Transcrição
1 Casado vs 30 Divorciados
1 h 23 min de vídeo · 18 mil palavras · Com Thiago Castro
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Cada minuto é um botão que toca o vídeo a partir daquele trecho.
Fui casada, nós tínhamos três filhos, temos três, é, três filhos, mas na época dois. E eu descobri uma gravidez de alto risco da terceira. Ele comprou uma passagem, vendeu tudo que a gente tinha pra pagar essa passagem sem meu consentimento, e ele foi embora pra Espanha da noite pro dia.
Tudo bem, Thiago, eu até te entendo. E quando a pessoa é traída?
E eu não tô incentivando a traição, porque é um desvio de caráter. Pra mim, a traição, ela pode ser perdoada.
Pra ser sozinha, feliz, porque dentro do meu casamento eu não me sentia-
Feliz.
Feliz, justamente porque eu me sentia sozinha dentro de um relacionamento.
E quando a sogra não aceita o casamento do filho?
Estar divorciada faz você, sim, muito mais feliz, ao ponto de você se enxergar.
Quando se tem um relacionamento, ou um namoro, um casamento que é muito conturbado, você automaticamente vai perdendo o interesse por aquela carne.
Eu fui casada trinta anos. Meu marido me traiu por n vezes.
Eu tô divorciado já há mais de trinta anos. Não me sinto sozinho.
E quando o senhor tiver fazendo cocô na fralda, porque isso pode acontecer, quem que vai tá lá segurando a sua mão? Quem que vai tá do seu lado olhando nos seus olhos falando assim: "Você não está sozinho". Porque talvez não haja nada tão triste quanto terminar a sua vida sem ninguém, falando assim: "Eu tô aqui do seu lado, pode ir em paz, pode encontrar Deus". Olá, eu sou Thiago Castro, médico pediatra, pai de três crianças, sendo duas atípicas, autistas.
Sou casado há mais de uma década com a Gabriela e hoje eu estou aqui pra falar com trinta pessoas divorciadas. Separar quando se tem filhos é egoísmo. [som de batidas]
A cadeira tá mais comigo. [risada] Se é egoísmo, eu sou egoísta.
Tudo bem.
Eu me separei porque realmente eu estava vivendo um relacionamento tóxico, abusivo de ambas partes.
Perfeito. Ambas partes, quais?
Ambas partes.
De você e ele?
Exatamente.
Tá, vocês dois eram abusivos.
Tava ficando insustentável.
Perfeito, perfeito.
Tivemos filhos. Meu filho tem nove anos hoje. Depois que eu me separei, eu não estava bem emocionalmente, porque também tive um processo de luto pela perda do meu pai, hã, divórcio, tudo no mesmo ano.
Perfeito.
Foi ficando cada vez mais difícil. E tive o Covid logo em seguida. Então foi um caos, doutor. E assim, é, ele tava fazendo um inferno na minha vida. Eu não tinha mais, é-- não admirava aquele homem.
Tudo bem, mas ó, quando a gente tá falando de casamento, e nesse casamento a gente tá falando de união, quando não há um pai dentro de casa...
Não havia.
Mas quando não há, de fato, estatisticamente, não no seu caso, a gente tem mais evasão escolar, a gente tem mais inclinação pra promiscuidade, no caso dessas crianças, a gente tem melhor cog-- menor cognição. Nós, enquanto pais, nós somos protetores. Uma criança que le-- cresce num lar sem um homem, sem um pai, ele tem mais ansiedade, ele tem mais dificuldade no entendimento emocional dele.
Como também sem uma mãe. Eu não tive outra opção. Eu precisava olhar para mim. Eu precisei sair dessa relação que estava me adoecendo. Eu não tinha estrutura pra cuidar do meu filho, psicologicamente, emocionalmente, financeiramente. Não nasci de pai rico, tampouco casei com um. Então não tive outra opção. Fui pra casa de mãe, é, enfim, fiquei rodando, rodando. Eu estou me procurando me encontrar até hoje.
Mas, mas não dá pra gente afirmar-- Tá, pausou o tempo. Obrigado, tá querida. Sinto muito pelo seu relacionamento, tá?
Sim. [risada]
[som de batidas] Vamos lá? Um, dois, três e...
[risada] Consegui.
Meu nome é Aline Macedo, tenho trinta e três anos, sou professora de balé e eu estou aqui porque eu defendo que as pessoas não têm que ficar presas aos erros dos pas-- do passado.
Tudo bem? Como é que cê tá?
Prazer, meu nome é Aline Macedo.
Tudo bem, Aline?
É, eu tenho um filho com TDAH e TPAC.
Quantos anos tem seu filho?
Meu filho tem doze anos.
Perfeito.
E ele teve câncer também.
Perfeito.
Então foi essa criança-
Tá bem, né?
Tá bem, graças a Deus. Remissão há cinco anos. E foi essa criança que pediu pra que eu me separasse.
Perfeito.
Ele chegou e falou: "Mãe, você sempre fala que vai separar do pai, mas nunca separa. Eu não aguento mais meu pai chegando de madrugada, você chorando". Ele chegava alcoolizado, é, agressões verbais, empurrões.
Mas aí a gente entra no mérito mais uma vez. Eu não incentivo a manutenção do casamento quando há agressão física, agressão mental, agressão psicológica, é, a agressão ou, no caso, abuso patrimonial. Tem uma coisa importante também que os pais têm que tomar muito cuidado com o que eles falam pros seus filhos todos os dias, porque a gente planta no subconsciente, é, informações relevantes e faz com que esses, essas crianças, elas sejam cerceadas.
Quando você fala assim: "Ah, eu, o seu pai não presta", essa criança, vamos imaginar que seja uma menina, ela escuta crescendo o quê? O pai não presta. Homem nenhum presta, homem nenhum presta. Qual que é o, o, o plantio na cognição, no intelecto dessa criança, na formação dela? Que homem não presta, que homem tudo trai, que homem tudo bebe, quando, na verdade, estatisticamente falando, não é assim, tá?
Existe um grupo de alcoólatras, existe um grupo de pessoas que são tabagistas, existe um grupo de pessoas que são viciadas em pornografia, mas a gente não pode afirmar que isso é a maioria.
Eu acho que a gente educa pelo exemplo. Então, dentro de casa, meus filhos estavam tendo um exemplo de um homem que faz, tem essas atitudes. Ele iria normalizar, iria crescer, iria replicar isso com outra mulher.
Ou não, porque, por exemplo, eu cresci-
E a minha filha podia replicar também aceitando.
Perfeito, porque na-- nós crescemos ou nós aprendemos com exemplo, replicamos os exemplos ou repelimos o exemplo. Quantas vezes você escuta histórias de pessoas que cresceram num pa-- num lar quando o pai era alcoólatra e tudo que ele faz, ela falou: "Eu não coloco uma gota de álcool na minha boca". Ou, por exemplo, a minha mãe sempre foi traída, agora eu não vou trair nunca a minha esposa.
A gente não pode falar que: "Ah, só porque eu tenho uma criança que está vivendo num lar-
Mas tem a chance
Tudo a, toda a possibilidade. Quando não há um homem e uma mulher bem orientados, bem discernidos pra fazer com que esse casamento dê certo. E aí você fala assim: "Ah, mas ele era isso." Vocês se encontraram jovens porque seus filhos têm-
Sim, e na verdade ele é dez anos mais velho que eu.
Perfeito. Você tinha quantos anos na época?
Eu tinha dezessete anos.
E ele tinha vinte e sete anos.
Isso.
Qual que é o passo? Quando a gente está num casamento, a gente vai construindo e formando, formatando o caráter do casal. Ou seja, eu melhoro no meu casamento ano após ano, não o inverso, eu não regrido. E por que isso não acontece em via de regra? Porque no momento do casamento, no início do casamento, ao invés de as pessoas estarem estudando pra ser melhores, ao invés delas estarem vivenciando experiências, estar recebendo orientação, porque sim, eu posso orientar um jovem de dezoito anos aos meus quarenta anos e falar o caminho é esse, esse, esse.
Só que nós, na nossa juventude, nós geralmente vivemos pelos nossos comizeiros, pelos nossos prazeres. A baladinha é mais legal, o barzinho é mais legal, a Netflix é mais legal. E aquele período que seria de maturação do casamento, ele é trocado por comizeiros. Só que agora, dez anos depois, é como uma criança, uma criança que desenvolveu do zero aos dez anos, com todo tipo de ambiente tóxico, todo tipo de ambiente problemático, ela já desenvolveu.
E agora ressignificar isso é o grande trabalho, é o grande desafio.
Eu-- deveria ser assim, mas não é.
Mas não é porque nós decidimos não ser.
Em oito anos de relacionamento estava tudo bem, já tinha traços, eu que não percebi. No último ano de casamento foi que ele começou com isso. Então, invés de melhorar, piorou e muito.
Mas isso é uma decisão-
Então, no último ano-- é uma decisão dele.
Não, não, é uma decisão nossa de melhorar.
Não, uma decisão dele de melhorar. Ele tinha que parar de beber pelos filhos e, é, não minha.
Perfeito.
Eu não posso tirar o copo da mão dele. É uma escolha dele não fazer pela família e pelos filhos.
Eu concordo com você. Eu não estou argumentando, não estou incentivando. Eu não bebo álcool, eu não fumo nada. Então assim, eu sou uma pessoa que vive o que você está falando. Na verdade, o contrário do que você está falando. Quando eu digo uma decisão, é decisão no dia um do casamento. No dia um do casamento, ele já era alcoólatra? No dia um do casamento ele já tinha todos esses comportamentos?
Não.
Perfeito.
E foi adquirindo com o tempo, piorando com o tempo.
Porque ao invés de melhorarem enquanto casamento, vocês só pioraram. E essa é uma decisão diária. Melhorar ou piorar é uma decisão diária.
Mas é uma decisão que tem que ser tomada em conjunto. Se um não quer e o outro quer, não tem como.
