Transcrição
1 Treinador vs 30 Gordos
1 h 23 min de vídeo · 17 mil palavras · Com Guto Galamba
Baixar o texto (.txt) ou a legenda (.srt)
Cada minuto é um botão que toca o vídeo a partir daquele trecho.
Pra eu tá aqui hoje, eu tô extremamente desconfortável e a minha vontade aqui é de te atacar.
Eu sinto muito.
Enquanto pessoas gordas.
Pelo que você passou.
Eu, eu não acho que você sinta.
Mas não importa o que você acha.
Eu já disse o que eu queria falar.
Você tem um problema, um grande problema de não ouvir as pessoas. E eu queria falar.
Mas se eu for falar dos teus problemas aqui agora também.
Pega a visão.
Vai, vai.
Do que tu tá vendo aqui e do que tu vê na tua vida. Tipo assim, eu já busquei, muita gente já buscou, correu atrás. Não conseguiu. A gente só quer ser respeitado. A vida toda a gente sofre. Eu já sofri pra c**** por causa de mulher. Ficava frustrado em casa, p****, ela não gosta de mim porque eu sou gordo.
Não, obesidade num, num, não quer dizer uma falta de valor.
Babi.
Oxe, nunca vai falar?
Oxe, é o tema, né?
Mas, veja, é o que eles tão achando, não sou eu. Essa minha camisa aqui? Ô coisa maravilhosa, ainda bem que cês falaram.
Um símbolo.
Cê sabe o que é que é isso aqui?
Hum.
Falar agora o que é que é isso aqui. Deixa eu falar com ele aqui, rapidinho. Como é o seu nome?
Eu vou falar o seu nome.
O meu nome eu sei.
Luiz.
Agora, veja só.
Augusto Targino.
Você está tentando.
Galamba Fernandes.
Você está tentando ter uma sessão de terapia.
Você disse que você.
Meu nome é Guto Galamba, eu sou formado em Educação Física, especialista no tratamento da obesidade e emagrecimento. Também sou especialista em psicologia positiva e ciências do bem-estar pela Yale University e hoje eu estou aqui cercado por trinta gordos. E o primeiro tema é: ser gordo é uma escolha. Como é teu nome?
É, Paulo Veras.
Prazer, Paulo, Guto.
Igualmente, prazer.
Que bom que cê tá aqui. O que que cê acha desse tema?
Ó, eu acho que é assim, vamo lá. Parte pro princípio. Você é formado em Educação Física, né? E você foi uma criança.
Sim.
Então você criança, cê já foi gordo, antes de você se tornar um profissional de Educação Física. Então você não escolheu, né, primeiramente quando nasceu, ser profissional de Educação Física. Então, por isso que eu falo que é uma escolha. Eu sou gordinho, peso cento e vinte quilos. Então eu sou um cara feliz, por eu tá gordo, cê entendeu? Eu escolhi, porque assim, eu já fui magro, engordei. Então a me, a escolha é minha.
Posso ir pra academia, malhar e emagrecer, mas não, tô feliz assim, como eu tô hoje.
Então tu concorda comigo, que ser gordo é uma escolha.
É uma escolha, porque assim, a gente nasce, certo? Eu era magro e fiquei gordo. Então, isso não vai interferir na minha vida particular, na minha vida social. Eu posso ser muito.
Então.
Posso ser muito feliz.
Então, vai.
Do jeito que eu sou.
Não, mas a gente não tá falando de felicidade.
Em qual questão? É, é uma escolha.
Mas vamos trazer felicidade pro tema também.
Eu, eu sou gordo hoje.
Tudo bem.
Eu posso amanhã, pode, tá.
Tu devia tá aqui.
Tá.
Concordasse comigo.
Mas não é.
Não, me ajudou, me ajudou. Como é seu nome?
Desculpa, não tenho o prazer de te cumprimentar.
Não tenho o prazer de me cumprimentar?
Não tenho o prazer de te cumprimentar.
Não tem problema.
Antes de me.
O seu nome.
Antes de me apresentar, eu preciso falar que a gente tá aqui, a gente foi convidado pra falar sobre corpo livre. Quando a gente pensa sobre corpo livre, a gente primeiro tem que entender o que que é um corpo que não é livre.
Mas da onde você tirou a ideia do corpo livre?
Na concepção de um corpo que não é livre, a gente pensa num corpo que é limitado.
Certo.
O que que é um corpo que é limitado?
Aquele que não funciona como deveria.
O seu corpo é um corpo limitado.
Todos nós.
Assim como o meu corpo também é um corpo limitado.
Certo.
Você consegue ficar quinze minutos embaixo d'água?
O que que tem a ver uma coisa com a outra?
Eu tô te fazendo uma pergunta.
Não, tu consegue?
Não, eu também não.
Não, eu já tentei.
Todos os corpos são limitados. Quando a gente fala de corpo livre, a gente tá falando sobre restrição.
Certo.
Não sobre limitação.
Certo.
Alguém aqui conhece ele? Já ouviu falar dele?
Sim.
Já? Só você? Parece que nós não somos o seu público. Parece que nós não somos o seu nicho.
Mas a ideia é essa.
Sim, isso é muito bom.
Se eu trouxesse trinta pessoas que concordam comigo, a gente não teria um programa.
Sim, tudo bem.
Agora vamo fazer o seguinte. Primeiro ponto: como é seu nome?
Eu, antes de me apresentar, eu quero te falar.
Mas entenda.
Que no momento em que todos nós aqui chegamos, antes de você saber o nosso nome, a nossa identidade, você já olhou pros nossos corpos.
Ah, onde isso...
Então, o nosso corpo.
Como é seu nome, querido?
Ele vem antes da identidade.
Como é o seu nome?
Eu vou falar o seu nome.
O meu nome eu sei.
Luiz.
Agora, veja só.
Augusto Targino.
Você está tentando.
Galamba Fernandes.
Você está tentando ter uma sessão de terapia.
Você diz que você é especialista em psicologia? Você tem CRP?
Ele quer uma terapia. Como é seu nome, irmão?
Prazer, irmão. Meu nome é Hulk.
Prazer, Hulk.
Podem me chamar de Hulk.
Tu já foi no...
Aqueles Cara.
Aqueles Cara, eu vi, véi. Foi irado. Vai, fala.
Então, o, sobre o tema, é, ser gordo é uma escolha, eu não concordo.
Tá.
Por quê?
Fala.
Porque eu, eu não sei cientificamente.
Tá bom.
Mas eu, é o que eu ouço desde.
Tá bom.
Da infância. Eu tenho tendência em engordar.
Certo.
Porque minha irmã é gorda, o meu pai era go-- era gordo, minha mãe é um pouco gordinha, inclusive ela foi também, apareceu já em outros canais, enfim. Então não é uma escolha eu ser gordo.
Certo.
Eu tenho, o meu corpo, ele já, tipo assim, ele já tem uma, uma parada pra engordar. Se eu parar de ir pra academia, eu emagreci trinta quilos com jiu-jitsu.
Tá.
Jiu-jitsu salvou minha vida, inclusive.
Osso.
O esporte salva, osso. O jiu-jitsu salvou minha vida. Eu tava, o, eu fui no médico, o médico virou pra mim e falou assim: "Você vai morrer antes do seu pai, se você não emagrecer." Eu tava mais gordo que isso. Fui pro jiu-jitsu, emagreci. Tive uns problemas psicológicos.
Certo.
Não consegui voltar.
Certo.
Não tive, não tenho, não tenho mais motivação pra levantar da cama e comecei a beber muito, engordei por conta disso. Então, ser gordo pra mim não é uma escolha.
Legal.
É uma, o meu psicológico, ele não consegue se adaptar.
Deixa agora, se você me permitir uma visão diferente.
Claro.
E trazendo um pouco de ciência, porque é a minha base de análise, porque senão vai ficar a minha opinião contra a tua e azul é bonito, ou não é, e ferrou. Concorda?
Azul é lindo, Bjo.
Não, é "nóis". Existem dois tipos de obesidade. Tem a obesidade mesogênica e obesidade poligênica. O que que é isso? A mesogênica é aquela que depende exclusivamente do caráter genético. Sabe quantos por cento da população que é obesa, é exclusivamente pela genética?
Hum.
Menos de cinco por cento.
Eu posso tá nesses cinco.
Não, total, cê pode tá nesses cinco. Qual é a outra, o tipo de obesidade? Que é a poligênica. É aquela que vem a genética, o ambiente e os comportamentos. Pelo que você tá me dizendo, cê não tem a mesogênica.
Uhum.
Porque você consegue emagrecer quando você quer. E tudo que você disse que te fez engordar, foram os seus comportamentos. E tudo bem, que pô, cê passou por um momento difícil, cê teve problemas psicológicos e querendo ou não, a gente foge. E geralmente, sabe pra onde a gente foge, Hulk?
Hum.
Álcool, comida, sexo, celular e televisão Tudo que deixa a gente completamente apático mentalmente falando. E querendo ou não, aqui no córtex pré-frontal, uma região aqui do nosso cérebro-
Aham.
Atua um neurotransmissor chamado dopamina. É aquele neurotransmissor que dá vontade de fazer as coisas, de querer fazer.
Eu não consigo controlar isso também, né? Certo.
Cê consegue controlar com bons comportamentos, por quê? Qual é a ideia? Quando eu vou lá e como uma pizza, o córtex pré-frontal ele também é afetado por álcool, açúcar e gordura. Quando eu como uma pizza, aquela bomba de açúcar e caloria atura o meu córtex pré-frontal e diz: "Pô, eu tô feliz." Então eu crio uma ilusão de que aquilo ali tá me dando um conforto e de fato tá naquele momento, mas a médio e longo prazo, vai virar como uma droga, cê vai precisar de cada vez mais.
Eu tenho certeza que quando cê-
E não é uma escolha minha quando cê... Por isso que ser gordo não é uma escolha.
Então, qual é a ideia? A partir de agora, você não tinha essa informação, concorda?
Aham.
A partir de agora você sabe que é uma escolha, você pode não comer.
Mas até-
Por mais difícil que seja.
Mas aí eu vou ter que fazer um tratamento psicológico.
E é uma escolha sua fazer ou não. Não, sim, mas é uma escolha.
Mas eu tenho condição? Então não é uma escolha ser gordo.
Mas veja, mas veja, você pode não ter o melhor psiquiatra.
Hã.
Mas cê pode ir no, no, no YouTube, você pode pesquisar outras coisas e você fazer o melhor que você pode com as condições que você tem.
Mas você também, você não concorda comigo que uma vida de es-de estudo, de trabalho, de filho, de mulher.
Irmão, o que eu concordo contigo é que é difícil pra cacete.
Então não é uma escolha.
É claro que é.
Mas como assim? Se é difícil pra caramba.
É a mesma coisa. Mas oxe, então porque é difícil não é uma escolha? É uma escolha muito difícil.
Mas acaba sendo mais complicado, porque junta tudo isso que você falou.
Tô com você. É muito mais complicado. Talvez você tenha uma vida muito mais difícil, que exija muito mais de você do que de outra pessoa, mas ainda assim é uma escolha.
É isso, mas é, e, e também o que acontece? Eu busco a escolha, eu vou pra academia e é um amb-- é um ambiente que eu não me sinto confortável.
E o Gil?
Porque as pessoas como... Muito bom, muito bom. Porque pessoas como você me olham estranho na academia.
Mas como eu não, irmão.
Não, como você ali fisiculturista [interferência] não sei o quê, me olham estranho na academia. E tenho certeza que a maior-a maioria aqui concorda.
Mas aí você tá, pô, mas tem gente escrota no mundo, cara.
Então, mas é muito mais difícil pra gente. Então não é uma escolha ser gordo. Ah, eu sou gordo, quero ser gordo.
Vamo lá, vamo lá.
É tudo mais difícil pra gente.
Vamo supor o seguinte: pra pegar o remédio que tu precisa, tu tem que encarar essa gente escrota. É uma escolha ou não encarar?
Não entendi, desculpa.
Pra pegar o remédio que tu precisa pra se salvar.
Aham.
Tu tem que passar por esse processo de encarar essa galera escrota.
Sim.
É uma escolha encarar ou não. É uma escolha trocar de academia. É uma escolha treinar em casa. Por que cê não treina em casa? Compensa o próprio corpo.
Mas é muito mais fácil falar assim quando você não tem predisposição pra ser gordo.
Não, não, não. Veja só, que eu estou te dando opções.
Aham.
E pra cada opção que eu dei pra salvar a tua vida, tu colocou uma dificuldade a mais. Sabe o que é isso?
Porque eu vivo.
Eu sei, mas isso é outra coisa também cientificamente falando. O seu sistema de recompensa já está desajustado. É mais fácil, concorde comigo.
Hã.
Eu pedir demissão do que continuar no emprego. É mais fácil eu dizer que pra mim é [interferência] continuar do jeito que eu tô, do que me entregar um pouco mais. Eu não tô dizendo, irmão, que é fácil. Eu tô dizendo que pode ser feito.
Eu não me entrego, mas as barreiras que vão aparecendo na, na minha, e acredito que na vida de, da maioria aqui, não deixam a gente chegar lá com muita facilidade.
Concordo plenamente.
Entendeu?
Concordo plenamente.
Com mais facilidade.
Concordo plenamente. Agora vamo lá. Dentro dessa falta de facilidades, qual o seu grau de contribuição nisso?
Eu vou pra-
Pausar aí. Opa. [som de batida] Como é teu nome?
