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1 Professor vs 30 Reprovados
1 h 25 min de vídeo · 17 mil palavras · Com Noslen Borges
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Eu posso te dizer que eu aprendi mais com a IA do que eu aprendi nos meus três anos de ensino médio.
Se fosse verdade que a IA vai substituir o professor, o Google já tinha substituído.
Eu repeti três vezes a oitava, terminei meu estudo no EJA. E aí, amigo, como é que faz?
A escola não é perda de tempo, por pior que ela seja, ela não é perda de tempo.
Pô, eu tenho amigos que estudou, estudou, estudou e hoje é Uber. Perdeu tempo estudando.
Não foi a escola que fez ele virar Uber.
Não tem como você falar que a pauta, é, você reprovou porque você é preguiçoso e depois você falar que: "ah, não, mas só se você não teve nenhum problema". Então acho que a gente levanta todo mundo e vai embora, porque todo mundo teve problema, foi o que acabou de falar aqui.
Quem cola em prova é incompetente.
E por que que você acha que as pessoas colam?
Porque elas querem se livrar da escola.
É porque, na verdade, quem tá na escola nunca queria tá ali, né? Todo mundo é obrigado a seguir esse caminho porque a sociedade impõe.
Olá, pessoal, tudo bem? Eu sou o professor Noslen, professor de língua portuguesa há mais de vinte e quatro anos. Tenho o maior canal de ensino de língua portuguesa do mundo, com mais de cinco milhões de pessoas. E hoje estou aqui cercado de trinta reprovados. Vocês reprovaram porque são preguiçosos. [risadas]
Tá bom, na próxima, na próxima.
Deixa eu... Na próxima. Ui, ui, ui. Calma, respira lá.
Vamos lá.
Vamos lá. Tudo bem?
Tudo bem, prazer, Júlio Henrique. Prazer falar com você.
O prazer é meu. Bom, vamos lá. Deixa eu começar só ancorando aqui.
Afirmação: "Reprovou porque é preguiçoso".
Isso. Eu vou ancorar essa informação do jeito que eu acredito, tá?
Tá.
Então existem várias situações que envolve uma reprovação. É, mas aí eu vou trazer aqui. Se você foi uma pessoa que teve condição de ir pra escola sem ter nenhuma dificuldade econômica, social, emocional e mesmo assim reprovou, aí eu atribuo uma responsabilidade a você. Não só a você, tem a responsabilidade de muita gente, mas também uma responsabilidade sua. Então...
Não, mas aí, mas aí cê tá indo contra a sua própria afirmação.
Não, por isso que eu tô, por isso que eu tô ancorando a minha afirmação.
Você reprovou porque você é preguiçoso. Então você já tá falando de todo mundo já.
A afirmação que eu trouxe, estou ancorando o que eu acredito.
Não, sim, mas va-vamos ver. É, a gente tem aqui, por exemplo, São Paulo. São Paulo, a maioria das pessoas são de periferias, são dos bairros do fundo, do Grajaú, do Capão Redondo, Jardim Ângela, Guaianases, é, vários outros lugares que ficam muito longe do centro. Então essas pessoas muitas vezes, ou então elas reprovam, por-- ou então elas abandonam a escola, ou então elas vai lá e cola mesmo porque é o que tem que fazer.
Mas assim, não, não acho que seja preguiça. Você repro-- hoje a maioria das pessoas trabalham seis por um, trabalham e estudam, trabalham ali oito, nove horas por dia e às vezes acorda quatro horas da manhã, chega no trabalho seis, seis e meia pra entrar sete, passa aí às, às três, quatro da tarde, pegar um ou outro ônibus, uma hora e pouco até chegar na faculdade. E aí a pessoa às vezes fica lá seis meses no semestre e ela reprovou, ou então ela não conseguiu passar em duas, três matérias.
Isso não é questão de preguiça, é questão que infelizmente ela não teve tempo de descanso do cérebro, ela não teve as oito, nove horas de sono.
Concordo com tudo que cê tá falando.
Agora, agora...
Com tudo que cê tá falando. Por isso que eu falei pra você.
Agora, você falou-
Se você foi uma pessoa que foi pra escola e não teve nenhuma dessas dificuldades e mesmo assim reprovou, aí é nesse sentido que eu trago uma responsabilidade pra você, entende?
Não, tudo bem, mas, tudo bem, mas, mas isso é uma falácia, porque as universidades públicas, é, federais e estaduais, a maioria das pessoas que estão, cerca de setenta por cento, setenta a setenta e cinco por cento, são pessoas de classe alta, são pessoas de alta renda. Então não é questão de preguiça, porque ela-elas trabalham.
Mas eu concordo com você, eu não tô discordando de você.
Elas acordam sete, oito horas da manhã, têm um cafézão e vão, e vão pra faculdade.
Ó, respira melhor, respira melhor, ó, calma, calma, ó. Respira melhor.
As pessoas têm dinheiro.
O que eu tô te falando foi: eu ancorei a minha afirmação dentro do que eu acredito, certo? Nós tivemos uma afirmação pra começar a discussão, e a afirmação eu disse, ó: se você não teve nenhuma dificuldade financeira, econômica, social, emotiva, e mesmo assim teve uma recuper-- uma reprovação durante o teu processo, foi porque teve sim uma responsabilidade sua. Eu acabei de falar sobre isso. Eu tirei toda essa, essa carga emocional que cê me trouxe aqui, porque eu sei que existe essa, essa questão.
Eu sei que existe.
Mas a gente foi em cima de quanto que é?
Eu fui uma pessoa também, eu fui uma pessoa também que tive que trabalhar e estudar. E eu sei o quanto é difícil isso. Entende? É, todo mundo sofre pra, pra poder ter essa, essa realidade. Tanto que eu falei, no ensino médio eu também tive uma reprovação, né? Mas não, e aí, é, quando eu trago essa afirmação aqui, não é pra falar pra você assim, todo mundo é preguiçoso.
Se você não tem essas dificuldades e teve essa, essa questão da reprovação, aí eu atribuo uma responsabilidade a você, entende?
Mas você não concorda que isso é a minoria?
Será que é minoria? Valeu, obrigado. [risadas] Caralho. [risadas] Foi mal. Tudo bem?
Olá, sou o Moisés.
Moisés, prazer, Moisés. Vamos lá, então. Me diz aí.
Em tese eu concordo com você, mas como você confirmou que, tirando aqueles atributos, né, eu não acredito que todas as pessoas que sejam reprovadas sejam preguiçosas. Porque isso envolve também com método de ensino, às vezes um professor explica de uma maneira que o aluno não deve entender da forma correta, entendeu? Então isso acarreta essas, a, essas pautas aí, entendeu?
Eu concordo com você que tem várias situações pos-podem levar uma reprovação, né. Pode ter uma, uma dificuldade na própria matéria. Por exemplo, eu sou de humanas. Trouxer matemática, física e química, eu vou sofrer, vou ter dificuldade. É, pode ser que você tenha uma outra dificuldade na, na, na, também nas exatas, enfim, tudo isso pode influenciar. Mas mesmo eu, quando tenho dificuldade nas exatas, eu tento estudar e ir atrás pra poder, de alguma forma, suprir aquilo, entende?
Eu não vou abrir mão e simplesmente deixar que: "ah, vou reprovar mesmo, aconteça o que acontecer", ou vou tentar fazer um subterfúgio da cola, enfim. É, todas as vezes que eu tenho uma dificuldade, eu tento superar essa dificuldade de alguma forma. É, não deixo ela, é, simplesmente, ah, ela apareceu, é, é isso que é a vida.
A moeda mais cara hoje em dia é a informação. Quando a pessoa não tem informação, como você vai fugir de uma reprovação se você não tem uma base correta pra ser seguida?
Olha, por isso que eu falei, existem dificuldades que vão trazer pra você, é, um, um, um problema, mais a moeda mais cara é informação, mas hoje todo mundo tem informação na, na palma da mão, né? Um celular tem informação pra caramba. Então todo mundo tem um celular na mão, a gente consegue buscar informação. Eu concordo que a escola tem que dar um suporte pra poder fazer suprir muitas coisas ali, porém, se não tiver ao seu lado, aí o que eu quero dizer pra você?
Não dá pra delegar todas as suas dificuldades pra escola, pro professor, tirar a tua responsabilidade da reprovação. Todo mundo tem uma responsabilidade dentro daquilo que acontece, é uma escolha dentro do processo, por mais difícil que seja esse, essa escolha, né? Então, "ah, escolhi que eu não vou estudar isso aqui, porque azar, não sei". É uma escolha. Então, o grande lance aqui é você não delegar para os outros as responsabilidades e assumir que tem responsabilidade que é, que é sua, que não tem gente que tem, tem que ser sua.
Eu venho do Nordeste e lá as pessoas, mesmo você não aprendendo, eles te aprovam. Então acha que isso não é uma consequência do sistema?
Aí eu concordo com você, aí o sistema é falho nesse sentido.
Então nem todo mundo hoje em dia que reprova é preguiçoso. Se você for ana-analisar geral, o sistema em si, é, dá continuidade a isso.
Sim, eu concordo que o sistema tem um problema nessa aprovação automática, isso é uma coisa muito questionável e aí eu, eu questiono sempre, inclusive nas minhas redes eu falo sobre isso. É, não deve ser, tem que ser diferente esse processo. A, o processo de construção da, ainda mais a base, né, quando a gente pega lá fundamental um e dois, que é a base de todo o nosso conhecimento, depois do ensino médio ali, não dá pra ter uma aprovação automática, precisa ser diferente, precisa ter um, um olhar diferente pra essa base, porque senão, é, lá na frente a gente vai ter um problema.
E aí a gente va-- ouve e já leu e várias vezes na, na internet: "Ah, o, a educação no Brasil é um, é um, é um, uma, uma, uma, uma coisa pensada, né, de ser dessa forma." E aí é, é triste de ver, mas a gente tá entrando numa outra discussão, né, na discussão sistêmica, que a gente vai ter que, é, aprofundar muito mais sobre isso, porque não depende só da gente, né, mas a gente pode levantar essa bandeira aqui pra que as pessoas comece a olhar também pra esse sistema de ensino que precisa ser melhorado e que aos poucos, talvez, esteja acontecendo algumas coisas.
Valeu. Obrigado.
Eu peguei primeiro? Eu fui primeiro? Vamo lá. Eu queria falar só umas coisinhas.
Tá.
Quando a gente fala assim: "Ah, a, é, se você reprova é porque você é preguiçoso", não. Entendeu? Existe casos e casos.
Foi o que eu falei.
Concordo com o que você disse, que existe casos e casos. Tem gente que reprova por conta de realmente não conseguir entender o conteúdo, não fazer o mínimo e reprovar, como, como tem casos onde acontece outro-- determinadas outras coisas. Eu vou te dar o meu exemplo.
Uhum.
Eu estudei a minha vida inteira, eu saí da escola pública, né, eu fiz até a quinta série na escola pública, do sexto até o nono eu fiz em escola particular, sempre fui a melhor aluna da sala, sem exceção, tanto na escola pública, tanto na escola particular. No primeiro ano do ensino médio, fui pra escola pública de novo. Já começou a ser uma outra visão do que é escola, porque a partir do momento que cê sai de uma particular e vai pra uma pública, cê, cê sente uma diferença gritante.
Começou por aí.
Sim.
Fiz o primeiro ano tranquilo, fiz o segundo ano tranquilo, trabalhando e estudando.
Ok.
Então, tipo assim, sempre trabalhei, estudei, trabalho desde os meus quatorze anos. No meu terceiro ano do ensino médio, eu es-- eu fui pra uma escola no segundo, né? E essa escola é uma escola péssima, portanto que hoje em dia nessa escola, esse ano nem existe mais noturno. A escola onde eu estudava era uma escola onde você não tinha nenhum professor dentro da sala de aula, porque é o que acontece com a educação no Brasil hoje.
Tem muitas escolas, principalmente de periferia, de, de comunidades, que não tem nenhum professor dentro da sala, tá entendendo? Então como que você vira pra mim e fala: "Ah, mas você reprovou por falta"? Não, eu reprovei porque eu deixei de ir a partir do momento onde eu ficava ali sentada seis horas sem ter uma pessoa falando alguma coisa. E quando tinha, era uma pessoa que chegava, sentava e ficava lá sem fazer nada.
Então, tipo assim, não fa-- não tem muita lógica, entendeu? Vou te dar meu exemplo. Na terceira série, eu fiquei indo até quase metade do ano. Chegou metade do ano, eu olhei pra mim mesma, eu já tava exausta, exausta, e eu acabei tendo uma briga com uma professora que começou a me perseguir dentro da escola, começou a me difamar dentro da escola, começou a colocar alunos contra eu dentro da escola.
Então, tipo assim, é um caso à parte, cê tá entendendo? Não é um caso de: "Ah, você reprovou por preguiça." Não, porque eu sempre fui muito estudiosa, sempre gostei de estudar.
Foi por, é, foi por isso que eu falei no começo da, da, dessa nossa pauta aqui, que se você não passou por nenhuma situação dessa e teve uma reprovação, foi por alguma coisa, é, de responsabilidade sua também.
Sim.
