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1 Empresária vs 30 Esposas Troféu
1 h 22 min de vídeo · 14 mil palavras · Com Natalia Beauty
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A diferença entre uma esposa troféu e uma prostituta é o anel
Prostituta são as mulheres que transam, ficam sem compromisso nenhum
Eu acho que se for uma mulher vivida, ela não vai querer casar com um cara que não tenha condições
Meu marido foi embora com uma prostituta.
Eu nunca tive pai presente
Acabou o império Nat Beauty
Não, acabou não
E aí? Você não tem um homem-
Não, eu tava devendo duzentos mil, nome no Serasa, carro com busca e apreensão, não era nada.
Ele quer uma esposa cheirosa, unha
Mas ele também quer isso da prostituta. Sou interesseira, então vou gastar o que é dele mesmo
Mas você é a favor da mulher casar com fodido?
A decisão final é sempre minha.
Eu não acredito.
Um homem cristão, ele vai te tratar igual uma rainha
Quantos cristãos a gente não vê traindo, matando?
Eles não pensam duas vezes, mas eu não sou qualquer uma, eu sou a mulher troféu
Se o dinheiro é dos dois-
Não é dos dois
...é responsabilidade, será que essa mulher não tá lutando por uma melhora?
Até quando chegar e não ter mais o que fazer?
Dinheiro na mão
Cozinha no chão [aplausos]. Eu sou Natália Martins, hoje sou CEO do grupo Natália Beauty. Já fui uma mulher completamente dependente financeiramente. Cresci num lar de mulheres muito dependente financeiramente e acredito que essa dor se transformou na minha maior missão. E hoje estou cercada por 30 esposas-troféu. Se a mulher não trabalha, ela não tem liberdade.
Oi, tudo bem?
Tudo bom?
Ana Cláudia, de Manaus.
Tudo bom, Ana?
Tudo
E aí?
Bom, eu possivelmente não acredito nisso, porque nós mulheres não dependemos de homem pra nada, né? E eu como-- eu sei como eu sou mãe e cuido da minha filha, cuido do meu marido e eu acho que, tipo assim, eu só não tô trabalhando porque eu não quero mesmo. E como eu já passei 10 anos só, só trabalhando, cuidando do, do meu marido, eu acho bom ele também-
Mas hoje você não tem renda, você depende financeiramente, porque você falou que não depende de homem pra nada.
Não, não dependo dele-
Mas hoje, se você quiser ir embora de casa com seu filho, como que você vive? Qual é a sua renda? O que que você construiu?
Bom, eu possivelmente eu só deixei por causa do meu, da minha filha, né? Pra mim poder cuidar dela, ficar mais com ela, mas não tem nada a ver de eu não querer trabalhar. Eu trabalho se eu quiser e eu mando nele [risos]
É, mas não é bem assim. Quando a gente fala de-- eu tô falando de liberdade financeira, porque alguma vez você já deixou de comprar alguma coisa? Então, fica aí. Boa. E aí, me conta.
Bom, realmente, é, eu acredito que mulher não tenha liberdade, porque o trabalho dignifica a gente.
É.
Com certeza, né? E aí quando a gente é casada, a gente depende do dinheiro do marido pra tudo. Como que você vai ter uma independência se você tem que pedir o dinheiro pra essa pessoa?
Exato, é isso que eu tô defendendo
Se você depende totalmente dessa pessoa.
Exato.
Fica bem difícil. Mas, ao mesmo tempo, a gente também pode achar outros meios, né, de ter essa tal liberdade.
Tá
A gente pode-
Tudo bem?
Tudo bom, Nath?
Qual que é seu nome?
Natália
Nome lindo
Sou de Sará [risos]
Bora, Nath.
Meu nome é Natália, eu tenho 34 anos, eu sou dona de casa e eu decidi participar porque eu acredito que o papel da dona de casa muitas vezes é desvalorizado pela sociedade
O que que você defende nessa situação onde a mulher que não trabalha não tem liberdade?
Por quê? O que você considera liberdade?
Liberdade de falar não, liberdade de sair se ela quiser, liberdade de ir embora, liberdade de comprar o que ela quiser, liberdade de simplesmente dizer não. Porque eu cresci num lar onde eu vi a minha mãe ficar num relacionamento por anos, porque ela tinha cinco filhos e não tinha como sustentar nenhum deles, então ela ficou neste relacionamento, que acabou com a vida dela
Aí eu acho que é um problema do relacionamento, porque eu vivo num extremo oposto desse relacionamento, onde meu marido me valoriza, onde o que eu faço dentro de casa ele vê com, com bons olhos, né? Então, a liberdade pra mim, é, por exemplo, o salário do meu marido, ele não considera é o meu salário, é o nosso salário. Então [risos]-
Mas você tem que justificar os seus gastos-
Não
...de alguma forma, né? Ou ele não te pergunta se você quer-
Não, eu tenho um cartão de crédito adicional do dele, porque ele confia em mim, ele sabe. Eu não vou gastar o dinheiro que é nosso de uma forma, ééé, irresponsável. O dinheiro é nosso, então eu vou gastar com aquilo que eu sei que é necessário.
Com certeza
Vou gastar com aquilo que vai fazer diferença na minha casa, com supermercado, com as crianças, com dentista, com remédio. É claro, às vezes, ah, fiz aqui minha unha de gel, mas eu não preciso justificar pra ele. Quando eu chego, ele olha pra minha unha e fala: "Nossa, que linda, amor, cê fez sua unha, como tá bonito", né? Ele gosta que eu me cuide também. Então, eu sei que essa talvez não seja uma realidade de todas as mulheres, mas n-
Cê sabe que 52% das mulheres que sofrem abuso, que é um número gigante, e quando eu falo abuso é psicológico, é físico, é patrimonial, né? E é o-- tem de internet também. Todas elas, 52% delas não trabalham, por isso não podem sair desse relacionamento. Então a sua realidade talvez seja uma realidade muito diferente, muito específica. Mas mesmo assim Tá? Como mulher, eu ainda defendo que toda mulher tem que ter o seu dinheiro de alguma outra forma.
O marido dá, legal, mas talvez você um dia fique brava com ele, não se, se imponha tanto porque precisa de um dinheiro ou de justificar algo na outra semana. Eu vivi muito isso.
Eu, Nath, eu já trabalhei fora. Eu sou formada em Marketing, fiz na USP, eu fiz intercâmbio em Boston, morei nove meses em Boston.
Caramba!
Eu fiz curso em Harvard, eu falo inglês fluente e eu por muito tempo, assim, me via como uma pessoa que seria uma mulher de carreira, uma mulher de negócios, tal. Então eu trabalhei em empresas multinacionais, eu trabalhei em empresas que eu cuidava de contas-
Que carreira!
...grandes, eu cuidava de Vivo, eu cuidava de Bob's. E aí vieram os filhos.
Tá.
E aí-
Cê não sente falta dessa identidade sua?
Não, porque-
Fora a maternidade
...quando eu estava lá na empresa, a minha cabeça estava na minha casa, né? Eu, quando os meus filhos nasceram, eu continuei por um tempo trabalhando e eu não conseguia dar o meu melhor nem aqui e nem ali, porque quando eu tava no trabalho, eu tava pensando nos meus filhos. Quando eu chegava em casa, eu tava pensando nos problemas do trabalho. E quando eu decidi me dedicar à minha casa, à minha família, eu sinto que eu entrego integralmente tudo que eu posso aqui pra eles e que esse é o meu legado.
Esse, esse é o-- eu não vou ser valorizada, nunca vai aparecer numa revista Forbes as dez melhores mães do mundo, né? Isso ninguém vê, mas eu sou valorizada por eles. Então quando o meu filho vem e fala: "Mãe, você é a melhor mãe do mundo", porque eu sentei pra assistir Harry Potter com ele e ele ficou superfeliz, é uma coisa que eu não conseguia fazer antes, porque quando eu chegava do serviço, eu era duas horas de trânsito pra chegar, depois duas horas de trânsito pra voltar.
E aí você estava muito fora.
Quando chegava em casa, eu tinha que ainda fazer um monte de burocracia. E aí-
E aí você tinha que cuidar da casa, deixar tudo em ordem, os filhos-
Exatamente
...que é um trabalho que geralmente não existe uma ajuda, assim, muito explícita dos maridos.
Mas meu marido é parceirão.
Ele é.
Mas só que mesmo assim é muita coisa, né? Porque você, cê chega-- eu, eu tava pré-diabética, eu tava com sobrepeso, eu tava com estresse, eu tava ansiosa, eu tava, assim, no, na beira de um burnout.
Quando cê, quando cê era criança, que, qual era o seu sonho? Cê falava que queria ser o quê quando crescesse?
Chiquititas. [risos]
Sério? Porque a gente deixa de sonhar em algum momento, né? Quando a gente casa, a vida vai acontecendo, todos esses problemas, os filhos, a gente esquece um pouco dessa infância, dessa menina que sonhava em ser algo.
Sim.
Mas aqui na sua situação, quando a gente diz esposa troféu, né, aquela esposa que não trabalha, que não pode trabalhar, que não tem consciência nenhuma, que não tá nem aí com as coisas financeiras. Você então é uma esposa, uma parceira, uma sócia do seu marido, se a gente parar pra pensar.
Isso, eu vejo o meu, minha casa, o meu lar como uma empresa.
Sim.
E eu sou CEO dessa empresa.
Sim, com certeza.
Pro meu lar dar certo, pros meus filhos darem certo, eles dependem de mim. Então pra mim não tem dinheiro no mundo que vai pagar o fato de meus filhos crescerem e eu ver: "Nossa, eles são bons maridos, eles são bons cidadãos."
E se o seu marido for embora? Porque pode acontecer, tá? A gente vive num mundo que pode acontecer. E um dado muito interessante é: 96% dos brasileiros não co-confiam nos outros. Então lá no fundo, se ele for embora, como você fica? Você-- o que que você faz?
Como eu falei, eu tenho, né, eu tenho estudo, eu tenho-- eu fiz a opção de ficar em casa, mas é que é uma hipótese que pra mim não vai acontecer, Nath. Eu tenho um filho que tem uma síndrome rara. Quantas mães que têm crianças com deficiência que veem seus maridos irem embora? E meu marido, nessa situação, tá ainda mais perto. Meu marido trabalhava 15 dias embarcado em plataforma, 15 dias em casa.
Quando a gente teve o Isaac, nosso segundo filho, ele falou: "Linda, não vou mais ficar em plataforma, vou ficar aqui com você". Eu falei: "Por favor". [risos] E aí, então assim, eu não consigo imaginar meu marido indo, porque é isso, a gente vive nessa parceria de que a gente acredita que juntos nós somos mais fortes, de que se um cair, o outro levanta. Então é o relacionamento que eu vivo.