Fernando.
Fala, Fernando.
Pô, discordo de você, porque-
Tá, por quê?
Primeiramente porque eu não tô gordo, eu tô inchado. Tudo que eu como, me incha. [risos]
Sabe como é que a gente chama isso?
Hum.
Dentro do campo médico?
Hum.
Se você parar pra ver, veja só, eu vou descrever o seu rosto, posso?
Pode.
Ele está inchado, ele está inflamado, ele está avermelhado e ele está oleoso, concorda?
Sim.
A gente chama isso de cara de cardiopata.
Você tá todo vermelho.
Não, eu tô bronzeado. É diferente. [risos]
Só o rosto e o pescoço, né? [risos]
É diferente.
Só o rosto e o pescoço.
Peço perdão. [risos] Tô bronzeado. Entende? O que é, o que que isso quer dizer? Não necessariamente eu tenha que estar imenso pra gerar comorbidades. O meu corpo ele começa a se inflamar. Quem é obeso aqui, antes de ser obeso, tava com sobrepeso. Antes de tá com sobrepeso, foi gordinho.
Não, eu nasci gordo.
Isso foi aumentando.
Então, tipo, eu nasci inchado então já.
Pode ser uma característica genética sua.
Não, mas eu sou o único da família gordo.
Você pode ter sido adotado, tá sabendo agora?
Pode ser.
Não sei. [risos]
Pode ser que seja.
Pô, eu nasci gordo.
Eu não sei falar.
Sempre foi assim.
Eu não, não sei, mas eu-
Mas me fala por que você discorda sobre ser uma escolha.
Porque tipo, o meu corpo, o, o corpo de qualquer um aqui não é a mesma coisa.
Me diz uma coisa.
Se a gente faz uma corrida, nós dois agora, você com seu corpo.
Me conta.
E eu com meu corpo.
Eu perco. Odeio correr.
Então pronto.
Mas me conta uma coisa. Me fala como é uma rotina alimentar do teu dia normal. O que que tu come no café da manhã? Não minta não.
Eu gosto de refrigerante.
Não.
Tomo refrigerante de manhã.
Tá bom.
De tarde e de noite.
Então isso é uma escolha ou não?
Eu não gosto, não gosto de suco. Eu gosto de refrigerante.
Mas a vida é sobre fazer o que gosta ou sobre fazer o que tem que ser feito pra ser uma pessoa melhor?
Eu acho que a vida você tem que fazer o que você gosta. Então tipo assim-
E fim de papo.
Exatamente.
Mas você viu muito filme da Disney, meu amigo. A vida é fazer o que gosta?
Sim.
Não, a nossa obrigação aqui são, somos sermos pessoas melhores e se der pra ser feliz, incrível.
Mas então ser uma pessoa melhor é respeitar os outros corpos que tem, pô.
Mas eu respeito os outros corpos. Quando foi que você me viu desrespeitar um corpo, me diga? Ave Maria. [risos] Não, só me diga quando. Tô chocada.
Agora há pouco você fez isso.
Quando? Quando eu descrevi o seu corpo?
Exato.
Mas você disse eu tô inchado, eu não sou gordo.
Não, mas beleza. Não, não, eu vi nas suas rede social. Você acabou de postar um vídeo.
Falando o quê?
Você-
Anti gordo.
Anti gordo.
Anti gordo? Ó onde cê viu isso, anti gordo?
Nos, nas suas-
Essa minha camisa aqui? Ô coisa maravilhosa, ainda bem que cês falaram.
Um símbolo.
Cê sabe o que que é isso aqui?
Hum.
Isso aqui é o maior-
É proibido inchar.
Não, não, vou te falar agora o que que é isso aqui. A pessoa gorda sendo negada. Deixa eu falar com ele aqui, rapidinho.
Obrigado.
Isso aqui é o maior movimento de combate à obesidade da América Latina. Já salvou mais de noventa mil pessoas nos três anos que ele existe. Está em processo jurídico agora pra se tornar uma ONG e entrar como serviço público nas prefeituras do Brasil. Qualquer pessoa que entrar na Anti Obesity tem acesso a dieta e a treinamento gratuito. Sabe quem criou?
Você?
Exato.
Tá, mas quem falou que eu quero ir fazer parte disso?
Eu não disse que você quer ir. Você me disse que isso aqui significa uma coisa que não significa.
Não, beleza, mas o meu corpo tá ok pra mim.
Então quem foi que julgou quem sem conhecer?
Você.
Eu não. Você chegou dizendo que isso aqui era errado.
Mas por que, mas por que colocou esse símbolo?
Porque eu sou obeso. Anti-obesidade. O nome do movimento é Anti-Obesity. O nome do movimento é esse. A ideia é combater a obesidade. Existem várias formas de eu te trazer à luz da consciência. Medo, dor, constrangimento, né, depende da narrativa com a qual você vai se identificar. Quando você chega pra mim e diz: "Eu sempre fui assim", tudo bem, mas não é porque você nasceu de um jeito, cê tem que morrer desse jeito.
Você pode mudar. Todo mundo aqui, quem nasceu pobre vai ter que morrer pobre?
Sim, eu passei por um processo, eu vou, eu envelhecer e ficar velho e morrer, se Deus quiser.
E a pergunta é, e a pergun-- e se Deus quiser e você ajudar, né?
Exatamente. Mas olha só, Edgar Vivar, é o senhor Barriga, né? Conhece?
Sim.
Tá obeso até hoje e não morreu.
Mas aí tu quer pegar uma pessoa do Chaves e usar como exemplo aqui, eu trazendo, nem Hulk concordou, a cara do Hulk ali. [risos] Ele não tá ajudando vocês.
Pois sim.
Mas veja só, vamo lá. Vai ter esse tema aqui mais pra frente. Existem pessoas que fumam-
Hum.
E não têm problema cardíaco respiratório?
Tem.
Então eu posso dizer que cigarro não faz mal?
Pra aquela pessoa.
Não. Obrigado. [risos] Deixa.
Poxa, não consegui correr, Guto.
Já vai ter. Tu tá, e tu, e tu tá mais perto que ele. Eu vou só saber seu nome agora.
O meu nome é Alexandre Lopes.
Vai, Alexandre, fala.
Eu sou formado médico veterinário.
Top.
Eu sou ativista corporal.
O que é um ativista corporal, pra quem não, não sei.
Eu sou ator e modelo. Eu me manifesto-
O que é ativista corporal?
A favor de que todas as pessoas sejam livres pra elas serem quem elas são. A obesidade é uma condição física, ela não é uma escolha.
Ela não é uma condição física.
E diferente-
Ela não é uma condição apenas física.
Do que muitos personal, personal trainers pensam, a obesidade ela não é só causada através da alimentação e da falta de exercício físico.
Foi o que eu acabei de falar.
A gente tem questões sociais, econômicas, metabólicas.
Foi tudo que eu acabei de falar. Concordamos cem por cento.
Ótimo. Que bom.
Qual é a sua questão sobre ser gordo é uma escolha?
A minha questão sobre ser gordo é uma escolha, é que os lugares pra mim são privados.
Que lugares? Qual lugar que você não pode entrar? Me fala.
Existe um ciclo.
Qual lugar privado pra você-
Eu estou te falando.
Não, cê não tá falando. Cê tá com o tono de desabafar.
Com licença.
Cê tá desabafando.
Existe um ciclo, existe um ciclo onde você diz que eu, por ser obeso, sou doente.
Mas você é. Isso é um fato.
Então, se eu sou doente, eu mereço acolhimento, respeito e dignidade no meu tratamento.
Concordo.
Quando você coloca-
Você tá sendo tratado?
Essa. Eu estou.
Ótimo.
Eu tenho personal trainer três vezes por semana.
Certo.
Nutricionista.
Tá.
Psicóloga. Eu caminho-
Já tá conseguindo resultados?
Sim, já estou conseguindo resultados.
Então você tá escolhendo não ser gordo, é isso?
Não, eu não quero ser magro.
Não, você tá escolhendo não ser tão gordo.
Eu estou escolhendo ter mais qualidade de vida.
É, através do emagrecimento.
Porque ser gordo-
Através de emagrecimento.
Não significa ser uma pessoa triste.
O que que você tá conseguin-- como é que você vai ter mais qualidade de vida deixando de ser o quê?
Deixa eu te falar.
O que que você tá acontecendo no seu corpo?
Eu estou falando. Você responde a vinte e cinco processos por calúnia, difamação-
Aonde isso?
E o uso de imagem de pessoas.
Meu amor, você vai ter que provar muito isso.
Eu tenho como provar.
Não tem.
Vinte e duas semanas atrás, você usou a imagem de uma personal-
Certo.
Desmoralizando o trabalho dela.
Continue.
Porque ela foi reconhecida numa matéria por fazer um trabalho incrível com outras pessoas.
Certo.
E pelo fato dela ser gorda, sua colega de trabalho.
Me fala como é o trabalho incrível dela. O que que ela faz que é incrível?
Ela atende pessoas gordas e ajuda essas pessoas a terem qualidade de vida, incluindo pessoas-
Eu também.
Que são gordas e saudáveis.
Eu também faço o mesmo. Ô, parou. Ei, ei, ô, ô, ô. Vou falar, né?
Com a tela vermelha, né?
Cara, eu achei que cês iam cair, caralho. Ó, trinta e oito segundos, bora pra [som de censura]. Manda bala. Posso dale? Teu nome, teu nome, teu nome, teu nome.
Igor.
Vai, Igor. Vai.
Bom, trinta e oito segundos, não tem muita coisa que falar, né? Mas só queria desmistificar essa coisa de colocar o corpo gordo como corpo doente.
Tá.
Né? Eu acho que o corpo e a saúde estão em lugares diferentes.
Legal.
É, tem uma, a gente fica reforçando esses estigmas e, e eu acho que isso mais afasta a galera gorda, por exemplo, de uma academia ou de um consultório médico.
Boa.
Do que aproxima.
Boa.
Eu acho que pra mim isso é o essencial pra começar os outros debates. Eu tô ofegante porque tem dez segundos. [risos]
Relaxa, relaxa, tá tudo certo.
Enfim, só queria ente-- só queria-
Boa.
Reforçar isso.
Foi boa.
O corpo gordo não é doente, apesar de ser um fator de, a, risco a mais, né?
Tá. Qual é a ideia, se você permitir uma visão diferente?
Claro, vai.
A gente não deve, não deve, não é que não pode, trabalhar com possibilidade. Porque vamos supor aqui, quem quer ficar milionário? Levanta a mão aí. Só um exemplo. Aí eu vou chegar pra você, como é teu nome?
Marcelo.
Marcelo, você, tive uma ideia. Cada um vai me dar dez mil reais, eu vou jogar na Mega da Virada, a gente divide depois. É possível que ganhe? É. É provável? Não. É possível um corpo gordo não ser doente? É. É provável? Não. É isso que a ciência diz, não é minha opinião. Eu não queria que fosse assim não, irmão.
Mas existem tantos atletas gordos, por exemplo.
Existem dentro da modalidade dele. Ele não é gordo pra aquela modalidade. Ele tá dentro do peso da modalidade.
E existem tantas pessoas gordas com...
Eu concordo contigo, eu entendi.
Com áudios incríveis, né?
Eu concordo contigo e eu entendi tua visão.
Sim.
A ideia é: existem narrativas diferentes pra chegar no mesmo fim.
Exatamente.
Existem pessoas que se identificam com a narrativa mais agressiva e outras não.
Sim.
Concorda comigo?
Você acha que a narrativa agressiva afasta as pessoas do TBT?
Afasta quem já se afastaria. O que eu não posso, irmão, sou eu mudar o jeito que eu falo com os meus melhores amigos, por exemplo, só pra agradar todo mundo.
Mas cê acha que tá certo colocar saúde e corpo no mesmo...
Vai.
Vamos. Beleza.
Vai. Abraço. Obrigado. E o segundo tema é: autoestima não cura diabetes.
Uh! [risos] [aplausos]
Prazer, sou Babi Paula.
Senta. Fala Babi.
Sou modelo plus size.
Chamo de Babi ou de Paula, Babi Paula?
O que você quiser.
Babi, vai, mais fácil.
Sou Babi Paula, sou modelo plus size, a primeira modelo caxiense a estar na maior semana de moda da América Latina.
O que é caxiense?
Você não conhece Caxias, Maranhão, não?
Não, não sabia não.
Ixe, geografia tá faltando.
Mas caxiense. Mas caxiense é bem específico, vai.
Por que que eu acho que todos os corpos devem ser felizes?
Não, mas pera aí, pera aí, pera aí. É, é sobre autoestima e diabete.
Auto-- eu tô falando, você tem um problema, um grande problema de não ouvir as pessoas. E eu queria falar.
Mas se eu for falar dos teus problemas aqui agora também.
Sim, meu amor, mas eu estou falando que autoestima é muito importante.
Não, claro.
Pra todas as pessoas.
Mas cura diabete?
A partir do mo-- não, eu tô falando de autoestima.
Tá falando de outro tema.
A parti-- autoestima e diabete.
Vai.
Eu estou falando de autoestima.
Vai.
A partir do momento que você desumaniza o meu corpo, a parti-
Como é que se desumaniza um corpo?
A partir-
Eu tô, eu tô fazendo perguntas porque eu não entendo o linguajar que cê tá usando, de verdade.
Sim, sim.
O que é desumanizar um corpo?
