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1 Empresária vs 30 Esposas Troféu

1 h 22 min de vídeo · 14 mil palavras · Com Natalia Beauty

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Natalia Beauty

A diferença entre uma esposa troféu e uma prostituta é o anel

Participante

Prostituta são as mulheres que transam, ficam sem compromisso nenhum

Participante

Eu acho que se for uma mulher vivida, ela não vai querer casar com um cara que não tenha condições

Natalia Beauty

Meu marido foi embora com uma prostituta.

Participante

Eu nunca tive pai presente

Participante

Acabou o império Nat Beauty

Natalia Beauty

Não, acabou não

Participante

E aí? Você não tem um homem-

Natalia Beauty

Não, eu tava devendo duzentos mil, nome no Serasa, carro com busca e apreensão, não era nada.

Participante

Ele quer uma esposa cheirosa, unha

Natalia Beauty

Mas ele também quer isso da prostituta. Sou interesseira, então vou gastar o que é dele mesmo

Participante

Mas você é a favor da mulher casar com fodido?

Natalia Beauty

A decisão final é sempre minha.

Participante

Eu não acredito.

Participante

Um homem cristão, ele vai te tratar igual uma rainha

Participante

Quantos cristãos a gente não vê traindo, matando?

Participante

Eles não pensam duas vezes, mas eu não sou qualquer uma, eu sou a mulher troféu

Participante

Se o dinheiro é dos dois-

Natalia Beauty

Não é dos dois

Participante

...é responsabilidade, será que essa mulher não tá lutando por uma melhora?

Natalia Beauty

Até quando chegar e não ter mais o que fazer?

Participante

Dinheiro na mão

Natalia Beauty

Cozinha no chão [aplausos]. Eu sou Natália Martins, hoje sou CEO do grupo Natália Beauty. Já fui uma mulher completamente dependente financeiramente. Cresci num lar de mulheres muito dependente financeiramente e acredito que essa dor se transformou na minha maior missão. E hoje estou cercada por 30 esposas-troféu. Se a mulher não trabalha, ela não tem liberdade.

Participante

Oi, tudo bem?

Natalia Beauty

Tudo bom?

Participante

Ana Cláudia, de Manaus.

Natalia Beauty

Tudo bom, Ana?

Participante

Tudo

Natalia Beauty

E aí?

Participante

Bom, eu possivelmente não acredito nisso, porque nós mulheres não dependemos de homem pra nada, né? E eu como-- eu sei como eu sou mãe e cuido da minha filha, cuido do meu marido e eu acho que, tipo assim, eu só não tô trabalhando porque eu não quero mesmo. E como eu já passei 10 anos só, só trabalhando, cuidando do, do meu marido, eu acho bom ele também-

Natalia Beauty

Mas hoje você não tem renda, você depende financeiramente, porque você falou que não depende de homem pra nada.

Participante

Não, não dependo dele-

Natalia Beauty

Mas hoje, se você quiser ir embora de casa com seu filho, como que você vive? Qual é a sua renda? O que que você construiu?

Participante

Bom, eu possivelmente eu só deixei por causa do meu, da minha filha, né? Pra mim poder cuidar dela, ficar mais com ela, mas não tem nada a ver de eu não querer trabalhar. Eu trabalho se eu quiser e eu mando nele [risos]

Natalia Beauty

É, mas não é bem assim. Quando a gente fala de-- eu tô falando de liberdade financeira, porque alguma vez você já deixou de comprar alguma coisa? Então, fica aí. Boa. E aí, me conta.

Participante

Bom, realmente, é, eu acredito que mulher não tenha liberdade, porque o trabalho dignifica a gente.

Natalia Beauty

É.

Participante

Com certeza, né? E aí quando a gente é casada, a gente depende do dinheiro do marido pra tudo. Como que você vai ter uma independência se você tem que pedir o dinheiro pra essa pessoa?

Natalia Beauty

Exato, é isso que eu tô defendendo

Participante

Se você depende totalmente dessa pessoa.

Natalia Beauty

Exato.

Participante

Fica bem difícil. Mas, ao mesmo tempo, a gente também pode achar outros meios, né, de ter essa tal liberdade.

Natalia Beauty

Tá

Participante

A gente pode-

Natalia Beauty

Tudo bem?

Participante

Tudo bom, Nath?

Natalia Beauty

Qual que é seu nome?

Participante

Natália

Natalia Beauty

Nome lindo

Participante

Sou de Sará [risos]

Natalia Beauty

Bora, Nath.

Participante

Meu nome é Natália, eu tenho 34 anos, eu sou dona de casa e eu decidi participar porque eu acredito que o papel da dona de casa muitas vezes é desvalorizado pela sociedade

Natalia Beauty

O que que você defende nessa situação onde a mulher que não trabalha não tem liberdade?

Participante

Por quê? O que você considera liberdade?

Natalia Beauty

Liberdade de falar não, liberdade de sair se ela quiser, liberdade de ir embora, liberdade de comprar o que ela quiser, liberdade de simplesmente dizer não. Porque eu cresci num lar onde eu vi a minha mãe ficar num relacionamento por anos, porque ela tinha cinco filhos e não tinha como sustentar nenhum deles, então ela ficou neste relacionamento, que acabou com a vida dela

Participante

Aí eu acho que é um problema do relacionamento, porque eu vivo num extremo oposto desse relacionamento, onde meu marido me valoriza, onde o que eu faço dentro de casa ele vê com, com bons olhos, né? Então, a liberdade pra mim, é, por exemplo, o salário do meu marido, ele não considera é o meu salário, é o nosso salário. Então [risos]-

Natalia Beauty

Mas você tem que justificar os seus gastos-

Participante

Não

Natalia Beauty

...de alguma forma, né? Ou ele não te pergunta se você quer-

Participante

Não, eu tenho um cartão de crédito adicional do dele, porque ele confia em mim, ele sabe. Eu não vou gastar o dinheiro que é nosso de uma forma, ééé, irresponsável. O dinheiro é nosso, então eu vou gastar com aquilo que eu sei que é necessário.

Natalia Beauty

Com certeza

Participante

Vou gastar com aquilo que vai fazer diferença na minha casa, com supermercado, com as crianças, com dentista, com remédio. É claro, às vezes, ah, fiz aqui minha unha de gel, mas eu não preciso justificar pra ele. Quando eu chego, ele olha pra minha unha e fala: "Nossa, que linda, amor, cê fez sua unha, como tá bonito", né? Ele gosta que eu me cuide também. Então, eu sei que essa talvez não seja uma realidade de todas as mulheres, mas n-

Natalia Beauty

Cê sabe que 52% das mulheres que sofrem abuso, que é um número gigante, e quando eu falo abuso é psicológico, é físico, é patrimonial, né? E é o-- tem de internet também. Todas elas, 52% delas não trabalham, por isso não podem sair desse relacionamento. Então a sua realidade talvez seja uma realidade muito diferente, muito específica. Mas mesmo assim Tá? Como mulher, eu ainda defendo que toda mulher tem que ter o seu dinheiro de alguma outra forma.

O marido dá, legal, mas talvez você um dia fique brava com ele, não se, se imponha tanto porque precisa de um dinheiro ou de justificar algo na outra semana. Eu vivi muito isso.

Participante

Eu, Nath, eu já trabalhei fora. Eu sou formada em Marketing, fiz na USP, eu fiz intercâmbio em Boston, morei nove meses em Boston.

Natalia Beauty

Caramba!

Participante

Eu fiz curso em Harvard, eu falo inglês fluente e eu por muito tempo, assim, me via como uma pessoa que seria uma mulher de carreira, uma mulher de negócios, tal. Então eu trabalhei em empresas multinacionais, eu trabalhei em empresas que eu cuidava de contas-

Natalia Beauty

Que carreira!

Participante

...grandes, eu cuidava de Vivo, eu cuidava de Bob's. E aí vieram os filhos.

Natalia Beauty

Tá.

Participante

E aí-

Natalia Beauty

Cê não sente falta dessa identidade sua?

Participante

Não, porque-

Natalia Beauty

Fora a maternidade

Participante

...quando eu estava lá na empresa, a minha cabeça estava na minha casa, né? Eu, quando os meus filhos nasceram, eu continuei por um tempo trabalhando e eu não conseguia dar o meu melhor nem aqui e nem ali, porque quando eu tava no trabalho, eu tava pensando nos meus filhos. Quando eu chegava em casa, eu tava pensando nos problemas do trabalho. E quando eu decidi me dedicar à minha casa, à minha família, eu sinto que eu entrego integralmente tudo que eu posso aqui pra eles e que esse é o meu legado.

Esse, esse é o-- eu não vou ser valorizada, nunca vai aparecer numa revista Forbes as dez melhores mães do mundo, né? Isso ninguém vê, mas eu sou valorizada por eles. Então quando o meu filho vem e fala: "Mãe, você é a melhor mãe do mundo", porque eu sentei pra assistir Harry Potter com ele e ele ficou superfeliz, é uma coisa que eu não conseguia fazer antes, porque quando eu chegava do serviço, eu era duas horas de trânsito pra chegar, depois duas horas de trânsito pra voltar.

Natalia Beauty

E aí você estava muito fora.

Participante

Quando chegava em casa, eu tinha que ainda fazer um monte de burocracia. E aí-

Natalia Beauty

E aí você tinha que cuidar da casa, deixar tudo em ordem, os filhos-

Participante

Exatamente

Natalia Beauty

...que é um trabalho que geralmente não existe uma ajuda, assim, muito explícita dos maridos.

Participante

Mas meu marido é parceirão.

Natalia Beauty

Ele é.

Participante

Mas só que mesmo assim é muita coisa, né? Porque você, cê chega-- eu, eu tava pré-diabética, eu tava com sobrepeso, eu tava com estresse, eu tava ansiosa, eu tava, assim, no, na beira de um burnout.

Natalia Beauty

Quando cê, quando cê era criança, que, qual era o seu sonho? Cê falava que queria ser o quê quando crescesse?

Participante

Chiquititas. [risos]

Natalia Beauty

Sério? Porque a gente deixa de sonhar em algum momento, né? Quando a gente casa, a vida vai acontecendo, todos esses problemas, os filhos, a gente esquece um pouco dessa infância, dessa menina que sonhava em ser algo.

Participante

Sim.

Natalia Beauty

Mas aqui na sua situação, quando a gente diz esposa troféu, né, aquela esposa que não trabalha, que não pode trabalhar, que não tem consciência nenhuma, que não tá nem aí com as coisas financeiras. Você então é uma esposa, uma parceira, uma sócia do seu marido, se a gente parar pra pensar.

Participante

Isso, eu vejo o meu, minha casa, o meu lar como uma empresa.

Natalia Beauty

Sim.

Participante

E eu sou CEO dessa empresa.

Natalia Beauty

Sim, com certeza.

Participante

Pro meu lar dar certo, pros meus filhos darem certo, eles dependem de mim. Então pra mim não tem dinheiro no mundo que vai pagar o fato de meus filhos crescerem e eu ver: "Nossa, eles são bons maridos, eles são bons cidadãos."

Natalia Beauty

E se o seu marido for embora? Porque pode acontecer, tá? A gente vive num mundo que pode acontecer. E um dado muito interessante é: 96% dos brasileiros não co-confiam nos outros. Então lá no fundo, se ele for embora, como você fica? Você-- o que que você faz?

Participante

Como eu falei, eu tenho, né, eu tenho estudo, eu tenho-- eu fiz a opção de ficar em casa, mas é que é uma hipótese que pra mim não vai acontecer, Nath. Eu tenho um filho que tem uma síndrome rara. Quantas mães que têm crianças com deficiência que veem seus maridos irem embora? E meu marido, nessa situação, tá ainda mais perto. Meu marido trabalhava 15 dias embarcado em plataforma, 15 dias em casa.

Quando a gente teve o Isaac, nosso segundo filho, ele falou: "Linda, não vou mais ficar em plataforma, vou ficar aqui com você". Eu falei: "Por favor". [risos] E aí, então assim, eu não consigo imaginar meu marido indo, porque é isso, a gente vive nessa parceria de que a gente acredita que juntos nós somos mais fortes, de que se um cair, o outro levanta. Então é o relacionamento que eu vivo.

Natalia Beauty

Muito bom. Nesse caso, você tem realmente uma, uma sociedade com ele, mas ainda de-- aí mesmo assim, pra mim tem que ter a sua renda, a sua fonte de renda, mesmo que seja em casa com os seus filhos.

Participante

Eu vendo Mary Kay, Nath.

