1 Bilionário vs 30 Trabalhadores (Canal Foco) https://www.youtube.com/watch?v=OXCf8OfAh8E [00:00] Participante Não deveria existir nenhum bilionário enquanto tem alguém passando fome. Não deveria existir nenhum bilionário enquanto tem alguém correndo o dia inteiro ficando sem salário. [00:08] Flávio Augusto Todos os meus funcionários recebem mais do que o piso salarial. A desigualdade social não é necessariamente um problema. [00:14] [grito] [00:17] Flávio Augusto Vou te falar- [00:17] Participante Quando cê fala pra mim assim: "A desigualdade não é um problema," eu falo pra você que é, porque eu sou negra, mãe de dois- [00:23] Flávio Augusto Uhum [00:23] Participante ...baixa renda. [00:25] Flávio Augusto Aham. [00:25] Participante Eu já recebi salário de mil e setecentos reais e atualmente estou desempregada, só trançando cabelo. [00:29] Flávio Augusto Uhum. [00:29] Participante Cê tem noção da diferença- [00:32] Flávio Augusto Tenho [00:32] Participante ...que é ouvir essa frase e a dor, o peso que essa palavra ela tem? O peso que essa frase que você usou agora, deu? [00:37] Flávio Augusto Eu tenho muitas facilidades, mas não necessariamente eu fui o mais feliz. Aliás, os consultórios psicológicos tão cheio de rico tomando antidepressivo. [00:46] Participante E por que que as outras pessoas que vendem curso assim não tão ricas? [00:49] Flávio Augusto É uma questão de performance. [00:50] Participante Então trezentas pessoas são competentes e cento e cinquenta milhões de brasileiros, não. [00:55] Flávio Augusto Eventualmente, eu vou te dizer que- [00:57] Participante Cês ouviram. [00:57] Flávio Augusto Não. [00:58] Participante A gente- [00:59] Flávio Augusto Eventualmente- [01:00] Participante A gente é incompetente ou preguiçoso. [01:01] Flávio Augusto Eu posso, posso terminar de, posso terminar de falar? [01:03] Participante Por favor. [01:04] Flávio Augusto Você tem vinte e nove anos. Eu tenho cinquenta e três anos. Eu trocaria cem por cento do meu patrimônio pra ter a sua idade. Meu nome é Flávio Augusto, eu sou empresário brasileiro, considerado bilionário e hoje eu vou debater com trinta trabalhadores. A desigualdade social não é necessariamente um problema. [01:28] Participante [grito] Gata, vai quebrar o iPhone do homem. Bom, a desigualdade social é o problema de tudo, né? Então não tem como não ser um problema. Acho que a gente vive num país dos mais desiguais do mundo, né? Um dos mais desiguais, baseado na colonização, que foi um processo totalmente desigual, de invasão, de usurpação de poder. Então é aquela coisa das nove gerações que você falou. [01:56] Flávio Augusto Uhum. [01:56] Participante As pessoas tão há quinhentos anos tentando mudar, girar e seguir esse sonho de igualdade social, esse sonho de conseguir seguir, ser: "Ah, eu vou ser rico, eu vou ser milionário, eu vou ser bilionária." [02:07] Flávio Augusto Você sabe qual é- [02:07] Participante Mas a verdade é que pessoas como você- [02:09] Flávio Augusto Uhum [02:10] Participante ...dizem que as pessoas vão conseguir e acabam estruturando, fazendo com que essa estrutura de que você sonha que você vai ser rico, ela se baseia com estruturas mais fortes, porque quando você fala: "Olha, eu fui professor, eu peguei ônibus e fiquei rico. Você também pode ficar rico." Seguindo que o Brasil é um país muito desigual, as pessoas têm famílias desestruturadas, a estrutura das escolas públicas são péssimas, a estrutura das escolas particulares também são péssimas, é meio que um caça dinheiro. [02:41] Flávio Augusto Estudava em escola pública? [02:42] Participante Aham. E é iss- [02:43] Flávio Augusto Uma só ou duas? [02:44] Participante Uma só. Uma só. [02:45] Flávio Augusto Não quis. [02:45] Participante Uma escola de ensino integral. [02:47] Flávio Augusto Ensino integral? Entendi. Aonde? [02:49] Participante Itaquaquecetuba. [02:50] Flávio Augusto Aqui em São Paulo. [02:51] Participante Vila Ercília Algarve. É. [riso] [02:52] Flávio Augusto Muito bem. Olha só. Olha o que eu vou te falar. Cê sabe qual é o país considerado um dos menos desiguais no mundo? [03:00] Participante Suíça? [03:01] Flávio Augusto Não. [03:01] Participante Qual? [03:02] Flávio Augusto Índia. [03:03] Participante Índia? Por quê? [03:05] Flávio Augusto Ele, estatisticamente, pelos números, ele é nos países que tem menos desigualdades. [03:10] Participante Mas é o que tem mais gente, é o que mais foi explorado. [03:14] Flávio Augusto Não, então. [03:14] Participante É um país que teve- [03:15] Flávio Augusto Tudo bem [03:15] Participante ...um processo de colonização pesada e que tem- [03:18] Flávio Augusto A Suíça- [03:18] Participante ...uma pobreza absurda. [03:19] Flávio Augusto Então, a Suíça- [03:20] Participante É um país onde as pessoas ainda passam fome. [03:21] Flávio Augusto Perfeito, exatamente. Mas você tem um índice de desigualdade menor. A Suíça, por exemplo, que você mencionou, ela é um país que tem um índice de desigualdade maior do que a Índia. [03:31] Participante Porque tem muitos bilionários? [03:32] Flávio Augusto Porque você tem uma disparidade maior. O ponto é o seguinte: onde tem mais qualidade de vida, na Suíça ou na Índia? A gente sabe que é na Índia. O que eu quero dizer pra você aqui, presta, presta atenção no que eu vou te falar. O ponto que eu quero, é, martelar contigo aqui, é, não é que eu fique feliz com as pessoas, é, tendo uma situação desfavorável, de forma alguma, mas a maior problema é a pobreza. [03:54] Participante É a pobreza. [03:55] Flávio Augusto A pobreza. [03:55] Participante E como que a pobreza vai ser solucionada? Como que vai acabar com a pobreza? [03:58] Flávio Augusto Te demiti, Amanda. [03:59] Participante Fui demitida, desculpa. [04:00] Flávio Augusto Valeu. [04:00] Participante Cê falou demais, né, atrapalhou. [04:02] Flávio Augusto Volte sempre. Ah, eu falei muito, claro. Eu falei bastante. [04:08] Participante Muito obrigada, pessoal. [04:09] Flávio Augusto Miriã. Seja bem-vinda, Miriã. Opa, opa. [04:13] Participante Flávio, eu não sou intelectual. [04:14] Flávio Augusto Nem eu. [04:14] Participante Porém eu sou nascida e criada na comunidade. [04:17] Flávio Augusto Nem eu. Aonde? [04:18] Participante É, lá em Itapys, na Zona Norte de São Paulo. [04:21] Flávio Augusto Uhum. [04:21] Participante E lá, a realidade é uma só. [04:23] Flávio Augusto Uhum. [04:24] Participante Quem pode mais, chora menos, né? E você falou assim, que a desigualdade social não é um problema. E eu falo com- [04:33] Flávio Augusto A pobreza é o problema. [04:34] Participante Isso, é a pobreza o problema. E a gente tá aqui hoje conversando contigo, não só pra te apresentar o nosso lado. [04:42] Flávio Augusto Uhum. [04:43] Participante Mas também entender o seu ponto de vista. E eu sou mãe de duas crianças. [04:47] Flávio Augusto Qual a idade? [04:48] Participante Um tem quatro anos e um tem um ano e cinco meses. [04:51] Flávio Augusto Uhum. [04:51] Participante Eu não tenho condição de pagar a escola particular e não é porque eu não quero. [04:55] Flávio Augusto Uhum. [04:56] Participante Eu sou trancista, eu sou faxineira, eu sou professora do ensino infantil. Não consegui espaço, prestei concurso, passei na prefeitura, não consegui espaço pra falar, pra atuar na minha cena. E eu tenho uns filhos que precisam de mim. Então, a professora de ensino infantil teve que deixar lá o certificado guardado, fazer faxina, trançar cabelo, porque é a realidade que nos rodeia. [05:24] Flávio Augusto O pai do seu filho é presente? [05:25] Participante É presente, mas eu sou casada. [05:28] Flávio Augusto Uhum. [05:28] Participante E atualmente ele trabalha de domingo a domingo. [05:31] Flávio Augusto Ele faz o quê? [05:32] Participante Ele é entregador de água. [05:34] Flávio Augusto Tá. [05:34] Participante Trabalha no iFood, trabalha numa farmácia aos domingo. [05:38] Flávio Augusto Uhum. [05:38] Participante A jornada dele é árdua de segunda a sábado e no domingo ele trabalha das oito às cinco da tarde. [05:44] Flávio Augusto Uhum. [05:45] Participante A gente já tentou investimento, a gente já caiu em vários golpes, a gente busca de todas as maneiras. Eu tô falando da realidade. [05:52] Flávio Augusto Uhum. [05:52] Participante Eu não vou apresentar números porque eu não consigo. [05:55] Flávio Augusto Tudo bem. [05:55] Participante Eu só consigo falar de mim. [05:56] Flávio Augusto Tudo bem. [05:57] Participante Eu, Miriã. [05:58] Flávio Augusto Uhum [05:58] Participante Aos vinte e nove anos, mãe de duas crianças. [06:01] Flávio Augusto Uhum. [06:01] Participante Que mora na Zona Norte de São Paulo, que fez faculdade, continua fazendo. [06:06] Flávio Augusto Se formou? Tá se formando? [06:06] Participante Me formei em Pedagogia. [06:08] Flávio Augusto Uhum. [06:08] Participante Fiz curso de trancista, me formei, porque eu aprendi que se você começa- [06:12] Flávio Augusto Trancista é cabelo [06:12] Participante ...e não termina. [06:13] Flávio Augusto Tá [06:14] Participante Você não conquista. [06:15] Flávio Augusto Uhum. [06:16] Participante Mas eu comecei e terminei Acabei não conquistando. [06:19] Flávio Augusto Uhum. [06:20] Participante E aí, tem certeza que a desigualdade não é um problema? [06:24] Flávio Augusto Vamo lá. Vamo lá. Uma coisa é a desigualdade, outra coisa é a pobreza. Eventualmente, você vai ter pessoas desiguais por vários motivos. Existe uma desigualdade que eu acho muito ruim, que é provocada pelo Estado. Você mencionou alguma delas aqui, por exemplo. A escola pública é ruim. Nossa colega aqui, Amanda, que veio aqui agora há pouco, ela é professora. Então, por exemplo, como é que um, uma, uma, uma criança da favela, uma criança da periferia como eu, como você, estudando numa escola pública, ela vai conseguir competir com alguém que estudou nas melhores escolas de São Paulo? Não tem como competir. [07:00] Participante Ai, eu te peço- [07:00] Flávio Augusto Não dá. Olha, não dá pra competir. E aí eu digo pra você: é, a, a meritocracia pregada dessa forma, pra mim é uma falácia, é um absurdo. [07:09] Participante Mas e a questão que eu falo- [07:10] Flávio Augusto Só pra concluir, só pra concluir, Miriã. Agora, existe uma outra desigualdade que ela é orgânica, ela é natural. Por exemplo, você tá fazendo faculdade, é dedica-- tá-- fez faculdade de Pedagogia, super dedicada, fez o curso de trancista, tá co-- tá, tá no seu corre pra melhorar de vida, porque você disse que você tem que ir até o final. E as pessoas que desistem? Tem gente que desiste. [07:34] Participante E quem não desiste, mesmo assim não conquista, não alcança o espaço. É sobre essa verdade que a gente tá aqui falando. [07:40] Flávio Augusto Eu entendo, Miriã. [07:41] Participante Porque eu vim até você- [07:42] Flávio Augusto Isso [07:43] Participante ...porque eu tô aqui, eu tô no dia a dia. [07:44] Flávio Augusto Você- [07:45] Participante Eu sei o que é carga horária. [07:47] Flávio Augusto Miriã, olha o que eu vou te falar. [07:47] Participante Eu sei o que é transporte público, eu sei o que é ter o certificado na mão. [07:50] Flávio Augusto Olha o que eu vou te falar. [07:50] Participante Quando cê fala pra mim assim: "A desigualdade não é um problema", eu falo pra você que é, porque eu sou negra, mãe de dois, baixa renda. [07:58] Flávio Augusto Uhum. [07:58] Participante Eu já recebi salário de mil e setecentos reais e atualmente eu estou desempregada, só trançando cabelo. Cê tem noção da diferença- [08:05] Flávio Augusto Tenho, tenho [08:05] Participante ...que é ouvir essa frase e a do-- o peso que essa palavra ela tem? O peso que essa frase que você usou agora deu? [08:10] Flávio Augusto Essa, essa frase- [08:11] Participante Impacto. É de grande impacto. [08:13] Flávio Augusto Miriã, essa- [08:13] Participante E eu, como, ó, não sou uma pessoa assim de números, não me fale de números. [08:17] Flávio Augusto Não, não vou falar de números, não. Miriã, o que eu quero dizer pra você- [08:19] Participante Porém, Flávio, o que eu vim falar com você aqui hoje é: você tem as suas verdades, eu tenho as minhas. Porém, a taxação, seguida de verdade e coerência, impactando sim, com força aos bilionários, pode ser bem utilizado não só em questão de saúde, que já foi dita aqui, mas também em questão de espaço pra quem não tem voz. E nós, de baixa renda, nós não temos voz. [08:41] Flávio Augusto Então, eu, eu, eu entendo. Eu também fui de baixa renda. Eu fui uma pessoa de baixa renda também. Entendo perfeitamente o que cê tá falando. Estudei em escola pública. Entendo o que cê tá falando. Agora, o que eu teria pra dizer pra você, que tá buscando, não desiste. Cê vai conseguir. Não desiste do seu projeto. Não desiste de dar uma vida melhor pros seus filhos. São dois meninos? [09:00] Participante Dois meninos, o Álvaro e o Kenai. [09:02] Flávio Augusto Álvaro e o Kenai. Cê acha que o Álvaro e o Kenai merecem a sua dedicação? [09:05] Participante Merecem. [09:06] Flávio Augusto Então, eu digo, eu vou, eu vou dizer um negócio- [09:07] Participante Por isso que eu luto, que busco diariamente, Miriã. [09:08] Flávio Augusto Mas eu vou dizer um negócio pra você, Miriã. Isso aqui tá gravado, sendo assistido por milhões de pessoas. Não desiste. Se ex-- todos os dias várias pessoas tentam e não conseguem. Ela não pode desistir. Não espere que vai ser o Estado que vai resolver pra você a sua vida. [09:25] Participante Não, não acho. [09:25] Flávio Augusto Não espere, não espere. [09:26] Participante Porém, eu acredito que o quê? Essa taxação, ela vai vir com mais impacto. [09:30] Flávio Augusto Não, não, o assunto não é- [09:30] Participante Eu acredito que você- [09:31] Flávio Augusto Ó, eu já falei, olha só, eu já falei que concordo com a taxação. [09:33] Participante Sim. [09:34] Flávio Augusto Só que assim, ó, só pra gente não fugir. [09:34] Participante E você tá falando da, da democracia. A gente tá falando de tudo aqui também. [09:38] Flávio Augusto Não, não, não. [09:39] Participante Tamo falando de muitas diferenças. [09:40] Flávio Augusto Isso. [09:40] Participante Porém, que vai tirar um pouco dessa diferença, Flávio. Falando de mulher pra, pra homem. [09:45] Flávio Augusto Isso. [09:46] Participante Eu vou falar bem séria pra você. [09:47] Flávio Augusto Aham. [09:47] Participante Vai diminuir essa diferença. [09:49] Flávio Augusto Mas eu- [09:50] Participante Esse vácuo. [09:50] Flávio Augusto Mas tá tudo bem. [09:51] Participante Entre a minha situação e a sua. [09:53] Flávio Augusto Isso. [09:53] Participante Vai diminuir um pouco. [09:55] Flávio Augusto Eu, eu acho- [09:55] Participante Esse buraco. Sabe uma ponte pra gente poder passar? [09:58] Flávio Augusto Sim. Miriã. [09:58] Participante A gente vai poder passar pela mesma ponte. [10:00] Flávio Augusto Eu penso o seguinte, minha querida: quem ganha mais dinheiro pode pagar mais imposto, não tem problema. Agora, o que eu quero dizer pra você, que se você continuar perseverando, cê tem no-- vinte e nove anos. [10:09] Participante Vinte e nove. [10:09] Flávio Augusto Eu trocaria. Eu tenho cinquenta e três. [10:12] Participante Cinquenta e três. Nossa, não parece. [10:15] Flávio Augusto Obrigado. [risos] Você tem vinte e nove anos, eu tenho cinquenta e três anos. Eu trocaria cem por cento do meu patrimônio pra ter a sua idade. Eu pegaria tudo que eu tenho, que é bastante. [10:33] Participante Sim. [10:33] Flávio Augusto E trocaria. [10:34] Participante Faz inveja não, por favor. [10:35] Flávio Augusto Ó, eu trocaria, eu trocaria pela sua idade. Eu gostaria de ter vinte e nove anos. Sabe por quê? Com o conhecimento que eu tenho, com o que eu aprendi ao longo da minha vida, tudo que eu aprendi no meu trabalho, nos meus negócios, eu faria tudo de novo. Ainda teria a juventude que você tem. Você tem algo que eu não tenho mais, eu não tenho mais a sua juventude. Cê entende? Eu daria os meus bilhões pelos seus vinte e nove anos. Infelizmente, isso não é possível. Agora, uma coisa é possível, Miriã. Uma coisa é possível. É possível você aprender algumas ferramentas e com o conhecimento que você tem, você melhorar de vida. Não sei se você, você vai ser bilionária, se você vai ser milionária, mas melhorar de vida. Cê mora na comunidade até hoje? [11:15] Participante Atualmente, sim. E lá eu