Muito bom. Nesse caso, você tem realmente uma, uma sociedade com ele, mas ainda de-- aí mesmo assim, pra mim tem que ter a sua renda, a sua fonte de renda, mesmo que seja em casa com os seus filhos.
Eu vendo Mary Kay, Nath.
A lá, pronto, gente. Tem uma fonte de renda aí, lá no fundo.
É.
Você tem o seu dinheiro que você ganha, você faz o que cê quiser.
Mas assim, é uma coisa que eu faço, é, eu faço mais por, nos tempos livres, no tempo vago, mas não é um compromisso que eu tenho de levar sustento pra minha casa.
Entendo.
Eu acho que esse que é o peso que se coloca em cima da mulher, que aí a gente gera também homens fracos. Quando a gente, é, tira esse peso do homem, a gente vai gerar um homem banana, né?
É, é que, é que não é todo homem ou toda mulher que tem essa opção, né? De ter alguém que seja tão provedor assim a ponto de te deixar muito livre. Mas todas as mulheres que eu conheço que dependem do homem financeiramente, em algum momento elas não se sentem livres pra gastar ou pra sonhar, ou pra serem protagonistas. Em algum momento elas questionam a identidade. Então se você diz que tá vendendo Mary Kay, que é, que é legal, que eu acho muito legal se você tá em casa trabalhando, mas tem ali o seu dinheiro, a minha preocupação é essa, porque-
Mas ó, vou te falar, a Mary Kay mais me dá prejuízo.
Ah, mulher, não fala isso!
É verdade, porque eu pego o cartão do meu marido e falo: "Lindo, vou comprar aqui a Mary Kay, vou fazer um evento". Às vezes eu nem vendo tudo do que eu comprei. Tipo, eu faço mais por um hobby, por ser uma coisa que eu gosto, sabe? Eu acho que a mulher devia trabalhar
Por uma coisa que ela gosta, por um hobby, não com a missão de tipo assim: se eu não levantar, se eu não acordar cedo-- quer dizer, mesmo sem trabalhar fora, a gente acorda cedo por quê? Arruma a lancheira das crianças e leva pra escola Eu falo que cuidar da casa é um trabalho sem benefício
Exatamente
Porque você acaba sendo funcionária, mas não tem INSS, não tem seguro-desemprego, não tem, né? E o homem constrói tudo isso
Sem benefícios. Aí, por exemplo, o meu benefício é ver meus filhos crescendo
Sim
É ver o primeiro passo, é ver o primeiro tchauzinho, é ver o primeiro beijinho, né? Pra mim, esse é o maior benefício
Sim, tem também, mas tô falando financeiramente, de liberdade. Mas eu entendi o seu ponto. Faz sentido. Ela me dobrou aqui, cara [risos] Sabe? Eu vou embora [risos] Ela vai trabalhar comigo também. Não, eu? Mulher, não posso! Amor, jamais! Não, eu-eu sou casada, maravilhosa, feliz. Encontrei o amor da minha vida
E tem filhos, Nath?
Eu tenho duas meninas e eu sou muito feliz hoje, mas livre. E ó, vou te falar uma coisa: eu nunca f-senti a liberdade como eu sinto hoje, podendo fazer o que eu quiser, a hora que eu quiser, falar não, falar sim. E não é uma competição, é liberdade, porque quando a gente é livre, a gente realmente se conhece. Enquanto a gente não tem essa liberdade, a gente depende muito do outro, do humor do outro, da vontade do outro, de como o outro está.
Eu lembro de várias vezes eu tendo que pedir cartão pro meu pai ou pro meu ex-marido, que eu tinha que agradar ele. Então se ele tava de mau humor, não ia pedir naquele dia. Se ele tava de be-bom humor, eu ia tentar iniciar uma conversa. Então às vezes eu até tava brava com algum comportamento dele, mas eu não falava, porque no-no dia seguinte eu ia pedir dinheiro pra comprar alguma coisa.
Uhum
Então é esse tipo de liberdade que eu não tinha
Uhum
E que eu senti com a financeira. E eu falo que o primeiro grau de liberdade de uma mulher é a financeira. Mas você tá me dizendo que você já teve essa liberdade e que hoje você escolhe não ter, mas que se amanhã você tivesse que voltar a trabalhar, você tem essa liberdade, essa, de escolha?
Tenho
Então isso é ótimo.
É
Isso é ótimo, melhor dos mundos
Verdade
Maravilhosa [risos]
Obrigada, Nath
Obrigada você. É muito difícil brigar comigo [risos] Então, mas eu não posso ser. A minha experiência foi assim, algo surreal. Eu não vou esquecer o que eu vivi aqui hoje. Eu aprendi muito com essas mulheres também, apesar de não concordar com a opinião delas, porque eu realmente acredito e não tem nada que me faça mudar, que toda mulher tem que ter a sua independência financeira. Ela tem que ganhar o seu próprio dinheiro, tem que ter a sua fonte de renda, senão ela fica sujeita a alguém decidir por ela, um homem mandar na vida dela, dar a palavra final.
Foi incrível. Senta aqui, senta aqui. Cê pode repetir quantas vezes cê quiser. Cê pode vir agora, na próxima. Vem cá, sente aqui. Qual que é o seu nome?
Érica
Prazer, Érica. Vamo lá
Eu-eu vou fazer um questionamento em questão do que a amiga tava falando, né? É, entendo toda a questão dela. Eu também, no meu caso, estudei e tudo mais, né? Quando virei mãe de família, passei a ficar em casa, meu marido sempre cuidou de mim, dos meus luxos e tudo mais. Aí o que que acontecia? Meu dinheiro, né, o que ele me dava: "Olha, isso aqui é pra você, pra fazer suas coisinhas", eu sempre fiz uma reserva
Hum
Sempre deixei uma reserva, porque a gente nunca sabe o que pode acontecer. Então, esse dinheirinho da minha reserva, ele ficava ali guardadinho, onde só eu sabia, né?
Certo
Mas com o passar dos anos, eu falei: "Eu preciso passar isso pra alguém, dessa reservinha que eu tenho, em questão de eu estar esse tempo todo em casa, sem trabalhar e ele ali, né, me sustentando, coisa e tal". E eu falei: "Eu preciso falar pra alguém, porque o tempo tá passando e eu já tô pra fazer 50 anos, a gente não sabe o que pode acontecer, né?
E aí, meus filhos?" Então tá. Essa coisa do pensar nessa reserva, é, tipo, Deus sabe todas as coisas, né? Porque, tipo, acontece coisas inusitadas na nossa vida
Sim, sim
O que aconteceu comigo? Eu nessa minha rotina de vida, sempre fazendo ali as minhas reservas, mas estudando, fazendo uma coisa aqui, outra coisa ali, é, trancista, né? Sempre, né, fazendo um cursinho, aquela coisa, mas vivendo ali uma vida totalmente estável, tranquila, sendo sustentada primeiro pelo meu marido, os filhos todos estabilizados, estudando
Tudo bem
Que eu fui mãe muito cedo, eu casei com 15 anos, né? E meus filhos já são todos hoje, né, cada um cuida da sua vida, tem a sua casa. Um belo dia ele saiu pra-pra jogar bola, ele teve um infarto fulminante aos 42 anos. Então, como eu fiquei? Com a minha reserva [risos] Cê entendeu?
É
Essa reserva de alguma coisa [risos]
Porque, porque pode
Ela me serviu
Assim, óbvio que a gente não quer isso
Sim, mas é o fato
Mas a gente tem que contar analisando os dados, tá? Dados
Exato
Dados. Então a maioria das mulheres, quando não tem renda e acontece de se separar
Uhum
Ou do marido falecer, ela regride e fica até em estado
Exatamente
De vulnerabilidade com os filhos
Exatamente
Então a minha preocupação é essa com as mulheres e essa é a minha missão. Você é interesseira se quer casar apenas por dinheiro. [música de tensão] Nath
Meu Deus, Maria
A, essa frase, o que que ela significa? Se você já casa sabendo que ele vai ser o provedor e por dinheiro, isso é interesse
Com certeza. Concordo absoluta-
Cê concorda?
Claro, se você tá casando por dinheiro, você é interesseira. A gente entra num relacionamento por amor É por, por admiração-
Cê acha que tem mulheres que casam por isso?
Tem, com certeza tem. Tem mulheres-
Muitas, né?
Deve ter.
Ah, e cê vê tantos, ééé, velhinhos com as novinhas aí [riso], o velho do, do iate lá.
Com certeza, tem muitas mulheres que casam por isso. Mas, é, aqui, no nosso contexto aqui, eu acredito que quem tá aqui defendendo o papel da esposa, ninguém aqui casou por dinheiro. A gente casou-- quer dizer, não sei, né? Mas eu casei por amor ao meu marido, né? A ge-- eu acredito que num casamento a gente se casa porque você vê no o- Gente.
Aêêê.
Oi, Natália.
Vai, tudo bem? Prazer.
Tudo bem, te admiro muito. Eu sou a Mariana, tenho 26 anos, trabalho como influenciadora e eu decidi participar do debate pra ouvir novas opiniões, né, debater sobre o assunto. E eu discordo. Eu acho que quando o homem tem muito dinheiro, ele não vai querer ver a esposa se matando, trabalhando, às vezes pra ganhar um salário mínimo, ou trabalhando ali numa escala de CLT seis por um, ou 10 horas por dia.
Então eu discordo. Eu acho que quando ele tem dinheiro, ele vai querer a mulher perto, querer a mulher perto dos filhos, e consequentemente-
Mas a pauta é: a mulher que casa por dinheiro, ela é interesseira?
Depende.
Por quê?
Depende. Acho que se for uma mulher vivida, que já sofreu muito na vida, né, ela não vai querer casar com um cara que não tenha condições. Ela vai continuar ali, se matando, trabalhando.
Mas de novo, tudo por dinheiro.
Dinheiro. Eu não faria isso, mas eu entendo quem faz isso, entende?
Que falta, né, a independência dela-
Isso, falta independência-
...ela tem que ir pra isso
...falta um pouco de garra e aí algumas mulheres acabam indo pra esse lado, entende? Às vezes, se o homem concorda, é porque o homem não quer ver a mulher trabalhando.
É, isso é um-
Eu acho que é isso
...bem ruim, né?
É.
E você concorda quando a palavra final é do homem, quando é ele que ganha o dinheiro? Que cê tava falando disso, né?
Sim, se eu sou submissa ao homem...
A palavra final é dele
...a palavra final muita das vezes é dele, mas a mulher-
Aêêê.
Tem que chegar primeiro que você [riso]. Qual que é seu nome?
Mariana.
Mariana, me diz: você concorda com o fato de que a mulher, se ela casa por dinheiro, ela é interesseira?
Concordo.
Você concorda?
Concordo.
Ou você acha [balbucio] que tem mulheres que a única opção dela é essa?