Natalia Beauty

A lá, pronto, gente. Tem uma fonte de renda aí, lá no fundo.

Participante

É.

Natalia Beauty

Você tem o seu dinheiro que você ganha, você faz o que cê quiser.

Participante

Mas assim, é uma coisa que eu faço, é, eu faço mais por, nos tempos livres, no tempo vago, mas não é um compromisso que eu tenho de levar sustento pra minha casa.

Natalia Beauty

Entendo.

Participante

Eu acho que esse que é o peso que se coloca em cima da mulher, que aí a gente gera também homens fracos. Quando a gente, é, tira esse peso do homem, a gente vai gerar um homem banana, né?

Natalia Beauty

É, é que, é que não é todo homem ou toda mulher que tem essa opção, né? De ter alguém que seja tão provedor assim a ponto de te deixar muito livre. Mas todas as mulheres que eu conheço que dependem do homem financeiramente, em algum momento elas não se sentem livres pra gastar ou pra sonhar, ou pra serem protagonistas. Em algum momento elas questionam a identidade. Então se você diz que tá vendendo Mary Kay, que é, que é legal, que eu acho muito legal se você tá em casa trabalhando, mas tem ali o seu dinheiro, a minha preocupação é essa, porque-

Participante

Mas ó, vou te falar, a Mary Kay mais me dá prejuízo.

Natalia Beauty

Ah, mulher, não fala isso!

Participante

É verdade, porque eu pego o cartão do meu marido e falo: "Lindo, vou comprar aqui a Mary Kay, vou fazer um evento". Às vezes eu nem vendo tudo do que eu comprei. Tipo, eu faço mais por um hobby, por ser uma coisa que eu gosto, sabe? Eu acho que a mulher devia trabalhar

Natalia Beauty

Por uma coisa que ela gosta, por um hobby, não com a missão de tipo assim: se eu não levantar, se eu não acordar cedo-- quer dizer, mesmo sem trabalhar fora, a gente acorda cedo por quê? Arruma a lancheira das crianças e leva pra escola Eu falo que cuidar da casa é um trabalho sem benefício

Participante

Exatamente

Natalia Beauty

Porque você acaba sendo funcionária, mas não tem INSS, não tem seguro-desemprego, não tem, né? E o homem constrói tudo isso

Participante

Sem benefícios. Aí, por exemplo, o meu benefício é ver meus filhos crescendo

Natalia Beauty

Sim

Participante

É ver o primeiro passo, é ver o primeiro tchauzinho, é ver o primeiro beijinho, né? Pra mim, esse é o maior benefício

Natalia Beauty

Sim, tem também, mas tô falando financeiramente, de liberdade. Mas eu entendi o seu ponto. Faz sentido. Ela me dobrou aqui, cara [risos] Sabe? Eu vou embora [risos] Ela vai trabalhar comigo também. Não, eu? Mulher, não posso! Amor, jamais! Não, eu-eu sou casada, maravilhosa, feliz. Encontrei o amor da minha vida

Participante

E tem filhos, Nath?

Natalia Beauty

Eu tenho duas meninas e eu sou muito feliz hoje, mas livre. E ó, vou te falar uma coisa: eu nunca f-senti a liberdade como eu sinto hoje, podendo fazer o que eu quiser, a hora que eu quiser, falar não, falar sim. E não é uma competição, é liberdade, porque quando a gente é livre, a gente realmente se conhece. Enquanto a gente não tem essa liberdade, a gente depende muito do outro, do humor do outro, da vontade do outro, de como o outro está.

Eu lembro de várias vezes eu tendo que pedir cartão pro meu pai ou pro meu ex-marido, que eu tinha que agradar ele. Então se ele tava de mau humor, não ia pedir naquele dia. Se ele tava de be-bom humor, eu ia tentar iniciar uma conversa. Então às vezes eu até tava brava com algum comportamento dele, mas eu não falava, porque no-no dia seguinte eu ia pedir dinheiro pra comprar alguma coisa.

Participante

Uhum

Natalia Beauty

Então é esse tipo de liberdade que eu não tinha

Participante

Uhum

Natalia Beauty

E que eu senti com a financeira. E eu falo que o primeiro grau de liberdade de uma mulher é a financeira. Mas você tá me dizendo que você já teve essa liberdade e que hoje você escolhe não ter, mas que se amanhã você tivesse que voltar a trabalhar, você tem essa liberdade, essa, de escolha?

Participante

Tenho

Natalia Beauty

Então isso é ótimo.

Participante

É

Natalia Beauty

Isso é ótimo, melhor dos mundos

Participante

Verdade

Natalia Beauty

Maravilhosa [risos]

Participante

Obrigada, Nath

Natalia Beauty

Obrigada você. É muito difícil brigar comigo [risos] Então, mas eu não posso ser. A minha experiência foi assim, algo surreal. Eu não vou esquecer o que eu vivi aqui hoje. Eu aprendi muito com essas mulheres também, apesar de não concordar com a opinião delas, porque eu realmente acredito e não tem nada que me faça mudar, que toda mulher tem que ter a sua independência financeira. Ela tem que ganhar o seu próprio dinheiro, tem que ter a sua fonte de renda, senão ela fica sujeita a alguém decidir por ela, um homem mandar na vida dela, dar a palavra final.

Foi incrível. Senta aqui, senta aqui. Cê pode repetir quantas vezes cê quiser. Cê pode vir agora, na próxima. Vem cá, sente aqui. Qual que é o seu nome?

Participante

Érica

Natalia Beauty

Prazer, Érica. Vamo lá

Participante

Eu-eu vou fazer um questionamento em questão do que a amiga tava falando, né? É, entendo toda a questão dela. Eu também, no meu caso, estudei e tudo mais, né? Quando virei mãe de família, passei a ficar em casa, meu marido sempre cuidou de mim, dos meus luxos e tudo mais. Aí o que que acontecia? Meu dinheiro, né, o que ele me dava: "Olha, isso aqui é pra você, pra fazer suas coisinhas", eu sempre fiz uma reserva

Natalia Beauty

Hum

Participante

Sempre deixei uma reserva, porque a gente nunca sabe o que pode acontecer. Então, esse dinheirinho da minha reserva, ele ficava ali guardadinho, onde só eu sabia, né?

Natalia Beauty

Certo

Participante

Mas com o passar dos anos, eu falei: "Eu preciso passar isso pra alguém, dessa reservinha que eu tenho, em questão de eu estar esse tempo todo em casa, sem trabalhar e ele ali, né, me sustentando, coisa e tal". E eu falei: "Eu preciso falar pra alguém, porque o tempo tá passando e eu já tô pra fazer 50 anos, a gente não sabe o que pode acontecer, né?

E aí, meus filhos?" Então tá. Essa coisa do pensar nessa reserva, é, tipo, Deus sabe todas as coisas, né? Porque, tipo, acontece coisas inusitadas na nossa vida

Natalia Beauty

Sim, sim

Participante

O que aconteceu comigo? Eu nessa minha rotina de vida, sempre fazendo ali as minhas reservas, mas estudando, fazendo uma coisa aqui, outra coisa ali, é, trancista, né? Sempre, né, fazendo um cursinho, aquela coisa, mas vivendo ali uma vida totalmente estável, tranquila, sendo sustentada primeiro pelo meu marido, os filhos todos estabilizados, estudando

Natalia Beauty

Tudo bem

Participante

Que eu fui mãe muito cedo, eu casei com 15 anos, né? E meus filhos já são todos hoje, né, cada um cuida da sua vida, tem a sua casa. Um belo dia ele saiu pra-pra jogar bola, ele teve um infarto fulminante aos 42 anos. Então, como eu fiquei? Com a minha reserva [risos] Cê entendeu?

Natalia Beauty

É

Participante

Essa reserva de alguma coisa [risos]

Natalia Beauty

Porque, porque pode

Participante

Ela me serviu

Natalia Beauty

Assim, óbvio que a gente não quer isso

Participante

Sim, mas é o fato

Natalia Beauty

Mas a gente tem que contar analisando os dados, tá? Dados

Participante

Exato

Natalia Beauty

Dados. Então a maioria das mulheres, quando não tem renda e acontece de se separar

Participante

Uhum

Natalia Beauty

Ou do marido falecer, ela regride e fica até em estado

Participante

Exatamente

Natalia Beauty

De vulnerabilidade com os filhos

Participante

Exatamente

Natalia Beauty

Então a minha preocupação é essa com as mulheres e essa é a minha missão. Você é interesseira se quer casar apenas por dinheiro. [música de tensão] Nath

Participante

Meu Deus, Maria

Natalia Beauty

A, essa frase, o que que ela significa? Se você já casa sabendo que ele vai ser o provedor e por dinheiro, isso é interesse

Participante

Com certeza. Concordo absoluta-

Natalia Beauty

Cê concorda?

Participante

Claro, se você tá casando por dinheiro, você é interesseira. A gente entra num relacionamento por amor É por, por admiração-

Natalia Beauty

Cê acha que tem mulheres que casam por isso?

Participante

Tem, com certeza tem. Tem mulheres-

Natalia Beauty

Muitas, né?

Participante

Deve ter.

Natalia Beauty

Ah, e cê vê tantos, ééé, velhinhos com as novinhas aí [riso], o velho do, do iate lá.

Participante

Com certeza, tem muitas mulheres que casam por isso. Mas, é, aqui, no nosso contexto aqui, eu acredito que quem tá aqui defendendo o papel da esposa, ninguém aqui casou por dinheiro. A gente casou-- quer dizer, não sei, né? Mas eu casei por amor ao meu marido, né? A ge-- eu acredito que num casamento a gente se casa porque você vê no o- Gente.

Natalia Beauty

Aêêê.

Participante

Oi, Natália.

Natalia Beauty

Vai, tudo bem? Prazer.

Participante

Tudo bem, te admiro muito. Eu sou a Mariana, tenho 26 anos, trabalho como influenciadora e eu decidi participar do debate pra ouvir novas opiniões, né, debater sobre o assunto. E eu discordo. Eu acho que quando o homem tem muito dinheiro, ele não vai querer ver a esposa se matando, trabalhando, às vezes pra ganhar um salário mínimo, ou trabalhando ali numa escala de CLT seis por um, ou 10 horas por dia.

Então eu discordo. Eu acho que quando ele tem dinheiro, ele vai querer a mulher perto, querer a mulher perto dos filhos, e consequentemente-

Natalia Beauty

Mas a pauta é: a mulher que casa por dinheiro, ela é interesseira?

Participante

Depende.

Natalia Beauty

Por quê?

Participante

Depende. Acho que se for uma mulher vivida, que já sofreu muito na vida, né, ela não vai querer casar com um cara que não tenha condições. Ela vai continuar ali, se matando, trabalhando.

Natalia Beauty

Mas de novo, tudo por dinheiro.

Participante

Dinheiro. Eu não faria isso, mas eu entendo quem faz isso, entende?

Natalia Beauty

Que falta, né, a independência dela-

Participante

Isso, falta independência-

Natalia Beauty

...ela tem que ir pra isso

Participante

...falta um pouco de garra e aí algumas mulheres acabam indo pra esse lado, entende? Às vezes, se o homem concorda, é porque o homem não quer ver a mulher trabalhando.

Natalia Beauty

É, isso é um-

Participante

Eu acho que é isso

Natalia Beauty

...bem ruim, né?

Participante

É.

Natalia Beauty

E você concorda quando a palavra final é do homem, quando é ele que ganha o dinheiro? Que cê tava falando disso, né?

Participante

Sim, se eu sou submissa ao homem...

Natalia Beauty

A palavra final é dele

Participante

...a palavra final muita das vezes é dele, mas a mulher-

Participante

Aêêê.

Natalia Beauty

Tem que chegar primeiro que você [riso]. Qual que é seu nome?

Participante

Mariana.

Natalia Beauty

Mariana, me diz: você concorda com o fato de que a mulher, se ela casa por dinheiro, ela é interesseira?

Participante

Concordo.

Natalia Beauty

Você concorda?

Participante

Concordo.

Natalia Beauty

Ou você acha [balbucio] que tem mulheres que a única opção dela é essa?

Participante

É, na verdade, é, só quem for tonta que não gosta de dinheiro. Eu gosto de dinheiro. Com certeza eu juntaria o útil ao agradável. Ficaria sim com um cara, mas assim, tem que ter muito dinheiro pra eu ser uma Virgínia da vida, ter, ter babá, ter empregada, ter todo mundo que faça tudo por mim. Claro que eu quero. Viajar, sim, com ele me bancando todinha.

