por que que os homens, por que que os homens fazem 90%? [15:36] Participante Quer dizer que a sociedade não precisa necessariamente de só ter homens nesses lugares? [15:36] Pietra Bertolazzi Por que que esses homens ocupam 90% desses espaços? [15:38] Participante Porque foi assim que a sociedade se, se organizou. [15:40] Pietra Bertolazzi E por que que ela se organizou assim? [15:41] Participante Se organizou assim por causa-- o patriarcado existe, né, Pietra? O machismo existe, né, Pietra? [15:45] Pietra Bertolazzi E o, e o que que é o patriarcado? [15:46] Participante O patriarcado é aquele, aquela sistema- [15:47] Pietra Bertolazzi Cê acha machismo? O que que cê entende por machismo? Porque você tá falando que trabalhos mais precários são, são preenchidos por homens por causa do patriarcado. [15:53] Participante Se você deixar eu concluir uma fala pelo menos uma frase. [15:54] Pietra Bertolazzi É que não faz sentido, você falar que o patriarcado defende os homens, sendo que os homens tão nos tra-- nos piores trabalhos. [15:59] Participante Ah, mas existe também uma dinâmica que coloca os homens nos piores traba-- aliás, os ho-- quem são os homens que tão nos piores trabalhos? Os pobres. Os ricos não estão nos piores trabalhos. [16:06] Pietra Bertolazzi Não tô falando de classe social, tô falando de homem e mulher. [16:08] Participante Assim como as mulheres sempre trabalharam, né? [16:10] Pietra Bertolazzi Sim, claro. [16:10] Participante Porque também existe um, existe um mito de que- [16:12] Pietra Bertolazzi Concordo, com certeza. Mulheres- [16:13] Participante ...a, a, as mulheres conquistaram o direito de traba-- não, as mulheres sempre trabalharam. [16:16] Pietra Bertolazzi Sempre trabalharam. [16:16] Participante Os homens pobres sempre trabalharam. [16:17] Pietra Bertolazzi Bom, você pelo menos é uma feminista honesta intelectualmente sobre isso, pelo menos. [16:19] Participante Os homens semp-- os homens pobres estão nesses lugares e os ricos não estão nesses lugares. [16:23] Pietra Bertolazzi Assim como as mulheres pobres também tão em trabalhos precários, como diz a outra lá. [16:28] Participante Quem aborta é assassino. [efeito sonoro] [16:36] Pietra Bertolazzi Olá, como cê chama? [16:39] Participante Stephanie, sou advogada. Pra gente falar do aborto, a gente precisa entender que uma coisa é criminalização do aborto e a outra coisa é você ser a favor do aborto. Você entende essa diferenciação? [16:50] Pietra Bertolazzi Uma coisa é a lei passar pano pro assassinato e a outra é a pessoa fazer isso sem a lei aprovar? [16:57] Participante Não. Bom, por exemplo, eu, Stephanie, eu não faria um aborto. [17:02] Pietra Bertolazzi Tá. [17:02] Participante Entendeu? Embora eu seja feminista e ativista a favor da descriminalização do aborto. [17:07] Pietra Bertolazzi Sim, toda feminista é a favor do aborto, sim. [17:10] Participante E aí, co-- a, a grande questão é, independente se eu sou a favor ou contra, as mulheres continuam fazendo. A diferença é que elas morrem por causa disso. [17:20] Pietra Bertolazzi Bom, independentemente de eu ser contra ou a favor do assassinato, as pessoas continuam assassinando. [17:25] Participante Mas o que que isso tem ligação? Então você- [17:29] Pietra Bertolazzi Ué, o aborto não é matar uma vida? [17:30] Participante Não. [17:31] Pietra Bertolazzi Não? É o quê? É matar o quê? [17:33] Participante Um feto, né? Diferente. [17:34] Pietra Bertolazzi Matar um feto? [17:34] Participante É. [17:34] Pietra Bertolazzi E o que que é um feto? [17:36] Participante O feto é um amontoado de células, né? [17:38] Pietra Bertolazzi Um amontoado de células? [17:38] Participante Você é médica? Você sabe a partir do momento- [17:40] Pietra Bertolazzi Um amontoado-- ninguém precisa ser médico pra saber que um feto é um ser humano, certo? Ou você acha que se tiver um feto congelado daqui mil anos, alguém descongelar esse feto, vai falar o quê? "Ah, isso aqui é um embrião dum cachorro", é o quê? Uma, uma concha vai sair daqui? [17:53] Participante Vai ser uma vida ali? [17:54] Pietra Bertolazzi Não vai ter ou vai, ou a conclus-- é claro que é uma vida. [17:55] Participante A partir de qual momento que é uma vida? Qual que é a sua concepção de vida? [17:57] Pietra Bertolazzi A partir do momento que o, que o, que o, que o zigoto feminino e masculino se unem. [18:02] Participante Essa é a sua concepção de vida. [18:04] Pietra Bertolazzi Sim, o coração já começa a bater ali dali a poucos dias. [18:06] Participante Ah, então quando, então se uma pessoa tiver morte cerebral, é, não pode desligar os aparelhos, porque- [18:12] Pietra Bertolazzi Quem falou cerebral? Eu falei de morte cerebral, por acaso? [18:15] Participante Não, você falou de bater o coração. [18:17] Pietra Bertolazzi Não, eu tô fa- [18:17] Participante Pra você a vida tá linkada com o coração? [18:19] Pietra Bertolazzi Não, não, não, não tá linkada com o coração. [18:20] Participante Porque o feto não bate a partir de- [18:20] Pietra Bertolazzi Eu falei que dali, inclusive, há poucos dias-- é porque eu me lembrei da minha gravidez. Em poucos dias você começa a ouvir o coração já. Então assim, a partir do momento que você tem uma célula da, fa-- é, feminina e masculina unidas, aquilo já é uma vida humana. [18:34] Participante A, com a sua concepção, não uma concepção médica, né? [18:37] Pietra Bertolazzi Mas o que que é con-- não, a concepção natural [18:41] Participante Tudo bom? [18:42] Pietra Bertolazzi Tudo bom? [18:42] Participante Prazer. [18:43] Pietra Bertolazzi Prazer, como você chama? [18:44] Participante Meu nome é Daiara. [18:45] Pietra Bertolazzi Prazer, Daiara. [18:46] Participante Então, você é a fa-- é contra o aborto, correto? [18:49] Pietra Bertolazzi Uhum, uhum. [18:50] Participante Eu sou contra e sou a favor também. [18:53] Pietra Bertolazzi Hum. [18:53] Participante Tem muitas adolescentes aí, crianças em vários lugares precários, que assim, passam por estupro, violências, que eu acho que no caso eu seria a favor. [19:03] Pietra Bertolazzi E aí você é a favor-- bom, já que ocorreu o crime do estupro, você é a favor de consertar isso com outro crime, que é o homicídio? [19:09] Participante Como que você se colocaria no lugar de uma criança que foi molestada e aconteceu um estupro e não queria ser, não queria ser mãe? [19:17] Pietra Bertolazzi Primeiro lugar, toda a vi-- aliás, a criança, primeiro lugar [19:21] Participante Sim. [19:21] Pietra Bertolazzi Não precisa seeer, ela não precisa cuidar daquela criança, ela pode colocar pra adoção. Inclusive a fila de adoção- [19:26] Participante Sim. [19:26] Pietra Bertolazzi A fila de pais que querem adotar é muito maior do que o número de crianças. [19:30] Participante Você adotaria? [19:30] Pietra Bertolazzi Claro que eu adotaria. [19:30] Participante Você adotaria? E por que que não adotou até hoje? [19:32] Pietra Bertolazzi Porque eu não considero que eu tenho estrutura pra isso, primeiro porque eu não sou casada. [19:35] Participante Então, do mesmo modo que muitas pessoas não adotaria. Aí já tá um ponto, então assim- [19:39] Pietra Bertolazzi Não, não, não, cê não ouviu o que eu falei? Eu falei que a fila pra, de casais que querem adotar é maior do que o número de crianças disponíveis pra adoção. [19:45] Participante Só que você como uma ex- [19:45] Pietra Bertolazzi Cê sabia disso? [19:46] Participante Sim, só que você como uma solteira criando mais uma- [19:48] Pietra Bertolazzi Então segunda coisa, então segunda coisa, se eu fosse entrar na fila pra adotar, eu ia demorar anos. Todo mundo sabe como é o processo pra adoção no Brasil. É complicadíssimo. [19:54] Participante Não, sim. [19:54] Pietra Bertolazzi Isso se dá também porque existe uma escassez de crianças. Tem muito mais gente querendo adotar do que criança disponível. [19:59] Participante Mas concorda comigo que criança não falta, porque tem bastante aí, se você for em vários lugares- [20:03] Pietra Bertolazzi Então por que que não tão pra adoção? [20:04] Participante Então, claro que tão. [20:06] Pietra Bertolazzi Mas se tem mais, se, se a fila de pais pra adotar é maior? [20:08] Participante Não. [estalo de língua] A fi, a fi- [20:10] Pietra Bertolazzi Como não? [20:11] Participante Não, a fila- [20:11] Pietra Bertolazzi Não sou eu que tô falando, cê pega, você puxa qualquer dado de qualquer lugar. [20:14] Participante Você, você já pensou em adotar? [20:16] Pietra Bertolazzi Já, se eu for casada um dia, pode ser que eu adote. [20:18] Participante Então, e por que que não casou? [20:20] Pietra Bertolazzi Bom, cê quer entrar na minha vida pessoal, é isso? [20:22] Participante Não, né? [20:23] Pietra Bertolazzi Aí é, aí é complicado, né, querida? Se for pra falar da vida pessoal de cada uma aqui, vai complicar a coisa. [20:29] Participante Bom, eu sou a Virgínia Guitzel, mais conhecida como travesti comunista. Então você já assumiu aqui no programa que as crianças são obrigadas a parir filhos de estupro. [20:37] Pietra Bertolazzi Pensa, não, eu tô falando que qualquer pessoa- [20:39] Participante Que você inclusive acha que as, o- [20:41] Pietra Bertolazzi Que engravide, sim. [20:41] Participante O que hoje já está garantido na lei tem que ser revogado, é isso, né? [20:44] Pietra Bertolazzi Sim, não é porque tá na lei que é uma lei que é moral. [20:45] Participante Então crianças de doze anos que têm risco biológico, porque você adora usar biologia pra ser transfóbica. Agora pra usar a biologia de fato- [20:51] Pietra Bertolazzi Não, não tem, mas que risco é esse? [20:52] Participante Pra entender que uma criança de doze anos... Cê imagina o corpo de uma criança de doze anos ser obrigada a parir uma, uma outra criança. [20:57] Pietra Bertolazzi Bom, dependendo da biologia, se ela já, já, se o corpo dela já posiciona ela numa gravidez, é porque ele tá pronto pra parir, não? [21:05] Participante Você não sabe o que cê tá falando, você não sabe o que cê tá falando. [21:05] Pietra Bertolazzi Ah, não? [21:05] Participante Não, você não sabe. [21:07] Pietra Bertolazzi Ah, não, quem sabe é você. [21:08] Participante Se você for buscar os estudos médicos- [21:09] Pietra Bertolazzi Hum. [21:09] Participante Você vai ver que tem vários riscos, inclusive de morte. Só que é engraçado que você inclusive- [21:12] Pietra Bertolazzi Olha, isso não existe tanto inclusive. Hoje, hoje a gente tem a cesárea, né, que é uma cirurgia supersegura pra quem tem risco de, de- [21:18] Participante Não tenho a ver com isso, tem a ver com a gestação. Tem a ver com a gestação. Sem contar que a gente vê uma realidade no Brasil hoje, que mulheres lésbicas, homens trans, são vítimas de estupros corretivos. [21:26] Pietra Bertolazzi E vamo lá, né, Virgínia. A maioria das pessoas que defendem o aborto, a maioria das pessoas que abortam- [21:27] Participante E você inclusive é parte de atacar o movimento feminista que luta por justiça pra essas pessoas. [21:31] Pietra Bertolazzi A maioria, a maioria das pessoas que querem, que defendem o aborto hoje, não são as pessoas da favela que tão, que, de as meninas de doze anos, que sofrem estupro, que tão querendo, é, que tão querendo abortar. A maioria são pessoas por trás de ideologia de gênero, são pessoas, são pessoas, é, são as patricinhas que querem fazer mochilona Europa fumando maconha e pegando todo mundo. [21:47] Participante Não são essas pessoas que defendem o aborto. [21:49] Pietra Bertolazzi São essas pessoas que defendem o aborto. [21:49] Participante Você é a favor de uma- [21:50] Pietra Bertolazzi Então essa família patriarcal que você defende. Pai e mãe. [21:52] Participante A família patriarcal que eu defendo não é sobre isso. [21:55] Pietra Bertolazzi O pai e a mãe abusam das suas crianças. [21:56] Participante A maioria dos abo-- a maioria dos estupros acontecem por parentes, por tios, e não por pais. [21:59] Pietra Bertolazzi Essa é a realidade. Então assim, Pietra, vamo falar a verdade, esse debate hipócrita da sua parte é um debate só pra justificar a violência que as pessoas sofrem. Virgínia, cê tá querendo, cê tá querendo compensar a vergonha que cê passou comigo no outro debate? Tudo bem, mas assim- [22:11] Participante Que vergonha? Você assumiu que você é transfóbica. [22:12] Pietra Bertolazzi Você tá trazendo coisas que não fazem sentido. Cê tá me chamando de transfóbica, cê tá fazendo um monte de coisa que não faz sentido nenhum. [22:17] Participante Você assumiu. Você me chamou de traveco, não foi? Cê vai chamar de novo agora? [22:19] Pietra Bertolazzi Como é que eu vo-- hã? [22:20] Participante Você vai chamar de novo agora? [22:21] Pietra Bertolazzi Do quê? [22:22] Participante O que que cê me chamou no outro debate? [22:23] Pietra Bertolazzi Do quê? [22:24] Participante Vamo. Cê não lembra? Cê não tem memória? [22:26] Pietra Bertolazzi Falei da carta traveco. E eu vou saber que não, que é um problema chamar de traveco? [22:29] Participante Ah, então você não sabe. Tadinha de você. [22:31] Pietra Bertolazzi Não sei. Travesti e traveco pra mim não sei qual a diferença. [22:33] Participante Claro, porque você é transfóbica. [22:34] Pietra Bertolazzi Não tenho tanta paciência. Travesti e traveco pra mim não faz diferença nenhuma. [22:38] Participante Você é transfóbica. [22:39] Pietra Bertolazzi É, sou transfóbica. [22:43] Participante Olá. [22:44] Participante Oi, eu sou a Luana. E é importante, eu, eu quero saber de uma coisa. Se por um acaso acontecesse, você disse que tem uma filha. [22:52] Pietra Bertolazzi Uhum. [22:53] Participante Se por um acaso acontecesse com ela, você conseguiria ver a sua filha não só passando por um sofrimento de um estupro, porque aparentemente você, desculpa perguntar, caso você não queira dizer, tudo bem. [23:02] Pietra Bertolazzi Uhum. [23:03] Participante Mas aparentemente você nunca passou por uma situação de um estupro. [23:06] Pietra Bertolazzi Não, nunca fui estuprada. [23:07] Participante Ok. Então quando a gente fala sobre estupro, a gente não só fala sobre o ato de estuprar alguém, mas você toca num ponto sensível de várias mulheres aqui ao redor. [23:14] Pietra Bertolazzi Uhum. [23:14] Participante Isso toca num ponto sensível- [23:16] Pietra Bertolazzi É que eu não