É, na verdade, é, só quem for tonta que não gosta de dinheiro. Eu gosto de dinheiro. Com certeza eu juntaria o útil ao agradável. Ficaria sim com um cara, mas assim, tem que ter muito dinheiro pra eu ser uma Virgínia da vida, ter, ter babá, ter empregada, ter todo mundo que faça tudo por mim. Claro que eu quero. Viajar, sim, com ele me bancando todinha.
Mas a Virgínia construiu o dela.
Construiu, sim, mas que, o que ajudou a Virgínia? O Zé Felipe que-
Eu acho que foi ao contrário aí, né, nessa relação
...que aumentou. Não? Ah, enfim, não sei. Tô dizendo que eu quero ser rica que nem ela.
Maravilhosa. Então tem que ser independente, ganhar o seu dinheiro.
Não, mas é mais fácil ele me sustentar do que eu me matar, né? Se ele já tá ali, gosta de mim, então vou gastar o que é dele mesmo. Não vou mentir, não, sou interesseira.
Gente [riso], ela assumiu.
Mentira, mentira, mentira.
Obrigada.
Tudo bem? Qual que é a pauta mesmo?
A mulher que casa por in-por interesse, por dinheiro, não, a mulher que casa só por dinheiro, ela é interesseira. Você é, você é interesseira?
Eu sim, eu gostaria de ter um homem, sim, que realmente tenha dinheiro pra bancar, certo? Pra me cuidar, pra mim cuidar da, é, é, da minha beleza. Porque assim como existe mulher interesseira atrás de dinheiro, existe também muito homem interesseiro, que eu falo que é o quê? Que ele vai atrás de beleza, ele vai atrás da mulher, que ela é bem vestida, que ela é bem arrumada, entendeu?
E ele tá com ela por isso, tá?
Por interesse.
Então existe o interesse das duas partes aí.
Das duas partes, exatamente.
Ambos interesseiros.
Ambos interesseiros. Olha, é minha opinião. Sim, lógico. Tem muito homem aí pra você ver que tem 50 anos e ele sai desfilando com a novinha do lado dele. Não é interesse? Ele é interesseiro também.
Dos dois, né?
Dos dois.
E você concorda com isso?
Tanto da parte dele quanto da parte dela. Eu acho que a mulher também, ela tem que ser independente, minha opinião. Ela tem que correr atrás do dinheiro dela, não viver em prol. Mas se realmente, se ela encontrar um cara que diz que quer dar uma estabilidade de vida financeira pra ela, por que não?
Cara, eu vou-- posso contar uma história?
Pode.
Uma história. Tem uma, uma amiga minha, conhecida, e ela foi amante de um homem por muitos anos.
Sim.
30 anos. E e-ela-- ele pediu pra ela sair do trabalho, que não precisava mais trabalhar. Ele dava tudo pra ela, tudo. A pessoa-- ele-- e ele abria a mão, dava o cartão, ela podia gastar o que quisesse, pagou faculdade dos filhos, foi aquela vida muito boa. Chegou no momento, depois de 30 anos, ele simplesmente falou que não queria mais ser amante dela. Sabe como ela tá hoje?
Trabalhando de Uber. Trabalhando de Uber. Todo o dinheiro, todo o dinheiro que ela tinha era o cartão dele Então ela gastava e ele, e ele pagava, e hoje ela tá como Uber. Então é muito perigoso, a gente não sabe o dia de amanhã-
Exatamente.
Foca em garantir o seu.
Exatamente.
De verdade. Foca em garantir o seu.
Mas na minha opinião, como existe muitas mulheres que casam por interesse no bem material, existe muito homem também aí que casa por interesse-
Na beleza.
Às vezes nem casa, às vezes ele é interesseiro pela beleza dela. Porqueee assim, dizem que beleza não se põe na mesa, mas cê tem que andar com uma pessoa que, né, que, que, que deixe você-
É o troféu.
O troféu. Ele é o troféu de-- ela é o troféu dele e ele é o troféu dela. Ambas as partes. [aplausos] [risadas]
Olá.
Oi.
Eu discordo. Eu casei, é, por amor. Eu acho assim: gente, pelo amor de Deus, né? Que mundo que a gente tá?
Então.
É, o amor não existe mais, então?
O amor é raridade.
O a- o amor é um almoço, é uma janta? O amor é o dinheiro no bolso? Não, eu discordo plenamente.
Mas você casou por amor, mas eu ouvi aqui uma frase muito boa. Ela falou: "Mas amor não enche barriga".
Não enche barriga, mas você, se você ajudar o cara, você-
Cês não ouviram isso da mãe de vocês?
Já, a vida toda.
"Seja independente ou-
A vida toda.
casa com um homem rico".
Não, independente eu não digo. É lógico que é bom você ter uma pessoa que te ajude, uma pessoa que pague o jantar, que uma pessoa que... Mas se não existe amor, cara, é, casar só por interesse, eu acho que é uma coisa muito vazia.
Só por dinheiro.
Só por dinheiro. Então, assim, poxa, eu, eu casei, meu marido não tinha nada, era um Zé ninguém. Ele ganhava um salário mínimo na época, eu ganhava cinco, né? Então quem era a provedora na época, né? Na época. Só que isso inverteu com o tempo. Eu casei-
Cê se arrependeu em algum momento?
Nem um momento.
Do tipo: "Putz, poderia continuar".
Não, eu faria tudo de novo. Eu casaria hoje por amor.
Que bom!
Eu, eu amo, eu amo tudo, eu amo tudo em minha volta, eu amo criança, eu amo gente. Eu prefiro pensar que ainda existe gente honesta, existe gente boa. Eu só desacredito quando me provam o contrário. Aí a conversa muda. Mas eu sim, eu casaria por amor.
Muito bom. Se alguém quiser sentar. [aplausos] [risadas]
Maravilhosa. [risadas] É, não sei quem falou que amor não enche barriga, enche sim. Vivi de amor, engravidei cedo. [risadas]
Oxê, que isso? [risadas]
Eu sou a Valéria, tenho 37 anos, sou autônoma, trabalho com venda de roupas no momento. Decidi participar porque eu estou me ressignificando. Estou aberta pro novo e ouvir opiniões diferentes, coisas diferentes, é o que eu busco no momento. Nossa, tô segurando até hoje, 18 anos, graças a Deus vai entrar na faculdade, minha princesa. Mas assim, tudo tem que ter interesse. Se não tiver, vai ficar pra trás.
É, só por dinheiro, aí é, é difícil, né?
É.
Porque acho que é um conjunto.
Eu vou cuidar da roupa dele, vou cuidar dos filhos. O que cê vai me dar em troca? Não sou sua empregada, não sou Mulher Maravilha.
Então você-
É, tem que ter uma troca.
Sim.
O que que você vai me proporcionar?
É um interesse mútuo, né?
Ele não vai na minha porta fazer: "Vem aqui que hoje eu vou fazer unha pra você". Sobrancelha também não. Eu raspo meu cabelo por opção, mas as minhas leis estão em casa.
Hum.
A hora que eu quiser-
Cê coloca e-
Eu quero. Não interessa, pra deixar no guarda-roupa, eu quero. Porque se ele não fazer pra mim, ele vai fazer na rua. E a rua tira sem dó.
Então cê pensa assim: "Vou gastar todo o dinheiro dele pra não sobrar nada".
Pelada.
Pelada. [risadas]
Com a cueca rasgada. Se quiser, pode pegar. É. Mas os meus filhos têm que ter do bom e do melhor. Eu também, quando eu entrar numa loja, quando eu falar "eu quero", eu quero. Não quer uma mulher cheirosa, limpinha, né? Na hora lá do, do chá.
Exato, tem que tá cheirosa.
Aí, de graça? Tudo de graça, de empregada. Depois da minha primeira relação da minha filha, nada mais é de graça. Dinheiro na mão.
Calcinha no chão. [aplausos] [risadas] Imagina o seu marido assistindo isso.
Ele-- eu falo pra ele, ó-
Ele sabia-- ele sabe que cê veio aqui, o que que ele falou?
Eu falo pra ele que às vezes quando ele tiver muito nervoso, gente, ai, ó-
Vai, fala.
Posso contar tudo, né?
Pode.
Quando ele tá muito nervoso, eu falo: "Vou te dar seu calmante". [risadas] Eu vou falar uma, duas, três. Não, deu um tempo. Qual que é o calmante?
Opa! [risadas] Cada uma com a sua fé, né?
Gente-
Maravilhosa.
Minha filha vai me matar. Chifre, pau e água.
Toma.
É. Eles não pensam duas vezes. Kim Kardashian, chifruda. Beyoncé, tudo com cinturinha, não tem padrão, não tem cintura, não tem mulher magra, não tem mulher gorda.
Não, exato.
Homem não quer saber se tem cabelo, se não tem, se é magra, se é gorda, se é preta, se é azul, homem não quer saber. E aí quando chega a minha vez, eu não tô poupando ninguém. Eu tenho que me poupar. Não vou fazer isso porque pra mim não tá legal. Do contrário, eu vou ficar cantando música pra homem barbado, que não sabe tratar mulher? Eu não.
Ele não dá bom dia? Tem muita gente aí que tá dando bom dia.
Nossa!
É
Não vai levar uma flor pro, uma flor pra mulher? Um chocolate? Tem muita gente disposto a dar. Então assim, cê quer mulher? Você tem que cuidar, tem que bancar, mulher é luxo. Não quer? Vai ficar com homem. Até os homem tão querendo, né, uma academia, um milkshake, ninguém tá fazendo mais nada de graça-
Cê acha que o homem tem que bancar a mulher?
Tem! Até os homens hoje, ninguém tá fazendo mais nada de graça.
Até eles querem ser bancados, né, hoje.
Aí eu, eu sou plus size, sou, mas eu não sou qualquer uma. Eu sou a mulher troféu.
Maravilhosa. [aplausos]
Posso ir? Olha. [risos]
O seu marido vai assistir, olha só.
Ele vai te assistir-
Pois é
...já perdeu o Caixa Dois-
A, a sua, é, lá do Caixa Dois, né?
Agora você vai perder.
[música de tensão] O homem que banca mu-- a mulher que casa por dinheiro é interesseira.
Eu não quero casar com homem rico, eu quero casar que se ele ti-- um homem que se ele tiver R$5,00, ele vai comprar uma casquinha pra ele e pra mim, e ele vai pensar em mim, ainda que ele não tenha condições pra isso. O, o real não é o interesse, é o que o homem faz pela mulher, mesmo ele não tendo. O homem não precisa, é, ter milhões de reais, mas o pouco que ele tem, ele vai levar você ali pra comer um hot dog.
Isso-
Vem, vem, vem, vem.