Natalia Beauty

Mas a Virgínia construiu o dela.

Participante

Construiu, sim, mas que, o que ajudou a Virgínia? O Zé Felipe que-

Natalia Beauty

Eu acho que foi ao contrário aí, né, nessa relação

Participante

...que aumentou. Não? Ah, enfim, não sei. Tô dizendo que eu quero ser rica que nem ela.

Natalia Beauty

Maravilhosa. Então tem que ser independente, ganhar o seu dinheiro.

Participante

Não, mas é mais fácil ele me sustentar do que eu me matar, né? Se ele já tá ali, gosta de mim, então vou gastar o que é dele mesmo. Não vou mentir, não, sou interesseira.

Natalia Beauty

Gente [riso], ela assumiu.

Participante

Mentira, mentira, mentira.

Participante

Obrigada.

Participante

Tudo bem? Qual que é a pauta mesmo?

Natalia Beauty

A mulher que casa por in-por interesse, por dinheiro, não, a mulher que casa só por dinheiro, ela é interesseira. Você é, você é interesseira?

Participante

Eu sim, eu gostaria de ter um homem, sim, que realmente tenha dinheiro pra bancar, certo? Pra me cuidar, pra mim cuidar da, é, é, da minha beleza. Porque assim como existe mulher interesseira atrás de dinheiro, existe também muito homem interesseiro, que eu falo que é o quê? Que ele vai atrás de beleza, ele vai atrás da mulher, que ela é bem vestida, que ela é bem arrumada, entendeu?

Natalia Beauty

E ele tá com ela por isso, tá?

Participante

Por interesse.

Natalia Beauty

Então existe o interesse das duas partes aí.

Participante

Das duas partes, exatamente.

Natalia Beauty

Ambos interesseiros.

Participante

Ambos interesseiros. Olha, é minha opinião. Sim, lógico. Tem muito homem aí pra você ver que tem 50 anos e ele sai desfilando com a novinha do lado dele. Não é interesse? Ele é interesseiro também.

Natalia Beauty

Dos dois, né?

Participante

Dos dois.

Natalia Beauty

E você concorda com isso?

Participante

Tanto da parte dele quanto da parte dela. Eu acho que a mulher também, ela tem que ser independente, minha opinião. Ela tem que correr atrás do dinheiro dela, não viver em prol. Mas se realmente, se ela encontrar um cara que diz que quer dar uma estabilidade de vida financeira pra ela, por que não?

Natalia Beauty

Cara, eu vou-- posso contar uma história?

Participante

Pode.

Natalia Beauty

Uma história. Tem uma, uma amiga minha, conhecida, e ela foi amante de um homem por muitos anos.

Participante

Sim.

Natalia Beauty

30 anos. E e-ela-- ele pediu pra ela sair do trabalho, que não precisava mais trabalhar. Ele dava tudo pra ela, tudo. A pessoa-- ele-- e ele abria a mão, dava o cartão, ela podia gastar o que quisesse, pagou faculdade dos filhos, foi aquela vida muito boa. Chegou no momento, depois de 30 anos, ele simplesmente falou que não queria mais ser amante dela. Sabe como ela tá hoje?

Trabalhando de Uber. Trabalhando de Uber. Todo o dinheiro, todo o dinheiro que ela tinha era o cartão dele Então ela gastava e ele, e ele pagava, e hoje ela tá como Uber. Então é muito perigoso, a gente não sabe o dia de amanhã-

Participante

Exatamente.

Natalia Beauty

Foca em garantir o seu.

Participante

Exatamente.

Natalia Beauty

De verdade. Foca em garantir o seu.

Participante

Mas na minha opinião, como existe muitas mulheres que casam por interesse no bem material, existe muito homem também aí que casa por interesse-

Natalia Beauty

Na beleza.

Participante

Às vezes nem casa, às vezes ele é interesseiro pela beleza dela. Porqueee assim, dizem que beleza não se põe na mesa, mas cê tem que andar com uma pessoa que, né, que, que, que deixe você-

Natalia Beauty

É o troféu.

Participante

O troféu. Ele é o troféu de-- ela é o troféu dele e ele é o troféu dela. Ambas as partes. [aplausos] [risadas]

Participante

Olá.

Natalia Beauty

Oi.

Participante

Eu discordo. Eu casei, é, por amor. Eu acho assim: gente, pelo amor de Deus, né? Que mundo que a gente tá?

Natalia Beauty

Então.

Participante

É, o amor não existe mais, então?

Natalia Beauty

O amor é raridade.

Participante

O a- o amor é um almoço, é uma janta? O amor é o dinheiro no bolso? Não, eu discordo plenamente.

Natalia Beauty

Mas você casou por amor, mas eu ouvi aqui uma frase muito boa. Ela falou: "Mas amor não enche barriga".

Participante

Não enche barriga, mas você, se você ajudar o cara, você-

Natalia Beauty

Cês não ouviram isso da mãe de vocês?

Participante

Já, a vida toda.

Natalia Beauty

"Seja independente ou-

Participante

A vida toda.

Natalia Beauty

casa com um homem rico".

Participante

Não, independente eu não digo. É lógico que é bom você ter uma pessoa que te ajude, uma pessoa que pague o jantar, que uma pessoa que... Mas se não existe amor, cara, é, casar só por interesse, eu acho que é uma coisa muito vazia.

Natalia Beauty

Só por dinheiro.

Participante

Só por dinheiro. Então, assim, poxa, eu, eu casei, meu marido não tinha nada, era um Zé ninguém. Ele ganhava um salário mínimo na época, eu ganhava cinco, né? Então quem era a provedora na época, né? Na época. Só que isso inverteu com o tempo. Eu casei-

Natalia Beauty

Cê se arrependeu em algum momento?

Participante

Nem um momento.

Natalia Beauty

Do tipo: "Putz, poderia continuar".

Participante

Não, eu faria tudo de novo. Eu casaria hoje por amor.

Natalia Beauty

Que bom!

Participante

Eu, eu amo, eu amo tudo, eu amo tudo em minha volta, eu amo criança, eu amo gente. Eu prefiro pensar que ainda existe gente honesta, existe gente boa. Eu só desacredito quando me provam o contrário. Aí a conversa muda. Mas eu sim, eu casaria por amor.

Natalia Beauty

Muito bom. Se alguém quiser sentar. [aplausos] [risadas]

Participante

Maravilhosa. [risadas] É, não sei quem falou que amor não enche barriga, enche sim. Vivi de amor, engravidei cedo. [risadas]

Natalia Beauty

Oxê, que isso? [risadas]

Participante

Eu sou a Valéria, tenho 37 anos, sou autônoma, trabalho com venda de roupas no momento. Decidi participar porque eu estou me ressignificando. Estou aberta pro novo e ouvir opiniões diferentes, coisas diferentes, é o que eu busco no momento. Nossa, tô segurando até hoje, 18 anos, graças a Deus vai entrar na faculdade, minha princesa. Mas assim, tudo tem que ter interesse. Se não tiver, vai ficar pra trás.

Natalia Beauty

É, só por dinheiro, aí é, é difícil, né?

Participante

É.

Natalia Beauty

Porque acho que é um conjunto.

Participante

Eu vou cuidar da roupa dele, vou cuidar dos filhos. O que cê vai me dar em troca? Não sou sua empregada, não sou Mulher Maravilha.

Natalia Beauty

Então você-

Participante

É, tem que ter uma troca.

Natalia Beauty

Sim.

Participante

O que que você vai me proporcionar?

Natalia Beauty

É um interesse mútuo, né?

Participante

Ele não vai na minha porta fazer: "Vem aqui que hoje eu vou fazer unha pra você". Sobrancelha também não. Eu raspo meu cabelo por opção, mas as minhas leis estão em casa.

Natalia Beauty

Hum.

Participante

A hora que eu quiser-

Natalia Beauty

Cê coloca e-

Participante

Eu quero. Não interessa, pra deixar no guarda-roupa, eu quero. Porque se ele não fazer pra mim, ele vai fazer na rua. E a rua tira sem dó.

Natalia Beauty

Então cê pensa assim: "Vou gastar todo o dinheiro dele pra não sobrar nada".

Participante

Pelada.

Natalia Beauty

Pelada. [risadas]

Participante

Com a cueca rasgada. Se quiser, pode pegar. É. Mas os meus filhos têm que ter do bom e do melhor. Eu também, quando eu entrar numa loja, quando eu falar "eu quero", eu quero. Não quer uma mulher cheirosa, limpinha, né? Na hora lá do, do chá.

Natalia Beauty

Exato, tem que tá cheirosa.

Participante

Aí, de graça? Tudo de graça, de empregada. Depois da minha primeira relação da minha filha, nada mais é de graça. Dinheiro na mão.

Natalia Beauty

Calcinha no chão. [aplausos] [risadas] Imagina o seu marido assistindo isso.

Participante

Ele-- eu falo pra ele, ó-

Natalia Beauty

Ele sabia-- ele sabe que cê veio aqui, o que que ele falou?

Participante

Eu falo pra ele que às vezes quando ele tiver muito nervoso, gente, ai, ó-

Natalia Beauty

Vai, fala.

Participante

Posso contar tudo, né?

Natalia Beauty

Pode.

Participante

Quando ele tá muito nervoso, eu falo: "Vou te dar seu calmante". [risadas] Eu vou falar uma, duas, três. Não, deu um tempo. Qual que é o calmante?

Participante

Opa! [risadas] Cada uma com a sua fé, né?

Participante

Gente-

Natalia Beauty

Maravilhosa.

Participante

Minha filha vai me matar. Chifre, pau e água.

Participante

Toma.

Participante

É. Eles não pensam duas vezes. Kim Kardashian, chifruda. Beyoncé, tudo com cinturinha, não tem padrão, não tem cintura, não tem mulher magra, não tem mulher gorda.

Natalia Beauty

Não, exato.

Participante

Homem não quer saber se tem cabelo, se não tem, se é magra, se é gorda, se é preta, se é azul, homem não quer saber. E aí quando chega a minha vez, eu não tô poupando ninguém. Eu tenho que me poupar. Não vou fazer isso porque pra mim não tá legal. Do contrário, eu vou ficar cantando música pra homem barbado, que não sabe tratar mulher? Eu não.

Ele não dá bom dia? Tem muita gente aí que tá dando bom dia.

Natalia Beauty

Nossa!

Participante

É

Participante

Não vai levar uma flor pro, uma flor pra mulher? Um chocolate? Tem muita gente disposto a dar. Então assim, cê quer mulher? Você tem que cuidar, tem que bancar, mulher é luxo. Não quer? Vai ficar com homem. Até os homem tão querendo, né, uma academia, um milkshake, ninguém tá fazendo mais nada de graça-

Natalia Beauty

Cê acha que o homem tem que bancar a mulher?

Participante

Tem! Até os homens hoje, ninguém tá fazendo mais nada de graça.

Natalia Beauty

Até eles querem ser bancados, né, hoje.

Participante

Aí eu, eu sou plus size, sou, mas eu não sou qualquer uma. Eu sou a mulher troféu.

Natalia Beauty

Maravilhosa. [aplausos]

Participante

Posso ir? Olha. [risos]

Natalia Beauty

O seu marido vai assistir, olha só.

Participante

Ele vai te assistir-

Natalia Beauty

Pois é

Participante

...já perdeu o Caixa Dois-

Natalia Beauty

A, a sua, é, lá do Caixa Dois, né?

Participante

Agora você vai perder.

Natalia Beauty

[música de tensão] O homem que banca mu-- a mulher que casa por dinheiro é interesseira.

Participante

Eu não quero casar com homem rico, eu quero casar que se ele ti-- um homem que se ele tiver R$5,00, ele vai comprar uma casquinha pra ele e pra mim, e ele vai pensar em mim, ainda que ele não tenha condições pra isso. O, o real não é o interesse, é o que o homem faz pela mulher, mesmo ele não tendo. O homem não precisa, é, ter milhões de reais, mas o pouco que ele tem, ele vai levar você ali pra comer um hot dog.

Isso-

Natalia Beauty

Vem, vem, vem, vem.

Participante

Nós não somos burras, né? Nós somos mulheres maduras. Pensem comigo: "ai, porque eu não sou interesseira, porque eu amo". Gente, claro, você junta o útil ao agradável. Eu não vou pegar um capenga, uma coisa horrorosa, não. E outra, vocês falam tanto isso, né, que hoje os homens estão extremamente interesseiros. Eles chegam assim hoje em você: "cê tem carro? Cê mora sozinha?" Tô mentindo? Então assim-

Natalia Beauty

Mas tem muitos, muitos.