atendo a domicílio e muita das vezes, né, na minha casa. [11:20] Flávio Augusto Então. [11:20] Participante Mesmo pra poder economizar um pouco. [11:22] Flávio Augusto Eu entendo. [11:23] Participante E poder suprir as necessidades de- [11:23] Flávio Augusto A minha avó, a minha avó, ela foi lavadeira. Ela criou minha mãe e meus dois tios lavando roupa. Abandonada pelo, pelo seu marido. Ela abandonada pelo seu marido, ela, lavando roupa, criou meu pai, criou minha mãe e os meus dois tios. [11:39] Participante Mas falando- [11:40] Flávio Augusto Então eu entendo, entendo perfeitamente a sua realidade. E inclusive eu participo de projetos sociais em comunidades, justamente pra ajudar pessoas como você. Então eu adoraria. Isso aqui tá gravado. Se você topar, eu te ajudo a sair dessa. [11:57] Participante Eu vou topar, né? Então, eu vou topar. [aplausos] [12:01] Flávio Augusto Topa? [12:02] Participante Claro. [12:02] Flávio Augusto Tá gravado. [12:04] Participante Quero só ver, viu, Flávio? [12:06] Flávio Augusto Cê topa? [12:06] Participante Ah, então, Flávio, depois a gente conversa no particular. [risos] Brincadeira à parte, muito obrigada. [12:13] Flávio Augusto Valeu, minha querida. Valeu, valeu, valeu. Palma pra ela. [aplausos] Coletou. E aí, você é o? [12:24] Participante Meu nome é Ronei, eu sou professor de História, Sociologia, Geografia, e hoje eu estou aqui porque eu acho que esse tema é importantíssimo pra que as pessoas conheçam pontos de vista diferentes e consigam com isso tirar a sua própria conclusão, né? [12:39] Flávio Augusto Ronei, vamo lembrar que o tema, o tema é: desigualdade versus pobreza. [12:43] Participante A desigualdade não é um problema, né? [12:46] Flávio Augusto Deixa eu te dar um número, já que eu gosto de número. A, a, eu não falei número em respeito à Mirian, mas um número pra você refletir, tá? É, no início do século dezenove, nós tínhamos cerca de oitenta a noventa por cento da população mundial vivendo em extrema pobreza. [13:01] Participante Uhum. [13:01] Flávio Augusto Hoje, nesse momento, cerca de nove por cento da população mundial vive em extrema pobreza. Isso significa que desde o século vinte até hoje, as coisas melhoraram bastante. [13:12] Participante Tá. [13:12] Flávio Augusto A renda per capita média no mundo era de dois mil dólares, hoje é de catorze mil dólares. [13:17] Participante Eu vou te dar um número. [13:19] Flávio Augusto Então só pra gente falar, só pra gente colocar a disparidade entre- [13:22] Participante Tá certo. [13:22] Flávio Augusto A disparidade entre a desigualdade e entre a pobreza. [13:25] Participante Eu vou te dar o número do Brasil. [13:27] Flávio Augusto Fica à vontade. [13:28] Participante No final do século dezenove, não vou te dar o número exato, tá? Porque não, não tem. Agora que a gente tem muitos dados na cabeça. [13:33] Flávio Augusto Não, tudo bem. Não precisa, não precisa ser exato. [13:34] Participante Mais ou menos oitenta, mais de oitenta por cento da população brasileira era analfabeta, tá? E por que que eu tô dizendo sobre analfabetismo e a questão é a pobreza? Porque assim, nós temos no Brasil um problema muito sério de educação. E esse problema, ele passa por questão, se eu posso linkar isso com a questão. [13:55] Flávio Augusto Perdeu o tempo. [13:56] Participante Tá. Eu, eu posso linkar isso com a questão dos milionários no Brasil, sim. Por quê? Porque nós temos uma classe, não tô falando você, pessoa. [14:05] Flávio Augusto Claro, claro, fica à vontade. [14:05] Participante Tô falando uma classe, porque nós estamos aqui representando uma classe, a classe trabalhadora. [14:09] Flávio Augusto Uhum. [14:09] Participante Existe uma classe de milionários no Brasil, que fazem o máximo de esforço pra que os, as pessoas menos favorecidas continuem ignorantes. De que maneira? [14:19] Flávio Augusto Eu não acredito nisso. [14:19] Participante Eu acredito e vou te dizer como, de que maneira. Sabe como? Através do, das negociatas. [14:26] Flávio Augusto Eu acho que o político faz isso. [14:26] Participante Então, mas eu tô falando da classe política. [14:27] Flávio Augusto Ah, tá. Não, aí... [14:29] Participante Calma, mas a classe política, quantos milionários tem no Congresso Nacional? [14:32] Flávio Augusto Tem vários. Tem vários. [14:33] Participante Tem vários não, tem a grande maioria. [14:35] Flávio Augusto Não sei se é a grande maioria, mas tem vários. [14:36] Participante De milionários. [14:37] Flávio Augusto É. [14:37] Participante Esses milionários, eles fazem um esforço máximo pra que as políticas públicas não atinjam a população menos favorecida, porque o povo que passa fome, ele não dá trabalho nenhum. O povo que pensa, esse sim, dá trabalho. [14:52] Flávio Augusto Deixa eu fazer um contraponto por causa do tempo, tá? [14:53] Participante Sim. [14:54] Flávio Augusto Deixa eu fazer um contraponto por causa do tempo. Pro empresário raiz, você, eu vou dizer que existem dois tipos de empresário: o mamador de teta do Estado. [15:02] Participante Sim. [15:03] Flávio Augusto É o que se instala ali junto com, com os políticos, com o Estado, faz os esquema dele, desvia dinheiro, rouba, cê entendeu? É, ele é, vota em leis que são favoráveis a ele. Esse é um tipo de empresário. Pra mim, eu não respeito esse tipo de empresário. [15:16] Participante Que bom. [15:17] Flávio Augusto Tá? Esse aí eu chamo de mamador de teta. E tem um outro tipo de empresário, que é o empresário que produz, que trabalha, que investe, bota o dinheiro dele, trabalha pra caramba. É o cara que, que contrata uma pessoa, contrata duas, daqui a pouco ele contratou mil pessoas, ele gera emprego, ele gera renda. Só pra você ter ideia, setenta por cento dos empregos formais no Brasil são gerados por micro e pequenos empresários. [15:37] Participante Sim, isso eu sei. [15:37] Flávio Augusto Esses são os micro e pequenos empresários. Então, só, só pra concluir, esse, esse, esse empresário, que é o empresário, e-ele quer que a população tenha a renda maior, meu amigo. [15:46] Participante Sim. [15:46] Flávio Augusto Porque quanto mais, ó, quanto maior. [15:48] Participante Deixa só. É, senão não vou conseguir, é... [15:49] Flávio Augusto Só pra concluir, só pra concluir. Quanto mai-- eu te dou mais um tempo, ó, ó. Quanto maior for a renda, melhor pro empresário, ele vai vender mais o produto dele, ele vai vender mais o, mais o serviço dele. [16:00] Participante Com certeza. [16:00] Flávio Augusto Cê entendeu? [16:01] Participante É, então, mas o que acontece? A, a grande, a parte dos empre-- os empresários que eu estou falando não são os mi, os microempresários. E não são empresários como você. [16:09] Flávio Augusto Tá falando mamador de teta? [16:10] Participante Tô falando de empresários que fazem um lobby lá em Brasília. [16:14] Flávio Augusto Ah, isso aí eu não respeito. Não, não. [16:15] Participante Sim, mas a gente tá discutindo aqui os, os milionários do Brasil. [16:18] Flávio Augusto Não, mas eu não respeito esses caras. [16:20] Participante Os milionários do Brasil, eles tão lá em Brasília fazendo lobby pra que o pobre continue ignorante. [16:26] Flávio Augusto Grande parte dos problemas estão lá em Brasília, meu amigo, cê pode ter certeza. O mundo é um lugar bem melhor com bilionários. [som de tik tok] Oi. [16:37] Participante Tudo bem? [16:38] Flávio Augusto Tudo. [16:39] Participante Fui teacher de inglês e montei uma franquia. Não consegui chegar a bilionária. Fali como milionária, porque os vinte e cinco teachers ganhavam muito menos no piso salarial e eu não conseguia dormir. Como que você consegue fazer isso? [16:52] Flávio Augusto Mas os meus, tá falando dos meus professores? [16:54] Participante Uhum. [16:54] Flávio Augusto Os meus professores ganham mais do que o piso salarial, não é? Todos eles, sem exceção, ganham mais do que o piso salarial. Mas você pagava menos do que o piso salarial? [17:04] Participante Não, normal. Mas você acha que é possível ser bilionário se não for assim, com CLT- [17:08] Flávio Augusto Claro. [17:08] Participante Com piso salarial? [17:09] Flávio Augusto Claro. [17:09] Participante Lucrando em cima desse serviço? [17:11] Flávio Augusto Claro, com certeza. Todo empresário, todo empresário, quando cria o seu negócio, se ele não tiver uma remuneração atrativa, principalmente pras pessoas que ele quer atrair, ele vai perder os principais talentos. Então uma das formas de você, é, atrair os melhores talentos, é remunerando melhor. Agora, é óbvio, né? Eu não tô aqui pra falar em nome dos empresários brasileiros. Eu falo aqui pela minha prática. Todos os meus funcionários recebem mais do que o piso salarial. [17:38] Participante Então o mundo com mais milionários não vai precisar de muito mais pessoas ganhando quatro dígitos? [17:43] Flávio Augusto O número com mais bilionários? [17:44] Participante Pra ter mais bilionários. [17:45] Flávio Augusto Tá. Eu imagino que você me faz essa pergunta presumindo de que a riqueza seja um recurso finito. É isso que você pensa? Ou seja, se tem gente ganhando muito, necessariamente você vai ter pessoas ganhando menos? Essa é a sua lógica? [17:59] Participante Só dá pra ser bilionário assim, ganhando na Mega Sena, casando ou nascendo, ou em cima de CLT. Ou tendo gente. [18:04] Flávio Augusto Vamos lá. Ganhando na Mega Sena não dá pra ganhar, não dá, não dá pra ser bilionário. Nenhum prêmio de Mega Sena paga um bilhão de reais, não é? Qual foi o outro que cê falou? [18:14] Participante É, casando ou nascendo. [18:15] Flávio Augusto Casando, casando dá. Se você casar com um bilionário, você automaticamente vai ser, vai ser bilionário. Mas eu comecei, isso aí não é uma verdade, porque eu comecei do zero, eu sou uma pessoa da periferia, sou uma pessoa Seus colegas te demitiram. [risadas] E aí? [18:37] Participante E aí, Flávio, beleza? Sou eu. Eu sou o Juliano Reverso, eu sou radialista, palhaço e comediante. E eu vim aqui pra saber se ele consegue dormir tranquilo com a situação que tá as coisas hoje em dia, né? [18:46] Flávio Augusto Você é o? [18:47] Participante Sou o Juliano Reverso. [18:49] Flávio Augusto E aí, Juliano, vamo nessa. [18:50] Participante Eu discordo, eu acho que o mundo- [18:51] Flávio Augusto Discorda de quem? [18:52] Participante Eu discordo de você, da sua afirmativa de que o mundo fica melhor com mais bilionários. [18:56] Flávio Augusto Por que que você discorda? [18:57] Participante Porque eu tenho uma tese de que as empresas que geram renda, que geram empregos, elas não dependem do bilionário. Se uma empresa, se as-- uma das suas empresas for uma cooperativa, ela continua funcionando normalmente. A figura central de uma pessoa acumulando a riqueza ali no meio, não traz mais benefícios pra empresa ou pra sociedade. [19:16] Flávio Augusto Uhum. [19:16] Participante Só uma acumulação de riqueza na mão de uma pessoa. Por exemplo- [19:20] Flávio Augusto Uhum [19:20] Participante ...se o dinheiro que você tem fosse brigadeiro, cê conseguiria comer tudo? Não. [19:24] Flávio Augusto Não. [19:24] Participante Claro que não. [19:25] Flávio Augusto Claro que não. [19:26] Participante Cê passaria mal. [19:27] Flávio Augusto Isso, exatamente. [19:27] Participante Enquanto muita gente que tem, que tá com vontade de comer brigadeiro, não vai poder comer. [19:30] Flávio Augusto Mas qual é a solução, na tua visão? [19:32] Participante A solução eu acho que passa por, por distribuição da riqueza, porque assim, por exemplo- [19:37] Flávio Augusto Como é que seria essa distribuição? [19:39] Participante Ah, aí acho que é com o Estado, né? É com o Estado. [19:41] Flávio Augusto Sim, mas como é que o Estado deveria fazer essa distribuição? [19:44] Participante Eu acho que ele tem que, é, taxação de imposto, é, taxação de grandes fortunas, por exemplo. [19:48] Flávio Augusto Taxação de grandes-- você acha que a taxação de grandes fortunas acabaria com a pobreza no Brasil? Na sua visão. [19:52] Participante Eu não acho que acabaria com a pobreza, mas eu acho que reduziria muito o abismo social que existe entre- [19:56] Flávio Augusto Reduziria [19:57] Participante ...uma pessoa muito rica e uma pessoa- [19:58] Flávio Augusto Tá. Vamo lá. A presidente do Partido dos Trabalhadores, a Gleisi Hoffmann, apresentou um projeto para a taxação das grandes fortunas. Nesse projeto que ela apresentou, é, a previsão é de se gerar vinte bilhões de reais por ano, em receitas oriundas da taxação das grandes fortunas. Vinte bilhões de reais é equivalente à arrecadação que o Estado faz de impostos em apenas dois dias. Então você acredita que taxar as grandes fortunas resolveria o problema? E note bem, eu não sou contra a taxação de, dos mais ricos. Não sou contra, tá? Aliás, eu sou até a favor. [20:33] Participante É que, é que eu acho que não- [20:34] Flávio Augusto Só que, eu só tô, só quero te mostrar o número. Às vezes a expectativa que a pessoa cria é que: "Não, isso vai resolver o problema." São vinte bilhões de reais, que é apenas dois dias de, de, dois dias de taxação. [20:45] Participante Mas eu acho que, eu não acho que resolve o problema, mas eu acho que não tem pila, pílula dourada. [20:49] Flávio Augusto Sim. [20:49] Participante Só que eu acho que todas as, todos os movimentos em prol de diminuir a desigualdade no país é, é, é louvável, assim. Eu contribuo com a minha, com a minha- [20:57] Flávio Augusto Você acha que seria mais justo, é isso que você acha? [20:59] Participante Eu acredito que sim. [21:00] Flávio Augusto Ah, maravilha. [21:00] Participante Por exemplo, ó- [21:01] Flávio Augusto Pode ser. Eu, eu acho justo também uma pessoa que é mais rica pagar mais imposto. [21:04] Participante Sim. [21:04] Flávio Augusto Eu não acho injusto. Assim como, por exemplo, eu acho justo, por exemplo, alguém que está em situação vulnerável, ter um imposto negativo. O Bolsa Família, por exemplo, é um imposto negativo. A pessoa recebe do Estado um dinheiro. Até aí. Agora o ponto é o seguinte: como é que a gente soluciona? Acho que esse é o ponto. [21:21] Participante É, então, mas aí- [21:21] Flávio Augusto Como é que a gente soluciona o problema da pobreza? Acho que esse é o ponto. [21:24] Participante Então, mas aí, como que os bili-- a minha pergunta pra você devolver, como que os bilionários podem fazer isso, então? [21:29] Flávio Augusto Não, não é pa, não é papel de um bilionário. Um bilionário é um empresário, né? O empresário, ele desenvolve os seus produtos, desenvolve as suas empresas, pra que elas criem a função social, que é gerar lucro. A principal função social de uma empresa é o lucro. É através do lucro que vem investimento, através do lucro que você contrata mais pessoas, que você gera mais empregos, que você faz investimentos e melhora a sociedade, não é? Então esse é o papel de, de, de um empresário. [21:54] Participante Flávio, se pudesse pausar aí, por favor. Obrigado, irmão. [22:01] Participante Ai, desculpa. [risadas] [22:02] Flávio Augusto Ela tava com água na mão. É por isso. Cê tá bem? [22:05] Participante Tudo bem? [22:06] Flávio Augusto Me lembra o teu nome. [22:06] Participante Gabi. [22:07] Flávio Augusto Oi, Gabi. [22:08] Participante Então, eu acredito que bilionários não deveriam existir. [22:11] Flávio Augusto Uhum. [22:11] Participante Porque eu acho que isso é imoral numa sociedade tão desigual que a gente vive. [22:15] Flávio Augusto Uhum. [22:15] Participante Quando talvez se a gente tivesse numa sociedade utópica. [22:19] Flávio Augusto Uhum. [22:19] Participante Que a gente não tivesse desigualdade social, gente passando fome, gente sem saneamento básico. [22:24] Flávio Augusto Uhum. [22:24] Participante Talvez po-pudesse ser um- [22:26] Flávio Augusto Claro [22:26] Participante ...uma questão ter bilionários. [22:28] Flávio Augusto Uhum. [22:28] Participante Eu não sou contra as pessoas serem ricas. [22:30] Flávio Augusto Sim. [22:30] Participante Não sou contra as pessoas desfrutarem de- [22:33] Flávio Augusto Uhum [22:34] Participante ...