Mas você constrange no amor. Vou dar um exemplo da minha esposa. Minha esposa, ela tem uma vida inteira de fé. Ela tem uma vida inteira de Evangelho. Eu nunca tive essa vida e nem por isso ela colocou goela abaixo que você tem que ir à igreja e tudo mais. Eu via orando, eu olhava ela orando todos os dias por nós, pelo nosso casamento. Ela nunca jogou na minha cara ou falou: "Olha, se você não for o exemplo pros seus filhos..."
E o que eu me tornei? Eu me tornei uma pessoa cristã pelo constrangimento do amor.
Eu tentei muitas vezes com o amor, até porque a, a minha família, por ser cristã, "ah, não continua, continua." E ali eu tentava continuar. Muitas vezes aceitei traição, aceitei ele chegando bêbado e ele sempre prometia que ia mudar e nunca mudava. Então é quando-
Perfeito.
É, é, tem aquela frase: "É justo que muito custe aquilo que muito vale." Só que só quando um tá disposto a pagar o que muito vale, não tem como você obrigar a outra parte a pagar o que muito vale.
Eu concordo. É que essa é sua experiência pessoal e que é uma experiência ruim.
Isso, mas que tem muitas mulheres que passaram por muitas coisas assim. Não todas.
Não tenho a menor dúvida.
Tem as regras e tem as exceções.
Existem muitas mulheres nesse momento que sofrem abuso. Existem muitas mulheres que ouvem a religião como uma desculpa para melhoria. É que essa pessoa está usando muitas vezes como manipulação. "Não, eu vou melhorar agora."
Exato.
Não há discussão sobre isso. A discussão aqui central da conversa é quando nós optamos por não estar mais, enquanto casal, cuidando dessa criança, de alguma forma a gente viveu pro nosso egoísmo. Mas esse egoísmo começa lá no dia um. Ele não é no dia último. E toda essa jornada de melhoria não aconteceu. Seu marido não entrou alcoólatra, não entrou problemático. Ele virou tudo isso durante o casamento.
Eu acho que foi a melhor escolha pros meus filhos, porque quando, domingo à noite, quando eles estão sentados assistindo televisão comigo e não têm medo de chegar um homem quebrando tudo, essa foi a de-melhor decisão.
Mas essa decisão tá certa.
A paz, a calma-
Sim.
Pro meu filho, pro meu lar, pra que ele tenha até um tratamento adequado.
Perfeito.
Hoje em dia eu brigo na Justiça com o pai do meu filho pra que ele custe os, os tratamentos, porque o divórcio foi não só de mim, mas foi dos filhos também.
Perfeito.
Então não é fácil. A pessoa que ela escolhe se divorciar pelos filhos, ela escolhe os filhos. Ela escolhe manter os filhos, mesmo que isso custe o casamento.
Perfeito. E aqui eu não tenho discordância nenhuma com você. Num casamento no padrão que você tem, é, não há a menor discussão que deve se separar, deve apartar-se, porque a pessoa ela é abusiva, ela é alcoólatra, todos esses desafios. A gente não pode ter agressão física com criança, a gente não pode ter agressão psicológica com criança, porque essa criança com agressão psicológica é um al-- um adulto com mais ansiedade.
Sim.
Mais ansiedade, ele tem mais tendência à frustração no mercado de trabalho, ele aceita empregos melhor, piores, eles aceitam pessoas piores.
Ele podia introduzir o álcool na vida do meu filho e a, a pessoa quando ela bebe, quanto mais nova, a probabilidade de se tornar um alcoólatra é maior. Então esse era o meu maior medo. Ele tinha disponibilidade.
Obrigado, tá? Sinto muito. Sinto muito, tá?
Isso, pode ir.
Meu nome é Raíssa, tenho vinte e cinco anos, minha profissão é social media e eu estou aqui pra debater, porque eu venho de um divórcio que, na verdade, não foi uma opção. Essa opção foi tirada de mim e eu acredito muito que as pessoas têm que valorizar a própria vida primeiro, antes de estar encarando um casamento, passando por cima de tudo pra manter aquela relação.
Olá, tudo bem? Como é que você está?
Prazer, Raíssa.
Quais são suas considerações e pontuações sobre o tema?
É, eu queria te fazer uma pergunta. E quando a pessoa não tem opção?
Não tem opção de quê?
Do divórcio.
Por que não tem opção do divórcio?
Vou te contar um pouco da minha história, certo?
Perfeito.
Fui casada. Nós tínhamos três filhos. Temos três, é, três filhos, mas na época dois. E eu descobri uma gravidez de alto risco da terceira.
Uhum.
E no meio desse contexto, ele comprou uma passagem e f-- vendeu tudo que a gente tinha pra pagar essa passagem, sem meu consentimento. Quando eu cheguei em casa, as coisas já haviam sido vendidas e ele foi embora pra Espanha da noite pro dia. Construiu outra família lá. Até hoje eu não sei onde ele está e eu não recebo pensão.
Porque ele é o quê? Egoísta.
Sim.
Que é o, justamente a pauta. A pessoa que se divorcia, no caso é ele, a pessoa que se aparta, a pessoa que desiste, a pessoa que foge, ele é egoísta. Ele vive só pros seus caprichos. Você, aqui nesse caso, é a vítima, mas ele é o egoísta.
Certo.
E ele foi egoísta por não cuidar dos seus filhos, porque uma vez que ele não cuida dos seus filhos, primeiro, essas crianças já têm um nível de rejeição. Eu fui rejeitada pelo meu pai. As três crianças foram rejeitadas pelo pai. As crianças rejeitadas pelo pai, aquele mecanismo em cadeia que eu falei, mais risco à, à promiscuidade, que é uma tristeza, mais risco a entorpecentes, coisas ilícitas, mais evasão escolar, mais depressão.
Olha o prejuízo de quando uma pessoa, no caso um pai, ele desiste Da família. Ele opta pelo mais fácil e vive pelo seu capricho e seu egoísmo. Agora, por que ele foi? Eu não sei, não conheço. É a sua resposta. Talvez ele foi pra viver uma vi-- uma experiência legal. Talvez ele tinha um caso com essa outra pessoa. Talvez ele não fosse homem suficiente pra aguentar o peso, e é um peso, de cuidar de três filhos.
Mas o homem carrega esse peso. Ele tem que dar conta pra proporcionar aquilo que a mulher precisa pra viver.
Mas você não concorda comigo que se eu tivesse tomado a decisão do divórcio antes dele, eu teria poupado de passar por tudo isso? Ou eu estaria sendo-
Eu não sei. Eu não sei como era o casamento de vocês. Se era um casamento ruim, esse casamento era terrível, esse casamento já era patológico e a gente chegou no momento em que ele simplesmente foi embora. Porque se você está falando que você pensaria na, no divórcio antes, significa que ex-- havia muitos sino-- sintomas e sinais, e não que ele saiu da noite pro dia vendendo tudo e escondeu.
Você concorda?
Concordo. É, mas assim, tem todo um contexto que não dá pra contar aqui.
Claro.
Com certeza. Mas não era um casamento abusivo a nível de-
Sim.
Violência. É, teve uma certa, teve traições, sim, teve traições. Mas partindo daquele princípio de que as pessoas mudam e que a gente pode ter a coragem de enfrentar e ser resiliente para recuperar esse casamento, é, se eu não tivesse tentado a coragem e ser resiliente para perdoar uma traição e me manter ali, eu teria poupado de viver coisas que vieram depois.
Perfeito. É importante a gente dizer também que é, você falou traições, ou seja, com S de plural no final. Quando a gente perdoa, perdoar não significa esquecer. Perdoar não significa não fazer nada. Perdoar é uma oportunidade que vocês dois estão tendo de fazer tudo diferente e melhor. O que acontece muitas vezes é que as pessoas perdoam, passa ali uma ou duas semanas vivendo relativamente de forma diferente e depois todo mundo desiste, todo mundo se sabota.
Porque qual que deveria ser o compromisso? O compromisso da resiliência. O que é resiliência? Porque se você leva ao pé da letra, por exemplo, um livro importante, a gente não vai tomar, é, mérito aqui de religiosidade, mas a Bíblia é um livro importante. Se aquilo ali é um, é um pé de cabeceira seu e se as coisas que estão sendo ditas ali são importantes, e agora você começa a vivenciar, estudar sobre, exercer sobre, cê concorda que há uma mudança nas pessoas?
Porque se não houvesse mudança, se não houvesse perdão, a gente aqui poderia desistir de tudo.
Certo, mas a partir do momento pelo qual ele não muda, eu estou disposta, ele não está. Traições no plural, sim, mas na época tinha sido uma só. As outras eu fui descobrindo ao longo do tempo quando ele foi embora, até porque vender tudo, ir embora é uma traição.
Perfeito.
Por mais que não seja no relacionamento.
Perfeito.
Volto mais uma vez. Se eu tivesse percebido isso antes, eu teria me poupado de viver essas coisas. E eu re-- decidi permanecer.
Sim.
E por esse motivo tudo isso aconteceu comigo.
Mas o que a gente pode concordar é que, mais uma vez, divorciar-se, que foi o caso que ele fez, separar-se é egoísmo. E abandonar os filhos é egoísmo. Então foi egoísmo. E nesse sentido a gente tá de acordo, concorda?
Concordo.
Então a gente tá de acordo.
Mas você não concorda comigo que dá pra você não deixar a situação virar tão extrema?
Desde o primeiro dia do casamento. Desde o primeiro dia, você tem que construir pra que esse casamento não chegue nesse momento.
Um não constrói sozinho.
Mas começa sempre por nós. O problema é que nós queremos fazer a mudança no outro quando a gente não faz a mudança primeiro na gente.
Certo.
Quando a gente muda primeiro nós, a gente consegue mudar o outro. Acabou o tempo, tá? Obrigado. Casamento não mata o desejo sexual, só aumenta. [risadas] Vim do Rio Grande do Sul pra cá não falar, daí né? Mas vamo lá. Meu filho, meu filho é gaúcho também. É? Meu filho é gaúcho, itacarense. Bom, a pauta é: o casamento não mata o desejo sexual, só aumenta. Não mata. O senhor concorda?