acho, hã- [23:16] Participante Não, licença que eu não terminei de falar. Muito obrigada. É muito importante lembrar que você ver uma criança sendo estuprada, você, você tem que lidar não só com o corpo infantil sendo colocado num ato adulto, porque por mais que eles sejam- [23:29] Pietra Bertolazzi Eu não defenderia o aborto em uma ca-- você perguntou da minha filha, se a minha filha fosse estuprada. [23:32] Participante Não terminei de falar. [23:33] Pietra Bertolazzi Eu não defenderia o aborto. [23:34] Participante Eu não terminei de falar. [23:35] Pietra Bertolazzi Eu não defenderia que ela abortasse. [23:36] Participante Eu não terminei de falar. Eu não terminei de falar. Peço que você não me interrompa. [23:39] Pietra Bertolazzi Vai, querida, fala. [23:39] Participante A sua filha é uma criança. [23:41] Pietra Bertolazzi Aham. [23:41] Participante Ela é uma criança. [23:41] Pietra Bertolazzi Exatamente. [23:42] Participante E mesmo que você não concorde com o aborto, ainda assim não acho que o sistema em si deveria levar a sua opinião como mãe em consideração, porque ainda é um corpo infantil. [23:50] Pietra Bertolazzi Não, não é a minha opinião, a opinião da maioria dos brasileiros, né? [23:53] Participante Não, licença que eu não terminei. Não terminei de falar. [23:53] Pietra Bertolazzi É que se você fica falando vira um monólogo e não um debate, né? [23:55] Participante Mas você tem que respeitar. [23:56] Pietra Bertolazzi Cê quer um palco? Cê quer uma street? Cê quer uma stand-up comedy? Aí, tipo, você não é a que tocar. [23:58] Participante Mas você tem que respeitar os relatos dos outros. Se você não respeita a minha fala, não é nem um monólogo, nem um debate, é só você que vai falando. [24:02] Pietra Bertolazzi Não, é um debate, o tempo tá correndo, aqui não é Papo Unico, entendeu? Não é pra você chegar e discorrer longamente sobre algo. [24:07] Participante Mas é só você que fala. [24:07] Pietra Bertolazzi Você traz o argumento, eu respondo. [24:08] Participante Mas é só você que fala. [24:09] Pietra Bertolazzi Vai, então complete, complete a sua argumentação. [24:10] Participante Eu quero saber se acontecesse com a sua filha, você ia sustentar a ideia? [24:12] Pietra Bertolazzi Eu já falei que não, já respondi. Ia. Já respondi. [24:14] Participante Você ia ver o corpo de uma criança- [24:16] Pietra Bertolazzi Sim. [24:16] Participante Gestando. [24:17] Pietra Bertolazzi Sim. [24:17] Participante E você não julga isso cruel? [24:19] Pietra Bertolazzi Não, eu julgo cruel matar um bebê. [24:21] Participante Mas não é um bebê, é um, é uma junção de moléculas. [24:23] Pietra Bertolazzi É, aí- [24:23] Participante Só tem sistema nervoso depois de três, quatro meses. [24:25] Pietra Bertolazzi O que define, o que que define quando vira um ser humano ou não? [24:27] Participante E aí o aborto acontece. [24:27] Pietra Bertolazzi Porque cada um fala que é uma hora, né? Tem gente que fala que é em quatro semanas, tem gente que fala em três meses, tem gente que fala em no-- tem gente que defende que é um feto até o nono mês. O que que define se é uma cri-- se é um ser humano ou não? [24:37] Participante O sistema nervoso. [24:38] Pietra Bertolazzi O sistema nervoso? Mas isso é uma opinião tua, então, porque a própria medicina- [24:41] Participante Não, é ciência. [24:41] Pietra Bertolazzi A, a própria ciência não tem uma, um, um, não entra aí num consenso sobre quando começa a vida humana [24:46] Participante Ué, então- [24:47] Pietra Bertolazzi Não é o que? [24:47] Participante Uai, então se não co, se, então se a ciência não tem um conceito de vida humana, por que que eu tô assassinando? Você se contradisse, minha amiga. [24:54] Pietra Bertolazzi Não, não, mas eu não, mas eu não tô falando que eu tô de acordo com a ciência. [24:57] Participante Não, você se contradisse. [24:57] Pietra Bertolazzi Não, não, mas quem disse- [24:58] Participante Você acabou de se contradizer, não fui eu. [24:59] Pietra Bertolazzi Mas quem disse que eu tô, mas quem disse que eu tô defendendo a ciência? [25:02] Participante Ué. [25:02] Pietra Bertolazzi Eu tô defendendo a lei natural. [25:03] Participante Você tá se contradizendo, dichava. [25:05] Pietra Bertolazzi Eu tô defendendo a lei natural- [25:06] Participante Não sou eu que estou me contradizendo [25:06] Pietra Bertolazzi independentemente do que a militância cientificista diga. [25:10] Participante Se não existe conceito exato de vida, aonde que entra o assassinato? [25:14] Pietra Bertolazzi Entra a partir do momento- [25:15] Participante Assassinato é corpo físico, dentro da Constituição é corpo físico. [25:17] Pietra Bertolazzi Não, não, a vida, a vida acontece, a vida acontece é quando o zigoto feminino está junto. [25:21] Participante É sair e matar, sabe? Bom, bom, se não tem... [25:21] Pietra Bertolazzi Exatamente, como é que cê mata, como é que cê mata um, um embrião? [25:25] Participante Eu que te pergunto isso, como é que você mata um embrião? [25:28] Pietra Bertolazzi Então, a distonia, você, exatamente, tem várias formas. [25:30] Participante Se não tem conceito de vida, não tem morte. [25:32] Pietra Bertolazzi Como que não tem conceito de vida, mas não so, mas pra mim tem conceito de vida. [25:35] Participante Não tem conceito de vida. [25:36] Pietra Bertolazzi Qualquer cristão sabe que a partir do momento que- [25:37] Participante Não tem conceito de vida, fechamos. [25:38] Pietra Bertolazzi Ah, não, não tem conceito de vida. Quando a criança nascer é o que então? O que que é ali? [25:43] Participante Não tem conceito de vida, não tem essa vida. [25:43] Pietra Bertolazzi Mas se não tem vida, não precisa matar. Por que que precisa matar se não tem vida? [25:46] Participante Se não tem conceito de vida, por que que tem? [25:49] Pietra Bertolazzi Petra. [25:49] Participante Olá. [25:49] Pietra Bertolazzi Como você chama? [25:50] Participante Muito prazer. [25:51] Pietra Bertolazzi Prazer. [25:51] Participante Eu sou Felipe. [25:53] Pietra Bertolazzi Prazer, Felipe. [25:53] Participante É muito bom poder te encontrar aqui, acompanho o seu trabalho e eu acredito muito que a partir de um, de um diálogo orientado, respeitoso, a gente consegue divergir e se respeitar em algum momento. [26:07] Pietra Bertolazzi Ai, ufa, que bom, finalmente. [26:08] Participante Porque eu penso que toda militância, ela precisa ter propósito. [26:12] Pietra Bertolazzi Claro. [26:12] Participante Se a militância não tem propósito, ela vira chatice. [26:15] Pietra Bertolazzi Concordo. [26:16] Participante E se a gente entrar- [26:17] Pietra Bertolazzi E agitação simbólica, né, e não efetiva, claro [26:18] Participante E se a gente não tá aqui num propósito só de expor as nossas ideias e aprender uns com os outros, a gente tá aqui meramente pra poder se atacar e esse não é um lugar que eu gosto de ocupar. [26:29] Pietra Bertolazzi Perfeito, fico feliz. [26:29] Participante Então rapidamente aqui, eu sou o Felipe, eu sou um homem gay, faço parte da classe LGBT, tenho uma identidade de gênero andrógeno, por isso que os meus cabelos são longos, eu me visto dessa maneira e me sinto muito feliz e leve e livre pra ser assim. E não necessariamente preciso ser uma mulher pra poder defini, é, defender pautas que sejam elas- [26:52] Pietra Bertolazzi Claro [26:52] Participante feministas, até mesmo porque eu acredito muito no poder da empatia [26:56] Pietra Bertolazzi Sim [26:56] Participante do respeito e da sororidade que deve ser aplicada em todas as suas nuances e camadas. Quando você fala, por exemplo, sobre o aborto, eu fui quase vítima de um aborto. É, é, a minha mãe tentou me abortar, em decorrência disso eu, eu nasci de sete meses e, e eu cresci com essa, com, com essa imagem sobre o aborto. É, venho também de uma, de um lar cristão e a partir dessa pauta, Petra, eu passo a entender que quando uma mulher tem a possibilidade de gerar de, em vias naturais com consentimento [27:33] Pietra Bertolazzi Uhum [27:33] Participante qualquer ato que ela faz a partir dali, sim, é um ato criminoso. Agora, quando uma mulher, ela é violentada e ela passa por uma questão de abuso sexual, eu não, eu não sou uma mulher, infelizmente fui abusado por três vezes quando criança, próximo à adolescência, então sei a dor que é- [27:52] Pietra Bertolazzi Ah, sinto muito por isso [27:53] Participante ser abusado, se-ser estuprado. [27:55] Pietra Bertolazzi Sim. [27:55] Participante E quando eu me pego pensando numa criança, numa adolescente que foi estuprada de uma forma, é, violenta, penso eu e acredito que ela tem o direito, sim, de poder escolher entre dar a vida, aquele ser que está sendo gerado, ou seguir com aquela, com aquela gravidez. [28:16] Pietra Bertolazzi Sim. [28:16] Participante Entretanto, penso que não é um crime. E por favor, tô aqui pra poder te ouvir também. [28:21] Pietra Bertolazzi Não, então Felipe, obrigada pela tua educação. [28:22] Participante Imagina. [28:23] Pietra Bertolazzi Que bom, que bom ter alguém assim pra conversar. É, primeiro lugar, a gente tá trazendo muito a questão da, do estupro contra, contra, contra crianças, né? Agora, a maioria dos, a maioria dos estupros não são contra crianças e a maioria das pessoas que abortam não são crianças e nem vítimas de estupro. É, o que acontece é que geralmente as crianças que engravidam são vítimas de um, de um, de uma sequência, né, de, de estupros dentro da família, como vocês muito bem sabem, e ela só vai descobrir que tá grávida depois de alguns meses, depois de três, quatro meses, às vezes com seis meses, a gente teve um caso famoso no Brasil que foi até o sétimo mês, se não me engano. É, e o que acontece? O meu ponto é, já que a criança tá com o bebê na barriga por tanto tempo, por que não... Ela vai ter que expele, ela, aquele bebê vai ter que sair de alguma forma. [29:06] Participante Certo. [29:06] Pietra Bertolazzi Já vai ser traumático praquela criança, certo? [29:08] Participante Certo. [29:09] Pietra Bertolazzi Por que não tirar aquele bebê com vida ao invés de matar aquele bebê? [29:11] Participante Eu penso, eu penso em duas coisas aqui que eu acho que é importante a gente poder dissertar sobre. Quando a gente fala sobre a, a, a, o tirar a criança logo que, que a, que a mãe tem a percepção, eu não consigo configurar isso como um que, um crime, até mesmo porque, é, não fez parte de um plano daquela pessoa gerar aquela criança. [29:29] Pietra Bertolazzi Sim. [29:30] Participante Outro ponto que você trouxe também que eu achei interessante e posso falar com conhecimento de causa. Eu tô há seis anos na fila de adoção pra poder ado-adotar uma criança, porque sim... [29:38] Pietra Bertolazzi Olha aí, complicado, né? É ou não é complicado adotar? [29:42] Participante É bem complicado. [29:43] Pietra Bertolazzi Pois é. Oi de novo. [29:47] Participante Oi de novo, tudo bem? Bem, Petra, você virou e falou que pra você, mulheres que abortam são assassinas. [29:54] Pietra Bertolazzi Uhum. [29:54] Participante É, isso é um conce- [29:55] Pietra Bertolazzi É um nome que se dá pra quem mata outra vida humana, né [29:57] Participante É o, é o conceito que você traz do direito. E aí quando, se a gente vai tratar do direito, eu acho que é importante a gente também entender que no nosso- [30:05] Pietra Bertolazzi Não, mas é ver, assassínio não tá só na, na legislação [30:07] Participante Tá, isso tá na legislação, isso tá na legislação. [30:08] Pietra Bertolazzi Assassínio tá dentro de um testamento, é uma questão religiosa também. [30:10] Participante Inclusive no nosso código civil, tem uma determinação de encontrar a vida. [30:14] Pietra Bertolazzi O fato de estar no código civil é porque ele veio do cristianismo, esse conceito, né? [30:17] Participante A vida existe, a vida exis... É, a vida, inclusive- [30:19] Pietra Bertolazzi Não é do código civil [30:20] Participante O código, o código civil tá, ele determina em quanto a vida? Depois do nascimento, primeiro, primei- [30:25] Pietra Bertolazzi Eu não tenho nada contra o código civil, eu tô em plano natural, tô em plano de Deus [30:27] Participante primeiro sopro de vida após saída do útero. Este é o conceito de vida que está instalado no nosso país juridicamente, entendeu? [30:33] Pietra Bertolazzi Só, só vira um ho-- Você perguntou pra você, só vira um ser humano depois que sai da barriga. [30:36] Participante Entendeu? E a outra coisa, você está escolhendo qual é a vida que vale. [30:39] Pietra Bertolazzi Então o bebê que nasce em sete meses, um bebê de oito meses... Não, é você que tá escolhendo. [30:41] Participante Não, você, porque você que tá ignorando. [30:43] Pietra Bertolazzi É você que tá escolhendo. [30:44] Participante Você está ignorando mortalidade materna. [30:44] Pietra Bertolazzi Isso chama eugenia [30:46] Participante Quantas mães você conhece que morrem por ca-por causa do, do aborto ou do, do parto? [30:50] Pietra Bertolazzi Várias, várias. [30:50] Participante Hoje em dia? [30:51] Pietra Bertolazzi Eclampsia, pré-eclâmpsia. [30:53] Participante Hoje em dia é minoria. [30:54] Pietra Bertolazzi Você tem, você tem possibilidades pelo não pesquisa. [30:55] Participante A gente não tá falando desses casos. [30:58] Pietra Bertolazzi Se você tá falando de direitos sexuais e reprodutivos, você tá partindo da premissa então que toda mulher morre no parto. [31:03] Participante Você tá partindo de uma premissa... Não, você tá escolhendo que quem ba-- que quem morre são as mulheres. [31:08] Pietra Bertolazzi Não, porque cê tá, cê tá falando que toda mulher morre no parto, é uma loucura isso. [aplausos] Mulher bem-sucedida é a mulher que virou mãe. [vinheta] Ah, eu gosto de você que cê não grita. [31:27] Participante Às vezes eu tenho uma projeção. [31:28] Pietra Bertolazzi Ah, jura? [risos] [31:29] Participante É, mas não é nada, não é nada ofensivo. [31:31] Pietra Bertolazzi Tá, você não vai pro ad hominem, muito bom. [31:33] Participante Não. [risos] [31:34] Pietra Bertolazzi Tá. [31:35] Participante Cê não acha que isso é uma escolha muito individual? [31:38] Pietra Bertolazzi O que que você entende por um ser... [31:40] Participante Mulher bem-sucedida é a mulher que virou mãe. O sucesso das pessoas não é muito individual? O que que