Desumanizar é não tornar aquele corpo humano, não tornar aquele corpo, é, disponível pra ser amado, pra ser aceito. Eu não quero que ninguém aqui ou você me aceite, não, porque eu já me aceito.
Então não entendi.
A minha saúde está maravilhosa e não tem nada a ver com o meu corpo. Eu sou uma mulher gorda e tô-- eu faço exames periódicos e todos os exames ok.
Certo.
Todos os exames ok.
E isso é devido à sua autoestima elevada.
Não, não, não.
Eu não tô entendendo onde é que o debate tá.
Não, é de acor-- porque a partir do momento que você fala que uma pessoa gorda não pode, não pode ser saudável.
Eu nunca disse isso. Eu quase-- eu falei inclusive o contrário.
Você fala.
Eu inclusive falei o contrário pra ele.
Você, você fala.
Eu disse: "Existe a possibilidade, mas não existe a probabilidade, a probabilidade é menor."
Você fala isso.
É possível, mas não é provável.
Isso. E como o rapaz falou, isso afasta os nossos corpos da academia, isso afasta os nossos corpos de um consultório médico.
Mas você tá falando de você ou de todos os gordos?
Não, eu tô falando dos, nos nossos corpos.
Que nossos?
Corpos gord-gordos.
Travou, travou, travou. Obrigado, Babi.
Mano, eu não entendi esse tema, desculpa.
Não tem como debater.
Quer que eu con-- quer que eu, quer que eu contextualize pra vocês? O que que acontece muito dentro da narrativa que grande parte dos defensores da obesidade, não tô dizendo que são vocês, tá? Usam. Se eu me sentir bem, é tudo que importa. Não é, não faz sentido. Então a ideia é autoestima, eu tá me sentindo bem, não quer dizer que eu tô sem diabete ou sem a probabilidade de desenvolver essa doença.
Por exemplo, homens que têm a cintura acima de cento e dois e mulheres acima de oitenta e oito, há um-- tem aumento de risco cardiovascular e desenvolvimento de diabete. Isso é fato. "Ah, mas eu não tenho." Graças a Deus, mas a probabilidade de desenvolver é alta. Essa é a pauta.
Quando você já nasce, quando você já nasce com diabetes.
Mas aí é diabete tipo um, aí é diabete tipo um.
Meu a-- sim, mas-
Eu tô falando diabete tipo dois.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde-
Não, não, não, não, não.
É de vários fatores.
Não, não, não, não, não, não.
A pauta de saúde vem de acordo com, de, é-
Babi.
Obediência de vários fatores.
Babi.
Você não deixa a gente term-- a gente falar.
É porque você já acabou o seu tempo.
Você não deixa. Não, meu pior é que você não deixar.
Quem é o próximo? Um, dois, três. Ficou contextualizado ou não? Eu posso aprender, vocês podem aprender e vocês tão vindo com ideias que foram criadas que talvez nem seja verdade. Calma, pô. Dá chance ao erro.
Se todo mundo concordar com o tema, eu pulo e a gente vai pro próximo.
É.
É um tema que não dá nem pra margem pra discorrer.
É.
E o terceiro tema é: Aceitar a obesidade é defender um pecado condenado pela Bíblia. Ô, Babi, vamo pro tema.
Eu acho que ninguém deve aceitar nada. É, todos nós temos escolhas, né, e liberdade corporal e ser da forma que a gente quiser ser. E muito importante a gente frisar que não é um corpo gordo que vai definir as minhas falhas, que vai definir o meu valor. Se fosse por isso, é, muita gente, se fosse seguir a Bíblia, muita gente estaria morto por traição, né? Por, pela falta de amor e respeito ao próximo.
Então, não, a obesidade não, não, não quer dizer uma falta de valor.
Babi.
Oxe, nunca vai falar?
É porque tu tá fugindo muito, vai direto na próxima.
Oxe, é o tema, não é?
Mas veja, é o que eles tão achando, não sou eu.
Não quer falar mesmo, mas esse assunto é bom.
Venha.
Tudo bem, senhor?
Tudo bem, como você vai?
Eu sinto muito, tá?
Como é seu nome?
É Ana Maraísa.
Prazer, Ana.
Eu tô bem nervosa, gente, não me matem.
Faz assim, ó, vem cá. Sério, de verdade.
Vamo, vamo.
Três segundos pra dentro, vai. Segura. Não, não, não, não, calma, calma. Vai comigo, ó. Segura. Três pra fora. Melhorou?
Ai, eu amo terapia.
Vai, vai, vai.
É que hoje eu não fiz a minha terapia, gente.
Relaxa, vai. Vamo simbora.
Então vamo lá.
Fica nervosa não, vai tranquila.
É, que nem o amigo perguntou sobre o que a Bíblia condena.
Certo.
Sobre, hã, não é que a Bíblia condena a obesidade, né?
O pecado da gula, né?
Isso, o pecado da gula.
Isso.
Não me matem. Eu vou dar um exemplo, um exemplo meu.
Tá bom.
Hoje faz dez meses que eu perdi o meu filho.
Sinto muito por você.
Por erro médico, negligência. E eu já estava acima do peso na gravidez. Porém, uma coisa linda, gente, eu não tive pressão alta, eu não tive diabete gestacional. Sabe o que que é nada? Nada.
Deus é demais, né?
É, mas o meu filho faleceu por erro médico.
Tá.
Cheguei aos nove meses, ele faleceu. Só que na gestação eu fui lutando contra isso pelo bem do meu filho.
Certo.
E eu quero engravidar novamente. Então, o primeiro ponto foi falado sobre a obesidade é uma escolha. Depende. No meu caso, eu tenho genética.
Certo.
Só que eu também tenho a escolha de lutar contra a genética ou aceitar a genética.
Sim.
Esse é o meu caso. Então hoje eu venho lutando contra a depressão.
Certo.
Contra a ansiedade. E eu faço terapia e estudo psicanálise.
Tá bom.
Na psicanálise eu entendi uma coisa: é, a terra é o, a, é a terra, é a infância que o adulto pisa. Quer dizer, a infância é a terra que o adulto pisa. Tudo é formado na infância. Eu descobri fazendo a terapia e estudando de onde vem a minha compulsão alimentar. Então quando você entende de onde vem a sua compulsão alimentar, há uma virada de chave.
Certo.
Porque cada um tem algo que foi determinado na infância.
Um core.
Um exemplo meu sobre a questão da compulsão. A, eu cresci num lar onde meu pai era alcoólatra, era muito briga, mas era um lar farto, era muita comida, era maravilhoso, era um sonho. Então todas as vezes que eu comia eu me sentia abraçada. Parece loucura.
Não parece.
Mas é a mente.
A gente, e muito possivelmente você vai se encaixar em um deles.
Sim.
Quando a gente fala, e pode parecer contraintuitivo o que eu vou dizer agora, mas a maioria de vocês não pode emagrecer, porque você tá buscando uma dessas três coisas: atenção, proteção ou força.
Perfeito. É.
Você tá buscando isso. Se você acredita, e essa crença foi enraizada por anos na sua vida, de que se você emagrecer agora, você vai ficar desprotegida. E talvez aquele pai alcoólatra.
Exatamente.
Possa fazer algo com você. E a comida quando eu tô num dia estressante, me conforta, porque eu aprendi a construir esse hábito na vida.
Sim.
Mas a partir do momento-- eu esqueci seu nome, Maraísa?
É, Ana Maraísa.
Ana Maraísa. A partir do momento que eu elevo o seu nível de consciência e você estuda pra saber disso.
Uhum.
Sua responsabilidade aumenta, concorda?
É, com certeza.
E a partir de agora é uma escolha.
Sim.
Não dar o seu melhor. Não é emagrecer, é fazer o seu melhor.
Uhum.
É esse o objetivo de todo mundo aqui. É ser melhor que ontem e pior que amanhã. Não é melhor que o outro.
E eu gostaria de dar um exemplo rápido. A minha mãe chegou a cento e trinta e cinco quilos, diabética, infartada, várias coisas. E ela, ela, ela escolheu. Não é que ela não se ame, não que ela não se respeite, mas hoje a minha mãe pra mim é um exemplo. A minha mãe perdeu trinta e cinco quilos. A minha-- eu tô mais pesada que a minha mãe, mas não quer dizer que isso afeta na minha autoestima total.
Tem dias que sim, tem dias que não.
Deixa-- eu posso te fazer uma pergunta?
Claro.
O que foi que levou ela a querer perder trinta e cinco quilos agora, nesse momento da vida?
[riso] As filhas.
Tem duas opções.
Sim. O médico disse que ela morreria.
A gente só muda a forma que a gente vê e vive a vida através de duas formas, tá? Através de repetição.
Sim.
Ou seja, fazer por muito tempo aquilo ou sofrendo um impacto emocional muito forte.
Sim. E ela teve uma escolha. Os médicos disseram: "Ou você perde peso", não é pela diabete, mas ou você perde peso ou infelizmente você não vai ver suas filhas crescerem.
E talvez a fala desse médico pra muitas pessoas possa ser agressiva, concorda?
Mas...
Mas foi que salvou a vida dela.
É.
Então eu não posso deixar de salvar a vida de alguém, porque alguém vai ficar ofendido comigo, pô.
Exatamente.
Essa é a minha visão. Eu falo agressivo por isso.
E outra coisa, por exemplo, questão de eu ter, é, engravidar novamente. Eu tenho uma escolha. Se eu quiser ter uma gravidez mais tranquila, mais saudável do que a outra foi, eu devo perder peso. Mas é uma escolha minha.
Sim.
O médico não disse: "Ó, você não pode engravidar, não". Eu tô tendo uma escolha de correr contra.
E até pelo seu próprio filho.
Sim, por, por amor a ele.
Porque a gente sabe, se você tiver uma gestação em estado de obesidade.
Sim, eu corro o risco.
Os riscos dele vir disfuncional em termos de cognição, fala e até mesmo com os, com, com ma-- com a probabilidade maior de ser obeso, aumenta.
Sim, eu também, porque eu já tive um princípio de AVC justamente por isso. Não pela questão do peso, mas o estresse, a ansiedade.
O que que tá faltando pra virar a chave de novo? Me diz.
Vergonha na cara, no meu caso. [riso]
Não, não é. Não é. Tem alguma coisa mais a fundo e você sabe que tem.
É.
Só que se você cavucar.
Um pouquinho mais.
Vai doer tanto. E aí tu tem que decidir: sabe de uma coisa? Tu prefere passar pela dor que tá passando agora ou pela dor de curar isso?
Verdade.
E é uma decisão. Maturidade não vem com o tempo, Ana Maraísa. Maturidade é uma decisão. E decisão é cisão. O que que eu tenho que cortar da minha vida agora? Pessoas, ambientes, comportamentos. Cê tem que decidir isso. Escreva um plano de ação que vai dar certo.
Obrigada, gente.
Viu?
Obrigada pela terapia. [palmas]
Você foi maravilhosa, viu? Obrigado.
Obrigada. [aplausos]
Como é teu nome?
Prazer.
Gostei da camisa.
Me chamo Pella. Obrigado.
Meu primo João adora essas camisas. Eu acho maravilhosa.
Obrigado.
Me fala.
Então, eu discordo que aceitar a obesidade seria.
Defender o pecado.
Uma forma de defender o pecado.
Certo.
Condenado pela Bíblia, porque o pecado do qual a gente tá falando é a gula.
Certo.
E como a gente disse no primeiro tema, tem gente que simplesmente é gorda, porque é a genética da pessoa.
Três, três por cento.
Sim, três por cento, mas existe esse ponto.
Mas a gente vai falar desses três por cento ou da maioria?
Não, não estou falando só desses três por cento. Vou falar de todos.
Tá bom.
Todo mundo. Tem gente que é por causa da genética. Tem gente que é porque simplesmente ficou gordo com o tempo.
Certo.
E foi ficando gordo.
Escolhas.
E aí, teve escolhas. Exatamente. E aí hoje a pessoa se aceita. Ponto. Não importa se é pela genética ou se é por escolhas que ela teve na vida e hoje em dia está gorda. Ela se aceita como uma pessoa gorda.
Certo.
Como eu. Eu tenho parte da genética, mas eu também acho que tem parte que são das minhas escolhas. Mesmo assim, eu me aceito como uma pessoa gorda. Isso não significa que eu estou defendendo o pecado condenado pela Bíblia, que eu tenho o pecado da gula estampado na minha cara, na minha testa e tal. Eu só acho que eu, por ser uma pessoa gorda e me aceitar como uma pessoa gorda, simplesmente não tenho, tenho que defender esse pecado.
Eu só sou uma pessoa gorda e me aceito como eu sou.
Legal, mas você concorda que isso é uma opinião baseada na sua experiência de vida?
Sim, eu concordo, com certeza é.
E eu não-- é, é irresponsabilidade minha, enquanto pers-- a, ag, enquanto agente do sistema de saúde Enquanto profissional da área da saúde, pegar uma experiência pessoal e querer extrapolar isso pra todas as pessoas que aqui estão. Eu tenho que ter base científica pra validar o que eu tô falando.
Sim, mas aí se você tem que ter a base científica, por que na sua base científica você tá falando que eu estou defendendo um pecado condenado por um livro escrito há séculos atrás?
Mas eu não falei de você.
Não estou falando que você está falando.
Não, eu falei de você.
Não, calma! Eu não estou falando o que você está falando. Você acabou de dizer que tem que ter base científica pra isso.
Sim.
Tendo base científica, você automaticamente anula a Bíblia inteira.