é, lençóis com muitos fios e luxos, e tá tudo certo. [22:39] Flávio Augusto Sim. [22:39] Participante As pessoas trabalham pra isso e tá tudo bem. [22:41] Flávio Augusto Uhum. [22:41] Participante A questão é, num mundo que a gente tem, que é tão desigual, cê acha realmente que tudo bem ter bilhões concentrados? [22:48] Flávio Augusto Vamo lá. Você disse que tudo bem a pessoa ser rica. [22:51] Participante Sim. [22:52] Flávio Augusto Qual é o limite? [22:54] Participante Eu a-- assim, eu, quem s- [22:55] Flávio Augusto Quantos milhões? Vamo falar em números. [22:57] Participante Não sei. [22:58] Flávio Augusto Qual o número que cê acha que é tudo bem? [22:59] Participante Eu acho que assim, pra mim- [23:01] Flávio Augusto Sim, mas tudo bem, não tem certo ou errado [23:02] Participante ...qualquer dinheiro a mais que eu tenho já é rico. [23:04] Flávio Augusto Ótimo, mas, mas não, não tem certo ou errado. [23:06] Participante Sim. [23:07] Flávio Augusto Mas vamo tentar, só pra gente na nossa conversa aqui, fazer de conta que não tem ninguém nos assistindo. Quantos milhões você acha que- [23:13] Participante Se a gente fizesse, por exemplo, o teto do bilhão. [23:16] Flávio Augusto Uhum. [23:16] Participante Tipo, chegou no bilhão, a gente não pode passar desse teto. Imagina quanto dinheiro, em vez da taxação. [23:21] Flávio Augusto Não, não, tudo bem. Mas desculpa, o que que você acha que é moral? Você disse, você achou que o bilionário é imoral. O que que é moral pra você? Qual o número? [23:29] Participante Moral é não ter gente passando fome, pra mim. [23:30] Flávio Augusto É, mas é, mas é que- [23:31] Participante É isso [23:31] Flávio Augusto ...eu entendo. Eu tá, eu, eu sinceramente, é, eu, eu participo de muitos projetos sociais. [23:36] Participante Uhum. [23:37] Flávio Augusto Eu acho que existirem ainda pessoas passando fome é uma, é lamentável ainda em pleno 2025, eu concordo com você. Mas eu tô buscando você pra refletir comigo o que que seria moral na sua visão. Quantos milhões de reais seria moral e a partir desse tantos milhões seria imoral? [23:53] Participante Eu penso que se a gente batesse um bilhão, já seria imoral pra gente, porque eu jogaria na minha cabeça, de uma pessoa não economista, tá? [24:01] Flávio Augusto Uhum. [24:01] Participante Porque eu não sou economista. [24:02] Flávio Augusto Não, tudo bem, claro. [24:03] Participante É, são aproximadamente trezentos bilionários no Brasil, não é? [24:07] Flávio Augusto Uhum. [24:07] Participante Uma conta mais ou menos dessa, não sei se- [24:09] Flávio Augusto Isso, bilionários brasileiros, é isso? [24:09] Participante Brasileiros, isso. Eu não sei se é exatamente esse número, mas por aí. [24:13] Flávio Augusto É mais ou menos isso. [24:14] Participante Se essas pessoas não acumulassem mais de um bilhão. [24:16] Flávio Augusto Uhum. [24:16] Participante Se esse dinheiro fosse todo revertido pro governo, a gente poderia ter muito mais políticas públicas e políticas sociais. [24:21] Flávio Augusto Ótimo, ok. Eu, eu, eu vou falar sobre o di-dinheiro revertido pro governo, antes que o pessoal te demita, porque eu quero falar que esse assunto é muito bom. Esse assunto é muito, muito bacana, tá? É, eu queria ainda bater no ponto da moralidade que você colocou. Você considerou imoral. O que que seria moral? Qual seria o número? Dez milhões seria moral? Cem milhões seria moral? Um bilhão já seria imoral? [24:43] Participante Um bilhão, pra mim, é extremamente imoral. [24:45] Flávio Augusto Imoral. [24:45] Participante A gente foi pra uma casinha- [24:46] Flávio Augusto Sei [24:46] Participante ...que assim, ninguém consegue gastar isso- [24:49] Flávio Augusto Sei [24:49] Participante ...nem na ins-- maior insanidade da vida, entendeu? No auge da loucura. [24:53] Flávio Augusto Mas tem, tem, tem bilionário que quebra também. [24:55] Participante É, mas é porque não soube administrar. [24:58] Flávio Augusto Isso, isso. [24:58] Participante Que acredito que não seja o seu caso como empresário, preciso dizer disso. [25:00] Flávio Augusto Não, não é o meu caso, não é o meu caso. [25:01] Participante Mas você soube fazer, cês têm dinheiro infinito. [25:04] Flávio Augusto Não, não é infinito também. [25:05] Participante É infinito, uma máquina de dinheiro infinito pra quem sabe fazer. [25:06] Flávio Augusto Não, é muito dinheiro, eu sei, é muito dinheiro. É muito dinheiro. E quem sabe fazer, ele faz muito mais. [25:11] Participante Sim. [25:11] Flávio Augusto Que esse é o ponto. Eu queria bater nessa questão da moralidade, porque quem é que decide o que é moral, o que não é moral, qual é o número, como é que a gente define esse ponto? Esse é o primeiro ponto. O segundo, é, é difícil a gente saber. [25:21] Participante Uhum. [25:21] Flávio Augusto Não tem como a gente ter alguém arbitrando: "Ó, isso aqui é imoral, isso aqui é meu", né? Porque, até porque você pode dizer: "Olha, dez milhões é ok, onze milhões já é imoral", mas de repente outra pessoa acha que dez milhões é imoral, que é muito dinheiro. Então a gente vai ter o quê? O Estado arbitrando sobre a nossa vida? Deixa agora, só, só pra eu completar, desculpa, é, a questão do Estado. Será que o governo, ele é o, é o que é capaz de promover a justiça social conforme a gente deseja? [25:48] Participante Acho que a gente tem muitas falhas no, no nosso sistema. [25:50] Flávio Augusto Então, pensa comigo, pensa comigo. Se a gente pegasse cem por cento do patrimônio de todos os bilionários do mundo. [25:56] Participante Uhum. [25:57] Flávio Augusto Não, brasileiro. [25:57] Participante Brasileiro, é. Vamo, vamo de Brasil. [25:58] Flávio Augusto Vamo pegar os brasileiros, todos os bilionários brasileiros. Daria cinco meses de arrecadação do governo. [26:02] Participante Não, é uma conta diferente. Na verdade, se a gente pegar todo o patrimônio dos bilionários brasileiros, a gente consegue fazer uma conta de, é, acabar com a miséria. [26:14] Flávio Augusto Uhum. [26:15] Participante Anualmente, tem um valor anualmente, mas existe essa máquina de dinheiro infinita. [26:20] Flávio Augusto Não, é que não acaba. E o dinheiro não é infinito, é isso que eu quero te dizer. O, o governo brasileiro, ele arrecada em cinco meses, cem por cento do patrimônio dos bilionários. Cem por cento. E, e, e a arrecadação brasileira, ela vem aumentando, batendo recordes a todos os anos. Só que o que a gente vê no Brasil, infelizmente, não é essa solução acontecendo. A gente vê uma série de problemas que acontecem dentro do Estado, dentro do Brasil. [26:44] Participante Mas qual é a sua solução como bilionário? [26:46] Flávio Augusto Mas a solução pra acabar com a, com a miséria? [26:49] Participante É. [26:49] Flávio Augusto Eu tenho uma solução, posso te dar. [26:50] Participante Qual é? [26:50] Flávio Augusto A solução é redução de gastos públicos. Com a redução de gastos públicos, a gente abaixar a taxa de juros. Abaixando a taxa de juros, a gente tem muito mais estímulo na economia pras empresas contratarem mais pessoas, investirem mais pessoas, aumentarem os salários, aumentarem os empregos e, e, os, e o Brasil como um todo, ele enriquecer, aumentando os salários. [27:12] Participante Então, mas cê não acha que assim, por exemplo- [27:13] Flávio Augusto É [27:14] Participante ...a gente tá falando de um cenário um pouco utópico? [27:17] Flávio Augusto Não, isso não é utópico. [27:18] Participante Porque- [27:19] Flávio Augusto Utópico, utópico é o contrário. [27:20] Participante É, é uma pirâmide que nunca vai dar certo, porque assim, essas pessoas, ah, gerar emprego e tudo mais, o emprego é sempre uma, um valor. Eu acredito que nas suas empresas ninguém seja bilionário que nem, que nem você. [27:31] Flávio Augusto Não, claro que não. [27:32] Participante E eu acredito que se tiver alguém milionário ali- [27:35] Flávio Augusto Tem alguns, tem alguns, tem alguns milionários, é. Isso [27:37] Participante ...é um gerente, alguém de, enfim- [27:38] Flávio Augusto Isso [27:38] Participante ...de alguma... [27:39] Flávio Augusto Alguns que começaram do zero e hoje são milionários, isso. [27:41] Participante Mas acredito que ninguém que faça faxina no, nas, nas suas não sejam. [27:44] Flávio Augusto Milionária, não tem como. Não, não tem como. [27:46] Participante Entendeu? É isso que eu tô falando, é sobre discrepância de valores. [27:48] Flávio Augusto Mas você, mas a, na tua- [27:50] Participante Ninguém deveria acumular tanto dinheiro. [27:50] Flávio Augusto Mas na sua ideia, uma pessoa que faz faxina deveria ser milionária? [27:54] Participante Eu acho que ela deveria pelo menos, é, ter o mínimo digno pra sobreviver. [27:58] Flávio Augusto Concordo, concordo com você. [27:59] Participante Pra, enfim, pra poder estudar, pra até, pra não ser faxineira se ela não quiser. [28:03] Flávio Augusto O que que é esse mínimo? [28:04] Participante O mínimo? [28:04] Flávio Augusto É. [28:04] Participante Eu não sei quanto que a gente tá no Bra- [28:06] Participante Paulo, tempo, por favor. Tem dezessete pessoas. [28:08] Participante Tá. [28:10] Participante Um, dois, três e... [risos] Desculpa. [28:15] Flávio Augusto O problema é o copinho. [risos] [28:18] Participante Meu nome é Paulo Henrique, sou professor de História e mestre em Economia Política, e vim aqui debater a importância da taxação dos bilionários pra gente construir um Brasil justo e próspero. [28:27] Flávio Augusto Me lembra teu nome, querido. [28:27] Participante Paulo Henrique, tudo bem, Flávio? [28:28] Flávio Augusto Paulo, vamo lá, Paulo. [28:29] Participante Flávio, cê perguntou o que que era imoral. [28:32] Flávio Augusto Isso. [28:32] Participante Vou dizer vários dados aqui no Brasil que são imorais. [28:35] Flávio Augusto Vamos. [28:35] Participante O Brasil tem oitocentos e sessenta bilhões de renúncia fiscal anuais de grandes empresas que não pagam impostos. [28:42] Flávio Augusto Concordo. [28:43] Participante E que esses valor seria o suficiente pra inclusive vários programas sociais. [28:48] Flávio Augusto Ajudaria bastante, isso. [28:49] Participante É o valor de quatro, quatro bolsas famílias, três programas de saúde. [28:54] Flávio Augusto Sim. [28:54] Participante Farmácia popular. Então, isso é imoral. [28:56] Flávio Augusto Concordo. [28:57] Participante Segundo aspecto imoral. No Brasil, o imposto sobre gre-- é, heranças é oito por cento no máximo. [29:03] Flávio Augusto Uhum. [29:03] Participante Enquanto países, inclusive os Estados Unidos, se cobra quarenta por cento de herança. Então tem várias distorções no sistema tributário brasileiro. [29:11] Flávio Augusto Eu queria que cê continu-- desculpa te interromper, eu queria até que cê continuasse, mas eu queria pegar esse ponto aqui- [29:14] Participante Pronto [29:15] Flávio Augusto ...até porque eu tô olhando o tempo. Você sabe a partir de quanto, é, o, é, que o brasileiro precisa pagar do imposto sobre fortunas? Que é oito por cento. A partir de qual valor? [29:27] Participante Não sei, mas é, primeiro que o seguinte, o imposto- [29:29] Flávio Augusto Não, vou te falar. [29:29] Participante Pronto, pode falar. [29:30] Flávio Augusto Eu vou te falar. É duzentos e cinquenta mil reais. [29:31] Participante Tá nota. [29:32] Flávio Augusto Esse cara que tem duzentos e cinquenta mil reais, na hora de fazer, transferir a sua herança pro seu filho, tem que pagar oito por cento. Eu te pergunto, esse cara é bilionário? [29:39] Participante Não é bilionário, mas veja... [29:41] Flávio Augusto Não, eu vou, rapidinho, rapidinho. [29:43] Participante Ó. [29:43] Flávio Augusto Vou, vou só completar um número completo, se, se você me permitir. Pode ser? [29:46] Participante Pode. [29:46] Flávio Augusto Então vamo lá. Duzentos e cinquenta mil. Você citou os Estados Unidos. Cê sabe quanto é o imposto sobre ganho de fortuna no, nos Estados Unidos? [29:52] Participante Eu sei sobre heranças. [29:54] Flávio Augusto Sobre herança, desculpa. [29:55] Participante Isso. [29:55] Flávio Augusto Você sabe quanto é? [29:56] Participante Sim, são até quarenta por cento. [29:57] Flávio Augusto Isso. [29:58] Participante É progressivo até quarenta por cento. [29:59] Flávio Augusto Isso. Boa. [30:00] Participante E tem a isenção- [30:00] Flávio Augusto Boa [30:01] Participante ...a partir de três milhões e meio de dólares. [30:03] Flávio Augusto Cê errou essa parte. [30:04] Participante Tá. [30:05] Flávio Augusto Essa parte cê errou. Aí eu te digo, é quarenta por cento. Quarenta é maior que oito, não é? [30:09] Participante É, bem maior. [30:09] Flávio Augusto Bem maior, não é verdade? [30:10] Participante Bem maior. [30:11] Flávio Augusto Então, os Estados Unidos deve cobrar mais de imposto do que o Brasil, não é isso? [30:14] Participante Sobre herança, sim. [30:14] Flávio Augusto Sobre herança, né? [30:15] Participante Sim. [30:15] Flávio Augusto Não é. [30:17] Participante Sobre herança, sim. [30:17] Flávio Augusto Porque é acima de cinco milhões de dólares. [30:21] Participante Sim [30:23] Flávio Augusto Ou seja, apenas heranças acima de cinco milhões de dólares são tributadas. Isso, se a pessoa não tiver uma estrutura- [30:31] Participante Também não são milionários que pagam também, a parte- [30:33] Flávio Augusto Não, esse é milionário, cinco milhões de dólares. [30:34] Participante Cinco milhões de dólares, não é bilionário. [30:36] Flávio Augusto Não, bilionário não é. Não, mas os bilionários também pagam. [30:38] Participante Isso. [30:38] Flávio Augusto Os bilionários também pagam. O que eu quero dizer é que, na média, quando você faz essa, essa, essa diferença, hoje, a arrecadação de imposto sobre, sobre herança nos Estados Unidos, ela é de aproximadamente zero ponto dezoito por cento, enquanto do Brasil é zero ponto dezesseis por cento. Então é praticamente a mesma coisa. [30:54] Participante Mas tem países que inclusive pagam mais. A França paga mais. [30:58] Flávio Augusto Mas se você for ver a faixa de isenção, o problema do Brasil, sabe qual é o problema do Brasil? É que a faixa de isenção é muito baixa, porque ela não foi, ela não foi, ela não foi reajustada. Por exemplo, imposto de renda, você, você paga a faixa dos vinte e sete vírgula cinco por cento? [31:11] Participante Não pago. [31:12] Flávio Augusto Você tá abaixo dessa faixa? [31:13] Participante Abaixo. [31:13] Flávio Augusto Ok, você tá abaixo dessa faixa, mas se você ganhasse, por exemplo- [31:17] Participante Agora, você concorda que é justo que os trabalhadores que ganham até cinco mil reais sejam isentos no Imposto de Renda? [31:21] Flávio Augusto Eu acho super, super justo. [31:23] Participante Cê acha que inclusive os que ganham mais de cinquenta mil- [31:25] Flávio Augusto Deveria pagar mais. Claro que é [31:26] Participante ...devem pagar mais? Então cê tem concordância, inclusive com a proposta que- [31:29] Flávio Augusto Isso! [31:29] Participante A mi-- a presidenta do PT enviou pra Câmara. [31:32] Flávio Augusto Mas eu não discordo. Eu não discordo que quem ganha mais, tem que pagar mais. E também não discordo, até porque se você for analisar, a faixa de isenção, antigamente, se eu não me engano, era mil e oitocentos reais. Só que era mil e oitocentos reais trinta anos atrás. [31:44] Participante Com salários maior, menores. [31:45] Flávio Augusto Com salários menores. Só que esse, esse, a inflação foi comendo o poder de compra da população. Agora eu te pergunto: por que que essa faixa de isenção não reajustou? E o, a classe média e os pobres tão pagando mais impostos? [31:57] Participante Na verdade, a proposta agora é pra pagar menos impostos. [32:00] Flávio Augusto Eu sei, querido, mas sabe por que, mas sabe por que que eles pagam? Sabe por que que eles pagam? E entrou vários governos e eles nunca mudaram isso, porque precisa financiar o Estado. [32:08] Participante Eu sei, mas ó, e tu que tá sendo pro- [32:10] Flávio Augusto Acabou o tempo ali. Obrigado. Foi o primeiro tema. Mandou bem, garoto! O segundo é hacker. Dinheiro não traz felicidade. Valendo. [32:22] Participante Cheguei. Os cavaleiros na frente. Pedro Flávio, tudo bem? [32:27] Flávio Augusto Cê tá bem? [32:27] Participante Tudo ótimo. Eu acho que dinheiro, em certas partes, traz muita felicidade, porque vai trazer uma estabilidade pra sua família. [32:33] Flávio Augusto Cê discorda de mim, então? [32:34] Participante Sim, porque o que que acontece? Em certas partes, se você tá numa situação, como muitos aí, às vezes tá desempregado, sua família não vai bem, você não vai bem emocionalmente, então outras coisas. Então, e foi um tema que eu