No seu caso, cê tá me trazendo aqui um monte de situação que levou à tua reprovação. É, eu vou falar da minha reprovação. Eu tive uma reprovação no ensino médio também. Eu fui pra um ensino médio, tava na, estudando e eu fui pro ensino médio técnico, pensa, eu sou um cara de humanas, fui fazer ensino médio técnico, é só matemática, física e química. Não consegui entender aquilo, tive dificuldade, e aí eu comecei a trabalhar em paralelo.
Então, trabalhando, eu obviamente, em algum momento eu tive que fazer uma escolha e aí a minha escolha foi que eu não con-- não dei conta da, do colégio, reprovei, fiz mais um ano e tá tudo certo. Terminei o ensino médio como deveria terminar, com essa reprovação. Então, se você não teve nenhuma situação dessa que te tirasse desse prumo, é, e teve uma reprovação, aí é, é, tá a questão da responsabilidade.
Você tem uma responsabilidade sobre aquilo que você faz.
Sim.
E aí é uma escolha sua também, né? Como eu tive a minha escolha de que, pô, não, não vou dar conta, vou ter que repetir, você acaba tendo também.
Não, vamos supor no meu caso, você acha que eu tive escolha?
Licença, maioria.
É isso.
Valeu, Elisa.
Obrigada.
Ela levantou, hein?
Vamo lá.
Você é bem professor mesmo, né? Porque professor ama taxar o aluno de preguiçoso. É, mas aí eu te pergunto, é, é uma realidade que professores, é, assediam os alunos chamando de preguiçoso, de sem futuro. E aí, por que que as pessoas ainda querem continuar na escola, né? Se são chamados assim, são tratados assim. E o que que o professor acha que o preguiçoso tá fazendo quando ele reprova ou deixa de estudar por algum motivo?
Vamo lá, vou retomar de novo, né, como eu falei, a fala do início era uma fala pra Promover vocês vindo conversar comigo. E eu falei: "Olha, se você não teve nenhum problema, nenhuma dificuldade e mesmo assim tem uma reprovação, entenda como responsabilidade. Ou seja, se você reprovou, você tem uma responsabilidade sobre isso. É, não, a pa-a palavra preguiçoso é muito mais pra instigar vocês. É, cê falou que eu sou muito professor e que eu chamo as pessoas de, de, de preguiçosas.
Não acredito que sejam preguiçosas. Cada um tem sua dificuldade, cada um tem sua, seu problema dentro do processo. É, eu sei que a sua realidade, que você acabou de contar um pouco pra nós aqui, cada um tem sua realidade. É, eu não sou um professor que fica assediando aluno, nunca fiz isso. Nunca fiz. Pelo contrário, sempre fui o cara que incentivei. E se eu brinco em algum momento assim: "Ah, ô, vamo aí, larga de preguiça", é muito mais pra incentivar você do que qualquer outra coisa.
Você não acha que-
Então não dá pra generalizar a fala de que os professores assediam, porque aí o que acontece? A sociedade hoje ela está contra o professor. O professor ele é um bicho de sete cabeças, ele é o, o capeta lá dentro da, da, da, da escola. E não é verdade. A função do professor é incentivar as pessoas a estudarem, porque a gente acredita que o estudo pode mudar a vida de todo mundo.
Então quando o professor fica instigando vocês, é pra você f-fazer algo melhor, estudar e mudar de vida. Comigo foi assim, eu mudei de vida assim, eu reprovei e mudei de vida estudando. E muita gente muda de vida estudando. Muitas pessoas que tão aqui, fo-- mesmo que não enxergue, chegaram onde chegaram estudando, estudando várias coisas. Então não dá pra dizer que o professor é o bicho dentro da sala de aula.
Isso é um olhar que a sociedade tem pra, pra profissão muito ruim. É, e tudo é atribuído ao professor. A culpa do professor é disso, o professor é aquilo, pr-- não existe isso. Por exemplo, ela comentou sobre uma professora que perseguiu. Pode existir caso assim? Pode, mas, é, eu vou falar de mim. Eu tra-- eu trabalhava em sete lugares. Eu dava aula em sete instituições de ensino quando eu traba-eu trabalhava no presencial.
Trabalhava manhã, tarde e noite, de segunda a sábado, todos os dias da semana. Todos os dias da semana. E no domingo ficava corrigindo prova, preparando material pra aula pra semana seguinte. Eu não tinha tempo de pensar em aluno e perseguir aluno. Então esse tipo de coisa pode acontecer, mas é um caso específico, não é um caso de todo mundo.
E você acha que é a brincadeira ao invés da instrução? Porque cê acha que o aluno vai encarar como a brincadeira de: "Ah, você tá sendo preguiçoso, por que que cê não vai estudar?" Cê acha que isso vai incentivar eles ou não?
Eu só, eu só brinco com aluno que eu tenho, que eu tenho a liberdade. So-sempre brinquei com os alunos que eu tive liberdade. Se eu não tenho liberdade, se o aluno é mais re-- é, reservado, eu nunca fazia isso. É, esse era, essa era a minha postura. Então, se você fosse minha aluna e fosse uma pessoa reservada, eu não ia chegar a brincar com você. Eu ia te tratar bem como trato todo mundo e te incentivar a ser melhor o tempo todo.
Então eu, eu como professor, jamais, jamais na minha vida joguei alguém pra baixo. Jamais. Tem muitas pessoas que foram meus alunos que me encontram hoje na rua e me agradecem pelo trabalho que eu fiz com eles. Tanto alguns de vocês já me encontraram na internet e me agradecem pelo trabalho que eu faço na internet. Porque minha função como profissional é ser um facilitador de língua portuguesa e que as pessoas dominem a língua e possam chegar onde elas quiserem chegar, que elas têm um futuro por meio da educação.
Então eu jamais, eu jamais ia espezinhar um aluno. Se você passou por isso, sinto muito que você tenha passado por isso em algum momento da sua vida com algum professor, porque essa não é a função do professor. O professor tá lá pra te incentivar. E aí, pra incentivar de todas as formas possíveis, pra que você possa ter o domínio da, da, do ensino, da, da educação e possa chegar onde você queira chegar.
Eu concordo em parte com você, mas...
Obrigado, Maria.
Obrigado, Maria. Valeu. [som de tik tok] Beleza, tudo bem, cara?
Tudo bem? Prazer, Gabriel.
Gabriel?
Gabriel.
Vamo ajeitar aqui, Gabriel, só porque deu uma saída do prum aí.
Professor, o que que você sacrificou pra chegar onde você tá hoje?
O que que eu sacrifiquei? Vamo lá. Cara, algumas coisas eu sacrifiquei na minha vida, porque não existe nenhuma, nenhum caminho pra quem vem debaixo que não tenha sacrifício. É, desde a adolescência, sacrifiquei muitas vezes ter uma vida de adolescente comum, porque eu tinha que trabalhar desde cedo. Trabalhava já no ensino médio, então enquanto estudava, trabalhava. É, assim que eu entrei na, na faculdade, eu já comecei a dar aula também.
Então eu trabalhava durante o dia todo, fazia a faculdade à noite. Em uma das noites, eu lembro que no meu último ano de faculdade, isso, uma das noites eu, da semana, isso tá? De segunda a sexta. Na segunda-feira, eu passava até às quatro da manhã corrigindo prova. Na terça-feira, eu ficava até às quatro da manhã escrevendo o TCC pra terminar a faculdade. Então, alguns sacrifícios que me levaram a pesar cento e quarenta quilos, ter olheiras absurdas, é, ter, é, pressão alta, numa época que eu tinha, não tinha nem trinta e cinco anos, é, tomar remédio, enfim.
Então alguns sacrifícios foram feitos no trajeto pra chegar até aqui. Depois, quando eu entrei na internet, outros sacrifícios que foi ter a constância de manter vídeos e tudo mais, enfim, até conseguir construir o que eu tenho construído até hoje. Então, se não tiver sacrifício, a gente não chega onde quer chegar. Não existe uma trajetória pra quem vem debaixo, é, sem sacrifício. Não existe.
Perfeito. É por isso que eu discordo do adicional da sua, da sua afirmação. Em nenhum momento a gente vai tá zero adversidade na vida.
Uhum.
A gente tem problema a todo momento.
Sim.
Então eu concordo com a tua afirmação, quem reprova é preguiçoso, por quê? Nada é fácil e a vida não é justa.
Uhum.
Entendeu? Logo, faz sentido eu perder uma hora de sono pra estudar mais, pra trabalhar mais, se eu quero alcançar algum patamar maior na minha vida, entendeu?
Sim.
É, todo mundo tem um problema.
E, e sempre vai ter.
E sempre vai ter.
Porque os problemas de lá de trás eram uns, os de hoje são outros, e assim vai ser.
Agora, a grande diferença de quem, na minha visão, tem sucesso e não tem é: quem não tem sucesso fica apontando o problema. E eu entendo que é difícil, não é como se fosse fácil, mas você tem que saber lidar com as dificuldades, senão você vai sempre apontar o problema e nunca a solução. Eu acho que o sucesso é pra quem soluciona as coisas, não pra quem fica apontando o problema.
Por isso que eu concordo contigo.
Perfeito, maravilha, show de bola. Obrigado pela sua fala.
Perfeito. Obrigado.
Valeu. [som de tik tok] Viu? Deram o espaço pra vocês. Tudo bem? Você é a?
Nicole.
Nicole. Vamo lá, Nicole. Me conta aí.
Bom, a pauta é: se você reprovou, é porque você é preguiçoso. Aí você trouxe o seu ponto-
Isso. Sobre a questão do-
Da pessoa não ter nenhuma-
Da responsabilidade.
Sim, mas você falou sobre a pessoa não ter nenhuma dificuldade ali que atrapalhe ela em relação ao estudo.
Nesse processo, aham.
Eu duvido que tenha, que a maioria aqui que não te, não teve nenhum problema durante a escola, aonde não atrapalhou o, a, que levou à questão do, da reprovação. A maioria das pessoas reprovam justamente porque ela tem algum problema, ela tem alguma questão ou financeira, ou emocional, ou dentro de casa, ou porque trabalha, enfim, tudo isso que a gente já falou aqui.
Sim.
Então eu acredito que às vezes, realmente, se a pessoa ela não tem nenhuma, nenhuma questão na vida dela que atrapalhe ela em relação aos estudos e ela reprovou, não, não vou dizer que ela é preguiçosa, pode ser que ela não tenha interesse em estudar, mas aí é uma questão dela sobre ela.
Particular, é.
Mas no geral, não tem como você falar que a pauta, é, você reprovou porque você é preguiçoso e depois você falar que "ah, não, mas só se você não teve nenhum problema". Então, acho que a gente levanta todo mundo e vai embora, porque todo mundo teve problema, foi o que acabou de falar aqui. Todo mundo tem uma questão. Claro, a pessoa precisa se esforçar, ela precisa, é, fazer pelo menos o dela pra ela conseguir conquistar alguma coisa, mas se ela tem as questões dela e ela reprovou, porque provavelmente alguma coisa aconteceu ali.
Perfeito, mas é isso, assim, é não desistir, não abandonar, sabe assim? Mesmo tendo a dificuldade, como você falou, todo mundo tem dificuldade, mas não abandonar o barco, seguir firme e tentar fazer alguma coisa por aquilo.
Sim.
E aí se você não conseguir, faz parte o processo também.
Mas às vezes o só não abandonar não é o suficiente pra uma escola.
Mas se, se dedicar, né? Mas não tem jeito.
Entendi. Muito obrigada.
Valeu, obrigado. Empresário que não estuda fica pobre.
Ah, esqueci.
A empresária já veio com tudo aqui, ó. A empresária já veio com tudo aqui, ó.
Sentei.
Ah, tô conseguindo. Busquei a água aqui.
Poxa, finalmente.
E aí, tudo bom? Prazer.
Prazer, professor. Tudo bom, cara.
Seu nome é?
É Nikolas, mais conhecido como Vessa.
Vessa. Maravilha, Vessa. Vamo lá, deixa eu só ancorar aqui minha fala. É, não é só empresário, tá, gente? Empresário, influenciador, artista, enfim, qualquer pessoa que abra mão de estudar, fica pobre na sua profissão.
Com certeza, eu concordo com você em certas partes. Realmente, é, cada carreira que a gente tem que seguir na nossa vida, a gente tem que estudar e que nem, supondo, né, muita gente acha que ler livro, acha que vai ficar mais inteligente e tudo mais.
Mas vai.
Na verdade, te torna mais interessante, entendeu? Te torna mais interessante pra você estudar mais sobre a área que você quer seguir. Então, acredito que eu mesmo faço sobre minha vida, sou empresário e artista também. Então, sobre a escola também, eu não estudei muito a escola, não, reprovei três vezes, vi que não era muito pra mim, sabe? Mas aí eu busquei formas diferentes de estudar, tipo-
Perfeito.
Na internet, né. Então-
Até hoje você estuda, certo?
Com certeza. Eu perco, perco horas na madrugada.
É isso. Então, querendo, querendo ou não, na sua profissão que você escolheu, cê estuda, certo? Quando eu falo de estudar, é isso, não estudar necessariamente o formal. É, o formal você acaba de falar: "Passei por lá, tive dificuldades, tal", mas com certeza aquilo que você levou do teu ensino formal, você trouxe pra tua profissão e hoje você estuda dentro da sua área, dentro do seu nicho.