Pelo contrário.
Sim, você anula.
Através de que ciência a Bíblia é estudada?
Como assim, através de que ciência?
Qual ciência estuda a Bíblia?
Bem, eu acredito que Teologia, né?
E tem outra também.
Qual?
História.
Tá.
É ciência ou não é?
Tá, História é uma ciência.
Então é ciência. Eu tô usando ciência.
Porém, você, você pode me falar, eu uma pessoa-
Você tentou limitar a ciência fisiológica.
Não, não estou limitando ciência fisiológica.
Ciência é ciência.
Eu estou falando que se você está tendo base científica, não importa qual, você está anulando a Bíblia.
Não!
Porque eu estou falando com você, você sabe qual a minha religião? Não sabe, vou te dizer agora, sou uma pessoa agnóstica.
Certo.
Não, não, não é que eu não acredite na Bíblia, só acredito que haja algo-
Pera aí.
Que não é o Deus da Bíblia.
Deixa eu ver se eu entendi. Tu tá dizendo que eu tô errado porque eu usei uma referência que tu não acredita que-que faz sentido.
Não estou dizendo que você está errado.
Mas você não concorda com a Bíblia, você não concorda com aquele Deus, né?
Eu não concordo com aquele Deus.
Mas não concordar com aquele Deus, tu já deixa aquele Deus, existe.
Eu não disse que ele existe.
Ué, como é que tu não discorda de um negócio que não existe?
É, então. Exatamente, não é a questão da religião. O que eu tô tentando dizer é que se você está tendo uma base científica, você não pode usar a Bíblia, que é sobre uma religião, ou nenhuma outra religião pra falar sobre essa-
Mas eu não estou usando a Bíblia como fato religioso, eu tô usando como fato teológico.
Não tá usando. Estou usando o exemplo de que você disse que tem que ter uma base científica.
Deu? Deu. Foi mal, Bella. Desculpa. Terminou.
De nada.
Obrigado, viu? Lord inglês. Maravilhoso. Como cê vai?
Tudo bem?
Como é seu nome?
Bella.
Prazer, Bella.
Bom, primeiramente que eu sou macumbeira, então a Bíblia não me diz a respeito. [aplausos] [risos]
Leu?
Não, desculpa, eu não enxergo muito bem. [riso]
Tá, depois eu te explico.
É, primeiro eu queria, é, me posicionar a respeito de todas as pessoas que tão aqui. É um ato de muita coragem, acho que a gente debater esse assunto. Eu sempre fui uma criança-
Concordo plenamente.
Eu sempre fui uma criança gorda e acho que você impor, é, com o tema, né? Impor, é, sobre o corpo, o corpo, a vivência de uma pessoa por conta de uma religião é muito medíocre e é muito pequeno. Então eu, como umbandista, eu não tenho nada a ver com a Bíblia.
Certo.
Isso não deveria ser uma imposição do corpo alheio, né? Então você dizer que uma pessoa gorda ela simplesmente tá cometendo pecado, que é a gula, é dizer pra todas as pessoas gordas que estão aqui, que somos pecadores. Cê entende?
Deixa eu te perguntar uma coisa.
Claro.
Você é pecadora?
Todos nós somos.
Então tá tudo certo com o que eu disse.
Não, não está certo, porque você tá usando a Bíblia pra constituir uma opinião-
Deixa eu te fazer uma outra pergunta, posso?
Claro, claro.
Existem pessoas gordas que têm o pecado da gula?
Não sei, eu não posso dizer. Você acabou-
Existe a probabilidade de haver pessoas gordas que têm o pecado da gula?
Sim, com certeza.
Existe a probabilidade?
Sim.
Existe a probabilidade de não haver?
Sim, com certeza.
Foi o que eu disse já desde o começo. Existe a obesidade mesogênica, que é exclusiva da genética.
Sim.
Cê pode não comer nada, e o que você comer vai virar gordura. São três por cento da população. Os outros noventa e sete vem por excesso.
Aham.
Então é gula. Isso não sou eu que tô dizendo.
Certo.
Eu só usei a Bíblia como um gancho pra se alguém discordasse da ciência, eu trazer uma base que talvez ela concordasse.
Certo. A minha única, é, o olhar que eu quero trazer.
Tá.
Quando passa, quando você conhece alguém com depressão, você aponta o dedo diz-dizendo pra ela: "Olha, aquela pessoa depressiva". Quando tem uma pessoa com diabete, você aponta pra ela e fala: "Olha, a pessoa diabética". Então por que o corpo gordo que você diz-
Vou te explicar por quê.
Deixa eu só terminar, por favor. Quando você diz que o corpo gordo é uma doença, por que que você não trata as pessoas como, pessoas gordas, como realmente uma, um caso de saúde pública?
Vamo lá.
É isso que me deixa triste.
Tá.
E é realmente isso que afasta nós, pessoas gordas, de estar nesses espaços que você diz que somos, somos bem-vindo.
Tá bom.
Hoje, é, eu caminho por conta própria, mas eu não frequento a academia justamente porque, como ele falou, a gente não se enxerga nesse espaço porque sempre foi um espaço de, de exclusão.
Tá bom.
Então só pra re-reafirmar a minha opinião sobre exclu-- é, exclusão ju-- com o seu pensamento da Bíblia.
Tá.
É dizer que você tá usando novamente de uma, uma, uma opinião, é, religiosa pra dizer pra uma pessoa que ela é uma, que ela não merece estar ali porque ela é uma pecadora.
Quando eu trago-
É a mesma coisa quando exclui pessoas LGBT da igreja.
Vamo lá.
É a mesma coisa quando exclui pessoas que realmente não têm, é, a metade da vivência que-
Vai acabar o tempo da gente, eu não vou ter debate contigo.
Não, pode falar.
Tá, vamo lá. Quando eu trago a base da igreja, eu não falei de religião hora alguma, falei?
Falou de Bíblia.
Falei teologia. Bíblia?
Falou de Bíblia, o tema é sobre Bíblia.
Bíblia não tem a ver com religião diretamente, não.
Tem. A minha, a minha religião não tem, não tem Bíblia.
Calma. Tá, e tudo bem. Ou seja, a-a Bíblia, existe uma ciência chamada teologia que estuda a Bíblia.
Certo, certo.
A teologia não é religiosa. A teologia não é religiosa, é uma ciência. Eu tô usando isso como base.
Então já começa com o erro na pergunta do tema.
Não, mas a Bíblia tá sendo usada, tá sendo estudada pela teologia.
Sim. Mas quantas pessoas aqui são cristãs?
Mas veja, mas veja, Bella, você ter entendido errado não quer dizer que a pergunta está errada. Mas vamos lá.
Mas se tem trinta pessoas na sala concordando que a pergunta foi mal feita no tema, você tem que concordar que existia um embate.
Tá, então a gente tá concordando que a pergunta foi mal feita, e não que a pergunta não faz sentido ou que a pergunta em si não direcione pra o que realmente pode existir, que é o gordo ter compulsão. Entendeu?
Entendo, mas-
Não, não acabou, não. Tá aqui
Tenho um minuto ainda. Eu entendo, mas realmente, é, é mu-
É porque você tá tentando entender uma coisa através de um conceito que você não acredita.
Exatamente.
Não tem como, mas não tem como te explicar.
Mas en-então, mas como que você vai me falar sobre Bíblia se é algo que eu não acredito?
Mas eu não tô falando pra você, você que veio até aqui.
Não, mas você tá falando pra todas as pessoas que estão na sala, que estão assistindo.
E, e o, e o Marcelo queria ter vindo.
Sim, exatamente.
Porque ele acredita na Bíblia, acredito eu.
Sim, mas eu não.
Olha aí.
Mas eu sou uma pessoa gorda, então como que você consegue-
Mas, mas por que você se incomodou por algo que não existe?
Porque o tema fa-- porque o, o tema fala justamente sobre isso. O tema.
Mas Bella-
Você ouviu a pergunta do tema?
Mas Bel-- ouvi. E você não acredita naquilo ali?
Não acredito.
E por que te incomodou a ponto de vir aqui debater?
Porque essas opiniões que eu não acredito, ele é a base de ódio pra várias pessoas que hoje tão dentro da igreja.
Ódio é forte.
Não, ódio não é nada forte.
Ódio é forte. [aplausos]
Ódio não é nada forte. Ódio não é nada forte.
Veja, eu sinto muito-
Uhum
...que talvez cê tenha passado por uma experiência muito ruim.
Uhum.
Como a Ana Maria tava falando aqui agora, eu não sei em que fase da vida foi.
Certo.
Mas tem pessoas ruins na igreja? Claro que tem.
Uhum.
Isso faz da igreja um todo ruim? Claro que não.
Uhum.
Existem pessoas gordas que têm compulsão e praticam o, o pecado da gula? Sim.
Uhum.
Isso quer dizer que todas as pessoas gordas fazem isso? Não.
Certo.
É esse o contexto.
Uhum.
Então a ideia é vir aqui defender que sim, existem pessoas gordas que defendem o pecado da gula. Isso é um fato. É só isso que tá sendo dito. E você poderia ter vindo e dito: "Pô, Guto, eu concordo, mas eu discordo, porque comigo não é assim."
Uhum.
E tá tudo bem. Entende?
Entendo.
Obrigado, querida. Prazer em conhecer.
Igualmente.
E o quarto tema é: o que você chama de me aceitar como sou, a medicina chama de doença. [palma] [conversas indistintas] Alexandre.
Isso.
Vai.
Eu quero te falar que todas as pessoas que estão aqui já passaram por uma questão psicológica.
Tá. Eu também passei.
E quando a gente fala de doença, a gente pode falar da obesidade, a gente pode falar de tudo aquilo que a obesidade causa e tudo aquilo que também é causado pela obesidade. Assim como estão todos aqui, quando eu tinha-
Mas a gente concorda que é uma doença?
Concordamos. Concordamos que também é uma condição que pode gerar outras doenças.
Sim.
E pode ser causada por outras doenças. Quando eu tinha catorze anos, um grupo também de vinte e cinco pessoas, de vinte e cinco homens, me abordaram na rua e me espancaram, cuspiram em mim, me humilharam, me xingaram e quebraram com a minha saúde psicológica. Eu tive vontade de morrer, eu tive vontade de me suicidar. Com catorze anos de idade. E eu tenho certeza que a minha história toca todo mundo que tá aqui, porque pra gente falar sobre obesidade, a gente tem que falar sobre saúde mental.
Pra eu tá aqui hoje, eu tô extremamente desconfortável e a minha vontade aqui é de te atacar. Eu tô aqui numa situação de embate. Eu vou usar a história da Maraísa, como a minha história também é muito tocante e é muito triste. Existe um armário onde a gente sai pra se entender como gordo, porque quando a gente é criança, a gente não tem o entendimento de que a sociedade vai massacrar a gente, de que a gente pode vir a ter um problema no joelho ou um problema de coração.
E aí eu te faço uma pergunta: Pessoas com síndrome de Down são mais propensas a terem doenças cardíacas. Nem por isso existe um movimento contra a síndrome de Down.
Porque não, não tem como curar.
Sim, não tem como curar, porque não é um problema.
Então por que você quer montar um movimento pra quê?
Agora você tem que se colocar no seu lugar de entender que emagrece quem quer.
Mas peraí. Mas peraí, vamo já.
Calma aí que eu tô falando, não terminei ainda.
É, cê fez uma pergunta.
Tá bom? Não. Eu te falei que pessoas com síndrome de Down-
Mas você consegue conversar sem querer me atacar, mesmo verbalmente?
Consigo. Eu vou falar pra você sobre saúde mental, tá? Nós temos aqui. Essa daqui é de Helito Santos, tá? Ela tinha dezessete anos e ela se enforcou na escola, tá? Ela se enforcou porque ela era humilhada como uma criança gorda.
Um absurdo.
E aí, depois que ela morreu, nas escolas e na internet, falaram que ela deveria ter se enforcado não com uma corda comum-
Absurdo
...mas com cabo de aço.
É um absurdo.
Porque o que acontece na internet é que independente de qualquer coisa que a gente fale aqui, você vai continuar tendo dois, três milhões de seguidores. Você vai continuar tendo seguidores, fãs, pessoas que te apoiam. Você vai continuar tendo o seu dinheiro, porque o seu propósito, enquanto uma pessoa que tá na internet, e aí você nem se coloca mais como personal, como instrutor físico, você se coloca como influenciador.
É gerar lucro em cima do quê? Da insegurança das pessoas que ali estão na internet.
Você fez um desabafo.
Essa daqui também morreu por conta de gordofobia na faculdade. E essa daqui é uma influenciadora que depois que ela morreu, pegaram a imagem dela e anunciaram numa academia. Se você não quiser morrer como ela, venha pra nossa academia.
Mas eu tô concordando com tudo que cê tá falando. É um absurdo isso.
Eu fico feliz que você concorde com o que eu tô falando.
Mas eu sempre concordei com tudo isso.
Não.
Sempre.
Porque até mesmo na segunda-feira, você fez um vídeo falando que uma mulher gorda e preta, que é dançarina, não podia fazer uma campanha pra Nike.
Eu falei essa frase.
Você falou que ela não devia-
Eu falei essa frase.
Você falou-
Gorda e preta. Você vai ter que provar isso.
Ela é, ela é uma mulher gorda e preta.
O que eu disse foi-
E você falou que ela não poderia ser uma pessoa feliz, porque nós temos o direito a sermos uma pessoa feliz.
