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1 Bilionário vs 30 Trabalhadores

1 h 29 min de vídeo · 18 mil palavras · Com Flávio Augusto

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Participante

Não deveria existir nenhum bilionário enquanto tem alguém passando fome. Não deveria existir nenhum bilionário enquanto tem alguém correndo o dia inteiro ficando sem salário.

Flávio Augusto

Todos os meus funcionários recebem mais do que o piso salarial. A desigualdade social não é necessariamente um problema.

[grito]

Flávio Augusto

Vou te falar-

Participante

Quando cê fala pra mim assim: "A desigualdade não é um problema," eu falo pra você que é, porque eu sou negra, mãe de dois-

Flávio Augusto

Uhum

Participante

...baixa renda.

Flávio Augusto

Aham.

Participante

Eu já recebi salário de mil e setecentos reais e atualmente estou desempregada, só trançando cabelo.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Cê tem noção da diferença-

Flávio Augusto

Tenho

Participante

...que é ouvir essa frase e a dor, o peso que essa palavra ela tem? O peso que essa frase que você usou agora, deu?

Flávio Augusto

Eu tenho muitas facilidades, mas não necessariamente eu fui o mais feliz. Aliás, os consultórios psicológicos tão cheio de rico tomando antidepressivo.

Participante

E por que que as outras pessoas que vendem curso assim não tão ricas?

Flávio Augusto

É uma questão de performance.

Participante

Então trezentas pessoas são competentes e cento e cinquenta milhões de brasileiros, não.

Flávio Augusto

Eventualmente, eu vou te dizer que-

Participante

Cês ouviram.

Flávio Augusto

Não.

Participante

A gente-

Flávio Augusto

Eventualmente-

Participante

A gente é incompetente ou preguiçoso.

Flávio Augusto

Eu posso, posso terminar de, posso terminar de falar?

Participante

Por favor.

Flávio Augusto

Você tem vinte e nove anos. Eu tenho cinquenta e três anos. Eu trocaria cem por cento do meu patrimônio pra ter a sua idade. Meu nome é Flávio Augusto, eu sou empresário brasileiro, considerado bilionário e hoje eu vou debater com trinta trabalhadores. A desigualdade social não é necessariamente um problema.

Participante

[grito] Gata, vai quebrar o iPhone do homem. Bom, a desigualdade social é o problema de tudo, né? Então não tem como não ser um problema. Acho que a gente vive num país dos mais desiguais do mundo, né? Um dos mais desiguais, baseado na colonização, que foi um processo totalmente desigual, de invasão, de usurpação de poder. Então é aquela coisa das nove gerações que você falou.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

As pessoas tão há quinhentos anos tentando mudar, girar e seguir esse sonho de igualdade social, esse sonho de conseguir seguir, ser: "Ah, eu vou ser rico, eu vou ser milionário, eu vou ser bilionária."

Flávio Augusto

Você sabe qual é-

Participante

Mas a verdade é que pessoas como você-

Flávio Augusto

Uhum

Participante

...dizem que as pessoas vão conseguir e acabam estruturando, fazendo com que essa estrutura de que você sonha que você vai ser rico, ela se baseia com estruturas mais fortes, porque quando você fala: "Olha, eu fui professor, eu peguei ônibus e fiquei rico. Você também pode ficar rico." Seguindo que o Brasil é um país muito desigual, as pessoas têm famílias desestruturadas, a estrutura das escolas públicas são péssimas, a estrutura das escolas particulares também são péssimas, é meio que um caça dinheiro.

Flávio Augusto

Estudava em escola pública?

Participante

Aham. E é iss-

Flávio Augusto

Uma só ou duas?

Participante

Uma só. Uma só.

Flávio Augusto

Não quis.

Participante

Uma escola de ensino integral.

Flávio Augusto

Ensino integral? Entendi. Aonde?

Participante

Itaquaquecetuba.

Flávio Augusto

Aqui em São Paulo.

Participante

Vila Ercília Algarve. É. [riso]

Flávio Augusto

Muito bem. Olha só. Olha o que eu vou te falar. Cê sabe qual é o país considerado um dos menos desiguais no mundo?

Participante

Suíça?

Flávio Augusto

Não.

Participante

Qual?

Flávio Augusto

Índia.

Participante

Índia? Por quê?

Flávio Augusto

Ele, estatisticamente, pelos números, ele é nos países que tem menos desigualdades.

Participante

Mas é o que tem mais gente, é o que mais foi explorado.

Flávio Augusto

Não, então.

Participante

É um país que teve-

Flávio Augusto

Tudo bem

Participante

...um processo de colonização pesada e que tem-

Flávio Augusto

A Suíça-

Participante

...uma pobreza absurda.

Flávio Augusto

Então, a Suíça-

Participante

É um país onde as pessoas ainda passam fome.

Flávio Augusto

Perfeito, exatamente. Mas você tem um índice de desigualdade menor. A Suíça, por exemplo, que você mencionou, ela é um país que tem um índice de desigualdade maior do que a Índia.

Participante

Porque tem muitos bilionários?

Flávio Augusto

Porque você tem uma disparidade maior. O ponto é o seguinte: onde tem mais qualidade de vida, na Suíça ou na Índia? A gente sabe que é na Índia. O que eu quero dizer pra você aqui, presta, presta atenção no que eu vou te falar. O ponto que eu quero, é, martelar contigo aqui, é, não é que eu fique feliz com as pessoas, é, tendo uma situação desfavorável, de forma alguma, mas a maior problema é a pobreza.

Participante

É a pobreza.

Flávio Augusto

A pobreza.

Participante

E como que a pobreza vai ser solucionada? Como que vai acabar com a pobreza?

Flávio Augusto

Te demiti, Amanda.

Participante

Fui demitida, desculpa.

Flávio Augusto

Valeu.

Participante

Cê falou demais, né, atrapalhou.

Flávio Augusto

Volte sempre. Ah, eu falei muito, claro. Eu falei bastante.

Participante

Muito obrigada, pessoal.

Flávio Augusto

Miriã. Seja bem-vinda, Miriã. Opa, opa.

Participante

Flávio, eu não sou intelectual.

Flávio Augusto

Nem eu.

Participante

Porém eu sou nascida e criada na comunidade.

Flávio Augusto

Nem eu. Aonde?

Participante

É, lá em Itapys, na Zona Norte de São Paulo.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

E lá, a realidade é uma só.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Quem pode mais, chora menos, né? E você falou assim, que a desigualdade social não é um problema. E eu falo com-

Flávio Augusto

A pobreza é o problema.

Participante

Isso, é a pobreza o problema. E a gente tá aqui hoje conversando contigo, não só pra te apresentar o nosso lado.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Mas também entender o seu ponto de vista. E eu sou mãe de duas crianças.

Flávio Augusto

Qual a idade?

Participante

Um tem quatro anos e um tem um ano e cinco meses.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Eu não tenho condição de pagar a escola particular e não é porque eu não quero.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Eu sou trancista, eu sou faxineira, eu sou professora do ensino infantil. Não consegui espaço, prestei concurso, passei na prefeitura, não consegui espaço pra falar, pra atuar na minha cena. E eu tenho uns filhos que precisam de mim. Então, a professora de ensino infantil teve que deixar lá o certificado guardado, fazer faxina, trançar cabelo, porque é a realidade que nos rodeia.

Flávio Augusto

O pai do seu filho é presente?

Participante

É presente, mas eu sou casada.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

E atualmente ele trabalha de domingo a domingo.

Flávio Augusto

Ele faz o quê?

Participante

Ele é entregador de água.

Flávio Augusto

Tá.

Participante

Trabalha no iFood, trabalha numa farmácia aos domingo.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

A jornada dele é árdua de segunda a sábado e no domingo ele trabalha das oito às cinco da tarde.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

A gente já tentou investimento, a gente já caiu em vários golpes, a gente busca de todas as maneiras. Eu tô falando da realidade.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Eu não vou apresentar números porque eu não consigo.

Flávio Augusto

Tudo bem.

Participante

Eu só consigo falar de mim.

Flávio Augusto

Tudo bem.

Participante

Eu, Miriã.

Flávio Augusto

Uhum

Participante

Aos vinte e nove anos, mãe de duas crianças.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Que mora na Zona Norte de São Paulo, que fez faculdade, continua fazendo.

Flávio Augusto

Se formou? Tá se formando?

Participante

Me formei em Pedagogia.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Fiz curso de trancista, me formei, porque eu aprendi que se você começa-

Flávio Augusto

Trancista é cabelo

Participante

...e não termina.

Flávio Augusto

Tá

Participante

Você não conquista.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Mas eu comecei e terminei Acabei não conquistando.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

E aí, tem certeza que a desigualdade não é um problema?

Flávio Augusto

Vamo lá. Vamo lá. Uma coisa é a desigualdade, outra coisa é a pobreza. Eventualmente, você vai ter pessoas desiguais por vários motivos. Existe uma desigualdade que eu acho muito ruim, que é provocada pelo Estado. Você mencionou alguma delas aqui, por exemplo. A escola pública é ruim. Nossa colega aqui, Amanda, que veio aqui agora há pouco, ela é professora. Então, por exemplo, como é que um, uma, uma, uma criança da favela, uma criança da periferia como eu, como você, estudando numa escola pública, ela vai conseguir competir com alguém que estudou nas melhores escolas de São Paulo?

Não tem como competir.

Participante

Ai, eu te peço-

Flávio Augusto

Não dá. Olha, não dá pra competir. E aí eu digo pra você: é, a, a meritocracia pregada dessa forma, pra mim é uma falácia, é um absurdo.

Participante

Mas e a questão que eu falo-

Flávio Augusto

Só pra concluir, só pra concluir, Miriã. Agora, existe uma outra desigualdade que ela é orgânica, ela é natural. Por exemplo, você tá fazendo faculdade, é dedica-- tá-- fez faculdade de Pedagogia, super dedicada, fez o curso de trancista, tá co-- tá, tá no seu corre pra melhorar de vida, porque você disse que você tem que ir até o final. E as pessoas que desistem? Tem gente que desiste.

Participante

E quem não desiste, mesmo assim não conquista, não alcança o espaço. É sobre essa verdade que a gente tá aqui falando.

Flávio Augusto

Eu entendo, Miriã.

Participante

Porque eu vim até você-

Flávio Augusto

Isso

Participante

...porque eu tô aqui, eu tô no dia a dia.

Flávio Augusto

Você-

Participante

Eu sei o que é carga horária.

Flávio Augusto

Miriã, olha o que eu vou te falar.

Participante

Eu sei o que é transporte público, eu sei o que é ter o certificado na mão.

Flávio Augusto

Olha o que eu vou te falar.

Participante

Quando cê fala pra mim assim: "A desigualdade não é um problema", eu falo pra você que é, porque eu sou negra, mãe de dois, baixa renda.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Eu já recebi salário de mil e setecentos reais e atualmente eu estou desempregada, só trançando cabelo. Cê tem noção da diferença-

Flávio Augusto

Tenho, tenho

Participante

...que é ouvir essa frase e a do-- o peso que essa palavra ela tem? O peso que essa frase que você usou agora deu?

Flávio Augusto

Essa, essa frase-

Participante

Impacto. É de grande impacto.

Flávio Augusto

Miriã, essa-

Participante

E eu, como, ó, não sou uma pessoa assim de números, não me fale de números.

Flávio Augusto

Não, não vou falar de números, não. Miriã, o que eu quero dizer pra você-

Participante

Porém, Flávio, o que eu vim falar com você aqui hoje é: você tem as suas verdades, eu tenho as minhas. Porém, a taxação, seguida de verdade e coerência, impactando sim, com força aos bilionários, pode ser bem utilizado não só em questão de saúde, que já foi dita aqui, mas também em questão de espaço pra quem não tem voz. E nós, de baixa renda, nós não temos voz.

Flávio Augusto

Então, eu, eu, eu entendo. Eu também fui de baixa renda. Eu fui uma pessoa de baixa renda também. Entendo perfeitamente o que cê tá falando. Estudei em escola pública. Entendo o que cê tá falando. Agora, o que eu teria pra dizer pra você, que tá buscando, não desiste. Cê vai conseguir. Não desiste do seu projeto. Não desiste de dar uma vida melhor pros seus filhos. São dois meninos?

Participante

Dois meninos, o Álvaro e o Kenai.

Flávio Augusto

Álvaro e o Kenai. Cê acha que o Álvaro e o Kenai merecem a sua dedicação?

Participante

Merecem.

Flávio Augusto

Então, eu digo, eu vou, eu vou dizer um negócio-

Participante

Por isso que eu luto, que busco diariamente, Miriã.

Flávio Augusto

Mas eu vou dizer um negócio pra você, Miriã. Isso aqui tá gravado, sendo assistido por milhões de pessoas. Não desiste. Se ex-- todos os dias várias pessoas tentam e não conseguem. Ela não pode desistir. Não espere que vai ser o Estado que vai resolver pra você a sua vida.

Participante

Não, não acho.

Flávio Augusto

Não espere, não espere.

Participante

Porém, eu acredito que o quê? Essa taxação, ela vai vir com mais impacto.

Flávio Augusto

Não, não, o assunto não é-

Participante

Eu acredito que você-

Flávio Augusto

Ó, eu já falei, olha só, eu já falei que concordo com a taxação.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

Só que assim, ó, só pra gente não fugir.

Participante

E você tá falando da, da democracia. A gente tá falando de tudo aqui também.

Flávio Augusto

Não, não, não.

Participante

Tamo falando de muitas diferenças.

Flávio Augusto

Isso.

Participante

Porém, que vai tirar um pouco dessa diferença, Flávio. Falando de mulher pra, pra homem.

Flávio Augusto

Isso.

Participante

Eu vou falar bem séria pra você.

Flávio Augusto

Aham.

Participante

Vai diminuir essa diferença.

Flávio Augusto

Mas eu-

Participante

Esse vácuo.

Flávio Augusto

Mas tá tudo bem.

Participante

Entre a minha situação e a sua.

Flávio Augusto

Isso.

Participante

Vai diminuir um pouco.

Flávio Augusto

Eu, eu acho-

Participante

Esse buraco. Sabe uma ponte pra gente poder passar?

Flávio Augusto

Sim. Miriã.

Participante

A gente vai poder passar pela mesma ponte.

Flávio Augusto

Eu penso o seguinte, minha querida: quem ganha mais dinheiro pode pagar mais imposto, não tem problema. Agora, o que eu quero dizer pra você, que se você continuar perseverando, cê tem no-- vinte e nove anos.

Participante

Vinte e nove.

Flávio Augusto

Eu trocaria. Eu tenho cinquenta e três.

Participante

Cinquenta e três. Nossa, não parece.

Flávio Augusto

Obrigado. [risos] Você tem vinte e nove anos, eu tenho cinquenta e três anos. Eu trocaria cem por cento do meu patrimônio pra ter a sua idade. Eu pegaria tudo que eu tenho, que é bastante.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

E trocaria.

Participante

Faz inveja não, por favor.

Flávio Augusto

Ó, eu trocaria, eu trocaria pela sua idade. Eu gostaria de ter vinte e nove anos. Sabe por quê? Com o conhecimento que eu tenho, com o que eu aprendi ao longo da minha vida, tudo que eu aprendi no meu trabalho, nos meus negócios, eu faria tudo de novo. Ainda teria a juventude que você tem. Você tem algo que eu não tenho mais, eu não tenho mais a sua juventude.

Cê entende? Eu daria os meus bilhões pelos seus vinte e nove anos. Infelizmente, isso não é possível. Agora, uma coisa é possível, Miriã. Uma coisa é possível. É possível você aprender algumas ferramentas e com o conhecimento que você tem, você melhorar de vida. Não sei se você, você vai ser bilionária, se você vai ser milionária, mas melhorar de vida. Cê mora na comunidade até hoje?

Participante

Atualmente, sim. E lá eu atendo a domicílio e muita das vezes, né, na minha casa.

Flávio Augusto

Então.

Participante

Mesmo pra poder economizar um pouco.

Flávio Augusto

Eu entendo.

