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1 Conservador vs 20 Esquerdistas
1 h 19 min de vídeo · 17 mil palavras · Com Guto Zacarias
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Você trabalhou na escala seis por um?
Nunca trabalhei, mas tenho certeza que faz mal pra população. Tenho certeza que faz mal pra população.
Desculpa, desculpa, eu não queria-
Acho que atrapalha. Quando eu estiver falando, cê não me interrompe, quando cê estiver falando, eu não te interrompo. Pode ser?
Pode que vá, amor.
Então vamo lá.
Tamo rebatendo, tamo debatendo ali a Câmara dos Deputados.
O, a reincidência de menores de idades quando vão pra FEBEM, ela é muito alta. E é muito alta por, por um simples motivo-
E pessoas adultas quando vão pra cadeia também é bastante.
Acabei de falar, eu acabei de falar. Lula traiu os seus eleitores. Meu Deus do céu!
Nada que cê faça tem meu apoio, desculpa.
Mas cê falou, cara, cê falou, cara-
Nada que você faça.
Mas cê é reconhecido internacionalmente como um bando de vagabundo-
Não, é a sua-
Deveria tá tudo na cadeia.
É a sua opinião-
É uma organização criminosa.
É a sua opinião, cara, deputado.
Deveria ter sido tipificado como organização. Sou o deputado Guto Zacarias, coordenador do MBL, e hoje eu estou cercado de vinte esquerdistas. Vamos debater alguns assuntos pertinentes. Bom, pra nossa primeira questão, a escala seis por um deve ser mantida. Quem quer discutir isso aí? Pode ir. Tá liberada. Vamo dar o start aí. Bom, primeiramente, bom dia.
Bom dia.
Sou o Guto, como é que é seu nome?
Renata Rangel.
Renata Rangel, cê é afiliada a algum partido?
PT.
Cê é afiliada ao PT, cê já disputou eleição pelo PT?
A vereadora recentemente.
Quantos votos cê fez? Aqui em qual cidade?
Não, Caxias.
Duque de Caxias.
Sem verba, noventa e três votos, uma campanha única.
Difícil fazer campanha no Brasil, né, Renata?
Ainda mais com a venda de votos.
Com certeza, inclusive, enfim, mas a gente deixa essa discussão pra uma outra história.
Pula isso.
Vamo lá. Hã, essa pauta que a gente tá discutindo é uma pauta que ganhou o debate público nos últimos dias, né, nas últimas semanas, talvez. Foi a maior pauta da política brasileira no pós-eleição, que foi uma PEC da deputada do PSOL, a Erika Hilton, que é lá do meu Estado, lá do estado de São Paulo, que ela queria basicamente proibir a escala seis por um. É, e no projeto dela, que é um projeto, como vários projetos que ela faz, cheio de erros, inclusive tem um erro matemático no projeto-
Sim, sim, tá.
Que confunde ali as ho-horas trabalhadas. Ela, além de proibir a escala seis por um, ela também, hã, coloca como obrigatória a escala quatro por três. Se você quiser trabalhar não na escala seis por um, mas em outra escala, se essa PEC fosse a-aprovada, ela seria, a proibida, né? Hã, mas a escala seis por um pra mim deve ser mantida, por quê? Porque a produtividade do brasileiro hoje é muito baixa.
Um dado muito importante que eu gosto de provar é que os Estados Unidos não é dos países mais produtivos do mundo. Tem produtividade alta, mas não é dos mais produtivos do mundo. É, um trabalhador americano tem a produtividade de quatro trabalhadores brasileiros. O que a gente tem que fazer urgentemente é aumentar a produtividade do brasileiro pra que ele possa, com mais produtividade, trabalhar menos e ganhar mais.
Enquanto a gente não mudar essa questão da produtividade, não vai ser com uma canetada de um político lá de Brasília, que a gente vai fazer as pessoas trabalharem menos e ganharem mais. A gente viu recentemente, há, há dez anos, inclusive esse ano faz dez anos, ter a, a aprovação lá na, na, no, em Brasília, da PEC das Domésticas. Provavelmente foi apoiado por você, com certeza foi apoiado-
Não, não foi, mas deveria.
É, com certeza foi-
Eu ainda não era afiliada.
Com certeza foi apoiado pelo Partido dos Trabalhadores e os partidos de esquerda. Após dez anos da PEC das Domésticas, é um completo fracasso. Nós avisamos lá atrás que esse projeto seria ruim, foi aprovado faz dez anos, ou seja, já dá pra gente avaliar-
Você tem empregada doméstica? Desculpa-
Não, não tenho.
Pergunta direta.
Não tenho.
Mas você tem noção de como funcionava a carga horária de uma empregada doméstica? Porque eu fui doméstica.
Uhum, uhum.
Então assim, você não tem hora nem pra entrar, nem pra sair.
Uhum.
Assim, desculpe, eu sei que a gente tá fugindo um pouco, mas como você tocou no assunto das domésticas, eu sou servidora federal do Ministério do Trabalho e eu cansei de ver empregadas domésticas sem ter direito a três parcelas de um salário mínimo-
Uhum.
Do seguro-desemprego, porque era opcional o empregador recolher o FGTS.
Uhum.
Essa PEC, a ideia inicial dela não era do jeito que ela foi. Você sabe, né, como funciona. A gente joga pro alto e espera que alguma coisa seja convertida. Aí era o-
Qual que era a ideia inicial da PEC das Domésticas?
Era obrigar o FGTS a ser recolhido por todos os patrões-
Uhum.
E você manter uma escala de horário que elas tivessem direito a todos os adicionais noturnos, horas extras. A ideia inicial era essa. Porém, quando a gente vê a forma com que nós brasileiros fazemos com a legislação, a gente tenta tortuar.
Uhum.
Você vê empregadas com uma hora de almoço de quatro horas, onde ela não vai ter acesso ao voltar pra casa ou fazer outra tarefa, só pra que ela chegue às seis da manhã no trabalho, pare às dez, entre almoço e volte quando a criança volta da escola.
Todos esses direitos que você acabou de citar, que as domésticas teriam graças à PEC das Domésticas, as domésticas não têm. Essa é a grande questão.
Sim, mas é isso que eu tô te falando. A ideia inicial era isso.
Porque o ponto principal, por isso que eu entrei nesse tema é: os políticos de Brasília, eles vão lá, vão, dão uma canetada, cheio de benesse, cheio de coisas bonitas e essas coisas não funcionam. A ideia inicial da PEC das Domésticas, a gente falou, o que tá acontecendo vai ter informalidade de doméstica, o que tá acontecendo vai ter desemprego de doméstica, o que tá acontecendo, hã, vai ser, não vai ter aumento salarial das domésticas.
Vocês foram lá e aprovaram esse projeto, o PT foi lá, o seu partido foi lá, aprovou dizendo que as domésticas teriam todos esses direitos. Deu dez anos. Hoje, três quartos das domésticas continuam na informalidade sem esses direitos todos. O salário das domésticas nesses dez anos só diminuiu e a informalidade só cresceu. Ou seja, era um projeto cheio de coisas bonitas. Na hora principal, deu errado. E a mesma coisa da escala seis por um.
Bom-
É um projeto cheio de coisas bonitas sobre, ai, a saúde do trabalhador. Eu, por exemplo, minha opinião sobre a escala seis por um, com certeza faz mal pra população. Com certeza as pessoas-
Mas você trabalhou na escala seis por um?
Nunca trabalhei, mas tenho certeza que faz mal pra população. Tenho certeza que faz mal pra população.
Desculpa, desculpa, eu não queria rir.
Acho que atrapalha, atrapalha, atrapalha o lazer de quem trabalha seis por um, atrapalha você conseguir até aumentar sua produtividade, que você não consegue fazer um curso profissionalizante, porque você tá trabalhando na escala seis por um.
Vamos fazer o seguinte?
A questão principal é: a solução pra acabar com isso, que eu acho ruim, que é a escala seis por um, não é a gente dar uma canetada em Brasília, é aumentar a produtividade desse trabalhador.
O tempo tá passando, deixa eu entrar logo no assunto?
Uhum.
Vamo começar. Você nunca trabalhou na escala seis por um pra entender o que é uma escala de trabalho árdua, pegando quatro horas de transporte público em, no Rio.
Sim
Já começa por aí.
Com certeza. Por isso mesmo que eu acho ruim a escala seis por um.
Sua escala é três por quatro.
Como é que cê sabe minha escala?
Porque você não é deputado?
Sou deputado estadual.
Os deputados trabalham de quando a quando somente na Câmara. Você bate ponto?
Assembleia. Eu trabalho na Assembleia.
Então você-
Eu bato ponto, eu trabalho todos os dias.
Que horas você bate o ponto?
Depende do dia. Se tem alguma comissão que começa às oito, eu bato ponto às sete, sete e meia. Se tem uma comissão que começa às dez, eu bato ponto às nove, nove e meia.
Cê já levantou às quatro da manhã e pegou duas horas de transporte pra saber se é benéfico ou não você ter dois dias em casa de lazer? Eu tô falando da escala cinco por dois.
Mas Renata, deixa eu só repetir.
Só responde.
Não, mas deixa só repetir um ponto pra você.
Tá com medo.
Eu so-- não, não, nunca peg-- não é que eu não vou responder. Eu não trabalhei de jeito que cê tá falando. Eu tô dizendo que a escala seis por um faz mal pra população. Quem trabalha-
Como você sabe se você nunca nem trabalhou nessa escala?
Faz bem a escala seis por um?
Exato, eu concordo, mas eu quero saber de você.
As estatísticas mostram que a escala seis por um faz mal pra população. A, atrapalha o lazer de quem trabalha seis por um, a pessoa não consegue estudar, a pessoa não consegue-
Você aumenta a produtividade quando você diminui a carga trabalhista.
Não faz isso, não faz o menor sentido.
Por quê? Ah, tem um detalhe. Você falou dos Estados Unidos. Por que a gente então não muda a escala seis por um e derruba as patentes pra gente ter mais tecnologia, pra gente ser mais produtivo, por exemplo?
Pode fazer isso, não tenho nenhum problema com isso.
Que tal você entrar com esse projeto? Eu te ajudo.
Meu problema é: o projeto da PEC que a gente tá discutindo, que é a PEC da, da Erica Hilton, além de proibir a escala seis por um, ou seja, imagina que a pessoa quer trabalhar seis por um. Ela não pode, tá proibido. Imagina que a pessoa quer traba-- eu, o que eu defendo-
Você acha que vai passar com a proibição? Você sendo congressista, você sabe que o que a gente pleiteia-
Eu não sou congressista.
Você não é do Legislativo?
Sou, estar no Legislativo é uma coisa, estar de congressista é quem tá no Congresso. Eu não tô no Congresso, eu tô na Assembleia.
Ah, você é estadual.
De deputado estadual.
Desculpa, eu pensei que fosse federal.
Por isso que tá aí a minha escala. Os deputados estaduais trabalham bastante lá em São Paulo. Inclusive os do PSOL trabalham-
Os daqui do Rio? Uma negação.
Eu imagino. Lá em São Paulo, inclusive os do PT trabalham bastante.
E você todo tempo fala que os do PT, a gente não tem maioria pra conseguir formar a PEC da mesma maneira.
Obrigado, Renata. [som de erro do Windows] [risadas] Fala, irmão, seu nome é?
Davi.
Davi, Davi.
Prazer, meu amigo. Tudo bom?
Cê é filiado a algum partido?
Sou filiado ao PDT, Partido Democrático Trabalhista.
PDT. Já disputou eleição?
Não, ainda não.
Ainda não? Daqui do Rio de Janeiro, da cidade do Rio de Janeiro.
Aqui do Rio de Janeiro.
Vamo lá, a minha informaç-- a minha afirmação é: a escala seis por um deve ser mantida. Você como bom trabalhista, dê sair os seus pitacos.
Com certeza eu discordo, né, meu amigo. Então estamos aqui reunidos nesse debate. Queria falar pra todos um bom dia. Vamos debater. Muito legal debater. Então vamos lá. O trabalhismo é responsável, você sabe muito bem, né, pelos direitos trabalhistas. Então a CLT, que é muito importante, imagino que você valorize, né? Vamos ver, vamos discutir. É, e também o décimo terceiro salário, que quando foi implementado, todos diziam que seria muito ruim pra economia, que seria uma coisa negativa.
E hoje em dia nós vemos que é uma coisa muito positiva, né?
Tá, Davi, Davi, eu sei que cê é do partido Ciro Gomes, adora ficar conversando galope-
Tá, vamo chegar lá. Deixa eu-
A escala seis por um deve ser mantida ou não?
Vamo chegar lá. E a última vez, a última vez que nós tivemos uma redução na jornada trabalhista foi com a Constituição de 1988. Então a jornada de trabalho é de quarenta e quatro horas semanais. O nosso caro deputado falou assim: "Tem que ter mais produtividade". Então vamos lá. A Alemanha-- eu não sou alemão, né? O Evilásio tá alemão? Não, não sou alemão. A Alemanha, que tem uma jornada de trabalho menor que a do Brasil, tem uma produtividade mais alta.