Eu concordo. Que a pessoa só melhora com o casamento? É isso aí, nós tamo no mesmo barco. É, é, então... Então tá bom. Obrigado por o senhor ter vindo do Rio Grande do Sul. Tá bom. Obrigado. Verdade. Ó lá, pode, pode entrar. [risadas]
Bom, doutor, casamento não-
Não mata o desejo sexual, só aumenta.
Casamento não é sinônimo de testosterona, né? E o amor, ele é uma coisa, o desejo sexual é outra.
Perfeito.
Eles podem existir sem um depender do outro. E as relações, elas amadurecem. Tem pessoas também que elas têm, você como médico com certeza sabe, questões psicológicas-
Perfeito.
Físicas que podem matar a sua libido, né, mas-
Sim, mas essas coisas também acontecem fora do casamento.
Sim.
Então não é necessariamente o casamento o problema. Porque o desejo sexual, ele tá em via de regra, além de todas as questões fisiológicas e hormonais, pautada no desejo daquele parceiro. Então pra você, o que é importante em um parceiro? O que que você admira num homem?
Muita coisa, mas não é só o sexo.
Não, sexo é a única coisa que cês não admiram, tá? Brincando. Mas quais são as coisas que você, ao olhar o seu marido, ao olhar uma pessoa que você tá interessada, o que de fato faz, assim, você desejar esse homem? É o, é o fato de você se entregar pra ele todas as noites ou boa parte das noites durante o ano?
O caráter, a maneira como ele me trata.
E aí você concorda que se você está num casamento onde o homem tem caráter, onde o homem produz frutos pra sociedade, esse desejo ele não diminui, porque ele não tá necessariamente mais agora pautado no carnal, no físico. Não é mais o corpo jovem, não é mais a, a aventura. O desejo ele aumenta justamente porque você admira mais e ama mais essa pessoa. Então o problema não é o casamento.
O problema, nesse caso aí, é com quem você está. Se essa pessoa não é esse homem, aí entra no princípio, porque o casamento é para ser feito de duas pessoas que melhoram a cada dia. Vou te dar exemplo meu, e exemplo não serve pra nada, tá? Ou serve, quando a gente tá falando de ciência. A gente chama de casuística, né? Eu tenho uma, uma mulher que passa por gravidez três vezes por ano, e ela fica absurdamente linda nessa gravidez.
E por incrível que pareça, é na gravidez que a gente mais namora, porque tem questões hormonais, legais, e aí vem o puerpério. Aí nesse puerpério, é natural a gente entender que vai ser um período com menos intimidade. Mas olha só que interessante. Os números mostram que casais, casais, eles namoram entre três, é, vezes por semana ou até sete vezes por mês. Então um casal, ele namora entre três vezes por semana, dependendo do casal, até sete vezes por mês.
Hoje o solteiro, porque a gente tá falando sobre sexo, né-
Sim.
O solteiro, em via de regra, quando você pega um ano inteiro, ele namora ali sete, oito vezes por mês, todos os meses? Possivelmente não. Então o casamento te dá mais oportunidade de ter intimidade, intimidade é bom, sexo é bom.
Mas não quer dizer que você vai ter.
Mas é que o ter-
Não é uma realidade cem por cento.
Não, é que o ter-
Que vai aumentar o, o desejo.
Mas é que a gente tá comparando casamento versus solteiro. Estar solteiro vai garantir com que você tenha mais, ou mais libido?
Não, mas casamento também não.
Depende, porque se somos casados e eu cuido de você, fazendo com que você tenha menos depressão, menos ansiedade. Se eu cuido de você pra que você seja uma mulher que se cuida melhor do seu corpo, você se sente melhor com você mesmo, você se sentindo melhor com você mesmo, você não vai ter mais desejo?
Mesmo assim pode acontecer de não, como eu falei.
Pode.
Existem dezenas de questões que podem impactar na libido das pessoas.
Não tenho a menor dúvida que todas elas precisam de ajuda, mas dizer também que é o casamento que diminui essa libido não é verdade absoluta.
Não, não é.
Uau! Tira ela, né? Já levanta logo.
Meu nome é Regina Célia de Oliveira Gonçalves. Eu tenho sessenta anos e estou aqui porque eu estou divorciada há quatro anos e esse tema me interessou muito, principalmente por ser tão doloroso o divórcio. Olha, e-eu discordo completamente. Eu fui casada trinta anos. Meu marido me traiu por n vezes. Lá atrás você falou que tem que existir o perdão. Concordo. Eu tenho doutrina, sou s- hiper religiosa-
Perfeito.
Confio em Deus e tenho uma linha direta com Ele.
Uhum.
Só que tudo tem limites, né?
Mas olha só, o, o desejo não caiu porque o casamento era ruim. O desejo caiu pelo erro, pelo pecado dele. Você deixou de desejá-lo mais porque ele tava saindo com outras mulheres e talvez ele dese-dese-deixou de te desejar tanto porque agora ele tava consumindo outras coisas fora. Por que que as pessoas perdem interesse dentro do relacionamento? Porque eles estão consumindo pornografia. E quando consome pornografia, aquilo da pornografia é muito interessante, é muito legal, é muito bacana e você tenta trazer aquilo pra dentro do teu relacionamento, não acontece.
Quando você consome o mundo externo, os prazeres externos-
Mas por que que no início, é, por exemplo, eu casei, tá?
Perfeito.
Até dez anos de casado eu tinha relação sexual quase todos os dias, vamo colocar.
Legal.
Aí, mas-
As mulheres ficavam invejadas.
Ficavam. Minhas amigas ficavam malucas, pra dizer a verdade. Aí depois de dois anos caíram pra três vezes por semana, daqui mais cinco anos, duas vezes por semana, aí uma vez por semana até ele ir embora de casa. Eu quero entender-
Sim.
O, o, o-- então não é. Eu discordo com você que não é a prostituição.
Depende. Não, não prostituição.
Porque ele mesmo ele fazendo fora, ele tinha vontade com a minha pessoa.
Mas era você que não tinha vontade mais com ele.
É, são duas coisas distintas.
É que desejo, desejo é diferente.
São duas coisas distintas. Desejo é diferente.
Desejo é diferente de quantidade.
Exatamente.
Perfeito.
Tá? E eu tenho desejo, sim.
Perfeito, tem que ter.
Eu sou muito assexuada, eu adoro.
Perfeito.
E, e ele sabia muito bem disso.
Perfeito.
Eu não tenho vergonha de dizer.
Tá tudo bem.
Eu fazia com meu marido.
É saudável.
E é saudável, exatamente isso.
Perfeito.
Então ele tentava me suprir no início.
Pausou. O pessoal pausou a senhora. Obrigado, tá, querida.
Obrigada você, querido.
Deixa eu também comer. Posso?
Ah, vai.
Olá, tudo bom? Aline, trinta e nove anos, arquiteta. Vim aqui debater sobre isso porque eu acredito que muitas vezes a gente segue casada só pra manter uma aparência, um status. Eu sou divorciada há três anos e o que eu percebo dos casamentos ao meu redor é que noventa por cento não está feliz.
Qual é seu nome?
Aline.
Desculpa, não lembrei o nome. Tá, não tem problema.
Não tem problema. Eu quero te fazer uma pergunta, né. Você falou agora sobre que no casamento a gente constrói com o tempo aquela coisa toda. Como que você justifica a quantidade de casas, por exemplo, de swing ou de casais que têm procurado uma terceira pessoa?
É que a gente vai fugir do tema, tá?
Não necessariamente, porque você me falou que-
Faz, faz o tema e conclui com essa questão. Então assim, é, o casamento não necessariamente diminui o desejo, tá? Então a pessoa-
Isso, ele só aumenta.
Ele só aumenta. A pessoa, ela, ela deseja mais estar com o outro, ela deseja ter mais intimidade com o outro, ela deseja estar mais próximo. Beleza.
Beleza.
Aí você me trouxe aqui por que que tem tantas casas de swing. Conclui.
E não só isso, não só casas de swing, como casais que aparentemente estão super felizes como você mesmo, a gente vem falando do casamento super feliz-
Uhum.
Moderno, instagramável, que optam por uma terceira pessoa, sendo que você está feliz com esta pessoa que você escolheu.
Porque essa pessoa ela se corrompeu pelo mundo. A resposta é muito simples. Eu quando permito que algo entre entre uma união que deveria ser eu, você e Deus apenas, eu tô per-- eu tô me corrompendo pelo mundo. Ou seja, eu tô me corrompendo pelos prazeres da carne. E aí quando você olha aquilo dali, que parece ao primeiro contato muito atrativo, muito interessante, porque nós todos somos carnais.
Não há como eu não falar uma mulher bonita, ela não ser bonita. A realidade é realidade, o belo é, o bom e o agradável, ele é belo, bom e agradável.
Uhum.
Então, ah, mas por que existe tanto? É pelo mesmo motivo que existe tantos tigrinhos, é, existe tanta casa de apostas, existem tantas pessoas, é, inclinadas ao álcool, à bebida. Por quê? Porque nós somos fracos, porque a gente não se mantém dentro de um relacionamento. Ah, mas eu quero isso pra apimentar o relacionamento. Você só quer apimentar algo quando você deixa que esse algo entre no seu relacionamento.
Por exemplo, e aí, não sou eu e não é a maior parte das famílias, tá? Eu não tenho esse desejo, não tenho essa vontade e não faz parte da pauta do nossa discussão no dia a dia. Agora, se eu começar a assistir um pouquinho, ver um pouquinho, começa a despertar o interesse, porque você só começa a despertar interesse daquilo que você está consumindo e vivenciando. Eu vou consumindo pelas beiradas.
Nunca começa. O usuário de crack não começa com crack, ele começa com drogas menores. Geralmente, ele vai ao uso da maconha, cocaína, heroína, ele chega no crack.
Uhum.
Então, onde começa essa vontade pelo, pelo diferente, pelo, pelo atópico, pelo amórfico? Começa, às vezes, na, no consumo da pornografia, e aí essa pornografia começa a parecer muito normal, muito natural. Daqui a pouco essa pessoa tá aceitando falar "vamos trazer uma pessoa", daqui a pouco a gente tá fazendo suruba. É isso que acontece.
Tá, mas você falou que, é, o tema do, do assunto aqui-
Sim.