Participante

Gente, pelo amor de Deus, mulheres, nós temos que ser espertas.

Natalia Beauty

Por que cê acha que eles tão assim?

Participante

Porque eles tão mal acostumados, por culpa, acredito eu também, das mulheres. Entendeu? E é isso. Então, é o seguinte: homem tem que sustentar a gente sim, porque senão eles ficam bananão mesmo, é eles que têm que bancar, é eles-- nós somos caras, somos muito caras.

Natalia Beauty

Mas ele pode bancar. O meu marido pode me bancar, mas eu ainda quero ter o meu dinheiro vindo da minha fonte.

Participante

Tá certo, você pode ter seu dinheiro-

Natalia Beauty

Exato

Participante

...cê fica aí à vontade, linda. Eu não, eu quero ser toda sustentada, linda, maravilhosa, fazer minhas coisas, ter minha butique, meu negócio-

Natalia Beauty

Ser esposa troféu, maravilhosa.

Participante

Sim, esposa troféu, linda e maravilhosa. Obrigada, era só isso que eu queria dizer. Beijo da...

Natalia Beauty

É.

Participante

Ou você faz minha sobrancelha. [risos]

Natalia Beauty

Sendo assim...

Participante

Meu nome é Daiane, eu tenho 38 anos, sou a esposa troféu, e eu decidi participar porque tem ainda muito tabu da mulher que escolhe ser troféu, escolhe ser bancada pelo marido. Natália, é, só uma réplica. Você tá perguntando à mulher se ela é interesseira.

Natalia Beauty

Sim.

Participante

Mas cê é a favor da mulher casar com fudido?

Natalia Beauty

Não, nunca.

Participante

Então-

Natalia Beauty

Mas se é só casar por dinheiro, não é questão de ser fudido, não. É questão dele, dele ser só por isso, entende?

Participante

Não, mas só por isso, só por isso-

Natalia Beauty

Tem muitas que casam

Participante

Tá, mas assim, hoje em dia amor nem tá vingando.

Natalia Beauty

Ah, por quê? Claro que tá.

Participante

Não, porque assim, não, é muito difícil, porque é como você falou, a sua pauta o tempo todo foi: o medo da mulher é ser largada, o medo da mulher ser, é, dep-- viver depois dependendo do homem, tal. Então se a mulher já casa com esse medo, então ela já tem que arrumar um homem provedor pra ela ter alguma coisa.

Natalia Beauty

Mas mesmo que ele seja provedor, o dinheiro não é dela.

Participante

Não, quando, como foi como eu falei, quando casa, é dos dois, então é dela sim. Mas só que daí quando a mulher ela vai casar com fudido, então ela tem que casar, sim, com interesse de alguma coisa, porque ela vai casar com fudido por amor?

Natalia Beauty

É pra bancar, ele bancar ela, né?

Participante

É, é, é ela que vai bancar ele. [aplausos]

Natalia Beauty

"A diferença entre uma esposa troféu e uma prostituta é o anel". [risos] Só ir.

Participante

Eu tô atrás de você, eu puxo seu cabelo.

Natalia Beauty

Mulher, não pode puxar não, mulher. Olha, é um carro aqui, hein? [risos]

Participante

Eu quero saber por que que a diferença é essa de uma mulher prostituta com uma mulher troféu é só o anel.

Natalia Beauty

Quando a gente fala essa frase, o sentido é: a mulher que é prostituta, ela serve com o tempo dela, prazer, corpo, beleza, tempo. E a esposa troféu também, nesse caso.

Participante

Sério? Não, pelo amor-

Natalia Beauty

A esposa troféu, onde ele acha que ela é um troféu, que leva pra lá, desfila pra lá e pra cá. Ele controla, paga-

Participante

Ele controla?

Natalia Beauty

...os gastos.

Participante

Não, eu não tenho problema de controlar os gastos, porque uma esposa troféu mesmo, o marido nem liga pro que ela gasta. Eu tenho-

Natalia Beauty

Liga, sim.

Participante

Não liga.

Natalia Beauty

Duvido que-- gente, impossível.

Participante

Não liga, não são todos.

Natalia Beauty

Ele não pegar o cartão e falar: "que que é isso aqui nessa loja?"

Participante

Não são todos, eu te garanto.

Natalia Beauty

Ah, não é possível.

Participante

Isso eu te garanto. Não, eu passo por isso, eu te garanto que não são todos que ligam pro que você gasta. Eu mesma tenho total liberdade de entrar no, no, na conta dele, ver o quanto entra, o quanto sai. E pe-- eu garanto pra você que é pelo contrário, quem controla o dinheiro sou eu, o dinheiro dele que ele ganha.

Natalia Beauty

Mas o dinheiro que ele ganha.

Participante

Mas eu controlo.

Natalia Beauty

Mas se ele ir embora?

Participante

Se ele ir embora, ele vai me pagar uma pensão, porque eu estou ali com ele.

Natalia Beauty

Cê tem certeza?

Participante

Absoluta.

Natalia Beauty

Quando eu me separei, eu fiquei sem pensão e ele falava que nunca ia deixar de cuidar.

Participante

Não, mas aí-

Natalia Beauty

Acabou

Participante

...a justiça-

Natalia Beauty

Enquanto tá junto-

Participante

A jus-a justiça-- e outra, tudo que ele, se ele for embora, tudo que nós construímos juntos, eu tenho direito, eu vou ficar com a metade. E aí daí eu ressurjo da fênix e vou viver minha vida. Mas enquanto eu tô com ele, a obrigação é dele.

Natalia Beauty

É separação total de bens ou comunhão total?

Participante

Separação total de bens.

Natalia Beauty

Separação total?

Participante

É.

Natalia Beauty

Então cê não tem nada.

Participante

Não, comunhão to-- desculpa, comunhão total de bens. Eu tenho direito de tudo que é dele.

Natalia Beauty

Mas, mas aí cê sabe que a comunhão, às vezes, tem casais que ficam juntos Não são mais felizes porque é comunhão total de bens. Não separa pra não ter que separar bem

Participante

Mas e qual-- não, eu vou ter a minha metade, qual o problema de eu começar do zero com o que eu fiquei? Tipo assim, sozinha-

Natalia Beauty

Esse é o problema, entende?

Participante

Não, não tem problema nenhum, o importante é o feliz é agora. Por exemplo, a, a moça citou que o, o cara morreu, pode ser eu, pode ser ele. Então assim, o feliz é agora e agora eu quero viver isso. Não quer dizer que eu sou uma prostituta, porque ele não manda ni mim, porque eu faço minha academia, eu faço o que eu quero com o dinheiro dele.

Natalia Beauty

Você se cuida?

Participante

Eu me cuido. O dinheiro dele, tudo que eu quero é com o dinheiro dele. Então ele tem a obrigação de me ter.

Natalia Beauty

E você não sente vontade de ter o seu dinheiro?

Participante

Não, porque eu tenho total liberdade. O dinheiro dele é meu. Eu tenho-- eu entro na conta, são contas conjuntas, e eu gasto com o que eu quiser. Pelo contrário, eu garanto pra você que quem dá satisfação, que quem gasta é ele. Isso eu te garanto.

Natalia Beauty

Você-- você já trabalhou fora?

Participante

Já trabalhei fora, eu sou comissária, sou formada comissária-

Natalia Beauty

Onde?

Participante

Trabalhei como comissária durante um tempo e hoje eu não trabalho mais, mas foi porque eu quis. Eu tive filho, né, aos vinte e seis anos, e aí meu filho tem uma condições especiais, né? Ele também é uma criança atípica e eu optei cuidar dele. E aí depois eu tive outro filho na pandemia e eu fico em casa cuidando dos meus filhos e vivo a minha vida e faço tudo e ele não tem, é, acesso nem ao direito dele-- ao dinheiro dele direito.

Eu que tenho, isso eu te garanto.

Natalia Beauty

E se você tiver que trabalhar hoje, começar a trabalhar, você tem total liberdade pra querer isso?

Participante

Total liberdade pra eu trabalhar, total liberdade de gasto, total liberdade de comprar o que eu quero. E se eu quiser sair ou viajar, eu viajo com amigas, eu faço o que eu quero. Eu não sou esposa troféu, não quer dizer que o cara manda ni mim.

Natalia Beauty

É.

Participante

Quer dizer que ele me banca. É totalmente diferente.

Natalia Beauty

Mas você tem liberdade.

Participante

Eu tenho total liberdade. Eu viajo com amigas, eu faço passeio, vou em eventos, teatro, viagens pra fora, pra onde eu quiser ir, e é com o dinheiro dele. E ele ainda tem que pagar alguém pra ficar com as criança [risos].

Natalia Beauty

Tem que ensinar tudo mesmo.

Participante

É sério. Agora, pra você é muito mais fácil. Por exemplo, você começou do zero, eu não sei como você começou, que você hoje é uma empresária de sucesso. Só que você hoje é muito mais fácil com a mídia, você crescer e ter o seu dinheiro, porque hoje você é considerada uma rica famosa. É lógico que se eu tivesse uma, uma oportunidade de tá rica famosa que nem você, eu optaria por isso.

Natalia Beauty

Ó-

Participante

Mas só que nem tudo é fácil.

Natalia Beauty

Olha o desejo no fundo. Mas eu comecei do zero.

Participante

Não, cê começou do zero, tudo bem.

Natalia Beauty

Eu não era nada disso, muito pelo contrário, eu tava devendo duzentos mil, nome no Serasa, carro com busca e apreensão, minha filha pequenininha-

Participante

Existia mídia nessa época?

Natalia Beauty

Não.

Participante

Então é isso que eu tô te falando. Hoje com a mídia é tudo muito mais fácil. Você não era tão rica como você é hoje com a mídia.

Natalia Beauty

Eu não era nada.

Participante

Então, com a mídia hoje tudo é mais fácil, você ficou mais fácil de você ficar rica. Eu tenho certeza que depois que você estourou na internet, no, no Instagram, como eu te conheço de lá, você ficou muito mais rica. Então pra você é muito mais fácil não desistir, é muito mais fácil falar, porque você também tem pessoas que trabalham ao seu redor pra você. A gente não tem.

Natalia Beauty

Hoje sim.

Participante

Então, a gente não tem.

Natalia Beauty

Mas você pode construir, porque do jeito que você falou, se tivesse a opção, eu iria.

Participante

E aí você comparar a mim, com uma mulher de boa índole, uma mulher honesta, uma mulher fiel, uma mulher que se dedica à família com uma prostituta, você tá totalmente rebaixando uma classe na qual nós escolhemos ser, porque uma prostituta, ela-- e ainda mais se ela é uma prostituta, é problema dela, ela tá trabalhando com o que é dela, é o corpo dela, ela tem o limite dela.

Natalia Beauty

Sim, concordo.

Participante

Então assim-

Natalia Beauty

Por isso que a gente fala que a diferença é uma aliança, não é ela.

Participante

Não é uma aliança, ela tá, ela, ela ali, ela tá trabalhando. Quem tá bancando ela, ela, ela tá fazendo um esforço de doar o corpo dela pra isso. Ela tá doando o corpo dela prum cara desconhecido que tá usando ela. Ele é meu marido, ele não é desconhecido. Ele tá, ele não tá me usando. Nós estamos num consensual de casal. É totalmente diferente de quem tá coisa...

Participante

Maioria.

Natalia Beauty

Muito bom. Ó, obrigada.

Participante

Bom, pra mim prostituta são as mulheres que transam, ficam sem compromisso nenhum.

Natalia Beauty

Certo.

Participante

Mesmo que não cobre. Essa, sim. Porque, é, o casamento é uma instituição por Deus. Ela não é, não é uma instituição falida, como muitos veem. Não é os divórcios da internet.

Natalia Beauty

Na teoria, sim. Na teoria é isso mesmo, mas na prática é um-uma porcentagem muito pequena de pessoas que vivem assim.

Participante

E eu acredito que ninguém aqui casa pra separar. A gente não casa já pensando na reserva: "ai, meu marido vai me largar".

Natalia Beauty

Mas tem gente que casa só pelo dinheiro. Muita gente.

Participante

Sim, mas não é a maioria.

Natalia Beauty

Muitas.

Participante

Não é a maioria.

Natalia Beauty

Aí que tá. Muitas, eu te falo com propriedade.