Então a gente vai cair no seu argumento. Qual foi o seu argumento? A produtividade é baixa por quê? Vamos às raízes dessa baixa produtividade. Por exemplo, a falta de educação, a falta de formação técnica e teórica para o nosso povo, que depende do quê? Investimento público, investimento do Estado, que o MBL obviamente é contra. Além disso, a gente precisa de capacidade de escala, porque a China tem uma capacidade de escala gigantesca, porque tem uma população muito grande.
Davi, eu vou perguntar-
A gente tem uma população muito grande, mas deixa eu já fechar o argumento. Calma, meu amigo, já vou te dar a palavra. Vamos chegar lá. É, então calma, sem se afobar.
É que eu quero discutir a escala seis por um.
No limite. Então vamos à escala seis por um. Qual é a ideia? Conforme a nossa colega falou aqui, você faz a PEC e você é um deputado, você tem a obrigação de saber isso. A PEC, ela é o processo, ela vai chegar no final, ela tem que passar pelo Legislativo. Então o que que a nossa gloriosa deputada fez? Ela coloca, colocou a PEC assim: a escala vai ser quatro por três.
Mas nós sabemos que o covil de ladrões, que é o Parlamento brasileiro, chefiado pelo Arthur Lira, é extremamente contrária a essa pauta, extremamente favorável às ideias neoliberais que o nosso camarada defende, com certeza.
O dia que o Arthur Lira for liberal, eu sou marra.
Então vamo debater. Não, o, o, o Arthur Lira não é liberal, ele é comunista, não é? Tu acha isso, né? Ele não é liberal não, ele é comunista.
Acho que o Arthur Lira, acho que o Arthur Lira é um-
Fantasma do comunismo.
Eu acho que o Arthur-
Então vamo lá, vamo chegar aí.
Eu acho que o Arthur Lira é um deputado fisiológico do centrão, só isso.
Fisiológico do centrão que defende as pautas neoliberais sempre a favor do mercado, porque todas as pautas do mercado passam no Congresso e a escala quatro por três não vai passar, conforme você falou, então ele não é a favor do trabalhador, ele é a favor do mercado.
Acho que a escala quatro, a escala, a escala seis por um não va- a PEC da escala-
O correto seria-
Posso falar, Davi?
Xô terminar, posso terminar? Vou te dar a palavra.
É que cê tá sempre terminando, eu nunca tô conseguindo falar. Cê pergunta qual é a posição do Arthur Lira, eu tento responder, cê não deixa. Vamo lá.
O que tu falou do Arthur Lira? Vamo lá.
Escala seis por um. Você disse que você é contra a ma, a manutenção da escala seis por um.
Exatamente. Então qual é o acordo que a gente pode chegar?
Então vou fazer uma pergunta pra você.
Por exemplo, diminuir a escala, é, pra cinco por dois e colocar quarenta horas semanais.
Então a gente vai proibir a escala seis por um e instituir a escala cinco por dois, é isso?
Esse é o debate.
Não, significa-
Eu estou defendendo cinco por dois.
Tá bom, eu tô, eu tô perguntando. É isso, diminuir de, mudar de seis por um e instituir-
Diminuir quatro horas, só quatro horas, de quarenta e quatro pra quarenta, é uma diminuição ok, que não afeta a produtividade. E a gente proíbe que as pessoas tenham que trabalhar necessariamente seis dias na semana. Coloca cinco dias pra você ter uma folga, pra você não achar que o domingo vai ser o pior dia, porque você sabe que na segunda-feira você vai ter que trabalhar muito pra ganhar pouco, porque o salário mínimo no Brasil é extremamente desvalorizado.
Não é o salário mínimo do DIEESE, é um salário mínimo de mil quatrocentos e doze reais. Normalmente, quem trabalha na escala seis por um recebe mil quatrocentos e doze reais. Porque é a tragédia do povo brasileiro, certo, meu camarada?
Já posso, posso falar? Sem interromper. Então a gente vai diminuir um dia de trabalho de uma porcentagem grande da população brasileira que trabalha na escala seis por um.
Tamo junto.
Qual é o impacto financeiro disso?
Vamos trabalhar no impacto financeiro?
Qual que é o impacto financeiro?
Então vamos lá, qual seria o impacto financeiro?
Não, perguntando pra você. Quem tá pedindo-
Não, eu falei pra cara. Tu me interrompeu, eu falei não.
O meu ponto é: vai-- cê garante que não vai ter impacto financeiro disso?
Não, tu quer falar ou tu quer deixar eu falar? Eu vou falar do impacto financeiro então, mas vou fazer o argumento.
Vou perguntar. Não vai ter impacto financeiro diminuir o jornada de trabalho?
Como que a gente faz com que a produtividade aumente-
Ó, antes disso. A gente vai de, não vai, não vai aumentar-
Pode falar.
Vou falar. Vou-- se eu puder falar um pouquinho, né?
Ué, pode falar.
A gente não vai aumentar a produtividade do brasileiro até lá, com certeza não vai aumentar.
Por que que não vai aumentar?
A gente vai aumentar a produtividade do Brasil até a aprovação dessa PEC.
[ruído] Pela maioria.
[riso] [som de erro] A moça que já queria ter sentado aquela hora. Vamo lá.
Bom dia, deputado.
Como que é seu nome?
Nicole.
Nicole, é filiada a algum partido?
Não.
Tá bom. Nicole, eu defendo que a escala seis por um deve ser mantida.
Sim, o senhor perguntou qual o impacto financeiro disso.
Uhum.
Pois eu, como dona de casa e mãe, vou te explicar pro senhor.
Uhum.
A es-- o fim da escala seis por um seria benéfico pra sociedade brasileira, porque as pessoas teriam mais tempo pra, por exemplo, cuidar da casa, fazer comida. Então isso melhoraria a economia doméstica das famílias mais vulneráveis e seria muito positivo pra nossa sociedade, inclusive pra saúde, porque você poder cozinhar em casa e comer a sua própria refeição traz mais saúde.
Ô Nicole, eu concordo que a escala seis por um atrapalha tudo isso da população. A minha discordância com isso é que não vai ser com uma PEC, que é com uma canetada lá de Brasília, que a gente vai aumentar a produtividade do brasileiro e fazer ele trabalhar menos e ganhar mais. Não vai ser, como eu provei na PEC dos domésticos. O que a gente tem que fazer pra aumentar-
A produtividade, ela é medida da, do quanto que é produzido em um determinado espaço de tempo, correto?
Sim, corretamente.
Então. Então é só você colocar mais pessoas dedicando o seu tempo ao trabalho.
Uhum.
Nós temos muitas pessoas na sociedade brasileira que não trabalham.
Tá, então o que você disse é colocar mais pessoas no mercado do trabalho.
Seria mais justo que mais pessoas trabalhassem-
Uhum.
E que mais pe-- as pessoas que trabalham mais hoje, que carregam a nossa sociedade-
Tá, vai acabar o nosso tempo. Então antes deixa eu só perguntar pra você de novo, que é a pergunta que não quer calar, inclusive a Erika Hilton não respondeu isso. Se a gente tá defendendo que tenha menos po-- as pessoas trabalhem menos, em menos dias, e você tá dizendo que tem muita gente querendo trabalho, então é só contratar mais, quanto custa isso pro capitalismo brasileiro? Com toda a-a burocracia que a gente tem, com a burocracia que a gente tem.
Como é que a gente contrata mais gente sem ter impacto financeiro?
O senhor concorda que normalmente o empresário tem mais dinheiro do que o trabalhador que ele contrata?
Com certeza.
[som de alarme] Então ele contratar mais trabalhadores ia trazer mais justiça social.
[aplausos e gritos]
Próxima pauta é: cotas raciais para negros são racistas.
[batida] Tamo junto.
Vamo lá, como que é seu nome?
Eliane.
Eliane, é filiada-- Eliana.
Sem partido nenhum.
Sem partido.
Tem cinquenta e dois anos.
Vamo lá, cotas raciais pra negros são racistas. Cê concorda ou discorda com essa afirmação?
Não, não, eu discordo. Só porque-
Por quê?
É, há alguns anos atrás eu tive câncer. Não tinha um médico negro, é, me atendendo. Tudo bem que era clínica particular. E toda vida eu passei por vários tipos de clínicas. Há pouco tempo, eu me fiz, eu passei por uma situação num posto de saúde, e eu me enchi de orgulho pelo fato de ter um médico negro. E tava cuidando da minha mãe.
Uhum.
E graças a esse projeto de cotas raciais, ele pôde entrar na faculdade. E eu tive motivo de orgulho, porque se eles conseguiram chegar lá, isso prova que qualquer pessoa pode ser. E acontece que a gente tem que ter cota sim, porque- [som de erro] [conversas ao fundo]
Vamo lá, como que é seu nome?
Luciana.
Luciana, cê é filiada a algum partido?
Muito bem. Sou filiada ao PT, mas mais que isso, sou pessoa de esquerda, sou militante.
Que pena pra você.
Das causas de esquerda.
Tadinha de você, hein?
Tadinha de mim?
Cotas raciais são, cotas raciais pra negros são racistas. Concorda ou discorda?
Não, você tá afirmando?
Tô afirmando.
Por quê?
Com três exclamações.
Então, me diga por que.
Porque pra mim é impossível a gente instituir um sistema de cotas raciais no Brasil sem você instituir o que é o apelido de tribunal racial. Hoje, nas universidades, nas maiores universidades do Brasil, apo-após você ser aprovado por cota racial, vai uma bancada avaliar. Em São Paulo, na USP, por exemplo, a bancada racial, que eu chamo de tribunal racial, um termo bem parecido com o que acontecia na Europa nos anos trinta, ela vai medir a espessura do seu lábio, vai medir a o tamanho do seu nariz-
É, isso que é necessário.
Vai ver a cor da sua pele ou não pra ver se você é negro ou não. Isso pra você é algo racista ou não? Medir a, o tamanho do nariz, o tamanho dos lábios-
Não, não é racismo.
Pra saber.
Não, não é racismo.
É.
Porque além da gente ser negro-
Uhum.
A gente tem, a gente tem a imagem do negro, né?
O que que é a imagem do negro?
Eu, você, olha aqui nós.
Então, eu quero ver.
Nós somos negros, tem o negro preto retinto, como eu, como você.
Uhum.
E tem outras pessoas que não, que são negras e também não são retintas.
Tá, ok.
Agora, racismo, cota pra negro não é racismo-
Deixa eu só terminar de novo, só o meu argumento antes.
Cotas pra negros não é racismo.
A Nicole que estava sentada aqui.
Cotas pra negros não é racismo, porque o sistema de cotas ele faz o contrário.
Uhum.
Ele escancara que a sociedade é racista. Quando cê fala que a cota é racista, você tá querendo dizer que estabelecer-- racismo é considerar inferior.
Não, isso é-
A o negro é inferior. Não, é estabelecer-
Isso é mentira.
Igualdade de oportunidades.
Isso é mentira. Quando a gente vai ver-
Isso tá na Constituição.
Na legislação, o que é o sistema de cotas-
Igualdade de oportunidades, não só "ah, somos todos iguais à Constituição". Tá, mas o Um outro artigo da Constituição também tem, diz que tem que haver igual-igualdade-
Uhum
... de oportunidade.
Uhum.
E isso não havia, querido. Não havia mesmo antes da lei de cotas, antes da UERJ, que foi pioneira-
Uhum
... estabelecer a lei de cotas pra negros.
Tá. Primeira mentira: cê diz que as cotas raciais não são racistas, porque elas são o inverso do racismo, é combater o racismo.
Com-- não, combater o racismo, não. Ela é uma lei inclusiva-
Quando a gente vai ler-
... reparadora
... quando a gente vai ler a legislação-
Ela é reparadora, ela expõe que o Brasil é racista e que por isso-
Tá. Quando a gente vai ver a legislação-
... por conta de quatrocentos anos de escravidão-
Hã
... que a população negra foi considerada inferior e a ela foi, a essa população-
Uhum
... foi negado todos os espaços, espaços intelectuais, espaço de trabalho digno.
Posso responder?
E pra essas pessoas, elas deveriam ser, ter sim, alguma ferramenta-
Posso responder?
... que estabelecesse pra elas alguma igualdade de competição.
Tá bom. Então vamo lá. Hã, quando a gente vai ler na legislação de cotas co-- tá lá escrito discriminação positiva, ou seja, até pra quem vai fazer a lei de cotas coloca que é uma discriminação, só que uma discriminação positiva, é uma discriminação do bem. Eu sou contra discriminação, mas tudo bem. Vamo lá. Agora você tocou a questão da escravidão-
Não faz efeitos práticos. Quan-quan-
Calma, deixa eu terminar.