O desejo só aumenta.
Sim.
Se o desejo só aumenta, eu não tenho necessidade de outra pessoa.
Mas aí não é sobre desejo, é sobre, é, padrão, é sobre, é, padrão não, desculpa, é sobre perfil, porque o padrão não é esse. Se você for pegar pra maior parte das, das pessoas, elas não têm esse desejo de ir pra casa de swing, a maior parte das pessoas. Se você fizer uma pesquisa, e deve ter esse tipo de pesquisa, mas eu sou cientista, eu sempre tô estudando.
Esse tipo de situação não é padrão, isso é o incomum. É que a gente não vai perguntar pra uma roda de trinta pessoas quem gostaria de estar numa casa de swing aqui.
Ah, assim como a gente não pergunta numa pesquisa, a gente faz essa pergunta numa pesquisa, a pessoa também não responde, porque essa pesquisa vai ser levada adiante. Existem-
Não, porque não mostra o nome.
Exatamente, não mostra o nome. Porém, é, quando a gente tá falando, quando eu falo, você falou de casa de swing, eu não falo só casa de swing, eu falo de pessoas no relacionamento, ou eu quero voltar no tema que não, é, é carnal.
Perfeito, perfeito.
Você falou que é carnal. Então ele não aumenta, como a nossa colega tava falando antes. Então ele acaba não aumentando. Ele só diminui com o tempo de casamento.
E, mas não necessariamente por conta do casamento. Vamo pensar o seguinte: se eu tenho cinquenta anos.
Uhum.
E eu tenho cinquenta anos, a minha fisiologia é uma, minha questão hormonal é uma.
Uhum.
E eu estou na rua, ou seja, eu estou separado. E às vezes eu me relaciono com uma pessoa, me relaciono com outra, me relaciono com outra, vou me relacionando com algumas pessoas ali. É, e essa mesma pessoa com cinquenta anos casada, a qual a cada dia mais ele a, admira a parceira, onde eles têm uma intimidade, onde existe servidão, existe entrega. E aí essa pessoa comparada a ela mesma, que estaria pelo mundo consumindo todas as coisas do mundo, é natural que ela tenha muito mais fácil de ter uma ereção, ou no caso, um desejo, quando ela vive algo único.
Porque se ela tá vivendo todos esses comizeres do mundo, a cabeça fica distorcida. Porque qual a maior causa de ejaculação precoce e impotência masculina? Pornografia. Aí o homem não tá conseguindo transar com a mulher porque ele tá consumindo pornografia e porque na pornografia ele consegue um prazerzinho, um caprichinho muito rápido, com dois, três minutinhos de vídeo. Só que quando ele está na frente da esposa, é a hora que ele não consegue.
Não trazer o mundo pra dentro do relacionamento é mais seguro e te mantém com mais libido, com mais vontade do seu parceiro e da sua parceira.
É, continuo não concordando, porque a gente tá falando de carne, a gente não tá falando de relacionamento.
Perfeito.
Né, a gente entrou nessa pauta, tipo, sexo é uma coisa, é, que você falou no começo que uma pessoa solteira não consegue man-- ou não consegue, é mais difícil de manter a quantidade de, de vezes. Eu discordo totalmente. Hoje, solteira...
Quantos an-- quantas vezes você faz por semana?
Complicou. [riso]
Pois é.
Umas quatro, cinco, talvez.
Eu faço umas três a quatro vezes por semana, há dez anos. Coloca o ano inteiro, isso daí.
Eu acho que, então-
Coloca o ano inteiro.
Não, tudo bem, eu coloco, mas-
Quem fez mais sexo?
Eu garan-- em três anos, eu garanto que eu fiz mais do que em dez.
E...
Em três anos separadas.
Mas se nos últimos três anos eu fiz três a duas, três vezes-
Eu faço de quatro a cinco vezes por semana.
Mas todos os meses, de todas as semanas?
Ou até mais.
É, a gente tá falando daquilo que não é o padrão, porque você não é o padrão.
Não sei, né? A gente tá falando dum padrão, a gente tá come-- é, falando com você, você também numa ponto de vista de quem foi casado.
Mas você-
Cê já foi divorciado?
Nunca.
Então você não tem o outro lado.
Mas...
Pessoal, pausar o tempo, desculpa. Tem outras pessoas.
Tá bom.
Ah, tá.
Eu tenho uma história muito boa pra contar. Meu nome é Leon Felipe, tenho vinte e dois anos, sou criador de conteúdo digital. Tô vindo hoje pra conversar sobre isso, porque eu tô passando por isso, mesmo eu sendo muito novo. E eu acho que é o momento certo de eu conversar sobre isso.
E aí? Cê tem uma história muito boa pra contar. Conta, então.
Tenho um caso muito bom pra contar.
Que a outra moça faz sexo quatro vezes por semanas, durante três anos. Vamo lá. Exato. Ou seja...
Bom, eu discordo, porque depende. Tudo bem que depende de casal pra casal, mas no meu caso, eu vou contar o meu caso. A gente é muito novo, era muito novo juntos, etc. Eu tenho vinte e dois, ele tem vinte, fez vinte agora.
Uhum.
Enfim, muito cedo. Só que assim, quando se tem um, um relacionamento ou um namoro, um casamento que é muito conturbado, você automaticamente vai perdendo o interesse pela aquela carne.
Mas aí o problema não é a carne, é a conturbação.
Então, mas vamo supor, você tá, você é casado, correto?
Perfeito.
Vamo supor que sua mulher fez algo muito ruim que machucou você ou que mexeu com a sua cabeça.
Mas conforme-
No meu caso, eu não consigo reme-- é, tipo assim, ter uma relação com a pessoa que me fez mal naquele momento.
Mas por conta do tempo. Porque dia após dia, minha esposa me conhece mais e eu a conheço mais. Depois de dez anos, eu sei aquilo que não lhe faz bem, ela sabe o que não me faz bem. Então essas tribulações, elas deixam de existir. Problemas existe, não existe casamento perfeito, não existe casamento na bolhinha, não existe nada disso. É resiliência, é amor, é servir o outro. É, amor não é sentimento, amor é decisão, amor é mandamento.
Vai, amai-vos uns aos outros. Ele não falou que era um sentimento, ele falou que era um mandamento.
Sim.
Então quando eu decido amá-la todo dia, fazer aquilo que é importante pra ela, por que que nós vamos ter tribulações diárias? Podemos ter divergências em algum momento, é natural. Às vezes você nem sabe, e principalmente nós, homens, a gente nem sabe por que que o parceiro ou a parceira teve ali algum problema, mas a gente respeita de falar: "Hoje não é o dia de mexer com a onça, deixa a onça quietinha, que amanhã a gente namora."
É dessa forma. O problema não é o sexo, o problema, nesse caso, é a tribulação.
Então, mas no caso, o que eu tô falando, quando a gente se conheceu, era, enfim-
Perfeito.
Perfeito, tudo bem. Mas como você disse que o namoro, o namoro, o casamento se constrói com o tempo.
Sim.
Correto?
Quanto tempo cê viveu pra dizer que lá na frente não seria melhor?
Mas assim, eu acho que a gente não precisa de outro tempo pra ver que se, o que aconteceu com a gente num passado, que o presente seja melhor que o, que o antes, cê consegue me entender?
Entendo.
A gente teve um... [som de alarme]
Acabou o nosso tempo.
Um relacionamento.
Desculpa. Obrigado, tá?
[riso] Eu não vi. [riso]
Obrigado.
Obrigado.
Sogra no casamento é apoio e não problema. [som de alarme]
[riso]
Oi.
Discordo, porque eu acho que quando você tá com uma pessoa e você decide ficar com ela o final da sua vida, a sua mãe começa a virar terceiros, ou melhor, segundos, porque primeiro a sua mulher ou seu esposo.
Perfeito.
Correto?
A gente tá de acordo, então.
E quando a sogra não aceita o casamento do filho?
É que ela não entendeu o princípio básico. Apartai-se da sua mãe e agora vivei uma só carne com a sua esposa. Ou seja, a mãe deixa de ser a mulher mais importante na vida do filho e se torna a esposa. Só que o que acontece? As pessoas não estão prontas pra esse diálogo. Sabe qual o diálogo que eu tenho com meu filho de nove anos de idade?
"Filho, qual é a mulher mais importante da sua vida?" Aí ele fala: "A minha mulher." Com nove anos de idade. Ele não falou a mãe. Só que o que acontece? Essas mães, e são vocês aqui, todos nós, eu não. Todas essas mulheres, com menininho agora de nove, oito, sete, seis, quinze anos. Você é o neném da mamãe. Você é a, a criança, a mamãe é a mulher mais importante da sua vida.
A mulher tem um monte, mas mãe tem só uma. Quando, na verdade, ela deveria tá plantando justamente o contrário. Mulher tem que ter só uma também, porque senão vira essa bagunça, que tá todas essas mulheres falando. Então nós estamos de acordo que depois que o homem cresce e escolhe casar, a mulher se torna a mulher mais importante da vida dele. Alguma contradic-- alguma contraposição a isso?
Bom, mas tipo assim, tem vários casos, entre si. Tem casos também que o marido-
Uhum
...que no caso do casal, sem ser a mãe, é, não concorda com isso também e acaba deixando a mulher de lado.
A mulher pra dar apoio à, às sogras.
Exatamente.
Mas aí qual que é o problema? O problema tá na identidade desse homem.
Uhum.
Que esse homem, ele ainda não é homem, ele ainda é menino. Porque se ele olha a mãe dele como a pessoa mais importante da vida dele, ele não se tornou homem, ele não se tornou homem ainda. Ele ainda tá vivendo a síndrome do Enzo, a síndrome do menino que é filho de mãe. Que quando brigar com a mulher, sabe o que ele vai fazer? Tomar um leite no copo da mãe, um, um leitinho na casa da mãe.
E a mãe, a mãe deste menino, que não é homem, sabe o que ele ia fazer? "Eu vou fazer a comidinha mais gostosa que cê faz." Ao invés de falar: "Infeliz, sai daqui e vai pra casa da tua mulher resolver os problemas com a sua mulher." Então o problema é o menino, é o homem, nesse caso. Então, mas aí, o meu questionamento é: sogra não é o problema.