estudei sobre outras coisas e meio que me comoveu, porque eu trabalhei onze anos numa empresa vestindo a camisa, trabalhando feriado, aniversário dos meus filhos, e terceirizada. E o cara tem um patamar alto. Então o que acontece? A partir do momento que eu gerei muito tempo de casa pra ele, o cara me deu dois meses de férias, me deu uma justa causa e eu tô na Justiça até hoje. Então eu tô trabalhando com atuação, sem trabalho. [33:08] Flávio Augusto Justa causa por quê? [33:10] Participante Justa causa indevida. É, não, não alegou, mas, porém, o que que acontece? Inventou qualquer coisinha, pagou um juiz. [33:15] Flávio Augusto Você vai ser, você vai ser reintegrado, vai receber tudo. [33:17] Participante Não, mas pagou, a primeira audiência, pagou um juiz corrupto e foi pro debaixo dos panos. Tô tendo que recorrer. [33:22] Flávio Augusto Não, vai, vai pra segunda instância que você ganha. [33:23] Participante Então, assim, a partir desse momento aí, é, minha vida virou ao avesso, porque o que acontece? É, começou a faltar as coisas dentro da minha casa, entende? Me emocionei, desculpa aí, pessoal. [33:33] Flávio Augusto Tudo bem. [33:33] Participante Porque daí você pensa assim: "Porra, até o momento eu tava estável, com um salário bacana, levando meus filhos pra passear, levando a família". E automaticamente, esse, esse bilionário, com essa sacanagem- [33:44] Flávio Augusto Ele é bilionário? [33:45] Participante É, ele tem dinheiro, tem muito dinheiro. [33:46] Flávio Augusto Não é bilionário, né? [33:46] Participante Perto de mim, ele é um bilionário, mas ele tem várias empresas. [33:48] Flávio Augusto Sim, sim. [33:49] Participante Daí automaticamente ele passou a rasteira ni mim. Eu tô pagando aquele veneno, dependendo da Justiça, que é, é lenta, trabalhosa e há muito tempo se disputa. [33:56] Flávio Augusto Defensor público, cê tá? [33:57] Participante Sim. Então, contratei advogado, tudo, mas mesmo assim a gente sabe que tem a- [34:01] Flávio Augusto Sim [34:02] Participante ...debaixo dos panos lá. [34:03] Flávio Augusto Quantos anos já faz isso? [34:04] Participante É, tem poucos meses, mas já teve a primeira. Então o que acontece? Onze anos. Então o dinheiro traz felicidade, porém, por quê? Porque eu tinha o mundo às minhas mãos. Po-poderia, meu filho ficou doente, vou levar num, num convênio, tal. [34:16] Flávio Augusto Entendi. [34:16] Participante Como muitos não têm. Então, ultimamente, se você não tem dinheiro, você praticamente cê é esquecido, você não é nada, você não tem valor. Então o homem, ultimamente, não o homem, só, todo em geral, só vale o que tem, porque automaticamente- [34:27] Flávio Augusto Me lembra teu nome, por favor? [34:28] Participante Sim, Rafael. [34:29] Flávio Augusto Rafael, seguinte, cara, vamo lá. Primeiro, seguinte, cara, lamento muito isso, essa situação. Isso impacta a tua família, impacta, enfim, né, toda a tua, tua condição. [34:39] Participante Estrutura, tudo. [34:39] Flávio Augusto Estrutura, e eu vi que cê tá, tava emocionalmente mexido, porque isso foi muito recente. [34:45] Participante Sim. [34:45] Flávio Augusto Mas se prepara, vai levar uns cinco, seis anos esse negócio. [34:47] Participante Sim. [34:48] Flávio Augusto É o tempo que vai levar. Só que o seguinte: se, se você vai ser reintegrado, vai receber tudo retroativo, com-- isso é uma coisa milionária. [34:56] Participante Sim. [34:56] Flávio Augusto Talvez cê fique milionário nessa ação. [34:58] Participante Sim, amém. [riso] [35:00] Flávio Augusto Cê entendeu? [35:00] Participante Sim. [35:01] Flávio Augusto Porque se, se fez sacanagem, eu vou te falar, a Justiça do Trabalho, eu não tenho nada a reclamar da Justiça do Trabalho. Eu tenho milhares de funcionários, sou empresário há trinta anos. Na maioria das vezes, tem poucas vezes que ela vai ser injusta. Eu nunca sofri injustiça por ministério, por Justiça do Trabalho. [35:18] Participante Eu passei por isso que cê passa, né? [35:20] Flávio Augusto Pois é. Então, assim, primeiro você tem que setar a tua expectativa de que isso é uma batalha de seis, sete anos. Seis, cinco, seis anos. [35:26] Participante Sim. [35:27] Flávio Augusto E vai levar esse tempo, mas, na minha visão, pelo que você falou aqui, acho que você vai ganhar isso daí. O que você tem que fazer é se recompor emocionalmente agora. [35:36] Participante Sim. [35:36] Flávio Augusto Recomeçar tua vida, cara. [35:37] Participante É o que eu tô fazendo. [35:38] Flávio Augusto O que tu faz? [35:38] Participante Tô correndo atrás. Agora, eu sou músico nos finais de semana, né? [35:41] Flávio Augusto O que cê toca? [35:42] Participante Eu toco cavaquinho, banjo, violão, canto também, componho, entende? Então eu tô procurando várias portas aqui, que tá me ajudando. [35:48] Flávio Augusto Mas, mas no, na vida corporativa, o que que você faz? [35:51] Participante Sim, é, corporativo eu era segurança. [35:53] Flávio Augusto Tu era segurança? [35:54] Participante Era segurança, trabalhei em várias áreas. Então o que acontece? O dinheiro, sim, traz, é, traz felicidade- [35:58] Flávio Augusto Então, sobre esse tema, que que eu queria dizer pra você é o seguinte: a falta de dinheiro, a, o endividamento- [36:04] Participante Sim [36:04] Flávio Augusto ...ele te traz muitos problemas. [36:05] Participante Sim. [36:06] Flávio Augusto Muitas causas de separação vêm por causa da grana. Mas, o ponto do dinheiro é, é, deve ser inusitado ver um bilionário dizendo que, que dinheiro não, não traz felicidade. [36:15] Participante Sim, com certeza. [36:15] Flávio Augusto Porque eu sou feliz, cara. Eu me sinto um cara feliz, mas eu já era feliz antes de ter dinheiro. Eu tive uma avó maravilhosa, que 2021 nos deixou. Fui criado por ela. [36:27] Participante Meu sentimento. [36:28] Flávio Augusto Cê entendeu? Ou seja, eu tive uma, uma criação É, com amor. Eu tive esse privilégio de ter tido uma família estruturada. [36:37] Participante Sim. [36:37] Flávio Augusto Então eu sempre fui feliz. Não sou mais feliz hoje. E eu faço questão de dizer isso porque muita gente corre atrás da grana achando que ela vai te trazer felicidade. A felicidade não tá no dinheiro. Agora, não vamos ser hipócrita. [36:48] Participante Sim. [36:48] Flávio Augusto Ganhar dinheiro é bom? [36:50] Participante Maravilhoso. [36:50] Flávio Augusto Tá? Te traz estrutura, te traz liberdade e te traz principalmente a condição de você ajudar a tua família. [36:58] Participante Sim. [36:59] Flávio Augusto Tu tem filho, você? [37:00] Participante Tenho dois. [37:01] Flávio Augusto Dois filhos, né? Acabou, né? [37:03] Participante Ó. Maravilha. [37:04] Flávio Augusto Valeu, garoto. [37:05] Participante Obrigado. [37:05] Flávio Augusto Força aí, tá? [37:05] Participante Valeu, valeu. [aplausos] É meu, meu amor. [risos] [37:14] Flávio Augusto Me diga, minha querida. [37:15] Participante Dinheiro traz felicidade, dinheiro traz felicidade quando você tem filhos e você compra brinquedos pra ele, pra eles. Dinheiro traz felicidade quando você tem um parente doente no hospital e você precisa de uma cirurgia, é, rápida num hospital particular, que a gente sabe que o SUS é um dos sistemas que mais demora. Então, quando cê tem dinheiro, no seu caso, que é milionário, eu acredito que seus filhos não passam pelo SUS. [37:41] Flávio Augusto Não. [37:42] Participante Porque você tem médicos- [37:44] Flávio Augusto Particulares. [37:44] Participante Particula-particulares que o dinheiro paga, não é isso? [37:48] Flávio Augusto Isso. [37:48] Participante Dinheiro traz felicidade, é, pra pessoas que precisam de uma casa. Dinheiro traz felicidade pra aquelas travestis na rua que não têm trabalho- [37:59] Flávio Augusto Uhum. [38:01] Participante E recebem dinheiro na mão dos, do, trabalhando com programa, né? Isso traz felicidade pra elas naquele momento, né? Porque o dinheiro ajuda elas de uma forma que outra forma não ajudaria, sabe? [38:13] Flávio Augusto E deixa eu te colocar um outro ponto de vista. Tudo isso que você falou é facilidade, não felicidade. O dinheiro ele traz facilidade. Eu poder contratar um médico pro meu filho quando ele precisa é uma facilidade. Eu poder botar ele numa escola boa é uma facilidade. Eu poder fazer tudo isso que você disse, que eu acho que é o objetivo de cada pessoa, é uma facilidade, não felicidade. Felicidade é o que você tem dentro de você quando cê coloca a tua cabeça no travesseiro. Então eu vou dar exemplo pra você do que o dinheiro compra e do que o dinheiro não compra, por exemplo. O dinheiro compra uma cama? Sim ou não? [38:48] Participante Compra. [38:49] Flávio Augusto Compra o sono? [38:51] Participante Não. [38:52] Flávio Augusto O dinheiro compra um plano de saúde? [38:55] Participante Compra. [38:55] Flávio Augusto Compra saúde? Não. [38:59] Participante Mas dá a possibilidade de aumentar o- [39:02] Flávio Augusto Concordo. [39:02] Participante Tempo de vida. [39:04] Flávio Augusto Concordo. [39:04] Participante Então compra. [39:05] Flávio Augusto Não, calma. Vamos lá. Você na UTI, cê paga a tua alta dessa UTI? Não paga a tua alta. [39:11] Participante Então, por que você, se dinheiro não traz felicidade, por que você traz um curso que ajuda a pessoa a ficar milionária? Por que que você vende o curso- [39:18] Flávio Augusto Não, não, eu não vendo esse curso. Não tenho esse curso. [39:20] Participante Mas o seu curso não ajuda as pessoas a- [39:22] Flávio Augusto Não, não, não. Eu tenho um curso de inglês. [39:23] Participante Tudo bem. [39:24] Flávio Augusto É isso, não é, não é curso de- [39:25] Participante É. [39:26] Flávio Augusto Eu não ensino as pessoas a ficarem milionárias, não. Não é, não é, não é minha área de atuação. [39:30] Participante Ah, então tudo bem. [39:30] Flávio Augusto Não, não, não, não. [39:31] Participante Mas o dinheiro traz felicidade. [39:32] Flávio Augusto Ó, o dinheiro, o dinheiro, na minha visão, que eu estou conversando com você- [39:35] Participante O dinheiro traz estudo quando você consegue pagar uma faculdade. [39:38] Flávio Augusto Isso tudo é, isso tudo é facilidade. [39:39] Participante Isso é uma felicidade. [39:39] Flávio Augusto É facilidade. [39:40] Participante O dinheiro, o dinheiro traz diploma. [39:42] Flávio Augusto Facilidade. [39:42] Participante O di-- não é uma facilidade? [39:44] Flávio Augusto Claro que é. [39:45] Participante Não, não é uma facilidade. [39:46] Flávio Augusto Se você, se você, por exemplo, quando você tem um diploma, não é mais fácil conseguir um emprego? É uma facilidade. A felicidade, cara, é aquela coisa que a gente sente, que não depende do dinheiro que a gente tem. Eu, aí eu falo isso, vou falar de novo da minha vozinha aqui, que eu quase chorei da outra vez aqui, que eu falei dela aqui. Mas aquela mulher, ela sustentou três filhos lavando roupa e ela era sorridente. Ela morreu com noventa e um anos sorridente. Ela é um dos meus maiores exemplos de vida. Eu digo pra você que isso é fa-- isso é felicidade. É aquilo, é aquilo que pulsa dentro da nossa, do nosso coração por um propósito, quando a gente tem propósito, quando a gente sabe a nossa missão e o que que a gente quer realizar. Isso nos traz felicidade. Agora, eventualmente, a gente vai ganhar grana. E eu digo, não sou hipócrita, é bom ganhar dinheiro, vale a pena se dedicar pra ganhar dinheiro. E quando tu ganhar dinheiro, quando você ficar rico, de repente, você não é rico, você não é rica. [40:40] Participante Não, com certeza não. [40:42] Flávio Augusto Tá legal. Não- [40:42] Participante Ó o meu cabelo aqui. [risos] [40:45] Flávio Augusto Mas como é que é o cabelo de rico? [40:47] Participante Não sei, mas não é assim. [40:48] Flávio Augusto Não, não. [40:49] Participante Cabelo de rico é assim pra vocês? Não. [40:52] Flávio Augusto Então, então tá legal. Então se um dia você ficar rica, como é que é o tratamento que eu te uso? Me desculpa, minha ignorância aqui. [40:57] Participante É, eu sou drag queen, é ele ou ela. [40:59] Flávio Augusto Ele ou ela, então tá bom, obrigado. Então o que que acontece? Na hora que cê ficar rica, sabe o que vai acontecer? Você vai concluir isso que eu tô falando. Falar: Caramba, é, eu tenho muitas facilidades, mas não necessariamente eu fui mais feliz. Aliás, os consultórios psicológicos tão cheio de rico tomando antidepressivo, cheio de gente com problema existencial, sentindo a dor da existência. Isso nu-- isso não depende da tua carteira. Você pode ter uma carteira cheia de dinheiro ou vazia de dinheiro, e você vai ter essa ânsia pelo teu significado da sua existência. A felicidade ela tá aí. [41:32] Participante Se o dinheiro não traz felicidade, por que que a gente trabalha? [41:34] Participante Obrigado, pessoal. Só falta um tempo aí, por favor. [41:37] Participante Obrigado, meu amor. [41:37] Flávio Augusto Obrigado, tá? Beijo, beijo. [aplausos] [41:39] Participante Obrigado, gente. [41:44] Participante Oi. [41:44] Flávio Augusto E Amanda, o que que cê acha? O dinheiro traz felicidade ou não? [41:46] Participante Se dinheiro não traz felicidade, bora acabar com a escala seis por um. Se o dinheiro não traz felicidade, bora taxar as grandes riquezas. [41:53] Flávio Augusto Tem escala seis por um na história? [risos] [41:55] Participante Se dinheiro não traz felicidade. Então, é porque ó- [41:57] Flávio Augusto Cê sabia que a minha empresa não tem escala seis por um? [41:59] Participante Ainda bem. [41:59] Flávio Augusto Eu vou dizer um negócio pra você. Aliás, eu vou dizer um negócio pra você, voltando na desigualdade, Amanda. [42:05] Participante Já, pô. [42:06] Flávio Augusto Ah, Amanda. Desculpa, Amanda. [42:09] Participante E aí? [42:10] Flávio Augusto Eu vi você gravando ali. Você é poeta, né? [42:13] Participante Sou poeta. [42:14] Flávio Augusto Faz uma poesia pra mim. Vai lá. [42:16] Participante Ai, assim, de graça? [42:17] Flávio Augusto De graça, assim, pra todo mundo, assim. [42:18] Participante Agora eu ficaria feliz. [42:19] Flávio Augusto Vamos lá. [42:20] Participante Vai ser paga- [42:20] Flávio Augusto Mas dez segundinhos, dez se-- dez segundinhos, vai lá. Mostra a tua arte pra milhões de pessoas aqui. [42:25] Participante Não, vim aqui pra falar sobre porque o dinheiro não traz felicidade, e eu concordo com você. [42:30] Flávio Augusto Concorda comigo? [42:30] Participante O dinheiro realmente não traz felicidades, inclusive, é, lembrando a fala da nossa amiga ali, se nós volta na época de que o Brasil foi colonizado A gente faria essas perguntas, por exemplo, pros indígenas. [42:42] Flávio Augusto Uhum. [42:43] Participante E pra ele não faria sentido essa pergunta, não faria, não traria felicidade mesmo, porque a vivência deles são outras. [42:49] Flávio Augusto Uhum. [42:49] Participante Né? Mas vamo lá pra um humor- [42:51] Flávio Augusto Mas o que que é ser rico pro, pro índio, por exemplo? [42:54] Participante Eu acho que pra eles, é ter tempo, sabe? [42:58] Flávio Augusto Tempo é uma riqueza pra eles. [43:00] Participante É, tempo é riqueza, entendeu? [43:02] Flávio Augusto Então você concorda que, que dinheiro não traz felicidade? [43:05] Participante Concordo. [43:05] Flávio Augusto Então tamo junto. [43:06] Participante Mas eu tô aqui-- Sim, mas quero te trazer meu ponto também, né? Porque não é só sobre fa-- de, deitar essa fala, né? [43:14] Flávio Augusto O pessoal te demitiu, minha poeta querida. Você não quis falar tua poesia. Que pena! Opa, desculpa. Você é a? [43:25] Participante Eu sou a Carol. [43:26] Flávio Augusto Carol. Diga, Carol. [43:27] Participante É, bom- [43:28] Flávio Augusto Dinheiro traz feli-- não traz felicidade. Essa é minha opinião. O que que você acha? [43:32] Participante Eu discordo- [43:33] Flávio Augusto Uhum [43:33] Participante ...em questão, porque a felicidade financeira, ela ajuda e impacta muito nas pessoas. [43:40] Flávio Augusto Uhum. [43:40] Participante As pessoas, elas têm propósitos, porém elas se perdem, por tanto da questão do capitalismo, por tantas questões psicológicas, por tantas desigualdades- [43:51] Flávio Augusto Você é capitalista? [43:51] Participante ...desigualdades sociais. [43:52] Flávio Augusto Você é capitalista, sim ou não? [43:53] Participante Não. [43:54] Flávio Augusto Não. Então, um capitalista tá te dizendo que o dinheiro