Participante

Se Deus me livre eu casar e me divorciar, eu já trabalho desde os meus dezesseis anos. Eu já carrego uma casa nas costas desde os meus dezesseis anos. A gente não nasceu-- a gente tem a capacidade de carregar o mundo nas costas, mas a gente não nasceu pra carregar o mundo nas costas. E esse é o papel de quem? Do homem. Então assim, a gente vai casar pra não confiar, pra achar que a gente vai ser abandonada?

Natalia Beauty

Você não acha que é aquela coisa do papel do homem e da mulher? Nos dias de hoje eu entendo que a gente fala de homens bananas e tal.

Participante

Sim.

Natalia Beauty

Mas não é um pouco injusto hoje? Porque eu já vi mulheres brilhantes se apagarem porque o marido era a estrela, o protagonista, e ela brilhante ficou simplesmente embaixo da asa. E chegou no momento que ela se arrependeu.

Participante

Mas o que é estar debaixo da asa? É que aqui a gente tá falando de homens ruins, homens tóxicos, mas um homem, é, da família tradicional brasileira, um homem cristão, ele vai te tratar igual uma rainha. Entendeu?

Natalia Beauty

Será que é só porque ele é cristão? Quantos cristãos a gente não vê traindo, matando?

Participante

Mas isso não é o, o próprio do cristianismo, né, o que é pregado no cristianismo, entendeu?

Natalia Beauty

Por isso que eu tô te falando que na teoria tudo é muito lindo. Tudo é lindo, inclusive ser uma esposa troféu na teoria é lindo. Né? Imagina, eu adoraria, assim, nossa, não tem nada, liberdade, tudo dinheiro, mas não é assim na realidade.

Participante

Por que que alguém vai casar pensando em separar?

Natalia Beauty

Mas, porque tem gente que casa por interesse.

Participante

Pra ter uma reserva.

Natalia Beauty

Tem homem que casa com a mulher porque ela é bonita e não trabalha, ele vai manipular.

Participante

Mas aí é a culpa da escolha ruim que a pessoa faz, entende?

Natalia Beauty

Por isso. Sim, exato.

Participante

A gente tem que ser direcionada a casar com a pessoa certa. A gente tem que orar por isso, a gente tem que buscar por isso, a gente tem que, é, procurar os, os benefícios que aquela pessoa tem a longo prazo, né? Não é conhecer hoje, eu vou casar e a pessoa é boa e ponto. A gente tem que conhecer a fundo essa pessoa pra não ter o divórcio, porque o divórcio também é algo abominável aos olhos de Deus.

Então ninguém vai casar pensando em divorciar

Natalia Beauty

Mas e quando divorciar, o que acontece?

Participante

Se divorciar, a gente tem a capacidade de correr atrás dos nossos próprios negócios, entendeu? A gente não vai ficar debaixo, é, por exemplo, acho que alguém falou de pensão. Eu não, eu não iria atrás de uma pensão, eu vou abrir meu negócio-

Natalia Beauty

Foi o que eu fiz

Participante

...vou vender bolo na rua, eu vou fazer alguma coisa, entendeu?

Natalia Beauty

Mas aí que tá, se eu tivesse feito a minha reserva antes, eu não teria passado tanta dificuldade quanto eu passei. E essa é a minha defesa.

Participante

É que você não pode definir relacionamen- todos os relacionamentos-

Natalia Beauty

Não, não, também não tô definindo

Participante

...como um tóxico que você vive, entendeu?

Natalia Beauty

Não, eu não tô. Não tô definindo, não tô. Hoje-

Participante

Agora o seu marido, você não confia nele? Você não acredita que cê vai passar o resto da vida com ele?

Natalia Beauty

Com toda certeza absoluta, absoluta.

Participante

Se você, por, por exemplo, vos-- Deus me livre, você tem uma doença grave, você não pode mais trabalhar. Acabou o império Nat Beauty.

Natalia Beauty

Não, acabou não.

Participante

E aí?

Natalia Beauty

Não acabou não, acabou não.

Participante

Você não tem um homem-

Natalia Beauty

Não, ele tem-

Participante

...maduro, um homem suficiente pra bancar você e cuidar de tudo?

Natalia Beauty

Mas hoje ele é meu sócio, nos negócios e na vida.

Participante

E se não fosse? Ele não tinha caráter suficiente pra te bancar?

Natalia Beauty

Com certeza, mas eu, eu não ia querer. Eu, pra mim ter que explicar o que eu faço ou o que eu gasto, ou o meu sonho pra alguém, é muito difícil.

Participante

Mas você não tem que explicar quando o homem é, é um bom homem.

Natalia Beauty

Tem. Dependendo do seu investimento, não.

Participante

A gente, a gente nasce com a síndrome da guerreirinha já. A gente não nasceu pra ser guerreira, a gente nasceu pra ser amada.

Natalia Beauty

Ah, eu nasci pra ser guerreira. Eu adoro ser guerreira.

Participante

A gente nasceu pra ser amada. É um peso que colocam nas nossas costas-

Natalia Beauty

Não é peso, aí que tá

Participante

...ter que trabalhar, ter que cuidar de filho, ter que limpar a casa, ter que... É um peso.

Natalia Beauty

Então, depende. Hoje eu tenho o meu trabalho e eu posso ter pessoas que me ajudam a cuidar dos meus filhos, mas antes eu não tinha. Eu fazia tudo isso, mas foi uma fase. Mas você não tem isso.

Participante

Você acha que você seria uma boa esposa, você tendo que trabalhar, cuidar dos filhos e limpar a casa?

Natalia Beauty

Cara, por um tempo, sim, se fosse sim.

Participante

Mas depois não.

Natalia Beauty

Não, porque aí eu ia construir exatamente-

Participante

Porque é algo além do que você pode suportar sendo mulher, o nosso emocional é... [som de interrupção]

Natalia Beauty

A diferença entre uma mulher, uma esposa troféu e uma prostituta é só um anel.

Participante

Discordo.

Natalia Beauty

Por quê?

Participante

Porque eu cansei de ser a Mulher Maravilha.

Natalia Beauty

O que que é isso pra você?

Participante

Mulher Maravilha é ficar fazendo as coisas em casa enquanto o marido trabalha e não cobrar por isso.

Natalia Beauty

Então cê tem um salário?

Participante

Claro.

Natalia Beauty

Dele? [risos]

Participante

O que é meu...

Natalia Beauty

Não, calma. Mas cê tem um salário.

Participante

Não, calma. O que é meu, é meu, o que é dele, é meu.

Natalia Beauty

Mas vem por ele ou vem por você?

Participante

Ai, vem por ele.

Natalia Beauty

Então.

Participante

Ele quer uma esposa cheirosa, uma boa mãe, unha, sobrancelha.

Natalia Beauty

Mas ele também quer isso da prostituta.

Participante

Lá ele vai pagar, vai comer.

Natalia Beauty

E com você também.

Participante

Vai-

Natalia Beauty

Não, cê falou que ele te paga.

Participante

Ele vai comer em casa, só que ele vai cumprir com a obrigação dele de homem provedor. Ele optou em ter uma família, então ele tem que cuidar. Se ele achar que ele quer ir pra rua, ele vai prum lado, eu vou pro outro.

Natalia Beauty

Mas aí o dinheiro, como é que cê faz pra ganhar?

Participante

Caixa dois. [risos]

Natalia Beauty

Mas então, é, fala-- voltando no tema principal.

Participante

Caixa dois.

Natalia Beauty

Porque imagina que muitas mulheres que vão assistir vivem relacionamentos completamente abusivos e do qual elas não saem por conta de dinheiro financeiro.

Participante

Caixa-

Natalia Beauty

Então a ideia, justamente dessa pauta, é levar pra estas mulheres também essa consciência. Então é muito importante também o que vocês dizem.

Participante

Tá. Na minha opinião é caixa dois. O mercado é cinco. Vou gastar mil, vou gua-vou guardar quatro, vou gastar dois, eu vou guardar três.

Natalia Beauty

Mas concorda que ter que ficar fazendo sempre essa matemática, não deveria ex-ser assim?

Participante

Depende do homem. Tem homem que não precisa. Tem homem que não precisa cantar música pra ele, que ele sabe da obrigação dele. Quando ele não souber, mulherada, é caixa dois.

Natalia Beauty

Mas pra você ir no salão, comprar roupa, você tem que pedir pra ele?

Participante

Não.

Natalia Beauty

Você não precisa justificar.

Participante

Ele sabe da obrigação dele, ele sabe muito bem a mulher que ele tem.

Natalia Beauty

Então você vai, gasta o cartão e fala: "ó".

Participante

Exatamente.

Natalia Beauty

"Fiz isso, fiz aquilo", não precisa.

Participante

Eu já fui e já voltei.

Natalia Beauty

Você já trabalhou fora, cê falou?

Participante

Já.

Natalia Beauty

O que que cê fazia?

Participante

Eu tinha uma mar-marmitaria.

Natalia Beauty

Ah, é?

Participante

É.

Natalia Beauty

E aí você encerrou?

Participante

E aí eu cansei. Eu falei: "eu vou cuidar de mim". Ninguém constrói um império sozinho.

Natalia Beauty

Não.

Participante

A união faz a força, uma mão lava a outra.

Natalia Beauty

Com certeza.

Participante

Ele vai trabalhar, eu vou cuidar dos meus filhos, vou me cuidar e vou cuidar do dinheiro dele também.

Natalia Beauty

E se, e se ele for embora?

Participante

Aí se ele for embora, eu tenho caixa dois.

Natalia Beauty

Mas pr-pra trabalhar-

Participante

Vou colocar-

Natalia Beauty

...mas caixa dois é suficiente pra quanto tempo, por exemplo, de sobrevivência, entende?

Participante

Pra começar, ééé, abrir o meu negócio, empreender. Se for vendendo sutiã, Mary Kay, pastel na feira, a gente é mulher-

Natalia Beauty

O corpo. [risos]

Participante

O corpo. A gente é mulher suficiente pra-- eu sei, a ma-a mãe, a mulher que eu sou, pra arregaçar as mangas. Se acontecer isso, eu tenho ciência. Enquanto não acontece, a minha escolha hoje é cuidar de mim e cuidar da minha família.

Natalia Beauty

E quantos filhos você tem?

Participante

Dois.

Natalia Beauty

Dois?

Participante

Dois.

Natalia Beauty

Foi mãe com quantos anos? Cê falou que casou muito nova, com 15, né?

Participante

Não, eu não.

Natalia Beauty

Cê casou com 15? Não, foi a-

Participante

Foi ela

Natalia Beauty

...foi ela, foi ela, foi ela.

Participante

Foi ela.

Natalia Beauty

Gente, você-

Participante

Eu com 18.

Natalia Beauty

Nova também. Teve-- foi mãe com 18?

Participante

Do primeiro relacionamento, comi o pão que o diabo amassou. No segundo eu falei: "chega, agora quem usa sou eu".

Natalia Beauty

Cê já viveu um relacionamento a, é, abusivo, de-

Participante

É, de mesquinhagem.

Natalia Beauty

Como que era? Só porque às vezes-

Participante

"Vamo no cinema? Eu tenho 20".

Natalia Beauty

...tem gente que vive e não sabe o que é.

Participante

"Então ninguém vai". [risos] "Cê tem 20 e eu não tenho? Então ninguém vai". Então no segundo-

Natalia Beauty

Mas como que era o primeiro relacionamento? Cê pode falar dele ou pra você é ruim? Porque-

Participante

Ele não tinha praticamente nem pra ele. Mas eu era muito nova, eu tava com 17 anos, sabe? Não queria-- eu não via a hora de fazer 18.

Natalia Beauty

Mas cê casou com ele, casou? Morou junto.

Participante

Foi, foi, foi isso, né? Engravidei e, e aí eu falei: "depois desse", eu falei: "eu não quero isso mais pra minha vida. Agora quem usa sou eu".

Natalia Beauty

Você aprendeu na dor ali.

Participante

Na dor. Eu uso a minha dor até hoje. Me quer? Vai me servir. Não quer? Porta da rua, serventia da casa.

Natalia Beauty

Gente, essa mulherada tá muito assim, resolvida. [aplausos] É. "Quem vive do dinheiro do outro, vive com medo." [vinheta]

Participante

Oi, Natália.

Natalia Beauty

Oi, qual que é seu nome?

Participante

Isadora. Primeiramente, eu admiro muito o seu trabalho, acho incrível tudo que você faz, mas nesse momento, como esposa troféu, porque eu tive um bebê. Então eu sempre trabalhei, tenho disposição amanhã se eu quiser trabalhar, mas a minha opção nesse momento foi dar amor e cuidar da minha filha, da minha bebezinha. Então eu quero que você entenda que eu não tenho, não deixo de fazer as coisas por conta, é, porque ele me impede.