Participante

E poder suprir as necessidades de-

Flávio Augusto

A minha avó, a minha avó, ela foi lavadeira. Ela criou minha mãe e meus dois tios lavando roupa. Abandonada pelo, pelo seu marido. Ela abandonada pelo seu marido, ela, lavando roupa, criou meu pai, criou minha mãe e os meus dois tios.

Participante

Mas falando-

Flávio Augusto

Então eu entendo, entendo perfeitamente a sua realidade. E inclusive eu participo de projetos sociais em comunidades, justamente pra ajudar pessoas como você. Então eu adoraria. Isso aqui tá gravado. Se você topar, eu te ajudo a sair dessa.

Participante

Eu vou topar, né? Então, eu vou topar. [aplausos]

Flávio Augusto

Topa?

Participante

Claro.

Flávio Augusto

Tá gravado.

Participante

Quero só ver, viu, Flávio?

Flávio Augusto

Cê topa?

Participante

Ah, então, Flávio, depois a gente conversa no particular. [risos] Brincadeira à parte, muito obrigada.

Flávio Augusto

Valeu, minha querida. Valeu, valeu, valeu. Palma pra ela. [aplausos] Coletou. E aí, você é o?

Participante

Meu nome é Ronei, eu sou professor de História, Sociologia, Geografia, e hoje eu estou aqui porque eu acho que esse tema é importantíssimo pra que as pessoas conheçam pontos de vista diferentes e consigam com isso tirar a sua própria conclusão, né?

Flávio Augusto

Ronei, vamo lembrar que o tema, o tema é: desigualdade versus pobreza.

Participante

A desigualdade não é um problema, né?

Flávio Augusto

Deixa eu te dar um número, já que eu gosto de número. A, a, eu não falei número em respeito à Mirian, mas um número pra você refletir, tá? É, no início do século dezenove, nós tínhamos cerca de oitenta a noventa por cento da população mundial vivendo em extrema pobreza.

Participante

Uhum.

Flávio Augusto

Hoje, nesse momento, cerca de nove por cento da população mundial vive em extrema pobreza. Isso significa que desde o século vinte até hoje, as coisas melhoraram bastante.

Participante

Tá.

Flávio Augusto

A renda per capita média no mundo era de dois mil dólares, hoje é de catorze mil dólares.

Participante

Eu vou te dar um número.

Flávio Augusto

Então só pra gente falar, só pra gente colocar a disparidade entre-

Participante

Tá certo.

Flávio Augusto

A disparidade entre a desigualdade e entre a pobreza.

Participante

Eu vou te dar o número do Brasil.

Flávio Augusto

Fica à vontade.

Participante

No final do século dezenove, não vou te dar o número exato, tá? Porque não, não tem. Agora que a gente tem muitos dados na cabeça.

Flávio Augusto

Não, tudo bem. Não precisa, não precisa ser exato.

Participante

Mais ou menos oitenta, mais de oitenta por cento da população brasileira era analfabeta, tá? E por que que eu tô dizendo sobre analfabetismo e a questão é a pobreza? Porque assim, nós temos no Brasil um problema muito sério de educação. E esse problema, ele passa por questão, se eu posso linkar isso com a questão.

Flávio Augusto

Perdeu o tempo.

Participante

Tá. Eu, eu posso linkar isso com a questão dos milionários no Brasil, sim. Por quê? Porque nós temos uma classe, não tô falando você, pessoa.

Flávio Augusto

Claro, claro, fica à vontade.

Participante

Tô falando uma classe, porque nós estamos aqui representando uma classe, a classe trabalhadora.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Existe uma classe de milionários no Brasil, que fazem o máximo de esforço pra que os, as pessoas menos favorecidas continuem ignorantes. De que maneira?

Flávio Augusto

Eu não acredito nisso.

Participante

Eu acredito e vou te dizer como, de que maneira. Sabe como? Através do, das negociatas.

Flávio Augusto

Eu acho que o político faz isso.

Participante

Então, mas eu tô falando da classe política.

Flávio Augusto

Ah, tá. Não, aí...

Participante

Calma, mas a classe política, quantos milionários tem no Congresso Nacional?

Flávio Augusto

Tem vários. Tem vários.

Participante

Tem vários não, tem a grande maioria.

Flávio Augusto

Não sei se é a grande maioria, mas tem vários.

Participante

De milionários.

Flávio Augusto

É.

Participante

Esses milionários, eles fazem um esforço máximo pra que as políticas públicas não atinjam a população menos favorecida, porque o povo que passa fome, ele não dá trabalho nenhum. O povo que pensa, esse sim, dá trabalho.

Flávio Augusto

Deixa eu fazer um contraponto por causa do tempo, tá?

Participante

Sim.

Flávio Augusto

Deixa eu fazer um contraponto por causa do tempo. Pro empresário raiz, você, eu vou dizer que existem dois tipos de empresário: o mamador de teta do Estado.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

É o que se instala ali junto com, com os políticos, com o Estado, faz os esquema dele, desvia dinheiro, rouba, cê entendeu? É, ele é, vota em leis que são favoráveis a ele. Esse é um tipo de empresário. Pra mim, eu não respeito esse tipo de empresário.

Participante

Que bom.

Flávio Augusto

Tá? Esse aí eu chamo de mamador de teta. E tem um outro tipo de empresário, que é o empresário que produz, que trabalha, que investe, bota o dinheiro dele, trabalha pra caramba. É o cara que, que contrata uma pessoa, contrata duas, daqui a pouco ele contratou mil pessoas, ele gera emprego, ele gera renda. Só pra você ter ideia, setenta por cento dos empregos formais no Brasil são gerados por micro e pequenos empresários.

Participante

Sim, isso eu sei.

Flávio Augusto

Esses são os micro e pequenos empresários. Então, só, só pra concluir, esse, esse, esse empresário, que é o empresário, e-ele quer que a população tenha a renda maior, meu amigo.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

Porque quanto mais, ó, quanto maior.

Participante

Deixa só. É, senão não vou conseguir, é...

Flávio Augusto

Só pra concluir, só pra concluir. Quanto mai-- eu te dou mais um tempo, ó, ó. Quanto maior for a renda, melhor pro empresário, ele vai vender mais o produto dele, ele vai vender mais o, mais o serviço dele.

Participante

Com certeza.

Flávio Augusto

Cê entendeu?

Participante

É, então, mas o que acontece? A, a grande, a parte dos empre-- os empresários que eu estou falando não são os mi, os microempresários. E não são empresários como você.

Flávio Augusto

Tá falando mamador de teta?

Participante

Tô falando de empresários que fazem um lobby lá em Brasília.

Flávio Augusto

Ah, isso aí eu não respeito. Não, não.

Participante

Sim, mas a gente tá discutindo aqui os, os milionários do Brasil.

Flávio Augusto

Não, mas eu não respeito esses caras.

Participante

Os milionários do Brasil, eles tão lá em Brasília fazendo lobby pra que o pobre continue ignorante.

Flávio Augusto

Grande parte dos problemas estão lá em Brasília, meu amigo, cê pode ter certeza. O mundo é um lugar bem melhor com bilionários. [som de tik tok] Oi.

Participante

Tudo bem?

Flávio Augusto

Tudo.

Participante

Fui teacher de inglês e montei uma franquia. Não consegui chegar a bilionária. Fali como milionária, porque os vinte e cinco teachers ganhavam muito menos no piso salarial e eu não conseguia dormir. Como que você consegue fazer isso?

Flávio Augusto

Mas os meus, tá falando dos meus professores?

Participante

Uhum.

Flávio Augusto

Os meus professores ganham mais do que o piso salarial, não é? Todos eles, sem exceção, ganham mais do que o piso salarial. Mas você pagava menos do que o piso salarial?

Participante

Não, normal. Mas você acha que é possível ser bilionário se não for assim, com CLT-

Flávio Augusto

Claro.

Participante

Com piso salarial?

Flávio Augusto

Claro.

Participante

Lucrando em cima desse serviço?

Flávio Augusto

Claro, com certeza. Todo empresário, todo empresário, quando cria o seu negócio, se ele não tiver uma remuneração atrativa, principalmente pras pessoas que ele quer atrair, ele vai perder os principais talentos. Então uma das formas de você, é, atrair os melhores talentos, é remunerando melhor. Agora, é óbvio, né? Eu não tô aqui pra falar em nome dos empresários brasileiros. Eu falo aqui pela minha prática. Todos os meus funcionários recebem mais do que o piso salarial.

Participante

Então o mundo com mais milionários não vai precisar de muito mais pessoas ganhando quatro dígitos?

Flávio Augusto

O número com mais bilionários?

Participante

Pra ter mais bilionários.

Flávio Augusto

Tá. Eu imagino que você me faz essa pergunta presumindo de que a riqueza seja um recurso finito. É isso que você pensa? Ou seja, se tem gente ganhando muito, necessariamente você vai ter pessoas ganhando menos? Essa é a sua lógica?

Participante

Só dá pra ser bilionário assim, ganhando na Mega Sena, casando ou nascendo, ou em cima de CLT. Ou tendo gente.

Flávio Augusto

Vamos lá. Ganhando na Mega Sena não dá pra ganhar, não dá, não dá pra ser bilionário. Nenhum prêmio de Mega Sena paga um bilhão de reais, não é? Qual foi o outro que cê falou?

Participante

É, casando ou nascendo.

Flávio Augusto

Casando, casando dá. Se você casar com um bilionário, você automaticamente vai ser, vai ser bilionário. Mas eu comecei, isso aí não é uma verdade, porque eu comecei do zero, eu sou uma pessoa da periferia, sou uma pessoa Seus colegas te demitiram. [risadas] E aí?

Participante

E aí, Flávio, beleza? Sou eu. Eu sou o Juliano Reverso, eu sou radialista, palhaço e comediante. E eu vim aqui pra saber se ele consegue dormir tranquilo com a situação que tá as coisas hoje em dia, né?

Flávio Augusto

Você é o?

Participante

Sou o Juliano Reverso.

Flávio Augusto

E aí, Juliano, vamo nessa.

Participante

Eu discordo, eu acho que o mundo-

Flávio Augusto

Discorda de quem?

Participante

Eu discordo de você, da sua afirmativa de que o mundo fica melhor com mais bilionários.

Flávio Augusto

Por que que você discorda?

Participante

Porque eu tenho uma tese de que as empresas que geram renda, que geram empregos, elas não dependem do bilionário. Se uma empresa, se as-- uma das suas empresas for uma cooperativa, ela continua funcionando normalmente. A figura central de uma pessoa acumulando a riqueza ali no meio, não traz mais benefícios pra empresa ou pra sociedade.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Só uma acumulação de riqueza na mão de uma pessoa. Por exemplo-

Flávio Augusto

Uhum

Participante

...se o dinheiro que você tem fosse brigadeiro, cê conseguiria comer tudo? Não.

Flávio Augusto

Não.

Participante

Claro que não.

Flávio Augusto

Claro que não.

Participante

Cê passaria mal.

Flávio Augusto

Isso, exatamente.

Participante

Enquanto muita gente que tem, que tá com vontade de comer brigadeiro, não vai poder comer.

Flávio Augusto

Mas qual é a solução, na tua visão?

Participante

A solução eu acho que passa por, por distribuição da riqueza, porque assim, por exemplo-

Flávio Augusto

Como é que seria essa distribuição?

Participante

Ah, aí acho que é com o Estado, né? É com o Estado.

Flávio Augusto

Sim, mas como é que o Estado deveria fazer essa distribuição?

Participante

Eu acho que ele tem que, é, taxação de imposto, é, taxação de grandes fortunas, por exemplo.

Flávio Augusto

Taxação de grandes-- você acha que a taxação de grandes fortunas acabaria com a pobreza no Brasil? Na sua visão.

Participante

Eu não acho que acabaria com a pobreza, mas eu acho que reduziria muito o abismo social que existe entre-

Flávio Augusto

Reduziria

Participante

...uma pessoa muito rica e uma pessoa-

Flávio Augusto

Tá. Vamo lá. A presidente do Partido dos Trabalhadores, a Gleisi Hoffmann, apresentou um projeto para a taxação das grandes fortunas. Nesse projeto que ela apresentou, é, a previsão é de se gerar vinte bilhões de reais por ano, em receitas oriundas da taxação das grandes fortunas. Vinte bilhões de reais é equivalente à arrecadação que o Estado faz de impostos em apenas dois dias. Então você acredita que taxar as grandes fortunas resolveria o problema?

E note bem, eu não sou contra a taxação de, dos mais ricos. Não sou contra, tá? Aliás, eu sou até a favor.

Participante

É que, é que eu acho que não-

Flávio Augusto

Só que, eu só tô, só quero te mostrar o número. Às vezes a expectativa que a pessoa cria é que: "Não, isso vai resolver o problema." São vinte bilhões de reais, que é apenas dois dias de, de, dois dias de taxação.

Participante

Mas eu acho que, eu não acho que resolve o problema, mas eu acho que não tem pila, pílula dourada.

Flávio Augusto

Sim.

Participante

Só que eu acho que todas as, todos os movimentos em prol de diminuir a desigualdade no país é, é, é louvável, assim. Eu contribuo com a minha, com a minha-

Flávio Augusto

Você acha que seria mais justo, é isso que você acha?

Participante

Eu acredito que sim.

Flávio Augusto

Ah, maravilha.

Participante

Por exemplo, ó-

Flávio Augusto

Pode ser. Eu, eu acho justo também uma pessoa que é mais rica pagar mais imposto.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

Eu não acho injusto. Assim como, por exemplo, eu acho justo, por exemplo, alguém que está em situação vulnerável, ter um imposto negativo. O Bolsa Família, por exemplo, é um imposto negativo. A pessoa recebe do Estado um dinheiro. Até aí. Agora o ponto é o seguinte: como é que a gente soluciona? Acho que esse é o ponto.

Participante

É, então, mas aí-

Flávio Augusto

Como é que a gente soluciona o problema da pobreza? Acho que esse é o ponto.

Participante

Então, mas aí, como que os bili-- a minha pergunta pra você devolver, como que os bilionários podem fazer isso, então?

Flávio Augusto

Não, não é pa, não é papel de um bilionário. Um bilionário é um empresário, né? O empresário, ele desenvolve os seus produtos, desenvolve as suas empresas, pra que elas criem a função social, que é gerar lucro. A principal função social de uma empresa é o lucro. É através do lucro que vem investimento, através do lucro que você contrata mais pessoas, que você gera mais empregos, que você faz investimentos e melhora a sociedade, não é?

Então esse é o papel de, de, de um empresário.

Participante

Flávio, se pudesse pausar aí, por favor. Obrigado, irmão.

Participante

Ai, desculpa. [risadas]

Flávio Augusto

Ela tava com água na mão. É por isso. Cê tá bem?

Participante

Tudo bem?

Flávio Augusto

Me lembra o teu nome.

Participante

Gabi.

Flávio Augusto

Oi, Gabi.

Participante

Então, eu acredito que bilionários não deveriam existir.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Porque eu acho que isso é imoral numa sociedade tão desigual que a gente vive.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Quando talvez se a gente tivesse numa sociedade utópica.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Que a gente não tivesse desigualdade social, gente passando fome, gente sem saneamento básico.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Talvez po-pudesse ser um-

Flávio Augusto

Claro

Participante

...uma questão ter bilionários.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Eu não sou contra as pessoas serem ricas.

Flávio Augusto

Sim.

Participante

Não sou contra as pessoas desfrutarem de-

Flávio Augusto

Uhum

Participante

...é, lençóis com muitos fios e luxos, e tá tudo certo.

Flávio Augusto

Sim.

Participante

As pessoas trabalham pra isso e tá tudo bem.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

A questão é, num mundo que a gente tem, que é tão desigual, cê acha realmente que tudo bem ter bilhões concentrados?

Flávio Augusto

Vamo lá. Você disse que tudo bem a pessoa ser rica.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

Qual é o limite?

Participante

Eu a-- assim, eu, quem s-

Flávio Augusto

Quantos milhões? Vamo falar em números.

Participante

Não sei.

Flávio Augusto

Qual o número que cê acha que é tudo bem?

Participante

Eu acho que assim, pra mim-

Flávio Augusto

Sim, mas tudo bem, não tem certo ou errado

Participante

...qualquer dinheiro a mais que eu tenho já é rico.

