Transcrição
Quem Não É Mulher?
9 min de vídeo · 1 mil palavras · Com Jefferson Schroeder
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Eu acho que minha neta, né? Ela é uma jovem ainda, mas ressignificou toda a minha vida.
Hoje me chamaram pra participar de uma brincadeira, na qual eu sou o único homem no meio de várias mulheres e elas precisam descobrir quem é o homem que tá no meio delas.
Então eu tô pedindo pra vocês me fazer essa voto.
Oi, meu nome é Fernanda, eu tenho vinte anos.
Eu sou Juliana, tenho quarenta e dois anos.
Eu sou Lúcia, tenho sessenta e cinco.
Eu sou Carol, tenho trinta e um.
Eu sou a Mari, tenho trinta e três.
Eu sou Cici, tenho setenta e dois.
Gente, qual roupa vocês tão usando agora?
Um coletezinho cinza, uma blusa preta, uma calça preta e bota.
Um vestido coral, um casaquinho preto e bota bege.
Uma blusinha azul de bolinha, uma calça preta, casaquinho preto e um tênis preto.
Eu tô usando uma calça preta, uma blusa branca, uma jaqueta branca e tênis branco.
E aí quando perguntou pra mim, eu pensei: digo isso, digo que eu tenho peito, que eu tô em saia. Daí eu pensei...
Eu tô usando uma blusa florida, uma calça de ginástica e uma sapatilha.
Assim, um produto de beleza que vocês costumam usar muito. Por exemplo, a rímel, batom, uma coisa que você gos-gosta de usar muito, assim, no dia a dia.
Ah, eu uso muito corretivo, que eu tenho olheira.
Eu uso uma base, é filtro solar, mas ela é base.
Filtro solar também aqui. O que que cês mais gostam de fazer? Cara, eu gosto de cantar.
Ah, eu gosto de comer, né? [risadas]
Eu gosto de cantar, mas sou bem desafinada.
Cês fazem unha onde, gente? Cês fazem toda semana?
Eu faço uma vez por semana.
Eu faço uma vez por semana também.
Também faço uma vez por semana.
Eu fui tentando que o meu nervosismo não transparecesse pra elas, que a personagem que eu tava fazendo era o homem, do tipo, eu pensei: elas tão brincando, eu tenho que tá brincando também.
Qual a forma do sapato de vocês?
Trinta e seis o meu.
Trinta e oito. [risadas]
Trinta e sete, trinta e oito.
Cês vão se assustar, eu calço trinta e dois. [risadas]
Nossa, pézinho de princesa.
Pe-- pé trinta e cinco.
Então, pessoal, qual a altura de vocês?
Um e setenta.
Um e sessenta.
Um e cinquenta e dois.
Quem quer votar na Fernanda, levante a mão. Quem quer votar na Juliana, levante a mão. Quem quer votar na Lúcia, levante a mão. Quem quer votar na Ana, levante a mão. Quem quer votar na Mari, levante a mão. Quem quer votar na, na Cici, levante a mão. [som de eliminação] A eliminada dessa rodada foi a Juliana. Quem quer continuar a jogar, levante a mão.
Fernanda, eu queria saber qual a sua frequência num salão de cabeleireiro.
Eu frequento quando eu tô com dinheiro, porque, porque eu sou loira, então é complicado por causa que é, é meio caro.
Ah, então você pinta o cabelo.
Pinto, sim.
Tá, ok.
Eu queria saber pra todas com que vocês trabalham.
Ah, eu sou estudante. Eu estudo moda.
Eu sou aposentada, mas faço teatro.
Eu sou empresária, tenho um lanche delivery de hambúrguer.
Tô aposentada também, mas já trabalhei com escritório.
Eu sou designer.
Como foi a primeira vez que vocês menstruaram?
Foi com treze anos de idade. Gente, eu tava na rua, eu cheguei em casa, olhei e fiquei desesperada. Não gostei muito não, mas tive que aceitar.
Eu tinha doze anos e foi na escola e eu morri de vergonha.
Eu tinha onze também, tava na escola. Minha mãe já tinha falado que isso podia acontecer, mas eu fiquei muito nervosa, porque fiquei com medo dos colegas. Onze anos.
Eu tinha quatorze. Foi brincando, de boneca, com quatorze anos, gente. Achei que tinha me machucado, na hora não associei, mas minha vó conversou comigo, minha mãe, enfim, tive que aceitar também.