Nós não somos burras, né? Nós somos mulheres maduras. Pensem comigo: "ai, porque eu não sou interesseira, porque eu amo". Gente, claro, você junta o útil ao agradável. Eu não vou pegar um capenga, uma coisa horrorosa, não. E outra, vocês falam tanto isso, né, que hoje os homens estão extremamente interesseiros. Eles chegam assim hoje em você: "cê tem carro? Cê mora sozinha?" Tô mentindo? Então assim-
Mas tem muitos, muitos.
Gente, pelo amor de Deus, mulheres, nós temos que ser espertas.
Por que cê acha que eles tão assim?
Porque eles tão mal acostumados, por culpa, acredito eu também, das mulheres. Entendeu? E é isso. Então, é o seguinte: homem tem que sustentar a gente sim, porque senão eles ficam bananão mesmo, é eles que têm que bancar, é eles-- nós somos caras, somos muito caras.
Mas ele pode bancar. O meu marido pode me bancar, mas eu ainda quero ter o meu dinheiro vindo da minha fonte.
Tá certo, você pode ter seu dinheiro-
Exato
...cê fica aí à vontade, linda. Eu não, eu quero ser toda sustentada, linda, maravilhosa, fazer minhas coisas, ter minha butique, meu negócio-
Ser esposa troféu, maravilhosa.
Sim, esposa troféu, linda e maravilhosa. Obrigada, era só isso que eu queria dizer. Beijo da...
É.
Ou você faz minha sobrancelha. [risos]
Sendo assim...
Meu nome é Daiane, eu tenho 38 anos, sou a esposa troféu, e eu decidi participar porque tem ainda muito tabu da mulher que escolhe ser troféu, escolhe ser bancada pelo marido. Natália, é, só uma réplica. Você tá perguntando à mulher se ela é interesseira.
Sim.
Mas cê é a favor da mulher casar com fudido?
Não, nunca.
Então-
Mas se é só casar por dinheiro, não é questão de ser fudido, não. É questão dele, dele ser só por isso, entende?
Não, mas só por isso, só por isso-
Tem muitas que casam
Tá, mas assim, hoje em dia amor nem tá vingando.
Ah, por quê? Claro que tá.
Não, porque assim, não, é muito difícil, porque é como você falou, a sua pauta o tempo todo foi: o medo da mulher é ser largada, o medo da mulher ser, é, dep-- viver depois dependendo do homem, tal. Então se a mulher já casa com esse medo, então ela já tem que arrumar um homem provedor pra ela ter alguma coisa.
Mas mesmo que ele seja provedor, o dinheiro não é dela.
Não, quando, como foi como eu falei, quando casa, é dos dois, então é dela sim. Mas só que daí quando a mulher ela vai casar com fudido, então ela tem que casar, sim, com interesse de alguma coisa, porque ela vai casar com fudido por amor?
É pra bancar, ele bancar ela, né?
É, é, é ela que vai bancar ele. [aplausos]
"A diferença entre uma esposa troféu e uma prostituta é o anel". [risos] Só ir.
Eu tô atrás de você, eu puxo seu cabelo.
Mulher, não pode puxar não, mulher. Olha, é um carro aqui, hein? [risos]
Eu quero saber por que que a diferença é essa de uma mulher prostituta com uma mulher troféu é só o anel.
Quando a gente fala essa frase, o sentido é: a mulher que é prostituta, ela serve com o tempo dela, prazer, corpo, beleza, tempo. E a esposa troféu também, nesse caso.
Sério? Não, pelo amor-
A esposa troféu, onde ele acha que ela é um troféu, que leva pra lá, desfila pra lá e pra cá. Ele controla, paga-
Ele controla?
...os gastos.
Não, eu não tenho problema de controlar os gastos, porque uma esposa troféu mesmo, o marido nem liga pro que ela gasta. Eu tenho-
Liga, sim.
Não liga.
Duvido que-- gente, impossível.
Não liga, não são todos.
Ele não pegar o cartão e falar: "que que é isso aqui nessa loja?"
Não são todos, eu te garanto.
Ah, não é possível.
Isso eu te garanto. Não, eu passo por isso, eu te garanto que não são todos que ligam pro que você gasta. Eu mesma tenho total liberdade de entrar no, no, na conta dele, ver o quanto entra, o quanto sai. E pe-- eu garanto pra você que é pelo contrário, quem controla o dinheiro sou eu, o dinheiro dele que ele ganha.
Mas o dinheiro que ele ganha.
Mas eu controlo.
Mas se ele ir embora?
Se ele ir embora, ele vai me pagar uma pensão, porque eu estou ali com ele.
Cê tem certeza?
Absoluta.
Quando eu me separei, eu fiquei sem pensão e ele falava que nunca ia deixar de cuidar.
Não, mas aí-
Acabou
...a justiça-
Enquanto tá junto-
A jus-a justiça-- e outra, tudo que ele, se ele for embora, tudo que nós construímos juntos, eu tenho direito, eu vou ficar com a metade. E aí daí eu ressurjo da fênix e vou viver minha vida. Mas enquanto eu tô com ele, a obrigação é dele.
É separação total de bens ou comunhão total?
Separação total de bens.
Separação total?
É.
Então cê não tem nada.
Não, comunhão to-- desculpa, comunhão total de bens. Eu tenho direito de tudo que é dele.
Mas, mas aí cê sabe que a comunhão, às vezes, tem casais que ficam juntos Não são mais felizes porque é comunhão total de bens. Não separa pra não ter que separar bem
Mas e qual-- não, eu vou ter a minha metade, qual o problema de eu começar do zero com o que eu fiquei? Tipo assim, sozinha-
Esse é o problema, entende?
Não, não tem problema nenhum, o importante é o feliz é agora. Por exemplo, a, a moça citou que o, o cara morreu, pode ser eu, pode ser ele. Então assim, o feliz é agora e agora eu quero viver isso. Não quer dizer que eu sou uma prostituta, porque ele não manda ni mim, porque eu faço minha academia, eu faço o que eu quero com o dinheiro dele.
Você se cuida?
Eu me cuido. O dinheiro dele, tudo que eu quero é com o dinheiro dele. Então ele tem a obrigação de me ter.
E você não sente vontade de ter o seu dinheiro?
Não, porque eu tenho total liberdade. O dinheiro dele é meu. Eu tenho-- eu entro na conta, são contas conjuntas, e eu gasto com o que eu quiser. Pelo contrário, eu garanto pra você que quem dá satisfação, que quem gasta é ele. Isso eu te garanto.
Você-- você já trabalhou fora?
Já trabalhei fora, eu sou comissária, sou formada comissária-
Onde?
Trabalhei como comissária durante um tempo e hoje eu não trabalho mais, mas foi porque eu quis. Eu tive filho, né, aos vinte e seis anos, e aí meu filho tem uma condições especiais, né? Ele também é uma criança atípica e eu optei cuidar dele. E aí depois eu tive outro filho na pandemia e eu fico em casa cuidando dos meus filhos e vivo a minha vida e faço tudo e ele não tem, é, acesso nem ao direito dele-- ao dinheiro dele direito.
Eu que tenho, isso eu te garanto.
E se você tiver que trabalhar hoje, começar a trabalhar, você tem total liberdade pra querer isso?
Total liberdade pra eu trabalhar, total liberdade de gasto, total liberdade de comprar o que eu quero. E se eu quiser sair ou viajar, eu viajo com amigas, eu faço o que eu quero. Eu não sou esposa troféu, não quer dizer que o cara manda ni mim.
É.
Quer dizer que ele me banca. É totalmente diferente.
Mas você tem liberdade.
Eu tenho total liberdade. Eu viajo com amigas, eu faço passeio, vou em eventos, teatro, viagens pra fora, pra onde eu quiser ir, e é com o dinheiro dele. E ele ainda tem que pagar alguém pra ficar com as criança [risos].
Tem que ensinar tudo mesmo.
É sério. Agora, pra você é muito mais fácil. Por exemplo, você começou do zero, eu não sei como você começou, que você hoje é uma empresária de sucesso. Só que você hoje é muito mais fácil com a mídia, você crescer e ter o seu dinheiro, porque hoje você é considerada uma rica famosa. É lógico que se eu tivesse uma, uma oportunidade de tá rica famosa que nem você, eu optaria por isso.
Ó-
Mas só que nem tudo é fácil.
Olha o desejo no fundo. Mas eu comecei do zero.
Não, cê começou do zero, tudo bem.
Eu não era nada disso, muito pelo contrário, eu tava devendo duzentos mil, nome no Serasa, carro com busca e apreensão, minha filha pequenininha-
Existia mídia nessa época?
Não.
Então é isso que eu tô te falando. Hoje com a mídia é tudo muito mais fácil. Você não era tão rica como você é hoje com a mídia.
Eu não era nada.
Então, com a mídia hoje tudo é mais fácil, você ficou mais fácil de você ficar rica. Eu tenho certeza que depois que você estourou na internet, no, no Instagram, como eu te conheço de lá, você ficou muito mais rica. Então pra você é muito mais fácil não desistir, é muito mais fácil falar, porque você também tem pessoas que trabalham ao seu redor pra você. A gente não tem.
Hoje sim.
Então, a gente não tem.
Mas você pode construir, porque do jeito que você falou, se tivesse a opção, eu iria.
E aí você comparar a mim, com uma mulher de boa índole, uma mulher honesta, uma mulher fiel, uma mulher que se dedica à família com uma prostituta, você tá totalmente rebaixando uma classe na qual nós escolhemos ser, porque uma prostituta, ela-- e ainda mais se ela é uma prostituta, é problema dela, ela tá trabalhando com o que é dela, é o corpo dela, ela tem o limite dela.
Sim, concordo.
Então assim-
Por isso que a gente fala que a diferença é uma aliança, não é ela.
Não é uma aliança, ela tá, ela, ela ali, ela tá trabalhando. Quem tá bancando ela, ela, ela tá fazendo um esforço de doar o corpo dela pra isso. Ela tá doando o corpo dela prum cara desconhecido que tá usando ela. Ele é meu marido, ele não é desconhecido. Ele tá, ele não tá me usando. Nós estamos num consensual de casal. É totalmente diferente de quem tá coisa...
Maioria.
Muito bom. Ó, obrigada.
Bom, pra mim prostituta são as mulheres que transam, ficam sem compromisso nenhum.
Certo.
Mesmo que não cobre. Essa, sim. Porque, é, o casamento é uma instituição por Deus. Ela não é, não é uma instituição falida, como muitos veem. Não é os divórcios da internet.
Na teoria, sim. Na teoria é isso mesmo, mas na prática é um-uma porcentagem muito pequena de pessoas que vivem assim.
E eu acredito que ninguém aqui casa pra separar. A gente não casa já pensando na reserva: "ai, meu marido vai me largar".
Mas tem gente que casa só pelo dinheiro. Muita gente.
Sim, mas não é a maioria.