Sim, sim.
Por isso que eu falo, qualquer pessoa de qualquer área, se parar de estudar, não vai dar conta de manter a sua estabilidade, porque o que faz você seguir e crescer é o estudo. Que ele seja estudo livre, seja informal, enfim, é, o estudo hoje tá muito mais fácil, né? Na minha época não tinha possibilidade de entrar num canal do YouTube pra aprender português, né? Ou pra aprender música, pra aprender qualquer outra coisa.
Hoje cê tem tudo, né, tem tudo. Inclusive tem um, um debate como esse aqui dentro do YouTube, né?
Sim, sim. E aí, eu concordo com você sobre isso também. E acredito que, vamo supor, né, a pessoa vai lá passando os estudando fórmula de Bhaskara, tá ligado? Que não vai usar na vida.
Só se for engenheiro.
É, entendeu? Então, tipo assim, eu acredito, a-- me desculpem, tá? Mas a nossa geração aqui, infelizmente, é muito mimimi, né? Porque a vida ela tem-
Você que tá falando, eu não fui o que disse, tá?
A vida ela tem escolhas. A vida ela tem escolhas, né? Então a gente tem que seguir o que é certo. Então, tipo assim, é, se você parar pra ficar se vitimizando e tudo mais, cê vai acabar virando uma pessoa sem ambição, né? E pra você virar alguém na vida, ainda mais no Brasil, cê tem que ter ambição, porque esse sistema aqui é fado e, né, é complicado, né?
Então concordo, tem que estudar aquilo que você gosta, aquilo que cê vai levar pra frente, né? Eu mesmo, eu estudo sobre empreendedorismo-
Boa.
Sobre carreira também, música-
Boa.
E essas coisas aí, mas não estudo, tipo, fórmulas de Bhaskara, né, essas coisas aí, né?
Não, mas é isso, o estudo é isso. É você tá adquirindo conhecimento o tempo todo. Eu mesmo, eu também estudo sobre empreendedorismo, é, porque hoje eu tenho uma microempresa, então tem que estudar pra aprender, pra entender como funciona. Não tem como parar. Eu, até na própria língua portuguesa, que eu sou professor, eu estudo o tempo todo pra poder entender melhor, pra poder explicar de outra forma, de uma forma mais simples.
Então, quem estuda é pro resto da vida, não tem jeito. Se você parar, cê não vai chegar a lugar nenhum, não tem jeito.
É, vai acabar parasitando na vida, né?
É isso.
E é isso, queria trazer essa pauta aí. Muito obrigado, viu, professor?
Valeu.
Demorou, hein?
Boa, demorou.
E aí? Ó, a pergunta que não quer calar.
Certo.
2026, cê vai apertar o 13 ou o 22?
Cara, voto é secreto, né? Não preciso dizer pra vocês em quem que eu vou votar, se eu vou votar também, porque tem essas, né? Hoje em dia a gente pode não votar em ninguém, né? Mas enfim.
Então, o Lula, ele é presidente do Brasil.
Certo.
Ele terminou os estudo?
Não.
Se o cara não terminou os estudo, se tornou presidente do Brasil.
Vamo lá, hã, concordo com você que o Lula é uma exceção, assim como tem outras exceções. E aí a gente vai escolher focar na exceção ou na regra, ou na, no geral. O geral, vamo lá, o geral não é assim que funciona. Todos os presidentes do Brasil até o Lula, antes do Lula, melhor dizendo, tinham formação.
Mas ficou, né?
Tinha formação. Tudo bem, ele tá lá há mais tempo, mas mesmo assim-
É uma referência do Brasil, no caso, né?
Todos os outros professores que, professores, ó. Todos os outros, é, presidentes do Brasil tiveram uma formação, assim como, é, o, dos dez maiores bilionários do Brasil, todos têm formação acadêmica. Ou seja, o estudo te propicia essa possibilidade de chegar mais longe. E aí, beleza, aí você vai falar pra mim: "Ah, mas tem o Lula que não estudou, tem o Mark Zuckerberg que largou mão de Harvard, tem o Bill Gates que largou mão de Harvard."
Vim falar algo aqui, aquela pauta do, que cê falou
Que quem cola, é, qualquer-
Não, mas vamo manter essa pauta aqui.
Não. É algo é sério.
Só pra gente, depois-
Tocou no meu coração.
Você, depois cê-
Quase chorei ali nessa.
Não, não precisa chorar.
Não consegui vir aqui.
É só uma conversa boa aqui.
Não precisa chorar, sabe por quê?
É uma conversa boa.
Porque eu sei que não foi você que colocou essa pauta, mas você reformulou ela, entendeu? Porque a minha esposa ela cola na faculdade, ela faz faculdade e ela cola.
Uhum.
Entendeu? Mas como que você me-
Você tá dedurando ela pros professores dela, cara.
Sim, mas como que você me-- e ela, deixa eu te falar, a minha esposa-
Agora os caras vão saber que ela cola, né.
Minha esposa, ela não é uma incompetente.
Aham.
Sabe por quê? Porque ela trabalha.
Sim.
Ela tem três filhos. Como que cê explica isso pra mim? Que uma mulher que trabalha e ela chega, ela tem que cuidar das crianças.
Ela tem que se livrar da escola, eu entendo.
E ela precisa estudar.
Eu entendo, ela quer se livrar.
E ela faz o quê?
Aquilo que eu falei.
Usa o quê?
Quantas pessoas olharam como: "A escola tá servida."
Chat GPT pra ajudar ela, pra ela conseguir concluir o estudo dela.
Eu entendo que é a realidade de muita gente no Brasil, eu entendo.
Exatamente.
Eu entendo.
E ela é maravilhosa, não é incompetente.
Não precisa chorar. Nada pessoal, pô.
Não vou chorar.
Pode ir, vai, pode ir. [risos]
Obrigado, obrigado. Professor.
Tudo bem? Prazer. Opa! Beleza, tudo bom?
Melhor agora.
Prazer, maravilha. Que bom que tive-- tivemos cordialidade aqui, foi muito bom. Muito bem. Seu nome, desculpa?
Pois é. Meu nome é Alex.
Alex, vamo lá, Alex.
É, tá, não só empresário, mas qualquer um. É, ninguém aqui nunca quis ir pra escola, ninguém aqui achou que fosse necessário, mas gente, infelizmente é, tá? Eu tô aprenden-- eu aprendo a cada dia. Eu não terminei a faculdade, tá? Eu comecei administração, mas não cheguei a terminar. E em todo trabalho que eu faço, qualquer coisa, mesmo não tendo terminado, isso me ajuda, me, me ajuda a, a tocar a vida.
Uhum.
Né? De qualquer forma. O que eu acho, é, que deveria ser, deveria estar, assim, em-- deveria ser mudado nesse sistema que a gente tem atualmente, é a gente, é, a pessoa se interessar mais pelo estudo, porque você vai deixar uma classe muito mais feliz se você falar: "Gente, hoje não tem aula."
Uhum.
Né? Ou você vai falar: "Pô, tem, tem um grupo de discussão ou tem um grupo de estudo." A maio-- a minoria tá fazendo parte desse grupo de estudo, a maioria já foi embora e cabulou.
Uhum.
Né? Matou aula.
Sim.
Eu acho que o ma-- o mais, devia ser uma coisa importante a ser agregada no, no ensino, justamente o interesse. Ju, é, despertar o interesse das pessoas em estarem ali, em aprender.
Pra que as pessoas tenham vontade de ir até lá, né?
Exatamente.
Uhum.
Entendeu? Co-- o que exatamente, eu não sei. Aí já, já foge muito da nossa-
A gente entra num outro âmbito aí, né?
O profissional é o senhor, né? Aí já fo-foje da minha alçada. Mas sim, a gente tem que ensi-- aprender todo dia, entendeu? Se o ensino ajuda, se o sistema que a gente tem é bom ou não.
É o que tem pra hoje.
É o que tem pra hoje e a gente tem que engolir, gostando ou não.
Tem que se virar nos trinta, é isso.
Sim, então, é, sim, hã, se você não estuda, de alguma forma você pode não ficar mais pobre, mas você fica mai, é, você passa a ser menos.
Tem menos possibilidades, vai.
Isso.
É, quando a gente fala do mais pobre, né, a gente usa o termo pobre muito relacionado à riqueza, mas é muito em relação a não ter possibilidades. Quanto mais estudo você tem, mais possibilidades você consegue ter. Essa é a verdade. É, quando a gente traz essa pauta aqui, é falando sobre isso. Se eu mantenho o meu nível de estudo, eu mantenho o meu nível de possibilidades de melhorar.
Se vai melhorar ou não, aí são outros quinhentos. Existem muitas variáveis no, no, no decorrer da, decorrer da nossa vida pra saber se a gente vai melhorar ou não. Então, mas que a gente cria possibilidades a mais pra nós, isso é uma verdade.
Pra que a escola nos ajude a fazer melhores escolhas.
É isso.
Era isso.
É isso, perfeito.
Era essa frase que eu queria trazer pro senhor.
Obrigado.
Gente, obrigado. [palmas]
Vamos ajeitar um pouquinho aqui da mesa. Professor, por gentileza, só repete a pauta novamente?
Tá. Quem é empresário que não estuda, fica pobre.
Tá, vamos lá. Bom, eu comecei fazendo sobrancelhas há nove anos atrás.
Nove anos, beleza.
Na verdade, eu faço desde os onze anos de idade, mas profissionalmente, há nove anos atrás.
Show.
Até então era só sobrancelhas. Não conhecia o que era empreendedorismo, então dura-- no decorrer ali do dia a dia-
Tá aprendendo a ser empreendedora
...dos meses, fui aprendendo a ser empreendedora. E hoje, além de empreendedora, sou empresária. Então sou empreendedora, empresária, especialista em sobrancelhas.
Show.
Então eu discordo dessa fala de que o empresário que não estuda fica pobre, porque eu estou constantemente estudando, melhorando a cada mês, a cada ano.
Uhum.
A cada dia. Então, essa fala pra mim-
Mas vamo lá. Você tá estudando constantemente, melhorando-
Sim
...é empresária, é empreendedora.
E especialista em sobrancelhas.
Especialista em sobrancelhas.
Isso.
Mas quando eu falo pobre, você pensa financeiro ou de crescimento de vida?
Então, vamos lá.
Financeiramente, a sua empresa tá quebrada?
Não, mas vamos lá.
Opa, então pobre não estamos.
Isso, exato.
Tudo bem? Então quer dizer que aquilo que eu falei agora de estudo vale pra você.
Sim.
Você continua estudando e tá crescendo, tá melhorando, tua empresa tá crescendo aos poucos e é natural que seja devagar, né?
Sim.
Nem todo mundo consegue explodir uma empresa rapidamente no Brasil.
Sim.
Mas você tá empreendendo, tá crescendo e tá estudando. Ou seja, você vai chegar aonde você quer chegar.
Sim, com certeza.
Então, não tem como você ser contra o que eu falei, porque você é prova viva disso.
Então, exatamente, por isso que eu estou-- então eu entro é contra?
Não, você é a favor do que eu disse
Não.
Empresário que não estuda, fica pobre.
Ah, tá.
Você estuda.
É verdade, olha só.
É, então.
Eitaí, caramba, viu?
Você, você é prova viva do que eu falei.
É, eu sou prova viva então do que eu falei.
Se você estuda, você não fica pobre, pronto.
Ah, tá, então eu acho que eu entendi errado. Olha só o que vai sair-
Vou te indicar um canal de língua portuguesa pra interpretação de texto.
É, olha o que-- isso mesmo, obrigada. Olha só o que vai sair aqui no canal. Mas valeu, não valeu?
Faz parte, faz parte.
Ah, então tá bom, obrigada. [riso]
Acho que foi, hein? Olha, é, o pessoal quer falar que, tipo, o ensino não-- o ensino é muito bom. Porém, o pessoal quer comparar uma pessoa que estudou em Harvard, Harvard que fala? Não sei.
Harvard, Harvard.
Harvard, com um cara que, tipo, pegou numa faculdade do Brasil aqui, uma mais fuleira, entendeu?
Uhum.
Então deveria, na escola, é, como é que eu posso dizer? Não é tirar tudo que tem lá, porém, como é que eu posso dizer isso aqui? Pra que que eu vou estudar uma fórmula de Bhaskara no momento, se eu posso tá aprendendo mais sobre a educação financeira?
Vou te explicar por que que a, as escolhas dentro dos conteúdos.
Perfeito.
Isso tá sendo revisitado, tá? Só pra você saber.
Sim, sei.
É, a BNCC, né, que é a Base Nacional Comum Curricular Comum-
Sim, um dos livros
...tá, tá estudando um jeito de fazer diferente esse ensino pra que as pessoas possam estudar aquelas habilidades que têm mais a ver com elas. Mas até então, por que que a escola ensina Bhaskara pra você e pra mim, que não somos da, da, das exatas? Porque ela não sabe se a gente é das exatas ou não. Nem a gente muitas vezes sabe. A gente tá descobrindo isso.