não traz felicidade, você discorda. [43:58] Participante Mas no senti-no sentido de que quando as pessoas não têm essa, é, esse berço ou essas chances que muitas pessoas têm, elas acabam, sim, se tornando infeliz. [44:10] Flávio Augusto Que chances, por exemplo? Só pra eu entender. [44:13] Participante Voltando no papo do, da desigualdade social, por exemplo, nem todo mundo tem as mesmas oportunidades. [44:18] Flávio Augusto Certo. [44:19] Participante Quando elas não têm as mesmas oportunidades, elas acabam passando por situações que as deixam infelizes. [44:25] Flávio Augusto Verdade. [44:25] Participante E aí, quando elas conseguem algum projeto ou algum trabalho ou algum sucesso na vida e que trazem um retorno financeiro pra elas, em algum momento, sim, elas se sentem felizes financeiramente. [44:40] Flávio Augusto Uhum. [44:41] Participante Então, pra mim, é parte da felicidade, sim. [44:44] Flávio Augusto Deixa eu te dar um ponto. Muito interessante o seu ponto. Na minha visão, você tá confundindo a felicidade com contentamento. [44:50] Participante Hum. [44:51] Flávio Augusto Tá? Felicidade é uma coisa, contentamento é outra. Ou seja, contentamento é uma coisa, é, pontual. Arrumei um emprego novo. Ai, fiquei contente. [45:00] Participante Uhum. [45:00] Flávio Augusto A gente até fala: "Fiquei feliz." Mas, na verdade, esse feliz aqui, semanticamente, é o significado de contentamento. [45:06] Participante Uhum. [45:06] Flávio Augusto Você ficou contente. [45:07] Participante Uhum. [45:08] Flávio Augusto Obviamente, várias pequenas coisas que vão acontecendo na nossa vida vão nos deixando contente, mas a felicidade é algo que tá numa camada superior. [45:15] Participante Sim, mas- [45:15] Flávio Augusto Acima do contentamento, entende? [45:16] Participante Concordo com você, porém- [45:17] Flávio Augusto Tanto é que eu acho, por exemplo, que é possível que uma pessoa, é, camponesa, que trabalha no campo, seja, em muitos, muitas vezes, muito mais feliz do que um bilionário. [45:26] Participante Concordo com você nesse ponto. [45:28] Flávio Augusto Isso. [45:28] Participante Porém, quando a gente pensa na so-sociedade que a gente vive- [45:32] Flávio Augusto Uhum [45:32] Participante ...muitas outras pessoas, elas dependem de muitos outros fatores e muitas camadas- [45:36] Flávio Augusto Pra ficarem contente [45:37] Participante ...pra ficarem, ficarem felizes também. [45:39] Flávio Augusto Pra ficarem contente. [45:39] Participante Porque a felicidade, ela é subjetiva pra cada um. [45:42] Flávio Augusto Uhum. [45:42] Participante O que é feliz pra mim, não é pra você. [45:45] Flávio Augusto Uhum. [45:45] Participante Então, se eu vejo no, na questão financeira, que felicidade me traz um retorno, tá ótimo, mas pro outro talvez não traga. [45:53] Flávio Augusto Então, Carol- [45:53] Participante Então ela é subjetiva [45:54] Flávio Augusto ...vou te sugerir o seguinte: Eu, minha experiência pessoal, me sinto tão feliz hoje quanto eu era quando eu era pobre. [46:02] Participante Uhum. [46:03] Flávio Augusto Tão feliz. Não sou nem mais nem menos. Agora, óbvio, hoje eu tenho a oportunidade de ter várias facilidades na minha vida e situações que me deixam muito contente, que também contribuem- [46:14] Participante Isso [46:15] Flávio Augusto ...com a minha vida. [46:15] Participante Exatamente. [46:16] Flávio Augusto Mas eu vou te falar uma coisa. Eu vou torcer que você fique rica um dia e você lembre assim: "Flávio, eu tô tão feliz quanto eu era." [46:24] Participante Mas eu já sou feliz, mas eu digo em questão- [46:26] Flávio Augusto Você vai ser tanto quanto [46:26] Participante ...da felicidade financeira, entende? [46:28] Flávio Augusto Não, mas de contentamento. [46:29] Participante Porque aí isso, porque cada um tem um jeito de pensar, e muitas pessoas, elas acabam ficando tristes- [46:34] Flávio Augusto Aham [46:35] Participante ...por conta da falta do, da riqueza ou por conta dessa falta que precisa. Então elas sa-- ficam infelizes por esse motivo. [46:41] Flávio Augusto É, elas ficam, é, chateadas, né? [46:44] Participante É, mas elas não estão felizes. [46:46] Flávio Augusto É, é que a felicidade tá num outro-- a gente tá, tá, tá divergindo na definição da felicidade. [46:50] Participante É porque, como eu disse, a felicidade, ela é subjetiva, não é? [46:53] Flávio Augusto Tudo bem. [46:54] Participante Entende? [46:55] Flávio Augusto Eu vou torcer, eu vou torcer, eu vou torcer que você fique rica e fale assim pra mim: "Flávio, eu estou feliz igual eu era." [47:02] Participante Mas eu já sou feliz, Flávio. É isso que eu tô te falando. [47:05] Flávio Augusto Vai ficar mais feliz ainda. [47:06] Participante Não tem como o dinheiro não trazer felicidade. Ele traz a felicidade, ele completa a felicidade pra algumas outras pessoas. [47:12] Flávio Augusto Te sugiro, te sugiro ganhar bastante dinheiro, depois vim me contar. [47:15] Participante Amém. [47:15] Flávio Augusto Tá bom? O sucesso é uma ciência exata que todo mundo pode aprender. [47:21] Participante [som de algo caindo] Eita! [47:26] Participante Já era. Saí daí. [47:27] Flávio Augusto Minha bunda é mais magrinha. [47:28] Participante Não, perdeu. [47:28] Flávio Augusto Cê vai encampar essa? [47:30] Participante Perdeu. [riso] Oi. [47:32] Flávio Augusto Me lembra seu nome. [47:33] Participante Amanda. [47:33] Flávio Augusto Seja bem-vinda. Vamos falar sobre sucesso. [47:36] Participante Bom, eu sou professora de inglês também. [47:38] Flávio Augusto Uau! [47:38] Participante Eu pago vinte e sete por cento de imposto. E você concorda que todo professor devia ter isenção de imposto de renda também? [47:48] Flávio Augusto Esse é o problema. Tá todo mundo buscando a sua isenção. Concorda? [47:51] Participante Concordo. [47:52] Flávio Augusto É o empresário buscando a sua isenção, é o professor buscando a sua isenção. Eu, sinceramente, acho que ninguém deveria ter isenção, nem o professor e nem o empresário. [48:00] Participante É verdade, deveria ser proporcional, certo? [48:01] Flávio Augusto Porém, isso, porém, duas coisas. A primeira coisa que tem que acontecer, a faixa de isenção hoje tá muito baixa. Então hoje, quem é classe média, média baixa, porque tem esse detalhe, o que que é classe média hoje? [48:12] Participante Pois é, o que é classe média pra quem tem inflação? [48:14] Flávio Augusto Exatamente. O que o IBGE diz que é classe média, ele diz que até oito mil reais é classe média. Eu, sinceramente, se você for ver uma família com dois filhos pagando escola pra filho- [48:22] Participante Pois é [48:24] Flávio Augusto Então a classe média hoje, é, é-- agora, esse cara ainda paga 27,5% na fonte. [48:30] Participante É, e é injusto, né? [48:31] Flávio Augusto Muito injusto. [48:31] Participante A importância da taxação das grandes riquezas, é, não é uma coisa que fizeram num projeto agora. É constitucional. Então, a Constituição devia ser regulamentada e seguida. O problema é que é desigual. [48:44] Flávio Augusto Aham. [48:44] Participante Não é devia-- não deveria existir nenhum bilionário enquanto tem alguém passando fome. Não deveria existir nenhum bilionário enquanto tem alguém correndo o dia inteiro ficando sem salário. É, existem empresas que inclusive os donos são bilionários, que fazem golpes e golpes pra esplorar o, explorar o trabalhador. Então, enquanto tem alguém bilionário, quer dizer que tem alguém explorando a classe trabalhadora. E pode ser: "ah, eu pago muito bom o salário do meu trabalhador, ele dá o sangue pela firma", mas ele ganha cinco mil reais por mês. O que que uma família, hoje em dia, mesmo com um ótimo salário, que é considerado muito bom, de cinco mil reais por mês, pode fazer com dois filhos? Nem estudar no ASAP não consegue. [49:20] Flávio Augusto É verdade, não consegue. Mas vamo, vamo tentar a gente voltar pro tema, que o sucesso é uma ciência exata que todos podem aprender. Acho que esse é o nosso tema desse segundo. Pra não deixar, antes de eu entrar nesse tema, só pra dizer pra você, e eu vou repetir, o dinheiro não é finito. A produção de riqueza, ela não é finita. Como as pessoas acham que ela é finita, isso é um erro, elas acham que se alguém ganha muito, alguém vai ter que ganhar pouco. Então não existe essa correlação entre ganhar pouco pela razão de que alguém ganha muito. [49:50] Participante Mas essa é a questão. [49:51] Flávio Augusto Só pra gente corrigir. [49:52] Participante Mas essa é a questão principal. O sucesso, todo mundo pode alcançar. Mas tem a questão da desigualdade social. Nem todo mundo sai do mesmo parâmetro, né? [50:01] Flávio Augusto De forma alguma. [50:02] Participante Eu sei que você- [50:02] Flávio Augusto Eu, por exemplo, saí de baixo [50:04] Participante ...que você, é, saiu de baixo, que você também fez a sua escola de inglês, que fez ela crescer. [50:09] Flávio Augusto Sim, sim, sim. [50:09] Participante Mas você precisou de professores pra fazer isso acontecer, você precisou de pessoas pra comprar o seu curso pra fazer isso acontecer, você precisou de pessoas, é, que acreditavam no seu curso pra fazer isso acontecer, e você também precisou do capital estrangeiro vim aqui e comprar a sua escola pra assim você se tornar um bilionário. Então- [50:25] Flávio Augusto Foi capital nacional. [50:26] Participante Foi nacional? Ai, que bom, pensei que tinha sido estrangeiro. [50:28] Flávio Augusto Isso. [50:29] Participante Mas nesse sentido, o sucesso não é igual pra todo mundo, porque não é todo mundo que tem o ponto de partida, as pessoas não têm acesso à universidade. [50:37] Flávio Augusto Verdade, verdade. [50:37] Participante Eu sou professora de inglês numa escola pública. [50:39] Flávio Augusto Uhum. [50:39] Participante E quando eu entrei lá, eu acreditei que as pessoas queriam estudar inglês e que todo mundo ia querer estudar inglês pra todo mundo de boa. Mas a verdade é que elas nem querem estudar. Elas tão no sentido de seguir: "ah, eu vou ficar rica". Porque o sucesso é algo imaginário. O sucesso, o que que é o sucesso, né? [50:56] Flávio Augusto Então, eu pergunto pra você. [50:57] Participante É relativo. [50:57] Flávio Augusto O que que, o que que é o sucesso pra você? [50:59] Participante O sucesso é você ter tempo, é você se alimentar bem, é você não passar fome, é você ver sua família feliz, é você poder fazer uma prestação de uma viagem, visitar os seus parentes, né? Poder ter descanso pra fazer uma academia, pra comer o seu lanche, pra ir no restaurante maneiro. Isso é sucesso. [51:14] Flávio Augusto E tudo isso você vai precisar de quê, pra fazer tudo isso? Vai precisar de dinheiro, concorda comigo? [51:17] Participante E tempo. [51:18] Flávio Augusto Dinheiro e tempo, concorda comigo? [51:19] Participante Dinheiro e tempo. [51:20] Flávio Augusto Dinheiro e tempo. Então, o que eu coloco aqui, que o sucesso é uma ciência exata, que todos podem aprender, independentemente da origem. Porque, por exemplo, eu tenho lugar de fala pra poder falar sobre o que é ser periférico, sobre o que é andar de ônibus cheio, sobre o que é andar de trem cheio, não é? Eu, eu sou, sempre estudei em escola pública, então eu sou uma pessoa que vem de baixo, que passou perrengue dentro de um ônibus lotado, imagino que você já deva ter pegado um ônibus lotado, é uma coisa realmente que é um grande perrengue. Eu gastava cinco horas por dia dentro de um transporte público. Então, eu que venho desse lugar, me lembra teu nome? [51:54] Participante Amanda. [51:54] Flávio Augusto Amanda, desculpa, Amanda. Então, eu que venho desse lugar, Amanda, tenho propriedade pra dizer que é possível aprender a sair dessa situação e entrar numa situação melhor. E eu te explico como, tá? Hoje, no Brasil, a mobilidade social, ela funciona da seguinte forma: uma pessoa pra sair da pobreza até a classe média, em média, no Brasil, leva nove gerações. É um absurdo, concorda? [52:18] Participante É um absurdo. [52:19] Flávio Augusto É um absurdo. Leva nove gerações. Então, eu tô falando que eu saí deste lugar ao lugar que eu estou- [52:24] Participante Numa única geração [52:24] Flávio Augusto ...numa única geração, em poucos anos. [52:27] Participante Mas isso não foi algo fora da curva? [52:29] Flávio Augusto Claro que foi. O sucesso- [52:30] Participante Não é todo mundo que vai conseguir? [52:32] Flávio Augusto Não, mas não é isso que eu estou falando pra você. [52:33] Participante E não é questão de acreditar. [52:34] Flávio Augusto Não, não, não, não. [52:35] Participante Não é um papo de coach, dizendo assim: "olha- [52:37] Flávio Augusto Balela isso aí [52:37] Participante ...você acredita, porque se eu consegui, você vai conseguir também". [52:40] Flávio Augusto Não, isso é balela, isso é balela. [52:41] Participante Não é sobre isso. [52:42] Flávio Augusto Não, não. [52:42] Participante Porque uma pessoa que pega o ônibus lotado e tem du-- três horas de viagem, ela vai chegar cansada em casa, às vezes ela vai fazer academia. [52:48] Flávio Augusto Como é que você acha que eu chegava? [52:49] Participante Vai assistir uma novela. [52:50] Flávio Augusto Eu, eu não fazia academia? [52:51] Participante E ela não, não vai pensar no amanhã, às vezes, de: "ah, eu vou ficar milionário". [52:55] Flávio Augusto Não. [52:55] Participante "Ou vou ficar bilionário, ou vou ganhar mais dinheiro". Às vezes, é só um sonho, ela ficar lá ó, rodando a internet e vendo um vídeo. [53:01] Flávio Augusto Isso. [53:01] Participante E ela vai conseguir discutir? Ela vai ter essa criticidade de conseguir- [53:05] Flávio Augusto Então, Amanda [53:05] Participante ...seguir um foco diferente, de seguir esse sucesso esperado? [53:08] Flávio Augusto O que você, o que você está falando é ótimo. O que você está falando é ótimo. O ponto aqui é o seguinte: nem todo mundo vai virar bilionário. Alguns vão virar milionários. [53:18] Participante E é por isso que os bilionários não deveriam existir. [53:20] Flávio Augusto Esse já é um outro tema. A gente pode falar sobre ele também, mas é só pra gente falar sobre o sucesso aqui. [53:24] Participante Sim. [53:25] Flávio Augusto Que é o nosso tema aqui agora, não é? [53:26] Participante Mas bilionário é uma coisa de sucesso, não é? Não tem a ver com sucesso falar que os bilionários não deveriam existir? Porque às vezes ser bilionário não é questão de sucesso. Você conhece outros bilionários e sabe que você deve ser o único entre eles que não tem herança, que os pais não vieram da ca-- das... [53:41] Flávio Augusto É, muitos, muitos começaram- [53:42] Participante Donos de terra ou donos de escravos. [53:45] Flávio Augusto Pouquíssimos, olha só, pouquíssimos- [53:47] Participante Pouquíssimos [53:47] Flávio Augusto ...são como eu, que começou da periferia, mas muitos começaram do zero. Mas o que eu quero dizer pra você, só pra fechar essa pergunta, que acho que é muito importante, Amanda, você é uma guerreira, professora de inglês. [53:56] Participante Pois é. [53:57] Flávio Augusto Atua na área que eu gosto, que é inglês, ensino da língua inglesa, não é? O que eu queria dizer pra você é o seguinte: é possível todo mundo melhorar de vida. Todo mundo. Ninguém vai-- nem todo mundo vai ser bilionário. Raríssimas pessoas vão ser bilionárias. Alguns vão ser milionários, mas todos podem melhorar de vida. Você quer ver um exemplo? [54:13] Participante Sim, através do estudo elas conseguem melhorar de vida. [54:15] Flávio Augusto Exatamente, esse é um exemplo. [54:16] Participante Através do trabalho, elas conseguem melhorar de vida, mas elas não mudam da- [54:19] Flávio Augusto O fato de cê falar inglês [54:20] Participante ...como fomos expulsos. [riso] [54:22] Flávio Augusto Acabou o tempo. [54:23] Participante Obrigada, viu? [54:23] Flávio Augusto Valeu, Amanda. Beijo. [54:25] Participante É "nice". [54:27] Flávio Augusto [som de cadeira sendo arrastada] Você vai ficar de novo aqui, feio? [54:32] Participante Quem que tá? [54:32] Flávio Augusto Deixa eu, vou dar uma contracada. De verdade, de verdade mesmo. [54:35] Participante É, meu nome é Luiz Felipe, sou geógrafo, sou professor, e hoje vim conversar sobre a profunda desigualdade que existe no Brasil e no mundo, e a importância de rever políticas de tributação pra uma espécie de equiparação ou redução das