Quantos cotas por cento-
Deixa eu terminar. Deixa eu terminar
... mais de duzentos e cinquenta por cento de estudantes negros ocupando os espaços universitários.
Uhum. Isso é por conta da-
Coisas que a gente não dis-
... da lei de cotas?
Com certeza, a lei de cotas-
Isso pra mim é racismo.
Por quê?
Pelo simples fato de que, pra mim-
Se os negros não ocupavam e-
Calma aí
... ocupavam bem menos os espaços intelectuais-
Perguntou por quê
... por conta de falta de oportunidades.
Cê perguntou por quê, eu vou responder seu porquê.
Ah, sim. Claro.
Posso? Se você deixar.
Com certeza.
Vamo lá. Por que pra mim é racismo? Porque pra mim negros e brancos são iguais.
Não, não somos.
Somos sim.
Não.
Somos humanos iguais.
Não.
Só que [risos]-
Humanos-
Posso, posso responder?
Humanos iguais.
Posso responder?
Mas não somos iguais em oportunidades, querido.
Exatamente. Então o que que a gente tem que fazer? Dar as oportunidades. Hoje, por que que os-
Como se dá oportunidades se você não cria legislação? Ninguém faz bondade-
Vamo estimular
... tá fazendo. Se fosse pra fazer bondade, a gente não tinha sido escoteado, querido.
Vamo estimular.
A gente não tinha sido assassinado, jogado no mar, entendeu? Milhões de negros, navios negreiros-
É disso
... trazidos, mortos-
Vamo estimular o parâmetro aqui
... e quando cha- tiveram que morar nas piores moradias.
Tá.
Da-- depois da Princesa Isabel, que você tanto exalta, assinar a Lei Áurea, foram largados à própria sorte, entendeu?
Concordo com quase tudo isso que tá dizendo. Vamo lá, vamo estimular uma coisa assim: quando você deixar eu falar, você não me interrompe mais.
Tudo bem.
Quando for a sua vez de falar, eu não te interrompo.
Tudo bem.
Pode fazer assim? Pra-- senão va-vai dar o tempo, ninguém vai falar nada. Negros e brancos são iguais. Por que que quando a gente vê o quadro das universidades brasileiras, a gente tem mais brancos do que negros? Por quê? Não é racismo, desculpa. A, a n-não é racismo. A questão é: porque a educação de, de negros e brancos é diferente. E por que a educação de negros e brancos é diferente?
Ah, ai-
Porque a escola pública brasileira, que é majoritariamente composta por pardos e pretos-
Ah
... a escola pública brasileira tem uma qual-- aí acabamos de estimular o parâmetro.
Não, não, esse argumento é falácia, querido.
Acabamos de estimular o parâmetro.
Esse argumento também é falácia.
Acabamos de estimular o parâmetro.
Mais uma.
Vamo lá. Acabamos de estimular o parâmetro. A, as escolas públicas brasileiras, elas são majoritariamente por pre-pretos e pardos, e as escolas privadas brasileiras, as de elite, são majoritariamente-
Mas cê sabe que as cotas, que a lei de cotas-
São majoritariamente para pessoas brancas. Quem tem esco-- quem tem educação melhor entre escolas públicas e escolas privadas? As escolas privadas.
Não. Quem te garante?
As estatísticas mostram, é claro. Cê acha que a escola pública brasileira é melhor que a escola privada?
Eu estudei em escola pública, o Colégio Pedro II, colégio ótimo, maravilhoso.
Um, um dos melhores colégios do Brasil.
E entrei pro colégio, e entrei pro colégio-
Vamo lá, a gente estimulou o parâmetro.
Lá em mil-
Três, dois, um, já! [risos]
Cotas raciais são racistas. Como que é o seu nome?
Ana Cristina.
Já foi filiada a algum partido?
Não.
Tá. Ana, concorda ou discorda da minha afirmação?
Discordo.
Por quê?
Porque as cotas raciais nas escolas, em todos os mo- os momentos educacionais, elas dão um nivelamento.
Uhum.
Entendeu? Ela nivela, ela proporciona que os indivíduos negros, aí sim-
Uhum
... os indivíduos negros e os indivíduos brancos ou não negros, tenham uma, uma, uma igualdade. Eles te- estabelece-se uma, um nivelamento.
Uhum.
Então não existe mais aquela questão, por exemplo, você falou da, das escolas serem melhores as escolas particulares, onde a predominância é branca, e as escolas piores são as escolas públicas e a predominância de pardos e negros. Por que isso?
Porque hoje o Brasil investe quatro vezes mais no ensino superior do que no ensino básico. Se a gente inverter essa lógica, ou seja, no ensino básico, a gente tem as pessoas mais pobres, né, nas escolas públicas, e no ensino superior, a gente tem as pessoas mais ricas. Se a gente inverte essa pirâ-
Já! [risos]
Vem, vem, vem.
Bom dia.
Bom dia.
Como seu nome? Já foi filiada?
Gabriele, nunca fui filiada.
Discorda da minha afirmação, provavelmente.
Discordo.
Por quê?
Porque nós sabemos que a desigualdade no Brasil-
Uhum
... é o principal fator pra maioria dos problemas que nós temos na nossa sociedade.
Não-
A desigualdade, ela prejudica principalmente pessoas que foram desfavorecidas pelo, pela desigualdade social no Brasil.
Uhum. Então por que que a gente não pode acabar com a cota racial e instituir então uma cota social?
Nós temos muitas ações sociais que favorecem os mais desfavorecidos-
Uhum
... as pessoas que não têm oportunidade.
Se a gente, pra mim, se a gente acaba com a cota racial e institui a cota social, quem vai se beneficiar disso são os-
Não-
Eu tô dizendo pra mim. Pra mim. Se a gente acaba com a cota ro-racial e institui a cota social-
Mas aqui-
... quem vai ser favorecido são os mais pobres, socialmente mais pobres. Nessa parcela da sociedade, a maioria são pretos e pardos. Então, em tese, a maioria de quem vai entrar com as cotas sociais são negros e pardos. Pra você, as pessoas brancas vão ganhar dos negros na cota social?
Nós não temos apenas pessoas pretas, e não é sobre o que você acha.
Mas é que eu quero ter mais pobres nas universidades.
Sim, sim.
E pra mim vai acabar entrando mais negros, porque no Brasil-
Mas quem são os, o pessoal mais pobre?
Os negros.
As pessoas que saíram-
Os negros
... dai-- sim. As pessoas que-
Então, com a cota social, quem vai entrar na facul- na universidade?
Posso terminar de falar?
Uhum.
As pessoas que foram desfavorecidas socialmente-
Uhum
Diretamente pelo racismo
Sim, mas-
Somos nós que sofremos. Não adianta a gente querer fazer ações só sociais, sem ter um combate direto ao racismo pra ter uma equidade, não é?
Mas cê- Três, dois, um já.
Não adianta não. [risos]
Cotas raciais para negros são racistas. Discorda ou concorda?
Na verdade, eu queria entender o por que que tem até pra ser deputado, senador, vereador, a gente tem cota até pra legislação eleitoral.
É verdade.
Se isso-
Pra mim deveria acabar
Se isso fosse uma coisa tão irrelevante, a gente não teria cotas em todos os-as versões, né?
Como assim? Como assim?
De escola, até o cargo mais alto do nosso-- segundo cargo mais alto do nosso país. Mas a minha pergunta-
Que pra mim deveria acabar a cota racial em todas
A minha pergunta é a seguinte:
Manda bala.
Gente já teve cota pra branco.
Ah, é?
Sim, você não lembra?
Não.
Em 1840, a gente começou um projeto de eugenia, trazendo os europeus brancos, dando um bolsa família pra eles. A gente dava terras, a gente bancava a escola. Escola pública que tem hoje, era pros brancos europeus.
Tá. E você concordava com essa cota?
Posso continuar?
Cê concorda com essa cota pra branco?
Posso continuar? Eles ainda ganhavam terras. O que que nós pretos ganhamos com a alforria, com a libertação dos escravos?
Entendi.
Ficamos aqui próximos, jogados e depois fomos excluídos e jogados mais pra dentro ainda da nossa cidade. Cota tava errada naquele momento. Por que que não fizeram alguma coisa para nós pretos?
Então teve uma cota branca lá atrás que foi errada, e você-- acho que você não concorda com tudo isso que tá dizendo sobre cota pra branco. Aí agora o que a gente vai fazer é uma cota pra negro, pra limpar o erro do passado.
Posso continuar?
A gente vai ficar fazendo assim?
O que você hoje vê no CEDERJ é, além de ser preto, ser indígena, você tem uma renda.
Uhum.
Então a cota que você disse já é contemplada, só você que não sabia.
Não, existe cota social e existe a cota racial. O que eu quero-- o que eu defendo é acabar com a cota racial-
Você sabe por que que você quer que acabe com a cota racial?
Eu sei.
Porque tem um monte de branco como ACM Neto, que fingiu de preto pra usar a cota na eleição.
Inclusive postei um vídeo criticando todos os políticos que fazem isso.
Então a gente concorda em alguma coisa.
Mas cê vê, a-as-- vocês vão lá, colocam cotas em vários setores, inclusive na cota das eleições.
Eu tô falando pra você não-
Aí no fim do dia, a sua cota vai beneficiar o ACM Neto. Tá vendo exatamente o problema?
Você não sabe.
Eu sei.
Eu não recebi o valor porque uma branca recebeu minha cota de preto.
Mas aí acho que a gente vai pra outra discussão.
Quem faz isso?
A gente vai pra outra discussão de fundo.
Não, é a mesma discussão. Se você tem uma cota, você então respeite a cota e pare dos brancos usarem as cotas dos pretos.
Como é que a gente acaba... Três, dois, um. Já! [som de rasgo] [risos] Cê vê?
Pra essa rolar aqui. Então eu sou Giovanni Passos, tenho trinta e sete anos, sou professor de Niterói.
Vamo lá então. Giovanni, cotas raciais para negros são racistas. Cê discorda, né?
Com certeza.
Ainda bem, eu fico feliz quando o pessoal discorda de mim, eu admito.
Não é meu lugar de fala que eu sou uma pessoa branca.
Sei.
Só que de qualquer forma eu quis-
Então, por favor, próximo negro.
Não, não, mas eu posso pelo que eu aprendi-
Entendi
...como aliado.
Tá. Então, nesse caso não é seu lugar de fala, deve ser o meu.
Você-
Então tudo que eu falar sobre cota racial, você vai de-acreditar.
Nem-nem sempre, né.
Mas você não tá no seu lugar de fala. Você não tá no seu lugar de fala.
Existe LGBT, LGBTfóbico, existe preto racista.
Hã? Existe preto racista?
Existe preto racista.
Ah, é.
Obviamente, mulher machista. Agora, eu fiz uma-
Eu concordo, eu concordo com você. Concordo com o PSOL.
Eu fiz uma breve pesquisa.
Hã.
O seu bisavô foi um dos principais militantes pretos do Brasil, jornalista, cê deve... José Benedito, né?
José Correia Leite.
Então, pra você tá aqui hoje, certamente seu avô lutou muito pra que você estivesse aqui. Então, as cotas são importantes, porque muita gente lutou lá atrás pra que tivesse um pouco de espaço na sociedade. Eu sei pelos meus amigos, pelas pessoas que eu acompanho na militância, pelo-- o pouco de espaço que ainda tem.
Com certeza.
É porque muita gente lutou lá atrás-
Uhum
...pra que você inclusive tivesse aqui hoje podendo falar.
Exato.
Você tem vinte e cinco anos apenas, tem muita coisa pra aprender. Eu sou um pouquinho mais velho que você, eu sou professor.
Inclusive muita gente-
E formei na UERJ.
Muita gente lutou lá atrás pelas coisas que só o seu partido hoje tenta destruir aqui no Brasil.
Ela foi professora também, professora da rede estadual de São Paulo, na verdade. Fiz uma breve pesquisa sobre você.
Cotas raciais não são racistas no Brasil.
Ela sabe como é difícil, certamente uma mulher preta na sociedade sofre muito pra conseguir levar o sustento pra casa-
Sim
...pra conseguir ser respeitada, conseguir emprego, conseguir o estudo pros seus filhos.
Com certeza.
Aí inclusive entraria a questão da escala seis por um, que eu não consegui falar.
Ah, não, não, não.
Que a escala seis por um seria-
Cotas raciais, cotas raciais.
É, não deu pra falar, essa que a escala seis por um-
Falou do meu avô, falou do PSOL, falou da minha mãe, falou da escala seis por um, menos de cota racial.
É debate, é debate. Não, eu tô falando da cota racial. Cota racial é importante justamente pra fazer uma reparação, como algumas pessoas falaram aqui.
Cê acha que o tribunal racial é positivo ou negativo?
Eu tenho certeza que as pessoas não gostariam de precisar disso.
Tribunal racial é positivo ou negativo?
Não, isso não existe, isso não é.