Sogra, inclusive, é apoio. E ela pode ser apoio. Apoio não significa o, pessoa central. É apoio, quando você tem um apoio.
Mas no caso, você concorda comigo que ela pode ser o apoio quando ela concorda que ele deve estar feliz com a mulher que ele ama, sem ser a mãe dele.
Sim.
Mas a partir do momento que ela quer, é, fazer intrigas com o filho dela, com a esposa ou esposo dele-
E quem resolve-
Aí não é mais apoio.
Mas é, é exatamente o que eu defendo. Eu defendo que a mulher seja a principal pessoa e que se essa mãe, ela está arrumando confusão com o casamento, aparta-se da sua mãe. Saia de perto Não tem nenhum problema, porque você tem que defender a tua esposa até mesmo contra tua mãe. E isso não é deixar de honrar pai e mãe, muito pelo contrário.
E quando é o filho que separa a esposa dele e prefere a mãe dele? No caso, o que que a esposa fazer?
Esse menino precisa crescer. É, assim, e eu aqui, eu tenho meus filhos e os meus filhos eu tô orientando como cê tem que crescer. Mas a pauta do tema é aquilo que eu falei, a sogra não é problema, ela é inclusive apoio.
Obrigado.
Ok, imagina.
Um, dois, três. [risadas]
Ai, deixa eu ver. [risadas] Ai, ai.
Já foi.
Meu nome é Carla Freire, eu tenho quarenta anos, sou formada em Direito, atualmente estudo psicologia. Estou aqui pra debater sobre relacionamentos, saí de um relacionamento abusivo com um narcisista e eu tenho uma página no Instagram que fala sobre relacionamentos abusivos. Converso com muitas mulheres sobre relacionamentos abusivos, sobre o divórcio, sobre separação. Por isso. Sou estudante de psicologia, super curiosa, adoro Freud. Sabemos de toda a teoria do Freud que os nossos problemas vêm lá da infância.
Quando a gente fala de transtorno de narcisista ou quando a gente fala de transtornos mentais, a gente sabe que a mãe, na grande maioria, a gente falando de homens heterossexuais, a mãe, que é a grande, o X da questão dos transtornos. No meu caso, foi o mesmo. Ex-sogra, a mãe do maravilhoso do meu ex, ela tem problemas sérios e que logicamente ele absorveu e transformou ele em um narcisista.
Não tinha como ela ser uma solução, não tem como ela ser uma solução na vida dele.
Não tem como ela ser um apoio.
E nem ser como apoio pra nenhum relacionamento que ele tiver. Não foi que errou no, falhou no meu ou no anterior, porque ela causa mais problemas n-- e confusões na cabeça do filho dela do que qualquer outra pessoa.
Ó, mas eu tenho... Você fez três questionamentos distintos, eu vou responder os três.
Eu fiz afirmações.
Perfeito. Você fez três afirmações distintas e eu vou separar as três. A primeira delas é que você falou: "Bom, os nossos problemas vêm da infância". O que a gente vê na prática é as pessoas que, a palavra vitimizar, vitimizam-se dizendo: "Eu fui maltratado, a minha mãe me bateu, é, eu fui maltratado na escola". Essas pessoas, elas geralmente terceirizam a culpa sobre quem elas são. E esse é um grande problema, porque se você se vitimiza, você terceiriza a responsabilidade sobre a tua mudança, você nunca muda.
Então essa é a primeira parte, quando a gente tá falando sobre sogra. A segunda parte, não menos importante, é que quando você traz a sogra, foi, é narcisista, problemática, lá lá lá lá lá lá lá lá lá lá. A sogra que interfere dentro do casamento deve ser repelida pelo marido. Quem defende o casamento em detrimento à sogra é o marido. Então o teu ex-marido deveria ter sido o suficiente falar: "Olha, aqui as regras são as minhas e se você vivenciar essas regras, vai ser um prazer tê-la dentro de casa".
Mas isso é quando você se relaciona, cê se relaciona com uma pessoa que não tem um transtorno.
Mas esse deveria ser o papel, esse deveria ser o papel do seu filho.
Essa é a regra.
E a terceira parte, não menos importante, a sogra é um apoio. Por exemplo, hoje eu estou aqui, eu tenho dois filhos autistas. O do meio precisa que alguém durma com ele. Quem está dormindo com meu filho autista?
Sim, a sua sogra.
A minha sogra.
A minha mãe é a sogra que apoia.
Então ela é um apoio.
Isso eu te posso falar com certeza.
Mas ela não é o problema. Ela só se torna um problema quando o casamento não sabe como conduzir diante a sogra e deixa ultrapassar limite. Sabe por quê? Onde tá o problema? É eu ultrapassar o teu limite e você ultrapassar o meu limite.
Isso é a regra de qualquer relacionamento.
Perfeito.
Agora a gente não pode dizer essa afirmação como uma regra, que a sogra é o apoio, porque ela-
Mas se a gente olha na ins-instituição chamada família, quando a gente pega os anciões, os anciões eles têm um papel. Quando nós pegamos os avós, eles têm um papel. Ah, mas o meu avô ele fica só no TikTok, no celular.
Mas baseado em que os anciões? Baseado em que instituição familiar?
Na antropologia. A antropologia, se a gente olha a evolução dos últimos dez mil anos do homem, ela segue um padrão. Ah, mas pode haver neurodiversidade, pode ter diversidade, pode ter constituições diferentes? Pode, mas quando a gente tá falando de padrão, e o padrão é um avô, uma avó, deveriam ser as pessoas que na, no puerpério vão lá ficar mais alguns dias, porque pra mulher é muito difícil o puerpério.
Sim.
E só temos cinco dias de licença paternidade. Então o avô-
E quando a gente fala de casais que não têm filhos, que hoje só vem crescendo a tendência é realmente os casais e as mulheres não quererem ter filho. Então a gente não pode só tratar dessa ajuda materna ou paterna em relação aos filhos. As sogras e os filhos, é, é, essa relação filho e, e mãe é uma relação muito complicada e geralmente ela vem para o matrimônio.
Quando não há filhos, que foi o que cê falou, há conhecimento. Se você for lembrar, a sua mãe, provavelmente ela recebeu uma receitinha de caderno que vinha ali o como fazer o bolo A, como fazer o bolo B. Ou seja, as pessoas mais velhas deveriam passar conhecimento pras pessoas mais novas.
Mas nem todas têm esse discernimento, nem todas têm sabedoria pra passar.
Mas é o papel.
Não, eu discordo. Sabe por quê? Porque nem todo mundo vive na, vive na bolha de conhecimento que tá, que a gente tá inserido aqui no Sudeste ou em outras regiões.
Mas, mas, mas não há bolha de conhecimento, há necessi-- há decisão, porque hoje a informação ela está acessível a um clique de qualquer pessoa.
Discordo.
A mesma pessoa que fica quatro horas por dia na, na rede social-
Nem todo mundo tem acesso à internet.
As pessoas que estão nos assistindo têm acesso-
Aqui, sim, mas nem todas as pessoas têm.
No Brasil, a imensa maior parte, avassaladora maior parte dos brasileiros têm acesso à internet, mesmo não tendo ali ba-- coisas básicas pra alimentação. Ou seja, as pessoas estão a um clique de acesso de informação. É uma decisão elas quererem serem melhores e mais capacitadas ou não.
Eu não concordo.
Tá bom.
Eu já tinha, por isso que eu até já parei, que eu já tinha visto as mãos.
Obrigado.
Olá.
Olá, como é que o senhor tá?
Sou Yamandu, tudo bem?
Tudo bem, Yamandu.
Primeiro lugar, eu quero já mostrar uma coisa, uma situação que tá acontecendo aqui que eu vi agora, né. Na primeira vez que eu cheguei, que me chamaram, falei: "Eu gostaria de participar, porque eu sou divorciado já há muito tempo". Já tem dezesseis anos que eu moro sozinho, não tenho relacionamento com mulher nenhuma.
Perfeito.
Mas isso é por opção.
Perfeito.
Eu tô feliz. Quando perguntei, são, somos só homens que vamos participar? Eu falo um pouquinho enrolado que sou uruguaio.
Não tem problema.
Mas eu moro aqui há muito tempo.
Eu tô te comprehendo perfeitamente.
Aí eu falei quando... São só homens, falaram. Não tem mulheres. Falei: "Mas eu não vou poder falar, então, né? Só tem mulheres, só elas que vão querer falar".
Isso é um consenso que eu e o senhor temos também, tá? [risadas]
Concordou comigo, muito obrigado.
Sim, de nada.
Então vou, vou explicar uma coisa. Nós estamos falando aqui de relacionamentos.
Perfeito.
Relacionamento não é só feito de mulher.
Perfeito.
E não é só feito de homem.
Uhum.
É feito de pessoas. Eu ouvi várias vezes o senhor falar a respeito de, da palavra de Deus. Eu acredito que um casal, são, o homem e a mulher se unem numa só carne e vivem sem sogra, sem cunhado, sem irmão. Então eu já tive relacionamentos de mais de vinte anos, tá? E nes-- tá discordando que eu não falei nada pra cê discordar?
É que eles podem, é que eles podem levantar a mão se eles acharem que não-
Ele discordou pra meu relacionamento.
É.
Tá bom.
Enfim.
Eu já tive vários relacionamentos, eu tive filhos, tenho três filhos. Até agora todas as mulheres falaram assim: "Olha, porque quando a gente separa, sobra tudo pra mulher, porque o marido, todas elas são vítimas." Eu acostumo falar que existe uma lei Maria da Penha.
Uhum.
Eu coloquei o nome Pedro de Lara, porque tem muito ma-- muito mulher, muita mulher que bate no marido também.
Sim.
Tá? Não podemos falar que só os homens que bate.
Existe, tá? E o senhor tá afirmando-
Eu não concordo plenamente com nada que seja violência.
Perfeito.
Ninguém deve bater em ninguém, nem nos filhos. Nós temos que conversar, tudo se faz através da conversa. Tá, podemos discordar em alguma coisa, mas isso é um relacionamento.