desigualdades e das injustiças diante da existência de três mil bilionários no planeta hoje em dia. Boa tarde. Meu caro, o seguinte: é, falando da questão do sucesso e voltando um pouco ao debate moral- [54:58] Flávio Augusto Ótimo! [54:58] Participante ...eu só queria lembrar uma coisa que os bilionários e empresários eventualmente esquecem, que é como os poderes no Brasil não tão divididos entre políticos e empresários. No Brasil, a maioria dos políticos são empresários, a maioria dos empresários são políticos, e curiosamente, eles são brancos, são pessoas que não começaram do nada, talvez você seja uma exceção. [55:18] Flávio Augusto Sou, sou uma exceção. [55:19] Participante E são pessoas que usam as políticas públicas pra se enriquecer. [55:22] Flávio Augusto Nunca, nunca faturei um centavo de dinheiro público. [55:25] Participante A maioria. [55:25] Flávio Augusto Isso. [55:25] Participante Que bom se você for uma exceção. [55:27] Flávio Augusto Exatamente. [55:27] Participante Mas a gente vê- [55:28] Flávio Augusto Não, eu sou. Eu sou [55:29] Participante ...senadores usando a Constituição pra se favorecer e concentrar um capital, que a colega tava falando, de cerca de, só no Brasil, né, é, dois trilhões de reais, isso em patrimônio, 10% disso pagaria duas, três vezes o Bolsa Família. E pior, acho que concentra uma responsabilidade de tomar decisões, que é muito poderosa, e que vai limitar, por exemplo, a valorização de um professor, de uma enfermeira, de um bombeiro, de um policial. [55:55] Flávio Augusto Não limita, não limita. [55:56] Participante Limita, porque eu nunca vi ninguém ficar bilionário sendo professor, policial- [55:58] Flávio Augusto Não, mas não vai ser [55:59] Participante ...bombeiro- [56:00] Flávio Augusto Não, não vai ser [56:00] Participante ...ou uma pessoa que limpa a casa de alguém, ou que é uma pedagoga. [56:03] Flávio Augusto Desculpa te interromper, é só pra gente não deixar conceitos, é, assim, equivocados na, no ar, né. Hã, eu concordo com você, com párcia, com parte do que você está dizendo, mas não existe correlação à riqueza de alguém com a pobreza de outra pessoa. [56:16] Participante Existe. [56:17] Flávio Augusto Não, não existe. [56:18] Participante Existe porque a exploração do capital, da forma como você pensa, poderia um dia deixar todo mundo milionário. Isso gera inflação. A gente vê, por exemplo, hoje, uma bolha de bitcoins que não tem serventia absolutamente alguma pra humanidade, porque não gera emprego. [56:31] Flávio Augusto Uhum. [56:31] Participante Mas que tá lá produzindo uma concentração de riqueza brutal, quando esse dinheiro podia tá sendo distribuído pagando salários, no mínimo, mais justos pra população que trabalha. [56:39] Flávio Augusto Como é que seria essa distribuição desse dinheiro? [56:41] Participante O salário mínimo, por exemplo, cinco vezes maior do que é o atual. A gente viu que a reforma trabalhista do Temer, depois do golpe, precarizou muito a vida dos trabalhadores. [56:49] Flávio Augusto E o que que você acha que aconteceria se o salário mínimo, que eu adoraria que fosse cinco vezes maior, mas do pon-- como o Brasil é estruturado hoje, o que que você acha que aconteceria se o salário mínimo, hoje, a gente fizesse assim, ó, [estalo de dedos] e ele fosse cinco vezes maior? [57:03] Participante Cê teria que tirar esse dinheiro de algum lugar, é a conta que o Congresso tá tentando fazer. [57:06] Flávio Augusto Não, mas não, mas- [57:06] Participante A questão é que quem tá lá dentro- [57:08] Flávio Augusto Mas não é factível, é [57:08] Participante ...que é menos de 1%-- não é factível porque quem decide as leis não quer pagar mais imposto, porque são milionários, são multimilionários. [57:15] Flávio Augusto Mas eu topo pagar mais imposto. [57:17] Participante Mas então convence os seus colegas ali que fazem lobby no Congresso a pagar mais também. [57:21] Flávio Augusto Não, eu topo pagar mais imposto. [57:22] Participante Se a gente conseguisse que esses 1% pagassem mais imposto, não é os 5% da Gleisi, é 20, 30. [57:28] Flávio Augusto Sabe o que que precisa acontecer? Como é teu nome mesmo? [57:28] Participante Luiz. [57:29] Flávio Augusto Desculpa, Luiz. Sabe o que que precisa acontecer? [57:31] Participante Sei. [57:31] Flávio Augusto É pegar uma planilha e fazer essa conta. [57:34] Participante Pois é, mas ela é feita. [57:36] Flávio Augusto Não, mas eu vou te dar um exemplo. O, o, o projeto da Gleisi, que você tá falando, tá mencionando agora- [57:40] Participante Que é, é superconservador [57:41] Flávio Augusto ...mas beleza. Esse projeto dá vinte bilhões. Vinte bilhões é dois dias de arrecadação. [57:45] Participante Vamos tributar mais. [57:46] Flávio Augusto Mas o que que você acha que acontece? Então vamo lá, o que que você acha que acontece se a gente tributa bem mais do jeito que cê tá falando? [57:55] Participante Os ricos têm que pagar conta. Cê acha que os investidores do agronegócio vão mudar pra Zurique pra plantar soja lá na Suíça? [58:00] Flávio Augusto Você sabe quanto, quantos dos 10 brasileiros mais ricos têm residência fiscal no Brasil? [58:06] Participante Ensina. [58:07] Flávio Augusto Não, não sabe esse número? Dá um chute. Dos 10, 10 mais ricos do Brasil. [58:12] Participante Que sejam os 10 morando fora. [58:13] Flávio Augusto Então, são nove. [58:15] Participante Tudo bem, mas- [58:15] Flávio Augusto Apenas um está, tem residência fiscal no Brasil. Cê sabe quantas, é, famílias milionárias- [58:23] Participante Deixa eu só te interromper [58:24] Flávio Augusto ...não, só, só pra concluir o raciocínio. Eu, eu vou- [58:26] Participante Pois não [58:26] Flávio Augusto ...depois devolvo pra você. [58:27] Participante Perfeito. [58:27] Flávio Augusto Tá tranquilo, tá? É, e, e vai ser rápido. Sabe quantas famílias milionárias saíram do Brasil no ano passado? [58:34] Participante Hum. [58:35] Flávio Augusto Oitocentas. [58:36] Participante O país não parou, diga-se de passagem. [58:38] Flávio Augusto Não, mas não vai parar. [58:38] Participante Os ônibus continuam cheios. [58:39] Flávio Augusto Mas e o que que acontece- [58:40] Participante E as fábricas continuam produzindo [58:41] Flávio Augusto ...mas o que acontece quando oitocentos milionários saem do país? [58:44] Participante Tem menos evasão fiscal de quem sonega. [58:47] Flávio Augusto Não, mas aí você tá generalizando. [58:48] Participante Sim. [58:49] Flávio Augusto Não, não generaliza. [58:49] Participante Estatisticamente, não é isso. [58:50] Flávio Augusto Não, não generaliza. Eu não sonego imposto. [58:52] Participante Eu acredito em você. [58:54] Flávio Augusto Isso, mas não, mas é que- [58:54] Participante Não é particular a discussão, por favor, entenda [58:56] Flávio Augusto ...é, mas, mas eu sei, mas quando, quando a gente generaliza o assunto, a nossa conversa não fica muito inteligente. [59:00] Participante Mas não é o Luiz e o Flávio, é um trabalhador e um bilionário. [59:03] Flávio Augusto Não, não, não [59:03] Participante Eu preciso generalizar. [59:04] Flávio Augusto Não, não. Quando você generaliza, você, você erra. Então nosso, nosso- [59:08] Participante Não necessariamente. [59:10] Flávio Augusto Toda generalização- [59:11] Participante A OMC e a OCDE têm um projeto, por exemplo, que tá tramitando em escala global pra fazer essa tributação globalmente. [59:17] Flávio Augusto Uhum. [59:18] Participante Assim, o evasor de divisa que tá no Brasil e muda pra outro país, vai ter que pagar lá também. [59:21] Flávio Augusto Mas quem muda pra um outro país não é evasor de divisas. [59:24] Participante Eventualmente, ele tá saindo daqui pra não pagar imposto. [59:27] Flávio Augusto Não, ele vai pagar imposto em outro lugar. [59:29] Participante Por isso chamam paraísos fiscais, né, os lugares onde esse dinheiro fica escondido. [59:31] Flávio Augusto Não, não necessariamente, não necessariamente. Estados Unidos não é um paraíso fiscal. E é, e é o principal destino do brasileiro é o Estados Unidos e ele não é paraíso fiscal. [59:38] Participante Será que lá eles tão aumentando a fortuna, mesmo com a política agressiva do Trump? [59:41] Flávio Augusto Tão. Eles tão, eles tão aumentando a sua fortuna e- [59:43] Participante E a pobreza lá tá crescendo junto? [59:45] Flávio Augusto E vou te-- mas isso é um outro tema. [59:47] Participante Não é. [59:47] Flávio Augusto Vamo, vamo concentrar no nosso. [59:48] Participante É uma questão de causa e consequência. [59:49] Flávio Augusto Não, não, vamo concentrar no nosso. [59:50] Participante Lá eles se esforçam menos que no Brasil? [59:52] Flávio Augusto Vamo lá. Não, lá eles trabalham. Lá eles trabalham. O ponto- [59:54] Participante E quem trabalha? Os, os mexicanos, os latinos, a população pobre ou os milionários? [59:58] Flávio Augusto Não, todos, todo mundo trabalha. Eu trabalho 12 horas por dia. [1:00:01] Participante Eu acredito, mas a sua recompensa é do personal de um entregador de aplicativo? [1:00:05] Flávio Augusto É que você tá abrindo muitas janelas, Luiz. [1:00:07] Participante Perfeito, porque a discussão moral é essa, o esforço de produzir- [1:00:09] Flávio Augusto Não, não, a discussão moral, não, negativo [1:00:11] Participante ...há uma recompensa justa. [1:00:13] Flávio Augusto Não, não. [1:00:13] Participante Uma pessoa que trabalha de maneira honesta dentro daquilo que ela pode fazer, é um trabalho justo. Por que esse trabalho não é remunerado à altura? Porque eventualmente você vai ter que cobrar mais imposto de um milionário pra pagar mais uma pessoa que faz serviço doméstico? [1:00:27] Flávio Augusto Luiz- [1:00:27] Participante Se a lei criar parâmetros pra isso- [1:00:30] Flávio Augusto Vamo, vamo focar senão a gente- [1:00:31] Participante A pessoa vai ter que fazer dessa maneira. [1:00:32] Flávio Augusto Vamo focar porque a gente tá falando coisas aleatórias, tá? Vamo, vamo, vamo, vamo focar aqui. A gente tá falando aqui sobre as famílias, as oitocentas famílias que saíram do Brasil no ano passado. O que acontece quando uma família milionária sai do Brasil? Ela para de empregar, ela para de aplicar o capital dela naquele país e passa a trabalhar, a produzir e aplicar o capital dela no outro país. [1:00:54] Participante No capitalismo financeiro, o investimento não produz renda. Veja o caso das criptomoedas, por exemplo, não gera emprego nenhum. [1:00:59] Flávio Augusto Não, não, mas eu não, eu não tô falando do, eu não tô falando da criptomoeda. [1:01:02] Participante Os milionários investidores que não tão abrindo fábrica no Brasil, o país tá se desindustrializando, cê sabe melhor que eu. E com essa plataformização- [1:01:08] Flávio Augusto Por que você acha que tá desin-desindustrializando? [1:01:10] Participante Porque a gente começou a comprar de empresa de capital estrangeiro e baratear a mão de obra que é explorada e escravizada no Sudeste Asiático, onde novos bilionários estão surgindo. [1:01:19] Flávio Augusto Exatamente. [1:01:19] Participante Não por acaso. [1:01:20] Flávio Augusto Sim, mas falando [riso]Você abre muita janela, Luiz. [1:01:23] Participante Mas é porque eu tô tendo uma visão que é global [1:01:25] Flávio Augusto Eu entendo a sua visão global. [1:01:26] Participante Perfeito. [1:01:26] Flávio Augusto Mas o que eu quero dizer pra você, qual, qual é o nosso tópico aqui? Que o sucesso é uma ciência exata que todos podem aprender. [1:01:32] Participante Não é. [1:01:32] Flávio Augusto Não, esse aqui é o nosso, esse é o nosso tópico. [1:01:33] Participante Perfeito, tô, tô te desmentindo isso. [1:01:35] Flávio Augusto Então argumenta, não é por quê? [1:01:36] Participante Não é, porque a pessoa que trabalha, se esforça, é honesta, aprende isso desde cedo- [1:01:41] Flávio Augusto Uhum. [1:01:41] Participante Ela não vai ficar necessariamente rica. A não ser que cê me diga que entrar pra uma carreira de estelionato seja uma forma de aprender a ficar rico, talvez a gente consiga- [1:01:51] Flávio Augusto Uhum. [1:01:52] Participante Concordar. Mas ensinar alguém sucesso, tenho certeza que todo mundo que tá aqui tem pais, mães, familiares, que desde cedo ensinam o caminho das pedras, que basicamente é ser honesto, estudar, fazer bem, ter disciplina, não ferrar ninguém. [1:02:04] Flávio Augusto Uhum. [1:02:04] Participante Essas pessoas não tão ficando milionárias. [1:02:05] Flávio Augusto Não é só esse o caminho das pedras. [1:02:07] Participante Então, mas aí é que entra a questão do privilégio. [1:02:10] Flávio Augusto Então, se, se eu posso, eu posso- [1:02:12] Participante Não é? De herança, de cor de pele, de gênero, de nacionalidade. [1:02:14] Flávio Augusto Legal, eu posso dividir o meu conhecimento com você aqui. [1:02:17] Participante Perfeito. [1:02:17] Flávio Augusto Gostaria? [1:02:18] Participante Cê acha que cê vai me ensinar a ser milionário? [1:02:20] Flávio Augusto Olha, eu posso te ensinar a ser milionário. Eu não sei se realmente você vai conseguir atingir esse resultado. Eu não posso te garantir isso. [1:02:26] Participante Não é vendendo curso, nem fazendo pirâmide. [1:02:29] Flávio Augusto Pirâmide, não, mas. Pirâmide, não. [1:02:30] Participante Perfeito. [1:02:31] Flávio Augusto Mas vendendo curso é uma po, é uma possibilidade. [1:02:33] Participante Então, mas será? [1:02:34] Flávio Augusto Eu vendo, eu vendo, por exemplo, curso de inglês há trinta anos. [1:02:37] Participante Muito bom, mas não foi isso que te deixou rico, eventualmente. [1:02:39] Flávio Augusto Foi. [1:02:40] Participante Não foi vender pra uma empresa marketing, uma projeção de capacidade populativa. [1:02:43] Flávio Augusto Não, eu já tinha mais de oitenta milhões de lucro por ano quando eu vendi pra essa empresa. [1:02:46] Participante E por que que as outras pessoas que vendem curso assim não tão ricas? Elas são incompetentes? [1:02:49] Flávio Augusto É uma, é uma questão de performance. É uma questão de performance. [1:02:52] Participante Então trezentas pessoas são competentes e cento e cinquenta milhões de brasileiros não. [1:02:58] Flávio Augusto Eventualmente, eu vou te dizer que- [1:02:59] Participante Cês ouviram. [1:03:00] Flávio Augusto Não. [1:03:00] Participante A gente... [risos] [1:03:02] Flávio Augusto Eventualmente- [1:03:02] Participante A gente é incompetente ou preguiçoso. [1:03:04] Flávio Augusto Eu posso, posso terminar de, posso terminar de falar? [1:03:06] Participante Por favor. [1:03:06] Flávio Augusto Eventualmente, uma pessoa precisa aprender. Você faz o quê, por exemplo? [1:03:10] Participante Eu sou professor. [1:03:11] Flávio Augusto Você, você é professor de quê? [1:03:12] Participante Sim, de Geografia. [1:03:13] Flávio Augusto Você é professor de Geografia. Eu não conheço nenhum professor de Geografia que ficou rico. [1:03:17] Participante Nem eu. [1:03:17] Flávio Augusto Mas eu conheço- [1:03:18] Participante Nem um bombeiro, nem uma enfermeira. [1:03:18] Flávio Augusto Mas eu conheço professor de inglês que ficou rico. [1:03:21] Participante Hum. [1:03:22] Flávio Augusto Eu conheço professor, professor, conheço professor de Biologia que ficou rico. [1:03:27] Participante Dando aula? [1:03:28] Flávio Augusto Dando aula, inclusive é meu sócio, inclusive hoje, não é? Ele é professor de Biologia, não é? Obviamente, criou uma plataforma agora de preparação pra Enem, é uma das coisas que ele trabalha. [1:03:37] Participante Plataformização da educação, é o que tá baixando o nosso valor de hora aula. Aqui o colega, né? [1:03:43] Flávio Augusto Muito bom. [aplausos] [1:03:45] Participante Obrigado pela honestidade. [1:03:53] Flávio Augusto Quem deposita sua esperança no Estado termina sua vida pobre e frustrado. [1:03:59] Participante Voltei. Você tinha falado no primeiro tema sobre quem vai, é, é arbitrar sobre o que que é moral e imoral em relação à quantidade de dinheiro que uma pessoa acumula ou não, certo? Então você acha que a dificuldade é encontrar quem vai arbitrar, quem vai dizer o que é moral ou imoral. E a minha esperança é que o Estado, diferente de uma empresa privada- [1:04:19] Flávio Augusto Perfeito. [1:04:20] Participante Ele teoricamente é do povo. Ele teoricamente... [1:04:24] Flávio Augusto Cê acredita nisso que cê tá falando? [1:04:26] Participante Então, eu acho que ele tá em disputa. A