Tribunal racial não existe?
Isso é uma invenção sua, é o nome que você tá dando, isso não existe.
Tá.
Isso é o nome que você deu, porque isso não existe na verdade.
A bancada racial da USP existe ou não existe?
Existe uma bancada, óbvio que precisa, assim como tem que ter a bancada LGBT-
Não, por favor, por favor
...tem que ter a bancada LGBT sim, porque a gente não tem voz ainda, hoje a gente é excludado muito.
Não, não, a bancada da USP, não da assembleia.
Precisa ter bancada de-- precisa ter representatividade, qualquer espaço. Seja na universidade, seja na Câmara de Deputados onde você-
Isso cê não entendeu
...onde você trabalha só três dias por semana.
Assembleia, eu trabalho todos os dias. Inclusive tô gravando no sábado, tô gravando no domingo, segura o trabalho de novo.
Três dias, quatro dias, às vezes dá uma viajada. Sábado, trabalho vinte semanas.
Isso são os parlamentares vagabundos do seu partido. Eu trabalho todos os dias.
Vagabundo não, porque cê tem que respeitar. Aí que começa a diferença entre nós, você tem que respeitar. Não tem respeito. [aplausos]
Próxima pauta. É: lugar de bandido é na cadeia, independente da idade. Quem quer? Caramba, só alegria. Como que é seu nome?
Leandro Rocha.
Leandro Rocha. Foi filiado a algum partido?
Olha, eu fui filiado à Rede, mas eu tô na justiça contra eles. Eles me expulsaram, eu ganhei na justiça em primeira instância, tô esperando o julgamento do recurso.
E a Rede já não pode perder tantos quadros, tá?
Pô, já não tem.
Vamo lá, vamo lá. Então só estabelecendo a minha posição aqui, antes que você possa discordar dela, é: eu defendo que lugar de bandido é na cadeia, independente da idade. É, isso tem que ter, evidentemente, cadeias diferentes pra gradações. Mas eu acho que a partir dos dezesseis anos de idade, que é a administração da maioridade penal, aí ele tem que andar na cadeia dos adultos, porque a partir dos dezesseis anos de idade, a população ela já tem o discernimento do crime que tá cometendo, já tem o cometimento de crime, tem o cometimento de crimes extremamente violentos e ele já tem vários direitos que adultos têm.
Ou seja, tem... Por que que a partir dos dezesseis anos de idade, o cara pode casar, pode casar, definir a sua própria-- sua esposa ou seu marido e não pode, hã, ir pra cadeia se cometer um crime? Além disso, a gente tem crimes hediondos. Imagina se o cidadão dezesseis anos vai lá e estupra, estupra alguém. Esse cara não pode ser preso? Não tinha discernimento do que, do que teve?
Então olha só, vamo lá. Primeiro: a maioridade sexual no Brasil hoje é catorze anos, artigo duzentos e dezessete-A do Código Penal. Então o entendimento hoje é que, por exemplo, uma pessoa que não completou catorze anos ainda, se ela fizer sexo entre aspas, consentido com uma pessoa maior de idade, ela não pode-
Não, isso que eu tô dizendo não. Um cara de dezesseis anos estuprar uma maior de idade. É isso que eu tô dizendo.
Não, então, mas olha só, o raciocínio é o seguinte, se vo-- se a gente entende na legislação que uma pessoa, por exemplo, com menos de catorze anos, ela não pode, por exemplo, discernir sobre o ato sexual, como é que você quer que uma pessoa menor do que isso possa responder igual, como se, como se fosse adulta? É meio incoerente.
Sim. Se um cara de dezesseis-- vou repetir então: se um cara de dezesseis anos estuprar uma adulta, ele não pode ser preso pra você, não pode ir pra cadeia.
Não, eu acho que deveria poder ir pra uma cadeia específica pra pessoas menores de idade.
Então, mas já tem isso, né? E não me parece que tá funcionando. Os cara, as pessoas, os criminosos de dezesseis anos, além do aliciamento gigantesco que a gente tem do tráfico, os aviõezinhos que a gente sabe, eles são aliciados no tráfico justamente por conta dessa l-legislação leniente com a cri-com a criminalidade, leniente com os vagabundos, que aparentemente você tá defendendo, porque eles sabem que com essa legislação leniente é mais fácil você aliciar o menor de idade, porque ele vai poder cometer esse crime e isso não vai ser.
Então vou repetir a pergunta: pra você, um cara de dezesseis anos que estuprar uma mulher adulta, ele não tem que ir para a cadeia junto com outros adultos?
Junto com outros adultos, não. Ele, ele poderia até ir pra uma cadeia separada.
Qual o problema? Qual seria o problema dele tá numa cadeia com adultos?
Porque existe uma, existem umas q-questões assim, fi-- é, até fisiológico, do cérebro da pessoa não tá totalmente formado. Eu acho que fora que a pessoa, a questão... [vinheta]
Nicole, vamo lá. Lugar de bandido é na cadeia, independente da idade. Eu fiz a gradação, que pra mim cadeia de adultos a partir de dezesseis anos.
Em relação ao argumento das cotas raciais, o senhor falou em Tribunal das Cotas ou Tribunal da Raça.
Tribunal Racial.
Tribunal Racial.
Eu não f-- é, eu falei, porque existe em São Paulo.
E agora, em relação ao bandido, o termo bandido-
Uhum. Vagabundo.
Nós temos também tribunal.
Sim.
E aí tem o julgamento.
Sim.
E o ser humano é falho.
Uhum.
Então, ao meu ver, o maior problema hoje se encontra no julgamento, e não, né, quer dizer, o sistema prisional tem vários problemas, mas com certeza um deles é o tribunal.
Acho que um dos maiores problemas do sistema prisional brasileiro é não ter pessoas acima, hã, de dezesseis anos pra cima, hã, lá dentro, né? Ou antes dos dezoito anos. Acho que esse é o maior problema, porque a criminalidade de menores de idade, que é o famoso menor infrator, ela é gigantesca. Por que a minha diferença de tribunal racial, hã, por que eu critico o tribunal racial e por que eu defendo um tribunal pra julgar a, a, os menores infratores?
Porque o tribunal racial é muito difícil da gente discu- [vinheta] Nome?
Alexandre Guaranys.
Já foi filiado a algum partido?
Sou PT e nasci na elite do teu país. Sou bisneto do primeiro presidente da República, minha família comandou o Dops e eu sou herdeiro de Mendes Sá, Estácio Sá e Correia de Sá. Me admiro muito eu defender a cota-
Uhum.
E vocês não.
Não, mas a, as coisas que você defende pelo PT é só vagabundagem. Ainda bem que cê é mais uma coisa que você, que você critica. Mas vamo lá. Lugar de bandido é na cadeia, independente da idade.
Sim, sim. Aí eu começaria falando sobre a indústria do crime.
Tá.
Então assim, independente da gente, de nós termos uma condição de dezesseis anos, eu concordo com dezesseis anos na cadeia, mas eu sou contra a indústria do crime, que você tem o vo-- é, é, é só a favor da legalização das drogas, por exemplo, porque vamo privatizar as drogas, né, ao invés de privatizar o meu minério, que dá autonomia e ge-gera hegemonia pro meu país, entendeu? E, é, é, é desde 68 que você passou a fabricar bandidos.
Uhum.
E é engraçado porque o alijamento do negro direcionou ele pra, pro tráfico de drogas.
Por que?
Que gera um dinheiro. Porque foi pra favela, da favela foi introduzida a droga-
Uhum.
Com as armas-
Uhum.
Que são administradas pelos traficantes.
Então você defende a redução da maioridade penal pra dezesseis anos.
Defendo sim, mas concomitantemente, concomitantemente à uma ação-
Então, acho que não tem debate aí então.
Não, cara.
[risos] Vamo lá, Davi.
Vamos lá. Meu nobre deputado falou aqui que podia ser qualquer idade. Qualquer idade. Ah, nove anos, vai pra cadeia. Então quer dizer, não tem critério, né? Falou, aí depois ele reviu, falou: "Então vamo pro dezesseis". Então vamo falar-
Eu fui interrompido, Davi.
A tua proposta é pra acabar com a criminalidade, é isso?
Não, não, não. Eu quero prender vagabundo só.
Só prender vagabundo, mas cê não vai acabar com a criminalidade ou vai? Essa proposta é pra quê? Qual o objetivo da proposta?
Eu acho que eu tenho várias outras propostas pra segurança pública pra gente diminuir a criminalidade. Agora, o objetivo da redução da maioridade penal é claro, é uma, é uma finalidade penal, pra prender gente que deveria estar na cadeia, gente que inclusive pode te assaltar a qualquer momento, assaltar um familiar seu. E aparentemente você defende que esse cara que te asso-se assaltar, se não tiver dezoito anos de idade, ele não pode ir pra cadeia.
Se esse cara estuprar um familiar seu, por exemplo, usando aquele famoso argumento-
Existe punição ou não existe punição? Se o cara cometer um crime com dezesseis anos.
Existe punição.
Então existe punição.
Mas a punição é completamente falha, porque ele vai sair da cadeia.
Ah, é, é falha porque ele vai sair da cadeia.
E muito pouco, e muito pouco tempo.
Ele vai pra cadeia então com dezesseis anos?
Vai, mas por muito pouco tempo.
Qual cadeia que ele vai com dezesseis anos?
A cadeia de menores de idade, cara.
Que cadeia é essa? Todo mundo sabe qual é a cadeia.
Em São Paulo a gente chama de FEBEM. Em São Paulo a gente chama de FEBEM, FEBEM, ele vai pra FEBEM. O cara dezesseis anos ou dezessete anos, ele vai acabar indo pra FEBEM. Na FEBEM-
Ele tá resolvendo o problema? Ele entra na FEBEM e sai melhor do que ele tava?
Não, porque ele, porque ele já-
Então não resolve o problema. Então reduzir a maioridade penal não resolve o problema.
Não tô dizendo isso, Davizão, Davi.
Moço em banana, meu deputado. Vamo lá.
Davi, vamo estabelecer.
Com calma.
Vamo estabelecer aqui. Quando eu tiver falando, cê não me interrompe, quando cê tiver falando, eu não te interrompo. Pode ser?
Vamo que vamo.
Então vamo lá.
Tamo rebatendo, tamo debatendo ali a câmera de fundo.
O que eu acho, o que eu acho: a reincidência de menores de idades quando vão pra FEBEM, ela é muito alta. É muito alta por, por um simples motivo.
E pessoas adultas quando voltam pra cadeia, também a reincidência é grande. Então não tem oito, tenta outro.
Mas aí que tá, mesmo que a reincidência seja grande pra pessoas adultas, pelo menos esse vagabundo vai ficar mais tempo longe da sua família É isso que eu defendo. Pra mim vagabundo-
Ele vai aprender a ser melhor na cadeia?
Aí, aí a gente tem-- Ó, aí é, aí, aí eu acho que é uma, é uma grande-
Então o problema não foi resolvido.
Aí pra mim-
Qual é? Vai resolver o problema? Não resolveu.
Pra mim é-- Aí a gente vai discutir em uma, em uma outra discussão que é: como é que a gente vai mudar o sistema carcerário brasileiro? Isso aí é uma outra história. Eu acho que até lá-
Vai botar todo mundo na cadeia e não vai resolver o problema, porque o sistema carcerário brasileiro é muito ruim.
Eu vou, eu vou.
Então pra PEC-
Eu vou
... do, do seis por um, você não pode fazer a PEC porque tem todo o sistema pra mudar.
Deixa eu falar.
Agora você reduzindo a maioridade penal resolveu os problemas do Brasil.
Exatamente. [aplausos]
O deputado é brabo. Parabéns pra ele. Ele sabe muito resolver o problema. Guto Zacarias pra presidente, reduzir a maioridade penal. Tudo vai se resolver no Brasil.
Posso falar?
Vai que vai.
Sem ser interrompido?
O tempo é seu.
Sem ser interrompido?
Pode falar.
Pra mim a diferença é muito clara. Hã, eu acho que a gente tem que mudar, sim, o sistema carcerário brasileiro pra, a partir do momento que esse cara entra na cadeia, ele poder sair melhor. Só que, enquanto a gente não mudar, pra mim tem que prender vagabundo. Pelo menos ele vai tá longe da sociedade. Pra mim ele não vai tá estuprando, não vai tá roubando, não vai tá matando.
O que vai acontecer com ele na cadeia, pra mim a gente tem-
Falou igual o Bolsonaro. Falar: é só não matar, é só não roubar. Muito bom, vai que vai.
Eu poderia falar assim também com pessoas que matam, roubam e estupram, mas aparentemente cê tem uma leniência com vagabundo.
Mas isso não resolve também, a gente tem que resolver o problema.
Aí é uma, aí é uma questão moral nossa. Aí é uma questão moral nossa. Próximo?
Vai, vai.
Três, dois, um, já!
Nome?