Não, porque eu não quero, porque eu quero dar prioridade pelo cuidado dela. Talvez lá na frente, quem sabe fazer um curso da Natália Beauty, [riso] se especializar, mas, é, ai, pode falar-

Natalia Beauty

Mas ó, a pauta, vamo falar da pauta.

Participante

Tá.

Natalia Beauty

E quando a gente for pensar na pauta, talvez você tenha uma realidade diferente, mas vamo pensar no Brasil.

Participante

Claro.

Natalia Beauty

Tá? Quem vive do dinheiro do outro, vive com medo. Você concorda com isso?

Participante

Como que eu vou ter medo, Natália, se hoje eu vivo o que eu quero? Porque eu sempre tive medo de nunca poder cuidar da minha filha, porque eu nunca tive minha mãe, porque minha mãe trabalhava fora. Eu tive uma mãe que trabalhava como professora, diretora, que eu nunca tive o cuidado dela desde quando eu era bebê, porque ela trabalhava por mim, porque ela não tinha um esposo, eu nunca tive pai presente, então é muito difícil.

Então quando-- eu tenho 25 anos. Então quando eu cresci-

Natalia Beauty

Muito nova.

Participante

Eu tive filha agora, tem nove meses. Mas quando eu cresci, meu maior sonho era poder cuidar da minha filha, por talvez não ter tido esse amor materno da minha mãe, não ter tido esse cuidado, não ter tido essa dedicação.

Natalia Beauty

Eu entendo.

Participante

Então não é medo de perder dinheiro-

Natalia Beauty

Eu entendo

Participante

...não é medo de perder nada, é medo de não poder amar.

Natalia Beauty

Que tem o medo também.

Participante

É, o meu medo é de não poder amar ela. Então agora eu tô esperando, eu sei que ela vai crescer-

Natalia Beauty

Você acha que isso daí também não é uma justificativa pra você não trabalhar?

Participante

Eu amo trabalhar, Natália. Eu, eu já fui streamer, eu adoro TikTok, eu adoro fazer live, eu adoro conversar, mas nesse momento eu não consigo, por opção, porque eu prefiro dar todo o meu amor, toda a minha disponibilidade, todo o meu cuidado-

Natalia Beauty

Mas agora falando da frase assim.

Participante

Sim.

Natalia Beauty

E pensa n-nas mulheres.

Participante

Sim.

Natalia Beauty

Quando a gente vive com o dinheiro do outro, a gente vive com medo?

Participante

Então tá bom, gente. Acho que todo mundo discordou de mim. [riso]

Natalia Beauty

Tudo bem?

Participante

Tudo bem, gatinha. Eu discordo com-

Natalia Beauty

Por quê?

Participante

...com você. Por quê? Porque nós sabemos que quando a gente casa, quando o homem casa, ele tem que saber e ele sabe que ele é o provedor. Pra gente entrar no relacionamento, nós temos que saber aonde nós vamos entrar, com quem vamos passar o resto da nossa vida, até que a morte separe. Você, eu percebi que cê tem trauma do primeiro relacionamento, e eu não sei se você parou pra se perguntar ou perguntar pras suas filhas se o tempo que você dá pra elas é devido.

Natalia Beauty

Eu pergunto pra minha de 11 o tempo todo.

Participante

Mas será que ela é sincera? Será que você já começou a observar, observar, é, nela, nas atitudes? Porque às vezes tem coisas que passa despercebido.

Natalia Beauty

Mas passa des-- mas-

Participante

Passa despercebido

Natalia Beauty

...hoje a gente vê mães que às vezes tão em casa mais estressadas, mais irritadas, passam o dia no celular, justamente pelos afazeres de casa-

Participante

Eu discordo porque eu sou do lar, eu cuido da minha casa, eu administro o dinheiro do meu esposo, ele é o provedor e ele mesmo sempre diz pra mim que ele é o provedor e eu tenho tudo que eu preciso. Eu entro na conta dele se eu preciso de um dinheiro pra alguma coisa.

Natalia Beauty

Mas cê tem medo de gastar? Porque 78% das mulheres, é um dado, 78 é muita coisa.

Participante

São, mas por quê?

Natalia Beauty

Tem ansiedade de gastar o dinheiro, não de gastar, mas fica ansiosa por gastar o dinheiro do marido.

Participante

Porque a mídia impulsiona a gastar desnecessariamente.

Natalia Beauty

Ah, não.

Participante

A mídia faz isso. A mídia, a modernidade-

Natalia Beauty

Não, é uma escolha, ninguém obriga a pessoa a gastar.

Participante

Mas influencia. Influencia, a mídia começa a lançar dados, que é uma estatística que tá aí, pode pesquisar, que coloca, se você entra no seu celular pra fazer qualquer coisa, até pra entrar no aplicativo do banco, tá sendo bombardeado com alguma coisa pra comprar. Então se a gente tiver medo, a gente nunca vai viver com ninguém. Então nós vamos entrar no casamento, no relacionamento, sabendo que é uma vida a dois, é pra vida toda.

O homem vai entrar ali, ele sabe que ele é o provedor, que ele tem que trazer o sustento pra família.

Natalia Beauty

É, mas o medo não é o do marido, eu tô falando o medo dele ir embora, de acontecer alguma coisa.

Participante

Não.

Natalia Beauty

De gastar.

Participante

Não. Como a, as, as meninas falaram, você sempre vai ter que fazer o seu pé de meia, não pensando que o homem vai embora, mas pensando numa necessidade futura. Se você for pensar de não ter dinheiro, você vai ter que pensar, se preocupar com a crise econômica, né, com as guerras. Então, tudo na nossa vida é uma incógnita. Você tem que pensar daqui pra frente. Então se você vai pensar daqui pra frente o que vai acontecer, você nunca vai viver, você vai viver assustada.

Se você consegue tá administrando a sua casa, o, o, as suas coisas, seus filhos, é, cuidar do seu lar, cuidar do seu esposo, dar atenção, por que que meu esposo ele vai ter interesse em sair de casa? Porque tudo que ele tem, eu vou dar pra ele, eu vou suprir como uma esposa, como a mulher do lar. E ele vai simplesmente sair e trabalhar, porque ele é o provedor, ele sabe disso, ele tem que amar

Natalia Beauty

A esposa, o meu esposo ele me ama. Quem casa, as esposas querem ser amada. O homem ele tá ali pra amar, cuidar da esposa, sair e prover. E as mulheres tá ali cuidando do seu lar, dos seus filhos.

Participante

A pauta é: quem vive com o dinheiro do outro, vive com medo.

Natalia Beauty

Vive com medo.

Participante

Então, ééé, não questionando a amiga, mas o que eu tô vendo aqui, o que acontece? Muitas mulheres maquinadas, entendeu? Muitas mulheres maquinadas em um casamento-

Natalia Beauty

O que que é uma mulher maquinada?

Participante

Maquinada, tipo, fui construída pra isso.

Natalia Beauty

Tá.

Participante

Pra casar, constituir família-

Natalia Beauty

E desde pequena, né, a gente é formada-

Participante

É, pra casar, constituir família, que aquele relacionamento, ééé dentro, né, da-da, da, do cristianismo como a outra, a, a nossa outra amiga falou, é, juntos para sempre, da- até que a, até que a morte nos separe.

Natalia Beauty

Sim, sim.

Participante

Beleza. Mas o que acontece? Então levando essa questão e tipo colocando o homem aí no ca-- na, na, é, como um provedor, ééé, mas, é-é-é, eu tô vendo assim tipo, como que eu posso explicar? Ééé, um campo fechado, entendeu? Casei, então esse homem ele é o melhor-

Natalia Beauty

E estabilidade não existe.

Participante

Exatamente.

Natalia Beauty

Não existe.

Participante

As coisas-- tudo pode acontecer.

Natalia Beauty

Sim.

Participante

Entendeu? E a gente não conhece a pessoa vivendo, vivendo, hã, ah, vou casar com ele porque eu conheço ele integralmente. Não, porque pra mim a convivência ela vai aí a questão do tempo, né? Então existe sim a questão do medo.

Natalia Beauty

Medo da pessoa ir embora, dela morrer-

Participante

Exato. Tem, vai existir o medo

Natalia Beauty

...de-de ela não voltar mais, dela-

Participante

Exatamente, vai existir o medo.

Natalia Beauty

Trocar.

Participante

Por mais que eu seja uma mulher que cuide da minha casa, cuide dos meus filhos, não para o meu marido, tô ali sempre, ele me banca-

Natalia Beauty

Inclusive falência, né?

Participante

Exatamente.

Natalia Beauty

Pode acontecer a falência.

Participante

Ele banca, ele faz tudo ali o que eu gosto, o que eu preciso, eu me dedico a ele, mas no fundinho, tanto o medo meu, eu tenho esse medo, como ele também pode ter o medo de me perder, porque eu sou o troféu dele. Eu sou o troféu dele, eu acabo sendo o troféu dele, por quê? Porque de repente ele, é, a, se ele passar a pensar: "Nossa, se eu largar essa pessoa, será que eu vou arrumar uma outra pessoa que me trate dessa forma?"

Porque às vezes o homem ele procura o quê? O que-- não é que ele procura, mas dentro desse relacionamento, ele procura, vamos dizer que procura uma estabilidade.

Natalia Beauty

Sim.

Participante

Aqui eu estou instável.

Natalia Beauty

Sim.

Participante

Ela tá, né?

Natalia Beauty

Mas quando a gente olha pra maioria das mulheres...

Participante

Mas quando a gente acaba olhando pra maioria das mulheres, acredito que, entendeu?

Natalia Beauty

O medo.

Participante

Dá aí uma, entra aí numa contradição, né? O medo ele vai existir de qualquer forma, porque tipo, tudo pode acontecer.

Natalia Beauty

Tudo.

Participante

Mas aí eu uso a minha vida como base, entendeu? Que nem eu perdi o meu marido. Ah, ele me, já recebi lá tudo que eu tinha pra receber, mas e aí, Érica, que que acontece depois disso? Opa, não, agora eu vou procurar um outro homem perfeito que me fazia... Posso até procurar, mas vamos e comemos, eu tô com 50 anos, é melhor eu viver com o que eu tenho lá e procurar fazer uma outra coisa, viver uma outra realidade, porque troféu é troféu, né?

Natalia Beauty

Sim, mas, mas no caso do medo...

Participante

E o medo, o medo ele entra, porque tipo, é uma coisa que, sei lá-

Natalia Beauty

A gente tem medo.

Participante

O medo... É a questão mesmo que tipo eu não conse-- eu-eu-eu entendo o-o-o-o casamento como ali um relacionamento perfeito e tudo mais, mas eu acredito que a mulher, por mais que ela esteja em casa, aquela coisa toda, o medo ele sempre vai bater, pelo fato de que, tipo, tudo pode acontecer.

Natalia Beauty

O tempo todo, né?

Participante

É, o tempo todo.

Natalia Beauty

Boa.

Participante

Boa tarde.

Participante

Bom, enfim, eu não concordo com essa pauta, porque eu sou divorciada. Meu marido foi embora com uma prostituta.

[reação de surpresa]

Participante

Depois de 30 anos de casada, e hoje eu sou pensionista dele.

Natalia Beauty

Mais nova, não?

Participante

Sim, 20 anos mais nova.

Natalia Beauty

Sabia que é uma média? Tem-

Participante

É estatística

Natalia Beauty

...a mulher que ela é dependente financeiramente-

Participante

Pois é

Natalia Beauty

...depois dos 40, ela tem mai-- três vezes mais chance de ser trocada por uma mais nova, das que dependem.

Participante

Com certeza.

Natalia Beauty

Isso é dado, não sou eu que tô falando, é um dado e é muito preocupante.

Participante

E enfim, hããã, eu era aquela esposa troféu, né? Trabalhava em casa, eu trabalhei desde os três anos de idade, tenho dois filhos, um de 31 e um de 26. Construí uma família. Não tinha o caixa dois, né? Porque eu confiava nele cegamente, como muitas aqui dizem que o marido é tudo em casa, que ela cuida do financeiro, que ela cuida. Então é assim, a gente realmente-

Natalia Beauty

Você cuidava do financeiro?

Participante

Sim, eu cuidava-

Natalia Beauty

Tinha todo controle

Participante

...a gente tinha uma empresa em comum juntos. Eu trabalhava fora, abri uma empresa com ele, nós éramos sócios dessa empresa, essa empresa existe até hoje. Meus dois filhos, graças a Deus, são formados, um em engenharia, o outro é advogado, mas eles abriram mão dos seus trabalhos, dos seus cargos, pra cuidar da empresa hoje. Hoje eles trabalham nessa empresa.