Então ela precisa ensinar pra todo mundo. E aí eu entendo quando cê falar: "Pô, eu não deveria aprender Bhaskara na escola porque eu não vou usar na minha vida, de verdade. Não deveria aprender crase. Crase, sim, porque crase usa na vida. É, então, é, a escola coloca aquilo que ela julga ser o necessário praquela etapa da vida. Agora está sendo revisitado esse currículo novo pra que tenha um direcionamento diferente.
Certo.
Então a ideia é sim que tenha direcionamento diferente pra que as pessoas possam escolher melhor as suas áreas de interesse, mas isso é um passo de cada vez que tá acontecendo.
Por isso que os itinerários, no caso.
Exato.
Que não serviu pra nada, na verdade, né?
Tão ajustando cada vez mais. Óbvio que sempre vai ter falhas no primeiro momento, quando cê implanta alguma coisa.
Certo.
Aí você vai pegando: "Ah, isso funcionou, isso não funcionou. Tira o que não funcionou, deixa o que funcionou, coloca outra coisa" e vai ajustando. Então os itinerários tão aí pra isso também. Então todo o processo, ele tem um estudo e é de longo prazo. Qual o problema no Brasil? Que longo prazo, quando eu falo longo prazo, é coisa de dez, vinte anos. E no Brasil, a gente troca de presidente a cada quatro anos.
Quando consegue muito, mantém um presidente por oito, o que é pouco tempo pra uma transformação na educação.
Sim.
E aí cada vez que entra um presidente novo, ele troca a maneira de fazer educação e aí a coisa fica desse jeito. Então, a gente tem um problema sistêmico, que é muito mais embaixo, que a gente não consegue entrar agora pra discutir, mas que sim, deveria ser revisitado. Eu concordo que tem que olhar com mais carinho na maneira com o que, aquilo que se apresenta na escola e como se apresenta.
Certo.
Com toda certeza.
Sim, até em escolas particulares e-
Em todas
...em públicas, no caso.
As duas escolas trabalham da mesma forma. A, a diferença é o, o, o nível de ensino que tem cada uma, mas a, a base nacional curricular comum é a mesma pra todo mundo.
Então, é, eu vou usar a oratória mesmo. Minha oratória não é tão boa assim e eu sempre estudei e eu acredito que na escola deveria ter mais isso do que em cima-
Tanto que hoje você encontra, por exemplo, aula de oratória no próprio YouTube, né? Tem o professor de oratória que tá lá, é professor que ensina oratória. Então hoje você tem, cê tem esses cursos livres em vários lugares, cê consegue encontrar.
Certo, beleza.
Show? Maravilha.
Obrigado, viu?
Tamo junto. Meu senhor, calma que os microfone é caro. Calma que é caro. Calma que esse negócio é caro.
Tudo bom, professor?
E aí, beleza? Você é o?
Primeiramente, sou o João Pedro.
João Pedro.
Prazer falar com você.
O prazer é meu.
Se cheguei até o segundo ano do ensino médio, graças ao senhor, por fim.
Pô, fui feliz, que bom.
Aprendi muito com seus vídeos lá, mas não concluí a escola do jeito tradicional.
Tradicional. Maravilha.
Mas enfim, qual que é o ponto, né? Cê falou que, como é que é?
O empresário que não estuda, fica pobre ou profissional que não estuda, fica pobre.
Isso aí não tem como discordar, porque todo mundo tem que estudar pra seguir evoluindo.
O que quer que seja.
Qual que é o ponto que eu penso, tá? Eu já vendi treinamento de audiovisual pra mais de quinhentos profissionais no mercado.
Tá rico, pô.
Tamo trabalhando pra isso.
Boa.
E aí, qual que é o ponto? Já chegou muita gente pra mim que falou: "Cara, eu sei disso, eu sei daquilo e tudo mais", e você vê que a pessoa realmente tem muito conhecimento, mas pouca prática. Então o ponto que eu trago pra ti é: mais importante do que o estudo, é você pegar esse aprendizado que você tem e colocar isso em prática.
Perfeito.
Porque tem milhares de pessoas que têm a famosa obesidade mental. O cara sabe um monte de coisa, mas não faz nada.
Não foca em nada.
Então o contraponto que eu te trago é esse. Mais importante do que você ficar estudando, é você pegar esse conhecimento e aplicar.
Eu nem digo que é um contraponto. Eu digo que você tá, é, somando com o que eu trouxe aqui, né? Então, cê tem que estudar sim, mas tem que mais do que isso, botar em prática tudo isso e fazer com que aconteça. Botar a roda gir-- pra girar, né, como a gente fala por aí. Então o grande lance realmente é isso, mas uma coisa é importante: é, mesmo que cê fale assim, ah, obesidade mental, de conhecimento.
Cara, o, o conhecimento não ocupa espaço. Então tudo que você aprende hoje, talvez cê não use no dia de hoje, mas daqui cinco, dez anos, né, você pode utilizar. Por exemplo, vamos pegar um caso bem clássico, o Steve Jobs. Steve Jobs, ele não terminou Harvard, tava lá no meio da faculdade, ele parou de fazer por causa do, do Macintosh, da Apple, enfim, e ele continuou fazendo aulas de caligrafia dentro da, da, da universidade.
E ele nem sabia por que ele fazia aquilo. Depois, mais tarde, ele usou as aulas de caligrafia pra construção da, de todo o layout da Apple. Então ele entendeu que lá atrás ele fez aquilo pra poder usar lá na frente. Então talvez um conhecimento que cê tá uti-utilizando agora que vá, será se vai servir pra alguma coisa? Talvez hoje não, mas daqui pra frente, talvez daqui dez, quinze, vinte anos, seja importante na sua profissão.
Então todo conhecimento ele pode ser, é, trazido à tona em algum momento da sua vida, desde que ele esteja dentro de você.
Com certeza, faz todo sentido. Eu acho que o ponto só importante é a pessoa não se perder nisso.
Exatamente.
Porque o estudar, o aprender coisas novas, é muito bom, né? Cê aprende uma coisa nova, cê se sente que tá sendo produtivo, que tá avançando.
Tem que ter foco.
Tem que ter foco, cê não pode se perder. Aprender, aprender, aprender e não executar as coisas.
Show de bola.
Mas é isso.
É isso. Valeu. Obrigado, viu? Tamo junto. Quem cola em prova é incompetente? E aí, tudo bom? Beleza, tranquilo? Qual é seu nome, desculpa?
Salomão.
Salomão, prazer, cara. E aí? Bom, só pra conte-contempora-contemporizar aqui a nossa frase, eu acredito, na verdade, que quem cola em prova é desonesto. Acho que a melhor palavra é desonesto do que incompetente, sabe? Porque, é, entra num, num dilema mais ético e moral do que qualquer outra coisa. Quando cê tem uma prova, cê tá testando os seus conhecimentos. Se você usa qualquer subterfúgio, você não tá testando seus conhecimentos, você tá vindo por um caminho de desonestidade em relação ao jogo que é ou às regras que tem aquela prova, né.
Então aí eu acredito muito mais que quem cola em prova é desonesto, tanto com si mesmo quanto com, para o professor, com a escola, assim, até pro seu próprio pensamento.
Mais ou menos.
Uhum.
Na primeira, na primeira afirmação, por isso que eu vim aqui. Na primeira, desonesto eu até concordo um pouco, mas mais ou menos, porque atualmente, é, quando você tem um estudo, é, quando você vai fazer fora do colégio, você busca qualquer informação, rede de informação, amigo, internet, tudo, pra você chegar naquele resultado que você quer, certo? E na prova, você só tá gravando uma coisa, não que você, ah, vai ter que saber.
Ninguém vai, quando você, por exemplo, é, vocês tinham comentado sobre engenharia, o pai dela é pedreiro e tal, aí questionou sobre os engenheiros. Quando você vai fazer uma obra gigantesca, se você não lembrar os cálculos na hora, você vai lá na rede de informações que você tem, vai buscar e vai saber fazer e vai dar procedimento ao que você quer fazer, certo? Ou seja, e na hora, é, que você me questionou sobre se...
Se, se é desonesto ou incompetente?
Incompetente, eu acho que seria a competência da pessoa, na minha opinião, porque, é, exemplo real, várias pessoas que estudaram comigo fizeram o que fizeram, no caso, colaram em provas, se deram bem, passaram de ano, cursaram faculdade e hoje em dia tão no sucesso que eles queriam atingir.
Uhum.
Eu, por exemplo, na minha cabeça, eu tive uma religião, no caso, fui criado pelos meus pais com uma certa religião, falava: "ah, pecado, não pode".
Sim, tinha uma proibição e tal.
É, aí beleza, não fiz, não colava, pá. Não colava, mas também não queria estudar às vezes, algumas vezes e falava: "ah, não quero, não precisa". Reprovei. Beleza, reprovei. E eu vi os meus amigos colando e passando. Falei: "pô, mas qual o sentido disso?"
É, aqui, aqui a gente tem dois pontos.
Depois que eu fiquei mais velho, eu fiquei, fui entender, tá ligado?
Aham.
Tipo, é, meio que foi, qual o nome que se dá? Malícia, uma malícia que a vida não te ensina, que você vai precisar no futuro, que seria bacana você...
Cara, aqui a gente tem dois pontos. Primeiro que isso que cê trouxe pra mim, tá tudo ok. Vou pesquisar na internet, vou pesquisar em qualquer lugar pra buscar informações. Ok. Cê vai pesquisar é uma coisa. Você pesquisa, quando você pesquisa, você vai ler aquilo, você vai aprender com a tua pesquisa. Isso é uma coisa que é lícita e é ok. Quando cê tá numa prova, você vai trazer isso que você pesquisou e aprendeu pra colocar na sua prova.
Ah, se a minha prova é uma prova de decoreba, aí a gente pode questionar o estilo de prova, pode questionar o, como ela foi feita, que não tem, não tem a ver com essa outra questão de pesquisa. Pesquisar, todo mundo faz. É, usar IA, usar a internet pra pesquisa, pra adquirir conhecimento, beleza. No meu tempo não tinha internet, eu usava livro pra adquirir conhecimento. Era aquele bando de livro, mas é basicamente o mesmo processo.
Agora, quando eu tô dentro da prova, eu tô testando o meu conhecimento daquilo que eu aprendi, daquilo que eu pesquisei, daquilo que fui atrás. Então, não, não faz sentido eu bu-bu-buscar uma cola do bolso, copiar o que tá ali e escrever diretamente. Faz sentido eu colocar a prova o que eu aprendi de modo disciplinado.
Mas a maioria das escolas, as maiorias das escola era pra decorar aquelas fórmulas gigantesca que, pô.
Aí a gente pode questionar o método da prova.
E aí você ia ter que saber usar a fórmula, mas aquilo ali pra gravar uma fórmula...
Aí, só pode questionar. Tanto que tem vestibulares, é, atualmente, que eles já dão as fórmulas prontas na própria prova. Cê não precisa decorar a fórmula, porque aí eu concordo, decoreba não faz sentido. Cê precisa entender como aplicar no, no dia a dia, aplicar no teu cotidiano, tanto a f-a fórmula como a língua portuguesa, que é o que eu trabalho. Então, o grande lance aqui é o, a forma como as pessoas enxergam isso.
Então não é porque eu pesquisei antes que eu posso colar na prova. Eu pesquisei antes pra adquirir conhecimento e botar a prova o meu conhecimento lá na hora da prova. Se a prova foi feita de uma maneira em que só cobra decoreba, aí a gente pode questionar o método da prova, e aí outros quinhentos, né, uma outra conversa.
Só, já terminei o meu assunto, eu queria levantar essa questão.
Obrigado.
Valeu, professor.
E aí, tudo bem?
Tudo bem.
Beleza? Qual é seu nome mesmo?
É Isabela. Sabe o que eu acho que acontece hoje em dia?
Pode falar.
Quando a gente fala de colar dentro de uma prova, o que acontece muito é o quê? Às vezes uma pessoa ali dentro realmente tem o conhecimento necessário, tá ali ó, é um aluno nota dez, é um aluno que faz de tudo, que tá ali ó, da hora. E a gente tem outro caso daquele outro aluno que trabalha, daquele aluno que tem responsabilidade, daquele aluno que tem coisas pra fazer, que às vezes chega tão cansado, que nem foi meu caso, que eu trabalhava de manhã e estudava de noite, chegava tão cansada de depois de pegar transporte, isso, aquilo, não dava conta.
O corpo não aguentava e eu dormia em algumas aulas. Então entra a questão do quê? O que que acontece? As escolas, elas não têm essa, essa divisão, entendeu? Elas, eles não conseguem separar essas, esses alunos. É que nem você colocar uma pessoa autista dentro de uma sala onde só tem pessoas ne--
Que não, que não tenha um transtorno
Um transtorno, entendeu? E é a mesma coisa, uma pessoa que tem autismo, ela não vai conseguir conhecimento tão fácil que nem a outra pessoa. E é a mesma coisa. Hoje em dia a escola te coloca ali sentado, você tem que cumprir o seu horário, cê vai ficar daqui até tal horário estudando, fazendo o seu, e eles não se preocupam com a outra classe, porque nem todo mundo que tá estudando só tem aquilo ali, entendeu?