Cara-
E você acha que a gente tem que ser triste-
Eu sinto muito-
Enquanto pessoas gordas
...pelo que você passou. De verdade. Eu sinto muito.
Eu não acho que você sinta.
Mas não importa o que você acha.
Eu já disse o que eu queria falar.
Obrigado, Alexandre. Como é seu nome?
Cristina.
Prazer, Cristina. Cê lembra do tema?
Pode repetir, por favor?
Eu esqueci também. Eu perguntei porque eu também esqueci.
É sério que você esqueceu?
Esqueci. Depois de quatro horas aqui ele falando nada a ver.
Ok. Hã, me relembra rapidinho quais são as suas formações. Você disse que é formado em Educação Física.
Especialista em tratamento da obesidade pela Gama Filho do Rio de Janeiro, em emagrecimento pela Gama Filho do Rio de Janeiro, Psicologia Positiva pela PUC do Rio Grande do Sul e Ciência do Bem-Estar pela Yale University de Estados Unidos.
Nenhuma dessas é medicina, certo?
Não.
Ok. Eu não vim-
Você é médica?
Também não.
Ah, tá.
Eu não vim aqui querendo atacar você, porque sinceramente eu não faço a menor ideia de quem você é. Você não é meu, eu não sou seu público.
Tamo junto nisso, também não faço ideia de quem você é.
Não.
Não.
Eu não sou seu público, você não é meu tipo de criador de consu-- de conteúdo que eu consuma.
Qual é, qual é o meu público?
Não sei. Eu sei que eu não faço parte.
E como é que tu sabe que não faz parte? Não sabe nem qual é meu público.
Eu não te sigo, então você não é meu tipo de criador de conteúdo. Suponho que eu não seja seu público.
Aí levanta a mão aí.
Uh, rapidinho, gente.
Já deu. As pessoas levantaram a mão. Não sou eu, são eles que decidem. Tu tem que levantar.
Tá.
Foi mal. Obrigado. Turma, posso, posso abrir meu coração pra vocês, de verdade? Se continuar assim, vai ser bom pra mim pra cacete na internet. Então assim, porra, eu tô aqui pra debater real. Eu tô aqui pra debater real e vocês tão me dando o queijo, a faca quente e a manteiga na mão. Vocês falaram de ódio lá na sala. Pô! Vocês falaram de ódio lá na sala.
O cara até agora não agrediu ninguém. Vocês que tão demonstrando ódio. A pessoa só conhece.
Bora lá. Acho que tem uma ques-- é, vou voltar naquela coisa de saber separar muito bem as coisas, né?
Tá.
Acho que quando a gente fala sobre aceitar como sou, isso tá relacionado ao nosso corpo. E aí quando a gente fala de doença, a gente tá falando de um outro espectro, que quando a gente mistura e escracha, vira essa frase toda junta que eu acho que ataca as pessoas. E eu até entendo as pessoas virem nesse, nessa armadura de ataque, porque é uma coisa muito pessoal, né?
Mas também entendo que você tá trazendo um, informações de um lado, é, de um estudo que você fez, de, de todo o seu estudo, toda a sua, é, experiência acadêmica e afins. É, porém, e aí é que eu acho que mora o perigo quando a gente coloca tudo num balaio só, né? Eu tava vendo, por exemplo, que, é, quando a gente fala, por exemplo, de mácia corpórea, né, nem o, nem a OMS considera, por exemplo, o IMC, é, um laudo, né?
É que o IMC pra todo mundo, não s-- quem não sabe o que é IMC aqui? IMC é o índice de massa corpórea.
Isso.
Ele é uma, uma, uma, uma conta que cê faz entre sua altura e seu peso, mas o IMC só serve pra grandes contingentes populacionais.
Exatamente.
Pra eu ter uma ideia se a quantidade da maioria das pessoas que ali mora é alta ou baixa, isso que ali pensa, entendeu?
Sim.
É só pra isso.
Exatamente.
Pra, pra você sozinho, ele, ele é falho.
Exatamente. E aí, justamente porque ele deixa de considerar vários fatores, né-
Exato.
Socioeconômico.
Não, perfeito.
É, acessos e afins e todas essas coisas. Por isso que aqui eu gostaria muito de destrinchar entre duas coisas diferentes.
Tá.
Uma coisa pra mim é você se aceitar quanto seu corpo, quanto sua realidade.
Tá.
Quanto o lugar que você tá, não conformismo, e saber diferenciar o que é sedentarismo, que aí pra mim é onde mora a questão da doença.
Posso fazer uma provocação?
Pode, super. Deve.
Geralmente, aí eu vou falar de mim.
Vai.
Quando eu vejo o me aceitar como sou é: sou assim e vou continuar assim.
Hum.
Quando eu vejo é mais ou menos isso.
Mas vou continuar é uma condição que você coloca sobre se aceitar. Se aceitar e continuar são coisas diferentes.
Então, é aí a gente discorda.
Hã.
É, eu posso aceitar a condição que eu estou, e aceitar a condição não é permanecer, não.
Sim, sim.
Eu aceito que hoje eu estou com dificuldade financeira. Vou fazer nada pra melhorar, não é?
Ué, mas eu não posso aceitar quem eu sou e a partir disso-
Mas você não é, isso aqui é quem você é?
Exatamente.
Não, quem você é tá sendo esse cara super gente boa.
Não, super.
Super eloquente, po-- um bom filho.
Tá, mas vamo lá. Quando eu falo sobre aceitar quem eu sou, aceitar o estado que eu estou agora. E aí as condições à qual eu me coloco.
Sim.
Por exemplo, se eu quero um corpo gordo, ele pode ter uma vida extremamente saudável, ele pode se exercitar. E aí é onde que eu, eu só que queria chegar, que eu acho que é o perigo disso tudo, né?
Tá.
Quando a gente coloca o corpo gordo nesses estigmas.
Tá.
A gente afasta as pessoas dos reais propósitos delas, que é ter uma vida saudável.
Eu concordo com você, mas de todas as pessoas que passaram aqui agora, incluindo você.
Sim.
Quem limitou o corpo gordo foram vocês ao próprio corpo gordo.
É porque as perguntas são tendenciosas a chegar nesse, nesse lugar, certo?
Não, você pode discordar e trazer um outro ambiente.
Sim, é o que eu tô fazendo.
Não tem problema nenhum.
Discordo e trazendo outro ambiente.
Mas como você diz eu me aceito e eu sou assim e eu não vou mudar?
Tendencioso.
Não faz sentido.
Mas ninguém falou sobre não mudar. Eu me aceito como eu sou e eu entendo que eu preciso de condições pra chegar onde eu quero.
Mas se eu que-
Se eu quero emagrecer, eu acho que-
Mas se você se aceita como é, por que que cê vai mudar?
Não, mas eu posso querer ter um estilo de vida um pouco mais saudável sendo gordo, certo?
Você vai ser-
Eu quero ser uma pessoa gorda e sei o que eu quero.
Você vai diminuir a probabilidade de ter mais doenças, mas saudável, a probabilidade de não ser maior.
Eu não posso ter um estilo de vida saudável? Eu não posso comer, fazer exercícios, diminuir, por exemplo, tendências?
E a, e a consequência disso vai ser você emagrecer, não tem pra onde fugir. A não ser que você tenha-
Pode ser que sim.
Pode ser, não. Vai.
Mas o que, mas aí o, aí a gente coloca um estereótipo de um corpo magro lá na frente, como que se pra que eu fui saudável, eu preciso chegar naquele corpo que foi estabelecido.
Beleza, mas aí é aquele balanço que a gente coloca de possibilidade e probabilidade. Saúde é mais fácil e mais provável, de acordo com a ciência, uma pessoa magra ser mais saudável. E quando eu falo uma pessoa magra, não é comparando você com o outro.
Sim.
É você com você mesmo.
Mas não é o único e exclusivo do corpo magro, certo?
Não, esquece a estética de outra pessoa.
Exatamente.
Você, se você perder vinte quilos, sua cognição vai ficar melhor ou pior?
Com certeza pode ficar melhor.
Sua memória vai ficar melhor ou pior?
Pode ficar melhor.
Seu condicionamento cardiorrespiratório, melhor ou pior?
Mas se eu começar a fazer exercícios e, e ter uma, uma rotina mais saudável agora, cê acha que eu também não posso trazer benefícios pra mim?
Se continuar com o mesmo peso, talvez o exercício tenha sido equivocado ou você não teja dando o seu melhor. Então você tá meio que criando uma ilusão. Ah, eu jogo bola três vezes por semana. Isso não é exercício físico, é atividade física. Sabe a diferença de atividade física e exercício físico?
Vai.
Deixa eu te elucidar. Se eu dissesse: Igão, levanta aqui, pega uma cerveja lá dentro da geladeira e volta pra gente tomar uma Isso aí é uma atividade física.
Tá.
O que é um exercício físico? Você vai levantar dez vezes, vai até lá em trinta segundos, vai voltar e agachar mais dez vezes. Você vai fazer isso três vezes por semana, durante dois meses.
Arrasou.
Eu, eu consigo metrificar. Eu quantifico e qualifico. Então o que as pessoas confundem hoje é isso. Ah, eu faço uma caminhada. Quanto? A que velocidade?
Tá. Mas vamo lá. Só voltando uma coisa. Tudo isso tá ligado a muitos outros fatores.
Sim, concordo.
O socioeconômico, acesso. A gente tá falando de mim, mas se a gente vai pra um espectro maior, uma dona Maria, que acorda às cinco da manhã, chega dez horas da noite em casa, aí ela não consegue, por exemplo, fazer exercícios, comer bem, final de semana.
Concordo plenamente.
Vai beber a cervejinha dela.
Mas você concorda.
Mas aí, só, só finalizando esse papo. É, ela num-- ela em algum momento não vai, por exemplo, se sentir bela, se sentir, é [interrupção]
Concordo. Concordo.
Se sentir desejada. Aí ela abre o Instagram e existe todo um discurso de ódio pro corpo dela.
Concordo plenamente.
E é aqui que mora o perigo.
Eita. Opa, desculpa. Ah.
Arrasou. [risos]
Vai, girl. [som de tickets] Como é que cê vai? Como é teu nome?
Carol Matias.
Prazer, Carol.
Prazer.
Manda bala. Lembra do tema?
É, repete, por favor.
Cês tão tudo-- sabe o que é isso? [risos] Aí quando eu digo que o excesso de gordura afeta a memória, ninguém acredita em mim, ó.
Na verdade, eu lembro o tema.
O que você chama de me aceitar como sou, a medicina chama de doença.
Sim.
Vai lá.
Você, é, eu queria entender primeiro sobre essa colocação, porque em nenhum momento tá falando sobre padrões. Aceitar o próprio corpo não quer dizer que, hã, eu tenho uma doença. Aceitar o próprio corpo é se sentir bem, é estar bem consigo mesmo. Isso é mais na questão da autoestima do que da questão da doença. Mas hoje em dia, a nossa sociedade, ela pré-julga todo mundo, inclusive, é, por padrões estéticos de antigamente, na moda, principalmente, de que todos deveriam ter uma metricidade.
Tanto isso pela questão lá atrás dos gregos, que precisavam ter muito os padrões estéticos limitados. Então, veio-- o conceito do belo, veio daí. Então, quando eu entendo essa pergunta, ele não tá voltado tanto pela questão da doença. Eu entendo pela questão de autenticidade do próprio ser.
Tá legal.
E aí eu queria entender mais desse seu ponto de vista pra eu contrapor.
Porque você trouxe uma questão psicossocial, né?
Sim.
Do julgamento dos outros.
Sim.
Isso é o que te incomoda.
Não, na verdade, é o que parece na pergunta mesmo.
É o que aparece na pergunta.
Isso.
Mas tu disse que vê isso nas redes sociais.
Isso.
As pessoas julgando pelo que veem.
Não só nas redes sociais, no convívio social.
Em todo lugar. Entendi.
Isso.
Tu tinha algum tipo de predisposição pra pensar como eu era antes de eu chegar aqui, quando tu me viu?
Não, na verdade, eu nem sabia.
Tu nem sabia.
Nem sabia quem ia ser.
Mas tu percebeu que muita gente tinha, não é?
Sim.
E eles me julgaram?
Sim.
Por coisas que eles viram?
Sim, porque a gente mostra o que a gente quer. Mas isso quer dizer-
Então você quer mostrar um corpo gordo?
Mas aí o corpo do-- o corpo gordo, não necessariamente ele está doente.
Veja só.
Ace-- e aceitar o próprio corpo.
Aí nós vamos voltar de novo pra probabilidade e possibilidade.
Isso, mas aceitar o próprio corpo.
O que que a medicina diz? O que que a literatura diz? Que ele não está doente ainda.
Sim, também. Mas aceitar o próprio corpo não vem pelo, pelo simples fato da doença.
É porque a palavra [interrupção]
Ele vem pelo estético. Exato.
A palavra aceitar é [interrupção]
Sim.
Eu quero continuar como eu tô. Se eu tô bem, eu me aceito assim.
Sim.
Porque ninguém que está se sentindo mal aceita continuar se sentindo mal.
Mas quando a gente aceita o nosso próprio corpo, a gente consegue entender quem a gente é. Só que se a gente aceita o nosso corpo da gente, do jeito que a gente é, outras pessoas não deveriam estar julgando de fora [interrupção]
Tá.
Se está doente ou não.
Concordo. Quando foi que eu fui no Instagram de alguém e dizer: "Ei, você tá gordo, tem que emagrecer."