Muitas.
Não é a maioria.
Aí que tá. Muitas, eu te falo com propriedade.
Se Deus me livre eu casar e me divorciar, eu já trabalho desde os meus dezesseis anos. Eu já carrego uma casa nas costas desde os meus dezesseis anos. A gente não nasceu-- a gente tem a capacidade de carregar o mundo nas costas, mas a gente não nasceu pra carregar o mundo nas costas. E esse é o papel de quem? Do homem. Então assim, a gente vai casar pra não confiar, pra achar que a gente vai ser abandonada?
Você não acha que é aquela coisa do papel do homem e da mulher? Nos dias de hoje eu entendo que a gente fala de homens bananas e tal.
Sim.
Mas não é um pouco injusto hoje? Porque eu já vi mulheres brilhantes se apagarem porque o marido era a estrela, o protagonista, e ela brilhante ficou simplesmente embaixo da asa. E chegou no momento que ela se arrependeu.
Mas o que é estar debaixo da asa? É que aqui a gente tá falando de homens ruins, homens tóxicos, mas um homem, é, da família tradicional brasileira, um homem cristão, ele vai te tratar igual uma rainha. Entendeu?
Será que é só porque ele é cristão? Quantos cristãos a gente não vê traindo, matando?
Mas isso não é o, o próprio do cristianismo, né, o que é pregado no cristianismo, entendeu?
Por isso que eu tô te falando que na teoria tudo é muito lindo. Tudo é lindo, inclusive ser uma esposa troféu na teoria é lindo. Né? Imagina, eu adoraria, assim, nossa, não tem nada, liberdade, tudo dinheiro, mas não é assim na realidade.
Por que que alguém vai casar pensando em separar?
Mas, porque tem gente que casa por interesse.
Pra ter uma reserva.
Tem homem que casa com a mulher porque ela é bonita e não trabalha, ele vai manipular.
Mas aí é a culpa da escolha ruim que a pessoa faz, entende?
Por isso. Sim, exato.
A gente tem que ser direcionada a casar com a pessoa certa. A gente tem que orar por isso, a gente tem que buscar por isso, a gente tem que, é, procurar os, os benefícios que aquela pessoa tem a longo prazo, né? Não é conhecer hoje, eu vou casar e a pessoa é boa e ponto. A gente tem que conhecer a fundo essa pessoa pra não ter o divórcio, porque o divórcio também é algo abominável aos olhos de Deus.
Então ninguém vai casar pensando em divorciar
Mas e quando divorciar, o que acontece?
Se divorciar, a gente tem a capacidade de correr atrás dos nossos próprios negócios, entendeu? A gente não vai ficar debaixo, é, por exemplo, acho que alguém falou de pensão. Eu não, eu não iria atrás de uma pensão, eu vou abrir meu negócio-
Foi o que eu fiz
...vou vender bolo na rua, eu vou fazer alguma coisa, entendeu?
Mas aí que tá, se eu tivesse feito a minha reserva antes, eu não teria passado tanta dificuldade quanto eu passei. E essa é a minha defesa.
É que você não pode definir relacionamen- todos os relacionamentos-
Não, não, também não tô definindo
...como um tóxico que você vive, entendeu?
Não, eu não tô. Não tô definindo, não tô. Hoje-
Agora o seu marido, você não confia nele? Você não acredita que cê vai passar o resto da vida com ele?
Com toda certeza absoluta, absoluta.
Se você, por, por exemplo, vos-- Deus me livre, você tem uma doença grave, você não pode mais trabalhar. Acabou o império Nat Beauty.
Não, acabou não.
E aí?
Não acabou não, acabou não.
Você não tem um homem-
Não, ele tem-
...maduro, um homem suficiente pra bancar você e cuidar de tudo?
Mas hoje ele é meu sócio, nos negócios e na vida.
E se não fosse? Ele não tinha caráter suficiente pra te bancar?
Com certeza, mas eu, eu não ia querer. Eu, pra mim ter que explicar o que eu faço ou o que eu gasto, ou o meu sonho pra alguém, é muito difícil.
Mas você não tem que explicar quando o homem é, é um bom homem.
Tem. Dependendo do seu investimento, não.
A gente, a gente nasce com a síndrome da guerreirinha já. A gente não nasceu pra ser guerreira, a gente nasceu pra ser amada.
Ah, eu nasci pra ser guerreira. Eu adoro ser guerreira.
A gente nasceu pra ser amada. É um peso que colocam nas nossas costas-
Não é peso, aí que tá
...ter que trabalhar, ter que cuidar de filho, ter que limpar a casa, ter que... É um peso.
Então, depende. Hoje eu tenho o meu trabalho e eu posso ter pessoas que me ajudam a cuidar dos meus filhos, mas antes eu não tinha. Eu fazia tudo isso, mas foi uma fase. Mas você não tem isso.
Você acha que você seria uma boa esposa, você tendo que trabalhar, cuidar dos filhos e limpar a casa?
Cara, por um tempo, sim, se fosse sim.
Mas depois não.
Não, porque aí eu ia construir exatamente-
Porque é algo além do que você pode suportar sendo mulher, o nosso emocional é... [som de interrupção]
A diferença entre uma mulher, uma esposa troféu e uma prostituta é só um anel.
Discordo.
Por quê?
Porque eu cansei de ser a Mulher Maravilha.
O que que é isso pra você?
Mulher Maravilha é ficar fazendo as coisas em casa enquanto o marido trabalha e não cobrar por isso.
Então cê tem um salário?
Claro.
Dele? [risos]
O que é meu...
Não, calma. Mas cê tem um salário.
Não, calma. O que é meu, é meu, o que é dele, é meu.
Mas vem por ele ou vem por você?
Ai, vem por ele.
Então.
Ele quer uma esposa cheirosa, uma boa mãe, unha, sobrancelha.
Mas ele também quer isso da prostituta.
Lá ele vai pagar, vai comer.
E com você também.
Vai-
Não, cê falou que ele te paga.
Ele vai comer em casa, só que ele vai cumprir com a obrigação dele de homem provedor. Ele optou em ter uma família, então ele tem que cuidar. Se ele achar que ele quer ir pra rua, ele vai prum lado, eu vou pro outro.
Mas aí o dinheiro, como é que cê faz pra ganhar?
Caixa dois. [risos]
Mas então, é, fala-- voltando no tema principal.
Caixa dois.
Porque imagina que muitas mulheres que vão assistir vivem relacionamentos completamente abusivos e do qual elas não saem por conta de dinheiro financeiro.
Caixa-
Então a ideia, justamente dessa pauta, é levar pra estas mulheres também essa consciência. Então é muito importante também o que vocês dizem.
Tá. Na minha opinião é caixa dois. O mercado é cinco. Vou gastar mil, vou gua-vou guardar quatro, vou gastar dois, eu vou guardar três.
Mas concorda que ter que ficar fazendo sempre essa matemática, não deveria ex-ser assim?
Depende do homem. Tem homem que não precisa. Tem homem que não precisa cantar música pra ele, que ele sabe da obrigação dele. Quando ele não souber, mulherada, é caixa dois.
Mas pra você ir no salão, comprar roupa, você tem que pedir pra ele?
Não.
Você não precisa justificar.
Ele sabe da obrigação dele, ele sabe muito bem a mulher que ele tem.
Então você vai, gasta o cartão e fala: "ó".
Exatamente.
"Fiz isso, fiz aquilo", não precisa.
Eu já fui e já voltei.
Você já trabalhou fora, cê falou?
Já.
O que que cê fazia?
Eu tinha uma mar-marmitaria.
Ah, é?
É.
E aí você encerrou?
E aí eu cansei. Eu falei: "eu vou cuidar de mim". Ninguém constrói um império sozinho.
Não.
A união faz a força, uma mão lava a outra.
Com certeza.
Ele vai trabalhar, eu vou cuidar dos meus filhos, vou me cuidar e vou cuidar do dinheiro dele também.
E se, e se ele for embora?
Aí se ele for embora, eu tenho caixa dois.
Mas pr-pra trabalhar-
Vou colocar-
...mas caixa dois é suficiente pra quanto tempo, por exemplo, de sobrevivência, entende?
Pra começar, ééé, abrir o meu negócio, empreender. Se for vendendo sutiã, Mary Kay, pastel na feira, a gente é mulher-
O corpo. [risos]
O corpo. A gente é mulher suficiente pra-- eu sei, a ma-a mãe, a mulher que eu sou, pra arregaçar as mangas. Se acontecer isso, eu tenho ciência. Enquanto não acontece, a minha escolha hoje é cuidar de mim e cuidar da minha família.
E quantos filhos você tem?
Dois.
Dois?
Dois.
Foi mãe com quantos anos? Cê falou que casou muito nova, com 15, né?
Não, eu não.
Cê casou com 15? Não, foi a-
Foi ela
...foi ela, foi ela, foi ela.
Foi ela.
Gente, você-
Eu com 18.
Nova também. Teve-- foi mãe com 18?
Do primeiro relacionamento, comi o pão que o diabo amassou. No segundo eu falei: "chega, agora quem usa sou eu".
Cê já viveu um relacionamento a, é, abusivo, de-
É, de mesquinhagem.
Como que era? Só porque às vezes-
"Vamo no cinema? Eu tenho 20".
...tem gente que vive e não sabe o que é.
"Então ninguém vai". [risos] "Cê tem 20 e eu não tenho? Então ninguém vai". Então no segundo-
Mas como que era o primeiro relacionamento? Cê pode falar dele ou pra você é ruim? Porque-
Ele não tinha praticamente nem pra ele. Mas eu era muito nova, eu tava com 17 anos, sabe? Não queria-- eu não via a hora de fazer 18.
Mas cê casou com ele, casou? Morou junto.
Foi, foi, foi isso, né? Engravidei e, e aí eu falei: "depois desse", eu falei: "eu não quero isso mais pra minha vida. Agora quem usa sou eu".
Você aprendeu na dor ali.
Na dor. Eu uso a minha dor até hoje. Me quer? Vai me servir. Não quer? Porta da rua, serventia da casa.
Gente, essa mulherada tá muito assim, resolvida. [aplausos] É. "Quem vive do dinheiro do outro, vive com medo." [vinheta]
Oi, Natália.
Oi, qual que é seu nome?
Isadora. Primeiramente, eu admiro muito o seu trabalho, acho incrível tudo que você faz, mas nesse momento, como esposa troféu, porque eu tive um bebê. Então eu sempre trabalhei, tenho disposição amanhã se eu quiser trabalhar, mas a minha opção nesse momento foi dar amor e cuidar da minha filha, da minha bebezinha. Então eu quero que você entenda que eu não tenho, não deixo de fazer as coisas por conta, é, porque ele me impede.