Perfeito.
O problema é que hoje, você pode ver que todas as mulheres aqui falaram, teve uma moça que teve agora aqui e falou assim: "A minha mãe, não. A minha mãe ajuda em tudo." A mãe dele não. Porque esse é o grande problema. Eu não tô dizendo que a mulher tá errada ou que tá certa. Eu tô dizendo pra quem tá assistindo, que o relacionamento pode ser bom, principalmente pras mulheres que estão assistindo esse debate, que o relacionamento pode ser muito bom se elas entenderem que o marido, nesse, na hora do casamento, é a, é a família delas.
Não é a mãe, a mãe passa a ser uma parente, não é mais a família.
Perfeito.
Porque senão ela vai ficar tudo o que acontece, ela vai contar pra mãe. Ela quer que a mãe resolva. E não é assim que funciona.
Tá bom.
E a mãe atrapalha-
E a gente tá de acordo em tudo.
Eu acho que nós, nós devemos pensar um pouco mais em relacionamento como duas pessoas. É muito difícil um homem e uma mulher morar juntos. Por quê? Porque cada um vem de uma criação diferente.
E sobre, e sobre a pauta que nós falamos, o senhor, de certa forma concorda então comigo, que sogra é apoio.
Não que concordo, eu acho, eu acho assim, você diz que, que ela se atrapalha. Tem relacionamentos que a sogra pode ser uma grande aliada do, do casal.
Aham.
Tem muitos relacionamentos. Sempre quando a esposa não use isso pra jogar na cara do marido. "Ah, porque minha mãe tá sempre aqui ajudando, cadê a tua?" Eu, por exemplo, minha família é do Uruguai.
Uhum.
E eu nunca tive a minha mãe aqui ajudando. Eu já ouvi isso da minha esposa. "A tua mãe não." Falei: "Mas como? Se ela mora a dois mil e quinhentos quilômetros, como que ela vai tá aqui ajudando?"
Perfeito.
Eu creio que se ela pudesse, poderia. "Ah, mas minha mãe tá sempre aqui." A esposa tem que entender-
E o que deu errado?
O que deu errado entre a gente?
Porque o senhor so-- o senhor é um homem divorciado.
Na realidade, é, eu acho que a cultura muito diferente, os gosto muito diferente.
Mas, mas aí a gente entra no mérito, porque é justamente, casamento é sobre resiliência.
Sim.
Não é o tanto que nós nos parecemos, mas é o tanto que eu tolero a sua diferença, respeito a sua diferença. Porque o que eu fico pensando, o senhor um homem elegante, o senhor um homem bonito, de olhos azuis. É, nesse momento, essa mulher, eu não sei o que aconteceu com ela, mas ou ela tá sozinha, ou ela encontrou outro homem, uma nova história e tudo mais.
E, e a gente chega no final da vida, porque o senhor tem sessenta e cinco anos.
Sim.
Nessa senilidade, que é onde o senhor está indo, né, a gente não, a gente entende a, a estimativa de vida do brasileiro como em setenta e cinco, oitenta e cinco anos. Como serão seus últimos anos? Como será essa parte? É, após os sessenta e cinco que aumenta o índice de depressão, aumenta até índice de suicídio. Então não preservar um casamento e não manter por isso, mas até por isso devemos manter o casamento, pra que a gente chegue numa fase, é, final da nossa vida, sendo rodeado por filhos, por netos, pela sua esposa.
Não, não, mas eu não concordo com você, porque eu me separei da minha esposa, meu filho, eu levava todo dia, eu pegava ele na escola, levava ele pra dormir.
Uhum.
Colocava meu filho na cama.
E como é depois não ter mais seu filho?
Até me emociono, porque aconteceu isso comigo mesmo. Eu nunca larguei meu filho.
Aham.
"Ah, mas os pais..." Não. Eu continuo sendo presente até o dia de hoje.
Que bom!
Antes de entrar aqui, meu filho mandou uma mensagem pra mim, já tá com trinta e sete anos.
Legal.
Ou seja, eu continuo sendo um pai presente. Então, eu não acredito que um relacionamento dê certo se os dois não ficarem de, de comum acordo, entendendo um [som de telefone] respeitando a, o, os, porque nen-nenhum de nós somos, é, perfeitos.
Perfeito. Acabou o nosso tempo, tá?
Infelizmente.
Obrigado. Obrigado pela sua, sua participação. Quem se separa é fraco e não sabe lidar com frustrações. Olá.
Olá, doutor. Tudo bem?
Como é que cê tá? Qual seu nome?
Ana Paula.
Ana Paula, o nosso tema é quem se separa, tem aqui uma fraqueza e não sabe lidar com frustrações. Qual a sua opinião?
Eu acredito que eu sou muito forte.
Perfeito.
Eu encarei o divórcio, foi muito árduo, mas eu encarei e faria tudo novamente. Podem entender como quiserem, podem me julgar.
Uhum.
Já me f-- já me julguei, inclusive, por isso, mas depois eu me permiti viver um luto, porque a gente acaba vivendo, né, é, um luto. É, é, assim, a gente luta até o último, é, faz de um tudo pra permanecer, só que foi ficando insustentável. Falando de mim, né, falando do meu caso, que eu fiquei, é, catorze anos juntos.
Uhum.
Tivemos filho. Eu já tinha uma filha antes, né, de um outro relacionamento, que não foi um casamento, foi um namoro. E ele foi o pai da minha filha também, tenho uma filha de vinte anos.
Perfeito.
E o meu filho tem nove, está com ele. Eu acredito que duas pessoas quebradas, elas se tornam dependentes emocionalmente.
Perfeito. Você não consegue dar carona se você não tá de carro.
Exatamente.
A pessoa pra conseguir carona, ela tem que tá bem. Quando a gente fala sobre ser fraco, a gente tá fazendo um antagonismo à resiliência.
Sim.
Ou seja, o casamento é um processo de resiliência.
Exato.
É ser resiliente pra fazer aquilo que faz bem ao outro, porque se você faz bem a outra pessoa-
Sim
...o fim não é a separação.
Sim.
Acontece que as pessoas vivem, em maior ou menor proporcionalidade, pra sua própria vaidade, pro seu próprio egoísmo.
Uhum.
Então, o que é, de fato, bom pra mim? Quando, na verdade, em casamento, a gente deveria tá pensando o que, de fato, é bom pro outro. Porque se eu penso assim, e se você pensa assim, nós somos simbióticos em uma jornada de relacionamento de felicidade.
Certo.
E qual que é o caminho mais fácil quando o casamento está dando errado? A separação.
Sim.
Ou seja, a facilidade, ela é o contrário da fortaleza. O simples é diferente do complexo. Então, quando-- esse meu argumento é justamente isso. Estar, manter, viver pro casamento todo dia, fazendo com que esse casamento seja melhor, fazendo com que esse casamento seja transformador, fazendo com que você produza frutos bons pra sociedade, requer muito mais esforço, muito mais trabalho. E quem naturalmente decide por não fazer isso ou escolhe a facilidade, mesmo diante dos desafios, porque não é o desafio final, é o que não foi construído.
E aqui que tá o problema, aqui que você foi fraca. E não tô falando você, mas eu tô falando as pessoas foram fracas.
Sim, as referências que eu tive, doutor, não foram as mais, as mais bonitas, né, pra eu, é, contudo que, porém, entretanto, no entanto, todavia, é, eu não acho que o matrimônio, o casamento, é, seja uma instituição falida, tá? Veja bem, porém, eu sou a favor de você se divorciar, sim, mediante a esses, esses casos, no caso de pessoas que se uniram, é, porque eu acho que a gen-- no momento que eu estou, eu acredito que eu ainda vou encontrar um homem bacana pra minha vida.
Eu, eu-
Mas assim, eu tô trabalhando autoconhecimento.
Perfeito.
Porque eu acho que o autoconhecimento ajuda-
Eu até acredito.
É, voc-- por exemplo, eu quero, é, ter uma pessoa bacana na minha vida, mas eu também tenho que estar preparada pra receber. É, eu acho que é de igual pra igual.
Perfeito.
Agora, pessoas quebradas, eu, não, não vão dar certo. É, não dá pra ser psicóloga.
Não dá pra você dar carona se você tá andando a pé.
Exatamente. Então esse é o meu pensamento. Eu acho que o divórcio, sim, ele tem que se fazer valer nessas questões.
Obrigado Gente, aqui levantaram a mão. Obrigado, tá querida.
Situação.
Obrigado, tá? Imagina, tá?
E depois eu quero conversar sobre-
Vamos conversar.
A terapia, tá?
Tá bom. Conversaremos, tá? Três e, rodinha. [risos] Dá um medo esse pessoal vindo aqui correndo. Você fala assim: E aí? A nossa pauta é quem se separa é fraco e não sabe lidar com frustração.
Tudo bem, Thiago, eu até te entendo. E quando a pessoa é traída?
Perfeito.
A primeira ponto.
Qual? Pode, pode concluir.
Eu tô com um relacionamento e a mulher foi lá, eu dou o melhor, tudo, e a mulher foi lá e me traiu pelo caráter dela. Ou o homem trai a mulher pelo caráter dela.
Bom, a gente tem que tentar entender o erro humano. As pessoas erram, tal como mentir, falhar, enganar, tudo isso é erro, tudo isso é falha, tudo isso de alguma forma é traição. Existem níveis de traição. Por exemplo, um homem ou uma mulher trai o outro com um garoto de programa, é um nível de dor e sofrimento. Se ele trai com a cunhada, com a irmã, cê concorda que existe um outro nível de sofrimento?
Então, o sofrimento, a perda, a traição, o erro, ele tem camadas de profundidade. Agora vamos fazer o seguinte: quantas pessoas, e eu posso falar, eu estou há dez anos com a minha esposa olhando nos seus olhos e olhando na câmera. Eu nunca estive com outra mulher desde que eu casei com a minha esposa, mas eu conheço pessoas incríveis que traíram, se ressignificaram através da traição e se tornaram pessoas melhores.