Natalia Beauty

E hoje você tem qual renda?

Participante

Hoje eu tenho a pensão dele.

Natalia Beauty

Hum.

Participante

Então eu não tenho medo hoje de gastar o dinheiro dele, que eu tive medo, sim, por 30 anos, porque era um dinheiro em comum, mas eu tinha medo por quê?

Natalia Beauty

Tinha que justificar tudo.

Participante

Não é o medo de gastar o dinheiro que é dele. Era um medo de faltar amanhã o dinheiro. Era um medo de não ter uma comida pra prover pros meus filhos na mesa, se a empresa não desse certo, se eu fosse demitida, se eu tivesse que cuidar da minha família. Então veja bem, é um medo diferente. Hã, o que que mudou depois do divórcio eu não ter mais medo?

Meus filhos estão criados, estão encaminhados, trabalham pra eles. Todo o dinheiro que eu não gastei durante 30 anos, que eu economizei pra ele gastar com outra, hoje eu gasto esse dinheiro sem o menor medo de ser feliz.

Natalia Beauty

E cê sabe que esse medo da dependência, ele nem é consciente, né? As pessoas não, não s- não sabem que têm medo.

Participante

É Mas ho-hoje, hoje eu até gosto de ser dependente dele, e bastante

Natalia Beauty

Porque hoje você tem lá aquele valor que vai entrar, mas se ele falir?

Participante

É, meus filhos tão trabalhando na empresa, eu me garanti pra que isso não aconteça-

Natalia Beauty

Né?

Participante

Né? Eu fui, eu fui-- eu continuei sendo a mulher provedora e a mulher, a, a-- porque a mulher inteligente ela edifica o homem, né? Eu edifiquei meu homem durante 30 anos. Só que por algum motivo, eu errei em alguma parte.

Natalia Beauty

Não é você que errou, aí tá-

Participante

Ah, mas às vezes sim, por que que a gente tem que botar toda a culpa no pro-

Natalia Beauty

Por que que cê tá assumindo essa culpa?

Participante

No, no parceiro?

Natalia Beauty

Não.

Participante

Às vezes pode ser que tenha acontecido-

Natalia Beauty

É meio a meio, tu, sempre, sempre

Participante

É, então. E aí eu continuei edificando não o homem.

[música de suspense]

Participante

Medo do quê, se o dinheiro é dos dois?

Natalia Beauty

Mas aí que tá, o medo do divórcio, da falência, do ób-- de, de, do óbito sem aviso prévio.

Participante

Não, usar-- o medo de usar o dinheiro do outro, o outro estando vivo. A gente tá falando de mortos.

Natalia Beauty

Não, mas viver do dinheiro do outro.

Participante

Tipo, eu vou ter medo de, por exemplo, entrar numa conta que é nossa, individual, conta corrente, é, conjunta, na verdade.

Natalia Beauty

Não é um medo só de gastar, porque a mulher quando ela não tem a renda própria, ou seja, ela não gera o dinheiro, tá? Ela tem medo-

Participante

Mas de alguma forma ela tá gerando, porque ela é dona de casa.

Natalia Beauty

Não, mas esse discurso não cabe mais, porque ela não tá gerando-

Participante

É que parece, por s-

Natalia Beauty

Ela tem a ilusão de que tem dinheiro

Participante

Por ser dona de casa, por ser dona de casa e cuidar dos filhos, a pessoa não é útil?

Natalia Beauty

Não, então, aí que tá-

Participante

Só é útil se eu sair pra trabalhar

Natalia Beauty

Não, ela é muito útil, é útil, e tem mulheres incríveis, mas essas mulheres elas têm consciência de que elas não podem gastar o que elas querem, que elas têm medo do dinheiro faltar e elas não conseguirem cuidar dos filhos delas. Então existe um medo quando a gente vive do dinheiro do outro, e não é o seu dinheiro que vem pra você.

Participante

Se o dinheiro é dos dois-

Natalia Beauty

Não é dos dois

Participante

É responsabilidade da mulher também guardar aquele dinheiro e cuidar daquele dinheiro.

Natalia Beauty

Mas, na verdade, não é dos dois, né, é uma ilusão.

Participante

É sim, se o, se o próprio homem, se eu, se eu me caso com um provedor, o próprio homem fala: "É, o dinheiro é dos dois, o dinheiro não é nem só meu, nem só seu, é dos dois". É dos dois.

Natalia Beauty

Mas e se ele for embora?

Participante

O homem também decide isso.

Natalia Beauty

E se ele for embora? Aí que tá.

Participante

É igual eu falei na outra pauta, a gente tem a capacidade de sair pra trabalhar e pra conquistar o nosso.

Natalia Beauty

E cê não tem medo de acabar o dinheiro, de faltar?

Participante

Não, já faltou tanto pra mim. É, com 16 anos eu comecei no mercado de trabalho. A minha avó faleceu quando eu tinha 18. Eu e a minha mãe, a gente foi expulsa de ca-- da casa da família. A gente se mudou, é, en-então a gente tinha que pagar tre-R$300 pra continuar na casa. Eu não tinha condições. Eu consegui um emprego, é, eu me mudei com a minha mãe sem fogão, sem guarda-roupa, sem nada, com as roupas todas emboloradas.

Natalia Beauty

Mas quando a gente olha pra pauta, você não concorda? Mas sem olhar só pro seu ponto de vista na sua casa. Quando você olha pra mulher, você já teve, conheceu alguma mulher que tem medo por não ter o próprio dinheiro?

Participante

Não, porque eu não, eu não tenho essa visão de casamento falido, porque eu não conheci casamentos falidos.

Natalia Beauty

Nenhum?

Participante

Eu estou vendo a parte boa do, do casamento.

Natalia Beauty

Nenhum casamento perto de você faliu?

Participante

Existem, existem vários falidos no, no mundo. À minha volta eu vi muitos saudáveis.

Natalia Beauty

Que a mulher não sai porque ela não tem como se bancar e cuidar dos filhos.

Participante

Será que essa mulher não tá lutando pra, por uma melhora?

Natalia Beauty

Então, mas lutando até quando, entende? Até quando chegar e não ter mais o que fazer?

Participante

O amor é uma escolha, as pessoas desistem, as pessoas dizem: "na primeira crise, vou divorciar".

Natalia Beauty

Não, não é a primeira crise. Tem muitas mulheres que aguentam muito tempo e não saem. A minha mãe tá há 53 anos casada, ela não vai separar nunca mais, mas se há 20 anos ela pudesse ter ido embora, ela teria ido com toda certeza. Então quantas mulheres-

Participante

Por que que ela não podia? Por que que ela não podia?

Natalia Beauty

Cinco filhos, ela estudou até a quarta série, não sabia escrever, nem falar, não tem internet.

Participante

Tem gente que sai no meio da rua pra pedir, é, ajuda dos outros.

Natalia Beauty

Sim, mas ela com cinco, com cinco no braço. Mas não dava. Não dava, coitada, não dava. É diferente. E por ver isso, que eu trago tudo, toda essa questão pra cá, pra vocês. Então quantas mulheres hoje, eu conheço muitas que estão em casamentos falidos, mas que ela não vai embora porque existe um acordo financeiro. Quando o dinheiro é dele, a palavra final também é.

[música de suspense]

Participante

Bom, Nath, primeiro é porque aqui tá se estabelecendo esse ponto de que o dinheiro é dele. E aqui tem 26 mulheres que não consideram dessa forma, né?

Natalia Beauty

Então.

Participante

Por isso que a gente tá aqui pra defender essa pauta. Então pra mim o dinheiro não é dele, eu me sinto tão merecedora de cada centavo-

Natalia Beauty

Sim, sim

Participante

...do salário dele-

Natalia Beauty

Então vou reformular a pauta

Participante

...que cai naquela conta quanto ele.

Natalia Beauty

Eu vou reformular a pauta.

Participante

Porque ele só tá onde ele tá, porque ele tem uma mulher-

Natalia Beauty

Com certeza

Participante

...ao lado dele que ajuda ele. Ele pode trabalhar-

Natalia Beauty

Mas se não fosse você, ia ser outra, é o que eu tô querendo dizer

Participante

Tranquilamente. Não, nem sempre.

Natalia Beauty

Seria, seria.

Participante

Se-- não são todas as mulheres que têm essa capacidade.

Natalia Beauty

Mas vem achar uma, eu tô falando do-- eu tô falando assim ó: quando o dinheiro é feito por ele, na maioria dos casos, ou quase sempre, a palavra final também é. Vocês vão comprar alguma coisa muito cara que cê tem muita vontade. Ele acaba te convencendo que não, se ele não quiser. E é um dado, ó-

Participante

No relacionamento, assim-

Natalia Beauty

Ó, vamo lá. Dado é dado, 74% dos casamentos onde só o homem tem o dinheiro e trabalha pra ter o dinheiro, olha só, ele tem o poder de veto sobre decisões, ou seja, ele pode falar que não quer e a gente tem que acatar, incluindo gastos da esposa com ela mesma, e é um dado super recente.

Participante

Então eu acho que eu faço parte desses 26% que não funciona dessa forma, porque na minha casa vai ter uma compra, a gente senta juntos, a gente discute, nenhuma decisão é tomada sozinha, nem ele decide sozinho, nem eu decido sozinha quando as coisas são relevantes. É claro, "ah, eu vou comprar uma roupinha pro meu filho", eu não vou perguntar pra ele, mas eu vou comprar uma geladeira nova A gente vai sentar e vai conversar.

Ele vai comprar uma televisão nova-

Natalia Beauty

De quem é a palavra final?

Participante

A gente vai s-- dos dois, é um consenso, né? É um-- a gente senta, conversa e analisa. Tem coisas que eu vou saber melhor do que ele, tem coisas que ele vai saber melhor do que eu. Ele é engenheiro, então pra coisas de tecnologia, tal, ele vai saber melhor se a gente precisa ou não comprar.

Natalia Beauty

Então, sei lá-

Participante

Eu vou saber mais de coisas da casa, vou saber mais da-daquilo que é da minha área. Eu, eu que vou falar pra ele: "lindo, vamo no shopping, as criança, o tênis tá pequeno, a gente precisa comprar". Ele vai falar: "não, essa decisão é minha".

Natalia Beauty

É, e quando a gente olha pras mulheres que vivem isso, quando o dinheiro é dele, elas-- a palavra final também é. Você conhece pessoas assim, mulheres assim, que passam por isso?

Participante

Eu não vejo não.

Natalia Beauty

Nenhuma? Não é possível.

Participante

[risos] Sei, deve ter, né? Com certeza deve ter.

Natalia Beauty

Muitas, muitas, muitas.

Participante

Mas eu não tô falando-

Natalia Beauty

E aí imagina você, o seu sonho, você ter que depender de alguém pra falar-- é tipo um semáforo, a pessoa dá o verde, ela aprova o teu sonho, dá vermelho, porque não é o momento na cabeça dele, simplesmente você não vive o seu sonho. A maioria das mulheres vivem isso.

Participante

Sim.

Natalia Beauty

A maioria.

Participante

É, eu-

Natalia Beauty

Eu trabalho com milhares de mulheres, eu vejo muito isso.

Participante

Eu realmente não faço parte-

Natalia Beauty

E muitas que nem têm a consciência que, que, que são assim

Participante

...dessa maioria. É.

Natalia Beauty

É, a gente decide juntos, juntos enquanto ele concorda.

Participante

Meu nome é Margareth, sou casada há 35 anos, né? Tenho três filhos, quatro netos.

Natalia Beauty

Legal.

Participante

E o meu marido é assim, toda vez de, que nem você falou aí, a palavra final é dele. Era dele mesmo, eu nunca [risos] eu nunca bati de frente pra falar: "ó"... Eu só falo: "ó, quero uma geladeira, quero um fogão". Ele compra.

Natalia Beauty

No tempo dele.

Participante

Eu não tô-- eu não quero saber o valor, tipo, ah, ele gostou do fogão, eu gostei também. A geladeira, gostei também.

Natalia Beauty

Mas você tem toda hora que ficar vendendo os seus desejos pra ele.

Participante

Isso, eu falo: "ó, preciso de um fogão. Ó, vamo comprar uma geladeira nova? Vamo reformar não sei o quê?" Ele fala: "vamo". Então ele vai lá e ele compra, tipo, ah, eu não quero saber o valor, porque ele sabe do bolso dele.