sua empresa não é do povo. A sua empresa é sua, dos seus acionistas, o Estado é. A questão é- [1:04:32] Flávio Augusto Mas você acredita mesmo no que cê tá falando? [1:04:33] Participante A minha esperança não tá no Estado. A minha esperança tá na nossa organização enquanto sociedade, enquanto classe trabalhadora, pra que a gente consiga, através do Estado, trazer essa arbitra-- é, é, arbitrar sobre o que é moral e imoral em relação à grana. [1:04:46] Flávio Augusto Legal, Juliano. Essa é a sua esperança. E a minha frase é justamente essa, que quem tem essa esperança termina pobre e frustrado. [1:04:54] Participante Mas então, é- [1:04:55] Flávio Augusto Eu vou dizer um negócio pra você, Juliano, do fundo do meu coração. O que a gente mai-- eu tenho cinquenta e três anos, cara. O que a gente mais vê é corrupção, é desvio de dinheiro, é sacanagem acontecendo em tudo quanto é lugar. Entra governo, sai governo, entra orientação ideológica prum lado ou pro outro. A gente vê- [1:05:17] Participante Eu só vou falar rapidinho porque eu posso ser demitido e você não. É, e antes que eu seja- [1:05:21] Flávio Augusto Não, mas eu preciso falar, eu preciso- [1:05:23] Participante Então, mas aí só pra, pra trazer mais argumento, é cê, aí, cê pode, é... [1:05:27] Flávio Augusto Pode falar. [1:05:28] Participante É, a gente tá aqui nessa dinâmica e eu, eu, eu venci essa corrida pra chegar aqui e ter esse tempo pra falar com você, certo? [1:05:34] Flávio Augusto Perfeito. É um prazer falar contigo. [1:05:36] Participante Sim, tá sendo bem agradável. Porém, eu tô, tô preocupado com os meus colegas que querem falar também, e eu quero que eles, eu quero ouvir eles assim. [1:05:42] Flávio Augusto Eles, eles vão ter tempo. [1:05:43] Participante Então a gente socialmente se organiza. [1:05:45] Flávio Augusto Que bom. [1:05:45] Participante Você falou agora há pouco que você é feliz. [1:05:47] Flávio Augusto Então, eu acho- [1:05:48] Participante Você consegue ser plenamente feliz- [1:05:49] Flávio Augusto Eu penso- [1:05:50] Participante Sabendo que a gente tá vivendo uma, uma situação de desigualdade com pobreza? [1:05:53] Flávio Augusto Sou, sou, porque eu não tenho, a gente precisa entender o que é a responsabilidade individual de cada um de nós. Eu não posso carregar a culpa, como você fala. [1:06:03] Participante Não é culpa. [1:06:03] Flávio Augusto Das mazelas da huma, da humanidade. [1:06:05] Participante Eu não duvido que você seja compassivo, mas nesse ponto- [1:06:06] Flávio Augusto Mas é o que eu tô te falando. Eu não posso carregar o peso das mazelas da humanidade. O papel, eu não sou governo, eu sou empresário. Então eu penso, meu querido, que cada indivíduo deve achar o seu caminho e não contar com u-uma entidade chamada Estado. [1:06:23] Participante Mas a gente sabe que os cami, as corridas começam em pontos diferentes. [1:06:27] Flávio Augusto Eu conheço muito bem, eu comecei, eu comecei bem atrás. [1:06:29] Participante Você sabe, você sabe. [1:06:30] Flávio Augusto Comecei. [1:06:30] Participante Não se esqueça disso. [1:06:30] Flávio Augusto Eu comecei. Não, nunca me esqueço disso. [1:06:32] Participante Claro que não. [1:06:32] Flávio Augusto Ó, eu comecei, Juliano, deixa eu falar, Juliano. Ó, eu comecei, eu comecei, Juliano, querido, cinco horas dentro do ônibus, cara. Eu sei o que que é isso. Eu, eu sei o que que é chegar em casa meia-noite pra acordar às cinco horas da manhã no outro dia. Eu sei o que que é isso. [1:06:46] Participante E você sabe que você sozinho não consegue resolver o problema que você falou isso pra mim na primeira rodada. [1:06:50] Flávio Augusto Mas, mas não foi o Estado que resolveu o meu problema. [1:06:52] Participante Não, ele não resolveu, mas você resolveu o seu problema. [1:06:54] Flávio Augusto Ó, e eu vou te dizer mais, o Estado é o maior criador de desigualdade social do país. Quando a ti, ó, quando o Estado- [1:07:01] Participante Mas o Estado é um ente em disputa. [1:07:02] Flávio Augusto Tudo bem, mas quando o ente- [1:07:04] Participante Ele, ele tá na mão de quem causa os problemas. Eu, se eu, se eu tivesse acesso ao Estado, eu taria trabalhando por soluções. [1:07:08] Flávio Augusto Olha, mas quem traz a solução é o empreendedor. [1:07:12] Participante Não só. [1:07:13] Flávio Augusto Opa! [1:07:16] Participante Valeu, obrigado. [riso] [1:07:18] Flávio Augusto Deve ser tua última vez, então foi um prazer, tá? [1:07:19] Participante Prazer por tudo. [1:07:20] Flávio Augusto Tudo de bom, cara.[som de notificação] Rapá, tu é fortão, hein, cara? Então cê, é difícil disputar contigo aí, hein? [1:07:29] Participante Foi muito pertinente essa, esse tema agora, porque é o seguinte: eu terminei a fala justamente falando e fazendo a seguinte pergunta: quem é o responsável pela corrupção no Brasil? Os políticos ou os empresários milionários? [1:07:45] Flávio Augusto Não, não, é ruim generalizar. Você, se você disser, olha aqui ó, se você disser que são os, os políticos ou se você disser que são os empresários, você vai tá generalizando. Eu prefiro, note bem, eu prefiro dizer pra você que a raiz de todos esses problemas se encontra dentro do Estado. E aí, no, o Estado, você vai incluir os agentes do Estado, sejam eles agentes públicos, sejam eles os políticos ou sejam eles aqueles empresários que se instalam dentro do Estado. [1:08:15] Participante Vou reformular minha pergunta. [1:08:15] Flávio Augusto Cê tá ouvindo o que eu tô falando? [1:08:16] Participante Não, estou ouvindo, mas eu vou reformular. [1:08:18] Flávio Augusto Ó, tem empresários que se instalam dentro do Estado e eles funcionam como se fosse parte, como um parasita dentro desse organismo, entendeu? [1:08:25] Participante Então é isso que, é porque aí- [1:08:25] Flávio Augusto Mas, mas toma cuidado pra não generalizar. [1:08:27] Participante Não estou generalizando, porque assim, eu tenho certeza que um empresário- [1:08:30] Flávio Augusto Que isso não é empresários. [1:08:30] Participante Isso não, não estou generalizando, porque assim, um empresário com o seu perfil não é o que eu queria enfrentar aqui hoje. Desculpa. [1:08:38] Flávio Augusto Eu entendo. [1:08:38] Participante Tá? [1:08:38] Flávio Augusto Cê, cê veio com sede, sede e fome de outra coisa, né? [1:08:41] Participante Eu queria enfrentar um outro tipo de empresário. [1:08:42] Flávio Augusto Eu entendo. [1:08:42] Participante Porque é o seguinte: existe uma corrupção- [1:08:46] Flávio Augusto Eles te demitiram, amigo. Desculpas. [som de notificação] Aí, sim. [1:08:52] Participante Voltei. [1:08:52] Flávio Augusto De volta. [1:08:53] Participante Rapidinho. [1:08:54] Flávio Augusto Me lembra teu nome, desculpa. [1:08:55] Participante Gabi. [1:08:56] Flávio Augusto Gabi. [1:08:56] Participante É, eu queria entender então, se pra você essa, o Estado não faria o seu trabalho, qual é a sua solução prática pra gente conseguir resolver a desigualdade social? [1:09:09] Flávio Augusto A, a desigualdade não vai ser resolvida nunca. Ela, ela, a, a, a- [1:09:14] Participante Mas tem países que a gente tem menos desigualdade social que o outro. [1:09:17] Flávio Augusto Não, mas sempre vai existir. A desig- a desigualdade, ela sempre vai existir. [1:09:20] Participante E se a gente falar sobre miséria? [1:09:22] Flávio Augusto Isso é terrível, a gente tem que acabar com isso. É um absurdo, é um absurdo. [1:09:25] Participante Então qual é o seu, qual é o, o que o senhor vai me dizer? [1:09:26] Flávio Augusto Ó, sobre miséria, sobre miséria, eu vou dizer pra você que no início do século vinte, nós tínhamos cerca de sessenta e cinco por cento da população passando fome. Cinquenta anos atrás, cerca de trinta e cinco por cento da população passava fome. Hoje, nós estamos em nove por cento da população que tem desafios alimentares. Ainda é um absurdo. Se você pensa: "Mas como, por exemplo, existe fome no mundo ainda, se a gente produz tanta, tanta comida?" [1:09:52] Participante Exatamente. [1:09:53] Flávio Augusto A tecnologia avançou, a gente pode produzir. Porque uma coisa- [1:09:55] Participante É que a gente tá fazendo as coisas errado. [1:09:56] Flávio Augusto Mas cê sabe o que que é o mais caro? Não é produzir a comida, é fazer ela chegar. Cê pode ver que os lugares onde tem mais fome, são os lugares- [1:10:05] Participante Que produzem mais internamente. [1:10:06] Flávio Augusto Não necessariamente, não, ao contrário. [1:10:08] Participante A gente produz muita, a gente produz muito internamente. [1:10:08] Flávio Augusto Não, mas o Brasil, mas o, mas o Brasil- [1:10:11] Participante Mas a gente tem um índice de, de fome grande ainda. [1:10:13] Flávio Augusto Não, é baixo no mundo. Não, o índice de fome- [1:10:15] Participante Agora a gente saiu duma plataforma de novo, né? [1:10:17] Flávio Augusto Isso. [1:10:17] Participante Mas a gente tinha entrado, né, no governo passado. [1:10:19] Flávio Augusto Não, é que esses números são tão fantasiosos que, Gabi, eu vou dizer um negócio. [1:10:23] Participante Ah, são dados. [1:10:24] Flávio Augusto Eu sei, mas são dados, são dados, é, se a gente entrar nisso aqui, a gente vai gastar o nosso tempo falando disso. Eu queria dizer pra você o seguinte: que não basta produzir a comida, você tem que fazer ela chegar. Então, às vezes, é, em lugares onde você tem grandes ditaduras ou de grande, é, lugar de corrupção, a comida não chega. Eu vou dar exemplo pra você. Quando teve aquela tragédia no Rio Grande do Sul, os empresários, inclusive eu participei desse, desse movimento na época, a gente mandou um monte de doação. A maioria foi de-- não vou, não vou dizer que a maioria, mas muito da doação que chegou foi desviada quando chegou lá. [1:10:55] Participante Porque a gente tem um sistema corrupto. [1:10:57] Flávio Augusto Ela não chega. Claro. [1:10:58] Participante Sim. [1:10:58] Flávio Augusto Claro, ela não chega. Cê sabe qual é a conclusão? [1:11:00] Participante O capitalismo é corrupto. [1:11:01] Flávio Augusto Não, não é o capitalismo, é o ser humano, é o ser humano. [1:11:04] Participante Também, porque o capitalismo ele contribui pro sistema ser corrupto. O sistema é corrupto por conta do ser humano, enfim, é essa dualidade. [1:11:10] Flávio Augusto O capitalismo, claro, Gabi, ó, o capitalismo é um jogo de incentivos. Então, por exemplo, uma pessoa, ela é incentivada a investir o dinheiro dela pra ganhar o lucro, pra ganhar um dinheiro em troca. Esse jogo de incentivos não é perfeito, tem um monte de problema, mas se não fosse esse jogo de incentivos, eu não teria saído da pobreza. [1:11:26] Participante Tudo bem, mas eu queria saber- [1:11:27] Flávio Augusto Gabi, só ouve pouquinho, só ouve pouquinho. [1:11:29] Participante Tá, pode falar. [1:11:30] Flávio Augusto Só, só pra você entrar na minha sintonia, não é? Por que que, por exemplo, do, do início do século vinte até hoje, a renda per capita média aumentou sete vezes? Por qual motivo? Por qual razão? Porque nós temos um, o modelo, o modelo capitalista, com todos os seus problemas, ele multiplicou por sete a quantidade de riqueza existido, existente no mundo. [1:11:51] Participante Sim, mas a gente continua tendo pessoas passando fome sem- [1:11:54] Flávio Augusto Infelizmente. Na minha visão, sabe qual é a, a, a solução? Não é, não é da desigualdade. A gente tem que mirar, na minha visão, mirar a pobreza. A gente tem que acabar e exterminar a pobre-pobreza. [1:12:03] Participante Não, é, é, sim. E qual é o seu plano efetivo? Vocês têm um grupo de bilionários no Zap. [1:12:08] Flávio Augusto Eu, eu não, eu não tenho. [1:12:09] Participante Tipo, vamos contribuir, vamo ajudar. [1:12:10] Flávio Augusto Tenho muitos amigos que ajudam, a gente investe, eu gasto, eu não gosto de falar isso e usar como plataforma de marketing pessoal, tá? Eu gasto muito dinheiro, alguns milhões de reais por ano, em doações pra projetos sociais que eu participo. [1:12:24] Participante Cê acha que isso é suficiente? [1:12:26] Flávio Augusto Olha, isso é, isso, se cada um fizer, cê pode ter certeza. [1:12:30] Participante Eu não tô falando que não tem que fazer, eu tô falando que é ruim que faça, mesmo. [1:12:32] Flávio Augusto Cê pode ter certeza que se cada um fizer, a gente tem a capacidade de melhorar a vida das pessoas. [1:12:36] Participante Então, mas se cada um fizer muito? [1:12:36] Flávio Augusto Você acredita, você acredita, por exemplo, em organizações não governamentais? [1:12:40] Participante Acredito. [1:12:41] Flávio Augusto Que atuam dentro de comunidades? [1:12:42] Participante Em algumas, sim. [1:12:43] Flávio Augusto Sim, mas tem umas que são falcatruas. As que são sérias, você acredita? [1:12:47] Participante É isso que eu tô falando. [1:12:47] Flávio Augusto Eu também acredito. Cê entendeu? Porque infelizmente, quando a, quando o dinheiro vai pro Estado- [1:12:50] Participante Mas é que eu acho que a, as ONGs, elas não são necessariamente, elas tapam buracos, entendeu? [1:12:56] Flávio Augusto Então, mas, mas quando o dinheiro vai pro Estado, não necessariamente ele vai chegar lá na ponta. Esse é o problema. [1:13:02] Participante Sim, a gente precisa reestruturar a sociedade. Só que vocês, a minha questão é, vocês- [1:13:07] Flávio Augusto Vocês o quê? Bilionários? [1:13:08] Participante Vocês bilionários- [1:13:09] Flávio Augusto Não, não me, não me coloca nesse pacote, por favor. [1:13:11] Participante Mas é, você é, esse é o tema. [1:13:12] Flávio Augusto Fala assim, você. Fala, fala pra mim, você. [1:13:14] Participante Não, é porque eu não tô falando com a pessoa física, Flávio. [1:13:16] Flávio Augusto Claro, entendo, entendo. [1:13:16] Participante Pra mim é, é, é o jurídico bilionários, entendeu? [1:13:19] Participante É que não existe essa classe. [1:13:20] Flávio Augusto É, a gente é, a gente é independente. [1:13:21] Participante Você veio da comunidade [1:13:24] Participante Gabi, tchau minha querida. [1:13:28] Flávio Augusto Opa! [1:13:28] Participante Consegui! [1:13:29] Flávio Augusto Olha ela aí. Agora foi, hein? A terceira vez, né? [1:13:32] Participante Eu tô tentando me calar, cê viu? Meu nome é Rafaela, atualmente eu sou estudante e eu acho que bilionários não deveriam existir, porque é um acúmulo muito grande de capital na nossa sociedade, que já é muito desigual, e eu acho que isso não é natural. [1:13:45] Flávio Augusto Como é que seu nome? [1:13:46] Participante Meu nome é Rafaela, prazer. [1:13:47] Flávio Augusto Oi, Rafa, cê tá bem? [1:13:48] Participante Tô bem, tô bem. [1:13:48] Flávio Augusto Me conta, Rafa. [1:13:49] Participante É, se eu pedir recapitular o tema, eu- [1:13:51] Flávio Augusto Quer que eu fale sobre o sistema pobre aí? [1:13:54] Participante Se o senhor- [1:13:54] Flávio Augusto Deixa eu explicar um pouquinho isso, porque é, é meio pesado, tá? [1:13:57] Participante Tudo bem. [1:13:58] Flávio Augusto Ó, uma das principais causas de desigualdade se chama Previdência Social. Para pra pensar que por mais que você trabalhe e se esforce e junte dinheiro e faça o que for ao longo da tua vida pra dam-- ter uma vida melhor, no final das contas, cê vai depender do INSS. Cê vai depender de uma pensão que vai ser uma mixaria e que no máximo vai ser de oito mil reais, que é o topo, e a maioria não ganha nem uma fração desse, desse dinheiro. Sem contar com o fato, que é o seguinte: quantos anos cê tem? [1:14:28] Participante Vinte e quatro. [1:14:28] Flávio Augusto Me lembra teu nome. [1:14:29] Participante Rafaela. [1:14:30] Flávio Augusto Rafaela. Então, vinte e quatro, Rafa. Você deve se aposentar daqui uns quarenta anos, cinquenta anos, né? Cê tem muito tempo. Só que o ponto é o seguinte: cê sabia que-- cê trabalha hoje? [1:14:40] Participante Tô desempregada. [1:14:41] Flávio Augusto Tá desempregada, mas você, quando tiver trabalhando, todo mês vai ser descontado de você um percentual do INSS. Esse dinheiro que vai ser descontado, que é obrigatório, do seu salário, esse dinheiro não é uma poupança pra quando você for se aposentar. Esse dinheiro já vai diretamente pra pagar os aposentados atuais, os velhinhos que tão lá recebendo, justamente recebendo a sua aposentadoria. Ou seja, você trabalha pra po-- esse é o modelo que nós temos, modelo de compartilhamento, tá bom? Nesse modelo, essa, essa galera