Eu tinha onze pra doze, tava na Cobal ali, fiquei morrendo de vergonha e meu pai pra completar ainda me, ainda me deu flores no dia, pra eu ficar com mais vergonha ainda.
Gente, tá muito difícil isso aqui.
Mas eu tô desconfiando já de uma pessoa.
Então eu acho que eu também tô.
Me falem uma coisa que só uma menina entenderia.
Eu disse que cólica bizarra.
Sim.
Aí pra mim eu pensei: mesmo eu sendo uma mulher, um indivíduo diferente nessa situação, qual a minha prova de que eu sou uma mulher, sendo que eu não sou uma mulher?
Quem quer votar na Fernanda, levante a mão. Quem quer votar na Lúcia, levanta a mão. Quem quer votar na Ana, levante a mão. Quem quer votar na Mari, levanta a mão. Quem quer votar na Cici, levanta a mão. Temos um empate entre duas pessoas. A gente vai dar trinta segundos pra cada uma dessas pessoas falarem por que não devem ser eliminadas.
Bom, eu tenho seios, meus pés são pequenos, uso brinco, cordão, sou bem feminina.
Eu acho sacanagem achar que é homem ou uma mulher que passa por depilação, menstruação e gravidez. [risadas] Mas aí fica a critério de vocês.
Quem quer votar na Lúcia, levante a mão. Quem quer votar na Ma-na Mari, levanta a mão. A eliminada dessa rodada foi a Mari. [som de eliminação] Quem quer continuar a jogar, levante a mão.
Alguém já sofreu assédio ou preconceito por ser mulher?
Já.
Eu também já.
Sim.
Também. Acho que todo mundo já, né gente? Porque é uma coisa que acontece muito, né?
Ser mulher é sinônimo de sofrer assédio, não tem jeito.
Tipo, é muito mais na rua, tipo, quando cê vai andar, tipo, sabe, pe-pedreiro. É tipo, quando cê tá andando lá e, tipo, eu acho que é com qualquer roupa, não importa a roupa que você esteja, né?
Não importa, cê pode tá toda vestida, vestido longo e cê...
Qual a mulher que inspira vocês?
Eu acho que minha neta, né? Ela é uma jovem ainda, mas Ressignificou toda a minha vida.
Sei lá, minha tia e sei lá, alguma, alguma famosa, sei lá. Sabrina Carpenter, gosto muito dela. A Whitney Houston, cantora maravilhosa e a minha avó que me criou, tá aí comigo até hoje e me ajuda a criar meu filho.
Quem quer votar na Fernanda, levante a mão. Quem quer votar na Lúcia, levante a mão. Quem quer votar na Ana, levante a mão. Quem quer votar na Cissé, levante a mão. Temos um empate novamente. O empate foi entre a Fernanda e a Cissé.
Então, eu acho que eu deveria continuar no jogo porque, sim, eu sou mulher como todas, já menstruei, passei pela todas as fases da puberdade. Eu espero que vocês acreditem que eu seja uma mulher, até pela minha voz.
Eu quero continuar porque também sou uma mulher. Também acho que já saiu os rapazes. Existe esse conceito de tão complexo dizer hoje em dia sobre os gêneros das pessoas, mas quero ficar porque sou uma mulher.
Quem quer votar na Fernanda, levante a mão. Quem quer votar na Cissé, levante a mão. A eliminada dessa rodada foi a Cissé. Vocês querem continuar a jogar? Levante a mão se vocês quiserem continuar a jogar. Perfeito. Quem vocês acham que foi?
Ai [risada]
Pra mim foi a Cissé.
Sim, eu tô...
Tô, tô mais com a Cisse.
Sim.
A, a, a Lúcia mudou o voto aí no finalzinho.
Ah, sim. Porque a Fernanda me convenceu.
[risada] Obrigada.
O impostor pode dar um passo à frente e as mulheres podem tirar as vendas.
Pode tirar?
Pode tirar as vendas.
Meu Deus, foi a Cissé. [risada]
Eu tava em dúvida, eu tava em dúvida entre ela e a Cissé desde o início. Eu fui eliminada de primeira.
Eu tô em choque. Gente, você imita muito direitinho.
Como ela aparece essa, essa pessoa que eu fiz?
Eu imaginei uma pessoa não gorda, mas um pouquinho obesa. [risada] Como uma mãe, sessenta e dois anos mesmo, né? Mas assim, eu falei assim: "Gente, mas a voz dela tá muito mais acabada do que..." [risada]
Pô, você imita muito bem, cara. No início, eu realmente, todo mundo mulher. Fiquei, caraca.
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