Tipo assim, tem gente que trabalha, tem gente que cuida de casa, tem gente que tem filho. Na minha idade eu conheço gente que tem filho, que pra não abandonar a escola, leva filho pra escola, tá entendendo? Então, tipo assim, eles não têm essa, essa, como separar esses dois ambos. Então é muito fácil você virar e falar assim: "Ah, pô, tem um cara aqui ó, ele tira nota dez, ele é o aluno nota dez."
Mas que que ele faz todos os dias da vida dele? Ele levanta, ele vai pra uma academia, sai da academia, vai pra aula, sai da aula, volta pra casa, tem o restante da, do, do dia pra poder estudar.
Realidades diferentes, né?
São realidades diferentes-
Sim
...e a escola não tá conseguindo separar esses dois meios.
Eu concordo plenamente com o que cê falou. É, essa, re-- as realidades de cada um é muito diferente e a gente sabe que acontece isso. Isso acontece, é, no Brasil inteiro, a gente sabe disso. E aí a gente pode questionar o sistema de ensino e não-
Sim
...a relação da cola, porque, por exemplo, eu não acho que o seu cansaço justifique você colar.
Sim.
Entendeu? Mas também, a, concordo com você que a escola deveria olhar diferente pra quem trabalha o dia todo e tem que ir pra escola à noite.
Sim.
Beleza, acho que tem realmente que existir um, um diferencial nesse sentido. Tem que ter um olhar diferente. Toda a escola, o professor em si, na maneira de trabalhar com o aluno, de acordo com a realidade dele.
Sim.
Eu trabalhei com alunos que eram esses alunos que cê falou agora, ah, o cara vai pra academia e vai pra escola. E trabalhei com pessoas também que chegavam cansadas à noite e tinham que estudar também da mesma forma. E o olhar tinha que ser diferente. Eu, como professor, eu tinha o olhar diferente pra essas pessoas. Então o, a questão aqui não é sobre a cola em si.
Sim.
É, porque pra mim não justifica você estar cansado, eu vou colar. Né? Justifica, sim, o seu cansaço não deixar você prestar atenção, e aí isso acarretou uma reprovação que talvez não deveria ter acontecido, porque a escola deveria ter olhar diferente pra você. Concordo com tudo isso-
Sim
...mas não justifica esse, esse lado da desonestidade com a própria, com o próprio ensino em si, com a própria aprendizagem.
Sabe o que eu acho? É que, tipo assim ó, vamos supor, pra você dar uma prova pra uma classe, você tem que ver a média da classe, tá entendendo? A partir do momento que você vê um que tira dez, o outro que tira cinco, como que você aplica uma prova igualmente pros dois?
Concordo.
Tá entendendo?
Agora temos um outro problema. Como é que um professor que tem quarenta, cinquenta alunos na sala vai fazer isso também dentro de uma estrutura de escola? Muitas vezes o professor não consegue fazer isso. Ele consegue identificar, né, não consegue identificar. Ele consegue identificar quem tá passando por X, Y, Z.
Sim.
Mas como é que eu vou separar isso dentro de uma mesma turma? Como cê falou, né? Ter muitas pessoas diferentes dentro da mesma turma gera esse problema também.
Sim.
Então a gente precisa pensar em ou-- de outra coisa, em outra relação, mas é uma questão sistemática de escola e que vem se pensando já há algum tempo.
Sim.
Mas óbvio que a gente sabe que precisa mudar.
É, é que eu acho que a educação hoje em dia tá muito vasta, entendeu? Então a, acaba que-
Licença, maioria.
Muito obrigada, viu?
Obrigado você, imagine. Oxe! [riso]
Opa, tudo bom?
E aí, tudo bem?
Maicon Jonata, prazer.
Prazer, Maicon. Tudo bem, cara? E aí?
Eu discordo da questão do incompetente, porque pra colar precisa ter competência, viu? Já assistiu Na-- já assistiu Naruto?
É verdade, eu concordo.
Quem já assistiu Naruto aí? Anime, eu gosto de anime.
Aham, anime é legal.
Lá ensina a que, eles a não ser pego, né, na prova da primeira prova do Naruto.
A incompetência foi ser pego.
A incompetência é ser pego.
Ah, entendi. Não, faz sentido, faz sentido.
Não, sim, mas isso que eu digo é só uma, uma, uma analogia, sabe? Não sigam, né? Esse negócio de colar não é legal. Só que, tipo assim, é que nem o menino falou ali, tem muitas realidades, né? Tipo, por que que a pessoa rouba hoje? Porque sente fome. Muita gente. Tem gente que rouba porque é sacana, né? Quer dinheiro, quer ostentar e tal. Mas tem a outra realidade que é menorzinha, que ninguém liga, é que aquele lá tá passando fome.
E quem cola, muitas vezes, também tá passando fome, entendeu? Então, aí por quê? Por quê? Ele não é incompetente, ele só quer agilizar, ele quer acelerar aquele negócio, porque dói, ele quer sair da dor.
Ele quer se livrar, né, daquilo.
Ele quer sair da dor.
É, e aí, aí é um outro, uma outra questão que a gente pode levantar, porque as pessoas olham pra escola como lugar pra se ver livre.
É, exatamente.
E aí não é assim, entendeu? Não deveria ser assim, pelo menos.
Não deveria.
A escola deveria ser um lugar onde você vai aprender, adquirir conhecimento e trazer pra tua vida. E não, ah, quero me ver livre logo, passar pro, pro próximo ano, quero terminar logo a escola. E aí vira um peso.
Mas tem uma questão-
Não deveria ser
...que a própria escola induz o aluno a ser dessa maneira. Sabe por quê? Posso falar? Porque quem aqui, quem, qual professor aqui de vocês ensinou vocês qual é o porquê de fazer a prova? Levanta a mão, qual professor ensinou alguém aí? Por que fazer prova? São poucos. Então eu digo, a maioria-
É pra ganhar nota, aham
...a maioria é pressionado a seguir esse caminho que você é contra.
E eu concordo com você porque é o sistema que é o problema.
Exato.
Entendeu? E aí a gente tá voltando pra nossa pauta, que é sobre a cola em si. É, ela pode ser, pode ser que o sistema gere isso, mas a, a verdade é que as pessoas olham pra escola de uma forma equivocada. A maneira como a gente enxerga a escola, um lugar onde eu tenho que me livrar, o lugar onde eu tenho que passar, essa pressão psicológica toda que cê colocou aqui, faz sentido, mas o grande lance é que a gente precisa mudar o sistema e não a maneira como a gente trabalha a, a nossa cabeça em relação à escola.
Sim, eu acredito que estudar é muito importante. Tipo, cê vai morrer estudando, isso aqui eu digo, afirmo pra vocês, vocês vão morrer estudando, não dá pra escapar.
É isso.
Tudo você estuda. Você estuda seu colega, você quer falar alguma coisa, cê tá ensinando e o outro tá aprendendo ou vice-versa.
É isso.
Então não tem como fugir.
Aprendizagem é isso.
Exato.
Uma, uma via de dupla. É isso.
Exatamente, muito obrigado.
Valeu, obrigado você.
Queria só passar a parte da questão de não é inco, não é incompetência.
Sim, por isso que eu mudei a palavra no começo ali. Eita, cuidado, pelo amor de Deus. Pelo amor de Deus. Ladies first, vai. [riso]
Tudo bem?
Seu nome?
Maria.
Maria. Tudo bem. Me conta, Maria.
Então, eu gostei muito do que a Isa trouxe, porque eu sou mãe.
Certo.
E recentemente, eu vou até usar um exemplo que aconteceu comigo Fui fazer o psicotécnico do Detran.
Tá.
E aí são vários testes que tem que fazer. Ok. Cheguei lá, a psicóloga ficou me testando, enfim. Chegou no final, falou: "Nossa, você foi super mal no teste de lógica."
Uhum.
E aí se você pegar, foi um momento-- aí ela falou: "Você dormiu bem?" Eu falei: "Olha, não tem isso de dormir bem, porque eu tenho uma filha."
Não tem como dormir bem com criança pequena.
Ela é um bebê, então assim, eu não durmo bem. Então assim, você quer comparar, é, a realidade diferente das pessoas. E-
Uhum
...a pessoa, o professor, às vezes, a escola, o sistema. É, como você falou, como é que eu vou olhar pra uma sala e vou olhar pros alunos que têm necessidades especiais?
Uhum.
Então é exatamente isso que acontece comigo. É, eu estudei por muito tempo, mas tenho TDAH. Então, assim, eu fico numa sala de aula, não me comporto bem, porque eu tenho muitos estímulos.
Uhum. Se perde fácil.
Eu não consigo aprender como a maioria das pessoas, então eu tenho que me esforçar fora da escola.
Uhum.
Nenhum professor tinha essa questão de chegar e falar: "Olha, você dormiu bem? Você passou por alguma coisa?"
Uhum.
E aí a prova, muitas vezes, é definida por um momento que você tá passando.
Uhum.
E as pessoas não tão nem aí pra isso, entendeu?
Sim, e isso é o que eu falo pra você, é um problema sistêmico, não é um problema que a gente vai conseguir resolver de uma fo-- de um lado pro outro. É bom a gente levantar esse tema aqui pra gente poder trazer isso à tona pras pessoas, e pras pessoas entenderem que a maioria das pessoas no Brasil hoje passa por isso. Muita gente que tá na escola passa por essas dificuldades, ou no seu caso, tem uma criança pequena, outro tem T-TDAH, outro tem não sei o quê.
Várias pessoas têm algum tipo de problema. A escola, por si só, precisa se adaptar a isso. É, o professor não dá conta sozinho disso. Então não dá pra gente culpar professor, escola ou a pessoa em si. A gente precisa pensar, só que quando, trazendo pra nossa pauta de novo, eu não acho que justifique você colar uma prova, mesmo se estando essa situação. Eu entendo a sua situação, concordo que deve ser avaliado de uma forma diferente, tem que ter um olhar diferente pra sua realidade, pros, pra sua situação e ser, e talvez trabalhar com você, em vez de fazer uma prova, fazer um trabalho, não sei, entende?
Criar um sistema diferente, mas é algo que tá muito acima da gente.
E por que que você acha que as pessoas colam?
Porque elas querem se livrar da escola e têm essa pressão pra poder acabar logo o-o ano ou pelo menos ter uma nota, enfim, que seja.
É porque, na verdade, quem tá na escola não queria tá ali, né? Todo mundo é obrigado a seguir esse caminho-
Uhum
...porque a sociedade impõe. Mas se você parar pra pensar, porque você até já chegou a comentar aqui-
Uhum
...que as pessoas, você até usou um dado estatístico, eu não sei de onde você tirou e tudo bem.
Uma pesquisa dele em 2024.
Tudo bem, você pode trazer a pesquisa que for, não muda a realidade, entendeu?
Uhum. Tá.
Porque a questão da escola, ééé-
A ideia não é mudar a realidade, tá? É só trazer dados pra mostrar que é possível.
Não, tudo bem. É possível, mas assim como é possível, pessoas que ganham mil vezes mais sem nem ter estudo.
Sim.
Por exemplo, eu. Eu ganhava muito mais-
Uhum
...não tendo nenhum estudo.
Sim.
Muito mais do que pessoas que, inclusive, é uma realidade que pessoas com faculdade trazem até em posts em, na realidade delas, que elas fazem faculdade e hoje em dia não serve pra nada.
É, nenhum estudo, eu acho que é muito-
E não ganha!
...muito, muito, muito, é, ex-extremista falar que cê não tem nenhum estudo. Você tem estudo, você tem aprendizagem, tanto que você consegue tirar o seu sustento de uma outra forma, sem a educação formal. Porque no fim das contas, é isso que a gente tá falando aqui, de educação formal.
Sim.
Existem outros tipos de educação, outros tipos de ensino e de aprendizagem que com certeza você tem. Então quando eu falo de estudo, é nesse sentido, de você continuar estudando, seja qual for a área. Como ela falou aqui, ela faz sobrancelha e ela estuda isso. Com certeza, na sua área, você também tá estudando a sua área o tempo todo. Então quando eu falo de ensino, que é um s- um s- o ensino que te dá sustento pra, pra frente, é sobre isso que eu tô falando.
Só que esse ensino, a escola não traz, só a vida.
"Estudar é o melhor caminho para ter sucesso." Maravilha.
Rápido.
E aí, tudo bem? Seu nome é?
Rafael, Cortes Rafa.
Cortes Rafa.
Prazer te conhecer. Não te conhecia.
Uma alegria. E aí, cara, estudar é o melhor caminho pra ter sucesso. Quando eu falo isso, eu falo exatamente do sucesso não só financeiro, tá? Sucesso na vida como um todo. Obviamente que a gente pensa no sucesso financeiro, muita gente pensa nisso, e ele é decorrência de muitas coisas. E quando você estuda, o estudo, ele não ocupa espaço, ele fica dentro de você, ele é acumulado e não ocupa espaço.
E isso vai servir pra tua carreira, qualquer que seja ela no futuro.
É que ter, é que sucesso é muito amplo, né? Igual cê falou, não é só dinheiro, mas só que o que menos a escola ensina é ter sucesso. A gente vê os dados, não sei onde cê mora, onde cê mora?