cada um deseja pra si? O que que cada um considera sucesso pra si? Cê não acha que isso é uma pauta, um tema muito, é, raso pra se trazer pra um debate social, pra gente debater sociedade? [31:57] Pietra Bertolazzi Eu acho que não, porque é uma questão ontológica, né, uma questão de lei natural. Ex-- to-toda, toda criação tem um fim próprio, né? A criação, tanto naturalmente falando quanto espiritualmente da mulher, é a maternidade, né. E se a gente vai pra, até pro sentido etimológico, né, da palavra, é, maternidade, né, "mater" obviamente que vem de mãe, é, "maternitás" é, é uma condição, é um estado de vida, né. Então quando a gente diz que uma mulher bem-sucedida é a que vive a maternidade, não necessariamente é a maternidade, hã, biológica. [32:25] Participante Cê acha, cê acha que toda mulher tem... [32:26] Pietra Bertolazzi Ela pode ser mãe espiritual de várias pessoas também. [32:29] Participante Entendi. Pois é. [32:30] Pietra Bertolazzi Só que eu acho que a perfeição e a felicidade, de acordo com a, né, com, com a ontologia, com a lei natural e com a espiritualidade, com a cristandade, a mulher que alcança o maior sucesso é a que exerce a maternidade de forma perfeita, né, da melhor forma. [32:42] Participante Cê acha, cê acha que todas as mulheres têm aptidão pra ser mãe? [32:45] Pietra Bertolazzi Sim. [32:46] Participante Cê acha mesmo? [32:47] Pietra Bertolazzi Sim, é, é o fim último da, da, da criação divina, né. [32:50] Participante Você não acredita que uma, que alguma... É, é esquisito isso, porque assim, a gente vê tantas pessoas sem aptidão pra maternidade, que a gente fala "mas por que que..." [32:58] Pietra Bertolazzi Mas cê não acha que a sociedade pode educar essas mulheres pra não, pra acreditarem que elas não são aptas pra, a maternidade? [33:03] Participante Não, eu, por exemplo, eu não me considero apta pra ser mãe, embora eu tenha um instinto de mater... eu, eu, eu tenho [33:07] Pietra Bertolazzi Mas você, você, você entendeu que quando eu falo que a maternidade não é só sobre a biologia, é sobre essa, essa tendência a, ao cuidado, à, à maternidade espiritual também de outras pessoas, de cuidar da sociedade? [33:18] Participante Porque nesse ponto, nesse ponto, nesse ponto, eu concordo plenamente, porque eu sou uma pessoa maternal, mas para me responsabilizar [33:23] Pietra Bertolazzi Você não é uma pessoa má, você é uma mulher, toda mulher é maternal, não existe mulher não maternal. [33:26] Participante Exato, mas aqui a gente concorda. A questão é, quando você fala que o sucesso da mulher é quando ela se torna mãe, aí a gente tá falando de um aspecto biológico, de um aspecto que é, é situacional mesmo. [33:37] Pietra Bertolazzi Não, não, é, olha só, é, a gravidez é um, é um processo biológico temporário, certo? Agora, maternidade é algo ontológico, é algo que transcende, né. [33:46] Participante Mas então, então vamos, vamos especificar. [33:47] Pietra Bertolazzi A maternidade é um estado, é um estado feminino natural. [33:49] Participante Vamos especificar. O que que você quis dizer quando você disse que o sucesso da mulher é quando ela se torna mãe? [33:54] Pietra Bertolazzi Exa-- é quando, é quando ela exerce a maternidade acima de qualquer outra coisa, ou seja, ela prioriza a maternidade. [33:59] Participante Não necessariamente ter uma gestação e parir. [34:01] Pietra Bertolazzi A minha, a minha crítica, na verdade, é se, em relação às mulheres que acham que o sucesso profissional pode trazer mais felicidade do que elas, hã, se dedicarem à maternidade, seja ela biológica ou espiritual. [34:13] Participante Por que isso? Porque, por que que... [34:14] Pietra Bertolazzi Porque naturalmente a gente é feito pra isso. [34:16] Participante Mas vem cá, o sucesso profissional, ele também não é parte do gestar algo, do gerar algo, do criar algo? [34:22] Pietra Bertolazzi Pode ser, mas não ontologicamente. Você, a-assim, uma mulher pode ser tranquila, ela pode ser tranquilamente realizada sem, sem a parte profissional. Agora, eu não creio em felicidade feminina sem a maternidade. [34:33] Participante A maternidade que a gente tá falando de ter um filho... [34:35] Pietra Bertolazzi De cuidado biológico ou não, de exercer essa maternidade no sentido espiritual. Por exemplo, uma freira, uma freira, ela não se casa, ou seja, ela não tem filhos, mas ela é mãe espiritual de muitas pessoas, de muitas almas. Ou seja, ela conduz, ela ensina, ela cuida, ela, ela encaminha. [34:48] Participante É, eu, eu acho que isso, eu acho que isso sai um pouco... [34:56] Participante Olá, boa tarde. [34:57] Pietra Bertolazzi Tudo bem? Meu nome é Lua. [34:58] Participante Prazer, Lua. [34:59] Pietra Bertolazzi É, eu tenho uma comunidade de mulheres, não sou mãe, mas sou filha de uma, de uma mulher muito forte, inclusive. E eu vejo hoje a maternidade como uma pauta muito importante pra gente se pensar a longo prazo, né? Porque a gente falou aqui sobre aborto, falamos agora sobre a maternidade, e não é só gestar, você tem que educar uma pessoa futuramente. E hoje em dia, na sociedade, como você vai educar uma mulher ou um homem, onde a gente sofre violência, onde a gente corre perigos nas ruas, obviamente, acho que você não se sente segura caminhando sozinha na rua. [35:31] Participante De forma alguma. [35:32] Pietra Bertolazzi Exato, e acho que todas nós aqui também não. Somos duas mulheres brancas privilegiadas e a gente tem que enxergar isso, né? [35:38] Participante Você se considera privilegiada por isso? [35:39] Pietra Bertolazzi Eu me considero privilegiada, porque pra eu estar aqui foi muito mais fácil, com certeza, do que muitas que tiveram que... [35:44] Participante Por que cê acha? [35:45] Pietra Bertolazzi Porque eu acho que o estético, né, eles nos colocam em vários lugares. [35:47] Participante Porque olha só, você, você é a única loira de olhos azuis, não é? Tem alguma outra loira de olhos azuis? [35:51] Pietra Bertolazzi Pois é, eu e você. [35:51] Participante Nós duas, mas se a maioria aqui... [35:52] Pietra Bertolazzi Então acho que nosso estético nos leva em vários lugares, consegue nos colocar... [35:55] Participante Mas você é a única loira de olhos azuis, por que que cê acha que a loira de olhos azuis é privilegiada? Se todas as outras não são. [36:00] Pietra Bertolazzi Eu acho que o nosso estético consegue nos colocar em vários lugares onde outras mulheres não são bem-vindas estereotipicamente, né, você olhando. Então, pra ter filho hoje, acho que você precisa ter essa estrutura, né? Eu tenho um grupo terapêutico de mulheres... [36:13] Participante Mas você não acha que é um pouco materialista essa visão, do sentido de que só as mulheres que têm privilégio podem ser mães? [36:19] Pietra Bertolazzi Não, acho que não é, porque a educação... Não, eu não falei isso de jeito nenhum. [36:20] Participante Sendo que é uma condição ontológica natural. [36:22] Pietra Bertolazzi Eu não falei isso de jeito nenhum. [36:23] Participante Então qual que é a ideia? [36:24] Pietra Bertolazzi Eu falei que pra você hoje ter um filho, você precisa minimamente ter uma estrutura e conseguir colocar comida na sua, na frente da sua casa. [36:30] Participante Você diz uma estrutura, quando você fala de estrutura, você fala de questão financeira. [36:33] Pietra Bertolazzi Estrutura, falo de financeiro, de rede de apoio, né, de, de educação, onde sua filha vai estudar, onde sua filha estuda hoje. Você, você concorda com a educação? [36:43] Participante Num colégio bom. [36:43] Pietra Bertolazzi Num colégio bom? [36:44] Participante Sim. [36:44] Pietra Bertolazzi Que bom, você tem o privilégio de conseguir colocar sua filha. [36:47] Participante Sim, tenho. [36:47] Pietra Bertolazzi Muitas pessoas, muitas meninas não têm. Então eu trago muito esse apoio para essas meninas que não conseguem hoje colocar... [36:52] Participante Mas, mas é porque você depe-- é que você acha que uma boa estrutura é um bom colégio, eu não vejo dessa forma, entende? [36:56] Pietra Bertolazzi Ó, eu acho que hoje, a, é, a nossa sociedade, nós meninas jovens, muitas vezes temos dificuldade de criar sonhos. Pra você tá aqui hoje falando, você teve que criar esse sonho. Alguém teve que te incentivar. [37:07] Participante Não, eu nunca sonhei, eu fui meio que... enfim, isso é um outro papo, né? Eu nunca sonhei em tá aqui, as coisas foram acontecendo na minha vida dessa forma. [37:13] Pietra Bertolazzi Não, mas é assim, é a questão de muitas meninas. [37:14] Participante Mas a questão da, da violência que você trouxe, por que que cê acha que em outras épocas o mundo não era violento? [37:18] Pietra Bertolazzi Não, ele é violento, hoje nós estamos falando... [37:18] Participante Pensa que nós tivemos duas guerras mundiais durante o século vinte. [37:21] Pietra Bertolazzi Hoje nós estamos aqui com informações pra falar sobre isso. E é por isso que eu... [37:25] Participante Mas é que o mundo sempre foi violento, entende? [37:26] Pietra Bertolazzi Se eu guio o meu grupo... Com certeza, mas é por isso que eu guio o meu, o meu, o meu mundo. [37:31] Participante Obrigada [37:34] Pietra Bertolazzi Oi de novo. Você quer ser mãe de três crianças. [37:37] Participante Sim, só que- [37:37] Pietra Bertolazzi E se você não conseguir engravidar três vezes? [37:39] Participante Ah, não tem problema, eu adoto. Mas se eu não der também, não é uma grande aspiração. [37:43] Pietra Bertolazzi Cê acha que a maternidade é um direito? [37:45] Participante É um direito, é o meu corpo. [37:46] Pietra Bertolazzi É um direito? [37:48] Participante Quem tá custando- [37:48] Pietra Bertolazzi Mas, mas o filho, mas quem vai te transformar numa mãe é teó-- né, são teus filhos. [37:53] Participante Sim. [37:54] Pietra Bertolazzi Mas eles são outro corpo, não são o teu corpo. [37:56] Participante Sim, mas... Não entendi. [37:58] Pietra Bertolazzi E se você adotar, e se você adotar não é o teu corpo. [38:00] Participante Não, mas ainda é meu filho. [38:02] Pietra Bertolazzi Sim, mas é que você falou, é que você falou que você pode escolher, você tá falando que a maternidade é um direito porque é o teu corpo. Mas se você adotar, não foi o teu corpo que gerou. [38:09] Participante Mas ainda eu tô escolhendo ser mãe, né? Eu tô escolhendo maternar, depois que você disse. [38:12] Pietra Bertolazzi E quem não pode adotar e quem não pode, é, engravidar, como é que faz? Não realiza esse direito? Não tem esse direito? [38:18] Participante Ué, se a pessoa não conseguir, aí já é além das minhas escolhas, não? [38:22] Pietra Bertolazzi É que eu não parto da premissa que a gra-- de que a maternidade é um direito, entendeu? Ela é um privilégio, na verdade. Aliás, a maternidade sempre foi vista como um privilégio. Se a gente pegar em todas as, em todas as socie-sociedades do globo, em todas as épocas do mundo, hã, inclusive as mulheres inférteis sempre foram vistas como, como infelizes, como mulheres que foram acometidas por maldições. Nunca foi bem visto uma mulher não conseguir gestar, né? [38:43] Participante Dentro da nossa sociedade, levando em consideração o capitalismo, eu já escutei muitas vezes que é quem pariu Mateus que o embale. Ou seja, tem que- [38:49] Pietra Bertolazzi Como é que é? Descul- [38:50] Participante "Quem pariu Mateus que o embale". Não sei se você já chegou a ouvir isso. [38:52] Pietra Bertolazzi Não, não ouvi. [38:53] Participante Eu já escutei muitas vezes. Que na maioria das vezes precariza o trabalho da mãe e na maioria das vezes culpa-culpabiliza mulheres quando elas são abandonadas pelos homens, tendo em vista que o Brasil bate recorde de abandono paternal. [39:05] Pietra Bertolazzi Sim. [39:05] Participante Então quando a gente fala de maternidade, a gente também fala da ausência maternal. A ausência paternal, desculpa. A gente fala da ausência dos homens dentro do trabalho materno. [39:13] Pietra Bertolazzi Não, é que é se-- é que a pauta é outra, né? A, a, a pauta é a seguinte: a mulher bem-sucedida é a mulher que virou mãe. [39:18] Participante Mas a mulher não faz o filho sozinho, então não existe falar sobre maternidade sem envolver os homens nisso. [39:23] Pietra Bertolazzi É óbvio que não. [39:24] Participante Então. [39:25] Pietra Bertolazzi Mas a gente tá só-- a gente tá falando da, da maternida bi-- da, da maternidade biológica. O que eu trouxe inicialmente é a ideia de que a maternidade pode ser biológica ou não. Eu trouxe até o caso de freiras e religiosas, são mulheres que têm filhos espirituais. Ou seja, o fim ontológico natural da mulher- [39:38] Participante Mas você falou de biologia... [39:39] Pietra Bertolazzi É porque você falou que você quer ser mãe de três. [39:41] Participante Sim, porque isso é uma aspiração minha, mas se não acontecer eu vou continuar sendo, eu vou continuar sendo bem-sucedida, porque se eu não tenho dinheiro, o dinheiro pra mim, ó, tá acima de tudo. Se eu não tenho- [39:52] Pietra Bertolazzi O dinheiro está acima de tudo. [39:52] Participante Está acima de tudo, porque se eu não tenho dinheiro, não tem problema. [39:56] Pietra Bertolazzi Então o meu ponto é justamente esse. [40:00] Participante Tudo bem? [40:00] Pietra Bertolazzi Tudo bom? Como você chama? [40:01] Participante Eu sou a Paula Fernanda. [40:02] Pietra Bertolazzi Prazer, Paula. [40:03] Participante Eu tenho quarenta e dois anos. Eu discordo um pouco de-desse tema que você trouxe, porque assim, eu tive filho com vinte e um anos e hoje ele está com vinte anos. É, e infelizmente eu carrego a culpa, porque eu tive que trabalhar muito e estudar. Então eu trabalhava, fazia a faculdade, então eu não tive- [40:25] Pietra Bertolazzi Cê era casada já? [40:26] Participante Sim. E eu não tive tempo pra cuidar do meu filho. [40:30] Pietra Bertolazzi Sim. [40:30] Participante Então assim, hã, os melhores momentos que eu poderia passar com ele, eu não consegui, devido porque eu precisava trabalhar pra sustentá-lo. [40:39] Pietra Bertolazzi Perfeito, você é um exemplo perfeito que corrobora a premissa de que a mulher bem-sucedida é a que virou mãe, porque você não pôde exercer a maternidade de forma integral e perfeita, porque você precisou trabalhar. [40:50] Participante Sim, mas eu não me vejo bem-sucedida hoje. Hoje