Não.
As pessoas vêm até mim.
Sim.
E vem até mim quem se identifica comigo. Quem não gosta, bloqueia, para de seguir, vai embora e tá tudo bem.
Tá.
Tem gente que eu concordo com várias coisas que fala e com outras não. Se fere meus princípios e valores o que foi falado, eu bloqueio.
Tá, mas aí-
Se não fere, eu só discordo e não vejo.
E voltando pro, pro, pra questão da pergunta. Aceitar o próprio corpo é...
O que a medicina chama de doença.
Isso. Então.
E é, porque o, o, a palavra aceitar é da permanência.
Não.
Eu aceito, é assim.
Não, você, você aceitar quem você é, aceitar o seu próprio corpo, entender quem você é [interrupção]
É que quando você coloca [interrupção]
Não quer dizer que coloca como uma doença.
Quando você coloca quem eu sou [interrupção]
Aham.
Você se coloca no estado de imutabilidade.
Não, nem [interrupção]
Claro, se eu sou assim.
Sim, porque todos temos.
Eu estou assim.
Não.
Claro que sim.
Não, porque quando a gente entende o nosso corpo, não só mentalmente, fisicamente, a gente entende o nosso ser, a gente tem um próprio conhecimento de nós mesmos. Então não tem como a gente colocar isso dentro do padrão de doença.
Mas não é a gente colocar. Existem pré-requisitos pra determinar se uma pessoa é doente através da obesidade ou não. Não é só olhando, não. Olhando, a gen-- e tem um dos pré-requisitos. Isso é base científica. Agora, como eu me sinto quando sou julgada, é outra coisa.
Mas a própria pergunta já tá dizendo isso, porque aceitar o nosso próprio corpo, aqui tá dizendo, quando eu aceito o meu próprio corpo, você mostra que é uma [interrupção]
A medicina chama de doença.
Exato. De doença.
É o fato, mas é doença.
A visão já vem através de padrões que são esteticamente desprovados e colocados dentro.
Mas, mas não é estética.
Sim.
A, a obe-- acabou.
Ah, que droga.
Tava bom.
Tava bom, até que bem.
Gostei, gostei. Gostei tudo. [aplausos] E o próximo tema é: quem defende a obesidade tá falindo o SUS. Como é teu nome?
Diane.
Prazer, Diane. Como é que cê vai?
Prazer. Bem, graças a Deus.
Que coisa boa, fico feliz. Tô ótimo.
Tá ótimo.
Fala.
Então, eu não acho que tá falindo o SUS [interrupção]
Fala.
Porque eu acho que, como tavam falando que a obesidade é uma doença, generaliza isso. Não é uma doença. Eu sou formada em balé, em jazz e em educação física. Sou coreógrafa e sou gorda.
Então, desde que eu nasci, eu nasci gorda. Então-
Tu lembra, eu vou assim pra gente conversar, tá? Pra não ficar um monólogo daí, daqui. Aí quando ver acabou o tempo, a gente não fez nada. Tu lembra quando foi isso, identificou que tu era gorda? A idade mais ou menos.
Minha mãe que identificou, porque eu nasci gorda. Eu nasci com quatro quilos e meio.
Já nasceu. Mas meu filho também nasceu quatro quilo e meio, não é gordo, não. Acho que minha bomba passou pra ele.
Então, aí por medo de eu crescer uma criança gorda, o meu pai e minha mãe me colocaram em todas as atividades físicas possíveis.
Top.
Foi assim que eu me formei no balé e no jazz, porque eu peguei amor. Mas eu era a única gorda que dançava balé. Eu era a única gorda que abria espacate-espacate. Aí eu falei: Mãe, eu nasci pra dançar.
Que top.
Eu não posso deixar de dançar porque eu sou gorda, porque eu era vista diferente. Eu era apontada. E muitas vezes quando chegava, é, no municipal, por exemplo, pra ter uma seleção de bailarinas top, eu saía pelo peso. Ela era desqualificada pelo meu peso. E tudo bem, porque a minha mãe me preparou pra eu entender que eu poderia ser tudo que eu quisesse, independente do peso.
Tua mãe foi incrível.
Minha mãe é incrível. [riso] O meu pai já tá no céu, mas ele vivia batendo em cima do: filha, diabete. Filha, diabete. Então meus exames tão em dias. Eu não tenho nenhum problema de saúde. Eu corro atrás do meu peso, eu faço regime. Desculpem amigos, mas eu faço. [risos] Porque senão eu fico maior, porque eu não quero morrer de obesidade. E eu sei que é uma doença, mas eu me sinto bem, muito bem assim, entendeu?
Porque eu continuo malhando, eu não vou parar. O SUS não vai me atender tão cedo.
Não, tudo bem. [risos] Mas a ideia é: você acredita que você ser gorda interfere na minha vida?
Não.
Alguém aqui acredita que por estar acima do peso, ser obeso interfere na minha vida?
Não.
Tipo, a gente tá em São Paulo, não tá? Se tiver alguém obeso no Acre, interfere na vida de vocês?
Não.
Interfere.
Em quê?
Todos os anos são gastos três bilhões de reais em tratamentos da, contra a obesidade pelo SUS. Esse dinheiro sai de onde?
Você trata.
Sai do-- não, sai do meu bolso. Eu pago imposto. Claro que sim. Sai do-
Sai do nosso.
Sai também, mas eu tô pagando pela sua doença através de escolhas.
E o tratamento com drogas, com vícios?
Deixa eu falar. Concordo plenamente. Então vamo mudar. Quem usa drogas está falindo o SUS? Está.
Não, mas é que tá, que tá falindo são, são os governantes que só roubam. Isso é outra coisa.
Veja só, são dados. Desses, desses três bilhões anuais, foi roubado um monte. E beleza, aí eu não tenho como dizer, porque eu não tenho dados pra isso.
Mas é um direito nosso usar como todo mundo.
Veja só, mas a ideia é, a partir do momento que eu entendo que apenas três por cento da população tem obesidade mesogênica, aquela que é exclusiva da genética e o resto é por padrão de comportamento, e esses padrões são escolhas que eu faço, sejam conscientes ou não, eu estou escolhendo fazer isso.
Você concorda que ser gordo não é uma escolha?
Mas eu acabei de falar que é. Eu tô defendendo isso o tempo inteiro.
É porque não é uma escolha.
A partir de só três por cento não escolhem isso, inclusive pelos, pelo seu relato. E aí eu vou ser superficial aqui. Pelo seu relato, nasci gorda e sempre fui gorda. A obesidade mesogênica é encontrada a ca-crianças antes dos cinco anos de idade. Então talvez você faça parte dos três por cento. Existe noventa e sete por cento que tá falindo o SUS por escolha. Isso é um fato.
Mas não é escolha, querido.
É.
Todo mundo tem problema, tanto psicológico como de droga, todo mundo usa. Todo mundo usa o SUS.
Mas você concorda que alguém que tem-- não, não, não, não. Tô falando de obesidade. São três bilhões de reais pra obesidade.
Vários tipos de coisas que a gente não controla.
Eu tô falando de dinheiro específico destinado a tratamento da obesidade. São três bilhões por ano para algo que é antecipável.
Mas a saúde, ela é necessária em qualquer ângulo, não é só na obesidade.
Não, você não tá entendendo. Mas a discussão é sobre obesidade.
Sim, mas eu tô te dizendo que ela é usada em todos os ângulos.
Você sabia que se você nasce com o gene da obesidade, mas você não vive dentro de um ambiente que se chama pela literatura de obesogênico, a probabilidade de você desenvolver a doença diminui igual à depressão. Existem pessoas que nascem com o gene da depressão. Se ela vive num ambiente que não induz a processos depressivos, a probabilidade de desencadear a doença diminui. Ao contrário de uma pessoa que nasce sem o gene da obesidade ou sem o gene da depressão e vive num ambiente que induz a depressão e a obesidade.
Essa pessoa, mesmo sem o fator genético, dados científicos, tem maior probabilidade de desencadear a doença.
Pode ser.
Ou seja, não, não é pode ser. É um fato científico, não é minha opinião. E eu queria que fosse diferente. Sabe por quê? Porque menos gente ia sofrer. Eu queria que fosse diferente de verdade, mas não é. E eu não posso trabalhar com o sonho do como eu gostaria que o mundo fosse. O mundo não é bonito, não é florido e ninguém tá nem aí pra gente.
Isso é pra mim também.
Mas eu acho que o mundo é lindo, é florido e tá muito aí pra mim. [risos] A partir do momento que eu nasci, eu vim pra brilhar. [aplausos]
Isso é-
E essa felicidade é uma coisa interna, você não gosta, malandro.
E me diz uma coisa, se sentir assim, desse jeito e me responder como tu respondeu, é uma escolha?
Claro.
Isso partiu do que tu tem aonde?
Educação da minha casa.
Exato. Acho que tem gente sem educação em casa por aqui. Maravilhosa.
Muito obrigada.
Maravilhosa. Você foi incrível. Obrigada. Senta, Hulk. Era pra tá de verde, né [som de bipe].
É por causa da escola.
Posso dale?
Pode memo. Eu acho assim, cara, com todo respeito, a gente já tá cheio de pobrema no Brasil, no Rio de Janeiro. Eu vou falar uma coisa só em paralelo, não levanta a mão não, tropa. [risos] Igual esse bagulho. Igual esse bagulho de neguinho parar tudo pra prender o Aruã, porque não sei o quê. As pessoa até, tá querendo arrumar sarna pra se coçar. Aí a gente que é gordo já sofre a vida toda.
Aí vagabundo agora vem falar negócio de: "ah, porque vocês gastam muito, porque não sei o quê." Tanto bagulho gastando. Aí vai falar do gordo.
Eu concordo.
O gordo só que-- mano, pega a visão. Pega a visão.
Vai.
Do que tu tá vendo aqui e do que tu vê na tua vida. Tipo assim, eu já busquei muito, a gente já buscou correr atrás. Não conseguiu. A gente só quer ser respeitado. A gente só quer ser respeitado. A ge-a vida toda a gente sofre. Eu já sofri pra [som de bipe] por causa de mulher. Ficava frustrado em casa. [som de bipe] Ela não gosta de mim porque eu sou gordo. Ia lá, emagrecia.
Sofria na escola. Neguinho me batia igual ele ali falou. Neguinho me batia, me dava tapa na cabeça porque eu era gordo. A gente só quer ser respeitado, mas os outro vem e arruma isso. Ah, porque vocês tão gastando pra [som de bipe]. Todo mundo gasta. [risos] Os cara rouba pra [som de bipe]. Entendeu? Tipo assim, ó, igual você falou pra mim agora aqui no off, eu vou te ajudar. Pô, muito obrigado.
Igual o Titi Cariani também ajudando, tá ajudando o gordão. Se tiver mais gente assim querendo ajudar e não querendo apontar-
Irmão.
Vai melhorar o mundo.
Eu criei de graça, o maior movimento de obesidade da América Latina. Se tu clicar aí, de graça, de graça, eu ganho nada.
É isso aí, as pessoas têm que ser assim.
Só que a parada é a seguinte, tu tem que entender. Não faz sentido, eu como especialista em tratamento da obesidade, emagrecimento e mo-- mai-maior movimentador do, da saúde no Brasil hoje. Tenho a equipe de médicos. O novo, o novo movimento é Make Brazil Health Again, fazer o Brasil ser saudável de novo, não só física, mas mental, emocional, espiritualmente, financeiramente também, porque a galera não sabe lidar com isso.
E eu vir falar de, de, de outro problema que não seja esse, eu, eu, aí foge minha alçada. Eu tenho que trazer problemas que eu domino a solução, entende?
Mas eu acho que-
Mas eu entendo o que você tá dizendo.
Eu acho que a gente já é tão cheio de problema.
Mas tu concorda, mas tu concorda.
Vai botar em cima do gordo.
Tu concorda comigo que sabe o que um boi de piranha é?
Eu sei o que é boi de piranha.
Que bota, bota isso aqui ó, pra desviar a atenção.
Então, exatamente. Aí com o gordo, a gente só quer ser respeitado.
Mas tu não faz isso na tua vida também pra desviar a atenção dos problemas?
Botar uma cortina de fumaça?
Álcool, comida, sexo, celular, televisão.
Não, mas aí já é o problema psicológico que entra.
Saca a parada? [risos] Aí quando pega pra tu, que os outros falam, não, mas é diferente. Eu tenho motivo pra fazer isso. Te quebrei agora, Ruquin. [risos] Te quebrei.
Pois é.
Te quebrei. Te quebrei.
Olha, tem outro aí.
Vai.
Bom, eu discordo novamente do custo dos gordo, porque gordo gasta bem mais que o magro.
Mas foi isso que eu disse.
Sim. [risos] Não, ele gasta. Ele gasta. Desculpa.
Obrigado. Quer trocar de lugar?
Não, não, não, não.
Vamos trabalhar outro, vem vem.
Desculpa, desculpa, desculpa. Ele lucra. Não, ele ga-- ele gan-- ele não, ele ganha.
Ele gera lucro.
Gera mais lucro.
Tá.
A roupa dele, ele, tipo, é mais cara, entendeu?
A quantidade de comida.
A quantidade de comida, tudo que ele, ele gasta, ele é mais. Então ele tá trazendo lucro sim pro outro lado.
Tá.
Ou não, ele tá vendendo.
Eu concordo.
Tá comprando.