Eu sou de Curitiba.
É, e cê cresceu e nasceu na onde?
Cresci e nasci em Curitiba.
Então cê não conhece Jardim Prainha, Grajaú, Zona Sul de São Paulo, o ensino de lá.
Provavelmente não.
Noventa e nove por cento das pessoas que estuda não tem sucesso, seja financeiro e qualquer área que cê quiser falar.
Uhum.
Então como é que cê prova isso aí que cê tá falando?
Eu provo da seguinte forma: é, eu não conheço esses lugares que cê falou, mas eu conheço a Vila Pinto, lá em Curitiba, que é região também de baixo, ba-baixa, baixa renda, e não só de baixa renda, mas de baixa tudo, né? Baixa segurança, baixa saneamento. E qualquer aluno que está numa escola, e eu sei que existem escolas boas e ruins, tá? Isso não, não dá pra mascarar, existe.
É...
Acho que a questão não é nem a escola, é o ensino-
Não, é, mas a escola ser boa-
...que tá instalado em qualquer escola
...é, mas a escola ser boa ou ser ruim, tá no ensino geral.
É, quem não tem dinheiro vai pra escola ruim, quem tem dinheiro vai pra escola boa. É um fato.
Não necessariamente. Eu conheço escolas-
Escola particular
...públicas que são boas.
Como é que o favelado vai es-estudar na escola particular? Fala pra mim.
Muito bem, ele pode não ir numa escola particular, mas ele pode estudar numa escola pública de qualidade.
Ou seja, ele tá fadado ao fracasso na vida dele.
Não necessariamente.
Eu repeti oito, oito, eu repeti três vezes a oitava.
Certo.
Terminei meu estudo no EJA.
Aham.
E como é que faz?
Bom, vamo lá. Eu também, eu repeti lá na escola.
Isso não deixou de eu ter sucesso.
Exatamente. E eu me tornei professor por consequência, mas não tô nem falando que você deveria fazer isso, não. Mas com certeza, você foi estudar outras coisas.
Quantas faculdades cê já fez?
Eu fiz uma faculdade.
Uma? Qual que cê fez?
Letras Português Espanhol.
Qual escola?
Fiz-
Qual faculdade?
Faculdade lá em Curitiba, Universidade Tuiuti do Paraná. Então, o que acontecia? É, quando eu falo de estudo, é, você vai acumular estudo ao longo da sua vida, eu tenho certeza que aquilo que você aprendeu-
Não, mas aí cê tá falando pro cara, quantos anos cê tem?
Aquilo que você aprendeu na sua escola-- eu tenho quarenta e oito.
É, hoje cê fatura quanto por mês?
Bom, aí cê quer saber minha, minha parte econômica. [riso]
É um debate, se me perguntar eu vou te responder.
Não, tudo bem, mas aí, assim, se eu, se eu não quiser abrir meus números, eu posso te dizer que no ano eu tenho aí um faturamento de sete dígitos.
Porque cê tá falando pro cara acumular, acumular conhecimento na cabeça, ficar guardado lá e não vai usar.
Não, claro que vai usar. Com certeza aquilo que você aprendeu na escola, você usa hoje.
Português e matemática, só.
Mas tu usa então, tu acabou de falar que usa.
Aí eu vou ficar sete anos da minha vida estudando português e matemática.
Mas você usa aquilo que você aprendeu na escola, então não é jogado fora, não é perda de tempo. A escola não é perda de tempo, por pior que ela seja, ela não é perda de tempo. Até porque a escola, ela traz-
Não, perda de tempo não é, mas deixa eu fazer uma pergunta.
Uhum.
Então por que, por que que não, é, coloca na escola pra ensinar gestão financeira?
Concordo.
Inteligência emocional?
Mas concordo.
Por que que não tem aqui no Brasil?
Mas a escola tá mudando. E aí é um problema sistêmico.
Porque escola pública nos Estados Unidos tem.
Aí é um problema de sistema, a gente tá falando de um sistema, é outra coisa, a gente tem outro de-- outro debate. O debate aqui é sobre sucesso a partir do estudo. Ou seja, você acabou de me falar que você, matemática você usa no seu dia a dia. E que você teve sucesso querendo ou não, ou seja, você-
Mas não foi por causa do ensino.
Não, claro que foi.
Eu sei ler e quanto é dois mais dois.
E você sabe ler, pronto.
Quatro.
Não, vai. Cê sabe ler, cê já tá chegando aqui sabendo ler, você já chegou até aqui com tudo isso dentro de você. Você não perdeu esse material que você arre-arrecadou durante toda a sua trajetória de infância.
Super perdi, eu não lembro de nada, só sei quanto é dois mais dois.
Você perdeu as coisas mais complexas, logaritmo, que é que seja, mas outras coisas você aprendeu. Tem mais uma coisa importante.
Não tô falando que é irrelevante o estudo.
A escola, não. A escola, a escola.
Não tô falando que a escola é irrelevante, mas precisa ser remodelada. Precisa ser acertada em muitas coisas.
Concordo, mas aí, mas aí a discussão tem outra, aí tu concordo com você. O sistema é outros quinhentos.
Tudo bom?
Bom, beleza?
Beleza.
Seu nome é?
Igor.
Igor, prazer, Igor. Vamo lá.
Bom, eu discordo por quê? Porque a escola é o maior caminho pra ter sucesso, como que é?
É o ensino, é o maior caminho pra ter sucesso.
Então, eu discordo porque às vezes cê estuda tanta coisa, tanta coisa que cê já tá careca de saber.
[riso]
E outra pessoa que não estudou nada já tá tendo sucesso porque ela tá correndo atrás da vida, tipo da vida real, tá ligado?
Aham. Mas o que que é o sucesso em si? Vamo lá. Só pra gente, pra eu entender o que que é sucesso pra você, pra eu poder tentar trazer o, o meu argumento pra você aqui.
Bom, o meu ponto de vista de sucesso é cê ter uma qualidade de vida boa.
Tá.
Ter uma qualidade de vida boa, ter uma profissão boa, ter um... Se virar na sua vida sem precisar tá...
Sofrendo.
Sofrendo, isso.
Bom, a gente sabe que a realidade da maioria dos brasileiros, é, ela é difícil nesse sentido.
Sim.
Mas quando eu falo que o ensino, ela é, ele é o maior caminho de sucesso, porque quando você tá estudando, o que quer que seja, tá? Ah, eu vou, vou trabalhar com, vamo pegar uma profissão qualquer, fala uma profissão pra mim aí.
Uma profissão pra tu?
É, qualquer profissão que cê vê na sua cabeça. Sei lá, vou trabalhar como marceneiro, vai.
Sim.
Cê vai ter que estudar a marcenaria, cê vai ter que aprender mais sobre ela.
Sim.
Ou seja, o estudo vai te dar uma estabilidade naquela profissão pra que você possa ter um retorno dela.
Mas cê acredita que o tempo que ele tá ali estudando, se ele já tivesse fazendo, ele não chegaria lá na frente primeiro?
Eu acredito que as duas coisas.
Sim.
Então cê tem que ter tanto a parte prática quanto a parte teórica.
Sim.
Não dá pra viver só com uma delas, entende?
Igual, eu tenho amigos que estudou, estudou, estudou, fez faculdade, fez o cara é quatro e hoje é Uber.
Mas aí querendo ou não, tem outras coisas que influenciaram na vida dele, né? Aí tem coisas sociais, tem-
Perdeu tempo estudando, se ele tivesse fazendo outra coisa ele já-
Não foi a escola, não foi a escola que fez virar, ele virar Uber. Foram algumas escolhas no decorrer da vida dele.
Sim.
Entende? Então não é só culpa disso. Então, ah, ele perdeu tempo na escola, podia tá trabalhando mais cedo. Não é verdade.
É verdade.
Não é verdade.
Se ele tivesse trabalhando mais cedo, ele talvez hoje ele não ia ser Uber.
Não, não.
Talvez hoje ele já tava com sucesso dele.
O problema é que as pessoas olham pra escola como se fosse um lugar onde elas vão perder tempo, e não é. A escola vai somar coisas pra que no futuro você possa escolher melhor.
Não.
É, sim. É isso que acontece.
Eu, eu acho, no meu ponto de vista, que a escola tinha que ser só até a quinta série. Aprendeu ler, escrever, contar, tchau. É na base de...
Então vou te trazer um dado pra você.
Sim.
Você sabia que, é, uma pessoa que termina a faculdade-
Sim
...tem um salário 126% maior do que qualquer outra pessoa que não terminou a faculdade ou que não terminou o ensino médio?
E às vezes não tem nem salário.
Isso é comprovado.
Cê sabia que às vezes a pessoa termina a faculdade também, não tem-
Ainda assim você tem mais chance de ter um salário de 126% maior que dos outros, do que não ter nada, com uma, uma faculdade, com um estudo.
Mas cê sabia que, tipo assim, o tempo que ele tá ali passando, estudando, coisa, se ele tivesse fazendo outra coisa, ele já tinha esse salário bem antes.
Não, claro que não. Com certeza não. Não, isso não é verdade. Mas da onde cê tirou esse dado pra me trazer aqui?
Bom, do meu ponto de vista, eu tirei da minha vida.
Ah, tá. Então cê tirou de um, dum lugar além. [riso]
Se eu tivesse parado lá estudando lá, tipo, tipo eu parei no primeiro ano.
Aham.
Eu não fui reprovado, eu parei mesmo, falei: "não, eu tô perdendo tempo aqui". Parei.
Tá.
Por que que eu parei? Porque o tempo que eu ficava lá estudando, estudando, estudando, eu tava vendo outros parceiros já fazendo.
Aham.
Já tendo dinheiro, já tendo os bagulho e eu lá estudando. Falei: "não, calma aí". Depois que eu parei, já...
Todo esse estudo que você trouxe não foi em vão pra aquilo que cê tá fazendo. As pessoas não conseguem enxergar isso.
Pra...
Porque todo estudo construído é levado pra vida. Se hoje você tem um poder de oratória, que cê tá conversando comigo aqui numa boa.
Sim.
Você aprendeu na escola, você aprendeu na base, porque é a base que te ensina isso, não é depois.
Então, por isso que eu falo, tinha que ser só até a quinta série. Aprendeu, tchau.
Não, terminar até o terceiro ano do ensino médio, você pelo menos terminar o ensino médio pra ter toda essa base completa. E aí depois se você vai escolher se quer universidade ou não, mesmo eu achando que cê deveria fazer uma universidade também, porque na universidade cê vai ter contatos, network, vai conhecer um monte de gente de outros nichos que podem te abrir as portas de outros trabalhos.
É, então mesmo assim, ainda eu acredito que o estudo, o ensino é sim o melhor caminho.
Não, não, não.
Pra você ter uma, um futuro estruturado. Valeu.
Valeu.
Tamo junto. Olá.
Olá.
Tudo bem? Você é?
Eu sou a Taís Serafim.
Taís, tudo bem, Taís?
Especialista em sobrancelhas.
Legal.
Bom, teve uma parte aí na conversa com o rapaz anterior.
Uhum.
Que o senhor falou assim que é importante o estudo e também a prática.
Uhum.
Super concordo, mas eu vou dar um exemplo do meu pai.
Tá.
Que é construtor pedreiro.
Ok.
Sem estudo.
Aham.
Meu pai parou na quarta série e ele é um construtor, posso te dizer
De primeira linha
É, de primeira linha, exatamente.
Sim.
Só que o meu pai, pelo fato de não ter tido o estudo teórico
Uhum
É impressionante as coisas que ele faz só por conta da prática.
Sim.
Então eu não discordo que é importante, sim, estudar, é, independente daquilo que você escolha
Uhum
Como, por exemplo, eu não tenho faculdade
Tá
Eu não desaprovo também quem queira fazer faculdade, quem tem faculdade. Eu acho que, eu acho que existe-- eu acho, não, eu tenho certeza que existem várias formas de se estudar, de se aprender, mas não necessariamente somente a faculdade.
Tá.
O estudo ele é, sim, extremamente essencial, até pra melhorar nossa fala, melhorar nossa comunicação, melhorar nossa postura. Mas quando foi falado dessa questão que é importante o estudo e a prática
Uhum
Eu lembrei automaticamente do meu pai. Ele não tem o estudo
Mas tem a prática
Mas tem a prática e ele sabe construir uma casa do zero.
É, é muito comum nas gerações dos nossos pais, né, isso ter acontecido com muitos deles.
Certo.
É, e é natural que aconteça. Porém, é, a realidade de hoje, a gente sabe o quanto que o estudo teórico vai dar base pra esse estudo prático.
Sim.
Se eu pe-pegar seu pai, se o teu pai tivesse nascido agora, né, ele tivesse, sei lá, agora, sei lá, dez anos de idade. Será que a realidade dele daqui... Seu pai tem quantos anos, desculpa?
Sessenta e nove.
Sessenta-- daqui cinquenta anos, cinquenta e nove anos, seria a mesma que ele tem hoje?
Sim.