eu me vejo uma pessoa infeliz. [40:53] Pietra Bertolazzi Perfeito, porque você não pôde exercer a maternidade, porque você teve que trabalhar. [40:57] Participante Exato, sim, então por isso que eu não me vejo uma mulher bem-sucedida. [40:58] Pietra Bertolazzi Mas, mas a gen- a gente tá concordando. A gente tá concordando. [41:01] Participante Não, a gente tá concordando por que? Não, eu não concordo. [41:02] Pietra Bertolazzi Não, você teve um filho, mas não é, não significa que você não exer-- não significa que você exerceu a maternidade da forma como naturalmente ou espiritualmente uma mulher deveria fazer. Entende? [41:11] Participante Uhum. Entendo. [41:11] Pietra Bertolazzi Porque quando a gente fala de maternidade, não é sobre, sobre você parir. A maternidade é uma condição, né, eterna da mulher. [41:16] Participante Sim, sim, eu entendo. [41:17] Pietra Bertolazzi Então a, a gravidez é uma questão. Hoje em dia, infelizmente, as mulheres têm que ter filhos e têm que abandoná-los, hã, com poucos meses, muitas vezes, né, pra voltar ao trabalho, pra ter- [41:27] Participante Mas eu abandonei anos. [41:27] Pietra Bertolazzi Anos? Não, não. Digo, com poucos meses de vida. [41:30] Participante Sim, sim. [41:30] Pietra Bertolazzi E depois tem que ficar anos longe do teu filho. Ou seja, isso faz com que você não exerça a maternidade. [41:34] Participante Sim, por isso que eu me considero- [41:35] Pietra Bertolazzi Que é o teu status quo. [41:36] Participante Por isso que eu me considero uma pessoa não bem-sucedida. [41:38] Pietra Bertolazzi Que não exerceu a maternidade. Se você não tivesse que trabalhar e exercido a maternidade, seria perfeito. Olá. [41:47] Participante Meu nome é Jana, eu sou professora de História e tem uma categoria de mulheres que, na verdade, não, não se atribui a elas, hã, o direito integral de ser mãe, e nem se tem apoio, inclusive religiosamente falando, de serem mães, que são as mulheres lésbicas. [42:09] Pietra Bertolazzi Tá. [42:09] Participante Por exemplo, se eu e minha companheira quisermos ter um filho, a sua religião, na-no caso da sua religião, a gente vai ter apoio dela? [42:18] Pietra Bertolazzi Não. [42:18] Participante E pra onde vai a minha maternidade? [aplausos] [42:24] Pietra Bertolazzi Mas o que cê quer dizer com isso? [42:25] Participante Se pra eu ser bem-sucedida, eu preciso ser mãe, então por eu gostar apenas de mulher, eu vou, eu sou naturalmente mal sucedida. [42:33] Pietra Bertolazzi Mas eu disse, mas você não ouviu o que eu falei inicialmente? Que a maternidade pode, pode ser exercida biologicamente ou não. Ou seja, pelo fato de você ser, é- [42:41] Participante Sim, adoção tá claro pra mim. [42:42] Pietra Bertolazzi Gay, lésbica, cê disse, eu não sei mais os termos que pode usar, que não pode. [42:45] Participante Lésbica, Pietra. [42:46] Pietra Bertolazzi Lésbica. Por você ser lésbica, é, você pode exercer a tua maternidade de outra forma. [42:49] Participante Ok, eu posso adotar. [42:51] Pietra Bertolazzi Você é professora. [42:51] Participante Eu posso adotar uma criança. [42:52] Pietra Bertolazzi Você pode ajudar a educar outras pessoas. [42:55] Participante Não, eu posso adotar, Pietra, uma criança? Posso adotar com a minha esposa? [42:56] Pietra Bertolazzi Ué, tá na digitação que você tá. Ué, teu corpo, tuas regras, não é? Quem sou eu pra- [42:59] Participante E você apoia, Pietra, isso? Pra eu ser mãe, pra eu ser mãe bem-sucedida, já que a gente tá falando sobre isso. [43:04] Pietra Bertolazzi Isso não diz respeito a mim. [43:05] Participante Ah, isso não diz respeito a você, mas foi o que você trouxe aqui. [43:08] Pietra Bertolazzi O quê? [43:09] Participante É a sua afirmação pra mulher ser bem-sucedida, ela precisa ser mãe. [43:11] Pietra Bertolazzi Mas eu não disse que ela precisa biológica. [43:13] Participante Mas aí se eu quiser adotar junto com a minha companheira, você diz que não diz respeito a você. [43:16] Pietra Bertolazzi Não, não, eu tô falando que você pode ser mãe, você pode ser mãe caminhando crianças de outra forma. [43:19] Participante Cê sabe que cê não quer responder, Pietra, porque isso vai afetar a base que te segue, que é uma base que tem preconceito cristã. [43:23] Pietra Bertolazzi Eu não tenho base que me segue, não é preconceito. Existem as regras da igreja, as leis de Deus, que eu não tenho que palpitar ou não, elas independem da minha opinião. [43:31] Participante Ah, então- [43:31] Pietra Bertolazzi É a religião que eu sigo. Eu não posso escolher quais partes do catolicismo eu posso seguir ou não. [43:34] Participante Então eu posso ser bem-sucedida sem ter filhos, se eu, se ou tendo um filho- [43:38] Pietra Bertolazzi Claro, exercendo a maternidade de outra forma. [43:39] Participante Com a minha, com a minha companheira. Com a minha companheira, Pietra? [43:42] Pietra Bertolazzi Bom, não é o que a religião diz. [43:44] Participante Com a minha companheira, Pietra? [43:45] Pietra Bertolazzi A igreja católica não apoia isso. [43:46] Participante Ah, então é só isso, gente, que eu queria falar. [43:48] Pietra Bertolazzi Ué, mas isso corrobora a premissa. Isso... [aplausos]Acho que vocês não en- vocês não entenderam até agora o conceito de maternidade que eu trago aqui, mas tudo bem. Olá! [43:57] Participante Muito linda você- [43:58] Pietra Bertolazzi Obrigada, você é linda também [43:58] Participante Apesar de discordarmos de 99% das coisas. [44:01] Pietra Bertolazzi Olha só, é bastante 99, hein? [44:03] Participante E tá tudo bem. E caso você não saiba, é isso que o feminismo prega, a possibilidade de você discordar de mim, de eu discordar de você. Quando você fala sobre a maternidade, cê pode repetir o tema pra mim, por favor? [44:14] Pietra Bertolazzi Mulher bem-sucedida é mulher que vira mãe. [44:17] Participante E a mulher que não consegue ser mãe? [44:19] Pietra Bertolazzi Ela é uma exceção, mas isso não exclui o fato de que pra ela ser bem-sucedida, o ideal seria que ela fosse mãe. [44:24] Participante Mas não é uma escolha dela. Ela geneticamente não pode ser mãe, mas tudo bem. [44:28] Pietra Bertolazzi Tudo bem, mas, mas, mas isso não muda o fato. Assim, ou seja, ela tem, se ela não pode ter bebê, ela tem um defeito. [44:33] Participante Então ela, ela tem um defeito. [44:34] Pietra Bertolazzi É claro. [44:35] Participante Ela já nasceu, é, sem sucesso. [44:36] Pietra Bertolazzi Um, ó, um corpo, um corpo que não, ela, vamo lá, se a mulher não pode ter filhos. [44:40] Participante Uhum. [44:40] Pietra Bertolazzi Isso eu digo assim com todo o meu coração, eu conhe-eu conheço mulheres que não podem ter, mas é, ué, mas as minhas palavras- [44:45] Participante Coitadas, mal sucedidas. [44:45] Pietra Bertolazzi Sim, infelizmente, e eu me compadeço- [44:47] Participante Só porque elas não te geraram. [44:48] Pietra Bertolazzi Não, não, só que olha só, elas podem exercer a maternidade de outra forma e ser muito bem sucedidas. Elas podem não só adotar, como elas podem ter filhos espirituais. [44:55] Participante Então se pode exercer a maternidade de outra forma, nem podia existir essa pauta, porque já tá resolvido. [44:58] Pietra Bertolazzi Mas tem mulheres que não- [44:58] Participante Se você concorda que a mulher bem-sucedida não só é criando um filho, mas sendo uma mãe de pet, mas criando alguém. [45:03] Pietra Bertolazzi Não, mãe de pet, não, né? [45:04] Participante Então, gente, tinha mais o que discutir. [45:05] Pietra Bertolazzi Eu não tô falando de mãe de cachorro. [45:07] Participante Eu acho, eu sou mãe de pet. [45:07] Pietra Bertolazzi Eu discordo de você, então, mas eu não acho que você possa ser, eu não acho que um pet, eu não acho que você possa se, realizar a tua maternidade sendo mãe de um pet, porque ele não é um ser humano, ele não te dá- [45:16] Participante Certo, certo. [45:16] Pietra Bertolazzi Você não [risos]- [45:17] Participante Tá, então vamo entrar em outro e vamos, é, interpretar tudo isso que a gente falou entrando com outro contexto. Na sua concepção única e exclusivamente, a, o sucesso da mulher depende de gerar um filho. [45:31] Pietra Bertolazzi Não, depende dela exercer a maternidade. É o filho, é um filho, ó, vamo lá, é uma questão ontológica. Isso aí é São Tomás, é, Aristóteles. Vão falar, to-tudo que é criado tem um fim último, certo? Tipo, uma faca é feita pra cortar. Se aquela faca não corta, ela tem um defeito, certo? O corpo da mulher tem um útero que deve funcionar direito, tem o, tem todo um sistema reprodutor. [45:51] Participante Mas que ele pode não funcionar e não depende dela. [45:52] Pietra Bertolazzi E aí, é um defeito. Aí ele tem um defeito, entende? E não é a regra, é exceção. E mesmo assim a mulher pode exercer a maternidade dela de várias outras formas. [45:59] Participante Então, se eu escolho não maternar, eu já sou mal sucedida. [46:02] Pietra Bertolazzi Eu, eu, tá, sim. [46:03] Participante Na sua concepção, a mulher só é bem-sucedida se ela maternar. [46:06] Pietra Bertolazzi Exato. [46:06] Participante E se na minha concepção a mulher só é bem-sucedida se ela for casada. Você é casada? [46:10] Pietra Bertolazzi Não, não sou casada. [46:11] Participante E eu não sou mãe. [46:12] Pietra Bertolazzi Não, mas é teu direito. [46:13] Participante Então eu sou mal sucedida pra você e você é mal sucedida pra mim. [46:15] Pietra Bertolazzi Pode ser que sim. [aplausos] Qual que é o problema? Mas, mas cês não tão entendendo. [46:18] Participante É, o problema é que você é uma feminista, mas não sabe. [46:21] Pietra Bertolazzi Não, não sou. [46:22] Participante Porque você é independente, você é mãe solteira. [46:24] Pietra Bertolazzi Não sou. Infelizmente. [46:25] Participante Você não tem marido. [46:26] Pietra Bertolazzi Eu não tenho escolha. [46:26] Participante Você tem o direito de falar aqui. [46:27] Pietra Bertolazzi Eu não tenho escolha. [46:28] Participante Mas você alimenta aí na internet que as mulheres não podem ser o que você é. [46:32] Pietra Bertolazzi Todas as mulheres falaram muito antes do feminismo. [46:34] Participante É tipo, faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. [46:35] Pietra Bertolazzi Não, não é. Todas as mulheres faziam o que eu fazia. Todas as mulheres já faziam o que eu faço. Não adianta você achar que cê lacrou, porque cê não lacrou. Você não trouxe nenhum argumento sólido. [46:44] Participante Igualmente, eu também acho. Eu também acho. [46:45] Pietra Bertolazzi Então pronto. A desigualdade salarial entre homens e mulheres não existe. [efeito sonoro] Olá, tudo bom? Como cê chama? [46:58] Participante Eu sou a Simone Nascimento. [47:00] Pietra Bertolazzi Prazer, Simone. [47:00] Participante Eu sou da bancada feminista. Nós somos o mandato de mulheres mais votados do Brasil em 2022. [47:05] Pietra Bertolazzi Que legal. Hum. [47:07] Participante É, Pietra, a nossa pauta principalmente é a classe trabalhadora, assim. Então eu queria te perguntar, é, dentro dessa pergunta da desigualdade salarial, qual classe social você se entende? [47:17] Pietra Bertolazzi Eu? [47:18] Participante É. [47:19] Pietra Bertolazzi Hã, média-alta. [47:20] Participante Média-alta? É, cê imagina assim que o Brasil tem uma pirâmide social. E aí nessa pirâmide social econômica, vários economistas mostram isso, desenham inclusive. O topo dessa pirâmide são os homens brancos, eles historicamente ganham mais, tá no IBGE. [47:35] Pietra Bertolazzi Ah, uh, se tá no IBGE é porque é verdade. [risos] [47:38] Participante Tá no IBGE. Depois vem as mulheres brancas. [47:40] Pietra Bertolazzi Hã. [47:41] Participante Depois os homens negros. [47:42] Pietra Bertolazzi Tá. [47:42] Participante E na base dessa pirâmide- [47:43] Pietra Bertolazzi Eu já vi isso [47:44] Participante ...estão as mulheres negras. As mulheres negras aga-- às vezes ganham metade do que um homem branco ganha no Brasil. Então há desigualdade- [47:51] Pietra Bertolazzi Mas exercendo o mesmo trabalho, a mesma carga horária? [47:53] Participante Muitas vezes, muitas vezes. [47:54] Pietra Bertolazzi É porque e-essa narrativa não se sustenta. [47:56] Participante Então, não só pra terminar, é, então existe sim desigualdade salarial, inclusive as mulheres negras ganham absurdamente menos na história do Brasil. [48:02] Pietra Bertolazzi Exercendo o mesmo serviço? [48:03] Participante O mesmo serviço. [48:04] Pietra Bertolazzi A mesma carga horária? [48:05] Participante A mesma função. [48:05] Pietra Bertolazzi Então por que que essas empresas não contratam só mulheres? [48:07] Participante Porque existe uma diversidade grande no mundo do trabalho e tem empresas que fazem uma discussão- [48:12] Pietra Bertolazzi É, vem cá [48:12] Participante ...de ter mais vagas pras mulheres, mas não são todas. [48:14] Pietra Bertolazzi Qual que é o objetivo da empresa? Não é lucrar? [48:16] Participante É lucrar. [48:16] Pietra Bertolazzi Se uma mulher exerce o mesmo trabalho que o homem, se ela entrega a mesma coisa que o homem, na mes-na mesma categoria, na mes-, né, tamo falando da, da mesma li- da mesma profissão, por que que a empresa não contrata só mulher se ela vai entregar a mesma coisa que o homem por menos? [48:28] Participante Mas cê sabe que tem uma lei chamada Trabalho Igual, Salário Igual, da atual gestão de Presidência da República, né? [48:33] Pietra Bertolazzi Olha- [48:33] Participante Essa lei é porque existe um problema social. [48:36] Pietra Bertolazzi Sim. [48:36] Participante As mulheres ganham menos. [48:36] Pietra Bertolazzi Tem o artigo 461 da CLT, que já diz- [48:39] Participante As mulheres ganham menos [48:39] Pietra Bertolazzi ...que, que já, já, não, tem, tem, tem hoje duas formas de você processar uma empresa por isso. Tem o artigo 461 da CLT e tem a lei 14.611 de 2023, que é essa que você diz do, do governo atual. [48:49] Participante Trabalho Igual, Salário Igual. [48:50] Pietra Bertolazzi Exatamente. Ou seja, uma empresa- [48:51] Participante Se a lei existe é porque tem um problema, né? [48:52] Pietra Bertolazzi Mas cadê, mas eu não conheço nenhuma empresa que foi processada. [48:54] Participante Você não conhece nenhuma mulher que ganha menos pelo mesmo posto que- [48:56] Pietra Bertolazzi Não conheço. Ninguém nunca- [48:57] Participante