Meu nome é Élcio da esquerda.
Élcio da esquerda. E você é filiado a algum partido?
Filiado ao PT, partido de guerra.
Bem salão do Petrolão também. Élcio, vamo lá. Pra mim, é, lugar de bandido é na cadeia, independente da idade.
Olha, se lugar de bandido for pra cadeia, a gente já teria o Bolsonaro, né galera? Já teria o Bolsonaro, [aplausos] já teria os coronéis. Então, que na verdade é seu amigo o Bolsonaro, né? Você sabe muito bem, ele é seu amigo, você protege ele, então você deve concordar com a cadeia do Bolsonaro.
Pra mim o Bolsonaro tem que tá na cadeia.
Com certeza, esconde joias-
Pode tá junto com-
Falsifica cartão de vacina. A gente não tem presídio pra capacitar todo mundo, né? Então aí já, essa tese tua já acaba.
Como assim? Qual tese?
Porque os presídios tão superlotados. Como é que você quer diminuir? Primeiramente tem que fazer uma reforma nos presídios, tem que mudar a legislação.
Então, cê defende que a gente crie então mais presídios.
Não, eu defendo que crie mais escolas.
Aê!
Mais escola pra nossa população. E isso vocês não têm feito. Vocês não têm trabalhado em prol disso.
Eu não tenho?
Nenhum deputado bolsonarista e extremista trabalha pra educação.
Acabei de falar que eu quero o Bolsonaro na cadeia, eu continuo sendo deputado bolsonarista, mas vamo continuar. Eu sou o deputado estadual que mais in-inviste na educação. Já enviei oito milhões de reais pra educação. A maioria das minhas leis aprovadas são na área da educação. Jovem capitalista que é de educação financeira nas escolas, é minha lei. Robótica e programação é minha lei. Oito milhões de reais investido em educação.
Mas não adianta só-
Muito mais que os deputados do seu partido.
Não adianta só criar lei, você tem que agir.
Pausa, vai aí!
Beleza. Valeu galera. Quatro e trinta. Luciana, hã, pra mim lugar de bandido é na cadeia, independente da idade.
É, você defende que a pessoa menor de idade, pela legislação, que é considerada menor de idade ou menor de dezoito anos, vá pra cadeia comum, é, quando cometa um crime, né?
Eu fiz a gradação que a partir dos dezesseis, dezessete anos, cadeia comum, abaixo disso pode continuar indo pra FEBEM, que é cadeia.
Aí você trouxe pra dezesseis e tal, que é na verdade afirmação anterior a qualquer idade, mas ainda assim.
Mantenho essa afirmação.
É, é, ah, cê mantém a posição. Então a pessoa de doze, treze anos também deve se juntar à, à, à população carcerária brasileira-
Uhum
... que as estatísticas, a ciência mostra que o indivíduo quando é preso, ele vai pro, vai pra cadeia e ele sai de lá pior do que ele entrou.
É uma pena.
Porque os presídios brasileiros são escola de fazer, de formar bandidos. As pessoas às vezes entram por, por, por uma causa pequena ou menor, ou até que seja julgado, né, ainda tem isso.
Uhum.
E-
Projetos de lei que eu tenho em São Paulo, que é o anti escola do crime, pra colocar pessoas que são de facção em celas diferentes pessoas de facção. Mas vamo lá, hã, que aparentemente tem seu apoio, já.
Nada que cê faça tem meu apoio, desculpe. [risos]
Mas cê falou o caso, cê falou o caso.
Nada que você faça. Não sou a favor de que pessoas com menores de-
Dezesseis anos não pode ir pra cadeia
... menores de dezesseis anos vá pra cadeia comum.
Porque ele vai sair pior.
Sou a favor. Eu sou a favor de que as pessoas sejam punidas pelos atos dentro do que estabelece a legislação-
Uhum
... apesar de a lei não ser igual pra todos, que ela não é. Mas eu sou a-
Você defende que o voto, o voto tem que ser a, a partir dos dezoito?
Não, a gente não tá falando de voto. A gente não tá falando de voto, não. A gente tá falando de cadeia, tá?
Você defende que a gente não pode casar antes dos dezoito?
Não, esse negócio de casar também é outra-
Por que que não pode ser preso, então?
Não, não, não, não.
Por que que não pode ser preso antes dos dezoito?
Não, não, querido, você tá querendo trazer uma outra questão.
Pra você, um cara de dezessete anos que rouba alguém.
Dezessete anos, hã...
Um cara de dezessete anos que rouba alguém, não tinha discernimento do que tava fazendo?
Não, não, ele vai pra cadeia, mas a nossa legislação e a que eu defendo que seja mantida, é que ele vá pra uma, pra, pra reparação, e não pra um presídio, os presídios tradicionais que nós temos aqui, os convencionais, que nós sabemos como o sistema carcerário está. Entendeu? Superlotado-
Tem, de forma
... é, com pessoas doentes, e não é, não é pra í-- não sou a favor.
E o sistema de reparação, que em São Paulo é a FEBEM, tem funcionado pra você?
Não sou a favor. Não, em São Paulo, São Paulo eu não sei.
No Rio, o sistema de reparação pra... Tem funcionado?
Não, também não tem funcionado, mas a cadeia também não tá funcionando não, querido. Assim, pro que você tá querendo dizer.
Então não pode ir pra lá.
Ó, primeiro, o indivíduo ele é inocente até que se prove o contrário, certo?
Claro, aham.
Todo, todos eles. Se o, o, o camarada cometeu uma infração-
Camarada é só o seu pessoal, aí o meu pessoal-
Se o, se o... Eu tenho direito de falar, você aceita se quiser.
Se o camarada pra você e o vagabundo pra mim cometeu uma infração-
Ô, cê tá falando vagabundo o tempo todo e ninguém tá entrando...
Se cometeu uma infração-
Eu chamo de camarada, e qual o problema? Algum? Não, né?
Não.
Então, se a pessoa comete-
É assim que eles se chamam
... se a pessoa, se a pessoa comete algum tipo de infração, ela tem que ser punida sim, mas não ir pra cadeia comum com dezesseis anos.
Por que que cê acha que um cara de dezesseis anos, que um cara de-
Eu acho que ele não s-- não tá com a, com a, com a, com a mente formada o, o suficiente ainda.
Tá.
Cê vê que pessoas com vinte e cinco anos ainda não sabem o que tão fazendo.
Pois é, e quantos anos cê tem? Quantos anos cê tem?
Cinquenta e cinco. [aplausos]
Ela saiu?
Acabou. Acabou não.
Então pra você-
É quando eu ouvi aplauso.
Pra você, se um criminoso de dezesseis anos estuprar uma mulher, ele não tinha consciência do que tava fazendo.
É possível que não. É possível. É possível que ele não tivesse. Não é a consciência, eu acho que aqui-
Dezessete anos.
Olha só, eu acho que aqui-
Dezessete anos e seis meses.
Eu acho, Guto, eu acho que a gente não tá batendo a consciência não, a gente tá batendo uma legislação que eu defendo, que é a que a gente tem atualmente.
Felizmente, felizmente, oitenta e sete por cento dos brasileiros, de acordo com a pesquisa-
E eu defendo que a pessoa até dezesseis anos não vá para o presídio convencional no Brasil.
Eleitor do Bolsonaro ou eleitor do Lula, oitenta e sete por cento dos brasileiros, segundo o IBGE, defendem a redução da maioridade penal, porque eles conseguem entender que um pilulão de dezessete anos já pode ser preso.
Meu Deus, mas as pessoas não têm muita consciência não, votaram em Bolsonaro, querido. Votaram no Lula. Votaram no Lula. Então, ainda bem, né, conseguimos.
Oitenta e sete por cento da população.
Pois é.
Consegue discernir isso. [toque de telefone] A próxima pauta é "Criança trans não existe". Quem quer discutir? Nós tivemos recentemente lá na assembleia uma CPI que investigou o Hospital das Clínicas de São Paulo, fez o relatório, o relatório foi aprovado, virou um projeto de lei sobre criança trans. Meu ponto é, Nicole, criança trans não existe.
Meu ponto é, criança sim, existe.
Posso, posso, posso terminar? Criança trans não existe. Hã, a gente tem vários estudos que eu posso citar, eu peguei apenas um estudo de Harvard pra gente detalhar, e eles falam dos problemas dos bloqueadores, hã, de puberdade. Além disso, tem uma taxa de desistência altíssima para, para pessoas que começam a transição. Cerca de oitenta por cento das pessoas que dizem ter a disforia, elas de-- quando chegam na puberdade, elas mostram que elas não têm essa disforia, isso é uma verdade.
O termo disforia, por si só, ele já é bem problemático, né?
O que que é disforia pra você?
E como o senhor colocou-
O que que é disforia?
No termo, não existe.
O que é disforia?
O que seria então disforia?
Cê não sabe.
Vou admitir que não sei pra, se eu puder ser educada.
Disforia, disforia é quando você quer mudar a, quando você tem o desejo de mudar de sexo, antes de mudar ou depois de mudar.
Então, isso não é disforia segundo o dicionário, com certeza não é, tá?
Disforia é você ter vontade de mudar de sexo, querer mudar de sexo.
Eu tenho, eu tenho boa noção de gramática e ortografia e posso dizer pro senhor com certeza, com cem por cento de certeza, que disforia tecnicamente não significa isso que o senhor diz.
Mas vamo lá, você tá dizendo que o termo disforia ele é um tema muito problemático, que muitas pessoas não entendem. Então quem tem que tomar uma decisão sobre isso é uma criança.
Não.
Cê tá, cê tá falando, o termo disforia é muito problemático, muita gente não entende, beleza. Uma criança com disforia, é ela que vai discernir? Uma criança.
Você não pode dizer que uma criança tem disforia, isso é errado.
Então se a criança não tem disforia de gênero, ela não tem vontade de s-se mudar de sexo ou se sente no corpo que ela não é dela, por que que ela vai transicionar?
Porque ela quer.
Porque, e se ela quer, é porque ela tem...?
Desejo, vontade.
E o desejo de mudar de sexo se chama disforia de gênero. É muito simples. Não é?
Ninguém vai mudar de sexo, o senhor concorda comigo?
É uma grande discussão, a gente pode discutir isso no outro episódio.
É uma grande discussão.
A gente deixa crianças fazerem coisas complexas?
Sim, eu deixo.
É?
Sim, sou mãe, é, tenho dois filhos e eu permito que os meus filhos tenham decisão, te-- tomem decisões sobre a vida deles, que não vão causar impactos que eu acredite, né, porque aí é isso.
Bom.
Quando a gente é mãe, a gente tem que tomar decisões difíceis.
Nossa, o Estatuto da Criança e Adolescente tá assistindo esse vídeo, hein?
Não tenho medo nenhum disso, sou uma ótima mãe.
Cê deix- cê deixaria o seu filho quando, fumar, por exemplo?
Não.
Porque vai fazer mal pra ele, né?
Sim.
E a disforia de gênero, se você transiciona, você começa a fazer bloqueador de puberdade, não tem nenhuma prova que se ele desistir disso, não vai fazer mal pra ele.
Eu, como mãe, iria tentar convencer meu filho a não tomar uma decisão dessa. [efeito sonoro]
Tô achando que esse tema a galera tá...
Não, normal. Acho que eles acham que criança trans não existe.
Irmão do PSOL, vai lá.
Só pra começar, eu vou perguntar se você é LGBT+.
Eu?
É.
Não.
Então já fica mais complicado pra você realmente falar com propriedade do assunto, que você não é uma pessoa LGBT.
Aham.
Não sei se você convive com pessoas LGBT.
Isso valeu na discussão de cota racial? Não, né?
Não, então eu falei pra você que eu era aliado. A criança realmente precisa de um acompanhamento da família-
O que é disforia de gênero pra você?
Então, disforia realmente você deu uma distorcida ali, porque disforia-
De gênero
Realmente é uma palavra complicada porque parece uma coisa ruim. E isso não é, isso não é ruim, porque a criança tá se desenvolvendo, se descobrindo, tem que ter a liberdade de poder se perceber, se descobrir, sem poder ter limite, por exemplo, de chegar uma ministra da, da, dos Direitos Humanos e falar que homem veste azul e mulher veste rosa. Mulher veste rosa, né, e homem veste azul, tipo, é uma bobeira, mas é uma bobeira que parece uma piada, que muita gente levou como chacota, mas carrega um peso.
Eu, como LGBT, sou um homem gay, eu sei o que eu passei por piadinha, por bullying na escola, por preconceito dentro de casa, então-
Você não gostou do, da passagem da ministra Damares pelo Ministério dos Direitos.
Não, é, óbvio que não, né. Inclusive ela tem várias denúncias complicadas lá, né?
Então, eu só citei pra dizer que eu também não gosto. Então como a gente não discorda desse tema, a gente pode ir pro tema que a gente discorda, que é criança trans.