Flávio Augusto

Ótimo, mas, mas não, não tem certo ou errado.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

Mas vamo tentar, só pra gente na nossa conversa aqui, fazer de conta que não tem ninguém nos assistindo. Quantos milhões você acha que-

Participante

Se a gente fizesse, por exemplo, o teto do bilhão.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Tipo, chegou no bilhão, a gente não pode passar desse teto. Imagina quanto dinheiro, em vez da taxação.

Flávio Augusto

Não, não, tudo bem. Mas desculpa, o que que você acha que é moral? Você disse, você achou que o bilionário é imoral. O que que é moral pra você? Qual o número?

Participante

Moral é não ter gente passando fome, pra mim.

Flávio Augusto

É, mas é, mas é que-

Participante

É isso

Flávio Augusto

...eu entendo. Eu tá, eu, eu sinceramente, é, eu, eu participo de muitos projetos sociais.

Participante

Uhum.

Flávio Augusto

Eu acho que existirem ainda pessoas passando fome é uma, é lamentável ainda em pleno 2025, eu concordo com você. Mas eu tô buscando você pra refletir comigo o que que seria moral na sua visão. Quantos milhões de reais seria moral e a partir desse tantos milhões seria imoral?

Participante

Eu penso que se a gente batesse um bilhão, já seria imoral pra gente, porque eu jogaria na minha cabeça, de uma pessoa não economista, tá?

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Porque eu não sou economista.

Flávio Augusto

Não, tudo bem, claro.

Participante

É, são aproximadamente trezentos bilionários no Brasil, não é?

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Uma conta mais ou menos dessa, não sei se-

Flávio Augusto

Isso, bilionários brasileiros, é isso?

Participante

Brasileiros, isso. Eu não sei se é exatamente esse número, mas por aí.

Flávio Augusto

É mais ou menos isso.

Participante

Se essas pessoas não acumulassem mais de um bilhão.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Se esse dinheiro fosse todo revertido pro governo, a gente poderia ter muito mais políticas públicas e políticas sociais.

Flávio Augusto

Ótimo, ok. Eu, eu, eu vou falar sobre o di-dinheiro revertido pro governo, antes que o pessoal te demita, porque eu quero falar que esse assunto é muito bom. Esse assunto é muito, muito bacana, tá? É, eu queria ainda bater no ponto da moralidade que você colocou. Você considerou imoral. O que que seria moral? Qual seria o número? Dez milhões seria moral? Cem milhões seria moral? Um bilhão já seria imoral?

Participante

Um bilhão, pra mim, é extremamente imoral.

Flávio Augusto

Imoral.

Participante

A gente foi pra uma casinha-

Flávio Augusto

Sei

Participante

...que assim, ninguém consegue gastar isso-

Flávio Augusto

Sei

Participante

...nem na ins-- maior insanidade da vida, entendeu? No auge da loucura.

Flávio Augusto

Mas tem, tem, tem bilionário que quebra também.

Participante

É, mas é porque não soube administrar.

Flávio Augusto

Isso, isso.

Participante

Que acredito que não seja o seu caso como empresário, preciso dizer disso.

Flávio Augusto

Não, não é o meu caso, não é o meu caso.

Participante

Mas você soube fazer, cês têm dinheiro infinito.

Flávio Augusto

Não, não é infinito também.

Participante

É infinito, uma máquina de dinheiro infinito pra quem sabe fazer.

Flávio Augusto

Não, é muito dinheiro, eu sei, é muito dinheiro. É muito dinheiro. E quem sabe fazer, ele faz muito mais.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

Que esse é o ponto. Eu queria bater nessa questão da moralidade, porque quem é que decide o que é moral, o que não é moral, qual é o número, como é que a gente define esse ponto? Esse é o primeiro ponto. O segundo, é, é difícil a gente saber.

Participante

Uhum.

Flávio Augusto

Não tem como a gente ter alguém arbitrando: "Ó, isso aqui é imoral, isso aqui é meu", né? Porque, até porque você pode dizer: "Olha, dez milhões é ok, onze milhões já é imoral", mas de repente outra pessoa acha que dez milhões é imoral, que é muito dinheiro. Então a gente vai ter o quê? O Estado arbitrando sobre a nossa vida? Deixa agora, só, só pra eu completar, desculpa, é, a questão do Estado.

Será que o governo, ele é o, é o que é capaz de promover a justiça social conforme a gente deseja?

Participante

Acho que a gente tem muitas falhas no, no nosso sistema.

Flávio Augusto

Então, pensa comigo, pensa comigo. Se a gente pegasse cem por cento do patrimônio de todos os bilionários do mundo.

Participante

Uhum.

Flávio Augusto

Não, brasileiro.

Participante

Brasileiro, é. Vamo, vamo de Brasil.

Flávio Augusto

Vamo pegar os brasileiros, todos os bilionários brasileiros. Daria cinco meses de arrecadação do governo.

Participante

Não, é uma conta diferente. Na verdade, se a gente pegar todo o patrimônio dos bilionários brasileiros, a gente consegue fazer uma conta de, é, acabar com a miséria.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Anualmente, tem um valor anualmente, mas existe essa máquina de dinheiro infinita.

Flávio Augusto

Não, é que não acaba. E o dinheiro não é infinito, é isso que eu quero te dizer. O, o governo brasileiro, ele arrecada em cinco meses, cem por cento do patrimônio dos bilionários. Cem por cento. E, e, e a arrecadação brasileira, ela vem aumentando, batendo recordes a todos os anos. Só que o que a gente vê no Brasil, infelizmente, não é essa solução acontecendo. A gente vê uma série de problemas que acontecem dentro do Estado, dentro do Brasil.

Participante

Mas qual é a sua solução como bilionário?

Flávio Augusto

Mas a solução pra acabar com a, com a miséria?

Participante

É.

Flávio Augusto

Eu tenho uma solução, posso te dar.

Participante

Qual é?

Flávio Augusto

A solução é redução de gastos públicos. Com a redução de gastos públicos, a gente abaixar a taxa de juros. Abaixando a taxa de juros, a gente tem muito mais estímulo na economia pras empresas contratarem mais pessoas, investirem mais pessoas, aumentarem os salários, aumentarem os empregos e, e, os, e o Brasil como um todo, ele enriquecer, aumentando os salários.

Participante

Então, mas cê não acha que assim, por exemplo-

Flávio Augusto

É

Participante

...a gente tá falando de um cenário um pouco utópico?

Flávio Augusto

Não, isso não é utópico.

Participante

Porque-

Flávio Augusto

Utópico, utópico é o contrário.

Participante

É, é uma pirâmide que nunca vai dar certo, porque assim, essas pessoas, ah, gerar emprego e tudo mais, o emprego é sempre uma, um valor. Eu acredito que nas suas empresas ninguém seja bilionário que nem, que nem você.

Flávio Augusto

Não, claro que não.

Participante

E eu acredito que se tiver alguém milionário ali-

Flávio Augusto

Tem alguns, tem alguns, tem alguns milionários, é. Isso

Participante

...é um gerente, alguém de, enfim-

Flávio Augusto

Isso

Participante

...de alguma...

Flávio Augusto

Alguns que começaram do zero e hoje são milionários, isso.

Participante

Mas acredito que ninguém que faça faxina no, nas, nas suas não sejam.

Flávio Augusto

Milionária, não tem como. Não, não tem como.

Participante

Entendeu? É isso que eu tô falando, é sobre discrepância de valores.

Flávio Augusto

Mas você, mas a, na tua-

Participante

Ninguém deveria acumular tanto dinheiro.

Flávio Augusto

Mas na sua ideia, uma pessoa que faz faxina deveria ser milionária?

Participante

Eu acho que ela deveria pelo menos, é, ter o mínimo digno pra sobreviver.

Flávio Augusto

Concordo, concordo com você.

Participante

Pra, enfim, pra poder estudar, pra até, pra não ser faxineira se ela não quiser.

Flávio Augusto

O que que é esse mínimo?

Participante

O mínimo?

Flávio Augusto

É.

Participante

Eu não sei quanto que a gente tá no Bra-

Participante

Paulo, tempo, por favor. Tem dezessete pessoas.

Participante

Tá.

Participante

Um, dois, três e... [risos] Desculpa.

Flávio Augusto

O problema é o copinho. [risos]

Participante

Meu nome é Paulo Henrique, sou professor de História e mestre em Economia Política, e vim aqui debater a importância da taxação dos bilionários pra gente construir um Brasil justo e próspero.

Flávio Augusto

Me lembra teu nome, querido.

Participante

Paulo Henrique, tudo bem, Flávio?

Flávio Augusto

Paulo, vamo lá, Paulo.

Participante

Flávio, cê perguntou o que que era imoral.

Flávio Augusto

Isso.

Participante

Vou dizer vários dados aqui no Brasil que são imorais.

Flávio Augusto

Vamos.

Participante

O Brasil tem oitocentos e sessenta bilhões de renúncia fiscal anuais de grandes empresas que não pagam impostos.

Flávio Augusto

Concordo.

Participante

E que esses valor seria o suficiente pra inclusive vários programas sociais.

Flávio Augusto

Ajudaria bastante, isso.

Participante

É o valor de quatro, quatro bolsas famílias, três programas de saúde.

Flávio Augusto

Sim.

Participante

Farmácia popular. Então, isso é imoral.

Flávio Augusto

Concordo.

Participante

Segundo aspecto imoral. No Brasil, o imposto sobre gre-- é, heranças é oito por cento no máximo.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Enquanto países, inclusive os Estados Unidos, se cobra quarenta por cento de herança. Então tem várias distorções no sistema tributário brasileiro.

Flávio Augusto

Eu queria que cê continu-- desculpa te interromper, eu queria até que cê continuasse, mas eu queria pegar esse ponto aqui-

Participante

Pronto

Flávio Augusto

...até porque eu tô olhando o tempo. Você sabe a partir de quanto, é, o, é, que o brasileiro precisa pagar do imposto sobre fortunas? Que é oito por cento. A partir de qual valor?

Participante

Não sei, mas é, primeiro que o seguinte, o imposto-

Flávio Augusto

Não, vou te falar.

Participante

Pronto, pode falar.

Flávio Augusto

Eu vou te falar. É duzentos e cinquenta mil reais.

Participante

Tá nota.

Flávio Augusto

Esse cara que tem duzentos e cinquenta mil reais, na hora de fazer, transferir a sua herança pro seu filho, tem que pagar oito por cento. Eu te pergunto, esse cara é bilionário?

Participante

Não é bilionário, mas veja...

Flávio Augusto

Não, eu vou, rapidinho, rapidinho.

Participante

Ó.

Flávio Augusto

Vou, vou só completar um número completo, se, se você me permitir. Pode ser?

Participante

Pode.

Flávio Augusto

Então vamo lá. Duzentos e cinquenta mil. Você citou os Estados Unidos. Cê sabe quanto é o imposto sobre ganho de fortuna no, nos Estados Unidos?

Participante

Eu sei sobre heranças.

Flávio Augusto

Sobre herança, desculpa.

Participante

Isso.

Flávio Augusto

Você sabe quanto é?

Participante

Sim, são até quarenta por cento.

Flávio Augusto

Isso.

Participante

É progressivo até quarenta por cento.

Flávio Augusto

Isso. Boa.

Participante

E tem a isenção-

Flávio Augusto

Boa

Participante

...a partir de três milhões e meio de dólares.

Flávio Augusto

Cê errou essa parte.

Participante

Tá.

Flávio Augusto

Essa parte cê errou. Aí eu te digo, é quarenta por cento. Quarenta é maior que oito, não é?

Participante

É, bem maior.

Flávio Augusto

Bem maior, não é verdade?

Participante

Bem maior.

Flávio Augusto

Então, os Estados Unidos deve cobrar mais de imposto do que o Brasil, não é isso?

Participante

Sobre herança, sim.

Flávio Augusto

Sobre herança, né?

Participante

Sim.

Flávio Augusto

Não é.

Participante

Sobre herança, sim.

Flávio Augusto

Porque é acima de cinco milhões de dólares.

Participante

Sim

Flávio Augusto

Ou seja, apenas heranças acima de cinco milhões de dólares são tributadas. Isso, se a pessoa não tiver uma estrutura-

Participante

Também não são milionários que pagam também, a parte-

Flávio Augusto

Não, esse é milionário, cinco milhões de dólares.

Participante

Cinco milhões de dólares, não é bilionário.

Flávio Augusto

Não, bilionário não é. Não, mas os bilionários também pagam.

Participante

Isso.

Flávio Augusto

Os bilionários também pagam. O que eu quero dizer é que, na média, quando você faz essa, essa, essa diferença, hoje, a arrecadação de imposto sobre, sobre herança nos Estados Unidos, ela é de aproximadamente zero ponto dezoito por cento, enquanto do Brasil é zero ponto dezesseis por cento. Então é praticamente a mesma coisa.

Participante

Mas tem países que inclusive pagam mais. A França paga mais.

Flávio Augusto

Mas se você for ver a faixa de isenção, o problema do Brasil, sabe qual é o problema do Brasil? É que a faixa de isenção é muito baixa, porque ela não foi, ela não foi, ela não foi reajustada. Por exemplo, imposto de renda, você, você paga a faixa dos vinte e sete vírgula cinco por cento?

Participante

Não pago.

Flávio Augusto

Você tá abaixo dessa faixa?

Participante

Abaixo.

Flávio Augusto

Ok, você tá abaixo dessa faixa, mas se você ganhasse, por exemplo-

Participante

Agora, você concorda que é justo que os trabalhadores que ganham até cinco mil reais sejam isentos no Imposto de Renda?

Flávio Augusto

Eu acho super, super justo.

Participante

Cê acha que inclusive os que ganham mais de cinquenta mil-

Flávio Augusto

Deveria pagar mais. Claro que é

Participante

...devem pagar mais? Então cê tem concordância, inclusive com a proposta que-

Flávio Augusto

Isso!

Participante

A mi-- a presidenta do PT enviou pra Câmara.

Flávio Augusto

Mas eu não discordo. Eu não discordo que quem ganha mais, tem que pagar mais. E também não discordo, até porque se você for analisar, a faixa de isenção, antigamente, se eu não me engano, era mil e oitocentos reais. Só que era mil e oitocentos reais trinta anos atrás.

Participante

Com salários maior, menores.

Flávio Augusto

Com salários menores. Só que esse, esse, a inflação foi comendo o poder de compra da população. Agora eu te pergunto: por que que essa faixa de isenção não reajustou? E o, a classe média e os pobres tão pagando mais impostos?

Participante

Na verdade, a proposta agora é pra pagar menos impostos.

Flávio Augusto

Eu sei, querido, mas sabe por que, mas sabe por que que eles pagam? Sabe por que que eles pagam? E entrou vários governos e eles nunca mudaram isso, porque precisa financiar o Estado.

Participante

Eu sei, mas ó, e tu que tá sendo pro-

Flávio Augusto

Acabou o tempo ali. Obrigado. Foi o primeiro tema. Mandou bem, garoto! O segundo é hacker. Dinheiro não traz felicidade. Valendo.

Participante

Cheguei. Os cavaleiros na frente. Pedro Flávio, tudo bem?

Flávio Augusto

Cê tá bem?

Participante

Tudo ótimo. Eu acho que dinheiro, em certas partes, traz muita felicidade, porque vai trazer uma estabilidade pra sua família.

Flávio Augusto

Cê discorda de mim, então?

Participante

Sim, porque o que que acontece? Em certas partes, se você tá numa situação, como muitos aí, às vezes tá desempregado, sua família não vai bem, você não vai bem emocionalmente, então outras coisas. Então, e foi um tema que eu estudei sobre outras coisas e meio que me comoveu, porque eu trabalhei onze anos numa empresa vestindo a camisa, trabalhando feriado, aniversário dos meus filhos, e terceirizada. E o cara tem um patamar alto.

Então o que acontece? A partir do momento que eu gerei muito tempo de casa pra ele, o cara me deu dois meses de férias, me deu uma justa causa e eu tô na Justiça até hoje. Então eu tô trabalhando com atuação, sem trabalho.

Flávio Augusto

Justa causa por quê?