Os tempos são outros, né
Sim
As coisas mudaram
Sim
O mundo mudou. Então é preciso ter essa base teórica junto com a prática. Eu concordo plenamente quando vocês falam assim: "Ah, não, mas se eu tiver só a prática é o suficiente." Não, só a prática não. É o combo das duas coisas que vai fazer você chegar muito mais longe.
Sim.
Você falou que faz sobrancelha. Maravilhoso, com certeza você estuda isso o tempo todo.
Sim, são nove anos e todo dia eu aprendo alguma coisa.
Você não, você não, você não aba-não abandonou o estudo em nenhum momento, né.
Em nenhum momento.
Infelizmente, seu pai acabou-
Mas não tenho a faculdade em si.
Isso
Mas eu tenho os cursos livres.
Mas tem estudo. É isso.
Exatamente.
Curso livre é estudo.
Sim.
Curso livre é estudo. Então seu pai, infelizmente, não teve a oportunidade de poder fazer um curso e tudo mais.
Exatamente.
Ele tem toda essa parte prática. Isso acontece com muita gente dessa geração dos nossos pais.
Sim, exatamente. E, e entrando numa outra questão, quando eu morava com os meus pais, quantas vezes eu já che-- eu já presenciei o meu pai chegando nervoso em casa
Uhum
Com engenheiro, porque o, ele, o engenheiro pra aprovar o dinheiro
Ficava na sua teoria
O arquiteto, né
Tá
Eles têm que montar. Se meu pai vai construir uma casa, por exemplo, tem que ter a aprovação do engenheiro e a aprovação do arquiteto.
Sim.
E aí o meu pai tinha que modificar o que o engenheiro e o que o arquiteto fez de errado. E olha só, meu pai sem o estudo teórico e os, e os dois com estudo teórico errando na, na questão.
Por isso que a gente tem os dois, né? A parte teórica dos, dos engenheiros, mais a parte prática do seu pai juntou e fez o combo perfeito.
Exatamente.
É isso que acontece.
Exatamente.
Por isso que hoje a gente pode crescer com isso
Sim
Construir isso pra nós mesmos, né? Estudar e ter a prática na sequência.
Sim, eu super concordo. Eu não discordo, como estão discordando aqui, eu concordo que é importante o estudo.
Show.
Não acredito que seja essencial realmente a faculdade, exceto em algumas profissões, como por exemplo, se eu precisar contratar uma advogada
Uhum
Eu vou ter que fazer o quê? Contratar uma pessoa que cursou, é formada em direito.
Tem que ter a OAB, tudo mais, né.
Se eu, se eu vou no médico, ele tem que ter feito medicina.
Sim.
Então tem as suas exceções
É isso
Mas não que a faculdade é o único caminho.
Mas é o caminho mais sustentável a longo prazo.
Mas por que sustentável a longo prazo?
Sustentável porque mesmo que você não vá pra sua área, você vai ter um conhecimento de bagagem que vai te colocar no mercado melhor, como eu coloquei agora há pouco sobre os dados, né, de cento e vinte e seis por cento de pessoas. As pessoas que eu falei, mesmo elas não estando nas suas áreas de trabalho
Certo
Por terem terminado a faculdade, elas têm cento e vinte e seis por cento de salário a mais do que outras que não têm.
Tá.
E aí, beleza, tô falando de universidade, mas de estudo de um modo geral, assim como você falou agora, cê tá estudando o tempo todo. Então se você tem um curso livre, um estudo, isso vai te dar uma sustentabilidade a longo prazo maior do que quem não tem.
Certo. É, você conhece o Léo Pleno? Já ouviu falar-
Léo Pleno, não
Do grupo Pleno?
Não.
Léo Pleno, ele não tem estudo, ele foi reprovado na primeira série, eu, eu conheço a história dele.
Uhum.
Primeira série, segunda série, terceira série. Ele foi aprender a ler e escrever na quarta série.
Uhum.
Ele, é, foi órfão.
Uhum.
Hoje, se você for pesquisar quem é o Léo Pleno, ele tem a empresa dele, ele não tem faculdade
Tá
Em todos os estados, praticamente, do Brasil.
Uhum.
Então é um dos maiores empresários e empreendedores sem realmente o estudo. Por isso que eu te ques-te questionei, por que que a faculdade é o melhor caminho pra ter uma susta-- a sustentabilidade a longo prazo.
É, o ensino de modo geral, né, quando eu falo faculdade, é o ensino.
Então hoje, ele, olha o tanto de pessoas que ele emprega. Ele tem mais de quinhentos funcionários
Uhum
Eu não sei quantos sócios ele tem. E...
Não, claro, existem exceções.
Exatamente.
Mas as exceções não são as regras.
Não são as regras.
E as pessoas olham pra exceção achando que a exceção é a regra.
Exatamente.
Então ele é uma exceção.
Ele é uma exceção.
E tudo bem, tá tudo certo.
É.
Agora, se você olhar pra regra no Brasil
Sim
Não é isso que acontece, né, infelizmente.
Não é isso que acontece. Inclusive, recentemente eu ouvi, eu tive que ouvir de uma cliente minha, uma cliente querida até, não vou falar mal dela. É.
É cliente, não dá pra perder, né? [riso]
Não, mas não é nem por isso. É porque, assim, eu acredito que ela não falou por mal pra mim, mas ela me perguntou: "Taís, você tem faculdade?" Eu falei: "Não." Ela falou assim: "Você precisa urgente fazer uma faculdade, porque, é, no Brasil, quem não tem faculdade é considerado analfabeto." Eu fiz assim-
Não é verdade isso
Eu, eu não soube nem o que responder na hora. E ainda te digo mais, ela falou assim: "E por você não ter faculdade, você não tem certos acessos. Então você precisa urgente, nem que seja online, você fazer uma faculdade." Eu-- aí ali pra terminar o assunto, eu fui e falei: "Não, tudo bem, é, vou amanhã, tô procurando uma faculdade pra fazer."
É.
Mas olha só, aquilo é um modelo mental dela.
Uhum.
Então pra ela aquilo é certo. Se você não tem faculdade-
E eu concordo plenamente com você, é isso que a gente tá discutindo aqui, né? Então assim, não é nem oito, nem oitenta, né? Nem prum lado, nem pro outro. A gente sabe que são realidades e realidades.
É, e o modelo mental dela.
Exato.
Então pra ela, ela acredita que a faculdade é tudo, que é o essencial, mas não é. Existem várias formas de se aprender, de se estudar.
Sim.
Como, por exemplo, isso aqui que nós estamos fazendo, não deixa de ser uma forma de estudo.
Exato, exato. Porque a nossa intenção aqui é fazer as pessoas pensarem um pouco mais sobre esse lado da educação.
Exatamente.
Pra gente estar nesse caminho.
E eu concordo totalmente com a educação.
Que bom, estamos juntos então.
Obrigada, viu?
Obrigado você.
Pela oportunidade. [riso]
A inteligência artificial nunca vai substituir um bom professor. [tiques no vídeo] Boa.
Olá.
E aí, tudo bem? Beleza, prazer. Seu nome é?
Henry.
Henry. Vamo lá, Henry. E aí, o que cê me diz sobre essa afirmação?
Eu vou começar afirmando que eu não acredito que a IA não vai substituir um bom professor. Eu quero dizer que um bom professor é tão raro quanto o ouro. Eu acho que eu acredito que qualquer vez que formos falar, abrir um tema, não existe imparcialidade.
Uhum.
Então eu vou falar qual é a minha vivência e porque eu acredito nisso.
Tá bom.
Eu tenho ensino médio completo, assim que eu me formei, eu me engasei em um, dois, às vezes três empregos, às vezes seis por um, às vezes oito horas por dia. E o que eu posso falar é que dentro do estudo formal, eu tive muitas decepções, mesmo eu não sendo do fundão, eu sempre fui ali do meio pra cadeira da frente.
Aham.
Eu nunca odiei o estudo, mas muitas vezes eu me vi odiando o professor, odiando a metodologia-
Uhum
...e odiando os colegas. Sobre falar que a IA não vai substituir um bom professor, de novo, eu acredito. Até porque a sinapse, ela acontece quando algo novo é descoberto, quando descobrimos, quando aprendemos, quando replicamos algo novo. Mas eu acredito que hoje em dia os professores, do, em, do que diz respeito a ensino médio, a ensino fundamental, tá com nível muito baixo, muito baixo mesmo. Não atacando nenhum professor meu em específico, mas eu posso te dizer que eu aprendi mais com a IA, dessa nova onda que tá tendo, do que eu aprendi nos meus três anos de ensino médio.
Ainda mais, outro fator relevante, foi que eu tive o meu ensino médio no meio da pandemia. Então o EAD para um adolescente acordar cedo nunca foi algo bom.
É, a gente tem uma geração de, de, de adolescentes que passaram, né, pelo ensino médio na pandemia e obviamente sabe o quanto foi difícil isso, né? A pandemia foi difícil pra todo mundo e não foi diferente pra quem tava dentro da escola nesse momento. É, quando eu falo de um bom professor, eu falo de professor de um modo geral até, o professor, qual é a função do professor?
Trazer o conteúdo, né, tentar ser o facilitador do conteúdo pra você, pra que você possa aprender e fazer conexões sociais, porque querendo ou não, é isso, a escola ela é um mini, uma mini sociedade.
Concordo.
Essa é a função da escola, uma mini sociedade, onde você vai aprender os seus direitos, deveres, até onde vai teu direito, até onde vai o direito do outro. E o professor tá ali pra mediar isso de certa forma também.
O que normalmente são muito ruim em fazer.
Bom, aí é, é tua experiência, cê tá me trazendo o que você viveu.
Claro.
É, eu não posso generalizar e dizer que isso acontece no Brasil inteiro. A gente sabe que existem casos e casos, situações e situações, mas eu não posso dizer pra você que você tá correto em relação a cem por cento do Brasil, entende? Até porque eu também não tô correto em cem por cento do Brasil, a gente sabe disso.
Uhum.
Mas pegando a, a grande realidade, é, nós temos casos sim, de professores que talvez estejam cansados, enfim, várias outras coisas que acontecem que a pessoa não tá disposta a fazer, além do que trazer o conhecimento nu e cru, né, fazer a parte social, como eu acabei falando pra você, e isso pode ter impactado na sua vida, especificamente.
Uhum.
Mas, é, a IA, ela é um lugar que ela traz informação, né, porque se fosse verdade que a IA vai substituir o professor, o Google já tinha substituído, né? Quando começou ali você pesquisar as coisas no Google, já tinha substituído um bom professor. Então o bom profissional de educação, ele vai ser sempre importante. E a IA, ela vem potencializar esse bom profissional, vem potencializar o bom professor, que tá disposto a utilizar essa ferramenta como uma ferramenta de educação.
Então eu discordo de você quando cê fala que, é, vai acabar com muitos professores, porque o professor que tiver disposto a mexer com a IA, vai tá disposto também a fazer melhor o trabalho dele.
O que eu posso dizer sobre um bom professor, ainda mais um profissional que se comprometa a entender e usar a IA de uma maneira correta e principalmente, como é que fala? Eficiente.
Uhum.
É muito raro, porque de novo, algo que não aconteceu exatamente comigo, mas muitas vezes eu vi o professor tendo desprezo pelo aluno. E desprezo é uma sensação muito forte, é um sentimento muito forte pra você ter com alguém que você tá ensinando, pra alguém que você tem que tá lá pra tutorar. Eu não acredito que o professor vai acabar nunca, até porque você querer separar o aprender, que é uma coisa humana, do ensino formal.
Aliás, é impossível você querer falar que as duas coisas são a mesma coisa.
Uhum.
Eu acredito que existem vários professores e eu acredito que também a faculdade pode não ser a melhor forma de ter um sucesso financeiro ou da vida.
Cara, primeiro eu sinto muito de você ter pas-- sentido desprezo, né, de, de, vindo do professor, isso não deveria acontecer-
Não comigo, mas aconteceram várias vezes.
Você perceber isso, acho que sinto muito, né, ninguém deveria passar por isso, é, nem de professor, nem de ninguém na vida, né? Acho que desprezo é uma coisa que não faz sentido. É, então primeiro sinto muito por isso. Segundo, é, cara, a tua realidade que cê tá me trazendo aqui é uma realidade que é triste
Existe e como é que a gente pode mudar, né? Então a gente tem que olhar pra que forma que eu posso fazer diferente. E aí eu te convido sempre a procurar olhar pro, pra, pros métodos de ensino e pra professores que tenham essa vontade de ensinar sem esse olhar ruim, mas sim com olhar positivo. A gente sabe que tem, infelizmente, né, tem profissionais bons e ruins em todas as áreas.
E, é, a gente não pode só, é, generalizar dizendo que, pensando que todos são ruins ou também que todos são bons, né? A gente sabe que existem os dois lados.
A única coisa que eu quero trazer é que eu falo pelo menos todo o meu ensino-
Licença, maioria.
Valeu.
Obrigado, cara. Opa. Oxe!
Agora foi, hein? [risos]
Cé, alô.
E aí?
Eu fiz uma, um vestibular onde o tema, a pauta desse tema era sobre a inteligência artificial-
Uhum.
Mudar o, mudar o professor, no caso, tirar o professor e colocar mais a IA.
Uhum.