É difícil, é difícil debater com uma pessoa que, que é con-- eu acho que vocês foram contra a vacina, né? Então, um grupo, a MBL, tradicionalmente negacionista, que, que fez a campanha vocês-
O MBL foi contra a vacina? Quando que foi?
O Bolsonaro, vocês sempre andaram juntos, você e o Sérgio Moro sempre andaram juntos, né.
O MBL é contra a vacina?
Bom, uma parte de vocês foi, pelo menos.
Quem? Cita o nome.
Uma parte de vocês foi. Vocês têm uma, uma campanha de direita-
Quem?
Negacionista. Não vou lembrar o nome de vocês, que eu não fico vivendo a vida de vocês.
Mas tá afirmando, hein.
Não, vocês são negacionistas, o MBL-
Você não tem muito compromisso com a verdade, cê tá mentindo, o MBL nunca foi contra a vacina.
Inclusive você chamou de vagabundo ainda agora, né? Você é tão desrespeitoso que ainda agora você chamou de vagabundo. Que aí isso inclusive poderia caber um processo a você.
Só vagabundo.
É, isso poderia caber um processo a você. Você pode mostrar gravando? Você está gravando. Você chamou de vagabunda. Existe limite. Debate, a gente pode debater sem, sem ofensa.
Tá bom.
O Bolsonaro vai ser preso
O MBL na pandemia pediu a prisão do Bolsonaro. Na pandemia a gente pediu a prisão do Bolsonaro, pediu impeachment do Bolsonaro e defendeu a vacinação. É que o partido do cara não tem muito compromisso com a verdade. Eles querem a, a, a rotar as coisas e, e é isso. O partido de vocês é o maior partido fascista... O cara é filiado ao Partido dos Trabalhadores. [risada] Senta aí pra falar o que é fascismo.
O que que é fascismo?
É, o Deputado afirmou aqui que o PT é um partido fascista.
Não afirmei.
Obviamente ele não fala, ele não entende o que ele está falando, que ele não sabe o que que é fascismo. Então o que que é fascismo, Deputado?
Não afirmei isso.
Ué, então fala o que que é fascismo.
Eu não afirmei que o PT é fascista.
Então fala o que que é fascismo.
Ele falou que o meu partido... Davi, eu afirmei que criança trans não existe. Vamo lá.
A pauta agora vai ser criança trans, porque o nobre Deputado não quer discutir o que é fascismo.
Mentira.
Ele vai ficar um pouco aborrecido.
Mentira.
Caso ele queira discutir, podemos discutir depois, tá filmando, né?
A regra é se ater, se ater ao tema da discussão. Você disse que eu falei que o PT é fascista, eu tô dizendo: não disse isso. Mas mesmo assim...
Não, não, tá bom. Criança trans.
Davi, criança trans existe ou não?
Então nós vamos falar sobre isso.
Criança trans existe ou não?
Então é muito importante que a gente entenda isso.
Criança trans existe ou não?
É fundamental a gente fazer com que a criança tenha assistência médica, que a criança tenha educação, que a criança tenha escola integral. Você acha que isso é uma coisa fascista?
O quê?
Criança trans é uma coisa fascista?
Criança trans existe ou não?
É fascista?
Criança trans existe ou não?
Uma criança trans pode ser fascista? Tamo falando sobre criança trans. Vamos. Então vamos lá, vamos debater.
A pauta-- cê sentou porque você quis. A pauta é criança trans.
A pauta é: criança trans existe ou não existe? Certo. Pra você só pode existir essa possibilidade de uma criança transicionar...
Se tiver estudos mostrando que não tem nenhum problema pra ela. Assim como, por exemplo, uma criança não pode fumar, porque tem estudos que mostram que faz mal pra você.
Show de bola. Então a gente tem que defender a ciência, essa é a pauta.
A partir do momento que não tem...
Claro que a gente tem que defender a ciência.
Então, tamo junto. Tamo concordando. Se tiver um estudo a favor, se tiver um estudo a favor, não tem nenhum problema. Enquanto não tiver...
Então, como é que isso entra pro Estado? Esse é o debate. Você não é Deputado?
Enquanto não tiver...
Como que isso vai virar um debate? Porque senão é só populismo, né? É só lacração da internet. [aplausos]
Olá, pessoal. Continuando aqui a nossa conversa nesse sábado de trinta e cinco graus no Rio de Janeiro, a próxima pauta é: Lula traiu os seus eleitores. [ruído] Meu Deus do céu! Olá, Nicole. A pauta é Lula traiu seus eleitores.
Eu fui uma das eleitoras do Lula e não me senti traída. O Lula era um dos candidatos. Eu achei ali no momento que era o menos pior, por isso votei nele. Não quer dizer muita coisa.
Então cê votou no Lula apenas porque ele era o menos pior?
Uhum. É o sistema que a gente tem. Na verdade, eu nem sou a favor, né, da, dessa forma como a gente se organizou.
Olha, se meu eleitor me defender igual a Nicole defendeu o Lula, pelo amor de Deus, hein?
Desculpa, gente.
Teu partido, né?
Com certeza, pô.
Lula traiu os seus eleitores. Você, como filiado ao PT, tem que dar um banho de governo Lula.
Olha só, quem traiu o povo foi o Bolsonaro. Quem traiu o povo foi o Bolsonaro, não foi o Lula.
Por que que eu acho que o, o Lula traiu os seus eleitores? Porque boa parte das pautas e propostas que ele defendia em 2022, muita coisa ele tá fazendo o exato oposto, em várias áreas da, da sociedade, seja na área da economia, seja na área da cultura, seja na área de segurança pública, seja na área da educação, seja então na área da política, várias pautas. Então, por exemplo, quem votou como a Nicole fez, votou no Lula pra tirar o Bolsonaro.
Várias coisas que o Bolsonaro fazia, o Lula tá fazendo também. Por exemplo, uma das pautas do Lula, e vocês não vão me deixar mentir, era acabar com os sigilos do Bolsonaro. Concordo. Pra mim, os sigilos do Bolsonaro completamente tinha que tirar, não tem nada a ver. Critiquei ele quando ele fez. O Lula foi, primeiro decreto dele: acabou com os sigilos do Bolsonaro. E desde então, o Lula já colocou quase uma centena de coisas em sigilo também.
Então ele acabou com os sigilos do Bolsonaro e colocou coisas dele em sigilo. Uma das pautas do Lula: acabar com o orçamento secreto. Tem que acabar com o orçamento secreto. A RP9, a RP12, sei lá, pra mim é um absurdo. Tem que ter transparência no dinheiro da população. O Lula não acabou com o orçamento secreto. O Arthur Lira, que foi criticado agora há pouco aqui, tá completamente turbinado pelo Lula, teve o apoio do Lula na eleição pra, pra presidência da Câmara e o sucessor do Arthur Lira vai ter o apoio do PT também e vai continuar com o orçamento secreto.
Você só tá criticando o presidente Lula.
Eu sou oposição, né?
Não, ok. Mas aí você só tá falando algo que você acha que é ruim. Agora, eu vejo o seguinte...
Você já teve relacionamento?
Cinco... O Lula isentou o trabalhador de pagar...
Mas essa não é a pauta.
Não. Se você tá falando, então eu vou falar o que o Lula fez.
No relacionamento, você não mede o conceito de traição, no tempo que a pessoa não tava te traindo. É quando tem uma traição que você fala: "Ó, me traiu". Não é tipo: "Ah, e os dias que ele não tava te traindo?" Não é assim que funciona o relacionamento.
Olha só, a única coisa que o Bolsonaro fez em quatro ano era não fazia nada.
É isso aí.
Era não fazia nada. E vocês apoiaram o Bolsonaro. Vocês apoiaram o Bolsonaro.
Eu vou ter que criticar mais o que do Bolsonaro pra ele parar de mentira.
Agora, vou dizer uma coisa pra vocês.
Hã.
O Lula botou o desenrola. O Lula botou o pé na areia.
Tal dia o Lula, tal dia o Lula foi fiel.
Isso ele fez ajudando o pobre. O Lula tirou o pobre da fila do osso.
Mais uma vez, o dia fiel do Lula.
Da fila do osso. E você foi contra isso? Você foi contra o Lula isentar o trabalhador de pagar, de pagar um imposto de renda?
Vou repetir de novo.
De, de quem ganha até cinco mil reais?
Você é fiel com alguém?
Maioria!
Ele não responde.
Eu sou dessas.
Ah, é. Cê é do PT também, né?
Sim.
Renata, Lula traiu seus eleitores.
Em 2003. Nesse ponto eu concordo. Continua?
Tá bom. Então acho que... Traiu os eleitores. E aí você-
Em 2003, apenas, porque o que ele tem feito-
Cê votou nele nas-- depois disso?
Sim.
Cê tem relacionamento? [risada]
Com ele?
É?
Há vinte e quatro anos.
Ah, é com ele?
Então vamos lá, se é pra falar de relacionamento...
Cê é fiel todos os dias, né?
Sou fiel há vinte e quatro anos.
Sem trair nunca?
Nunca.
Aí quando trair cê vai falar: "Me traiu". É esse que é meu ponto. O Lula traiu seus eleitores.
Eu quero entender o que que é fidelidade pra você.
Você prometer alguma coisa e você cumprir essa coisa.
Ele conseguiu a maioria no Congresso pra conseguir Cumpriu o que ele prometeu?
Eu creio que sim.
Como?
Ó, [riso] tem uma coisa chamada-
Você fala!
Tem uma coisa chamada orçamento secreto. [riso]
Não, eu te fiz uma pergunta.
Eu vou responder.
Responda.
Tem uma coisa chamada orçamento secreto.
Sim.
O Lula não acabou com o orçamento secreto, que era uma proposta dele, não sei se vocês concordam ou não, eu defendo o fim do orçamento secreto, o Bolsonaro criou, o Lula manteve, o Lu-
Eu sou contra deputado falar sobre orçamento do, do executivo.
Mas eu sou deputado estadual, orçamento é o de Brasília.
Não, isso que eu tô te falando.
Uhum.
Você não me deixou concluir. Se eles de-determinam que X vai pra alguma coisa, vai fazer exatamente o que ele era fazendo com a escola que é da família dele.
O Lula disse que Bolsonaro tinha ministérios demais, e eu concordo, pra mim tinha que ter menos ministérios. Cê, cê defende?
Como a gente muda-
Hum?
A quantidade de ministérios sem fazer isso no legislativo?
Renata, é que no pre-- no, os ministérios o Lula faz, não tem o legislativo pra fazer não.
Não, não, você falou pra diminuir. Pra diminuir você tem que realocar recursos e pessoas.
Eu só não voto em quinze por causa de defender não ter muito ministério.
Não.
Agora meu ponto é-
Posso continuar?
O Lula di-
Você me interrompeu.
Tá, vamos lá. Desculpa
Se você fala em diminuir, você tem que realocar serviços e pessoas. Vai mudar alguma coisa na quantidade de ministérios se eu vou continuar prestando o mesmo serviço e tendo a mesma quantidade de pessoas trabalhando e tendo o mesmo orçamento?
Minha resposta: Sim, mas pra você não. A questão é-
Sim, por quê?
O Lula, calma, já ch-- posso chegar a discutir sobre ministérios daqui a pouco, só que o ponto é: O Lula disse que o Bolsonaro tinha ministérios demais. O Lula assumiu a presidência e aumentou em sessenta por cento o número de ministérios. Isso é trair ou não?
Ele só voltou pra quantidade de ministérios que ele já tinha antes.
O Lula-- Exatamente. E o Lula disse: "O Bolsonaro tem ministérios demais". Então logo o Lula ia-
Ele tinha ministérios demais ou apoiadores demais no ministérios? Que eu lembro que a fala foi direcionada pra pessoas-
Não, Lula tinha ministérios demais
A-- Tanto é que a gente tinha ministro da educação que recebia propina em barra de ouro.
Vamo falar de educação também. O Lula acaba de cortar quatro bilhões de reais de saúde, educação, ciência, tecnologia.
Pra cumprir a cota, né?
Só na educação, no Ministério da, da Economia, Nomec.
Acho que tão cortando é você, não é a gente. [riso]
Davi. Davi, a pauta é Lula traiu os seus eleitores. Você votou no Lula? Provavelmente, acho que não, né?
Votei no segundo turno.
Ah, tá. Cê está se sentindo traído no governo Lula?
Não, não tô me sentindo traído.
Aí!
Vamos lá, vamos à argumentação a partir do que o deputado falou, né? Sem fugir de tema, sem tangenciar. É, o argumento que ele usou foi o, o orçamento secreto. É possível o presidente da República, numa canetada, acabar com o orçamento secreto, deputado?
Via decreto? Via decreto?
É.
É isso? Não, não.
Possível, não. Então, vamos lá. Então existe uma coisa chamada presidencialismo de coalizão, correto, deputado?
Se não é possível, por que o Lula foi lá e disse que ia acabar com o orçamento secreto?