Participante

Justa causa indevida. É, não, não alegou, mas, porém, o que que acontece? Inventou qualquer coisinha, pagou um juiz.

Flávio Augusto

Você vai ser, você vai ser reintegrado, vai receber tudo.

Participante

Não, mas pagou, a primeira audiência, pagou um juiz corrupto e foi pro debaixo dos panos. Tô tendo que recorrer.

Flávio Augusto

Não, vai, vai pra segunda instância que você ganha.

Participante

Então, assim, a partir desse momento aí, é, minha vida virou ao avesso, porque o que acontece? É, começou a faltar as coisas dentro da minha casa, entende? Me emocionei, desculpa aí, pessoal.

Flávio Augusto

Tudo bem.

Participante

Porque daí você pensa assim: "Porra, até o momento eu tava estável, com um salário bacana, levando meus filhos pra passear, levando a família". E automaticamente, esse, esse bilionário, com essa sacanagem-

Flávio Augusto

Ele é bilionário?

Participante

É, ele tem dinheiro, tem muito dinheiro.

Flávio Augusto

Não é bilionário, né?

Participante

Perto de mim, ele é um bilionário, mas ele tem várias empresas.

Flávio Augusto

Sim, sim.

Participante

Daí automaticamente ele passou a rasteira ni mim. Eu tô pagando aquele veneno, dependendo da Justiça, que é, é lenta, trabalhosa e há muito tempo se disputa.

Flávio Augusto

Defensor público, cê tá?

Participante

Sim. Então, contratei advogado, tudo, mas mesmo assim a gente sabe que tem a-

Flávio Augusto

Sim

Participante

...debaixo dos panos lá.

Flávio Augusto

Quantos anos já faz isso?

Participante

É, tem poucos meses, mas já teve a primeira. Então o que acontece? Onze anos. Então o dinheiro traz felicidade, porém, por quê? Porque eu tinha o mundo às minhas mãos. Po-poderia, meu filho ficou doente, vou levar num, num convênio, tal.

Flávio Augusto

Entendi.

Participante

Como muitos não têm. Então, ultimamente, se você não tem dinheiro, você praticamente cê é esquecido, você não é nada, você não tem valor. Então o homem, ultimamente, não o homem, só, todo em geral, só vale o que tem, porque automaticamente-

Flávio Augusto

Me lembra teu nome, por favor?

Participante

Sim, Rafael.

Flávio Augusto

Rafael, seguinte, cara, vamo lá. Primeiro, seguinte, cara, lamento muito isso, essa situação. Isso impacta a tua família, impacta, enfim, né, toda a tua, tua condição.

Participante

Estrutura, tudo.

Flávio Augusto

Estrutura, e eu vi que cê tá, tava emocionalmente mexido, porque isso foi muito recente.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

Mas se prepara, vai levar uns cinco, seis anos esse negócio.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

É o tempo que vai levar. Só que o seguinte: se, se você vai ser reintegrado, vai receber tudo retroativo, com-- isso é uma coisa milionária.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

Talvez cê fique milionário nessa ação.

Participante

Sim, amém. [riso]

Flávio Augusto

Cê entendeu?

Participante

Sim.

Flávio Augusto

Porque se, se fez sacanagem, eu vou te falar, a Justiça do Trabalho, eu não tenho nada a reclamar da Justiça do Trabalho. Eu tenho milhares de funcionários, sou empresário há trinta anos. Na maioria das vezes, tem poucas vezes que ela vai ser injusta. Eu nunca sofri injustiça por ministério, por Justiça do Trabalho.

Participante

Eu passei por isso que cê passa, né?

Flávio Augusto

Pois é. Então, assim, primeiro você tem que setar a tua expectativa de que isso é uma batalha de seis, sete anos. Seis, cinco, seis anos.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

E vai levar esse tempo, mas, na minha visão, pelo que você falou aqui, acho que você vai ganhar isso daí. O que você tem que fazer é se recompor emocionalmente agora.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

Recomeçar tua vida, cara.

Participante

É o que eu tô fazendo.

Flávio Augusto

O que tu faz?

Participante

Tô correndo atrás. Agora, eu sou músico nos finais de semana, né?

Flávio Augusto

O que cê toca?

Participante

Eu toco cavaquinho, banjo, violão, canto também, componho, entende? Então eu tô procurando várias portas aqui, que tá me ajudando.

Flávio Augusto

Mas, mas no, na vida corporativa, o que que você faz?

Participante

Sim, é, corporativo eu era segurança.

Flávio Augusto

Tu era segurança?

Participante

Era segurança, trabalhei em várias áreas. Então o que acontece? O dinheiro, sim, traz, é, traz felicidade-

Flávio Augusto

Então, sobre esse tema, que que eu queria dizer pra você é o seguinte: a falta de dinheiro, a, o endividamento-

Participante

Sim

Flávio Augusto

...ele te traz muitos problemas.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

Muitas causas de separação vêm por causa da grana. Mas, o ponto do dinheiro é, é, deve ser inusitado ver um bilionário dizendo que, que dinheiro não, não traz felicidade.

Participante

Sim, com certeza.

Flávio Augusto

Porque eu sou feliz, cara. Eu me sinto um cara feliz, mas eu já era feliz antes de ter dinheiro. Eu tive uma avó maravilhosa, que 2021 nos deixou. Fui criado por ela.

Participante

Meu sentimento.

Flávio Augusto

Cê entendeu? Ou seja, eu tive uma, uma criação É, com amor. Eu tive esse privilégio de ter tido uma família estruturada.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

Então eu sempre fui feliz. Não sou mais feliz hoje. E eu faço questão de dizer isso porque muita gente corre atrás da grana achando que ela vai te trazer felicidade. A felicidade não tá no dinheiro. Agora, não vamos ser hipócrita.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

Ganhar dinheiro é bom?

Participante

Maravilhoso.

Flávio Augusto

Tá? Te traz estrutura, te traz liberdade e te traz principalmente a condição de você ajudar a tua família.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

Tu tem filho, você?

Participante

Tenho dois.

Flávio Augusto

Dois filhos, né? Acabou, né?

Participante

Ó. Maravilha.

Flávio Augusto

Valeu, garoto.

Participante

Obrigado.

Flávio Augusto

Força aí, tá?

Participante

Valeu, valeu. [aplausos] É meu, meu amor. [risos]

Flávio Augusto

Me diga, minha querida.

Participante

Dinheiro traz felicidade, dinheiro traz felicidade quando você tem filhos e você compra brinquedos pra ele, pra eles. Dinheiro traz felicidade quando você tem um parente doente no hospital e você precisa de uma cirurgia, é, rápida num hospital particular, que a gente sabe que o SUS é um dos sistemas que mais demora. Então, quando cê tem dinheiro, no seu caso, que é milionário, eu acredito que seus filhos não passam pelo SUS.

Flávio Augusto

Não.

Participante

Porque você tem médicos-

Flávio Augusto

Particulares.

Participante

Particula-particulares que o dinheiro paga, não é isso?

Flávio Augusto

Isso.

Participante

Dinheiro traz felicidade, é, pra pessoas que precisam de uma casa. Dinheiro traz felicidade pra aquelas travestis na rua que não têm trabalho-

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

E recebem dinheiro na mão dos, do, trabalhando com programa, né? Isso traz felicidade pra elas naquele momento, né? Porque o dinheiro ajuda elas de uma forma que outra forma não ajudaria, sabe?

Flávio Augusto

E deixa eu te colocar um outro ponto de vista. Tudo isso que você falou é facilidade, não felicidade. O dinheiro ele traz facilidade. Eu poder contratar um médico pro meu filho quando ele precisa é uma facilidade. Eu poder botar ele numa escola boa é uma facilidade. Eu poder fazer tudo isso que você disse, que eu acho que é o objetivo de cada pessoa, é uma facilidade, não felicidade.

Felicidade é o que você tem dentro de você quando cê coloca a tua cabeça no travesseiro. Então eu vou dar exemplo pra você do que o dinheiro compra e do que o dinheiro não compra, por exemplo. O dinheiro compra uma cama? Sim ou não?

Participante

Compra.

Flávio Augusto

Compra o sono?

Participante

Não.

Flávio Augusto

O dinheiro compra um plano de saúde?

Participante

Compra.

Flávio Augusto

Compra saúde? Não.

Participante

Mas dá a possibilidade de aumentar o-

Flávio Augusto

Concordo.

Participante

Tempo de vida.

Flávio Augusto

Concordo.

Participante

Então compra.

Flávio Augusto

Não, calma. Vamos lá. Você na UTI, cê paga a tua alta dessa UTI? Não paga a tua alta.

Participante

Então, por que você, se dinheiro não traz felicidade, por que você traz um curso que ajuda a pessoa a ficar milionária? Por que que você vende o curso-

Flávio Augusto

Não, não, eu não vendo esse curso. Não tenho esse curso.

Participante

Mas o seu curso não ajuda as pessoas a-

Flávio Augusto

Não, não, não. Eu tenho um curso de inglês.

Participante

Tudo bem.

Flávio Augusto

É isso, não é, não é curso de-

Participante

É.

Flávio Augusto

Eu não ensino as pessoas a ficarem milionárias, não. Não é, não é, não é minha área de atuação.

Participante

Ah, então tudo bem.

Flávio Augusto

Não, não, não, não.

Participante

Mas o dinheiro traz felicidade.

Flávio Augusto

Ó, o dinheiro, o dinheiro, na minha visão, que eu estou conversando com você-

Participante

O dinheiro traz estudo quando você consegue pagar uma faculdade.

Flávio Augusto

Isso tudo é, isso tudo é facilidade.

Participante

Isso é uma felicidade.

Flávio Augusto

É facilidade.

Participante

O dinheiro, o dinheiro traz diploma.

Flávio Augusto

Facilidade.

Participante

O di-- não é uma facilidade?

Flávio Augusto

Claro que é.

Participante

Não, não é uma facilidade.

Flávio Augusto

Se você, se você, por exemplo, quando você tem um diploma, não é mais fácil conseguir um emprego? É uma facilidade. A felicidade, cara, é aquela coisa que a gente sente, que não depende do dinheiro que a gente tem. Eu, aí eu falo isso, vou falar de novo da minha vozinha aqui, que eu quase chorei da outra vez aqui, que eu falei dela aqui. Mas aquela mulher, ela sustentou três filhos lavando roupa e ela era sorridente.

Ela morreu com noventa e um anos sorridente. Ela é um dos meus maiores exemplos de vida. Eu digo pra você que isso é fa-- isso é felicidade. É aquilo, é aquilo que pulsa dentro da nossa, do nosso coração por um propósito, quando a gente tem propósito, quando a gente sabe a nossa missão e o que que a gente quer realizar. Isso nos traz felicidade. Agora, eventualmente, a gente vai ganhar grana.

E eu digo, não sou hipócrita, é bom ganhar dinheiro, vale a pena se dedicar pra ganhar dinheiro. E quando tu ganhar dinheiro, quando você ficar rico, de repente, você não é rico, você não é rica.

Participante

Não, com certeza não.

Flávio Augusto

Tá legal. Não-

Participante

Ó o meu cabelo aqui. [risos]

Flávio Augusto

Mas como é que é o cabelo de rico?

Participante

Não sei, mas não é assim.

Flávio Augusto

Não, não.

Participante

Cabelo de rico é assim pra vocês? Não.

Flávio Augusto

Então, então tá legal. Então se um dia você ficar rica, como é que é o tratamento que eu te uso? Me desculpa, minha ignorância aqui.

Participante

É, eu sou drag queen, é ele ou ela.

Flávio Augusto

Ele ou ela, então tá bom, obrigado. Então o que que acontece? Na hora que cê ficar rica, sabe o que vai acontecer? Você vai concluir isso que eu tô falando. Falar: Caramba, é, eu tenho muitas facilidades, mas não necessariamente eu fui mais feliz. Aliás, os consultórios psicológicos tão cheio de rico tomando antidepressivo, cheio de gente com problema existencial, sentindo a dor da existência. Isso nu-- isso não depende da tua carteira.

Você pode ter uma carteira cheia de dinheiro ou vazia de dinheiro, e você vai ter essa ânsia pelo teu significado da sua existência. A felicidade ela tá aí.

Participante

Se o dinheiro não traz felicidade, por que que a gente trabalha?

Participante

Obrigado, pessoal. Só falta um tempo aí, por favor.

Participante

Obrigado, meu amor.

Flávio Augusto

Obrigado, tá? Beijo, beijo. [aplausos]

Participante

Obrigado, gente.

Participante

Oi.

Flávio Augusto

E Amanda, o que que cê acha? O dinheiro traz felicidade ou não?

Participante

Se dinheiro não traz felicidade, bora acabar com a escala seis por um. Se o dinheiro não traz felicidade, bora taxar as grandes riquezas.

Flávio Augusto

Tem escala seis por um na história? [risos]

Participante

Se dinheiro não traz felicidade. Então, é porque ó-

Flávio Augusto

Cê sabia que a minha empresa não tem escala seis por um?

Participante

Ainda bem.

Flávio Augusto

Eu vou dizer um negócio pra você. Aliás, eu vou dizer um negócio pra você, voltando na desigualdade, Amanda.

Participante

Já, pô.

Flávio Augusto

Ah, Amanda. Desculpa, Amanda.

Participante

E aí?

Flávio Augusto

Eu vi você gravando ali. Você é poeta, né?

Participante

Sou poeta.

Flávio Augusto

Faz uma poesia pra mim. Vai lá.

Participante

Ai, assim, de graça?

Flávio Augusto

De graça, assim, pra todo mundo, assim.

Participante

Agora eu ficaria feliz.

Flávio Augusto

Vamos lá.

Participante

Vai ser paga-

Flávio Augusto

Mas dez segundinhos, dez se-- dez segundinhos, vai lá. Mostra a tua arte pra milhões de pessoas aqui.

Participante

Não, vim aqui pra falar sobre porque o dinheiro não traz felicidade, e eu concordo com você.

Flávio Augusto

Concorda comigo?

Participante

O dinheiro realmente não traz felicidades, inclusive, é, lembrando a fala da nossa amiga ali, se nós volta na época de que o Brasil foi colonizado A gente faria essas perguntas, por exemplo, pros indígenas.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

E pra ele não faria sentido essa pergunta, não faria, não traria felicidade mesmo, porque a vivência deles são outras.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Né? Mas vamo lá pra um humor-

Flávio Augusto

Mas o que que é ser rico pro, pro índio, por exemplo?

Participante

Eu acho que pra eles, é ter tempo, sabe?

Flávio Augusto

Tempo é uma riqueza pra eles.

Participante

É, tempo é riqueza, entendeu?

Flávio Augusto

Então você concorda que, que dinheiro não traz felicidade?

Participante

Concordo.

Flávio Augusto

Então tamo junto.

Participante

Mas eu tô aqui-- Sim, mas quero te trazer meu ponto também, né? Porque não é só sobre fa-- de, deitar essa fala, né?

Flávio Augusto

O pessoal te demitiu, minha poeta querida. Você não quis falar tua poesia. Que pena! Opa, desculpa. Você é a?

Participante

Eu sou a Carol.

Flávio Augusto

Carol. Diga, Carol.

Participante

É, bom-

Flávio Augusto

Dinheiro traz feli-- não traz felicidade. Essa é minha opinião. O que que você acha?

Participante

Eu discordo-

Flávio Augusto

Uhum

Participante

...em questão, porque a felicidade financeira, ela ajuda e impacta muito nas pessoas.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

As pessoas, elas têm propósitos, porém elas se perdem, por tanto da questão do capitalismo, por tantas questões psicológicas, por tantas desigualdades-

Flávio Augusto

Você é capitalista?

Participante

...desigualdades sociais.

Flávio Augusto

Você é capitalista, sim ou não?

Participante

Não.

Flávio Augusto

Não. Então, um capitalista tá te dizendo que o dinheiro não traz felicidade, você discorda.

Participante

Mas no senti-no sentido de que quando as pessoas não têm essa, é, esse berço ou essas chances que muitas pessoas têm, elas acabam, sim, se tornando infeliz.

Flávio Augusto

Que chances, por exemplo? Só pra eu entender.

Participante

Voltando no papo do, da desigualdade social, por exemplo, nem todo mundo tem as mesmas oportunidades.