Não, porque eu não quero, porque eu quero dar prioridade pelo cuidado dela. Talvez lá na frente, quem sabe fazer um curso da Natália Beauty, [riso] se especializar, mas, é, ai, pode falar-
Mas ó, a pauta, vamo falar da pauta.
Tá.
E quando a gente for pensar na pauta, talvez você tenha uma realidade diferente, mas vamo pensar no Brasil.
Claro.
Tá? Quem vive do dinheiro do outro, vive com medo. Você concorda com isso?
Como que eu vou ter medo, Natália, se hoje eu vivo o que eu quero? Porque eu sempre tive medo de nunca poder cuidar da minha filha, porque eu nunca tive minha mãe, porque minha mãe trabalhava fora. Eu tive uma mãe que trabalhava como professora, diretora, que eu nunca tive o cuidado dela desde quando eu era bebê, porque ela trabalhava por mim, porque ela não tinha um esposo, eu nunca tive pai presente, então é muito difícil.
Então quando-- eu tenho 25 anos. Então quando eu cresci-
Muito nova.
Eu tive filha agora, tem nove meses. Mas quando eu cresci, meu maior sonho era poder cuidar da minha filha, por talvez não ter tido esse amor materno da minha mãe, não ter tido esse cuidado, não ter tido essa dedicação.
Eu entendo.
Então não é medo de perder dinheiro-
Eu entendo
...não é medo de perder nada, é medo de não poder amar.
Que tem o medo também.
É, o meu medo é de não poder amar ela. Então agora eu tô esperando, eu sei que ela vai crescer-
Você acha que isso daí também não é uma justificativa pra você não trabalhar?
Eu amo trabalhar, Natália. Eu, eu já fui streamer, eu adoro TikTok, eu adoro fazer live, eu adoro conversar, mas nesse momento eu não consigo, por opção, porque eu prefiro dar todo o meu amor, toda a minha disponibilidade, todo o meu cuidado-
Mas agora falando da frase assim.
Sim.
E pensa n-nas mulheres.
Sim.
Quando a gente vive com o dinheiro do outro, a gente vive com medo?
Então tá bom, gente. Acho que todo mundo discordou de mim. [riso]
Tudo bem?
Tudo bem, gatinha. Eu discordo com-
Por quê?
...com você. Por quê? Porque nós sabemos que quando a gente casa, quando o homem casa, ele tem que saber e ele sabe que ele é o provedor. Pra gente entrar no relacionamento, nós temos que saber aonde nós vamos entrar, com quem vamos passar o resto da nossa vida, até que a morte separe. Você, eu percebi que cê tem trauma do primeiro relacionamento, e eu não sei se você parou pra se perguntar ou perguntar pras suas filhas se o tempo que você dá pra elas é devido.
Eu pergunto pra minha de 11 o tempo todo.
Mas será que ela é sincera? Será que você já começou a observar, observar, é, nela, nas atitudes? Porque às vezes tem coisas que passa despercebido.
Mas passa des-- mas-
Passa despercebido
...hoje a gente vê mães que às vezes tão em casa mais estressadas, mais irritadas, passam o dia no celular, justamente pelos afazeres de casa-
Eu discordo porque eu sou do lar, eu cuido da minha casa, eu administro o dinheiro do meu esposo, ele é o provedor e ele mesmo sempre diz pra mim que ele é o provedor e eu tenho tudo que eu preciso. Eu entro na conta dele se eu preciso de um dinheiro pra alguma coisa.
Mas cê tem medo de gastar? Porque 78% das mulheres, é um dado, 78 é muita coisa.
São, mas por quê?
Tem ansiedade de gastar o dinheiro, não de gastar, mas fica ansiosa por gastar o dinheiro do marido.
Porque a mídia impulsiona a gastar desnecessariamente.
Ah, não.
A mídia faz isso. A mídia, a modernidade-
Não, é uma escolha, ninguém obriga a pessoa a gastar.
Mas influencia. Influencia, a mídia começa a lançar dados, que é uma estatística que tá aí, pode pesquisar, que coloca, se você entra no seu celular pra fazer qualquer coisa, até pra entrar no aplicativo do banco, tá sendo bombardeado com alguma coisa pra comprar. Então se a gente tiver medo, a gente nunca vai viver com ninguém. Então nós vamos entrar no casamento, no relacionamento, sabendo que é uma vida a dois, é pra vida toda.
O homem vai entrar ali, ele sabe que ele é o provedor, que ele tem que trazer o sustento pra família.
É, mas o medo não é o do marido, eu tô falando o medo dele ir embora, de acontecer alguma coisa.
Não.
De gastar.
Não. Como a, as, as meninas falaram, você sempre vai ter que fazer o seu pé de meia, não pensando que o homem vai embora, mas pensando numa necessidade futura. Se você for pensar de não ter dinheiro, você vai ter que pensar, se preocupar com a crise econômica, né, com as guerras. Então, tudo na nossa vida é uma incógnita. Você tem que pensar daqui pra frente. Então se você vai pensar daqui pra frente o que vai acontecer, você nunca vai viver, você vai viver assustada.
Se você consegue tá administrando a sua casa, o, o, as suas coisas, seus filhos, é, cuidar do seu lar, cuidar do seu esposo, dar atenção, por que que meu esposo ele vai ter interesse em sair de casa? Porque tudo que ele tem, eu vou dar pra ele, eu vou suprir como uma esposa, como a mulher do lar. E ele vai simplesmente sair e trabalhar, porque ele é o provedor, ele sabe disso, ele tem que amar
A esposa, o meu esposo ele me ama. Quem casa, as esposas querem ser amada. O homem ele tá ali pra amar, cuidar da esposa, sair e prover. E as mulheres tá ali cuidando do seu lar, dos seus filhos.
A pauta é: quem vive com o dinheiro do outro, vive com medo.
Vive com medo.
Então, ééé, não questionando a amiga, mas o que eu tô vendo aqui, o que acontece? Muitas mulheres maquinadas, entendeu? Muitas mulheres maquinadas em um casamento-
O que que é uma mulher maquinada?
Maquinada, tipo, fui construída pra isso.
Tá.
Pra casar, constituir família-
E desde pequena, né, a gente é formada-
É, pra casar, constituir família, que aquele relacionamento, ééé dentro, né, da-da, da, do cristianismo como a outra, a, a nossa outra amiga falou, é, juntos para sempre, da- até que a, até que a morte nos separe.
Sim, sim.
Beleza. Mas o que acontece? Então levando essa questão e tipo colocando o homem aí no ca-- na, na, é, como um provedor, ééé, mas, é-é-é, eu tô vendo assim tipo, como que eu posso explicar? Ééé, um campo fechado, entendeu? Casei, então esse homem ele é o melhor-
E estabilidade não existe.
Exatamente.
Não existe.
As coisas-- tudo pode acontecer.
Sim.
Entendeu? E a gente não conhece a pessoa vivendo, vivendo, hã, ah, vou casar com ele porque eu conheço ele integralmente. Não, porque pra mim a convivência ela vai aí a questão do tempo, né? Então existe sim a questão do medo.
Medo da pessoa ir embora, dela morrer-
Exato. Tem, vai existir o medo
...de-de ela não voltar mais, dela-
Exatamente, vai existir o medo.
Trocar.
Por mais que eu seja uma mulher que cuide da minha casa, cuide dos meus filhos, não para o meu marido, tô ali sempre, ele me banca-
Inclusive falência, né?
Exatamente.
Pode acontecer a falência.
Ele banca, ele faz tudo ali o que eu gosto, o que eu preciso, eu me dedico a ele, mas no fundinho, tanto o medo meu, eu tenho esse medo, como ele também pode ter o medo de me perder, porque eu sou o troféu dele. Eu sou o troféu dele, eu acabo sendo o troféu dele, por quê? Porque de repente ele, é, a, se ele passar a pensar: "Nossa, se eu largar essa pessoa, será que eu vou arrumar uma outra pessoa que me trate dessa forma?"
Porque às vezes o homem ele procura o quê? O que-- não é que ele procura, mas dentro desse relacionamento, ele procura, vamos dizer que procura uma estabilidade.
Sim.
Aqui eu estou instável.
Sim.
Ela tá, né?
Mas quando a gente olha pra maioria das mulheres...
Mas quando a gente acaba olhando pra maioria das mulheres, acredito que, entendeu?
O medo.
Dá aí uma, entra aí numa contradição, né? O medo ele vai existir de qualquer forma, porque tipo, tudo pode acontecer.
Tudo.
Mas aí eu uso a minha vida como base, entendeu? Que nem eu perdi o meu marido. Ah, ele me, já recebi lá tudo que eu tinha pra receber, mas e aí, Érica, que que acontece depois disso? Opa, não, agora eu vou procurar um outro homem perfeito que me fazia... Posso até procurar, mas vamos e comemos, eu tô com 50 anos, é melhor eu viver com o que eu tenho lá e procurar fazer uma outra coisa, viver uma outra realidade, porque troféu é troféu, né?
Sim, mas, mas no caso do medo...
E o medo, o medo ele entra, porque tipo, é uma coisa que, sei lá-
A gente tem medo.
O medo... É a questão mesmo que tipo eu não conse-- eu-eu-eu entendo o-o-o-o casamento como ali um relacionamento perfeito e tudo mais, mas eu acredito que a mulher, por mais que ela esteja em casa, aquela coisa toda, o medo ele sempre vai bater, pelo fato de que, tipo, tudo pode acontecer.
O tempo todo, né?
É, o tempo todo.
Boa.
Boa tarde.
Bom, enfim, eu não concordo com essa pauta, porque eu sou divorciada. Meu marido foi embora com uma prostituta.
[reação de surpresa]
Depois de 30 anos de casada, e hoje eu sou pensionista dele.
Mais nova, não?
Sim, 20 anos mais nova.
Sabia que é uma média? Tem-
É estatística
...a mulher que ela é dependente financeiramente-
Pois é
...depois dos 40, ela tem mai-- três vezes mais chance de ser trocada por uma mais nova, das que dependem.
Com certeza.
Isso é dado, não sou eu que tô falando, é um dado e é muito preocupante.
E enfim, hããã, eu era aquela esposa troféu, né? Trabalhava em casa, eu trabalhei desde os três anos de idade, tenho dois filhos, um de 31 e um de 26. Construí uma família. Não tinha o caixa dois, né? Porque eu confiava nele cegamente, como muitas aqui dizem que o marido é tudo em casa, que ela cuida do financeiro, que ela cuida. Então é assim, a gente realmente-
Você cuidava do financeiro?
Sim, eu cuidava-
Tinha todo controle
...a gente tinha uma empresa em comum juntos. Eu trabalhava fora, abri uma empresa com ele, nós éramos sócios dessa empresa, essa empresa existe até hoje. Meus dois filhos, graças a Deus, são formados, um em engenharia, o outro é advogado, mas eles abriram mão dos seus trabalhos, dos seus cargos, pra cuidar da empresa hoje. Hoje eles trabalham nessa empresa.