Eu conheço várias [48:58] Pietra Bertolazzi Me fala um exemplo, que exerce, que tem a mesma formação, que exerce a mesma carga horária. [49:02] Participante A minha mãe- [49:02] Pietra Bertolazzi Que tem o mesmo tempo de, de função. [49:03] Participante A minha mãe foi empregada doméstica e cozinheira muitos anos. [49:06] Pietra Bertolazzi Tá. [49:07] Participante E um homem cozinheiro, sabe quanto ganha um homem cozinheiro? [49:09] Participante R$3.000. Sabe quanto ganha uma mulher negra cozinheira? Às vezes um salário mínimo. [49:12] Pietra Bertolazzi Mas você tá falando baseado em quê? [49:14] Participante Na minha vida e na vida da maioria das mulheres brasileiras, Pietra. [49:17] Pietra Bertolazzi Não, mas pera aí, mas pera aí. Isso aí varia muito, depende da região. [49:19] Participante Não varia. Isso é classe trabalhadora. [49:20] Pietra Bertolazzi Salário de empregada doméstica varia a região. [49:22] Participante Isso é classe trabalhadora. [49:22] Pietra Bertolazzi Depende do tempo que ela fica, depende de quantas conduções ela toma, depende de um monte de coisa. [49:26] Participante Pietra, você acredita na monarquia, certo? Você acredita na monarquia, certo? [49:29] Pietra Bertolazzi Eu defendo o sistema monárquico, sim. [49:30] Participante No sistema monárquico existe a galera que é da monarquia, a burguesia e os servos. [49:33] Pietra Bertolazzi Não existe monarquia hoje, cê sabe. [49:35] Participante Não, lá atrás, né, na, na época que ela existia. [49:37] Pietra Bertolazzi É porque- [49:38] Participante Esse sistema, esse sistema, inclusive, da monarquia, escravizou por quase quatro séculos- [49:42] Pietra Bertolazzi Não, não escravizou, não escra- [49:43] Participante Os meus ancestrais que não eram remunerados. [49:45] Pietra Bertolazzi Ah, perdão, tudo que cê tá falando, cara. [49:46] Participante Eu tô falando de racismo estrutural e de desigualdade salarial. [49:48] Pietra Bertolazzi Ah, por que que cê tá falando de racismo estrutural, a gente tá falando de salário, de disparidade salarial. [49:52] Participante Porque a maior parte das mulheres são negras e ganham menos. [49:53] Pietra Bertolazzi A gente tá falando já-- Veja, a gente tá falando-- Ó, não vamo, não vamo segmentar, porque senão a gente vai ficar maluco aqui. [49:55] Participante A maior parte é do IBGE. [49:56] Pietra Bertolazzi Tamo falando de homens e mulheres. [49:58] Participante Não sei como segmentar. A maior parte da sociedade brasileira são de mulheres negras e elas ganham menos, tá na pirâmide do IBGE. [50:03] Pietra Bertolazzi E por que que, por que que elas não processam essas empresas então? [50:05] Participante Você pode consultar no Google depois. Porque muitas vezes elas sofrem opressão do patrão. Hoje, inclusive, tá em discussão o fim da escala seis por um. [50:10] Pietra Bertolazzi Mas isso, mas isso tá no campo das ideias. Eu preciso-- Mas cadê as provas disso? [50:13] Participante Não é ideias, não. [50:14] Pietra Bertolazzi Cadê a prova? [50:14] Participante No próprio dia primeiro de maio vai ter ato no Brasil todo pelo fim da escala seis por um. [50:17] Pietra Bertolazzi Porque a gente não consegue medir, a gente não consegue medir esses dados, essas premissas. Se a gente tiver algum, alguma coisa cadastrada. [50:22] Participante Tem dado, tem dado que eu tô te falando. Dá um Google no IBGE. [50:22] Pietra Bertolazzi Se você tá falando que são oprimidas, elas não tão colocando isso em nenhum, em nenhum dado. [50:25] Participante Não, claro que tão. [50:25] Pietra Bertolazzi Não tem fonte de, de dados sobre isso. [50:27] Participante Existe, ó, existe Sindicato de Trabalhadora Doméstica. [50:29] Pietra Bertolazzi Cê tá fazendo uma retórica. [50:30] Participante Existe o movimento Vida Além do Trabalho que tá discutindo. [50:32] Pietra Bertolazzi Mas cadê as provas de que elas ganham menos do que homens? [50:34] Participante Tá nos dados do IBGE. [50:35] Pietra Bertolazzi Mas cadê? [50:36] Participante Eu tô te falando, cê dá um Google depois. Cê deveria saber disso. [50:38] Pietra Bertolazzi Isso que eu dei. É que eu tive, é que eu tive um debate-- Ex-exato, eu vi há duas semanas um debate sobre isso. Eu fui pesquisar, não existe registro, nem, não tem. [50:43] Participante Existe, sim, tá no IBGE. Mulheres negras ganham menos na pirâmide social. [50:47] Pietra Bertolazzi Exercendo o mesmo trabalho? Não, elas tão exercendo outro trabalho. [50:50] Participante E a gente precisa-- Exercendo o mesmo trabalho. [50:50] Pietra Bertolazzi Muitas vezes elas têm que, por exemplo, eu tenho uma funcionária que muitas vezes ela falta, muitas vezes ela não consegue ir, muitas vezes ela falta. [50:56] Participante Muitas mulheres, muitas mulheres têm filhos e depois são mandadas embora por terem filhos. [51:00] Pietra Bertolazzi A empresa é processada se ela faz isso. [51:01] Participante Quando ela consegue garantir essa processo trabalhista. Cê sabe que a sociedade é desigual. [51:05] Pietra Bertolazzi Sim, mas todas conseguem. Aliás, se tem um sindicato que funciona é o trabalhista hoje no Brasil. [51:09] Participante Pelo fim da escala seis por um. [51:10] Pietra Bertolazzi É a única, a única, a única, o único sindicato que trabalha, que funciona no Brasil é o trabalhista. Olá de novo. [51:17] Participante É, deixa eu te fazer uma pergunta. É, de, quando você afirma, é, pra mim desculpa se eu respeito um absurdo desse, você afirma baseado em quê? [51:29] Pietra Bertolazzi Baseado em dados. [51:30] Participante De onde cê tirou isso? [51:31] Pietra Bertolazzi Da internet inteira. Se você pega, inclusive, é, baseada na lei também, né, porque nós temos duas leis hoje que proíbem empresas de- [51:38] Participante É que sabe o que acontece? [51:39] Pietra Bertolazzi De, de, de pagar mais pra homens e, aliás, não pagar nem pra homens e mulheres, né? [51:43] Participante Assim como proíbem também, é, exatamente. [51:43] Pietra Bertolazzi Só que assim, eu pesquisei recentemente as empresas que tão sendo processadas por pagar menos pra mulheres do que pra homens. [51:48] Participante Não, não. [51:48] Pietra Bertolazzi Quando a gente vai ver, essas mulheres tão trabalhando há muito mais tempo, elas não têm as mesmas formações que os homens que ela, que elas tão processando ou que tão ganhando mais do que elas. Elas não têm uma série de pré-requisitos básicos pra você considerar desigual o pagamento do salário. [51:59] Participante Você tá quase dizendo aqui, é, e eu tô [52:03] Pietra Bertolazzi Que, que uma, que sim, que uma pessoa que trabalha há mais tempo numa empresa, uma empresa, uma pessoa que tem mais formação do que a outra merece ganhar mais. Sim, tô. [52:08] Participante Não, não, não. Vamo fazer disso um diálogo agora. [52:09] Pietra Bertolazzi Tô dizendo isso. É. [52:11] Participante É, o que acontece, você tá, você está dizendo, primeiramente, que por mais que a mulher se esforce, ela nunca vai se igualar ao um que o, ao que o homem consegue fazer, um. [52:22] Pietra Bertolazzi Pelo contrário, é onde, de onde cê tirou isso? Inclusive, tem um, não sei se você conhece o economista chamado Thomas Sowell. [52:26] Participante Não, assim como a nossa colega disse, não, eu, ah- [52:27] Pietra Bertolazzi Ele escreveu um livro, ele tem, ele tem um estudo que ele comprova que mulheres na faixa dos quarenta anos, que nunca se casaram e não tiveram filhos, em cargos de liderança, ganham inclusive mais do que homens. [52:38] Participante É que esse tempo nós, esse tempo nós não vamos ter, mas a gente po-poderia passar quarenta e oito horas falando sobre isso. [52:43] Pietra Bertolazzi Concordo, porque cê não vai conseguir me convencer, porque tá aí uma fala que eu não percento. [52:46] Participante Eu teria um imenso prazer. Mas agora nós estamos falando sobre o assunto de igualdade salarial. [52:51] Pietra Bertolazzi Exatamente. [52:51] Participante A nossa colega citou aqui um fato familiar, é, muito, muito, é, próximo na, na, na vida dela. Eu tenho na minha família, eu agradeço. [53:01] Pietra Bertolazzi Mas qual foi o fato familiar que ela trouxe? [53:02] Participante Qual é a, um, uma cozinheira, ela acabou de dizer pra você, uma cozinheira hoje, negra, ganha bem menos. [53:09] Pietra Bertolazzi É que não tem como cê trazer isso. [53:11] Participante Não, não, não, porque assim- [53:11] Pietra Bertolazzi Não tem como cê provar isso, porque você não sabe quais custos esse cozinheiro fez pra ele ganhar mais. [53:15] Participante Não, não, não, não. [53:15] Pietra Bertolazzi Você não sabe qual a experiência que ele tem pra ele ganhar mais. [53:18] Participante Eu posso falar, Pietra? [53:18] Pietra Bertolazzi Você não sabe, você não sabe o que ele entrega pra ele ganhar mais. [53:21] Participante Ô Pietra, eu posso falar? [53:22] Pietra Bertolazzi É o tipo de traba-- Esse trabalho, esse tipo de trabalho mais doméstico, você ganha o quanto você entrega. [53:25] Participante Você, é, infelizmente eu não consegui expor. [53:33] Pietra Bertolazzi Só não grita, tá? [53:34] Participante Bom, Pietra, ééé, eu sei que tá claro aqui que você ignora os dados, né, mas mesmo assim eu vou tentar trazer alguns pra gente- [53:40] Pietra Bertolazzi Não, eu trouxe dados aqui, Thomas Sowell, eu trouxe tudo, trouxe leis. [53:41] Participante Eu vou tentar trazer alguns pra gente começar o debate, tá? [53:44] Pietra Bertolazzi Vai. [53:45] Participante Em geral, uma mulher trabalha quase dez horas a mais por semana do que um homem, né? [53:49] Pietra Bertolazzi De qual profissão cê tá falando? [53:50] Participante É, em, em jornadas-- Qualquer profissão, isso é um dado geral. As mulheres, e ó- [53:53] Pietra Bertolazzi Da onde esse dado? [53:54] Participante É um dado do IBGE. Aí você pode duvidar do IBGE, porque você- [53:56] Pietra Bertolazzi O IBGE tá dizendo que mulheres trabalham dez horas a mais que homens? [54:00] Participante Sim, por se, é, por semana, em, devido a jornadas duplas, triplas, que muitas vezes as mulheres fazem com o trabalho doméstico. [54:07] Pietra Bertolazzi Mas, mas cê tá falando que-- Pera aí, pera aí, você tá falando que todas as mulheres, você tá falando que todas as mulheres- [54:09] Participante Eu vou terminar de ler os dados. Em média. Não, não é todas, é porque quando a gente fa-- vou te explicar como funciona uma pesquisa. [54:13] Pietra Bertolazzi Tá bom, uma média. As mulheres trabalham dez horas a mais que os homens? [54:14] Participante A pesquisa, a gente vai lá e faz uma pesquisa com um grupo de mulheres e homens, a partir daí chega a conclusões, né? [54:20] Pietra Bertolazzi Aham. [54:20] Participante Então isso é uma pesquisa, não é todas as mulheres. [54:22] Pietra Bertolazzi E essa pesquisa tá dizendo que os homens, que as mulheres trabalham dez horas a mais- [54:24] Participante Esse é um dado, em média, as mulheres trabalham dez horas a mais. Próximo dado, a mulher negra no Brasil- [54:28] Pietra Bertolazzi Elas podem processar as empresas, cê sabe, né? [54:29] Participante As mu-- eu vou chegar nesse ponto. [54:30] Pietra Bertolazzi Aham. [54:30] Participante Uma mulher negra no Brasil recebe em média menos da metade, cerca de quarenta e quatro a quarenta e seis por cento do salário de um homem branco É, então assim, Pietra, aí você vem dizer que bom, então me diz- [54:39] Pietra Bertolazzi Mas qual trabalho eles tão falando? Porque não é, é que não adianta- [54:42] Participante Não, eu vou explicar de novo o que acontece com a pesquisa [54:43] Pietra Bertolazzi ...essa pesquisa, não adianta você entrevistar uma funcionária, uma, uma empregada doméstica e um CEO de uma empresa e achar que faz sentido você colocar tudo no mesmo bolo, porque é isso que essas pesquisas fazem. [54:52] Participante Tá, então vou te explicar o que acontece, tá? A maioria das mulheres não ocupam cargo de CEO, majoritariamente são os homens. Isso é um dado importante. [54:58] Pietra Bertolazzi Uhum. Sim. [54:59] Participante Né? Por isso que é uma pesquisa, pega vários grupos e chega a essa conclusão. [55:02] Pietra Bertolazzi Exatamente, só que não faz sentido misturar todas as profissões juntas, né? [55:05] Participante É, faz sentido, né, gente? Porque as mulheres tão menos nos cargos que recebem mais. Mas mesmo assim- [55:10] Pietra Bertolazzi Mas elas escolhem muitas vezes isso, né? Você sabe que mulheres muitas vezes abandonam a profissão porque elas querem cuidar dos filhos. [55:15] Participante Não escolhe, não. [55:15] Pietra Bertolazzi Eu mesma, eu, eu priorizei cuidar da minha filha. [55:17] Participante É, você é uma mulher privilegiada. Eu sou uma professora- [55:18] Pietra Bertolazzi Mas eu conheço muitas mulheres que não são privilegiadas e escolheram não ficar em casa [55:21] Participante ...eu sou uma professora e as mães dos meus bebês, elas precisam trabalhar em escala seis por um, perdem parte importante, porque elas precisam escolher entre tá ali e dar comida. Mas essa não é a pauta. [55:27] Pietra Bertolazzi Sim, concordo. Sim, mas aí são outros clientes, tá. [55:29] Participante Essa foi a pauta anterior. Que 54 mil empresas pagam menos pra mulheres do que pra homens no mesmo cargo. Sabe por que você- [55:36] Pietra Bertolazzi É, esse da- esse dado, ele é totalmente enviesado. [55:38] Participante Não, não. Esse é o- [55:38] Pietra Bertolazzi Eu li sobre isso ainda essa semana [55:39] Participante ...sabe por que você não sabe o nome de nenhuma? [55:41] Pietra Bertolazzi Ele é enviesado. [55:41] Participante É, é que quando você não concorda com o dado, ele é enviesado. [55:43] Pietra Bertolazzi Os poucos nomes que eu pesquisei-- então, é porque não dá. [55:45] Participante Não tem nome. [55:46] Pietra Bertolazzi Esses dados não faz sentido, porque quando você pega uma empresa e processa a empresa porque ela paga mais pro homem do que pra mulher, porque você pegou uma média, não faz sentido, porque muitas vezes esse cara tem uma pro- [55:54] Participante Então, é Pietra... [55:54] Pietra Bertolazzi Tem uma, tem uma formação de mais anos, ele tem mais especializações, ele tem mais tempo de empresa. [55:59] Participante Sim, é porque você entende que você pega, você fala que você- [56:00] Pietra Bertolazzi Você não tem como equiparar o