Não, vamo lá. Tá falando que ele traiu porque ele manteve o orçamento secreto, certo?
Uhum. Se não é da alçada dele acabar com o orçamento secreto, então não traição, então não prometa.
Porque no Brasil existe uma coisa chamada presidencialismo de coalizão, que você conhece.
Então não promete, então não promete.
Se ele não tem maioria no Parlamento, ele precisa costurar a maioria, todo mundo sabe disso. O MBL é contra o orçamento secreto, igual o Lula, né? O MBL não tá na presidência da República, mas o MBL tem um deputado. Com um deputado, ele vai acabar com o orçamento secreto? Claro que não.
Então é por isso-
Porque você precisa ter maioria no Parlamento. Significa o quê? Existe uma técnica, existe uma forma de você estabelecer a política dentro da engenharia institucional. O Lula é o cara da ruptura? O Lula é o comunista, como ele foi acusado? Que ele vai subverter a legalidade e vai instaurar a revolução? Não, ele tá lutando dentro dos marcos da Constituição de oitenta e oito, dentro do presidencialismo de o-- de coalizão, que quem organizou foi o Fernando Henrique Cardoso, não foi ele.
Você é a favor do Fernando Henrique Cardoso? Ele tem ideias e pautas neoliberais muito parecidas com o MBL. Ele organizou esse sistema político.
Uhum.
O Lula está seguindo. Isso é traição? Não, isso é seguir o modelo político, não é traição.
Posso então? Vou falar o de sempre, que eu sei que não vai adiantar, mas eu quando eu falar cê não vai me interromper, né?
De forma alguma.
Aguarde, né?
Palavra sua.
Vamo lá. Então o Lula disse que ia acabar com o orçamento secreto e não acabou. Segundo você, não tem como ele acabar. Então ele traiu ao dizer que ia acabar com o orçamento secreto.
Não, ele falou que ia ser eleito, não falou que ia ser eleito?
Uhum, e acabar com o orçamento secreto.
E ele o tempo inteiro falou que gostaria muito de ser eleito com maioria para o seu partido, igual qualquer presidente da República. Agora, quando você chega lá na cadeira, você tem que lidar com a realidade. Agora o MBL vai ser o defensor da teoria. Não, dá pra mudar tudo, é muito fácil, mas claro, você não tá lá. Ele chegou lá, ele é, ele é o presidente.
Uhum.
O partido dele tem quantos deputados, deputado?
Tem noventa o PT? Mais de noventa, né?
Não é maioria, concorda comigo? Então, como é que vai fazer então? Você tem a proposta? Como é que acaba com o orçamento secreto sem ter maioria no Parlamento?
Mas é o-
É o Arthur Lira. Então vamo voltar pro Arthur Lira.
Mas, Davi-
O Arthur Lira está no covil de ladrões, ele não é comunista-
Mas Davi-
Ele atende às pautas do mercado, ele é neoliberal.
Então o Lula não deveria ter atendido.
E ele é que organizou o orçamento secreto.
Uhum.
Quando começou? O deputado errou ainda, o deputado falou que começou com o Bolsonaro. Não, começou com o golpista Michel Temer, que começou a fazer isso porque fez um golpe contra a, a presidenta Dilma Rousseff, democraticamente eleita.
Foi isso que eu disse também.
Quem apoia golpe é o MBL.
A gente pode discutir também.
Quem apoia golpe é a direita, tanto em 64 quanto em 2016.
Ótimo, a gente pode se entregar.
Como o Temer era um presidente fraco, era um presidente que tinha três por cento de apoio popular, ele pesava do quê? Do Parlamento.
É, né?
Como que ele ganhou o apoio do Parlamento? Com emenda. Tome emenda, tome emenda, tome emenda.
Temer, SHC, Bolsonaro, 1964, King Gataguiri, MBL.
É a pauta aí, ó. Vai lá.
A pauta é: Lula traiu seus eleitores.
Eu tô dizendo, não traiu.
Ah, tá. Vamo lá.
Eu dei o argumento.
O Lula, o Lula, o Lula disse ou não disse que ia acabar com os sigilos?
Vamo lá. Aí ele pega aqui, vamo lá, ele vai falar do sigilo. Porque, claro, qual é a tática do MBL? Eu vou falar de uma "questiúncula", bagulho de sigilo. Ah, claro que é muito importante, mas qual é o fundamental pra melhorar o país? O fundamental é a economia.
Uhum.
A economia com o Lula tá melhor ou tá pior do que tava com o Bolsonaro? Você falou que é contra o Bolsonaro, então vamo ver se você defende o Bolsonaro aqui. Eu acho, a minha consideração, acho que meus colegas vão concordar comigo, que a economia está melhor no governo Lula. Portanto, ele falou assim: "Vai melhorar a vida do pobre", porque a vida do pobre, desde o Temer, desde o golpe, desde o neoliberalismo, a partir de 2016, vinha piorando, piorando, piorando, piorando.
Agora deu uma melhorada.
Então ó, de novo.
Dá pra melho-melhorar mais? Tomara. Espero que sim.
Ô Davi, Davi, só, só mais uma vez. Vamo lá O Lula, é que não ficou claro pra mim. O Lula disse ou não disse que ia acabar com os sigilos? Eu entendi a estratégia do MBL
Ah, então vamos lá, vamos voltar. Ele falou do sigilo e ele falou do STF também. Ah, o Lula indicou alguém que era amigo dele. Vamo lá. O que que diz a lei? A indicação pro STF é uma indicação pessoal do presidente da República. Então ele tem a prerrogativa de indicar o ministro do STF que não seja, é, alguém que atue de uma forma que prejudique a institucionalidade e a República.
E o que que diz o Lula?
A gente pode fazer o seguinte: o deputa-- é, agora os ministros do STF vão ser eleitos democraticamente. É isso que você defende ou você defende que o deputa-- que o presidente indique?
Eles já são, eles já são eleitos democraticamente. Ministro do STF é eleito democraticamente?
A indicação do presidente passa pelo Senado, é um processo democrático.
Ah, não. Então não é direto, a, não é democracia direta, amigo.
Não, cê, cê falou direto.
Você falou, cê não constrói.
Democracia é direta. Eleito democraticamente. Se é direto, indireto ou de história.
Não, nenhuum, nenhum presidente do STF foi eleito democraticamente.
Com certeza.
O Presidente da República foi eleito democraticamente. É assim que funciona no Brasil. O deputado se enganou. Então vamo lá. Você é a favor do, dos ministros do STF serem indicados pelo presidente, sim ou não?
Sim, sim.
Então o Lula fez o que ele tinha que fazer.
O, o Cristiano Zanin, ele é preparado pra ser ministro do STF. Eu acho que ele é preparado.
Ô Davi
O Flávio Dino é um excelente ministro do STF, muito preparado. Fo-- quando ele ainda era ministro, ele foi na Câmara de Deputados, gastou onda pra cima dos bolsonarista que vinha pra cima dele. Então são excelentes indicações do presidente Lula, muito melhores inclusive do que do primeiro governo dele. Eu acho que agora essas indicações são bem melhores. Tô de acordo com o presidente, não me senti traído.
Ô Davi...
Tamo junto, presidente Lula. Votei no segundo turno, hein.
Davi, mais uma vez. O Lula disse ou não disse que lugar de, de indicação de presidente pro STF não podia ser amigo, não podia ser companheiro. Frase do Lula. É mentira, presidente?
Ah, entendi. Você quer pegar as contradições do Lula. Então o Lula é um político, sendo ele político-
Ó, já tá uns oito minutos quase nesse
... ele tem vários discursos ao longo da vida, certo? Ele tem várias contradições, como todo político tem, como o MBL tem. Aí você quer paga- pegar a fala dele na campanha.
Então vamo lá.
E aí falar: "Se ele traiu seus eleitores." Não, cara, o argumento é fraco. Esse argumento é fraco.
O Lula disse que ia acabar, o Lula disse que o orça-- ia acabar com o orçamento secreto, não acabou, independente-
Não acabou, então como que acaba? Responde, deputado. Como que acaba? Responde, deputado.
Ministro de mais, aumentou em sessenta por cento o número desses ministérios. A questão, a questão, ó, por exemplo, disse que ia acabar com os sigilos, acabou com os sigilos do Bolsonaro, manteve um monte de sigilos, criou nove sigilos.
Então vamo lá, orçamento secreto, como que acaba?
Orçamento se-
Orçamento secreto, deputado, como que acaba? Responde aí.
O Lula, por exemplo, dizia que ele ia defender a democracia quando assumesse. Disse que ia defender a democracia.
Como que acaba o orçamento secreto? Tu vai responder?
Só anda com ditador, só anda com grupo terrorista.
Ele não respondeu, meu povo.
Bota aí.
Três, dois, um, já!
Aê. Vamo lá, continuando. Lula traiu seus eleitores, sim ou não?
Não traiu, não traiu os eleitores. E eu queria ressaltar, é, o seguinte: a direita sempre, por falta de projetos, por falta de conquista, ela sempre ataca a esquerda. Que fez? Cê falou de transparência, portal das trans-- de transparência, portal dos ministérios, né? É-é, o CNJ em 2004. Eu fico perguntando o seguinte: o que que a direita fez?
Lula é defensor dos trabalhadores?
Você falou, você falou uns trinta e cinco vezes o nome de Lula.
Nessa pauta, o tema é Lula defensor dos trabalhadores.
Mas o Lula, o, e eu acho engraçado, porque quando você não tem-
Engraçado é falar de outras pessoas.
Só um momento, por favor. Quando você não tem história, quando você não tem conquista, né, o Lula tem, é, é, u-u-uma das maiores conquistas da Terra, cara.
Sim. Primeiro presidente do Brasil a ficar quinhentos dias na cadeia.
Não, não, não, não, calma. E, e eu, eu sou amigo de um dos advogados e te digo que não existe nenhum crime naquele processo, tá?
A gente pode discutir isso...
Ele criou o CNJ em 2004, em 2005 tinham vinte e cinco processos investigativos em cima-
Lula é defensor dos trabalhadores ou não?
Sim, sim, fez. ProUni, Pronatec BI.
Por que que o governo, por que que o governo Lula-
Só um momento, eu tô falando. Só um momento.
Tá bom.
Ele criou toda uma estrutura, né, vou te trazer uma, uma, uma, uma, uma informação da, oficial. O Bolsa Família e a pacificação tirou setenta por cento dos prospects pro tráfico de drogas para as escolas.
O Lula cortou o décimo terceiro do Bolsa Família. Isso não é trair os eleitores dele?
Ele é líder do G7, líder do G8, presidente do Brics, presidente do Brics, é presidente do Brasil. Ele é o maior líder da Terra. Fala de vocês, cara. Fala de vocês, da direita. O que que vocês conseguiram? Porque vocês vivem atacando a gente, chamando a gente de vagabundo.
Lula cortou ou não o décimo terceiro do Bolsa Família?
Do Bolsa Família? Se ele cortou o décimo terceiro? Não vi se ele cortou o décimo terceiro. Mas ao mesmo tempo ele fez o Bolsa Família, amado.
Vamos para mais uma pauta aí. Continua muito calor aqui no Rio de Janeiro e o debate tá muito bom, eu diria, tá? O, a última pauta é: o MST/MTST é um movimento terrorista. Tinha que ser, né?
Tá, por que não?
Eu acho que o, o direito à moradia é algo importante, tá na Constituição. Acho que o déficit habitacional e o déficit de moradia al-- no estado de São Paulo é brutal, no Brasil inteiro é brutal. A gente precisa, sim, de políticas públicas para, para a gente elucidar esse déficit habitacional, esse déficit de moradia, essas pessoas sem casa, essas pessoas morando na rua. Precisamos de políticas públicas. O que não dá pra fazer é, antes de fazer tudo isso, a gente se juntar em bando, muitas vezes um bando armado, e ir tomar o, a propriedade de outras pessoas.
Independente da gente discutir se essa propriedade deveria estar na mão daquela pessoa ou não. O que não dá pra fazer é se juntar em bando e ir pra cima disso. Por exemplo, o Brasil tem um problema muito grande de fome. Tem muita gente que passa fome no Brasil, tem muita gente que é miséria. A solução pra isso é criar um movimento que a gente vai come-- começar a saquear supermercados ou fazer políticas públicas pra gente melhorar essa questão da fome?
Há quem diga que o MBL também deva ser criminalizado, porque inclusive vocês fizeram uma campanha difamatória quando-- contra o padre Julio Lancelotti, uma coisa leviana, maldosa, covarde, com uma pessoa religiosa, inclusive, eu acho que você é uma pessoa religiosa, que só faz o bem à população carente, ponto.