Eu concordo. Não é porque algo gera lucro, que justifica o custo elevado que outras pessoas tão pagando. Por exemplo, o lucro que você gera quando você pede um McDonald's, por exemplo, vem pra minha conta?
Independente, o, o lucro, não, não, não.
Só responde, vem pra minha conta?
Ele vai pagar imposto também, o McDonald's, não vai?
Sim.
Então cê tá falando da questão do SUS?
Mas eu nem como McDonald's.
O gordo, não, mas o gordo.
Eu nem como McDonald's. Eu nem sou dono de McDonald's e eu tô pagando imposto de um tratamento de uma doença.
O dono também tá pagando.
Que é evitável. É isso que eu tô dizendo.
Se o gordo tá precisando de atendimento, a mesma coisa o magro. O magro vai precisar de um atendimento, ele vai gastar no SUS.
Mas meu lindo, o que eu tô lhe falando de probabilidade, números de dados do IBGE agora.
Mas não-
Do Ministério da Saúde.
Ele vai gastar de qualquer jeito.
Só o tratamento de uma doença que é evitável, é evitável, ou seja, poderia não estar ali acontecendo, se houvesse padrões de comportamento, consciência da população.
Mas todas as doenças a gente pode tentar evitar. Tipo assim, vamos evitar.
Oxente.
Vai diminuir os hospitais, então.
Graças a Deus. Se eu tenho, se eu preciso de menos hospitais, eu tenho menos gente o quê?
Doente.
Isso é ruim? Por que isso é-- aí, desculpa, perdão, perdão. [risos] Aí.
Eu só quero falar uma coisa rápida. Eu falo e eu saio.
Fala, Alexandre.
O SUS é composto por um milhão de pessoas. Você é um em um milhão, tá? Dito isso, eu tenho a escolha de procurar você ou não. Cê concorda comigo? Você não tem como resolver o problema de três milhões de pessoas. Essa roda aqui não é um consultório, não é uma clínica, assim como a internet também não é. Se a gente tá falando sobre obesidade e você é um representante da luta contra a obesidade, o seu perfil eu nunca vi ninguém-
Parou, Alexandre.
Sendo atendido por você. Eu só vejo você humilhando.
Posso te perguntar uma coisa?
Pode.
Tu já viu no meu perfil eu fazendo cocô?
Eu já vi você humilhando pessoas gordas.
Mesma coisa.
Você usa-
Acabou, Alexandre. Obrigado, querido. Como você vai?
Prazer, Najara Raquel.
Prazer. Najara?
Inajara Raquel.
Inajara.
Com Y.
Por que você discorda do tema?
Porque eu discordo que independente do SUS, eu tenho a minha vida particular.
Tá.
Eu tenho a minha personalidade, a minha essência. Eu sou eu. Eu sou gorda, independente se escolha ou não, o SUS não é todo dia na minha casa bater pra dizer que eu como, deixo de comer. Independente de qualquer coisa, cada pessoa tem seu emprego, seu trabalho e seu salário. Então depende de cada um, da condições financeira que vai comer ou não.
Certo.
Tem magro que tem mais problema de saúde do que gordo.
Concordo.
E gordo extremamente saudável.
Concordo.
Então, o SUS é uma parte separada. Eu, como pessoa individual, sou outra. E eu, Inajara Raquel, me amo, me aceito exatamente como eu sou.
Tá.
Gorda. E o SUS não tem nada a ver com isso.
Mas-
Porque é a minha personalidade e eu sou saudável.
Mas veja, e a pessoa que não é?
A que não é, é um problema dela, porque é escolha dela. É um problema de mim.
Mas não é um problema só dela, é meu também, porque o imposto sai do meu bolso também. É isso que eu tô mostrando aqui.
O bolso que sai do seu bolso, sai também do meu.
Exato. E tu acha justo? Tu acha legal isso?
Eu não acho justo, nem sair do meu, nem do seu.
É, é esse o negócio. Então a gente concorda.
Mas até o ponto que eu não estou na casa do outro, eu sei a minha vida individual. Cada um vive a vida individual.
Concordo.
Se a gente colocar todo mundo no balão de gato, moraria todo mundo junto numa mesma cabana.
Mas veja, veja. A transformação, ela é coletiva, Inajara, a gente mora numa sociedade.
Moramos numa coletiva.
A, a, o seu processo é individual, mas a transformação ela é coletiva.
É, pode dizer.
Eu não posso, ou s-- aliás, poder, pode, mas eu não deveria pensar como você nesse sentido, por quê? Eu vou fazer o que eu quiser, na hora que eu quiser e dane-se, porque ninguém tem nada a ver com isso. Não é assim. A não ser que cê queira viver no alto, no alto de uma montanha sozinha, solitária e tudo certo.
Não.
Mas enquanto nós vivemos em sociedade, nós temos sim que nos adaptarmos aos conceitos sociais que existem.
Sim, eu, eu adapto, lógico.
Entende?
Mas aí eu tô falando de mim como gorda.
Não, mas aí-
Eu não estou falando uma sociedade.
Mas, mas, mas veja.
Mas pera aí.
Vai, diz.
A minha personalidade é essa.
Não.
Eu sou uma pessoa, calma.
Incrível.
Eu sou uma pessoa gorda. Se eu não tenho problema de, de gordura, eu me aceito, eu me amo, não tenho problema nenhum de autoestima.
Tá.
Não tenho problema de nada. A minha fase que eu emagreci um pouco, porque eu sou alcoólatra, eu tinha um problema de alcoolismo e isso é uma coisa separada. Em nenhum momento eu cheguei em hospital ou qualquer coisa e a pessoa falou: "Ai, você é gorda, cê precisa de tratamento". Nunca tive isso.
Posso fazer uma pergunta?
Pode.
Nos dias que você bebia, você comia mais no dia seguinte?
Não, eu só bebia, porque eu bebia-
Não, no dia seguinte.
Não, só bebia, porque eu sempre bebi Desde dos meus sete anos.
Sinto muito.
Então quando eu tinha sete anos, que eu me recordo, eu já estava bebendo. E normalmente a bebida substituía a comida.
Cê tava fugindo de quê?
Não, porque na minha casa, na minha família, todo mundo desde criança começou a beber cedo. "Ai, molha a chupeta da criança porque ela vai passar vontade". A criança não sabe nem o que que é isso, então ela não passa vontade.
Tá.
Então isso virou um hábito.
E você, você hoje é alcoólatra ainda?
Eu sou alcoólatra, porque a gente não deixa de ser, mas eu não bebo mais.
Cê não bebe mais?
Não bebo mais.
Quando você era alcoólatra, parabéns. Incrível.
Eu desinchei.
Deixa eu te perguntar uma coisa.
Eu continuo gorda.
Quando você era alcoólatra, você era gordo ainda.
Eu continuo gorda. Eu só desinchei, porque o álcool que faz a gente engordar muito mais. E algumas pessoas que tão aqui, que vai muito na balada, tão muito mais gordo pelo álcool do que pelo que come.
Concordo. Mas foi o que eu falei: álcool, comida, sexo, celular, televisão, tudo isso te engorda.
Quando eu emagreci, porque eu parei de beber e fui cuidar da minha saúde-
Você se sentiu melhor?
Sim, porque o álcool, eu tava totalmente inconsciente.
Vê só, vê só.
Porque eu bebia diariamente.
Legal.
Então eu não tinha consciência.
Mas o álcool, ele é um problema.
Ele é o maior problema.
O sintoma não é o álcool, o sintoma é como você se sentia: inchada, indisposta.
Pior que não. Eu me sentia feliz quando eu bebia.
Não, quando bebia, eu tô falando depois.
Mas o depois não me incomoda, porque eu entendi.
E por que tu parou então?
Eu parei porque eu ia morrer. Foi o médico que falou isso.
E não te incomodava em morrer, mulher?
Não, porque é exatamente o que eu tava buscando.
Então [censurado] tu tava fugindo de quê? Voltei a perguntar.
De mim mesma, porque eu estava fugindo de mim mesma.
Veja.
Na força que eu nasci e de como eu nasci. Eu não nasci querendo viver, eu queri-querendo desbrindar o mundo. Então pra mim se eu ia morrer ou não hoje ou amanhã, não importava. Eu aprendi com a minha maturidade que estar vivo era importante.
Olhe, eu sinto muito, de verdade, pelo que você passou. Eu espero que cê tenha forças pra continuar, de verdade.
Todas as dias.
Você já é vencedora, já é guerreira. Parabéns, de verdade.
Obrigada. [aplausos]
Parabéns. Muito bom. Muito bom. O próximo tema é: A cultura do gordo saudável é pior do que o cigarro já foi. [som de tiques no fundo] Como é teu nome, parceiro?
Samuel.
Prazer, Samuel. Senta aí, vai. Ah, viado. [risos] [aplausos] Irado.
Então, é bacana. Eu vou me identificar de uma outra forma. Eu sou adicto, eu tô limpo e sóbrio há vinte anos.
Porra, velho, foda, foda. [aplausos]
É, a consequência da, do meu problema da dependência foi a obesidade. Porém, é, durante muitos anos como morador de rua, andarilho, é, foi uma situação muito difícil, porque na condição que eu tava magro, esquelético, eu também recebia o julgo da sociedade ao meu redor. Muitos atravessavam a rua porque eu tava passando. Muitos não queriam [pigarro] eu por perto e tal. Então assim, eu sofri preconceito, tanto magro quanto depois gordo.
Porém, psicologicamente, eu tenho uma aceitação. Por quê? Pelo outro fato. Pela, pela, pelo fato de da onde eu vim, como que eu era, associei a minha imagem à recuperação. Os meus amigos, pessoas que me conheceram e viram, acompanharam a minha história, olhavam pra mim, é, olham pra mim hoje e falam assim: "Cara, tá da hora, hein? Tá diferente, cê mudou pra caramba. Ó como que cê tá".
E eu consigo me aceitar um pouco mais dessa forma.
Deixa eu te perguntar uma coisa. Concordo com tudo que cê falou. Cem por cento. Tamo, tamo junto nisso aí. Foi inconsciente, digamos assim, as escolhas que te levaram a ficar gordo. Parei de consumir algo que me deixava doidão o tempo inteiro, não lembrava nem de comer. Não tinha o que comer, tava morador de rua também, era mais difícil arrumar comida em quan-quantidade. Quando eu me reabilitei, houve oferta de comida, houve um descanso melhor, houve um processamento melhor do meu corpo em relação àqueles nutrientes e querendo ou não, a gordura é uma forma de reserva energética, uma forma de proteger o nosso corpo, isolamento térmico, choques mecânicos, reserva energética também.
Tudo isso, eu concordo que não foram escolhas inconscientes, mas foram consequências da sua primeira escolha: parar de consumir o que você consumia. Faz sentido?
Faz.
A partir do momento que você chega no bairro que você nasceu, como você disse, você até quase se emocionou aqui. Bonito ver o cara raiz se emocionar. Vulnerabilidade, irmão, não é mostrar pra todo mundo como tu tá sofrendo, não. É mostrar pra quem você acredita que construiu o direito dele conhecer de verdade. E eu fico muito feliz por você ter me dado essa oportunidade. Mas ao mesmo tempo, quando alguém chega pra você e fala: "Tá melhor", você associa isso a estar melhor.
E cada vez você vai querer aparecer e estar melhor, porque hoje você tá tendo uma das três coisas que você não tinha antes: a atenção das pessoas. E você pega isso pra você, coloca no seu subconsciente e cada vez mais pra validar isso e buscar mais atenção, a tendência é que você fique maior, só que não maior a ponto de ficar insuportável. Se perguntem: qual a utilidade do meu problema?
É uma pergunta contraintuitiva, não é? Bem provocadora. Funciona dessa forma, hein, Najara. Todo problema, quando ele tá sendo construído, ele não pode ser pequeno demais a ponto de ser ignorado, nem grande demais a ponto de não ser suportado. Mas eu me mantenho ali, naquele meio-termo, porque eu estou tendo algo que pra mim é muito valioso, que no seu caso, me parece ser a atenção das pessoas. Só que você é um cara extremamente inteligente, você é um cara muito gente boa, humor pra cima o tempo inteiro aqui sorrindo.
Você não precisa mais estar acima do peso pra ser, pra conseguir a atenção das pessoas. Quando você acreditar nisso, irmão, você vai emagrecer, você vai se sentir melhor, sua autoestima vai aumentar, seu sono vai melhorar, sua vida inteira vai melhorar. E as pessoas vão dizer, sabe o quê? "Tá melhor ainda". Sacou?
Provabilidades.
Valeu, Samuel, tá bom demais, irmão. Tu é o cara, véio. Parabéns. [aplausos]Finalmente, seu Marcelo.
Opa!
Pô, véio. O Marcelo tava ali.
Então, é o seguinte: sou Marcelo, né? É, eu tenho cinquenta e oito anos, eu parei há trinta e cinco anos com o cigarro.
Pô, parabéns, hein?
É, porque era uma coisa que eu-
Parabéns
...concordo que o cigarro é uma desgraça também e a pessoa vai indo num processo aí muito ruim. Eu gosto do jeito que eu sou. Então tem aquele tema que cê falou da aceitação-
Sim
...muito, é, é muito complicado.
É muito singular, né?
É, porque é o seguinte: aceitar, eu acho que é interessante pra pessoa levantar a autoestima.
Tá.