que o homem faz e a mulher, de-depen-dependendo do, do estudo [56:02] Participante ...você entende que você pega todos os dados e você diz que nenhum deles é verdadeiro, sendo que todos os dados que a gente tem- [56:07] Pietra Bertolazzi Não, não são todos. Esses são bizarros [56:08] Participante ...a gente chega à conclusão, todos, Pietra, chega à conclusão que os homens recebem mais do que as mulheres. Sabe por que a gente não tem- [56:14] Pietra Bertolazzi E por que que não processa então, quando os processos- [56:15] Participante Elas são processadas. E por que a gente não tem o nome dessas 54 mil empresas? [56:18] Pietra Bertolazzi Então resolveu então. [56:19] Participante Porque alguns partidos entraram com o pedido pra que o STF não divulgue a lei de igualdade salarial. É uma lei dentro dessas- [56:27] Pietra Bertolazzi E desde quando o STF defende o pessoal que defende isso? [56:28] Participante De-- essa lei é uma lei que é, seria pra divulgar os nomes e pra ter igualdade salarial. Essa foi um pedido de entrada de partido de direita e por isso não é divulgado. [56:35] Pietra Bertolazzi Ah, se processou, a empresa tem que pagar. Já não resolveu o assunto? [56:38] Participante Agora, o dado concreto é esse. Por outro lado, Pietra, tem mulheres que- [56:40] Pietra Bertolazzi Resolveu, não resolveu? [56:41] Participante A gente, a gente mora num país- [56:42] Pietra Bertolazzi Não tem uma lei pra defender já isso? [56:43] Participante Que tem uma história que eu vou te contar. Eu vou te contar uma história. [56:45] Pietra Bertolazzi Responde, resolveu ou não resolveu? [56:46] Participante Deixa eu te falar uma história, Pietra. [56:47] Pietra Bertolazzi Resolveu ou não resolveu? [56:48] Participante Você fala que as mulheres não recebem menos. [56:49] Pietra Bertolazzi Já não tem o STF protegendo isso? [56:50] Participante E a gente mora num país que tem uma mulher que chama Sônia, que vive- [56:52] Pietra Bertolazzi Você quer falar ou você quer conversar? Você fez uma pergunta. Já não resolveu? [56:54] Participante Por que que você não deixa eu terminar de falar? Você nega todos os fatos que eu trago. [56:56] Pietra Bertolazzi Não, é porque você quer fazer um monólogo. Você quer fazer um monólogo, você quer trazer uma pesquisa bizarra do IBGE que compara CEO com empregada doméstica. Aí não dá, né? [57:04] Participante Você diz que a gente não pode confiar em relatórios do governo. [57:04] Pietra Bertolazzi É óbvio que a empregada doméstica ganha menos que o CEO. Da mesma forma, a mulher CEO pode ganhar mais do que um homem CEO. [57:09] Participante Então, Pietra, mas você nega todos os fatos e você não tem nenhum fato que comprova que as mulheres, nenhuma das pesquisas. [57:15] Pietra Bertolazzi E você nega que a mulher muitas vezes não quer trabalhar tanto quanto o homem. [57:16] Participante As mulheres no Brasil, inclusive em várias vezes, vivem em situação análogo à escravidão. A gente tem uma mulher que chama Sônia Maria de Jesus. [57:23] Pietra Bertolazzi Escravidão? [57:23] Participante Pesquisa Sônia Maria de Jesus. [57:24] Pietra Bertolazzi Hã. [57:24] Participante Ela é uma mulher negra e surda, que foi dada como morta por décadas pela família. Depois a família descobriu que ela está- [57:29] Pietra Bertolazzi Você tá pegando um caso específico, uma exceção. [57:31] Participante Não é específico, não é exceção. [57:32] Pietra Bertolazzi Eu não conheço o caso, mas isso que cê tá falando é um amor. Isso não é regra. [57:33] Participante Todos os anos a gente vê caso de trabalho análogo à escravidão. Sônia Maria- [57:37] Pietra Bertolazzi E homens também. Por que que cê acha que homens também não passam por isso? [57:38] Participante Homens também, inclusive, homens precários. [57:40] Pietra Bertolazzi Então por que que, então por que que cê tá comportando que a, a coisa é igual entre os dois? É igual? [57:43] Participante Essa escravidão, essa escravidão, que é uma herança da época monárquica do Brasil, que você tanto defende, que hoje ainda existe no capitalismo. [57:49] Pietra Bertolazzi Eu não defendo, eu não defendo o Brasil Império. [57:51] Participante Você é monarquista, tudo bem. [57:52] Pietra Bertolazzi Sim, monarquista, mas quem disse que eu defendo a monarquia brasileira? [57:54] Participante Mas é isso que significa. E Sônia Maria é uma mulher negra que não recebe salário e ainda está na casa do seu, né, entre aspas, dono, porque ele se sente assim dela. Essa é a realidade das mulheres. Você fecha seus olhos pra realidade das-- não é a exceção. [58:04] Pietra Bertolazzi Cê tá trazendo uma exceção pra falar que é a realidade de toda mulher, da maioria das mulheres. [58:08] Participante Essa é a realidade das mulheres. [58:09] Pietra Bertolazzi É sério isso? Tá falando que a maior parte das mulheres são escravizadas no Brasil, é isso que cê tá me dizendo? [58:14] Participante A massa de mulheres, elas são, não são escravizadas. [58:14] Pietra Bertolazzi É isso que cê tá me dizendo? Que a maioria das mulheres é escravizadas? [58:16] Participante Mas a gente vê no Brasil um trabalho que é um trabalho extremamente precário pras mulheres. [58:21] Pietra Bertolazzi E pros homens, não? [58:22] Participante Inclusive, pras mulhe-- principalmente pras mulheres negras. [58:24] Pietra Bertolazzi E os homens, 90% dos homens que preenchem os cargos de- [58:27] Participante Isso é fruto de um racismo estrutural no nosso país [58:28] Pietra Bertolazzi ...racismo? [58:29] Participante Um racismo estrutural. [58:30] Pietra Bertolazzi Quantas mulheres tão trabalhando no esgoto? [58:32] Participante As mulheres negras- [58:32] Pietra Bertolazzi Quantos homens tão trabalhando na mina de carvão? [58:34] Participante Pietra, Pietra. [58:34] Pietra Bertolazzi Quantos homens, quantas mulheres tão trabalhando na, como eletricista? [58:37] Participante Novamente, você usa de uma forma hipócrita os homens em trabalho precário pra se contar contra as mulheres. [58:38] Pietra Bertolazzi Quantas mulheres tão trabalhando como pedreiro? Quantas mulheres tão trabalhando como motorista de caminhão, de ônibus? Quantas mulheres? [58:44] Participante Eu tô-- nós, nós feministas estamos ao lado de cada um desses homens. [58:46] Pietra Bertolazzi É a minoria, é a minoria. [58:47] Participante Desses homens que sofrem. As mulheres trabalhadoras domésticas- [58:49] Pietra Bertolazzi Só não sofrem porque elas tão trabalhando, trabalhando dignamente, recebendo salário [58:52] Participante ...70% são negras. [58:52] Pietra Bertolazzi Tão trabalhando dignamente, por que que sofrem? [58:54] Participante 70% são negras das mulheres de trabalho doméstico. [58:56] Pietra Bertolazzi Que bom, tem um trabalho. [58:57] Participante E a grande maioria não tem nem carteira assinada. Essa é a realidade do Brasil. [59:01] Pietra Bertolazzi O que que isso tem a ver? O que que isso tem a ver com a premissa? [59:02] Participante Isso tem a ver com o salário menor. [59:04] Pietra Bertolazzi Não, não tem a ver com isso. [59:05] Participante Você não traz nenhum dado, Pietra. [59:07] Pietra Bertolazzi Porque homens também têm salário baixo. O pedreiro não ganha muito. [59:09] Participante Então, é muito fácil pra você, quando você nega todos os dados, pra tirar uma ideia da Pietrolândia, da sua cabeça. [59:10] Pietra Bertolazzi Um cara, um cara que trabalha com, um cara que trabalha em mineração de carvão, de carvão, não é- [59:15] Participante Uma realidade que só existe na sua cabeça. [59:17] Pietra Bertolazzi É, só na minha cabeça. [59:19] Participante Arrasou! [59:21] Pietra Bertolazzi Olá, você não veio ainda. Como cê chama? [59:25] Participante Circe. [59:26] Pietra Bertolazzi Ceice? [59:26] Participante Circe. [59:27] Pietra Bertolazzi Circe, prazer, Circe. [59:28] Participante Você pode repetir a pauta de novo? [59:31] Pietra Bertolazzi A desigualdade salarial entre homem e mulher não existe. [59:34] Participante Bom, eu não queria trazer dados, eu queria trazer uma experiência, tanto quanto mulher trans como mulher mesmo, porque eu não me baseio só nesse fato, nesse, nessa, nesse nome de trans. Eu também sou uma mulher. É, como cê falou que as pessoas elas pegaram como uma faxineira, como se, um cozinheiro grande. [59:50] Pietra Bertolazzi Uhum. [59:50] Participante Então, na, eu vou, eu dito na Bahia, que, que é onde eu vim. Eu fiz um curso, é, de auxiliar de necrópsia, eu fiz necromaquiagem, fiz tudo, e tentei me ingressar nessa área lá de, lá na Bahia, mas eles não quiseram me aceitar. Não foi por causa de transfobia, nada do tipo, porque eles não chegaram nem a saber que eu era trans. [1:00:08] Pietra Bertolazzi Uhum. [1:00:08] Participante Era realmente porque eles não queriam- [1:00:09] Pietra Bertolazzi Eu queria falar, você nem parece. [1:00:10] Participante Obrigada. Mas eu não sei se é um elogio. [1:00:12] Pietra Bertolazzi Não, não é elogio. [1:00:13] Participante O "não parecer". Mas agradeço o elogio de qualquer forma. Então, tipo assim, eles não quiseram me por porque, tipo, a mulher não pode exercer isso, porque ela fracassa, sendo que eu fui pesquisar sobre isso, as, os caras lá dentro, eles não têm nem esse curso. Eu tive um curso preparatório, eu estudei pra tá ali, eu estudei pra fazer aquilo, estudei pra falar, pra fazer, pra preparada pra tá lá. E eles nem tiveram, eles não quiseram me por lá só por ser mulher [1:00:37] Pietra Bertolazzi Mas cê não acha que tem a ver também, é, né, né, necrópsia tem a ver, né, com você lidar com questões- [1:00:41] Participante Isso [1:00:42] Pietra Bertolazzi ...é, é meio pesado emocionalmente. [1:00:43] Participante Aham. [1:00:43] Pietra Bertolazzi Poxa, é uma área bem pesada emocionalmente, né? [1:00:46] Participante É. [1:00:46] Pietra Bertolazzi E mulheres são mais sensíveis, querendo ou não, né? Eu acho que, acho que não é uma questão de preconceito, é uma questão de, é, e deve existir de alguma forma uma experiência até das pessoas que trabalham com isso, de falar: "Olha, mulheres geralmente não seguram, não seguram a onda por muito tempo nessa, é, é, né, nessa profissão específica- [1:01:00] Participante É, mas aí- [1:01:01] Pietra Bertolazzi ...porque lida com muitas questões emocionais- [1:01:03] Participante Uhum [1:01:03] Pietra Bertolazzi ...é uma coisa meio pesado até. Não sei qual que era o traba-- cê falou de maquiagem, né? [1:01:06] Participante Isso, maquiagem. [1:01:06] Pietra Bertolazzi Mas cê tinha que também vestir e tudo mais. [1:01:08] Participante Isso. [1:01:08] Pietra Bertolazzi E eu, eu já vi, eu já, já, eu sei como é essa coisa de vestir, é, um, um defunto, tal. É uma coisa também que exige uma força física maior. Eu imagino que o fato de eles não quererem colocar uma, uma mulher nesse trabalho tenha a ver com uma experiência que eles possam ter tido com mulheres que abandonaram a rua dessa profissão. [1:01:23] Participante Não cê não acha que isso é general-generalizar as mulheres de uma certa forma? Porque uma não conseguiu, todas não dá. [1:01:26] Pietra Bertolazzi É, generalizar, mas assim, imagina, imagina que, eu não sei, tô supondo, tá? [1:01:29] Participante Tá, tudo bem. [1:01:29] Pietra Bertolazzi Que, que essas pessoas, os donos dessa, dessa empresa, é, tenham tido uma experiência com cinco mulheres. É, aí na sexta mulher ele fala: "Poxa vida, outra mulher a gente vai perder, em dois meses ela vai embora". Então é mais fácil contratar homem, que homem geralmente fica aqui dez anos, entende? Não, tô supondo porque você trouxe uma, um caso de uma profissão específica que- [1:01:44] Participante Isso [1:01:44] Pietra Bertolazzi ...eu entendo que mulheres sejam mais sensíveis, entendeu, a respeito. Não sei, é a forma como eu enxergo. [1:01:49] Participante Sim, não enxergo. [1:01:50] Pietra Bertolazzi E aí não existe a questão da dispar-da disparidade salarial, né? É uma questão de não quero uma mulher aqui por, enfim, mu-- qualquer motivo que seja. [1:01:57] Participante É, bom tempo. [1:01:58] Pietra Bertolazzi Mas bom, bom você ter trazido isso. [aplausos] "A liberdade sexual das mulheres só beneficiou os homens." [som de batidas] Olha ela de novo. [1:02:15] Participante Oi. Eu quero entender como que você entende o que você acabou de dizer. O que seria a liberdade sexual das mulheres e o que seria o benefício dos homens em relação à nossa sexualidade? [1:02:25] Pietra Bertolazzi Tá. [1:02:25] Participante Pra eu entender como é que cê coloca. [1:02:27] Pietra Bertolazzi O benefício seria, é, o benefício que a revolução sexual trouxe, né, que foi a ideia de que a mulher pode ter inúmeros parceiros, é, sem consequências, é, de, de qualquer forma, né, inclusive trazendo a questão da, da pílula anticoncepcional, ou seja, as mulheres podem se deitar com vários homens e não ter a consequência natural biológica que seria uma gravidez, né? Isso, é, se deu, né, uma, uma coisa- [1:02:48] Participante Sim [1:02:48] Pietra Bertolazzi ...