Natalia Beauty

Ele sabe o quanto sai, né?

Participante

Isso, então eu nunca impus pra falar: "ó, eu quero-"

Natalia Beauty

Mas a palavra final é dele.

Participante

É dele.

Natalia Beauty

Mas, mas pra você isso não é um problema?

Participante

Não, não é problema.

Natalia Beauty

Nada?

Participante

Nunca foi um problema, nunca foi.

Natalia Beauty

Você nunca deixou de viver algo que você queria muito?

Participante

Então agora, aí passou anos, meus filhos cresceram.

Natalia Beauty

Certo.

Participante

E eu me senti aquela coisa sufocada dentro de casa, sabe a mulher do lar?

Natalia Beauty

Sim.

Participante

Cuidando de casa, cuidando de filho. Aí chegou um tempo que eu falei: "caramba, dá impressão que cê tá envelhecendo", sabe? Que você não se cuida de verdade. Aí eu fui fazer um curso de atriz, hoje sou atriz de teatro, né?

Natalia Beauty

Que legal.

Participante

Tô há 15 anos em cartaz. Trabalho de fim de semana, trabalho de segurança e tô vivendo minha vida agora.

Natalia Beauty

E tá ganhando a sua renda e decidindo por você.

Participante

Isso, meu dinheiro. Então quando eu quero alguma coisa pra mim, eu compro com o meu dinheiro.

Natalia Beauty

Maravilhoso.

Participante

Né? Então, por isso que a gente vive bem até hoje, porque ele faz o que ele quer lá com o dinheiro dele, eu faço o que eu quero com o meu dinheiro.

Natalia Beauty

Então você é uma esposa que não é troféu, é parceira.

Participante

Sou parceira.

Natalia Beauty

Pô, obrigada.

Participante

É isso. [risos]

Natalia Beauty

Sucesso.

Participante

Vão levantar a mãozinha não, pra eu sair da mesa? [risos] Eu quero sair, fala. [risos]

Natalia Beauty

Que legal.

Participante

Maravilhosa você, viu?

Natalia Beauty

Obrigada.

Participante

Esses dente branco, ó, parece dente de coelho, né? [risos]

Natalia Beauty

Gente-

Participante

O narizinho dela, parece o, o narizinho do Ken. Não parece o narizinho do Ken lá da Barbie?

Natalia Beauty

Ai, meu Deus do céu!

Participante

É uma boneca linda. [risos]

Natalia Beauty

Maravilhosa, obrigada, viu?

Participante

De nada, tá?

Natalia Beauty

Sucesso pra você.

Participante

A gente queria fazer um barraco com você aqui, mas não dá. Tão linda. O que que eu ia fazer puxando o narizinho dela? [risos]

Natalia Beauty

Quando o dinheiro é dele, a palavra final também é.

Participante

Eu discordo completamente. Lá em casa, quem dá a última palavra, quem vai comprar as coisas, sou eu. Até porque quem administra o dinheiro dele, sou eu. Nós temos uma conta conjunta, então eu vejo as necessidades e eu só comunico a ele: "amor, tá precisando de tal coisa". Inclusive, em novembro eu troquei a geladeira, né, eu queria uma nova, melhor, aquelas cyber chique. Então eu falei: "amor, pesquisei, tá entrando na black, eu vou comprar a geladeira".

Ele: "tá bom, amor, cê que sabe".

Natalia Beauty

Mas a palavra final foi dele.

Participante

Não.

Natalia Beauty

"Tá bom, amor".

Participante

Tá bom, amor, porque-- tá bom, amor, porque ele disse-- não, tá bom, amor, pera aí, gente, tá bom, amor, porque ele disse: "neguinha, o que você escolher pra mim tá perfeito".

Natalia Beauty

Mas cê tem que confirmar com ele.

Participante

Não, não tenho que confirmar.

Natalia Beauty

É querendo ou não, a, a, a palavra final é dele.

Participante

Não tem. Até numa empresa-

Natalia Beauty

Cê vai falar que não, mas eu sei que é

Participante

...até numa empresa, querendo ou não, você precisa de alguém pra tomar determinadas decisões. Na sua empresa, você não vai fazer tudo como você quer.

Natalia Beauty

É.

Participante

Você vai pre-precisa de você ter alguém ali do seu lado auxiliando. É tá-- é um auxiliadora, é concordância. Porém, a última palavra é a minha. Mesmo que ele dissesse que não iria comprar, eu sei das necessidades de dentro de casa, até porque eu estou ali mais tempo dentro de casa do que ele. Então eu sei o que realmente precisa de dentro de casa. Então-

Natalia Beauty

E se ele falar que não?

Participante

Não tem como ele não falar co-- é, que não, porque-

Natalia Beauty

Ele já falou que não pra alguma coisa?

Participante

Não, difícil, ele nunca falou não, porque eu sempre vou argumentar com ele-

Natalia Beauty

Mas aí vamo lá

Participante

...e vou explicar.

Natalia Beauty

Quando você me fala que ele nunca falou não, você dosa um pouco os seus desejos?

Participante

Não.

Natalia Beauty

De compra, de consumo?

Participante

Não, eu sou muito gastadeira. Sou muito gastadeira, gosto muito. Sou consumista, não tem como. A mídia começa a bombardear e a gente não tem como dizer não. Mas assim, é, brincadeiras à partes, no que diz respeito das coisas de dentro de casa, nós-- eu mesmo tenho meu cronograma, eu tenho lá minha planilha do que vai precisar, do que não vai precisar, o orçamento da casa, o que eu vou comprar E não tem como a gente chegar no mercado e comprar só aquilo que tá na lista, sempre vamos comprar a mais.

Por mais que a gente tenha um eletro bom, nós sempre vai querer trocar, né? As mulheres aqui que sabem. Então-

Natalia Beauty

Mas ele tem que concordar de alguma forma.

Participante

Não, ele vai ver. Tem coisas que ele vai ver-

Natalia Beauty

Uhum

Participante

...em casa e vai olhar: "nossa, amor, que lindo". E às vezes nem vai, é, ter essa percepção de perceber que comprou, né? Até porque homem não tem muita percepção do que comprou. Se não for algo muito grande, não tem como ele ver. Às vezes passa até despercebido. Por isso que nós, mulheres, temos que tá ali auxiliando, organizando, olhando as finanças. No meu caso, eu consigo controlar o dinheiro.

Ele mesmo diz: "meu amor, se não for você, eu gasto o dinheiro". E ele é pior do que eu pra gastar. Então eu que controlo o dinheiro. Quando fala que a última palavra é do homem, depende das mulheres, depende das pessoas, depende do relacionamento, porque se for um relacionamento em concordância, que o homem ele entende o papel da mulher, ele entende que a mulher dentro de casa ela tem mais visão do que está faltando, qual é a necessidade tanto das crianças, como de um eletro, como de um, de uma pintura da casa.

Ela falou que o marido dela é engenheiro, ele entende mais da área de engenharia.

Natalia Beauty

Sim.

Participante

Só que nós mulheres também. É um ditado que diz: "de médico e louco, todo mundo tem um pouco", mas nós mulheres nos sobressaímos. Não que nós vamos tomar o lugar do homem, cada um no seu papel, cada um no seu lugar. Porém, a mulher ela tem mais percepção, a mulher é mais visionária, a mulher consegue perceber ao, é, ao seu redor o que tá precisando-

Natalia Beauty

Tá, mas uma coisa é perceber, outra coisa é ela usar o dinheiro.

Participante

E, e a-- e usar. Mas quando a mulher ela tem o controle total junto com o esposo ali no dinheiro dele e dela, porque é dos dois, porque ele sai pra trabalhar, só que ele sai pra trabalhar pra trazer o sustento da família. Ele, a mulher, os filhos, é uma família. Então ele já sabe que a mulher ela vai ali saber administrar, vai saber sentar ali com ele só pra: "amor, as contas tá aqui, água, luz, telefone, internet, faculdade, curso das crianças, futebol, já tirei, já paguei" e tá ali o dinheirinho.

Se ele quiser ver, ele vai ver lá no aplicativo do banco o que entrou, o que saiu, vai ter lá. Só que ele sabe, o meu esposo ele confia em mim, ele sabe a esposa que ele casou. Por isso que eu digo, se tem mulheres que às vezes têm dificuldade no relacionamento, é porque às vezes as escolhas foram mal. Às vezes se precipitaram-

Natalia Beauty

O que que ela faz se ela não tem o dinheiro pra sair?

Participante

Se ela não tem o dinheiro, é porque ela casou com a pessoa errada. Porém, se ela casou com um homem que entende, que percebe que ele sai pra trabalhar e a esposa está em casa cuidando das coisas deles, tá cuidando ali das crianças, da casa, tá organizando, tá fazendo com que o lar prazeroso quando ele chegar estressado do trabalho, porque trabalhar fora-

Natalia Beauty

Não, mas aí já tá fugindo muito.

Participante

É estressante. Não.

Natalia Beauty

A decisão final.

Participante

A decisão final, como eu tô falando, a decisão final é sempre minha. Sempre minha.

Natalia Beauty

Eu não acredito.

Participante

Pois vamos lá em casa.

Natalia Beauty

Eu não acredito.

Participante

Vamos lá em casa. Eu ligo agora pro meu esposo-

Natalia Beauty

Eu não acredito.

Participante

E ele vai falar com você.

Natalia Beauty

Ele vai falar que sim, mas eu não acredito.

Participante

Não, ele vai falar-- pois vai, passa uns dias lá em casa que você vai ver. Vou lhe dar um ensinamento. Aí seu esposo vai lhe dar é tudo.

Natalia Beauty

Não, eu não quero não. [aplausos] Eu não quero.

Participante

Vai lhe dar tudo. Vai dizer: "ó, minha rainha, tome tudo aqui, tudo é seu, meus bens, tudo é meu, minha preocupação é sua", vai lhe dar tudo. Pode ter certeza, gata, que se você fizer certinho-

[risos]

Participante

Você vai ver. [risos]

Natalia Beauty

Não, mas hoje não.

Participante

Seu esposo vai entender que ele-

Natalia Beauty

Eu não quero.

Participante

Ah, mas é bom.

Natalia Beauty

Não.

Participante

É bom. É bom, sim. As mulheres que hoje em dia, né, têm esse problema, que às vezes o homem abandona, o homem deixa a mulher ali com filho, deixa a mulher-

Natalia Beauty

Que é a maioria que acontece

Participante

...a mercê. É porque assim, tem homens que não têm consciência, não foi ensinado pelos pais, como algumas falaram aqui, vieram de, de relacionamentos abusivo e acaba trazendo pro lar, né? Quando o homem, ele viveu num relacionamento que viu o pai maltratando a mãe, batendo, por mais que ele diga que não-

Natalia Beauty

Que é muito comum, né?

Participante

É. Por mais que ele diga que não vai fazer isso com a esposa, que quando ele casar vai ser diferente, não tem como, porque está no subconsciente dele e acaba querendo ou não influenciando. Mas quando o homem ou a mulher sai de uma família bem estruturada, ele vai ver ali o exemplo do pai e da mãe e vai querer trazer pra vida dele, porque viu que era um lar harmonioso, que viu uma família ali equilibrada.

Então, se a maioria dos homens, como tá dizendo aí que eu não creio muito nisso, na, na estatística, é, faz isso, é porque veio de uma família-

Natalia Beauty

Por que cê não acredita na estatística? Cê acha que eles-

Participante

Porque assim, é, às vezes a mídia quer trazer aquilo que dá ibope, aquilo que lhe convém, mas na prática, na realidade mesmo, eles não vão entrar em 70%, 80% do lar pra saber. Eles vivem de estatística-

Natalia Beauty

Sabe quantas mulheres vivem-

Participante

De estatística

Natalia Beauty

...tem renda no Brasil hoje? Própria? Vinte e oito milhões de mulheres não têm renda.

Participante

Mas-

Natalia Beauty

E não é estatística boba

Participante

...mas antigamente as mulheres eram do lar e sobreviviam bem, viviam bem, né? Tinham uma família estruturada. Hoje, hoje em dia a criminalidade aumentou muito, a falta da mãe no lar traz muita discórdia, traz muitas consequências pros filhos e muita das vezes geram filhos revoltados, depressivos, estressados. Por quê? Porque a mãe não tá lhe dando o suporte necessário que uma mãe pode suprir.

Natalia Beauty

Mas cê acha que se a mãe fizer isso, [aplausos] Muito obrigada.