Flávio Augusto

Certo.

Participante

Quando elas não têm as mesmas oportunidades, elas acabam passando por situações que as deixam infelizes.

Flávio Augusto

Verdade.

Participante

E aí, quando elas conseguem algum projeto ou algum trabalho ou algum sucesso na vida e que trazem um retorno financeiro pra elas, em algum momento, sim, elas se sentem felizes financeiramente.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Então, pra mim, é parte da felicidade, sim.

Flávio Augusto

Deixa eu te dar um ponto. Muito interessante o seu ponto. Na minha visão, você tá confundindo a felicidade com contentamento.

Participante

Hum.

Flávio Augusto

Tá? Felicidade é uma coisa, contentamento é outra. Ou seja, contentamento é uma coisa, é, pontual. Arrumei um emprego novo. Ai, fiquei contente.

Participante

Uhum.

Flávio Augusto

A gente até fala: "Fiquei feliz." Mas, na verdade, esse feliz aqui, semanticamente, é o significado de contentamento.

Participante

Uhum.

Flávio Augusto

Você ficou contente.

Participante

Uhum.

Flávio Augusto

Obviamente, várias pequenas coisas que vão acontecendo na nossa vida vão nos deixando contente, mas a felicidade é algo que tá numa camada superior.

Participante

Sim, mas-

Flávio Augusto

Acima do contentamento, entende?

Participante

Concordo com você, porém-

Flávio Augusto

Tanto é que eu acho, por exemplo, que é possível que uma pessoa, é, camponesa, que trabalha no campo, seja, em muitos, muitas vezes, muito mais feliz do que um bilionário.

Participante

Concordo com você nesse ponto.

Flávio Augusto

Isso.

Participante

Porém, quando a gente pensa na so-sociedade que a gente vive-

Flávio Augusto

Uhum

Participante

...muitas outras pessoas, elas dependem de muitos outros fatores e muitas camadas-

Flávio Augusto

Pra ficarem contente

Participante

...pra ficarem, ficarem felizes também.

Flávio Augusto

Pra ficarem contente.

Participante

Porque a felicidade, ela é subjetiva pra cada um.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

O que é feliz pra mim, não é pra você.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Então, se eu vejo no, na questão financeira, que felicidade me traz um retorno, tá ótimo, mas pro outro talvez não traga.

Flávio Augusto

Então, Carol-

Participante

Então ela é subjetiva

Flávio Augusto

...vou te sugerir o seguinte: Eu, minha experiência pessoal, me sinto tão feliz hoje quanto eu era quando eu era pobre.

Participante

Uhum.

Flávio Augusto

Tão feliz. Não sou nem mais nem menos. Agora, óbvio, hoje eu tenho a oportunidade de ter várias facilidades na minha vida e situações que me deixam muito contente, que também contribuem-

Participante

Isso

Flávio Augusto

...com a minha vida.

Participante

Exatamente.

Flávio Augusto

Mas eu vou te falar uma coisa. Eu vou torcer que você fique rica um dia e você lembre assim: "Flávio, eu tô tão feliz quanto eu era."

Participante

Mas eu já sou feliz, mas eu digo em questão-

Flávio Augusto

Você vai ser tanto quanto

Participante

...da felicidade financeira, entende?

Flávio Augusto

Não, mas de contentamento.

Participante

Porque aí isso, porque cada um tem um jeito de pensar, e muitas pessoas, elas acabam ficando tristes-

Flávio Augusto

Aham

Participante

...por conta da falta do, da riqueza ou por conta dessa falta que precisa. Então elas sa-- ficam infelizes por esse motivo.

Flávio Augusto

É, elas ficam, é, chateadas, né?

Participante

É, mas elas não estão felizes.

Flávio Augusto

É, é que a felicidade tá num outro-- a gente tá, tá, tá divergindo na definição da felicidade.

Participante

É porque, como eu disse, a felicidade, ela é subjetiva, não é?

Flávio Augusto

Tudo bem.

Participante

Entende?

Flávio Augusto

Eu vou torcer, eu vou torcer, eu vou torcer que você fique rica e fale assim pra mim: "Flávio, eu estou feliz igual eu era."

Participante

Mas eu já sou feliz, Flávio. É isso que eu tô te falando.

Flávio Augusto

Vai ficar mais feliz ainda.

Participante

Não tem como o dinheiro não trazer felicidade. Ele traz a felicidade, ele completa a felicidade pra algumas outras pessoas.

Flávio Augusto

Te sugiro, te sugiro ganhar bastante dinheiro, depois vim me contar.

Participante

Amém.

Flávio Augusto

Tá bom? O sucesso é uma ciência exata que todo mundo pode aprender.

Participante

[som de algo caindo] Eita!

Participante

Já era. Saí daí.

Flávio Augusto

Minha bunda é mais magrinha.

Participante

Não, perdeu.

Flávio Augusto

Cê vai encampar essa?

Participante

Perdeu. [riso] Oi.

Flávio Augusto

Me lembra seu nome.

Participante

Amanda.

Flávio Augusto

Seja bem-vinda. Vamos falar sobre sucesso.

Participante

Bom, eu sou professora de inglês também.

Flávio Augusto

Uau!

Participante

Eu pago vinte e sete por cento de imposto. E você concorda que todo professor devia ter isenção de imposto de renda também?

Flávio Augusto

Esse é o problema. Tá todo mundo buscando a sua isenção. Concorda?

Participante

Concordo.

Flávio Augusto

É o empresário buscando a sua isenção, é o professor buscando a sua isenção. Eu, sinceramente, acho que ninguém deveria ter isenção, nem o professor e nem o empresário.

Participante

É verdade, deveria ser proporcional, certo?

Flávio Augusto

Porém, isso, porém, duas coisas. A primeira coisa que tem que acontecer, a faixa de isenção hoje tá muito baixa. Então hoje, quem é classe média, média baixa, porque tem esse detalhe, o que que é classe média hoje?

Participante

Pois é, o que é classe média pra quem tem inflação?

Flávio Augusto

Exatamente. O que o IBGE diz que é classe média, ele diz que até oito mil reais é classe média. Eu, sinceramente, se você for ver uma família com dois filhos pagando escola pra filho-

Participante

Pois é

Flávio Augusto

Então a classe média hoje, é, é-- agora, esse cara ainda paga 27,5% na fonte.

Participante

É, e é injusto, né?

Flávio Augusto

Muito injusto.

Participante

A importância da taxação das grandes riquezas, é, não é uma coisa que fizeram num projeto agora. É constitucional. Então, a Constituição devia ser regulamentada e seguida. O problema é que é desigual.

Flávio Augusto

Aham.

Participante

Não é devia-- não deveria existir nenhum bilionário enquanto tem alguém passando fome. Não deveria existir nenhum bilionário enquanto tem alguém correndo o dia inteiro ficando sem salário. É, existem empresas que inclusive os donos são bilionários, que fazem golpes e golpes pra esplorar o, explorar o trabalhador. Então, enquanto tem alguém bilionário, quer dizer que tem alguém explorando a classe trabalhadora. E pode ser: "ah, eu pago muito bom o salário do meu trabalhador, ele dá o sangue pela firma", mas ele ganha cinco mil reais por mês.

O que que uma família, hoje em dia, mesmo com um ótimo salário, que é considerado muito bom, de cinco mil reais por mês, pode fazer com dois filhos? Nem estudar no ASAP não consegue.

Flávio Augusto

É verdade, não consegue. Mas vamo, vamo tentar a gente voltar pro tema, que o sucesso é uma ciência exata que todos podem aprender. Acho que esse é o nosso tema desse segundo. Pra não deixar, antes de eu entrar nesse tema, só pra dizer pra você, e eu vou repetir, o dinheiro não é finito. A produção de riqueza, ela não é finita. Como as pessoas acham que ela é finita, isso é um erro, elas acham que se alguém ganha muito, alguém vai ter que ganhar pouco.

Então não existe essa correlação entre ganhar pouco pela razão de que alguém ganha muito.

Participante

Mas essa é a questão.

Flávio Augusto

Só pra gente corrigir.

Participante

Mas essa é a questão principal. O sucesso, todo mundo pode alcançar. Mas tem a questão da desigualdade social. Nem todo mundo sai do mesmo parâmetro, né?

Flávio Augusto

De forma alguma.

Participante

Eu sei que você-

Flávio Augusto

Eu, por exemplo, saí de baixo

Participante

...que você, é, saiu de baixo, que você também fez a sua escola de inglês, que fez ela crescer.

Flávio Augusto

Sim, sim, sim.

Participante

Mas você precisou de professores pra fazer isso acontecer, você precisou de pessoas pra comprar o seu curso pra fazer isso acontecer, você precisou de pessoas, é, que acreditavam no seu curso pra fazer isso acontecer, e você também precisou do capital estrangeiro vim aqui e comprar a sua escola pra assim você se tornar um bilionário. Então-

Flávio Augusto

Foi capital nacional.

Participante

Foi nacional? Ai, que bom, pensei que tinha sido estrangeiro.

Flávio Augusto

Isso.

Participante

Mas nesse sentido, o sucesso não é igual pra todo mundo, porque não é todo mundo que tem o ponto de partida, as pessoas não têm acesso à universidade.

Flávio Augusto

Verdade, verdade.

Participante

Eu sou professora de inglês numa escola pública.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

E quando eu entrei lá, eu acreditei que as pessoas queriam estudar inglês e que todo mundo ia querer estudar inglês pra todo mundo de boa. Mas a verdade é que elas nem querem estudar. Elas tão no sentido de seguir: "ah, eu vou ficar rica". Porque o sucesso é algo imaginário. O sucesso, o que que é o sucesso, né?

Flávio Augusto

Então, eu pergunto pra você.

Participante

É relativo.

Flávio Augusto

O que que, o que que é o sucesso pra você?

Participante

O sucesso é você ter tempo, é você se alimentar bem, é você não passar fome, é você ver sua família feliz, é você poder fazer uma prestação de uma viagem, visitar os seus parentes, né? Poder ter descanso pra fazer uma academia, pra comer o seu lanche, pra ir no restaurante maneiro. Isso é sucesso.

Flávio Augusto

E tudo isso você vai precisar de quê, pra fazer tudo isso? Vai precisar de dinheiro, concorda comigo?

Participante

E tempo.

Flávio Augusto

Dinheiro e tempo, concorda comigo?

Participante

Dinheiro e tempo.

Flávio Augusto

Dinheiro e tempo. Então, o que eu coloco aqui, que o sucesso é uma ciência exata, que todos podem aprender, independentemente da origem. Porque, por exemplo, eu tenho lugar de fala pra poder falar sobre o que é ser periférico, sobre o que é andar de ônibus cheio, sobre o que é andar de trem cheio, não é? Eu, eu sou, sempre estudei em escola pública, então eu sou uma pessoa que vem de baixo, que passou perrengue dentro de um ônibus lotado, imagino que você já deva ter pegado um ônibus lotado, é uma coisa realmente que é um grande perrengue.

Eu gastava cinco horas por dia dentro de um transporte público. Então, eu que venho desse lugar, me lembra teu nome?

Participante

Amanda.

Flávio Augusto

Amanda, desculpa, Amanda. Então, eu que venho desse lugar, Amanda, tenho propriedade pra dizer que é possível aprender a sair dessa situação e entrar numa situação melhor. E eu te explico como, tá? Hoje, no Brasil, a mobilidade social, ela funciona da seguinte forma: uma pessoa pra sair da pobreza até a classe média, em média, no Brasil, leva nove gerações. É um absurdo, concorda?

Participante

É um absurdo.

Flávio Augusto

É um absurdo. Leva nove gerações. Então, eu tô falando que eu saí deste lugar ao lugar que eu estou-

Participante

Numa única geração

Flávio Augusto

...numa única geração, em poucos anos.

Participante

Mas isso não foi algo fora da curva?

Flávio Augusto

Claro que foi. O sucesso-

Participante

Não é todo mundo que vai conseguir?

Flávio Augusto

Não, mas não é isso que eu estou falando pra você.

Participante

E não é questão de acreditar.

Flávio Augusto

Não, não, não, não.

Participante

Não é um papo de coach, dizendo assim: "olha-

Flávio Augusto

Balela isso aí

Participante

...você acredita, porque se eu consegui, você vai conseguir também".

Flávio Augusto

Não, isso é balela, isso é balela.

Participante

Não é sobre isso.

Flávio Augusto

Não, não.

Participante

Porque uma pessoa que pega o ônibus lotado e tem du-- três horas de viagem, ela vai chegar cansada em casa, às vezes ela vai fazer academia.

Flávio Augusto

Como é que você acha que eu chegava?

Participante

Vai assistir uma novela.

Flávio Augusto

Eu, eu não fazia academia?

Participante

E ela não, não vai pensar no amanhã, às vezes, de: "ah, eu vou ficar milionário".

Flávio Augusto

Não.

Participante

"Ou vou ficar bilionário, ou vou ganhar mais dinheiro". Às vezes, é só um sonho, ela ficar lá ó, rodando a internet e vendo um vídeo.

Flávio Augusto

Isso.

Participante

E ela vai conseguir discutir? Ela vai ter essa criticidade de conseguir-

Flávio Augusto

Então, Amanda

Participante

...seguir um foco diferente, de seguir esse sucesso esperado?

Flávio Augusto

O que você, o que você está falando é ótimo. O que você está falando é ótimo. O ponto aqui é o seguinte: nem todo mundo vai virar bilionário. Alguns vão virar milionários.

Participante

E é por isso que os bilionários não deveriam existir.

Flávio Augusto

Esse já é um outro tema. A gente pode falar sobre ele também, mas é só pra gente falar sobre o sucesso aqui.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

Que é o nosso tema aqui agora, não é?

Participante

Mas bilionário é uma coisa de sucesso, não é? Não tem a ver com sucesso falar que os bilionários não deveriam existir? Porque às vezes ser bilionário não é questão de sucesso. Você conhece outros bilionários e sabe que você deve ser o único entre eles que não tem herança, que os pais não vieram da ca-- das...

Flávio Augusto

É, muitos, muitos começaram-

Participante

Donos de terra ou donos de escravos.

Flávio Augusto

Pouquíssimos, olha só, pouquíssimos-

Participante

Pouquíssimos

Flávio Augusto

...são como eu, que começou da periferia, mas muitos começaram do zero. Mas o que eu quero dizer pra você, só pra fechar essa pergunta, que acho que é muito importante, Amanda, você é uma guerreira, professora de inglês.

Participante

Pois é.

Flávio Augusto

Atua na área que eu gosto, que é inglês, ensino da língua inglesa, não é? O que eu queria dizer pra você é o seguinte: é possível todo mundo melhorar de vida. Todo mundo. Ninguém vai-- nem todo mundo vai ser bilionário. Raríssimas pessoas vão ser bilionárias. Alguns vão ser milionários, mas todos podem melhorar de vida. Você quer ver um exemplo?

Participante

Sim, através do estudo elas conseguem melhorar de vida.

Flávio Augusto

Exatamente, esse é um exemplo.

Participante

Através do trabalho, elas conseguem melhorar de vida, mas elas não mudam da-

Flávio Augusto

O fato de cê falar inglês

Participante

...como fomos expulsos. [riso]

Flávio Augusto

Acabou o tempo.

Participante

Obrigada, viu?

Flávio Augusto

Valeu, Amanda. Beijo.

Participante

É "nice".

Flávio Augusto

[som de cadeira sendo arrastada] Você vai ficar de novo aqui, feio?

Participante

Quem que tá?

Flávio Augusto

Deixa eu, vou dar uma contracada. De verdade, de verdade mesmo.

Participante

É, meu nome é Luiz Felipe, sou geógrafo, sou professor, e hoje vim conversar sobre a profunda desigualdade que existe no Brasil e no mundo, e a importância de rever políticas de tributação pra uma espécie de equiparação ou redução das desigualdades e das injustiças diante da existência de três mil bilionários no planeta hoje em dia. Boa tarde. Meu caro, o seguinte: é, falando da questão do sucesso e voltando um pouco ao debate moral-

Flávio Augusto

Ótimo!