Então a gente não pode argumentar falando: "Olha, uma vez que há traição", e não tô dizendo que ela não doa, que ela não haja sofrimento, "significa que acabou, a gente tem que acabar o casamento". O casamento é feito de pessoas que falham, mas estão dispostas a se ressignificarem e se ajustarem.
Ah, entendo. Aí se eu não quiser perdoar a traição, aí eu vou ser uma pessoa frustrada?
Não, é uma decisão sua perdoar ou não. Você pode romper este casamento, porque ali não houve um compromisso da outra pessoa te amar tal como ela deveria te amar. E se pra você o peso é pesado demais, eu não vou discutir. Houve uma traição, tal como se nós somos amigos e por qualquer motivo eu falhei com você e fala: "Não quero mais ser seu amigo". Eu vou falar: "Tá tudo bem.
Dá pra gente ajustar? Não dá. Então tá tudo bem."
Então a pessoa não-
Obrigado. Pessoal, dois, três e rodinha.
Meu nome é Maria Santana, tenho trinta e nove anos, sou empreendedora, divorciada cinco vezes.
Não, não é que você... [risos]
Isso é só as que eu conto.
Qual é seu nome?
Meu nome é Maria Santana, tenho trinta e nove anos. Quantos anos você tem de casado?
Uma década.
Nesse tempo que você tem de casado, eu já troquei umas dez vezes de marido.
Perfeito. Ou seja, você gosta de casamento.
Não, não gosto de casamento. Na verdade-
Então você gosta de estar com outra pessoa.
A gente, eu gosto de ser feliz, né? A gen-- eu gosto de ser feliz.
Aham.
É, eu discordo com o que você tá falando que quem se divorcia é fraco, porque na verdade não é.
Uhum.
Né? Eu vou falar eu, Maria, como mulher. Você partir pra uma separação com filho, porque quando a gente separa, na maioria das vezes, o filho não é do pai, o filho é da mãe.
Uhum.
Então você é casada, você separa, a carga vai ficar com a mãe.
Porque se separou.
Exatamente.
Porque essa carga não é pra você levar sozinha, é pra levar com dois.
Exatamente. Então não é uma decisão fácil, não é ser fraca, e nem ser frustrada. É uma decisão forte. Ser forte, por quê? Se você não tá feliz, é o mínimo que você tem que fazer é seguir em frente, deixar o outro seguir em frente.
Mas você seguiu em frente? Você separou outras dez vezes. Ou seja-
Sim, uai. Eu tô tentando.
Seguir em frente, seguir em frente não significou que você foi mais feliz.
Tentar nunca é demais.
Você tá me provando justamente o contrário. Cê tá provando que casamento após casamento, você não se encontra felicidade. Ou seja, não é estar livre, porque você esteve livre dez vezes enquanto não estive, entre aspas, nem-
Então por isso que eu não caso mais, porque eu tentei dez vezes, nenhuma deu certo, então agora eu não caso mais.
Tudo bem. E aí é na solidão que aí vai encontrar essa felicidade?
Não. Aí eu vou explicar pra você. A gente, quando a gente separa, isso tanto a mulher quanto o homem, a gente se sente, consegue se sentir mais feliz, mais bonito. A gente fica mais vaidosa. As ve-- a gente se enxerga mais, né? A gente se reconhece mais. Eu posso falar pra você hoje como mãe solo de três filhos, separada. E cara, eu trabalho, eu sustento os meus filhos, eu faço tudo que um homem faz dentro de casa.
E tá leve pra você tudo isso?
Tá ótimo.
Tá leve?
Eu tô conseguindo-- seria melhor do que você estar com uma pessoa e continuar sozinha, que na maioria das vezes é isso que acontece.
Na maioria, não. No seu caso, sim. Mas na maioria das vezes, quando se tem um casamento sólido, estável, onde o homem carrega o peso que você não deveria carregar, é mais leve. E aí, se você está mais leve, você pode se cuidar mais, ir mais na academia.
Mas onde que tá esse homem?
Obrigado, pessoal, a pauta é meio longa. Ele, ele proibiu de falar onde tá o homem. Obrigado, tá querida? Um prazer, tá? Três e rodinha. Como é que cê tá? Tudo bem?
Prazer, doutor. Lívia.
Qual seu nome? Lívia. Perfeito, Lívia.
Meu nome é Lívia Pereira, eu tenho vinte e oito anos, sou engenheira de software. Acredito que todo mundo que tá em uma relação que não te faz bem deve ter o direito de sair e ter uma chance de, de ser feliz novamente.
A gente pode começar com essa pergunta até. Quem se separa é fraco, não sabe lidar com frustrações. E a colega deixou uma pergunta no ar, né? Onde está esse homem se você quiser continuar. [riso]
É, bom, eu discordo totalmente dessa afirmação, porque eu acredito que quem casa não tá casando pensando em se separar.
Perfeito.
Então quando você tem que tomar essa decisão, isso é um ato de coragem, né? E não de fraqueza. E se você me permite, eu vou contar um pouquinho-
Claro. Por favor.
Da, da minha história. Conta um pouco nervosa. [riso]
Por favor, não te preocup-- não te preocupa.
Com dezoito anos, foi... Obrigada. Quando eu conheci o meu ex-marido, ele tinha vinte e oito, né. Eu não tô dizendo que é todos os casos que, que têm essa diferença de idade vão ser nesse modelo.
Perfeito.
Mas é um comportamento comum de ho-
E na boa parte das vezes até saudável, porque um homem dez anos mais velho do que uma mulher, ele já tem mais independência financeira, tem mais maturidade pra prover essa casa, pra cuidar dos seus filhos, pra ser proteção. Então sim, não há nenhum problema você tá com um homem e vice-versa. Mas antropologicamente falando, esse homem está mais preparado e pronto para um re-- um relacionamento do que aos dezoito anos.
O que eu ia dizer, na verdade, era justamente o contrário, né.
Uhum. [riso]
Que é um comportamento comum de homens que são abusadores, essa preferência por mulheres mais jovens, porque elas têm ali uma pouca vivência, uma pouca maturidade, vai ser mais fácil de manipulá-las.
É, mas aí o que acontece? Aí você tá mais uma vez levando pra um teor do que é crime. Quando a gente tá falando de um abusador, a gente tá falando de um contexto completamente diferente. Eu sou cinco anos mais velho que minha mulher.
Certo.
E isso não é um problema. Quando a gente tá falando de pessoas que são patológicas, existem padrões, mas existem padrões tal como, por exemplo, pra mulheres mais jovens, pra mulheres com autismo.
Sim.
Porque são mulheres que têm mais dificuldade de interpretação de pistas sociais, de entender o comportamento do outro, e elas acabam se tornando refém. Gente, quando existe uma pessoa que ela é uma abusadora, tem vários tipos de abuso. Tem abuso literalmente sexual, tem abuso psicológico-
Físico.
Tem abuso físico, tem abuso patrimonial, que pra mim é uma tortura também igual. Esse homem tem mais condições financeiras e faz com que essa mulher fique totalmente alienada. E ela, por não ter mais nenhuma possibilidade de fazer alguma coisa, ela se sente presa ali dentro. Quando a gente tá lidando com pessoas com transtornos, e neste caso abusadores, minha resposta sempre vai ser clara: busque ajuda. Essa ajuda é capaz de ser resolvida, porque também não dá pra gente afirmar que uma pessoa que é um abusador, é que é complexo o que eu vou falar, tá?
Mas uma pessoa que tem tendências a ser uma pessoa abusadora, mas que de fato ela não quer ser abusadora e ela busca ajuda, a gente pode tentar ajudar. Eu acho que o casamento é justamente pra isso, pra você ajustar as suas falhas. E não estou dizendo que você deva ficar com um abusador.
Mas quando você casa com um cara que ele é um abusador, você não sabe disso.
Não.
E esse é um problema inclusive muito grave. Muitas vezes a vítima demora muito tempo-
Sim.
Pra se dar conta do que ela tá passando. Tanto que foi só nos meus últimos dois anos de relacionamento-
Perfeito.
Que foi quando eu comecei a fazer terapia, que eu me dei conta de que eu vivo com um abusador.
Perfeito.
Eu estou há sete anos vivendo violência doméstica, psicológica diariamente.
E o que eu e você podemos falar pra todas as pessoas que estão nos assistindo é: busque ajuda, converse com pessoas.
Exato.
Mas pessoas boas, porque às vezes a gente se cerca de pessoas ruins. Converse com pessoas boas, pessoas mais sábias. Orientadores, orientador da igreja, o orientador da, o padre, o pastor, a psicóloga. Oriente, busque orientação para que você não caia justamente nessas armadilhas. Eu sinto muito, muito mesmo-
Obrigada.
Por você viver um relacionamento abusivo. Eu te falo, casamento não é isso. Casamento é bom, é sólido, casamento te traz excelentes frutos.
Mas eu-
Obrigado, perdão Obrigado, tá?
Obrigada, doutor.
Um, dois, três e vá.
Já é?
Já foi.
Larissa Garcia, 39 anos. Eu sou empresária e influencer de viagens e adoro falar sobre assunto relacionamento. Já fui divorciada, sou divorciada. No meu conteúdo de internet, de Instagram, eu falo bastante sobre relacionamentos. Você disse ali pro meu amigo quando ele perguntou sobre traição, que a traição pode ser uma falha perdoada no casamento e tudo mais.
Qualquer erro pode ser perdoado.
E aí, por que que eu sou fraca por escolher sair de algo que vai contra os meus princípios?
Não disse necessária-- é que assim, se a gente for levar o princípio da ponta da letra, então sempre que você, alguém falhar com você, esse relacionamento ele se interrompe, se encerra. Sempre que você lidar com uma pessoa que foi contra aquilo que você gostaria que fosse, o combinado que fosse, você encerra. É como se, é, só isso basta. Separar-me basta. É, eu não vou ressignificar isso, eu não vou trabalhar o perdão.
Perdoar é uma das coisas mais difíceis, mas também mais libertadora na vida das pessoas, as pessoas que praticam o perdão. Se você tá com uma pessoa que sempre foi uma pessoa incrível. Imagina você dez anos de casado. Vamos colocar eu aqui agora. Eu tenho um casamento sólido, minha esposa é feliz, eu sou feliz e somos genuinamente felizes. Mais do que felizes, nós temos contemplação. A gente chega de manhãzinha, olha simplesmente a grama com os nossos filhos no colo e a gente fala: "Não precisamos de mais nada e mais nenhum lugar".