E hoje você tem qual renda?
Hoje eu tenho a pensão dele.
Hum.
Então eu não tenho medo hoje de gastar o dinheiro dele, que eu tive medo, sim, por 30 anos, porque era um dinheiro em comum, mas eu tinha medo por quê?
Tinha que justificar tudo.
Não é o medo de gastar o dinheiro que é dele. Era um medo de faltar amanhã o dinheiro. Era um medo de não ter uma comida pra prover pros meus filhos na mesa, se a empresa não desse certo, se eu fosse demitida, se eu tivesse que cuidar da minha família. Então veja bem, é um medo diferente. Hã, o que que mudou depois do divórcio eu não ter mais medo?
Meus filhos estão criados, estão encaminhados, trabalham pra eles. Todo o dinheiro que eu não gastei durante 30 anos, que eu economizei pra ele gastar com outra, hoje eu gasto esse dinheiro sem o menor medo de ser feliz.
E cê sabe que esse medo da dependência, ele nem é consciente, né? As pessoas não, não s- não sabem que têm medo.
É Mas ho-hoje, hoje eu até gosto de ser dependente dele, e bastante
Porque hoje você tem lá aquele valor que vai entrar, mas se ele falir?
É, meus filhos tão trabalhando na empresa, eu me garanti pra que isso não aconteça-
Né?
Né? Eu fui, eu fui-- eu continuei sendo a mulher provedora e a mulher, a, a-- porque a mulher inteligente ela edifica o homem, né? Eu edifiquei meu homem durante 30 anos. Só que por algum motivo, eu errei em alguma parte.
Não é você que errou, aí tá-
Ah, mas às vezes sim, por que que a gente tem que botar toda a culpa no pro-
Por que que cê tá assumindo essa culpa?
No, no parceiro?
Não.
Às vezes pode ser que tenha acontecido-
É meio a meio, tu, sempre, sempre
É, então. E aí eu continuei edificando não o homem.
[música de suspense]
Medo do quê, se o dinheiro é dos dois?
Mas aí que tá, o medo do divórcio, da falência, do ób-- de, de, do óbito sem aviso prévio.
Não, usar-- o medo de usar o dinheiro do outro, o outro estando vivo. A gente tá falando de mortos.
Não, mas viver do dinheiro do outro.
Tipo, eu vou ter medo de, por exemplo, entrar numa conta que é nossa, individual, conta corrente, é, conjunta, na verdade.
Não é um medo só de gastar, porque a mulher quando ela não tem a renda própria, ou seja, ela não gera o dinheiro, tá? Ela tem medo-
Mas de alguma forma ela tá gerando, porque ela é dona de casa.
Não, mas esse discurso não cabe mais, porque ela não tá gerando-
É que parece, por s-
Ela tem a ilusão de que tem dinheiro
Por ser dona de casa, por ser dona de casa e cuidar dos filhos, a pessoa não é útil?
Não, então, aí que tá-
Só é útil se eu sair pra trabalhar
Não, ela é muito útil, é útil, e tem mulheres incríveis, mas essas mulheres elas têm consciência de que elas não podem gastar o que elas querem, que elas têm medo do dinheiro faltar e elas não conseguirem cuidar dos filhos delas. Então existe um medo quando a gente vive do dinheiro do outro, e não é o seu dinheiro que vem pra você.
Se o dinheiro é dos dois-
Não é dos dois
É responsabilidade da mulher também guardar aquele dinheiro e cuidar daquele dinheiro.
Mas, na verdade, não é dos dois, né, é uma ilusão.
É sim, se o, se o próprio homem, se eu, se eu me caso com um provedor, o próprio homem fala: "É, o dinheiro é dos dois, o dinheiro não é nem só meu, nem só seu, é dos dois". É dos dois.
Mas e se ele for embora?
O homem também decide isso.
E se ele for embora? Aí que tá.
É igual eu falei na outra pauta, a gente tem a capacidade de sair pra trabalhar e pra conquistar o nosso.
E cê não tem medo de acabar o dinheiro, de faltar?
Não, já faltou tanto pra mim. É, com 16 anos eu comecei no mercado de trabalho. A minha avó faleceu quando eu tinha 18. Eu e a minha mãe, a gente foi expulsa de ca-- da casa da família. A gente se mudou, é, en-então a gente tinha que pagar tre-R$300 pra continuar na casa. Eu não tinha condições. Eu consegui um emprego, é, eu me mudei com a minha mãe sem fogão, sem guarda-roupa, sem nada, com as roupas todas emboloradas.
Mas quando a gente olha pra pauta, você não concorda? Mas sem olhar só pro seu ponto de vista na sua casa. Quando você olha pra mulher, você já teve, conheceu alguma mulher que tem medo por não ter o próprio dinheiro?
Não, porque eu não, eu não tenho essa visão de casamento falido, porque eu não conheci casamentos falidos.
Nenhum?
Eu estou vendo a parte boa do, do casamento.
Nenhum casamento perto de você faliu?
Existem, existem vários falidos no, no mundo. À minha volta eu vi muitos saudáveis.
Que a mulher não sai porque ela não tem como se bancar e cuidar dos filhos.
Será que essa mulher não tá lutando pra, por uma melhora?
Então, mas lutando até quando, entende? Até quando chegar e não ter mais o que fazer?
O amor é uma escolha, as pessoas desistem, as pessoas dizem: "na primeira crise, vou divorciar".
Não, não é a primeira crise. Tem muitas mulheres que aguentam muito tempo e não saem. A minha mãe tá há 53 anos casada, ela não vai separar nunca mais, mas se há 20 anos ela pudesse ter ido embora, ela teria ido com toda certeza. Então quantas mulheres-
Por que que ela não podia? Por que que ela não podia?
Cinco filhos, ela estudou até a quarta série, não sabia escrever, nem falar, não tem internet.
Tem gente que sai no meio da rua pra pedir, é, ajuda dos outros.
Sim, mas ela com cinco, com cinco no braço. Mas não dava. Não dava, coitada, não dava. É diferente. E por ver isso, que eu trago tudo, toda essa questão pra cá, pra vocês. Então quantas mulheres hoje, eu conheço muitas que estão em casamentos falidos, mas que ela não vai embora porque existe um acordo financeiro. Quando o dinheiro é dele, a palavra final também é.
[música de suspense]
Bom, Nath, primeiro é porque aqui tá se estabelecendo esse ponto de que o dinheiro é dele. E aqui tem 26 mulheres que não consideram dessa forma, né?
Então.
Por isso que a gente tá aqui pra defender essa pauta. Então pra mim o dinheiro não é dele, eu me sinto tão merecedora de cada centavo-
Sim, sim
...do salário dele-
Então vou reformular a pauta
...que cai naquela conta quanto ele.
Eu vou reformular a pauta.
Porque ele só tá onde ele tá, porque ele tem uma mulher-
Com certeza
...ao lado dele que ajuda ele. Ele pode trabalhar-
Mas se não fosse você, ia ser outra, é o que eu tô querendo dizer
Tranquilamente. Não, nem sempre.
Seria, seria.
Se-- não são todas as mulheres que têm essa capacidade.
Mas vem achar uma, eu tô falando do-- eu tô falando assim ó: quando o dinheiro é feito por ele, na maioria dos casos, ou quase sempre, a palavra final também é. Vocês vão comprar alguma coisa muito cara que cê tem muita vontade. Ele acaba te convencendo que não, se ele não quiser. E é um dado, ó-
No relacionamento, assim-
Ó, vamo lá. Dado é dado, 74% dos casamentos onde só o homem tem o dinheiro e trabalha pra ter o dinheiro, olha só, ele tem o poder de veto sobre decisões, ou seja, ele pode falar que não quer e a gente tem que acatar, incluindo gastos da esposa com ela mesma, e é um dado super recente.
Então eu acho que eu faço parte desses 26% que não funciona dessa forma, porque na minha casa vai ter uma compra, a gente senta juntos, a gente discute, nenhuma decisão é tomada sozinha, nem ele decide sozinho, nem eu decido sozinha quando as coisas são relevantes. É claro, "ah, eu vou comprar uma roupinha pro meu filho", eu não vou perguntar pra ele, mas eu vou comprar uma geladeira nova A gente vai sentar e vai conversar.
Ele vai comprar uma televisão nova-
De quem é a palavra final?
A gente vai s-- dos dois, é um consenso, né? É um-- a gente senta, conversa e analisa. Tem coisas que eu vou saber melhor do que ele, tem coisas que ele vai saber melhor do que eu. Ele é engenheiro, então pra coisas de tecnologia, tal, ele vai saber melhor se a gente precisa ou não comprar.
Então, sei lá-
Eu vou saber mais de coisas da casa, vou saber mais da-daquilo que é da minha área. Eu, eu que vou falar pra ele: "lindo, vamo no shopping, as criança, o tênis tá pequeno, a gente precisa comprar". Ele vai falar: "não, essa decisão é minha".
É, e quando a gente olha pras mulheres que vivem isso, quando o dinheiro é dele, elas-- a palavra final também é. Você conhece pessoas assim, mulheres assim, que passam por isso?
Eu não vejo não.
Nenhuma? Não é possível.
[risos] Sei, deve ter, né? Com certeza deve ter.
Muitas, muitas, muitas.
Mas eu não tô falando-
E aí imagina você, o seu sonho, você ter que depender de alguém pra falar-- é tipo um semáforo, a pessoa dá o verde, ela aprova o teu sonho, dá vermelho, porque não é o momento na cabeça dele, simplesmente você não vive o seu sonho. A maioria das mulheres vivem isso.
Sim.
A maioria.
É, eu-
Eu trabalho com milhares de mulheres, eu vejo muito isso.
Eu realmente não faço parte-
E muitas que nem têm a consciência que, que, que são assim
...dessa maioria. É.
É, a gente decide juntos, juntos enquanto ele concorda.
Meu nome é Margareth, sou casada há 35 anos, né? Tenho três filhos, quatro netos.
Legal.
E o meu marido é assim, toda vez de, que nem você falou aí, a palavra final é dele. Era dele mesmo, eu nunca [risos] eu nunca bati de frente pra falar: "ó"... Eu só falo: "ó, quero uma geladeira, quero um fogão". Ele compra.
No tempo dele.
Eu não tô-- eu não quero saber o valor, tipo, ah, ele gostou do fogão, eu gostei também. A geladeira, gostei também.
Mas você tem toda hora que ficar vendendo os seus desejos pra ele.
Isso, eu falo: "ó, preciso de um fogão. Ó, vamo comprar uma geladeira nova? Vamo reformar não sei o quê?" Ele fala: "vamo". Então ele vai lá e ele compra, tipo, ah, eu não quero saber o valor, porque ele sabe do bolso dele.