Participante

...eu só queria lembrar uma coisa que os bilionários e empresários eventualmente esquecem, que é como os poderes no Brasil não tão divididos entre políticos e empresários. No Brasil, a maioria dos políticos são empresários, a maioria dos empresários são políticos, e curiosamente, eles são brancos, são pessoas que não começaram do nada, talvez você seja uma exceção.

Flávio Augusto

Sou, sou uma exceção.

Participante

E são pessoas que usam as políticas públicas pra se enriquecer.

Flávio Augusto

Nunca, nunca faturei um centavo de dinheiro público.

Participante

A maioria.

Flávio Augusto

Isso.

Participante

Que bom se você for uma exceção.

Flávio Augusto

Exatamente.

Participante

Mas a gente vê-

Flávio Augusto

Não, eu sou. Eu sou

Participante

...senadores usando a Constituição pra se favorecer e concentrar um capital, que a colega tava falando, de cerca de, só no Brasil, né, é, dois trilhões de reais, isso em patrimônio, 10% disso pagaria duas, três vezes o Bolsa Família. E pior, acho que concentra uma responsabilidade de tomar decisões, que é muito poderosa, e que vai limitar, por exemplo, a valorização de um professor, de uma enfermeira, de um bombeiro, de um policial.

Flávio Augusto

Não limita, não limita.

Participante

Limita, porque eu nunca vi ninguém ficar bilionário sendo professor, policial-

Flávio Augusto

Não, mas não vai ser

Participante

...bombeiro-

Flávio Augusto

Não, não vai ser

Participante

...ou uma pessoa que limpa a casa de alguém, ou que é uma pedagoga.

Flávio Augusto

Desculpa te interromper, é só pra gente não deixar conceitos, é, assim, equivocados na, no ar, né. Hã, eu concordo com você, com párcia, com parte do que você está dizendo, mas não existe correlação à riqueza de alguém com a pobreza de outra pessoa.

Participante

Existe.

Flávio Augusto

Não, não existe.

Participante

Existe porque a exploração do capital, da forma como você pensa, poderia um dia deixar todo mundo milionário. Isso gera inflação. A gente vê, por exemplo, hoje, uma bolha de bitcoins que não tem serventia absolutamente alguma pra humanidade, porque não gera emprego.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Mas que tá lá produzindo uma concentração de riqueza brutal, quando esse dinheiro podia tá sendo distribuído pagando salários, no mínimo, mais justos pra população que trabalha.

Flávio Augusto

Como é que seria essa distribuição desse dinheiro?

Participante

O salário mínimo, por exemplo, cinco vezes maior do que é o atual. A gente viu que a reforma trabalhista do Temer, depois do golpe, precarizou muito a vida dos trabalhadores.

Flávio Augusto

E o que que você acha que aconteceria se o salário mínimo, que eu adoraria que fosse cinco vezes maior, mas do pon-- como o Brasil é estruturado hoje, o que que você acha que aconteceria se o salário mínimo, hoje, a gente fizesse assim, ó, [estalo de dedos] e ele fosse cinco vezes maior?

Participante

Cê teria que tirar esse dinheiro de algum lugar, é a conta que o Congresso tá tentando fazer.

Flávio Augusto

Não, mas não, mas-

Participante

A questão é que quem tá lá dentro-

Flávio Augusto

Mas não é factível, é

Participante

...que é menos de 1%-- não é factível porque quem decide as leis não quer pagar mais imposto, porque são milionários, são multimilionários.

Flávio Augusto

Mas eu topo pagar mais imposto.

Participante

Mas então convence os seus colegas ali que fazem lobby no Congresso a pagar mais também.

Flávio Augusto

Não, eu topo pagar mais imposto.

Participante

Se a gente conseguisse que esses 1% pagassem mais imposto, não é os 5% da Gleisi, é 20, 30.

Flávio Augusto

Sabe o que que precisa acontecer? Como é teu nome mesmo?

Participante

Luiz.

Flávio Augusto

Desculpa, Luiz. Sabe o que que precisa acontecer?

Participante

Sei.

Flávio Augusto

É pegar uma planilha e fazer essa conta.

Participante

Pois é, mas ela é feita.

Flávio Augusto

Não, mas eu vou te dar um exemplo. O, o, o projeto da Gleisi, que você tá falando, tá mencionando agora-

Participante

Que é, é superconservador

Flávio Augusto

...mas beleza. Esse projeto dá vinte bilhões. Vinte bilhões é dois dias de arrecadação.

Participante

Vamos tributar mais.

Flávio Augusto

Mas o que que você acha que acontece? Então vamo lá, o que que você acha que acontece se a gente tributa bem mais do jeito que cê tá falando?

Participante

Os ricos têm que pagar conta. Cê acha que os investidores do agronegócio vão mudar pra Zurique pra plantar soja lá na Suíça?

Flávio Augusto

Você sabe quanto, quantos dos 10 brasileiros mais ricos têm residência fiscal no Brasil?

Participante

Ensina.

Flávio Augusto

Não, não sabe esse número? Dá um chute. Dos 10, 10 mais ricos do Brasil.

Participante

Que sejam os 10 morando fora.

Flávio Augusto

Então, são nove.

Participante

Tudo bem, mas-

Flávio Augusto

Apenas um está, tem residência fiscal no Brasil. Cê sabe quantas, é, famílias milionárias-

Participante

Deixa eu só te interromper

Flávio Augusto

...não, só, só pra concluir o raciocínio. Eu, eu vou-

Participante

Pois não

Flávio Augusto

...depois devolvo pra você.

Participante

Perfeito.

Flávio Augusto

Tá tranquilo, tá? É, e, e vai ser rápido. Sabe quantas famílias milionárias saíram do Brasil no ano passado?

Participante

Hum.

Flávio Augusto

Oitocentas.

Participante

O país não parou, diga-se de passagem.

Flávio Augusto

Não, mas não vai parar.

Participante

Os ônibus continuam cheios.

Flávio Augusto

Mas e o que que acontece-

Participante

E as fábricas continuam produzindo

Flávio Augusto

...mas o que acontece quando oitocentos milionários saem do país?

Participante

Tem menos evasão fiscal de quem sonega.

Flávio Augusto

Não, mas aí você tá generalizando.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

Não, não generaliza.

Participante

Estatisticamente, não é isso.

Flávio Augusto

Não, não generaliza. Eu não sonego imposto.

Participante

Eu acredito em você.

Flávio Augusto

Isso, mas não, mas é que-

Participante

Não é particular a discussão, por favor, entenda

Flávio Augusto

...é, mas, mas eu sei, mas quando, quando a gente generaliza o assunto, a nossa conversa não fica muito inteligente.

Participante

Mas não é o Luiz e o Flávio, é um trabalhador e um bilionário.

Flávio Augusto

Não, não, não

Participante

Eu preciso generalizar.

Flávio Augusto

Não, não. Quando você generaliza, você, você erra. Então nosso, nosso-

Participante

Não necessariamente.

Flávio Augusto

Toda generalização-

Participante

A OMC e a OCDE têm um projeto, por exemplo, que tá tramitando em escala global pra fazer essa tributação globalmente.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Assim, o evasor de divisa que tá no Brasil e muda pra outro país, vai ter que pagar lá também.

Flávio Augusto

Mas quem muda pra um outro país não é evasor de divisas.

Participante

Eventualmente, ele tá saindo daqui pra não pagar imposto.

Flávio Augusto

Não, ele vai pagar imposto em outro lugar.

Participante

Por isso chamam paraísos fiscais, né, os lugares onde esse dinheiro fica escondido.

Flávio Augusto

Não, não necessariamente, não necessariamente. Estados Unidos não é um paraíso fiscal. E é, e é o principal destino do brasileiro é o Estados Unidos e ele não é paraíso fiscal.

Participante

Será que lá eles tão aumentando a fortuna, mesmo com a política agressiva do Trump?

Flávio Augusto

Tão. Eles tão, eles tão aumentando a sua fortuna e-

Participante

E a pobreza lá tá crescendo junto?

Flávio Augusto

E vou te-- mas isso é um outro tema.

Participante

Não é.

Flávio Augusto

Vamo, vamo concentrar no nosso.

Participante

É uma questão de causa e consequência.

Flávio Augusto

Não, não, vamo concentrar no nosso.

Participante

Lá eles se esforçam menos que no Brasil?

Flávio Augusto

Vamo lá. Não, lá eles trabalham. Lá eles trabalham. O ponto-

Participante

E quem trabalha? Os, os mexicanos, os latinos, a população pobre ou os milionários?

Flávio Augusto

Não, todos, todo mundo trabalha. Eu trabalho 12 horas por dia.

Participante

Eu acredito, mas a sua recompensa é do personal de um entregador de aplicativo?

Flávio Augusto

É que você tá abrindo muitas janelas, Luiz.

Participante

Perfeito, porque a discussão moral é essa, o esforço de produzir-

Flávio Augusto

Não, não, a discussão moral, não, negativo

Participante

...há uma recompensa justa.

Flávio Augusto

Não, não.

Participante

Uma pessoa que trabalha de maneira honesta dentro daquilo que ela pode fazer, é um trabalho justo. Por que esse trabalho não é remunerado à altura? Porque eventualmente você vai ter que cobrar mais imposto de um milionário pra pagar mais uma pessoa que faz serviço doméstico?

Flávio Augusto

Luiz-

Participante

Se a lei criar parâmetros pra isso-

Flávio Augusto

Vamo, vamo focar senão a gente-

Participante

A pessoa vai ter que fazer dessa maneira.

Flávio Augusto

Vamo focar porque a gente tá falando coisas aleatórias, tá? Vamo, vamo, vamo, vamo focar aqui. A gente tá falando aqui sobre as famílias, as oitocentas famílias que saíram do Brasil no ano passado. O que acontece quando uma família milionária sai do Brasil? Ela para de empregar, ela para de aplicar o capital dela naquele país e passa a trabalhar, a produzir e aplicar o capital dela no outro país.

Participante

No capitalismo financeiro, o investimento não produz renda. Veja o caso das criptomoedas, por exemplo, não gera emprego nenhum.

Flávio Augusto

Não, não, mas eu não, eu não tô falando do, eu não tô falando da criptomoeda.

Participante

Os milionários investidores que não tão abrindo fábrica no Brasil, o país tá se desindustrializando, cê sabe melhor que eu. E com essa plataformização-

Flávio Augusto

Por que você acha que tá desin-desindustrializando?

Participante

Porque a gente começou a comprar de empresa de capital estrangeiro e baratear a mão de obra que é explorada e escravizada no Sudeste Asiático, onde novos bilionários estão surgindo.

Flávio Augusto

Exatamente.

Participante

Não por acaso.

Flávio Augusto

Sim, mas falando [riso]Você abre muita janela, Luiz.

Participante

Mas é porque eu tô tendo uma visão que é global

Flávio Augusto

Eu entendo a sua visão global.

Participante

Perfeito.

Flávio Augusto

Mas o que eu quero dizer pra você, qual, qual é o nosso tópico aqui? Que o sucesso é uma ciência exata que todos podem aprender.

Participante

Não é.

Flávio Augusto

Não, esse aqui é o nosso, esse é o nosso tópico.

Participante

Perfeito, tô, tô te desmentindo isso.

Flávio Augusto

Então argumenta, não é por quê?

Participante

Não é, porque a pessoa que trabalha, se esforça, é honesta, aprende isso desde cedo-

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Ela não vai ficar necessariamente rica. A não ser que cê me diga que entrar pra uma carreira de estelionato seja uma forma de aprender a ficar rico, talvez a gente consiga-

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Concordar. Mas ensinar alguém sucesso, tenho certeza que todo mundo que tá aqui tem pais, mães, familiares, que desde cedo ensinam o caminho das pedras, que basicamente é ser honesto, estudar, fazer bem, ter disciplina, não ferrar ninguém.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

Essas pessoas não tão ficando milionárias.

Flávio Augusto

Não é só esse o caminho das pedras.

Participante

Então, mas aí é que entra a questão do privilégio.

Flávio Augusto

Então, se, se eu posso, eu posso-

Participante

Não é? De herança, de cor de pele, de gênero, de nacionalidade.

Flávio Augusto

Legal, eu posso dividir o meu conhecimento com você aqui.

Participante

Perfeito.

Flávio Augusto

Gostaria?

Participante

Cê acha que cê vai me ensinar a ser milionário?

Flávio Augusto

Olha, eu posso te ensinar a ser milionário. Eu não sei se realmente você vai conseguir atingir esse resultado. Eu não posso te garantir isso.

Participante

Não é vendendo curso, nem fazendo pirâmide.

Flávio Augusto

Pirâmide, não, mas. Pirâmide, não.

Participante

Perfeito.

Flávio Augusto

Mas vendendo curso é uma po, é uma possibilidade.

Participante

Então, mas será?

Flávio Augusto

Eu vendo, eu vendo, por exemplo, curso de inglês há trinta anos.

Participante

Muito bom, mas não foi isso que te deixou rico, eventualmente.

Flávio Augusto

Foi.

Participante

Não foi vender pra uma empresa marketing, uma projeção de capacidade populativa.

Flávio Augusto

Não, eu já tinha mais de oitenta milhões de lucro por ano quando eu vendi pra essa empresa.

Participante

E por que que as outras pessoas que vendem curso assim não tão ricas? Elas são incompetentes?

Flávio Augusto

É uma, é uma questão de performance. É uma questão de performance.

Participante

Então trezentas pessoas são competentes e cento e cinquenta milhões de brasileiros não.

Flávio Augusto

Eventualmente, eu vou te dizer que-

Participante

Cês ouviram.

Flávio Augusto

Não.

Participante

A gente... [risos]

Flávio Augusto

Eventualmente-

Participante

A gente é incompetente ou preguiçoso.

Flávio Augusto

Eu posso, posso terminar de, posso terminar de falar?

Participante

Por favor.

Flávio Augusto

Eventualmente, uma pessoa precisa aprender. Você faz o quê, por exemplo?

Participante

Eu sou professor.

Flávio Augusto

Você, você é professor de quê?

Participante

Sim, de Geografia.

Flávio Augusto

Você é professor de Geografia. Eu não conheço nenhum professor de Geografia que ficou rico.

Participante

Nem eu.

Flávio Augusto

Mas eu conheço-

Participante

Nem um bombeiro, nem uma enfermeira.

Flávio Augusto

Mas eu conheço professor de inglês que ficou rico.

Participante

Hum.

Flávio Augusto

Eu conheço professor, professor, conheço professor de Biologia que ficou rico.

Participante

Dando aula?

Flávio Augusto

Dando aula, inclusive é meu sócio, inclusive hoje, não é? Ele é professor de Biologia, não é? Obviamente, criou uma plataforma agora de preparação pra Enem, é uma das coisas que ele trabalha.

Participante

Plataformização da educação, é o que tá baixando o nosso valor de hora aula. Aqui o colega, né?

Flávio Augusto

Muito bom. [aplausos]

Participante

Obrigado pela honestidade.

Flávio Augusto

Quem deposita sua esperança no Estado termina sua vida pobre e frustrado.

Participante

Voltei. Você tinha falado no primeiro tema sobre quem vai, é, é arbitrar sobre o que que é moral e imoral em relação à quantidade de dinheiro que uma pessoa acumula ou não, certo? Então você acha que a dificuldade é encontrar quem vai arbitrar, quem vai dizer o que é moral ou imoral. E a minha esperança é que o Estado, diferente de uma empresa privada-

Flávio Augusto

Perfeito.

Participante

Ele teoricamente é do povo. Ele teoricamente...

Flávio Augusto

Cê acredita nisso que cê tá falando?

Participante

Então, eu acho que ele tá em disputa. A sua empresa não é do povo. A sua empresa é sua, dos seus acionistas, o Estado é. A questão é-

Flávio Augusto

Mas você acredita mesmo no que cê tá falando?

Participante

A minha esperança não tá no Estado. A minha esperança tá na nossa organização enquanto sociedade, enquanto classe trabalhadora, pra que a gente consiga, através do Estado, trazer essa arbitra-- é, é, arbitrar sobre o que é moral e imoral em relação à grana.

Flávio Augusto

Legal, Juliano. Essa é a sua esperança. E a minha frase é justamente essa, que quem tem essa esperança termina pobre e frustrado.