Outra coisa, a gente precisa mudar a denominação de invasão pra ocupação. MST, MTST faz ocupação de terras-
A gente não, vocês já fizeram isso. Vocês já chegaram em invasão-
Faz ocupação de terras improdutivas, que cê sabe que as terras têm um, um viés social, prédios abandonados, que seja, e terras improdutivas. Você deve ser uma pessoa, como vocês falam, cidadão de bem, cê deve ter compaixão, cê deve ter empatia por pessoas que tão passando necessidades que tão na rua-
Eu acabei de deixar claro que tenho
Em São Paulo a gente vê muito disso, aqui no Rio de Janeiro também. Então, essas pessoas que tão na rua enquanto tem várias terras, vários prédios abandonados, vazios, pessoas que enriqueceram, você sabe que aí a gente tem que pegar a história do Brasil, da América Latina como um todo, né? Como é que essas pessoas conseguiram tantas terras na, no interior, até aqui mesmo-
Qual crime o Emlério deveria ser tipo citado? Qual crime do Emlério?
Tem que explicar pra ele, tem que fazer um contexto histórico, senão você faz só um recorte agora-
Quem do Emlério já cometeu crime?
Tem que ter uma explicação histórica. Empresário famoso, um dos mais, mais, mais ricos do Brasil, milionário, é. Que ele deu um golpe nas próprias contas da empresa, falsificou pra poder enriquecer. Então, essa lógica-
Por isso que a gente na assembleia criou uma CPI pra investigar isso aí
Essa, essa lógica que aí o M-- aí entra o MST, que ele, ele vem justamente com papel-
Não
Com papel de ocupar essas terras-
Mas, por exemplo, é o MST que julga tudo isso, tá dizendo?
Não, o-- não tem que julgar nada, ele só f-faz a, o, a função social dele que é lutar-
A função social do MST, o MST não tem função social, cara
Como é que a gente faz? Quando a gente-- como o seu t-- como o seu bisavô fez, como eu lembrei, fiz uma pesquisa sobre você-
A gente faz militância, a gente vota, a gente se organiza. O que não dá pra fazer-
A gente ocupa, a gente escreve, a gente faz, a gente faz manifestação. O que não dá pra fazer-
O que o Emlério fez, uma manifestação golpista lá contra Dilma, como eu lembrei aqui-
O que não dá pra fazer é a gente pegar arma e invadir o território do amiguinho.
A gente, a gente faz o... [som de intermissão] Ah, o Partido dos Trabalhadores. Renata, o MST é uma organização terrorista. Deveria ser criminalizado.
Discordo, porque você gosta do Jango. Porque se você entende que eles são terroristas, você é a favor do Jango. Então você é contra o golpe de 64.
Com certeza.
Então me explica, por que que não veio alguém na presidência, vocês tiveram a direita na presidência desde 64 e não fizeram a reforma agrária e a reforma territorial?
Eu sou absolutamente contra a ditadura militar brasileira, acho que foi um dos piores momentos do Brasil. Sou contra o golpe de 64-
Desculpa, eu não sabia que ia ser você
Pra mim, todos os presidentes militares deveriam tá na cadeia. Agora vamos se ater ao tema. O MST é uma organização criminosa, sim ou não?
Não
Sem envolver o Jango.
Por que não o Jango? Já que foi o único presidente que resolveu fazer a reforma agrária.
Ah, então a solução pra você-
É a reforma agrária.
Tá, então enquanto a gente não tiver a reforma agrária, a gente pode pegar arma e sair invadindo terreno?
Onde eles pegaram armas?
No MST [risos]
Porque eu vi agora em Campos, o pessoal que era tese jagunço, prendendo as pessoas a ponto da Marina do MST ir pra lá pra tentar soltar eles dos jagunços.
Jagunço pegou a galera?
Pegou
Cadeia pro jagunço. E quando o MST pega os jagunços, é?
Morrem, sim.
Se o MST pegar o jagunço, pode ser cadeia pro MST?
Quem pegar uma arma e atirar em outra pessoa tem que ir pra cadeia.
E quem invadir terreno de outra pessoa, invasão de propriedade é crime-
Pera aí, invasão de propriedade, mas cê esqueceu da função social do terreno.
Quem julga a função social do terreno?
Depois que você entra, né-
Quem julga?
Porque antes você não vai-
Não, não, não, mas quem julga? É o MST?
Quem julga de verdade? Se você não invadir, você não entrar com pedido pra rever a posse, você não consegue.
Pode desocupar a palavra. A gente pode usar esse sinônimo esquisito. [som de intermissão] A galera de trás realmente não chega nunca. Dá a visão. Concorda ou discorda?
Eu acho que não. O que que eles fazem de terrorismo?
Invadem propriedade de outras pessoas.
Que tipo de propriedade?
Propriedade.
Qual propriedade?
Propriedade. Pode invadir, pode invadir terreno-
Tava descre-- você tava descrevendo-
Pode invadir prédio-
Você tava descrevendo-
Pode invadir loja da Bahia, pode invadir shopping. Eles invadem várias propriedades.
Agora chegamos no ponto, excelente. O deputado começou argumentando, falando que o MST-
E o MTST
Nossa colega aqui, é, mencionou o Jango, fundamental mencionar o Jango, porque ele tomou o golpe de 64, porque ele queria fazer reforma agrária. Se a reforma agrária não tivesse sido feita, não havia necessidade de ter o movimento social reivindicando a reforma agrária [risos] [palmas].
Se o Jango tivesse acabado com a fome, eu não poderia ter uma quadrilha pra chegar ao supermercado.
Ah, mas essa é fácil. Eu digo que alguém é terrorista, eu digo que alguém é ladrão, aí eu vou colocar todas as coisas ruins naquela pessoa e falar: "Não pode existir". Claro que pode.
Invasão de propriedade-
O MST é um movimento social necessário para a realização da reforma agrária. Quem tá ouvindo aí sabe, o Brasil é um país tão grande que é do tamanho de um continente. Tem muitas terras improdutivas que podem ser desapropriadas para a reforma agrária. Não é um movimento terrorista, está seguindo a Constituição de 1988. O deputado está errado. Você me ofendeu.
Vai lá. O Davi não deixou eu falar.
Mas não, cara. [som de intermissão]
O MST é uma organização terrorista, sim ou não?
Olha só, não, não é. Olha só, primeiro a gente tem que, a gente tem que focar o seguinte: o que que é uma definição de terrorismo pra você?
Posso trazer da Constituição?
Então, internacional-- rapidinho. Internacionalmente existem diversas definições de terrorismo.
A do Constituição do Brasil tem uma.
Então, a, mas a, a mais aceita internacionalmente-
Eu quero usar a da minha Constituição
Que é, que é, que é, que é o inten-- se a pergunta se eu afe-- eu acredito que, que que é. Eu acredito que é o grupo, o grupo que usa o terror contra a população civil como método principal, mata pessoas e tal. O que você tá falando que o MST faz, eu desconheço. Aí, aí a gente vai entrar numa-- deixa eu fazer, que, que o MST, é, tenha por princípio de luta armada entrar e matar pessoas, isso aí eu nunca-
Não, o que eu disse é: o MST, ele invade propriedades-
Se for matar, sequestra
Muitas vezes mata, muitas vezes sequestra-
Eu desconheço. Mas, mas, mas, mas admito que pode ter acontecido.
Mas tá se informando no jornalzinho da rede aí.
Não, não, meu Deus, me livre, da rede [risos].
Tem que olhar outras coisas. O MST invade propriedade ou não?
Olha só, não, invade propriedade, mas isso, mas invadir propriedade não é-
Invade-
Invadir propriedade não é definição de terrorismo.
Tá, invadir propriedade é crime ou não?
Não necessariamente.
Não, invadir propriedade é crime ou não?
Mas a discussão não é essa, a discussão é se é terrorismo, você não pe-- você não perguntou se é criminoso.
Não, ok. Eu concordo, eu concordo. Eu tô, eu tô desenvolvendo o argumento.
Ah, então, então...
Inv-- é, in-
Então cê concorda que não é terrorismo?
Não, pra mim é terrorismo.
Não, aí cê acabou de falar que, que, que, que não
Não, a-a-até a sua própria-
Agora, essa discussão aqui é de, é, é sobre ser, não é sobre ser crime, é sobre ser terrorismo. São coisas completamente diferentes.
Sim, claro.
Então pronto, na minha definição não é terrorismo. Agora, se é crime, então eu-
Pra mim é terrorismo. Pra mim o MST ele, ele invade sim, eu posso trazer as definições da Constituição. Mas pra mim o, o MST é um movimento que ele invade propriedades, que ele leva o terror pra sociedade e a partir do terror da força-
Não, não é esse o tipo de discurso.
A partir do terror da força e da violência, o MST tenta levar a pauta dele pra sociedade.
Eu não, não entendo o que é essa definição. Agora, agora sim.
Na definição que você falou, na que eu disse e na da Constituição, pra mim é claro que o MST e o MTST também, é uma organização criminosa.
Invadir casa-
É grupo terrorista e organização criminosa.
Invadir casa ou terra que tenha função social, eu sou contra. Agora, se, não é isso que o MST faz na prática, viu?
Três, dois, um e acabou. [risos] Pastor? Senta, senta, senta. Deixa ela aqui.
Cinquenta e dois segundos então, manda bala.
É, é sua opinião que é terrorismo, né? Mas pra mim não. Pra mim o MST é um movimento reconhecido internacionalmente por lutar por reforma agrária, por justiça social.
MST é reconhecido internacionalmente como bando de vagabundo, que deveria tá tudo na cadeia.
Não, é a sua, é a sua opinião-
É uma organização criminosa. Deveria ter sido tipificado como organização criminosa e é um grupo terrorista, sim.
É a sua opinião, eu não esperava nada diferente de você.
Reconhecido internacionalmente.
Reconhecido internacionalmente.
Bando de vagabundo do MST.
MST.
Bando de vagabundo do MST.
O caro colega falou-
Bando de vagabundo, organização criminosa. Quer que eu leia a definição de organização criminosa? Quer que eu leia? É da Constituição, é da Constituição.
Querido, MST, o MST é um movimento social internacionalmente reconhecido-
Pessoal do seu partido
Por lutar por reforma agrária.
Atacando pra mim o pessoal do seu partido.
Nem deixou ela falar. Só ele que falou.
Cê não sentou nenhuma vez. Cê não sentou nenhuma vez, véi.
Eu achei o debate de hoje muito bom, né? Um debate acalorado. Muita gente fala em democracia, mas quando a democracia ela aparece na prática, a pessoa não gosta, não gosta de ouvir a posição que é divergente. Felizmente, essas pessoas não estavam no debate hoje. Foi um debate acalorado, deu pra escutar o ponto de várias outras pessoas. Deu pra colocar meus, meus pontos também. Evidentemente, às vezes fica bravo com alguém.
Hã, alguém fala alguma coisa que cê não quer escutar. Cê a-- cê fala alguma coisa que a pessoa não quer escutar também e os ânimos acabam ficando mais à flor da pele, mais acalorado. Faz parte, faz parte de um debate, faz parte da discussão, principalmente com temas tão polêmicos. Tem algum ponto que o Guto levantou que você acabou concordando ou você discorda de tudo que ele tinha pra falar?
Não, ele falou alguns pontos importantes, ele tem colocações boas, mas no geral eu acho que o deputado confunde, né, questões raciais. Ele não tem o entendimento que bate com o meu. Esse foi o maior ponto de divergência entre nós.
Eu achei um pouco difícil na forma da gente se colocar, mas eu acho fundamental, é, esse, esse tipo de situação, porque o nosso povo, ele não tem a, é, é, uma, uma possibilidade de debate. Eu não vejo as pessoas debatendo, eu vejo as pessoas-- acho fundamental estudar história e teologia, pelo menos pra você poder discutir política. Eu tenho um povo que entende tudo de política, mas não entende nada de história.
Então fica bem difícil, sabe? Mas assim, eu acho vital. Eu tenho uma frase que diz: Sonho com o dia que meu povo discutirá e entenderá de política como discute e entende de futebol. Entendeu? Então, assim, a gente precisa muito mais desse tipo de programa, de canais e de debates.
Eu fiquei surpreso, na verdade, quando ele disse que é contra o Bolsonaro e que ele realmente é, bom, diz ele que não é negacionista nem nada. Então, nesses pontos que eu fiquei surpreso, porque pelo que eu conheço do, do movimento dele, MBL, sempre apoiaram essas pautas da direita negacionistas, golpistas, entre outras coisas, né?
Olha, o Guto, eu discordo de tudo que ele falou, até porque ele disse que o MST é um MST, é, terrorista, né? E ele esquece que a galera que apoiou, é, o Bolsonaro invadiu Brasília, amarraram bomba no corpo, explodiu lá em Brasília. Então terrorista é quem invade Brasília. Terroristas são eles que são extremistas, né? Como esse Guto e essa galera que apoia o Guto.
Ah, eu discordo de noventa e nove por cento do que ele falou, mas ele, graças a Deus, falou que é contra a ditadura militar, como eu também. É, pelo menos uma pauta satisfatória, né? [música de encerramento]