Ele sabe o quanto sai, né?
Isso, então eu nunca impus pra falar: "ó, eu quero-"
Mas a palavra final é dele.
É dele.
Mas, mas pra você isso não é um problema?
Não, não é problema.
Nada?
Nunca foi um problema, nunca foi.
Você nunca deixou de viver algo que você queria muito?
Então agora, aí passou anos, meus filhos cresceram.
Certo.
E eu me senti aquela coisa sufocada dentro de casa, sabe a mulher do lar?
Sim.
Cuidando de casa, cuidando de filho. Aí chegou um tempo que eu falei: "caramba, dá impressão que cê tá envelhecendo", sabe? Que você não se cuida de verdade. Aí eu fui fazer um curso de atriz, hoje sou atriz de teatro, né?
Que legal.
Tô há 15 anos em cartaz. Trabalho de fim de semana, trabalho de segurança e tô vivendo minha vida agora.
E tá ganhando a sua renda e decidindo por você.
Isso, meu dinheiro. Então quando eu quero alguma coisa pra mim, eu compro com o meu dinheiro.
Maravilhoso.
Né? Então, por isso que a gente vive bem até hoje, porque ele faz o que ele quer lá com o dinheiro dele, eu faço o que eu quero com o meu dinheiro.
Então você é uma esposa que não é troféu, é parceira.
Sou parceira.
Pô, obrigada.
É isso. [risos]
Sucesso.
Vão levantar a mãozinha não, pra eu sair da mesa? [risos] Eu quero sair, fala. [risos]
Que legal.
Maravilhosa você, viu?
Obrigada.
Esses dente branco, ó, parece dente de coelho, né? [risos]
Gente-
O narizinho dela, parece o, o narizinho do Ken. Não parece o narizinho do Ken lá da Barbie?
Ai, meu Deus do céu!
É uma boneca linda. [risos]
Maravilhosa, obrigada, viu?
De nada, tá?
Sucesso pra você.
A gente queria fazer um barraco com você aqui, mas não dá. Tão linda. O que que eu ia fazer puxando o narizinho dela? [risos]
Quando o dinheiro é dele, a palavra final também é.
Eu discordo completamente. Lá em casa, quem dá a última palavra, quem vai comprar as coisas, sou eu. Até porque quem administra o dinheiro dele, sou eu. Nós temos uma conta conjunta, então eu vejo as necessidades e eu só comunico a ele: "amor, tá precisando de tal coisa". Inclusive, em novembro eu troquei a geladeira, né, eu queria uma nova, melhor, aquelas cyber chique. Então eu falei: "amor, pesquisei, tá entrando na black, eu vou comprar a geladeira".
Ele: "tá bom, amor, cê que sabe".
Mas a palavra final foi dele.
Não.
"Tá bom, amor".
Tá bom, amor, porque-- tá bom, amor, porque ele disse-- não, tá bom, amor, pera aí, gente, tá bom, amor, porque ele disse: "neguinha, o que você escolher pra mim tá perfeito".
Mas cê tem que confirmar com ele.
Não, não tenho que confirmar.
É querendo ou não, a, a, a palavra final é dele.
Não tem. Até numa empresa-
Cê vai falar que não, mas eu sei que é
...até numa empresa, querendo ou não, você precisa de alguém pra tomar determinadas decisões. Na sua empresa, você não vai fazer tudo como você quer.
É.
Você vai pre-precisa de você ter alguém ali do seu lado auxiliando. É tá-- é um auxiliadora, é concordância. Porém, a última palavra é a minha. Mesmo que ele dissesse que não iria comprar, eu sei das necessidades de dentro de casa, até porque eu estou ali mais tempo dentro de casa do que ele. Então eu sei o que realmente precisa de dentro de casa. Então-
E se ele falar que não?
Não tem como ele não falar co-- é, que não, porque-
Ele já falou que não pra alguma coisa?
Não, difícil, ele nunca falou não, porque eu sempre vou argumentar com ele-
Mas aí vamo lá
...e vou explicar.
Quando você me fala que ele nunca falou não, você dosa um pouco os seus desejos?
Não.
De compra, de consumo?
Não, eu sou muito gastadeira. Sou muito gastadeira, gosto muito. Sou consumista, não tem como. A mídia começa a bombardear e a gente não tem como dizer não. Mas assim, é, brincadeiras à partes, no que diz respeito das coisas de dentro de casa, nós-- eu mesmo tenho meu cronograma, eu tenho lá minha planilha do que vai precisar, do que não vai precisar, o orçamento da casa, o que eu vou comprar E não tem como a gente chegar no mercado e comprar só aquilo que tá na lista, sempre vamos comprar a mais.
Por mais que a gente tenha um eletro bom, nós sempre vai querer trocar, né? As mulheres aqui que sabem. Então-
Mas ele tem que concordar de alguma forma.
Não, ele vai ver. Tem coisas que ele vai ver-
Uhum
...em casa e vai olhar: "nossa, amor, que lindo". E às vezes nem vai, é, ter essa percepção de perceber que comprou, né? Até porque homem não tem muita percepção do que comprou. Se não for algo muito grande, não tem como ele ver. Às vezes passa até despercebido. Por isso que nós, mulheres, temos que tá ali auxiliando, organizando, olhando as finanças. No meu caso, eu consigo controlar o dinheiro.
Ele mesmo diz: "meu amor, se não for você, eu gasto o dinheiro". E ele é pior do que eu pra gastar. Então eu que controlo o dinheiro. Quando fala que a última palavra é do homem, depende das mulheres, depende das pessoas, depende do relacionamento, porque se for um relacionamento em concordância, que o homem ele entende o papel da mulher, ele entende que a mulher dentro de casa ela tem mais visão do que está faltando, qual é a necessidade tanto das crianças, como de um eletro, como de um, de uma pintura da casa.
Ela falou que o marido dela é engenheiro, ele entende mais da área de engenharia.
Sim.
Só que nós mulheres também. É um ditado que diz: "de médico e louco, todo mundo tem um pouco", mas nós mulheres nos sobressaímos. Não que nós vamos tomar o lugar do homem, cada um no seu papel, cada um no seu lugar. Porém, a mulher ela tem mais percepção, a mulher é mais visionária, a mulher consegue perceber ao, é, ao seu redor o que tá precisando-
Tá, mas uma coisa é perceber, outra coisa é ela usar o dinheiro.
E, e a-- e usar. Mas quando a mulher ela tem o controle total junto com o esposo ali no dinheiro dele e dela, porque é dos dois, porque ele sai pra trabalhar, só que ele sai pra trabalhar pra trazer o sustento da família. Ele, a mulher, os filhos, é uma família. Então ele já sabe que a mulher ela vai ali saber administrar, vai saber sentar ali com ele só pra: "amor, as contas tá aqui, água, luz, telefone, internet, faculdade, curso das crianças, futebol, já tirei, já paguei" e tá ali o dinheirinho.
Se ele quiser ver, ele vai ver lá no aplicativo do banco o que entrou, o que saiu, vai ter lá. Só que ele sabe, o meu esposo ele confia em mim, ele sabe a esposa que ele casou. Por isso que eu digo, se tem mulheres que às vezes têm dificuldade no relacionamento, é porque às vezes as escolhas foram mal. Às vezes se precipitaram-
O que que ela faz se ela não tem o dinheiro pra sair?
Se ela não tem o dinheiro, é porque ela casou com a pessoa errada. Porém, se ela casou com um homem que entende, que percebe que ele sai pra trabalhar e a esposa está em casa cuidando das coisas deles, tá cuidando ali das crianças, da casa, tá organizando, tá fazendo com que o lar prazeroso quando ele chegar estressado do trabalho, porque trabalhar fora-
Não, mas aí já tá fugindo muito.
É estressante. Não.
A decisão final.
A decisão final, como eu tô falando, a decisão final é sempre minha. Sempre minha.
Eu não acredito.
Pois vamos lá em casa.
Eu não acredito.
Vamos lá em casa. Eu ligo agora pro meu esposo-
Eu não acredito.
E ele vai falar com você.
Ele vai falar que sim, mas eu não acredito.
Não, ele vai falar-- pois vai, passa uns dias lá em casa que você vai ver. Vou lhe dar um ensinamento. Aí seu esposo vai lhe dar é tudo.
Não, eu não quero não. [aplausos] Eu não quero.
Vai lhe dar tudo. Vai dizer: "ó, minha rainha, tome tudo aqui, tudo é seu, meus bens, tudo é meu, minha preocupação é sua", vai lhe dar tudo. Pode ter certeza, gata, que se você fizer certinho-
[risos]
Você vai ver. [risos]
Não, mas hoje não.
Seu esposo vai entender que ele-
Eu não quero.
Ah, mas é bom.
Não.
É bom. É bom, sim. As mulheres que hoje em dia, né, têm esse problema, que às vezes o homem abandona, o homem deixa a mulher ali com filho, deixa a mulher-
Que é a maioria que acontece
...a mercê. É porque assim, tem homens que não têm consciência, não foi ensinado pelos pais, como algumas falaram aqui, vieram de, de relacionamentos abusivo e acaba trazendo pro lar, né? Quando o homem, ele viveu num relacionamento que viu o pai maltratando a mãe, batendo, por mais que ele diga que não-
Que é muito comum, né?
É. Por mais que ele diga que não vai fazer isso com a esposa, que quando ele casar vai ser diferente, não tem como, porque está no subconsciente dele e acaba querendo ou não influenciando. Mas quando o homem ou a mulher sai de uma família bem estruturada, ele vai ver ali o exemplo do pai e da mãe e vai querer trazer pra vida dele, porque viu que era um lar harmonioso, que viu uma família ali equilibrada.
Então, se a maioria dos homens, como tá dizendo aí que eu não creio muito nisso, na, na estatística, é, faz isso, é porque veio de uma família-
Por que cê não acredita na estatística? Cê acha que eles-
Porque assim, é, às vezes a mídia quer trazer aquilo que dá ibope, aquilo que lhe convém, mas na prática, na realidade mesmo, eles não vão entrar em 70%, 80% do lar pra saber. Eles vivem de estatística-
Sabe quantas mulheres vivem-
De estatística
...tem renda no Brasil hoje? Própria? Vinte e oito milhões de mulheres não têm renda.
Mas-
E não é estatística boba
...mas antigamente as mulheres eram do lar e sobreviviam bem, viviam bem, né? Tinham uma família estruturada. Hoje, hoje em dia a criminalidade aumentou muito, a falta da mãe no lar traz muita discórdia, traz muitas consequências pros filhos e muita das vezes geram filhos revoltados, depressivos, estressados. Por quê? Porque a mãe não tá lhe dando o suporte necessário que uma mãe pode suprir.
Mas cê acha que se a mãe fizer isso, [aplausos] Muito obrigada.