é, é, elas se retroalimentam, né? [1:02:49] Participante Sim. [1:02:49] Pietra Bertolazzi A liberdade sexual e os métodos contraceptivos. Ou seja, isso beneficiou os homens, porque as mulheres têm várias consequências- [1:02:54] Participante Sim [1:02:54] Pietra Bertolazzi ...porque muitas vezes os método-os métodos- [1:02:56] Participante Entendi [1:02:56] Pietra Bertolazzi ...contraceptivos falham. [1:02:58] Participante Sim. [1:02:58] Pietra Bertolazzi E quem lida com a consequência é a mulher e não o homem. [1:03:00] Participante Ok. O que eu entendo dessa frase é, realmente os homens eles se beneficiam da sexualidade das mulheres, tendo em vista que o capitalismo se cresce em prol da compulsão da maternidade. Então, de certa forma, eu estou sendo obrigada a gestar, mesmo que eu, em um momento, decida isso. E o sistema patriarcal, ele se cresce em cima da maternidade e da sexualidade das mulheres. Mas a partir do momento em que você cresce sendo mulher, você cresce por dois caminhos: ou você vê a sua sexualidade como um estupro ou como a maternidade. E a terceira via, que é o prazer, normalmente é direcionada à promiscuidade e as mulheres são automaticamente levadas a se ver como sujeira. Tanto que o movimento red pill diz que essa aqui ó, vai ser esposa de alguém usando a nossa liberdade sexual contra nós. [1:03:41] Pietra Bertolazzi Olha, eu não tenho nada a ver com o movimento red pill, tá? Eu não tenho, eu não tô nem aí pra nenhum movimento, eu sou a Pietra. [1:03:45] Participante Não, eu só estou utilizando o benefício dos homens em prol à sexualidade das mulheres. [1:03:47] Pietra Bertolazzi Então, o benefício, vamo lá. [1:03:48] Participante É só uma vertente desse benefício do nosso sexo. [1:03:49] Pietra Bertolazzi Quando você dissocia, você, você dissocia a procriação do ato sexual, cê já tá transformando aquele ato em algo que biologicamente, ontologicamente, metafisicamente, espiritualmente, não faz sentido, porque desde que o mundo é mundo, como, não, pera- [1:04:01] Participante As pessoas transam. [1:04:02] Pietra Bertolazzi As pessoas transam e aí, e aí, pasme... [1:04:04] Participante Você transa? [1:04:04] Pietra Bertolazzi Não, eu vivo a castidade, graças a Deus. [1:04:06] Participante Que triste. [1:04:06] Pietra Bertolazzi E aí, pasme, a cons-- bom, pra você. Eu vivo com sexo, muito feliz, graças a Deus. [1:04:10] Participante O sexo é muito bom, amiga. [1:04:10] Pietra Bertolazzi Eu vivo, é... [1:04:11] Participante E saber do próprio corpo é uma delícia. [1:04:13] Pietra Bertolazzi E você acha que as mulheres hoje- [1:04:14] Participante Na verdade, faz bem até pra saúde [1:04:15] Pietra Bertolazzi ...você acha que as mulheres hoje tão mais felizes? [1:04:16] Participante Faz bem pro humor, pro espírito. [1:04:17] Pietra Bertolazzi Você acha que as mulheres hoje tão mais felizes? [1:04:18] Participante Acho. [1:04:18] Pietra Bertolazzi Cê acha que as mulheres tão mais felizes? Porque os índices mostram o contrário. [1:04:23] Participante A gente tem acesso a gozo. A gente tem acesso a gozar. [1:04:24] Pietra Bertolazzi E por que que você acha que isso não acontecia antes? [1:04:25] Participante Só os homens gozam. Porque os homens- [1:04:27] Pietra Bertolazzi Por que você tá tirando isso? [1:04:28] Participante Ué, é só você ver a Constituição. A Constituição, não, a forma como a história se construiu dentro do sexo para as mu-nós mulheres. [1:04:34] Pietra Bertolazzi Cê acha que as mulheres não tinham prazer até a década de 60? [1:04:37] Participante Elas não tinham. [1:04:37] Pietra Bertolazzi Durante cinco mil anos, seis mil anos, as mulheres não tinham prazer? [1:04:39] Participante Não, elas não tinham. Não, principalmente pelo desconhecimento. Principalmente pelo desconhecimento. [1:04:42] Pietra Bertolazzi Mas por que você tira isso? Porque a gente vê várias mulheres da literatura que fa- [1:04:45] Participante É, é a história. [1:04:45] Pietra Bertolazzi Não, mas que história? Qual história? [1:04:46] Participante Mas essas mu-mas essas mulheres, elas foram silenciadas pela própria narrativa hegemônica. [1:04:50] Pietra Bertolazzi Como silenciadas se, se tem na literatura? Bom... [1:04:52] Participante Mas nós estudamos isso nas escolas? [1:04:55] Pietra Bertolazzi Mas que que cê tá falando de estudo na escola? [1:04:56] Participante Não entendi, então. [1:04:57] Pietra Bertolazzi Não, eu que não entendi qual é, qual é a relação de prazer feminino com... [1:05:02] Participante Pietra, voltei. É, Pietra, eu vi uma matéria na CNN, eu espero que também cê tenha ficado muito chocada, que com base naquela caso, naquele caso da Pelicot, sabe aquela mulher francesa? [1:05:14] Pietra Bertolazzi Uhum. [1:05:14] Participante Que foi casada há cinquen-- eu te, vou te contar então. Tem uma mulher francesa que foi casada há cinquenta anos, e aí ela descobriu que durante dez anos ela foi dopada e uma rede de estupradores, é, abusou dela com consentimento do marido dela. [1:05:26] Pietra Bertolazzi Um horror, eu, eu desejo que eles sejam mortos. [1:05:28] Participante Um horror. Então, só que continuando essa história. [1:05:30] Pietra Bertolazzi Uhum. [1:05:30] Participante Com ca-com qua-com base nisso, descobriram uma rede internacional chamado Academia do Estupro. E grande parte- [1:05:36] Pietra Bertolazzi O que que isso tem a ver com liberdade sexual das mulheres? [1:05:38] Participante Eu vou, vou te explicar por quê. [1:05:40] Pietra Bertolazzi Isso é um estupro, isso é um... [1:05:41] Participante É, eu quero dizer que os homens se beneficiam do corpo das mulheres há muito tempo, através da ausência de consentimento. Então, quando as mulheres podem consentir, isso que você chama de revolução sexual, é as mulheres terem o direito de escolher se elas querem transar, fazer sexo ou não. [1:05:59] Pietra Bertolazzi Mas quando que elas não tiveram essa opção? [1:06:00] Participante Muitas vezes não tiveram essa opção. [1:06:01] Pietra Bertolazzi Quando? [1:06:02] Participante Por exemplo, na monarquia, quando elas pertenciam ao pai, ao irmão, ao marido, e não a elas mesmas. [1:06:05] Pietra Bertolazzi Não, mas elas escolhiam, não tem relação, tanto que as que, as que queriam tinham. [1:06:09] Participante Não, elas eram obrigadas. [1:06:10] Pietra Bertolazzi É que o mundo era muito cristão, obviamente. [1:06:11] Participante Elas eram obrigadas, isso na monarquia. [1:06:13] Pietra Bertolazzi Obrigadas, não. [1:06:14] Participante Obrigadas a fazer o que os donos delas quisessem. [1:06:15] Pietra Bertolazzi É, é, os valores, a sociedade era muito... Que dono? Mas que dono, gente? Que história de dono? [1:06:19] Participante Ó, por exemplo, as mulheres quando foram escravizadas, as minhas ancestrais, elas não podiam consentir a sexualidade delas. Demorou muitos anos. [1:06:25] Pietra Bertolazzi Mas a gente não tá falando de estupro. A gente tá falando- [1:06:27] Participante A gente tá falando de liberdade sexual [1:06:28] Pietra Bertolazzi ...a gente tá falando do, do ato, a gente tá falando... Vamo lá. [1:06:30] Participante De liberdade sexual. Esse caso- [1:06:32] Pietra Bertolazzi A gente tá falando da, de prome-da promiscuidade trazida pela liberdade sexual, trazida pela revolução sexual, que é o fato de que as mulheres hoje trans, é, é, elas saem por aí, elas se deitam com qualquer um. [1:06:41] Participante Elas podem escolher. Elas podem escolher. [1:06:42] Pietra Bertolazzi Só que as consequências disso são que os homens são beneficiados, porque eles podem dormir com elas. [1:06:46] Participante Elas tam-elas são beneficiadas pela escolha delas. [1:06:47] Pietra Bertolazzi Os homens têm muito mais acesso, os homens têm muito mais acesso à vida sexual. [1:06:50] Participante As mulheres não são beneficiadas quando elas não podem consentir, quando elas são estupradas. [1:06:54] Pietra Bertolazzi Eles entram em um aplicativo hoje com... Os hom-- mas, mas hoje- [1:06:55] Participante Quando elas não podem acessar anticoncepcional, quando elas não podem abortar, elas não podem consentir. Quando elas consentem, elas podem fazer o que quiser. Próxima. [1:07:02] Pietra Bertolazzi Hoje os homens entram, hoje os homens entram num aplicativo, eles transam com quem eles querem todos os dias. Se o homem quiser dormir com uma mulher diferente todo dia, ele consegue. [1:07:13] Participante Eu sou a Sara, eu tenho trinta e cinco anos, eu sou feminista e evangélica. [1:07:17] Pietra Bertolazzi Olha lá! [1:07:17] Participante Eu acho isso bem interessante pra, pra gente poder conversar um pouco sobre isso, sobre a liberdade sexual. É- [1:07:23] Pietra Bertolazzi E como evangélica, você defende a castidade ou não? [1:07:25] Participante Então, eu respeito, porque não é porque eu sou cristã, que eu sou evangélica- [1:07:29] Pietra Bertolazzi Que você segue a vontade de Deus [risos]. [1:07:30] Participante Não, não, não. É que eu, eu, eu não sou obrigada a fazer as pessoas- [1:07:35] Pietra Bertolazzi Tudo que daí, que Deus manda. [1:07:37] Participante Ai, meu Deus, ela, ela não deixa a gente falar, ela não deixa, meu Deus. Olha, não é porque eu sou evangélica que eu tenho que obrigar as outras pessoas a seguirem o que eu sigo. [1:07:46] Pietra Bertolazzi Não, mas ninguém tá obrigando ninguém. [1:07:47] Participante Eu sigo a castidade. Eu tenho trinta e cinco anos e sou virgem, não tenho vergonha de falar isso. [1:07:51] Pietra Bertolazzi Amém, Deus concede. [1:07:52] Participante Mas se eu quisesse, eu poderia muito bem estar fazendo sexo, porque é meu direito. [1:07:55] Pietra Bertolazzi Mas, mas ninguém tá discutindo o que as pessoas podem ou não fazer com o próprio corpo. Elas obviamente estão fazendo o que elas podem, o que elas querem. [1:08:00] Participante E qual que é a questão que você tá falando? [1:08:02] Pietra Bertolazzi O-- a questão é que isso beneficia os homens e não as mulheres. [1:08:04] Participante Por quê? [1:08:04] Pietra Bertolazzi Os homens hoje que têm acesso a sexo a hora que eles querem, com quem eles querem, o tempo todo. [1:08:09] Participante Não! [1:08:09] Pietra Bertolazzi Na verdade, eles que-- porque quem fica com a consequência biológica, quem corre o risco, quem mutila o próprio corpo são as mulheres, porque as mulheres têm que, as mulheres que têm que ge- [1:08:17] Participante Aí tá errado, a consequência não tem que ficar pra mulher. [1:08:18] Pietra Bertolazzi Não, não, mas vem cá, é a mulher pra, ó, vem cá- [1:08:20] Participante Aí tá o machismo do, do, do patriarcado. [1:08:21] Pietra Bertolazzi O mar-- o machismo da biologia? [1:08:23] Participante O patriarcado, ele fala que quem, que, que tem que, que sofre mais é a mulher. [1:08:24] Pietra Bertolazzi Não é patriarcado, é biologia. Porque o útero fica na mulher, pasme, o útero fica no corpo feminino. [1:08:30] Participante Por isso, por isso que nós, mulheres, feministas- [1:08:31] Pietra Bertolazzi Somos o que? Oprimidas pela biologia? [1:08:33] Participante Não, a gente é a favor da legalização do aborto. [1:08:36] Pietra Bertolazzi Pelo amor de Deus, você é uma cristã le-- pedindo a legalização do aborto, isso é a coisa mais surreal do mundo. [1:08:41] Participante Nossa, eu queria falar mais. Ah. [1:08:44] Participante Oi, de novo. [1:08:45] Pietra Bertolazzi Oi. [1:08:46] Participante Vamo lá. Ééé, você vira e fala que o fato das mulheres poderem dormir e escolherem com quem dormir, isso ba-- beneficia maior os homens. [1:08:54] Pietra Bertolazzi Não é poder escolher com quem, é, é dormir deliberadamente com vários homens, essa cultura de, de sexo casual, tudo mais. [1:09:00] Participante A questão é, sim, isso faz parte de escolhas, é óbvio que isso, e a gente não tá falando de estupro de vulnerável quando a gente tá falando de alcoolismo. [1:09:07] Pietra Bertolazzi Sim. [1:09:07] Participante Ok? [1:09:08] Pietra Bertolazzi Sim. [1:09:08] Participante É... [1:09:09] Pietra Bertolazzi Sim, sim, obviamente. [1:09:10] Participante Eu-- vamo só estabelecer esse critério que a gente não tá falando disso. [1:09:13] Pietra Bertolazzi Mas cê acha que uma mulher alco-- que se alcoolizou, ela não escolheu ficar alcoolizada? [1:09:18] Participante Mas não necessariamente ela escolheu ser estuprada. Se ela não tem a compreensão- [1:09:22] Pietra Bertolazzi Mas aí depende- [1:09:23] Participante Isso eu acho que é um limite que a gente precisa entender. Se você, se você- [1:09:26] Pietra Bertolazzi Tá, vamo considerar que ela não bebeu. [1:09:27] Participante Entendeu? [1:09:28] Pietra Bertolazzi Tá. [1:09:28] Participante Acho que tem uma questão, que antes do processo da, da revolução sexual nos anos setenta, etc, nós tínhamos uma série de questões de violência sexual, inclusive dentro do próprio casamento. É a partir dos anos setenta que a gente começa a debater a questão do estupro marital. [1:09:44] Pietra Bertolazzi Hum. [1:09:45] Participante Inclusive a possibilidade da mulher dizer não. [1:09:47] Pietra Bertolazzi Mas a mulher sempre pode dizer não, assim como o homem sempre pode dizer não. [1:09:50] Participante Não, não é verdade isso, e você sabe muito bem disso. [1:09:52] Pietra Bertolazzi Não, não. [1:09:52] Participante Porque a mulher, ela, ela se, a mulher, em especial, as mulheres negras, as mulheres brancas, elas eram vistas enquanto propriedade. Inclusive no Brasil, no Brasil- [1:10:02] Pietra Bertolazzi As mulheres brancas e negras, cê falou? [1:10:03] Participante Sim, propriedade. [1:10:04] Pietra Bertolazzi Ah, porque, mas então fala mulheres, né? Não precisa dividir. [1:10:05] Participante E aí quando a gente vai pegar no processo de escravidão, de escravização, o processo das mulheres negras, do ponto de vista de não dizer não pro seu sinhozinho, pros seus donos, don- [1:10:14] Pietra Bertolazzi Mas o que tem a ver? Mas, mas, mas vamo resturar as coisas, porque fica infrutífero o papo. A gente tá fazendo, a gente tá falando, ó: vamo falar das mulheres brancas privilegiadas que hoje podem escolher dormir cada dia com homem diferente e isso beneficiar mais os homens e não as mulheres. [1:10:26] Participante É que eu não posso falar em mulheres brancas privilegiadas, eu também sou uma mulher negra. [1:10:27] Pietra Bertolazzi Gente, fala, mas você é uma mulher negra. Mas por que que cê quer di- [1:10:29] Participante E aí assim ó- [1:10:30] Pietra Bertolazzi Você não é negra, você é branca. [1:10:31] Participante Eu sou negra negrega. [1:10:32] Pietra Bertolazzi Você é uma mulher negra trans. [1:10:34] Participante Não. [1:10:34] Pietra Bertolazzi Que você se diz negra sem ser. [1:10:36] Participante Não, eu sou uma mulher negra. [1:10:37] Pietra Bertolazzi Você é da cor, olha aqui ó. [1:10:38] Participante Não. [1:10:38] Pietra Bertolazzi Olha aqui, você é da minha cor. [1:10:39] Participante Não, eu sou uma mulher negra. [1:10:40] Pietra Bertolazzi Como é que cê é negra? [risos] Aí eu também tenho um avô negro, eu vou me considerar ne-negra porque ele tem um avô negro? [1:10:46] Participante Eu não só tenho um avô, eu sei uma- [1:10:46] Pietra Bertolazzi Desculpa, a tua pele é do tom a minha, desculpa, não vem com essa. [1:10:49] Participante Não, nossa! [1:10:49] Pietra Bertolazzi Só mais essa. [1:10:50] Participante Nem, nem um pouco, nem um pouco, inclusive. [1:10:52] Pietra Bertolazzi Coloca aqui ó, bota aqui, bota aqui. [1:10:54] Participante Não, não é, não é. Inclusive- [1:10:55] Pietra Bertolazzi Bota aqui então, vamo ver. [1:10:56] Participante Tem o, é só ver os pelinhooo. [1:10:57] Pietra