Participante

Mas então, é-

Flávio Augusto

Eu vou dizer um negócio pra você, Juliano, do fundo do meu coração. O que a gente mai-- eu tenho cinquenta e três anos, cara. O que a gente mais vê é corrupção, é desvio de dinheiro, é sacanagem acontecendo em tudo quanto é lugar. Entra governo, sai governo, entra orientação ideológica prum lado ou pro outro. A gente vê-

Participante

Eu só vou falar rapidinho porque eu posso ser demitido e você não. É, e antes que eu seja-

Flávio Augusto

Não, mas eu preciso falar, eu preciso-

Participante

Então, mas aí só pra, pra trazer mais argumento, é cê, aí, cê pode, é...

Flávio Augusto

Pode falar.

Participante

É, a gente tá aqui nessa dinâmica e eu, eu, eu venci essa corrida pra chegar aqui e ter esse tempo pra falar com você, certo?

Flávio Augusto

Perfeito. É um prazer falar contigo.

Participante

Sim, tá sendo bem agradável. Porém, eu tô, tô preocupado com os meus colegas que querem falar também, e eu quero que eles, eu quero ouvir eles assim.

Flávio Augusto

Eles, eles vão ter tempo.

Participante

Então a gente socialmente se organiza.

Flávio Augusto

Que bom.

Participante

Você falou agora há pouco que você é feliz.

Flávio Augusto

Então, eu acho-

Participante

Você consegue ser plenamente feliz-

Flávio Augusto

Eu penso-

Participante

Sabendo que a gente tá vivendo uma, uma situação de desigualdade com pobreza?

Flávio Augusto

Sou, sou, porque eu não tenho, a gente precisa entender o que é a responsabilidade individual de cada um de nós. Eu não posso carregar a culpa, como você fala.

Participante

Não é culpa.

Flávio Augusto

Das mazelas da huma, da humanidade.

Participante

Eu não duvido que você seja compassivo, mas nesse ponto-

Flávio Augusto

Mas é o que eu tô te falando. Eu não posso carregar o peso das mazelas da humanidade. O papel, eu não sou governo, eu sou empresário. Então eu penso, meu querido, que cada indivíduo deve achar o seu caminho e não contar com u-uma entidade chamada Estado.

Participante

Mas a gente sabe que os cami, as corridas começam em pontos diferentes.

Flávio Augusto

Eu conheço muito bem, eu comecei, eu comecei bem atrás.

Participante

Você sabe, você sabe.

Flávio Augusto

Comecei.

Participante

Não se esqueça disso.

Flávio Augusto

Eu comecei. Não, nunca me esqueço disso.

Participante

Claro que não.

Flávio Augusto

Ó, eu comecei, Juliano, deixa eu falar, Juliano. Ó, eu comecei, eu comecei, Juliano, querido, cinco horas dentro do ônibus, cara. Eu sei o que que é isso. Eu, eu sei o que que é chegar em casa meia-noite pra acordar às cinco horas da manhã no outro dia. Eu sei o que que é isso.

Participante

E você sabe que você sozinho não consegue resolver o problema que você falou isso pra mim na primeira rodada.

Flávio Augusto

Mas, mas não foi o Estado que resolveu o meu problema.

Participante

Não, ele não resolveu, mas você resolveu o seu problema.

Flávio Augusto

Ó, e eu vou te dizer mais, o Estado é o maior criador de desigualdade social do país. Quando a ti, ó, quando o Estado-

Participante

Mas o Estado é um ente em disputa.

Flávio Augusto

Tudo bem, mas quando o ente-

Participante

Ele, ele tá na mão de quem causa os problemas. Eu, se eu, se eu tivesse acesso ao Estado, eu taria trabalhando por soluções.

Flávio Augusto

Olha, mas quem traz a solução é o empreendedor.

Participante

Não só.

Flávio Augusto

Opa!

Participante

Valeu, obrigado. [riso]

Flávio Augusto

Deve ser tua última vez, então foi um prazer, tá?

Participante

Prazer por tudo.

Flávio Augusto

Tudo de bom, cara.[som de notificação] Rapá, tu é fortão, hein, cara? Então cê, é difícil disputar contigo aí, hein?

Participante

Foi muito pertinente essa, esse tema agora, porque é o seguinte: eu terminei a fala justamente falando e fazendo a seguinte pergunta: quem é o responsável pela corrupção no Brasil? Os políticos ou os empresários milionários?

Flávio Augusto

Não, não, é ruim generalizar. Você, se você disser, olha aqui ó, se você disser que são os, os políticos ou se você disser que são os empresários, você vai tá generalizando. Eu prefiro, note bem, eu prefiro dizer pra você que a raiz de todos esses problemas se encontra dentro do Estado. E aí, no, o Estado, você vai incluir os agentes do Estado, sejam eles agentes públicos, sejam eles os políticos ou sejam eles aqueles empresários que se instalam dentro do Estado.

Participante

Vou reformular minha pergunta.

Flávio Augusto

Cê tá ouvindo o que eu tô falando?

Participante

Não, estou ouvindo, mas eu vou reformular.

Flávio Augusto

Ó, tem empresários que se instalam dentro do Estado e eles funcionam como se fosse parte, como um parasita dentro desse organismo, entendeu?

Participante

Então é isso que, é porque aí-

Flávio Augusto

Mas, mas toma cuidado pra não generalizar.

Participante

Não estou generalizando, porque assim, eu tenho certeza que um empresário-

Flávio Augusto

Que isso não é empresários.

Participante

Isso não, não estou generalizando, porque assim, um empresário com o seu perfil não é o que eu queria enfrentar aqui hoje. Desculpa.

Flávio Augusto

Eu entendo.

Participante

Tá?

Flávio Augusto

Cê, cê veio com sede, sede e fome de outra coisa, né?

Participante

Eu queria enfrentar um outro tipo de empresário.

Flávio Augusto

Eu entendo.

Participante

Porque é o seguinte: existe uma corrupção-

Flávio Augusto

Eles te demitiram, amigo. Desculpas. [som de notificação] Aí, sim.

Participante

Voltei.

Flávio Augusto

De volta.

Participante

Rapidinho.

Flávio Augusto

Me lembra teu nome, desculpa.

Participante

Gabi.

Flávio Augusto

Gabi.

Participante

É, eu queria entender então, se pra você essa, o Estado não faria o seu trabalho, qual é a sua solução prática pra gente conseguir resolver a desigualdade social?

Flávio Augusto

A, a desigualdade não vai ser resolvida nunca. Ela, ela, a, a, a-

Participante

Mas tem países que a gente tem menos desigualdade social que o outro.

Flávio Augusto

Não, mas sempre vai existir. A desig- a desigualdade, ela sempre vai existir.

Participante

E se a gente falar sobre miséria?

Flávio Augusto

Isso é terrível, a gente tem que acabar com isso. É um absurdo, é um absurdo.

Participante

Então qual é o seu, qual é o, o que o senhor vai me dizer?

Flávio Augusto

Ó, sobre miséria, sobre miséria, eu vou dizer pra você que no início do século vinte, nós tínhamos cerca de sessenta e cinco por cento da população passando fome. Cinquenta anos atrás, cerca de trinta e cinco por cento da população passava fome. Hoje, nós estamos em nove por cento da população que tem desafios alimentares. Ainda é um absurdo. Se você pensa: "Mas como, por exemplo, existe fome no mundo ainda, se a gente produz tanta, tanta comida?"

Participante

Exatamente.

Flávio Augusto

A tecnologia avançou, a gente pode produzir. Porque uma coisa-

Participante

É que a gente tá fazendo as coisas errado.

Flávio Augusto

Mas cê sabe o que que é o mais caro? Não é produzir a comida, é fazer ela chegar. Cê pode ver que os lugares onde tem mais fome, são os lugares-

Participante

Que produzem mais internamente.

Flávio Augusto

Não necessariamente, não, ao contrário.

Participante

A gente produz muita, a gente produz muito internamente.

Flávio Augusto

Não, mas o Brasil, mas o, mas o Brasil-

Participante

Mas a gente tem um índice de, de fome grande ainda.

Flávio Augusto

Não, é baixo no mundo. Não, o índice de fome-

Participante

Agora a gente saiu duma plataforma de novo, né?

Flávio Augusto

Isso.

Participante

Mas a gente tinha entrado, né, no governo passado.

Flávio Augusto

Não, é que esses números são tão fantasiosos que, Gabi, eu vou dizer um negócio.

Participante

Ah, são dados.

Flávio Augusto

Eu sei, mas são dados, são dados, é, se a gente entrar nisso aqui, a gente vai gastar o nosso tempo falando disso. Eu queria dizer pra você o seguinte: que não basta produzir a comida, você tem que fazer ela chegar. Então, às vezes, é, em lugares onde você tem grandes ditaduras ou de grande, é, lugar de corrupção, a comida não chega. Eu vou dar exemplo pra você.

Quando teve aquela tragédia no Rio Grande do Sul, os empresários, inclusive eu participei desse, desse movimento na época, a gente mandou um monte de doação. A maioria foi de-- não vou, não vou dizer que a maioria, mas muito da doação que chegou foi desviada quando chegou lá.

Participante

Porque a gente tem um sistema corrupto.

Flávio Augusto

Ela não chega. Claro.

Participante

Sim.

Flávio Augusto

Claro, ela não chega. Cê sabe qual é a conclusão?

Participante

O capitalismo é corrupto.

Flávio Augusto

Não, não é o capitalismo, é o ser humano, é o ser humano.

Participante

Também, porque o capitalismo ele contribui pro sistema ser corrupto. O sistema é corrupto por conta do ser humano, enfim, é essa dualidade.

Flávio Augusto

O capitalismo, claro, Gabi, ó, o capitalismo é um jogo de incentivos. Então, por exemplo, uma pessoa, ela é incentivada a investir o dinheiro dela pra ganhar o lucro, pra ganhar um dinheiro em troca. Esse jogo de incentivos não é perfeito, tem um monte de problema, mas se não fosse esse jogo de incentivos, eu não teria saído da pobreza.

Participante

Tudo bem, mas eu queria saber-

Flávio Augusto

Gabi, só ouve pouquinho, só ouve pouquinho.

Participante

Tá, pode falar.

Flávio Augusto

Só, só pra você entrar na minha sintonia, não é? Por que que, por exemplo, do, do início do século vinte até hoje, a renda per capita média aumentou sete vezes? Por qual motivo? Por qual razão? Porque nós temos um, o modelo, o modelo capitalista, com todos os seus problemas, ele multiplicou por sete a quantidade de riqueza existido, existente no mundo.

Participante

Sim, mas a gente continua tendo pessoas passando fome sem-

Flávio Augusto

Infelizmente. Na minha visão, sabe qual é a, a, a solução? Não é, não é da desigualdade. A gente tem que mirar, na minha visão, mirar a pobreza. A gente tem que acabar e exterminar a pobre-pobreza.

Participante

Não, é, é, sim. E qual é o seu plano efetivo? Vocês têm um grupo de bilionários no Zap.

Flávio Augusto

Eu, eu não, eu não tenho.

Participante

Tipo, vamos contribuir, vamo ajudar.

Flávio Augusto

Tenho muitos amigos que ajudam, a gente investe, eu gasto, eu não gosto de falar isso e usar como plataforma de marketing pessoal, tá? Eu gasto muito dinheiro, alguns milhões de reais por ano, em doações pra projetos sociais que eu participo.

Participante

Cê acha que isso é suficiente?

Flávio Augusto

Olha, isso é, isso, se cada um fizer, cê pode ter certeza.

Participante

Eu não tô falando que não tem que fazer, eu tô falando que é ruim que faça, mesmo.

Flávio Augusto

Cê pode ter certeza que se cada um fizer, a gente tem a capacidade de melhorar a vida das pessoas.

Participante

Então, mas se cada um fizer muito?

Flávio Augusto

Você acredita, você acredita, por exemplo, em organizações não governamentais?

Participante

Acredito.

Flávio Augusto

Que atuam dentro de comunidades?

Participante

Em algumas, sim.

Flávio Augusto

Sim, mas tem umas que são falcatruas. As que são sérias, você acredita?

Participante

É isso que eu tô falando.

Flávio Augusto

Eu também acredito. Cê entendeu? Porque infelizmente, quando a, quando o dinheiro vai pro Estado-

Participante

Mas é que eu acho que a, as ONGs, elas não são necessariamente, elas tapam buracos, entendeu?

Flávio Augusto

Então, mas, mas quando o dinheiro vai pro Estado, não necessariamente ele vai chegar lá na ponta. Esse é o problema.

Participante

Sim, a gente precisa reestruturar a sociedade. Só que vocês, a minha questão é, vocês-

Flávio Augusto

Vocês o quê? Bilionários?

Participante

Vocês bilionários-

Flávio Augusto

Não, não me, não me coloca nesse pacote, por favor.

Participante

Mas é, você é, esse é o tema.

Flávio Augusto

Fala assim, você. Fala, fala pra mim, você.

Participante

Não, é porque eu não tô falando com a pessoa física, Flávio.

Flávio Augusto

Claro, entendo, entendo.

Participante

Pra mim é, é, é o jurídico bilionários, entendeu?

Participante

É que não existe essa classe.

Flávio Augusto

É, a gente é, a gente é independente.

Participante

Você veio da comunidade

Participante

Gabi, tchau minha querida.

Flávio Augusto

Opa!

Participante

Consegui!

Flávio Augusto

Olha ela aí. Agora foi, hein? A terceira vez, né?

Participante

Eu tô tentando me calar, cê viu? Meu nome é Rafaela, atualmente eu sou estudante e eu acho que bilionários não deveriam existir, porque é um acúmulo muito grande de capital na nossa sociedade, que já é muito desigual, e eu acho que isso não é natural.

Flávio Augusto

Como é que seu nome?

Participante

Meu nome é Rafaela, prazer.

Flávio Augusto

Oi, Rafa, cê tá bem?

Participante

Tô bem, tô bem.

Flávio Augusto

Me conta, Rafa.

Participante

É, se eu pedir recapitular o tema, eu-

Flávio Augusto

Quer que eu fale sobre o sistema pobre aí?

Participante

Se o senhor-

Flávio Augusto

Deixa eu explicar um pouquinho isso, porque é, é meio pesado, tá?

Participante

Tudo bem.

Flávio Augusto

Ó, uma das principais causas de desigualdade se chama Previdência Social. Para pra pensar que por mais que você trabalhe e se esforce e junte dinheiro e faça o que for ao longo da tua vida pra dam-- ter uma vida melhor, no final das contas, cê vai depender do INSS. Cê vai depender de uma pensão que vai ser uma mixaria e que no máximo vai ser de oito mil reais, que é o topo, e a maioria não ganha nem uma fração desse, desse dinheiro.

Sem contar com o fato, que é o seguinte: quantos anos cê tem?

Participante

Vinte e quatro.

Flávio Augusto

Me lembra teu nome.

Participante

Rafaela.

Flávio Augusto

Rafaela. Então, vinte e quatro, Rafa. Você deve se aposentar daqui uns quarenta anos, cinquenta anos, né? Cê tem muito tempo. Só que o ponto é o seguinte: cê sabia que-- cê trabalha hoje?

Participante

Tô desempregada.

Flávio Augusto

Tá desempregada, mas você, quando tiver trabalhando, todo mês vai ser descontado de você um percentual do INSS. Esse dinheiro que vai ser descontado, que é obrigatório, do seu salário, esse dinheiro não é uma poupança pra quando você for se aposentar. Esse dinheiro já vai diretamente pra pagar os aposentados atuais, os velhinhos que tão lá recebendo, justamente recebendo a sua aposentadoria. Ou seja, você trabalha pra po-- esse é o modelo que nós temos, modelo de compartilhamento, tá bom?

Nesse modelo, essa, essa galera tá recebendo daquilo que cê tá trabalhando hoje. Só que tem um ponto. Com o avanço da medicina, os nossos velhos tão vivendo cada vez mais. Isso é bom. Ou seja, eles demoram mais pra morrer. Isso é bom. Nossos pais, nossos avós, daqui a pouco eu, não é? A gente tá vivendo mais, isso é um ponto positivo. Só que isso é mais tempo as pessoas recebendo o benefício do INSS.