tá recebendo daquilo que cê tá trabalhando hoje. Só que tem um ponto. Com o avanço da medicina, os nossos velhos tão vivendo cada vez mais. Isso é bom. Ou seja, eles demoram mais pra morrer. Isso é bom. Nossos pais, nossos avós, daqui a pouco eu, não é? A gente tá vivendo mais, isso é um ponto positivo. Só que isso é mais tempo as pessoas recebendo o benefício do INSS. Só que, por outro lado, a população brasileira, ela não tá mais na pirâmide etária, daqui a pouco nosso professor de geografia vai nos ajudar com isso aqui, né? [riso] Nossa pirâmide etária tá mudando. Nossa base tá ficando menor. Aí nós temos menos jovens na nossa sociedade. Terceiro ponto é o seguinte: eles estão casando cada vez mais tarde. Cê concorda que uma pessoa hoje casar com vinte e cinco anos é muito novinha? Pô, eu casei com vinte. Hoje uma pessoa casar com trinta e cinco tá na, tá le-- tá na boa. [1:16:03] Participante Sim, mas aí- [1:16:03] Flávio Augusto Calma, calma, calma. E o último ponto é o seguinte: eles tão tendo cada vez menos filhos. Qual é a consequência disso? Vai ter muito velho recebendo e pouco jovem trabalhando. Ou seja, essa conta simplesmente não fecha. Por isso que toda hora você tem uma reforma da Previdência. A todo momento você tem uma reforma da Previdência. E com isso, isso é um grande promotor de desagu-- de desigualdade social. Então, se você, a pessoa que acredita nesse sistema, infelizmente, depositar sua vida nesse sistema, bo-- depositar sua esperança nesse modelo, vai terminar a vida daquele jeito que eu falei, pobre e frustrado. [1:16:41] Participante É, desculpa perguntar, o senhor é formado? [1:16:43] Flávio Augusto Não. [1:16:43] Participante Faculdade, não? [1:16:44] Flávio Augusto Não, não sou formado. Eu deixei minha faculdade, eu ia-- eu passei numa faculdade federal pra fazer tecnologia e depois eu deixei a minha faculdade pra começar a trabalhar na área de vendas. E aí trabalhei na área de vendas por quatro anos, aprendi a vender, aprendi liderar times de vendas, foi aí que eu consegui entender como é que a gente vai no mercado e busca dinheiro. [1:17:02] Participante Uhum. [1:17:03] Flávio Augusto Então aprendendo a vender, eu criei a Wise Up, que é uma escola de inglês, e abri a primeira escola em 1995, depois eu abri quatrocentas dessas escolas em todo o Brasil. [1:17:12] Participante O senhor concorda comigo que a maioria dos seus profissionais que trabalham na sua empresa, assim, falando de professores, principalmente, eles de certa forma não dependeram do Estado pra poder se formar, alguns? Você acha que sem o Estado- [1:17:28] Flávio Augusto Não necessariamente. Alguns, alguns talvez fizeram, é- [1:17:31] Participante Porque assim, tem muitas pessoas que não conseguem hoje em dia, se não depender do Estado. [1:17:34] Flávio Augusto É, eu, eu por exemplo, eu por exemplo, passei numa faculdade federal, a- [1:17:39] Participante Um bom exemplo [1:17:39] Flávio Augusto ...porque, porque eu não tinha outra opção. Se não fosse estudar numa escola pública, eu jamais, jamais conseguiria, é, pagar uma faculdade. Mas acabou, cê vê que o caminho da minha, da meu, do meu crescimento não foi pelas vias acadêmicas. O meu caminho de crescimento foi por outros caminhos, é. [1:17:57] Participante Mas tem várias, várias outras coisas, certo? Por exemplo, tem uma pessoa que recebe um auxílio do governo- [1:18:02] Flávio Augusto Temos trinta segundos. [1:18:06] Participante Deixa eu ir. [1:18:07] Participante Perdão, cê não foi ainda, na moral. [1:18:11] Participante Oi? [1:18:11] Participante É que eu ia trazer um fechamento interessante. [1:18:13] Participante Ah, é? Isso não pode ser. [1:18:16] Participante Deixa eu só te trazer duas boas notícias. [1:18:18] Flávio Augusto Só um minutinho, só um minutinho. Vamo lá. [1:18:19] Participante O declínio da mortalidade não aconteceu graças ao capitalismo. O declínio da mortalidade acontece apesar do capitalismo. Ele vem da ciência, da criatividade, do empenho dos trabalhadores que são exaustivamente explorados porque a criatividade vira mercadoria. E esse Estado corrupto, quando vira um Estado coletivo construído pela população, leva pra um sistema chamado comunismo. Se você defendeu isso, vai ser uma coisa inédita, um bilionário chega-- dizendo que a gente tem que chegar ao comunismo. [1:18:46] Flávio Augusto Não, já pode defender ele. [1:18:47] Participante Que é um Estado muito diferente do capitalismo. [1:18:48] Flávio Augusto Vou te dar mais quinze segundos, certo? Tuas argumentos são ótimos, quero te ouvir, vai lá. [1:18:51] Participante Seria excelente, porque o Estado, no final das contas, criou a escravidão- [1:18:55] Flávio Augusto Você é a favor do, do comunismo? [1:18:57] Participante Eu sou a favor de um governo verdadeiramente democrático. As vias de se chegar a ele variam. Aí a gente precisa entender que o comunismo é um governo do povo para o povo. Independente desse nome, eu acho isso interessante. [1:19:08] Flávio Augusto Uhum. [1:19:08] Participante A China é uma experiência hoje que se diz comunista- [1:19:10] Flávio Augusto Que, que não é comunista [1:19:11] Participante ...e é um governo que tem características muito autoritárias, mas falando de estatística, nos últimos sessenta anos, a China tirou quinhentos milhões de pessoas da pobreza. [1:19:19] Flávio Augusto É, cl-- uma ditadura é sempre um caminho mais curto. [1:19:22] Participante Mas falando em estatística, se eu vou me gabar do capitalismo que reduziu a pobreza, a China pode se gabar, porque com autoritarismo reduziu também. [1:19:28] Flávio Augusto Também. [1:19:29] Participante A minha tese é- [1:19:30] Flávio Augusto É inegável [1:19:30] Participante ...o Estado é um recorte da população. O Estado não é como empresa privada porque ele tá em disputa. Então se eu construo um Estado democrático popular, esse é o caminho. [1:19:39] Flávio Augusto Uhum. [1:19:40] Participante É a tese de superar o feudalismo e prum capitalismo inevitavelmente chegar num outro estágio, que pode chamar socialismo, comunismo ou qualquer outra coisa, mas onde o Estado é eleito pelo povo, diferente de um empresário, de um bilionário, que é uma pessoa que tá ali porque sim, por N fatores, mas que não tá em disputa. Uma pessoa mais competente que você na sua empresa, cê transfere o cargo? Ou a colega que é mais jovem que você na sua busca pela felicidade, cê trocaria de vida com ela pra voltar até a idade dela- [1:20:07] Flávio Augusto Se eu pudesse, eu tro- [1:20:07] Participante ...com todos os ônus e bônus? [1:20:08] Flávio Augusto Se eu pudesse, eu trocaria. Te garanto. [1:20:10] Participante Interessante. [1:20:11] Flávio Augusto Ó, se eu pudesse- [1:20:12] Participante Cê trocaria de- [1:20:12] Flávio Augusto Olha aqui, o nosso tempo já acabou, professor. Ó, olha só, o nosso tempo já acabou, mas se você me permitir Cara, bom demais falar contigo. Da outra vez foi boa, argumentos muito legais, muito respeitosos. Aliás, galera, obrigado pelo carinho, pelo respeito de todos aqui. Foi muito bacana. É, mesmo aqueles que não vieram aqui e sentaram, foi muito legal sentir aqui o feedback de cada um de vocês. Eu quero encerrar, é, falando contigo sobre esse tema, é que eu não sou a favor do comunismo. É, não vi, é, nenhuma experiência no mundo que fosse favorável implantando esse regime. Aliás, vi- [1:20:50] Participante Não houve. [1:20:51] Flávio Augusto Não houve, eu sei, não houve. Talvez, talvez, é, é, na, na abstração utópica dos desejos utópicos que todos nós temos, eu sou músico, né, também toco, é, sou-- tenho um lado artístico e ao mesmo tempo sou empresário. Ah, então, ou seja, na nossa abstração, a gente talvez desejasse alguma coisa que fosse diferente daquilo que nós temos. Isso é, isso é bom, porque a, o mundo não é justo. O mundo não é justo, né. A gente não, não deve nem esperar justiça, porque senão a gente vai ser frustrado também. Eu aprendi a jogar o jogo. Eu aprendi a jogar o jogo. E dentro do capitalismo, eu, é, ele me permitiu sair de onde eu saí e chegar até onde eu cheguei. Através de entender o jogo, como é que funciona. Eu aprendi a vender, eu aprendi a gerar receita, eu aprendi a ganhar dinheiro, eu aprendi a montar negócios. Então eu sempre penso aquela frase que eu falei, que foi uma frase, é, que gerou uma certa comoção aqui no grupo, né, que o sucesso é uma ciência, ciência exata que a gente pode aprender. Eu sempre quando eu olho pra alguém, eu olho pra você, eu olho pro, pro, todos os jovens que tão aqui sentados, eu sempre imagino que todo mundo aqui pode ter uma vida melhor. Todo mundo aqui pode aprender a vender, pode aprender a trabalhar dentro do jogo. Você não precisa concordar com o sistema pra jogar dentro dele. Eu acho que a sociedade, ela é hipócrita. Acho que a sociedade tem uma série de contradições. Eu acho que, que quando eu olho pro mundo, eu, eu não me sinto animado quando eu olho pros políticos e nem com o modelo do que se chama democracia no Brasil. Não gosto do que eu vejo, mas ou eu vou entrar num ciclo interminável de descontentamento e, cara, sei lá, vou virar um, um revolucionário, cê entendeu? É porque eu sou uma pessoa muito intensa, ou eu jogo o jogo. Eu entendi que eu posso jogar o jogo. Eu entendi que eu posso fazer isso respeitando as pessoas. Eu entendi que eu posso fazer isso de forma honesta. Eu entendi que dá pra fazer isso tentando ser justo. Nem sempre a gente vai ser justo em todas as situações. Nós somos seres humanos, não é? Mas buscando criar uma regra que seja jogada por todos e que beneficie a maior parte possível das pessoas. Eu, por exemplo, acredito piamente que a melhor forma de distribuir renda não é dividindo riqueza, é dividindo conhecimento. Eu entendo que o conhecimento gera renda. Vou te dar um exemplo: tu é professor de Geografia. Tu tem uma renda hoje gerada pelo conhecimento que você tem. Talvez se você não tivesse esse diploma e esse conhecimento que você tem, você não teria essa renda. Então, na realidade, o teu conhecimento te gerou uma renda. Grande ou pequena é outra, é outra discussão, tá? Então cada bloco de conhecimento pode nos trazer benefícios. [1:23:32] Participante Mas porque o conhecimento é mercantilizado. Numa sociedade onde eu não fosse obrigado a pagar pela água ou pelo aluguel- [1:23:38] Flávio Augusto Só pra tu ter ideia- [1:23:39] Participante Talvez pra minha felicidade eu compartilhasse o meu conhecimento sem necessariamente ser prisioneiro do dinheiro como meio. [1:23:45] Flávio Augusto Concordo com você. Tanto concordo que há quinze anos eu gasto duas a três horas por dia produzindo conteúdo pra pessoas que querem aprender a vender, que querem aprender a se desenvolver. Eu, por exemplo, tenho doze milhões de seguidores em todas as minhas redes na internet produzindo conteúdo com a finalidade de ajudar a pessoa a entender como é que joga esse jogo. Uma pessoa não precisa fechar os olhos pras injustiças. [1:24:10] Participante Flávio, mas com todo respeito, faz todo sentido que você fortaleça a estrutura que te beneficia. Isso não é nenhuma novidade. [1:24:16] Flávio Augusto Não, mas quando eu fiz- [1:24:17] Participante Como gerar emprego e renda explorando a mais-valia. [1:24:19] Flávio Augusto Não, não. Quando eu fiz isso, eu não tinha nenhuma empresa, eu tinha vendido minha empresa. [1:24:22] Participante Pois é, mas se você fizesse curso sobre como superar o capitalismo, a tua posição de privilégio provavelmente seria sustada, né? [1:24:29] Flávio Augusto Não, é que isso é utópico. Sabe por que eu jamais faria isso? Porque isso não existe. [1:24:32] Participante Imagina na época do feudalismo alguém perguntando lá na Revolução Industrial onde que o capitalismo tinha dado certo. O capitalismo também foi revolucionário. [1:24:40] Flávio Augusto Foi. [1:24:40] Participante Não, isso aí agora tá tudo- [1:24:42] Flávio Augusto Não, tá, tá to-- tá valendo, tá valendo. [1:24:44] Participante Em cima disso aí, disso que ele tá dizendo. É, eu sou, o meu conhecimento, que acabou me trazendo uma outra realidade, uma realidade social diferente do que- [1:24:54] Flávio Augusto O que que cê faz? [1:24:55] Participante Eu sou professor. [1:24:56] Flávio Augusto Ah, legal. [1:24:56] Participante Que veio através de uma política pública do Estado. Eu sou pra UNI, minha mãe era empregada doméstica. [1:25:02] Flávio Augusto Boa. [1:25:03] Participante O último resquício que o Estado acabou com a escla-a escravidão no Brasil, foi as empregadas domésticas não terem direitos trabalhistas. [1:25:11] Participante O Estado fez isso. [1:25:12] Participante O Estado fez isso. [1:25:14] Flávio Augusto Não, o Estado- [1:25:14] Participante Representando a população. [1:25:15] Flávio Augusto Não, eu vou te falar, o Esta- o Estado, não, mas o Estado é o cara que mais fez atrocidades na, na história da humanidade. [1:25:21] Participante Sim, mas nós estamos falando- [1:25:22] Participante Como instituição, a igreja também, o capital também. [1:25:25] Participante A sociedade ascendesse, e o Estado também é responsável por isso. E deveria ser maior responsável, porque educação não é negócio, é pra você. Educação, a educação que eu digo, cidadã, a educação do cidadão, ela não pode ser fruto de lucro. A educação é uma obrigação do Estado, tá lá na nossa Constituição. Educação- [1:25:47] Flávio Augusto É, meu irmão, mas professor, com todo o respeito, a minha última frase, que é essa que a gente tá batendo esse papo, que é legal, porque praticamente o programa acabou, a gente tá batendo papo aqui, é um prazer tá fazendo isso com vocês, tá? É, cara, quem depositar, eu falo isso com dor no coração, mas falo, quem depositar sua esperança no Estado vai terminar a vida pobre e frustrado. Olha, muito legal terminar aqui esse debate. Pa-- aqui todos foram muito pacientes comigo, eu procurei ser paciente também. Foi um papo de altíssimo nível. Hã, eu penso que minha mensagem final, que fica aqui, que eu quero deixar marcado, é que tanto empresários quanto trabalhadores Cada um tá saindo da sua casa pra resolver a sua vida e levar uma vida melhor pra sua família. Cada um tá, tá fazendo esse papel. E o que nós vemos aqui é que o meu sonho, utópico, também tenho sonhos utópicos. Meu sonho utópico é não existir um Estado que nos atrapalha. Meu sonho utópico é não existir um Estado que explora o trabalhador, porque a, a lei, a CLT que existe hoje, ela desconta de você, ela faz uma série de descontos de você, ela desconta na tua, na tua, na tua fonte, ela te paga, ela sequer remunera a inflação sobre o seu FGTS. Tem um modelo que, na minha opinião, as pessoas recebem um valor, por exemplo, uma pessoa que ganha dez mil reais de salário, ela vai receber uns seis e meio, seis e oitocentos. Só que ela custa pra empresa vinte mil, quase vinte mil reais, dezenove mil e pouco. Eu, meu sonho utópico era poder dar esse dezenove mil e pouco pro, pro empregado. Esse é meu sonho utópico. E que ele tivesse educação financeira pra poder fazer o investimento do seu dinheiro e com o investimento do seu dinheiro, com a fração daquilo que ele contribui no INSS, ele fizesse uma poupança que no final da vida ele teria um salário bem maior do que e-ele, ele teria na, no INSS e ainda, e ainda aquela grana acumulada fica de herança pro filho dele. Ou seja, em vez de ficar dando dinheiro pro INSS, pra uma estrutura de Estado que, que vai te sugar dinheiro, em vez de você ficar com dinheiro no teu fundo de garantia, que é uma grana que sequer reajusta o seu-- reajusta a inflação, cê tá perdendo dinheiro com o teu, teu FGTS depositado. Esse é o sistema que o Estado ofereceu. Eu, por exemplo, tenho milhares de funcionários CLT, porque eu sigo a regra do jogo, eu sigo todas as leis. Eu não sonego imposto, eu pa-- eu sigo todas as leis, eu pago todos os direitos trabalhistas. Só que este modelo é um dos maiores criadores de desigualdade social, que é aquilo que a gente tanto gostaria de ver diminuindo no Brasil, no, no mundo como um todo. Não é alguma coisa que você vai tirar pra sempre, mas a pobreza é nossa obrigação moral de acabar com ela. Então, eu espero aqui que o papo tenha sido bom e fica aqui o meu abraço a você que assistiu esse episódio. Um abraço pra todos e obrigado pelo carinho, tá? Valeu. [aplausos] Obrigado. [aplausos]