Então eu me aceito como eu sou, ponto. Ela já resolveu o problema de autoestima. Aí com a autoestima elevada, é muito mais fácil-
Perfeito
...pra ela tentar batalhar. Eu tenho autoestima elevada, agora eu quero passar por outro processo. Então nem sempre a aceitação pode ser visto como uma doença. Aceitação é uma forma de cê primeiro curar uma etapa.
Concordo, certo.
Minha autoestima tá destruída. Eu me aceito, pô, melhorei minha autoestima. A partir daí, da autoestima elevada, aí cê consegue trilhar caminhos muito maiores e benéficos se a pessoa achar que é benéfico pra ela.
Perfeito.
Eu acho que o fato da pessoa ser como ela é, é o que falaram muitas vezes. A, a bailarina aqui falou: "Eu sou feliz, eu tô bem, eu faço atividade física e eu sou feliz com a minha barriga e as pessoas se incomodam muito mais com a minha barriga do que eu. E eu tiro um barato-
Cara. Isso
...porque eu falo que antes eu me sentia um galã, hoje eu me sinto um galão.
Isso. [risos]
E eu mesmo, entendeu?
Aí tu ri, né? Se sou eu falando não pode. Ah!
Mas é verdade, cara.
Ah, então, então não é a piada, é quem falou. Olha o seu preconceito aí, ó. Ah!
Não, mas a pe-- as, as sociedade se incomoda mais, eu brinco com eles.
E o seu?
Então eu faço muitas piadinhas, porque as pessoas vêm se incomodar, eu não ligo, cara, eu tiro de letra, entendeu? "Não, mas cê come demais", eu falo: "Não, não tomo herbalo-- ah, Herbalife, eu tomo herbalofo". Aí eu brinco com as pessoas com um monte de piada, entendeu?
Tá.
É verdade, gente. E a autoestima é tudo. Agora eu comecei a fazer mais ginástica, eu quero fazer um treino mais, queimar um pouquinho mais. Eu sei que a obesidade é um caso também de saúde pública, como é o cigarro.
Não, não, não, não é só um caso de saúde pública. A obesidade é a maior pandemia da história da humanidade. Pandemia, vários continentes ao mesmo tempo. É pesado, gente.
Agora, muitas pessoas também-
Pesado, foi sem querer. [risos] Eu juro. Não, foi sem querer. Aí pra você não achar que você viu, foi sem querer. Passou só, passou.
A indústria também induz-
Concordo
...as pessoas desde criança-
Quebra a facada da indústria
...então a gente também tem que ter o governo também fazendo uma força-
Funciona assim, pra vocês entenderem como é que o corpo da gente funciona fisiológica, antropologicamente falando, tá? Co-- a gente carrega, turma, a mesma carga genética de milhões de anos atrás. Não mudou isso, não. E há milhões de anos eu não sabia o que que eu ia comer, quando eu ia comer, o quanto eu ia ter que andar pra comer. Então o nosso cérebro ficou muito bom em fazer uma única coisa: economizar energia.
Por isso que a gente sempre tenta o caminho mais fácil, a lei do menor esforço, porque o cérebro olha e fala: "Tu vai gastar essa energia todinha pra isso. Vai, senta aí, pô. Fica de boa. Tá bom isso aqui. Cê tem dinheiro pra pagar as conta, tá bom demais, pô, pra que ficar rico?" E eu começo a criar narrativas que justificam o meu fracasso. "Ah não, eu tô feliz assim.
Tô bem assim." Eu não tô dizendo que é seu caso ou de alguém aqui, mas-
Mas no passado não tinha tanto peso, certo?
Não, concordo, sabe por quê?
No passado.
O que que aconteceu? Revolução industrial chegou.
Sim.
O que que houve com a revolução industrial? Ele diminuiu nossa necessidade de locomoção, controle remoto, carro, elevador-
Sim
...escada rolante, e aumentou a oferta de comidas, e não só comidas boas, mas das comidas que a gente chama de alta densidade energética e baixo valor nutricional. Ou seja, eu como um croissant agora, daqui a dez minutos eu tô com uma fome desgraçada, porque aquilo não me nutre.
Sim.
Então es-- e essas são as comidas mais o quê? Baratas.
Sim.
Por isso que o maior nível de incidência de obesidade é na classe mais baixa. Olha que loucura. Falta informação. Tem aquilo que o Hulk falou: "Porra, vida atribulada, problema pra cacete, tenho três filho, trabalhei de manhã, tarde, noite, cheguei em casa dez da noite." Meu irmão, me desculpe, eu também não treinaria não, velho.
Sim.
Eu ia tomar uma cervejinha pra dormir pra no dia guentar o tranco. Eu iria. A ignorância é uma benção. Sacou? Mas a partir do momento agora que eu trouxe essa informação, passa a ser uma escolha. Passa a ser uma escolha. Não tem pra onde correr. Mas vamo fazer esse vídeo chegar em mais gente então? Pra essa informação chegar nas pessoas? Ou será que o ranço contra mim é tão forte que eu quero que todo mundo fique mal pra não conhecer o Guto?
Aí cabe a vocês escolher isso. Você é maravilhoso. Obrigado pela sua participação, irmão.
Obrigado, gente. Valeu.
Parabéns. [aplausos] E aí? E aí?
Não dei tempo de mudar.
Bora, Tati. Quer um biscoitinho?
Não, obrigada.
Fui eu não, foi Samuel, viu? Fale rápido. Aí depois fala que eu falo as coisas, aí a merda. Aí depois a culpa é de Guto. Manda bala, Tati.
Bom, meu nome é Tati Alexandre, é, eu trabalho com administração de empresa. Eu tenho quarenta anos, eu não fui gorda.
Tem quantos anos?
Quarenta anos.
Ó o rosto dessa mulher, véio. O que que tu faz na pele?
Nada. [risos]
Porra.
A minha-
Tu tá pior que ela. Tá sim.
Não, gente.
Ah, pô, vamos ser honesto. Olha o rosto dessa mulher, velho.
É, eu nunca fui gorda a vida toda.
Olha só.
Eu comecei a ser gorda a partir dos trinta anos, tá? Eu tive uma gestação há vinte anos. Durante a gestação eu não engordei tanto, né. Muita gente associa: "Ah, é obesa por causa da gravidez". Não foi por isso. Foi dez anos a partir da minha gravidez-
O que que houve?
...que eu comecei esse processo de engordar.
O que que houve?
Não sei. Eu acho que foi mais a, a, o trabalho. Tipo, eu trabalhava das oito às oito.
Por que teve que trabalhar tanto?
Porque eu virei gerente, tive um cargo maior e mais responsabilidade. E aí não tinha tempo pra-
Casada?
Não, nessa época não. Era só eu.
Tinha que dar conta de tudo, né?
Isso.
Sábio tava buscando, né? Força, pô.
Sim.
É isso, gente. Sempre vai ser atenção, proteção e força. Sempre vai ser isso.
Sim, mas eu queria focar na questão que assim, tudo bem, não fui a, a vida toda obesa. A minha família tem obesidade-
Certo
...por parte do meu pai, então eu tenho um pouco de genética, tá? Então eu fiz tratamento particular quando tinha con-convênio. Nunca foi bom. Em-- eu emagreci porque eu tomei remédio e engordei o dobro quando acabou o remédio.
É. Geralmente é assim.
E assim, pelo SUS é muito ruim o atendimento. Então eu queria realmente que a gente falasse um pouco do SUS, porque assim, se tem essa verba, a gente tá usando muito mal.
Eu concordo, mas é que eu-
Tá usando muito mal. Porque assim, eu vou lá fazer o tratamento porque eu tenho obesidade. Eu já tenho obesidade, já foi relatado, já fiz exame. E assim, a nutricionista nem olha na minha cara.
Deixa eu te dizer uma coisa. Não existe no SUS tratamento pra obesidade, pô
Não existe
Sabe qual vai ser o primeiro?
É péssimo.
Sabe qual vai ser o primeiro que tá em trâmite, virou ONG já pra entrar na saúde pública? O que vocês odiaram quando eu cheguei? De nada.
Então, mas eu acho que a gente tem que aproveitar-
É o primeiro. Não tem, só tem remediando. E eu concordo com você.
Então, mas-
Deus queira que passe, né? Porque aí também não depende de mim.
Então, gente, mas eu queria aproveitar esse momento pra gente aumentar essa questão de falar do seu projeto, que eu também não conhecia, estou conhecendo agora. Eu quero muito que viralize pra que mais pessoas tenham acesso. E eu queria também fazer uma crítica pro SUS.
Manda.
Porque se tem essa verba, por que que a gente não consegue utilizar?
Compromete.
Aqui somos trinta obes-obesos.
Eu acho que a gente soube agora porque a gente não consegue utilizar, né? Onde é que tá o dinheiro?
Então, mas a-- eu não consigo. Eu sou obesa, eu tenho o tratamento, eu tenho-- eu passo com a nutricionista que nem olha na minha cara, entende? Eu me aceito do jeito que eu sou, eu danço, eu fui na Record, eu me amo do jeito que eu sou, eu tenho autoestima, eu sou maravilhosa.
O que cê vai fazer?
Minha saúde tá ótima, não tenho pressão alta, não tenho diabetes, mas o meu tratamento contra a obesidade não sai, o SUS não me atende.
Qual é o melhor que o Guto pode fazer? Eu podia virar político e mudar o SUS? Podia. Mas eu não quero. Podia não, todo mundo aqui pode ser político, pode não é? Você não tá disposto a ir, mas que cê pode, pode, pô.
Sim.
Você pode se candidatar e não virar, mas você pode fazer sua parte. Eu disse: "Cara, eu não tô disposto a virar político pra fazer isso acontecer, é muito sujo o ambiente.
É.
E talvez eu consiga fazer mais do lado de fora.
Sim.
O que que eu posso fazer, já que o SUS é uma bosta e não existe tratamento pra obesidade só pra, é, combater as comorbidades, ou seja, a pessoa já tá na merda ali. O que é que eu posso fazer? Pensando, tinha meus produtos, vendia, porque é meu ganha-pão, eu tenho família pra criar, tem tudo isso. Eu disse: "Cara". Aí eu vi essa imagem. Aí eu disse: "Cara, que-- a imagem é agressiva."
E de fato é.
É, pode.
Eu disse: "E se eu der um sentido diferente a ela?" Esse foi o meu e se. Criei o movimento, comecei a colocar na internet. Daqui a pouco eu vi a imagem de uma menina, a Mariane, e eu mandei um direct pra ela. "Vixe, tu topa emagrecer?" Que era uma menina que tava falando a dificuldade de emagrecer que ela tava vivendo, Mariane Teodoro. E ela falou: "Cara, topo.
Vamos fazer um projeto com você, então." E eu fiz um projeto de trinta dias com a Mari. Hoje a gente fechou três meses, a Mari perdeu mais de trinta quilos. A Mari tava com alopecia, voltou a crescer o cabelo. Ela tava com amenorreia, ela tava sem menstruar. Mostrei a Mari também como ela podia ganhar dinheiro no digital, que eu faço isso há mais de uma década. Hoje a gente mora sozinha, saiu da casa dos pais, tá independente financeiramente, feliz da vida, influenciando outras pessoas.
Eu disse: "Opa, consegui fazer mais do que sendo político. Como é que eu deixo isso aqui maior ainda?" Eu fiz: "Cara, vou entregar de graça pra galera." Meus sócios surtaram, porque me dava dinheiro. Eu disse: "Velho, o mundo já me dá muita coisa, eu já tenho muito dinheiro. Eu quero fazer isso aqui realmente pra ajudar as pessoas." E aí ficou tão grande que eu disse: "Como é que eu ajudo mais gente ainda, sem ser político?"
Eu disse: "O que se a gente coloca como um projeto de saúde pública?" Alguém conhece algum político disposto a ajudar de verdade as pessoas? Conhecemos um, tá em trâmite na prefeitura de Goiás pra começar isso a acontecer. Não tem previsão porque não-- agora tá totalmente fora da minha alçada. Mas a grande questão é: você tem feito o melhor que você pode? O melhor que pode? Você sabe que não.
A gente sempre faz menos.
A gente sempre faz menos.
Mas a gente busca melhorar.
Eu entendo.
Por isso que eu vim hoje e adorei, gente.
Só que a gente tem que ter processo, turma, e tem que ter vontade de fazer acontecer. Porque uma galera que vai sair motivada. Motivação é que nem banho, se não tomar todo dia, vai embora.
É verdade.
Então a minha parte eu tô fazendo, e a única coisa que me importa é isso. Eu só tinha uma intenção em vir aqui: ter debate como esse, como que eu tive com o Samuel, com o Marcelo, com o Hulk, com a Inajara, com o Fernando, acertei? Com o Igor, a Bella também. Então era essa a ideia. Mostrar que a gente consegue, bem, Bella, que a gente consegue discordar e no final se propor a dizer: "Cara, talvez esse cara tem razão", porque tem uma diferença muito grande de confronto e conflito.
Sabe qual é a diferença? No confronto, eu busco a vaidade, eu quero tá certo. No conflito, eu busco a verdade.
E a solução, né?
E eu admito estar errado. Eu quero solucionar o problema da obesidade no Brasil. Eu quero fazer isso. Pode ter uma galera dizendo que eu sou um bosta, que eu sou grosso, isso e aquilo. Eu não vou agradar todo mundo. Agora, se eu tentar agradar todo mundo, eu não vou conseguir fazer metade do que eu faço.
É verdade.
Muito obrigado, querida, pela sua participação. [aplausos] Valeu, galera! [aplausos]