Só que, por outro lado, a população brasileira, ela não tá mais na pirâmide etária, daqui a pouco nosso professor de geografia vai nos ajudar com isso aqui, né? [riso] Nossa pirâmide etária tá mudando. Nossa base tá ficando menor. Aí nós temos menos jovens na nossa sociedade. Terceiro ponto é o seguinte: eles estão casando cada vez mais tarde. Cê concorda que uma pessoa hoje casar com vinte e cinco anos é muito novinha?

Pô, eu casei com vinte. Hoje uma pessoa casar com trinta e cinco tá na, tá le-- tá na boa.

Participante

Sim, mas aí-

Flávio Augusto

Calma, calma, calma. E o último ponto é o seguinte: eles tão tendo cada vez menos filhos. Qual é a consequência disso? Vai ter muito velho recebendo e pouco jovem trabalhando. Ou seja, essa conta simplesmente não fecha. Por isso que toda hora você tem uma reforma da Previdência. A todo momento você tem uma reforma da Previdência. E com isso, isso é um grande promotor de desagu-- de desigualdade social.

Então, se você, a pessoa que acredita nesse sistema, infelizmente, depositar sua vida nesse sistema, bo-- depositar sua esperança nesse modelo, vai terminar a vida daquele jeito que eu falei, pobre e frustrado.

Participante

É, desculpa perguntar, o senhor é formado?

Flávio Augusto

Não.

Participante

Faculdade, não?

Flávio Augusto

Não, não sou formado. Eu deixei minha faculdade, eu ia-- eu passei numa faculdade federal pra fazer tecnologia e depois eu deixei a minha faculdade pra começar a trabalhar na área de vendas. E aí trabalhei na área de vendas por quatro anos, aprendi a vender, aprendi liderar times de vendas, foi aí que eu consegui entender como é que a gente vai no mercado e busca dinheiro.

Participante

Uhum.

Flávio Augusto

Então aprendendo a vender, eu criei a Wise Up, que é uma escola de inglês, e abri a primeira escola em 1995, depois eu abri quatrocentas dessas escolas em todo o Brasil.

Participante

O senhor concorda comigo que a maioria dos seus profissionais que trabalham na sua empresa, assim, falando de professores, principalmente, eles de certa forma não dependeram do Estado pra poder se formar, alguns? Você acha que sem o Estado-

Flávio Augusto

Não necessariamente. Alguns, alguns talvez fizeram, é-

Participante

Porque assim, tem muitas pessoas que não conseguem hoje em dia, se não depender do Estado.

Flávio Augusto

É, eu, eu por exemplo, eu por exemplo, passei numa faculdade federal, a-

Participante

Um bom exemplo

Flávio Augusto

...porque, porque eu não tinha outra opção. Se não fosse estudar numa escola pública, eu jamais, jamais conseguiria, é, pagar uma faculdade. Mas acabou, cê vê que o caminho da minha, da meu, do meu crescimento não foi pelas vias acadêmicas. O meu caminho de crescimento foi por outros caminhos, é.

Participante

Mas tem várias, várias outras coisas, certo? Por exemplo, tem uma pessoa que recebe um auxílio do governo-

Flávio Augusto

Temos trinta segundos.

Participante

Deixa eu ir.

Participante

Perdão, cê não foi ainda, na moral.

Participante

Oi?

Participante

É que eu ia trazer um fechamento interessante.

Participante

Ah, é? Isso não pode ser.

Participante

Deixa eu só te trazer duas boas notícias.

Flávio Augusto

Só um minutinho, só um minutinho. Vamo lá.

Participante

O declínio da mortalidade não aconteceu graças ao capitalismo. O declínio da mortalidade acontece apesar do capitalismo. Ele vem da ciência, da criatividade, do empenho dos trabalhadores que são exaustivamente explorados porque a criatividade vira mercadoria. E esse Estado corrupto, quando vira um Estado coletivo construído pela população, leva pra um sistema chamado comunismo. Se você defendeu isso, vai ser uma coisa inédita, um bilionário chega-- dizendo que a gente tem que chegar ao comunismo.

Flávio Augusto

Não, já pode defender ele.

Participante

Que é um Estado muito diferente do capitalismo.

Flávio Augusto

Vou te dar mais quinze segundos, certo? Tuas argumentos são ótimos, quero te ouvir, vai lá.

Participante

Seria excelente, porque o Estado, no final das contas, criou a escravidão-

Flávio Augusto

Você é a favor do, do comunismo?

Participante

Eu sou a favor de um governo verdadeiramente democrático. As vias de se chegar a ele variam. Aí a gente precisa entender que o comunismo é um governo do povo para o povo. Independente desse nome, eu acho isso interessante.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

A China é uma experiência hoje que se diz comunista-

Flávio Augusto

Que, que não é comunista

Participante

...e é um governo que tem características muito autoritárias, mas falando de estatística, nos últimos sessenta anos, a China tirou quinhentos milhões de pessoas da pobreza.

Flávio Augusto

É, cl-- uma ditadura é sempre um caminho mais curto.

Participante

Mas falando em estatística, se eu vou me gabar do capitalismo que reduziu a pobreza, a China pode se gabar, porque com autoritarismo reduziu também.

Flávio Augusto

Também.

Participante

A minha tese é-

Flávio Augusto

É inegável

Participante

...o Estado é um recorte da população. O Estado não é como empresa privada porque ele tá em disputa. Então se eu construo um Estado democrático popular, esse é o caminho.

Flávio Augusto

Uhum.

Participante

É a tese de superar o feudalismo e prum capitalismo inevitavelmente chegar num outro estágio, que pode chamar socialismo, comunismo ou qualquer outra coisa, mas onde o Estado é eleito pelo povo, diferente de um empresário, de um bilionário, que é uma pessoa que tá ali porque sim, por N fatores, mas que não tá em disputa. Uma pessoa mais competente que você na sua empresa, cê transfere o cargo?

Ou a colega que é mais jovem que você na sua busca pela felicidade, cê trocaria de vida com ela pra voltar até a idade dela-

Flávio Augusto

Se eu pudesse, eu tro-

Participante

...com todos os ônus e bônus?

Flávio Augusto

Se eu pudesse, eu trocaria. Te garanto.

Participante

Interessante.

Flávio Augusto

Ó, se eu pudesse-

Participante

Cê trocaria de-

Flávio Augusto

Olha aqui, o nosso tempo já acabou, professor. Ó, olha só, o nosso tempo já acabou, mas se você me permitir Cara, bom demais falar contigo. Da outra vez foi boa, argumentos muito legais, muito respeitosos. Aliás, galera, obrigado pelo carinho, pelo respeito de todos aqui. Foi muito bacana. É, mesmo aqueles que não vieram aqui e sentaram, foi muito legal sentir aqui o feedback de cada um de vocês.

Eu quero encerrar, é, falando contigo sobre esse tema, é que eu não sou a favor do comunismo. É, não vi, é, nenhuma experiência no mundo que fosse favorável implantando esse regime. Aliás, vi-

Participante

Não houve.

Flávio Augusto

Não houve, eu sei, não houve. Talvez, talvez, é, é, na, na abstração utópica dos desejos utópicos que todos nós temos, eu sou músico, né, também toco, é, sou-- tenho um lado artístico e ao mesmo tempo sou empresário. Ah, então, ou seja, na nossa abstração, a gente talvez desejasse alguma coisa que fosse diferente daquilo que nós temos. Isso é, isso é bom, porque a, o mundo não é justo.

O mundo não é justo, né. A gente não, não deve nem esperar justiça, porque senão a gente vai ser frustrado também. Eu aprendi a jogar o jogo. Eu aprendi a jogar o jogo. E dentro do capitalismo, eu, é, ele me permitiu sair de onde eu saí e chegar até onde eu cheguei. Através de entender o jogo, como é que funciona. Eu aprendi a vender, eu aprendi a gerar receita, eu aprendi a ganhar dinheiro, eu aprendi a montar negócios.

Então eu sempre penso aquela frase que eu falei, que foi uma frase, é, que gerou uma certa comoção aqui no grupo, né, que o sucesso é uma ciência, ciência exata que a gente pode aprender. Eu sempre quando eu olho pra alguém, eu olho pra você, eu olho pro, pro, todos os jovens que tão aqui sentados, eu sempre imagino que todo mundo aqui pode ter uma vida melhor.

Todo mundo aqui pode aprender a vender, pode aprender a trabalhar dentro do jogo. Você não precisa concordar com o sistema pra jogar dentro dele. Eu acho que a sociedade, ela é hipócrita. Acho que a sociedade tem uma série de contradições. Eu acho que, que quando eu olho pro mundo, eu, eu não me sinto animado quando eu olho pros políticos e nem com o modelo do que se chama democracia no Brasil.

Não gosto do que eu vejo, mas ou eu vou entrar num ciclo interminável de descontentamento e, cara, sei lá, vou virar um, um revolucionário, cê entendeu? É porque eu sou uma pessoa muito intensa, ou eu jogo o jogo. Eu entendi que eu posso jogar o jogo. Eu entendi que eu posso fazer isso respeitando as pessoas. Eu entendi que eu posso fazer isso de forma honesta. Eu entendi que dá pra fazer isso tentando ser justo.

Nem sempre a gente vai ser justo em todas as situações. Nós somos seres humanos, não é? Mas buscando criar uma regra que seja jogada por todos e que beneficie a maior parte possível das pessoas. Eu, por exemplo, acredito piamente que a melhor forma de distribuir renda não é dividindo riqueza, é dividindo conhecimento. Eu entendo que o conhecimento gera renda. Vou te dar um exemplo: tu é professor de Geografia.

Tu tem uma renda hoje gerada pelo conhecimento que você tem. Talvez se você não tivesse esse diploma e esse conhecimento que você tem, você não teria essa renda. Então, na realidade, o teu conhecimento te gerou uma renda. Grande ou pequena é outra, é outra discussão, tá? Então cada bloco de conhecimento pode nos trazer benefícios.

Participante

Mas porque o conhecimento é mercantilizado. Numa sociedade onde eu não fosse obrigado a pagar pela água ou pelo aluguel-

Flávio Augusto

Só pra tu ter ideia-

Participante

Talvez pra minha felicidade eu compartilhasse o meu conhecimento sem necessariamente ser prisioneiro do dinheiro como meio.

Flávio Augusto

Concordo com você. Tanto concordo que há quinze anos eu gasto duas a três horas por dia produzindo conteúdo pra pessoas que querem aprender a vender, que querem aprender a se desenvolver. Eu, por exemplo, tenho doze milhões de seguidores em todas as minhas redes na internet produzindo conteúdo com a finalidade de ajudar a pessoa a entender como é que joga esse jogo. Uma pessoa não precisa fechar os olhos pras injustiças.

Participante

Flávio, mas com todo respeito, faz todo sentido que você fortaleça a estrutura que te beneficia. Isso não é nenhuma novidade.

Flávio Augusto

Não, mas quando eu fiz-

Participante

Como gerar emprego e renda explorando a mais-valia.

Flávio Augusto

Não, não. Quando eu fiz isso, eu não tinha nenhuma empresa, eu tinha vendido minha empresa.

Participante

Pois é, mas se você fizesse curso sobre como superar o capitalismo, a tua posição de privilégio provavelmente seria sustada, né?

Flávio Augusto

Não, é que isso é utópico. Sabe por que eu jamais faria isso? Porque isso não existe.

Participante

Imagina na época do feudalismo alguém perguntando lá na Revolução Industrial onde que o capitalismo tinha dado certo. O capitalismo também foi revolucionário.

Flávio Augusto

Foi.

Participante

Não, isso aí agora tá tudo-

Flávio Augusto

Não, tá, tá to-- tá valendo, tá valendo.

Participante

Em cima disso aí, disso que ele tá dizendo. É, eu sou, o meu conhecimento, que acabou me trazendo uma outra realidade, uma realidade social diferente do que-

Flávio Augusto

O que que cê faz?

Participante

Eu sou professor.

Flávio Augusto

Ah, legal.

Participante

Que veio através de uma política pública do Estado. Eu sou pra UNI, minha mãe era empregada doméstica.

Flávio Augusto

Boa.

Participante

O último resquício que o Estado acabou com a escla-a escravidão no Brasil, foi as empregadas domésticas não terem direitos trabalhistas.

Participante

O Estado fez isso.

Participante

O Estado fez isso.

Flávio Augusto

Não, o Estado-

Participante

Representando a população.

Flávio Augusto

Não, eu vou te falar, o Esta- o Estado, não, mas o Estado é o cara que mais fez atrocidades na, na história da humanidade.

Participante

Sim, mas nós estamos falando-

Participante

Como instituição, a igreja também, o capital também.

Participante

A sociedade ascendesse, e o Estado também é responsável por isso. E deveria ser maior responsável, porque educação não é negócio, é pra você. Educação, a educação que eu digo, cidadã, a educação do cidadão, ela não pode ser fruto de lucro. A educação é uma obrigação do Estado, tá lá na nossa Constituição. Educação-

Flávio Augusto

É, meu irmão, mas professor, com todo o respeito, a minha última frase, que é essa que a gente tá batendo esse papo, que é legal, porque praticamente o programa acabou, a gente tá batendo papo aqui, é um prazer tá fazendo isso com vocês, tá? É, cara, quem depositar, eu falo isso com dor no coração, mas falo, quem depositar sua esperança no Estado vai terminar a vida pobre e frustrado.

Olha, muito legal terminar aqui esse debate. Pa-- aqui todos foram muito pacientes comigo, eu procurei ser paciente também. Foi um papo de altíssimo nível. Hã, eu penso que minha mensagem final, que fica aqui, que eu quero deixar marcado, é que tanto empresários quanto trabalhadores Cada um tá saindo da sua casa pra resolver a sua vida e levar uma vida melhor pra sua família. Cada um tá, tá fazendo esse papel.

E o que nós vemos aqui é que o meu sonho, utópico, também tenho sonhos utópicos. Meu sonho utópico é não existir um Estado que nos atrapalha. Meu sonho utópico é não existir um Estado que explora o trabalhador, porque a, a lei, a CLT que existe hoje, ela desconta de você, ela faz uma série de descontos de você, ela desconta na tua, na tua, na tua fonte, ela te paga, ela sequer remunera a inflação sobre o seu FGTS.

Tem um modelo que, na minha opinião, as pessoas recebem um valor, por exemplo, uma pessoa que ganha dez mil reais de salário, ela vai receber uns seis e meio, seis e oitocentos. Só que ela custa pra empresa vinte mil, quase vinte mil reais, dezenove mil e pouco. Eu, meu sonho utópico era poder dar esse dezenove mil e pouco pro, pro empregado. Esse é meu sonho utópico. E que ele tivesse educação financeira pra poder fazer o investimento do seu dinheiro e com o investimento do seu dinheiro, com a fração daquilo que ele contribui no INSS, ele fizesse uma poupança que no final da vida ele teria um salário bem maior do que e-ele, ele teria na, no INSS e ainda, e ainda aquela grana acumulada fica de herança pro filho dele.

Ou seja, em vez de ficar dando dinheiro pro INSS, pra uma estrutura de Estado que, que vai te sugar dinheiro, em vez de você ficar com dinheiro no teu fundo de garantia, que é uma grana que sequer reajusta o seu-- reajusta a inflação, cê tá perdendo dinheiro com o teu, teu FGTS depositado. Esse é o sistema que o Estado ofereceu. Eu, por exemplo, tenho milhares de funcionários CLT, porque eu sigo a regra do jogo, eu sigo todas as leis.

Eu não sonego imposto, eu pa-- eu sigo todas as leis, eu pago todos os direitos trabalhistas. Só que este modelo é um dos maiores criadores de desigualdade social, que é aquilo que a gente tanto gostaria de ver diminuindo no Brasil, no, no mundo como um todo. Não é alguma coisa que você vai tirar pra sempre, mas a pobreza é nossa obrigação moral de acabar com ela. Então, eu espero aqui que o papo tenha sido bom e fica aqui o meu abraço a você que assistiu esse episódio.

Um abraço pra todos e obrigado pelo carinho, tá? Valeu. [aplausos] Obrigado. [aplausos]