Sim, eu concordo com isso pelo motivo de eu estudar e sempre ter estudado bem assim, mesmo que às vezes eu não estudava direito, e entra na pauta anterior, onde eu estudava, eu não era o aluno dez, eu tirava tipo um oito, um sete. E tinha a parte da nota formativa, que você comentou sobre a ética, moral.
Uhum.
E tem professor que não vai com a tua cara. Tipo, querendo ou não, isso é uma, é uma realidade. Aí, por exemplo, cê pegava uma nota, vai, que cê tirava um oito, tinha eu, um amigo meu, várias pessoas que não desrespeitavam o professor em nenhum momento, né, porém o professor realmente não ia com a cara, e ele dava uma formativa muito baixa. Aí pensa comigo, eles juntavam essa formativa com a sua nota.
Sua nota que era um oito, virava um seis, um cinco. Então eu acredito, sim, que a IA deveria...
Vai substituir.
Sub-- poderia substituir em partes, porque um bom professor não tem como a IA trocar um bom professor. Porém, eu pensaria que na parte de corrigir uma prova, eu também fiz um curso, onde um professor pegou minha nota e, vai, de zero a dez. Não é, tipo, era múltipla escolha, era tipo de português mesmo-
Uhum.
Onde você escrevia meio que uma redação, uma justificativa pra aquilo. E de zero a dez, ele dava o critério dele.
Sim.
Tipo, no critério dele, ele tinha dado três. E quando eu peguei pra um professor de cursinho, muito excelente, ele daria um sete, oito. Então entra mais a moral também do professor, dele não ser parcial com o aluno. E acontecia muito, acontece em muitas escolas, onde o aluno se esforça, vai bem na matéria, e mesmo assim o, no final, no boletim, não vai ter uma nota boa, pelo fato da formativa.
Então, sim, a IA deveria, sim, em partes, corrigir uma, de partes da prova. Tipo, você pegar um professor e você ter a IA. A IA deveria, sim, porque a IA ela não tem, como posso dizer? Ela não-- parcialidade, ela é justa. Então ela vai falar: "Ó, você errou nisso aqui, você escreveu um, com acento errado, eu vou tirar isso aqui". O professor, ele é humano, então dificilmente, tem professores justos, conheci muitos professores justos, mas acaba prejudicando, e entra na pauta do, como posso dizer?
Entra na parte da pessoa ter colado. Falei: "Caramba, eu me esforcei, tirei uma nota boa". Por eu não ser dum, dum jeito específico e a pessoa também-
Licença, maioria.
[risos] Deu nem, deu, deu nem pra rebater a sua fala, cara, mas tá-
Foi mal.
Valeu. Obrigado pela participação. Não consegui nem, nem contemporizar aqui, mas tá bom. Tá ótimo. Ai, Jesus amado. Uuuu! [risos] Que isso, cara? [risos] Que isso, cara? Que isso, cara? Porra. Muito bem, muito bem. Tudo bem? Qual é seu nome?
Pô, tudo bem? Meu nome é Vitor e prazer.
Vitor? Prazer, Vitor. Vamo lá. Depois, depois dessa, dessa entrada triunfal aí, vamo lá.
Mundo dos espertos, né?
Vamo ver.
Queria primeiro dizer que inclu-- nesse momento, né, eu tô estudando pro pré-vestibular, eu assisto seus vídeos inclusive pra estudar.
Opa, maravilha, que bom, fico feliz.
Mas eu acho que, ééé, primeiro, que no atual momento a gente vê que, é, a educação, por exemplo, os professores bons, eu acredito que deveria existir uma parceria entre um professor bom e o uso da inteligência artificial e da tecnologia atualmente.
Uhum.
Na realidade de São Paulo, pra quem é daqui e nesses últimos anos estava na escola pública com o governo Tarcísio, por exemplo, quando você entra na escola, você vai ver uma realidade da plataformização da educação.
Uhum.
Onde a gente vê na prática como a tecnologia utilizada, ela pode ser utilizada pro mal. Porque-
Tudo nessa vida.
Sim, porque na realidade, aqui na Esta-- no estado de São Paulo, os alunos, eles não estão aprendendo, estão utilizando uma plataforma digital que não ensina as pessoas e que é basicamente você transformar o aluno em um robô, em uma pessoa onde ele só vai ficar abrindo o celular, respondendo algumas questões e é isso, e ele não aprende, né? Eu acho que isso inclusive se conecta com o debate que a gente, que você, que a gente fez sobre a, as provas, né?
Porque atualmente também existe esse tipo de prova aqui no estado de São Paulo, e essas provas, elas podem fazer com que você entre na universidade pública, como o Provão Paulista.
Uhum.
Eu acho que inclusive nesse contexto vale a pena você colar, pra você poder entrar na universidade. Porque a realidade é que pra quem é pobre, você não tem acesso à universidade. Pra quem é pobre, não tem, é, de fato um acesso ao conhecimento fácil, como quem é da escola pública, é muito difícil você ter, você ter acesso a isso.
Cara, vou, vou separar um pouco tua fala em algum-algumas partes. Primeiro, é, sobre
A plataformização da, da educação, eu não consigo falar sobre governos, né, não tenho como falar sobre isso porque é muito amplo, né. Cada governo de estado é, é diferente a maneira que trabalha, mas eu posso te falar assim, cê acabou de trazer uma, uma informação que é basicamente, é, afirmando aquilo que eu tô trazendo, né. Então a IA não vai substituir um professor, porque mesmo tendo uma tecnologia, você diz que não tá-- a galera não tá aprendendo, ou seja, tem que ter um professor pra fazer essa mediação.
Então cê tá reafirmando aquilo que eu trouxe pra gente discutir aqui. É, então, realmente, o professor ele é essencial nessa, nesse processo. Aí eu-- vamo lá, é, obviamente que cê precisa treinar esse professor, cê precisa dar uma formação pra ele poder utilizar a tecnologia de forma adequada. E aí a gente vai ter o melhor dos mundos, que é usar a tecnologia pro bem, como a gente falou agora há pouco, e juntando com o professor, que vai trazer todo o know-how dele pra poder fazer com que o ensino seja realmente eficaz dentro desse processo.
Então isso é uma coisa. É, outra coisa que cê tá falando sobre provas, né? A, a prova que pode me levar pra universidade, que eu posso usar pra colar, enfim. É, cara, eu, eu vou continuar discordando de você, porque eu, eu acredito demais sempre no es-no estudo, na educação, na aprendizagem, eu acredito em todo mundo, todo mundo tem condições de aprender. É porque é, é inato ao ser humano aprender.
Todo-- a gente gosta de aprender. Não é à toa, a galera que tá assistindo a gente aqui, ó, tá pra aprender, pra trocar ideia. A gente tá aqui aprendendo um com o outro. Eu tô aprendendo com vocês, vocês tão aprendendo comigo. Então a gente vai aprender sempre. Então não, não dá pra gente usar isso como argumento pra validar a cola. Não, não tem como, assim, na, na minha cabeça, pelo menos, não tem como a gente validar esse tipo de coisa.
Eu entendo. "Ah, Bo, mas eu vou ter acesso à universidade, coisa que talvez eu não, eu não consiga por causa da minha classe." Existe hoje, hoje vários programas já governamentais pra acesso de várias classes sociais ao, ao, ao, à, à universidade. A gente tem um aumento gradativo já de pessoas de várias classes sociais na universidade. Isso é ao longo dos últimos anos, a gente tem isso, é na-- é natural acontecer.
O Brasil tá aprendendo a lidar com isso e vai aprender cada vez mais. Eu acredito, eu sou um cara que eu sou esperançoso no ser humano de modo geral, até nos próprios políticos, que é, é difícil ser esperançoso com eles, eu acredito que possa ter políticas públicas que são p-boas para pessoas de todas as classes, sem, é, prejudicar ninguém. Então, é, não dá pra gente sempre ser extremista nessa maneira de olhar pras coisas.
Nem com a tecnologia, nem com as provas, é, nem com o professor, nem com, é, em nada. A gente precisa ser otimista e sempre olhar de forma, é, que, com possibilidades reais pra mudanças na, no futuro.
Eu também sou bastante otimista nessa visão.
Valeu.
Obrigado.
Obrigado. [risada] [efeito sonoro] [risada]
Eu sei que esse carinha puxa a cadeira.
Já tava segurando aqui, né? [risada]
Cê é louco.
O cara pulou igual goleiro na cadeira aqui, já.
É, cê é louco.
Qual é seu nome, desculpa?
Guilherme, tudo bem?
Guilherme, prazer, Guilherme.
Prazer.
Vamo lá, cara.
É, pode?
Bora.
Tá, deixa eu te perguntar. É, cê comentou sobre IA que ia trocar, mas a IA em questão, ela-- inteligência artificial, correto?
Uhum, correto.
É, nenhum momento, né, é, o pessoal aqui parou pra pensar de ser substituído, porque a IA em questão, ela precisa ser criada-
Ok.
Certa? E ser desenvolvida.
Ok.
Quem desenvolve essa IA é quem? É a gente mesmo.
Sim, perfeito.
É como se fosse um bebê.
Uhum.
O IA, ele vai ter o treinamento dele e tudo mais-
Exato.
Pra depois virar essas coisas.
Sim, perfeito.
Né? Que ela é hoje. E sim, ela é, su-- ela substitui sim o professor, porque ela é mais inteligente que um professor.
Cara, não é mais inteligente, porque o-
Cês têm a inteligência toda do mundo aí?
O professor-- não, mas o professor não vai trazer a inteligência toda do mundo. Ele vai trazer metodologia que a IA não tem, didática que a IA não tem. A forma como eu explico língua portuguesa não é a mesma forma que a IA explica língua portuguesa. Tanto que o meu canal tem cinco ponto seis milhões de pessoas.
Mas isso é número somente.
Não, não é número, são pessoas.
Sim.
São pessoas que aprendem comigo dessa forma. Existem outras pessoas que vão aprender com a IA e tá tudo bem, tá tudo certo.
Sim.
Mas é metodologia.
Você já aprendeu com a IA?
Mas a metodologia-- claro, eu uso a IA pra muita coisa.
Então.
Mas todo mundo vai aprender com a IA, mas não que a IA vai substituir um professor, porque a minha metodologia a IA não tem. O outro professor que tá lá na sala de aula tem a metodologia dele, que a IA não tem também. A forma de ensinar nunca vai ser igual, nunca. A IA traz informação do teu jeito, te entendendo, entendendo a tua cabeça e talvez pra você sirva, e tá tudo bem.
Sim, sim, uhum.
Mas dizer que pra todo mundo vai servir, aí já não dá.
Sim, agora deixa eu te perguntar, a, a partir do momento que você tá gravando vídeo no YouTube, como você falou, você não tá utilizando inteligência artificial? Que automaticamente, futuramente vai ser utilizado pelos seu, pelos seus, vamos supor, clientes, né? Automaticamente, o que que cê tá fazendo? Tá utilizando a inteligência artificial que você tem hoje em dia, tá modulando essas, essas suas pessoas, certo?
É.
Mas outras pessoas, outros professores também pode utilizar isso daí. E não somente professores-
Pode, claro.
Mas qualquer outra pessoa.
Cê tá dizendo que as pessoas podem pegar o meu vídeo e jogar dentro duma IA pra IA?
Sim, sim.
Mas ela não vai ensinar igual eu ensino. Não tem jeito, isso é individual, isso é próprio de cada professor, próprio de cada pessoa. O jeito que você se expressa é seu.
Sim.
O jeito que eu me expresso é meu. A IA nunca vai te copiar.
Concordo, é humano, ser humano.
Eu posso pegar, posso pegar vários vídeos seus, jogar lá dentro, ela vai entender a forma que você fala, mas ela nunca vai ser igual a você. Ponto, acabou.
Mas ela pode me substituir?
Não.
Futuramente?
Não, substituir não. Ela pode tá somada a você, mas substituir não.
Cê acha que não?
Jamais.
2050, cê acha que num...
Não.
Ah, não sei, não sei.
Eu espero tá aposentado até lá. [risada]
Ah, até lá, quem sabe, é? Mas a gente não, a gente não, Bo. A gente não tem aposentadoria mais.
Não. [risada]
Obrigado.
Bom, gente, acho que essa discussão ficou clara aqui que não é nada sobre quem é mais inteligente, quem é mais burro, não é sobre quem reprovou, quem não reprovou, é muito mais sobre falar de educação. O quanto que o conhecimento, que a educação pode, sim, mudar a vida das pessoas. Tive várias situações, várias histórias que trouxe-trouxeram pra cá e que a gente pode entender o quão diverso é esse nosso país quando a gente fala de educação.
Então a discussão aqui é muito mais sobre isso, sobre o quanto a gente pode abrir portas por meio da educação. É, e se você quiser conhecer um pouco mais do meu trabalho, só você buscar aí @professorNoslen em todas as redes sociais, YouTube, Instagram, TikTok, você vai me encontrar e a gente vai poder conversar um pouco mais sobre educação, falar dessa educação que muda vidas e que transforma o coração de cada um.
Tamo junto.
Presiento temos, muito obrigado.
Boa. [aplausos] Valeu, galera, obrigado, hein? [aplausos]