Bertolazzi Bota aqui pra gente ver então. Tá com medo. [1:10:59] Participante Não tô com medo. [1:11:00] Pietra Bertolazzi Bota aqui teu braço. [1:11:00] Participante Não tô com medo, olha só, não é, não é a mesma coisa. [1:11:03] Pietra Bertolazzi Aqui ó, aqui ó. Ah, pelo amor de Deus, gente. [1:11:04] Participante Não é a mesma coisa. É, a questão é, hoje a gente pode dizer não, e do dizer não garante a gente não sofrer violência. [1:11:11] Pietra Bertolazzi Só que o fa- o fato é que as mulheres tão falando mais sim do que não, né? Aí transforma tudo numas bola e os homens podem fazer o que eles querem. [1:11:16] Participante Mas assim, não é o problema, o problema- [1:11:17] Pietra Bertolazzi Desculpa, eu esqueci teu nome, que era? [1:11:19] Participante Sara. [1:11:19] Pietra Bertolazzi Sara, Sara. [1:11:20] Participante É, então, a gente parou falando que a mulher que tem mais consequência. Eu discordo, porque isso é o machismo que vem do patriarcado. É, a mulher tem mais- [1:11:29] Pietra Bertolazzi Mas di-- aonde que você discorda? [1:11:31] Participante Repete, então. [1:11:32] Pietra Bertolazzi Aonde que você discorda? [1:11:34] Participante A sua frase. [1:11:34] Pietra Bertolazzi Que os homens têm mais benefícios com a revolução sexual. [1:11:37] Participante Não, não tem. É errado isso, porque você- [1:11:38] Pietra Bertolazzi Por quê? [1:11:38] Participante Você falou assim que a, que as mulheres el- [1:11:40] Pietra Bertolazzi Quem que engravida, é o homem ou a mulher? [1:11:41] Participante É a mulher. [1:11:42] Pietra Bertolazzi Então. [1:11:42] Participante Só que é errado a mulher ficar com, com o sacrifício ali. [1:11:45] Pietra Bertolazzi Eu também concordo. Eu concordo que o homem tinha que ficar com a mulher, tinha que ser casado, tinha que ter o filho todo mundo junto. [1:11:49] Participante E, e isso é culpa do patriarcado, do machismo. [1:11:50] Pietra Bertolazzi Não, é, é uma consequência biológica de você ter um ato sexual. [1:11:53] Participante Não, isso é culpa do patriarcado, porque, porque existe pílula- [1:11:54] Pietra Bertolazzi Pasme, o ato sexual tem como fim a reprodução, naturalmente falando. [1:11:57] Participante Do dia seguinte, existe o aborto legalizado. [1:12:01] Pietra Bertolazzi Não, não existe o aborto legalizado, existe o assassinato legalizado, cê tá dizendo? [1:12:04] Participante Não, não, é aborto legalizado. [1:12:05] Pietra Bertolazzi Bom- [1:12:05] Participante E eu sou a favor do aborto legalizado, porque- [1:12:07] Pietra Bertolazzi Você é uma cristã a favor de assassinar crianças nos ventres das mães. [1:12:10] Participante Não, não, de assassinar a criança, não. Do aborto legalizado. [1:12:13] Pietra Bertolazzi O que que é o aborto legalizado? É matar uma criança dentro do ventre, né? [1:12:16] Participante Porque não é justo. E o, e o homem quando abandona uma criança, uma mulher grávida- [1:12:18] Pietra Bertolazzi Tá errado também. [1:12:19] Participante Ele tá sendo um abortista. [1:12:19] Pietra Bertolazzi Então quer dizer que o ho-- quer dizer, não, não, não. [1:12:21] Participante Por que que o homem não sofre as consequências? [1:12:23] Pietra Bertolazzi O homem, o homem, ué, mas a mulher não é forte? A mulher não consegue bancar o filho, não consegue criar o filho? [1:12:26] Participante Não, não, não. O homem também tá sendo assassino quando ele abandona a mulher grávida. [1:12:29] Pietra Bertolazzi Agora, ele pode ser um grande babaca, um grande imbecil. [1:12:31] Participante Ele tá sendo um assassino. [1:12:31] Pietra Bertolazzi Agora, assassino, ele não é. Assassino é o ato de matar uma outra vida. [1:12:35] Participante Não é só a mulher. Não, a mulher, o homem também está sendo assassino. [1:12:35] Pietra Bertolazzi Isso quem faz é uma mulher quando escolhe abortar. [1:12:38] Participante O homem também é assassino quando ele aborta. [1:12:38] Pietra Bertolazzi Então quer dizer que é melhor matar a criança do que, do que criar ela sozinha? [1:12:42] Participante Talvez, sim. [1:12:43] Pietra Bertolazzi Ah, pelo amor de Deus. [1:12:44] Participante Talvez, sim [1:12:47] Participante Oi Pietra, novamente. [1:12:48] Pietra Bertolazzi Oi, de novo. [1:12:49] Participante Então, acho que esses assuntos são importantes da gente trazer em pautas escolares, né? Porque a gente falou hoje tanto de violência como foi a pauta que eu trouxe antes, e por que não ensinar esses jovens a lidar com tudo isso, a lidar com todas as informações que a gente tem nas redes sociais e como eles vão fazer com seus próprios corpos, né? Como é a relação lésbica, a relação heterossexual, a relação- [1:13:10] Pietra Bertolazzi Por que que cê quer impor uma ideologia pra crianças que nem tem ainda- [1:13:12] Participante Não é uma ideologia, é consciência do que eles podem fazer. [1:13:13] Pietra Bertolazzi Não, quando você fala, quando você fala de, de agenda LGBT, você trouxe: "Ah, tem que ensinar o que é lésbica, o que é gay". Por que que cê quer ensinar isso pra crianças que muitas vezes não têm nem isso- [1:13:21] Participante Não tô falando pra crianças, eu tô falando pra jovens e adolescentes que estão atualmente indo pra festas, bebendo, curtindo- [1:13:27] Pietra Bertolazzi Mas por que, mas por que, mas por que que cê acha necessariamente que todo jovem vai pra festa beber? [1:13:30] Participante Se tendo esse relacionamento sexual, por que que eles não podem ter informações necessárias? Não, não tô falando, eu tô falando da realidade, é o que eles vão, é o que eles fazem. [1:13:34] Pietra Bertolazzi Mas cê não acha que são os pais que têm que decidir o que ensinam pros filhos? [1:13:37] Participante Claro, com certeza, mas e a escola- [1:13:38] Pietra Bertolazzi E por que que a escola tem que se meter nisso? [1:13:39] Participante Quantas vezes os jovens não fazem escondido dos pais? Por que que eles não têm- [1:13:43] Pietra Bertolazzi Ué, mas tá errado isso, aí é, aí, aí é uma irresponsabilidade dos pais. [1:13:45] Participante Claro que tá errado, mas aí a escola poderia dar essa, essa possibilidade de trazer informações necessárias e importantes pras crianças saberem os jovens- [1:13:46] Pietra Bertolazzi Eu não acho que a gente deve delegar pro Estado, eu não acho que o Estado tem que interferir no que eu quero ensinar pros meus filhos com relação à sexualidade. [1:13:53] Participante Eles precisam saber o que é certo e errado pro seu próprio corpo. [1:13:53] Pietra Bertolazzi Até porque como cristã, eu defendo a castidade, eu defendo, eu defendo o cristianismo. [1:13:58] Participante Defende, mas não é a sua realidade, não é sua realidade. [1:13:58] Pietra Bertolazzi Mas eu quero ter o direito de ensinar minha filha o que eu quero, e não, e não é o Estado que tem que decidir. [1:14:03] Participante Para, mas não é só sua filha, é pra nossa sociedade inteira. [1:14:04] Pietra Bertolazzi Mas o Estado não tem que interferir. [1:14:06] Participante O nosso mundo é diferente do seu, então aceita. [1:14:06] Pietra Bertolazzi Mas se você quer ensinar pra tua filha que ela pode ser gay, que ela pode ser isso e aquilo, você ensina, por que que o Estado tem que ensinar? [1:14:11] Participante Por que que cê tira minha carta pauta do colégio? [1:14:11] Pietra Bertolazzi Porque não é o Estado que tem que decidir o que as crianças vão assistir. [1:14:14] Participante É necessário, é necessário trazer essas informações pro colégio. [1:14:14] Pietra Bertolazzi Não, não, não, cada família tem o pátrio poder sobre o seu próprio filho. [1:14:18] Participante Mas não é assim que acontece, não é assim que acontece. [1:14:19] Pietra Bertolazzi Como não é assim que acontece? Se não, se não é o, se não são os pais que têm direito, quem que é? [som de buzina] Ah, eu, eu fico horas, não. Já fiquei seis horas. [1:14:27] Participante Silêncio, por favor. [1:14:28] Participante Pietra, cê pode repetir a sua afirmação, por favor? [1:14:32] Pietra Bertolazzi A liberdade sexual das mulheres só be-beneficiou aos homens. [1:14:36] Participante Certo. Me responde, você é a favor de preservativo? [1:14:39] Pietra Bertolazzi Não. [1:14:39] Participante Você é a favor de anticoncepcional? [1:14:41] Pietra Bertolazzi Não. [1:14:41] Participante Você é a favor de algum método contraceptivo? [1:14:43] Pietra Bertolazzi Não. [1:14:44] Participante Então, eu acho que é meio claro que pra mim não é somente a, a ideia que existe na Pietrolândia de revolução sexual, mas existe a própria defesa da Pietra que as pessoas não podem ter acesso a ter uma relação sexual minimamente saudável e etc. [1:14:54] Pietra Bertolazzi A minha defesa é congruente com a minha fé católica apostólica romana. Não sou eu quem defino o que a minha fé impõe. [1:15:01] Participante Quais são os métodos de prevenção pra ISTs que você propõe? [1:15:04] Pietra Bertolazzi IST, DST? É que virou DST. [1:15:06] Participante É IST, né, que são infecções. [1:15:07] Pietra Bertolazzi Ai, é que muda, né, que muda as coisas. Tá. [1:15:09] Participante Então, você pode procurar a ciência pra se informar. Por quê? Porque existe uma infecção sexualmente transmissível. [1:15:13] Pietra Bertolazzi Ah, bom, bom, enfim, a gente sabe o que a gente tá falando, né? Tá. Tá, é doença que cê quer, eu sei lá. [1:15:14] Participante Não é doença. AIDS não é HIV, são coisas diferentes. É importante, né, quem tá em casa poder pesquisar também sobre isso. [1:15:20] Pietra Bertolazzi É, o que eu defendo é que as pessoas tenham atos sexuais dentro do matrimônio. [1:15:23] Participante Sim, mas isso não é a realidade do mundo, né? Isso só na Pietrolândia. [1:15:26] Pietra Bertolazzi Infelizmente, porque a revolução sexual trouxe esse novo conceito de vida sexual, onde as pessoas dissociam o ato da reprodução. [1:15:33] Participante Tá. Antes do feminismo, existia estupro? [1:15:35] Pietra Bertolazzi Claro, sempre existiu estupro, sempre existiu todo tipo de crime. [1:15:37] Participante Antes do feminismo, existia relações não consensuais? [1:15:40] Pietra Bertolazzi Mas que cê tá dizendo, cê acha que o estuprador vai colocar a camisinha? [1:15:42] Participante Não, eu estou dizendo que existem vários níveis de violência sexual que acontecem e que não é parte do que a mulher quer ou não fazer. [1:15:49] Pietra Bertolazzi Mas o que que muda, o que que mu-- cê quer dizer então que a mulher tem que tomar pílula pra caso ela seja estuprada? [1:15:53] Participante Não, Pietra, o que eu tô dizendo é que em várias situações concretas, as mulheres sempre sofreram um problema que é chamado machismo, patriarcado, onde elas pouco tiveram o direito de poder decidir sobre os seus corpos. [1:16:04] Pietra Bertolazzi E por que que cê acha que é melhor elas terem liberdade sexual, delas pegarem geral, terem depressão, elas estarem sozinhas, as crianças serem criadas sem pais? [1:16:10] Participante Porque o que você tá atacando, o que você tá atacando não é o feminismo, você tá atacando teoricamente o machismo. [1:16:14] Pietra Bertolazzi A revolução sexual criada pelo, pelas feministas. [1:16:15] Participante Revolução sexual que existe só na sua cabeça, porque a realidade hoje é que as mulheres hoje não podem viver liberdade sexual, porque pessoas como você atacam, utilizam inclusive do discurso da promiscuidade pra atacar a liberdade da mulher. [1:16:27] Pietra Bertolazzi Não, não, eu defendo, de novo, eu defendo, eu não tenho nada a ver com o Bolsonaro, eu não tenho político de estimação, vocês são comunistas. [1:16:34] Participante Agora, quando o Bolsonaro, quando os líderes políticos que você representa, você... [1:16:34] Pietra Bertolazzi Olha, cê sabia que, cê, cê é comunista, né? Cê sabe o que o Che Guevara- [1:16:36] Participante Sou comunista pra vestir comunista. Agora, vamo lá. [1:16:38] Pietra Bertolazzi Cê sabe o que o Che Guevara fazia com os gays, com os trans? [1:16:39] Participante Quando os líderes políticos que você não fala nada, ele vai lá diretamente, sabe o que ele faz? [1:16:45] Pietra Bertolazzi Cê sabia que o Che Guevara, cê sabe que os líderes comunistas metralhavam os comunistas? [1:16:48] Participante Ele fala que tem dado clima pra mulheres de quatorze anos, e você não repudia isso. [1:16:49] Pietra Bertolazzi Cê sabia que Lênin metralhava gay? [1:16:51] Participante As falas, as falas da extrema direita que você apóia, você não repudia. [1:16:53] Pietra Bertolazzi Cê sabia que Che Guevara matava travesti? Cê sabia que não existe travesti em Cuba? Sabia? [1:16:56] Participante Você fortalece o patriarcado. Você é capaz de fortalecer que as mulheres sejam vítimas dessa situação de mulheres. [1:16:59] Pietra Bertolazzi Você fortalece os líderes revolucionários comunistas que matam pessoas como você. Você fortalece líderes comunistas que matam pessoas como você. [1:17:07] Participante Pietra, na Pietrolândia. [1:17:09] Pietra Bertolazzi Aham. [risos] Bom, é claro que a gente que tá acostumada com esse tipo de, de debate, num-- a gente sabe que não vai convencer ninguém do lado contrário aqui da nossa posição, da nossa crença, da nossa fé, mas, é, eu vejo isso como uma forma de levar a possibilidade pra quem tá assistindo, de entender que elas não têm uma única opção, que é seguir a mentalidade e a cultura feminista nefasta hoje que invadiu o mundo, né? Que existe uma outra opção, que não é seguir essa libertinagem imposta pelo feminismo, é, pela revolução sexual, né. Então ain-ainda existem pessoas que defendem e que vivem uma, é, buscam, né, uma vida de virtudes, uma vida, hã, alinhada com, com Cristo, né, com os valores que, e com os ensinamentos cristãos e, e que isso com certeza é a melhor escolha, né. Então a ideia é justamente que, tra-trazer esse aspecto, né. Eu, eu por exemplo lembro que eu não, na, na, na época em que eu cresci, em que eu fui adolescente, permeava muito só a ideologia feminista, né. Então ninguém entendia ainda que existia a opção da castidade, que entendia ainda, que existia ainda um caminho de virtudes, uma vida cristã. E, e hoje com a internet, com esse tipo de debate que a gente pode participar, a gente pode levar essa opção às meninas que acham que só têm esse único caminho, que é viver a libertinagem imposta pelo feminismo. Então essa é a minha mensagem. Obrigada