E vamos imaginar que eu falhe, eu falhe com ela. E eu falhei uma vez. Será que a gente deixa tudo isso pra lá? E eu não tô incentivando a traição, porque é um desvio de caráter. Pra mim, a traição, ela pode ser perdoada, o erro pode ser perdoado, porque nós somos pecadores e o perdão é o caminho natural contra esse erro.
Não, acho tudo muito bonito na teoria, mas creio que na prática, quando eu entro num relacionamento, namoro, que é teste pra casar ou não, ou num casamento eu tenho o inegociável.
Não entra como teste.
Entra.
Entra pra casar.
Não, mas o namoro ele é a fase do teste.
Não, a gente-
Sabe, porque o meu divórcio começou no meu namoro e eu não percebi coisas no meu namoro e ainda assim casei. Então hoje, com essa experiência, com certeza tá muito mais difícil de casar. Não quer dizer que eu não queira casar de novo.
Sim, sim, perfeito.
Acredito no casamento, acredito nisso muito lindo de ver a grama verde com os filhinhos. Incrível. Sou canceriana, adoro, sou romântica, mas acredito que hoje tá muito mais difícil de eu casar justamente por isso, pelas, por essas experiências traumáticas, por essas experiências que onde eu vi o erro no namoro e ainda segui porque perdoei demais.
Mas-
Então hoje o perdão pra mim, acho muito bonito, mas tem coisas inegociáveis.
Mas perdão-
Então a partir do momento que ele fere o meu inegociável
Perfeito
Eu não sou mais fraca por sair disso.
Mas perdoar não é apenas não fazer mais. Perdoar é lidar com aquela situação e como nós melhoramos diante essa situação. Então diante o erro, eu continuo sendo a mesma pessoa, acredite, ele vai falhar da mesma maneira daqui um mês, dois meses, três meses. Por quê? Porque não houve uma mudança verdadeira. Acabou o nosso tempo, tá?
Ah, obrigada.
Obrigado. Eu ainda estou na expectativa de onde está esse homem.
Onde está ele? [risos]
Divorciados não são nem mais livres e nem mais felizes [estalo de dedo].
[risos] Coitadinha.
Ah, eu discordo.
Por favor.
Divorciado, sim, ele é livre. Ele volta a ter a vida dele que ele tinha, não antes, porque lógico, passaram anos, ele adquiriu bem mais experiências, né, mas ele sim-
E mais feliz?
A liberdade, a liberdade também traz a felicidade.
Perfeito.
Você poder ir e vir sem dar satisfação, você, é, não cuidar de um outro ser do seu lado também dá uma satisfação, porque você passa a cuidar mais de você, não é?
Perfeito, mas eu sou casado e eu tenho toda a liberdade, por exemplo, de estar aqui. Tem cinco dias que eu estou fora de casa. E essa liberdade que a gente tem que considerar, é liberdade exatamente pra quê? Porque eu posso fazer basicamente qualquer coisa que eu acredito que seja coerente, decente. E não é estar divorciado que vai fazer que eu tenha mais liberdade, muito pelo contrário. Justamente por eu ser casado, ter um relacionamento estável, eu vou a lugares que talvez divorciados não iriam.
Por eu ter liberdade, por eu ser casado e ter um relacionamento que já tem bastante solidez, eu tenho a liberdade de falar: "Olha, hoje eu vou me reunir com trinta divorciados, eu vou discutir, eu preciso que você fique em casa" e tá tudo bem. Sobre felicidade, afirmar que ser sozinha ou divorciada é mais feliz, não é o que a ciência mostra. Tem um estudo que avaliou pessoas entre dezoito e quarenta e cinco anos.
Desculpa, dezoito e cinquenta e cinco anos, mulheres. Nesse grupo de mulheres tinham mulheres que eram solteiras ou divorciadas, vinte por cento delas estavam felizes. Quando ela era casada, trinta por cento. E quando ela era casada e tinha filhos, quarenta por cento. Então essas mulheres respondiam que elas estavam plenas, satisfeitas e felizes. Ou seja, por isso que eu afirmo que divórcio não te traz mais liberdade e nem mais felicidade, porque nós somos feitos para viver em pares.
E quando a gente encontra esse nosso par, a gente vive ainda melhor.
Concordo com você, mas eu acho que há um desgaste, sim, no relacionamento. Isso com o tempo, hoje você tem essa liberdade de vir aqui, a sua esposa entender que você está a trabalho, que você está num debate. Só que com o tempo, isso, é, essa solidão que talvez ela sinta, que você acha que não, que você diz que ela está satisfeita com o relacionamento dela, isso vem à tona, sim, porque é a estafa do relacionamento.
Isso é natural, creio eu.
Não. Muitas pessoas levantaram a mão. Obrigado.
Magina.
Eu não posso continuar, eles falaram que eu estava muito bem.
Obrigada você, querido.
Eu que agradeço pelo carinho [estalo de dedo].
Ai, deixa eu ir falar.
Volta, volta, volta.
Deixa eu ir falar. Deixa eu ir falar.
Faz um par ou ímpar aí, ó.
Par. Ímpar.
Opa!
Olha, querendo... Ganhou.
Ela falou par.
É, ainda quis roubar.
Ela fez um dedinho a mais ali.
Eu acho que tudo depende do relacionamento e o parceiro que você encontra. No meu caso, o fim do relacionamento era um relacionamento abusivo, então com certeza estar solteira hoje, ser divorciada, me trouxe autonomia, me trouxe realizações e felicidades que eu não tinha dentro do relacionamento. Vem correndo, gente, tô bufando.
Tudo bem.
É, então eu acho que depende da relação, depende do parceiro, se tratando de relacionamento abusivo, que os dados são-
Sim
...alarmantes no Brasil.
Mas é que-
Não há do que se falar em felicidade, não há que se falar em liberdade, porque isso não é.
Mas é que quando nós falamos de relacionamentos abusivos, a gente tá falando de crime. E aí o crime, eu acho que a gente não pode colocar ele na generalização.
Uhum.
Na generalização, quando nós falamos sobre mais liberdade e mais felicidade, tá muito pautado na média da população. E a média, como eu apresentei um dado, mas existem vários dados, eles corroboram sempre pra dizer a mesma coisa.
Uhum.
As pessoas, elas necessitam de boas pessoas.
Sim.
Elas necessitam de companhia, e na solidão não há plenitude. E é justamente essa solidão que quando você fala assim: "Eu não quero estar casada", que é o caso aqui. "Ah, mas eu estava casada com um homem ruim". Não, aqui é uma outra discussão.
Certo.
Mas o casamento, ele te dá mais felicidade e também te dá mais liberdade, como eu te falei, porque Como eu expliquei, você tem, enquanto casamento, liberdade pra ir e vir de qualquer lugar, desde que faça aquilo que é listo no acordo dos dois.
Continuo discordando.
Tudo bem.
Tá bem. Eu acho que não tem como você generalizar e falar que só os casados são felizes ou eles são mais felizes que os solteiros. Eu acho que vai da sua escolha, que a solidão às vezes não é solidão, ela é uma solitude.
Perfeito.
E mesmo estando dentro do relacionamento e falando que o relacionamento está bem, muitas das vezes as violências psicológicas, por mais que as pessoas não contam, porque quando vai se estudar relacionamento abusivo, as mulheres, sua grande maioria, já estão casadas há vinte, trinta anos.
Sim.
Vinte, trinta anos. E tem que falar pra sociedade que elas são felizes, porque assim que as mulheres são muitas vezes validadas pela sociedade quando elas estão casadas e com filhos, e elas precisam falar que elas são felizes e que sim, que elas têm liberdade. Só que pra mulher é muito diferente do que é pra um homem, um casamento. A mulher tem muita sobrecarga. A mulher ela precisa cuidar do marido, cuidar dos filhos e cuidar dela.
Mas quando a senhora-
Uhum.
Você, desculpa.
André.
Você se encontra com o homem, o seu próximo marido, se assim você quiser ou não, esse marido ele tem que carregar uma carga maior ou não que a sua?
Nunca.
Na minha opinião, o homem carrega a carga mais pesada.
Uhum.
A minha mulher ela não tem que carregar a carga mais pesada dentro da casa dela.
Uhum.
E eu tenho que proporcionar a ela essa tranquilidade pra ela maternar muito bem, pra ela cuidar do seu lar. E diga-se de passagem, ela é a CFO da nossa empresa.
Uhum.
Ou seja, ela pode trabalhar fora, ela pode cuidar da casa e ser feliz com isso. Esse peso e essa exaustão só existe quando existe relacionamento patológico, o que não é a discussão. Porque se existe relacionamento patológico, você tem que se separar. Não há discussão sobre isso e não foi o que eu disse. E quando você fala assim: "Ah, os casados são mais felizes". A maior parte dos casados são, sim, estatisticamente mais felizes do que as pessoas separadas e divorciadas.
As mulheres ou os homens são mais felizes?
Eu não sei se tá mais feliz separada e divorciada.
Eu sim.
Exato. E eu também tô mais feliz por estar casado.
Então.
Então a gente entra num dilema aqui que quando a gente traz pra nossa opinião pessoal ou o nosso caso, não é a mesma coisa. Agora, quando é estatística da população geral, que é o que a gente tá discutindo aqui, casados têm mais liberdade e, por consequência, mais felicidade.
É, mas eu quero falar da estatística. A estatística ela foi feita com qual percentual de homens e qual percentual de mulheres?
Esse estudo que eu lhe apresentei, ele é feito com cem por cento de mulheres de dezoito a cinquenta e cinco anos, que são exatamente vocês. Ou seja, quarenta delas falaram que estavam mais felizes por não apenas estar casada, mas também por ter filhos, porque filhos é uma contemplação pra imensa maior parte das mulheres. Eu escutei outro dia de uma ginecologista dizendo uma coisa belíssima: A grávida, ela é a única ponte entre o Criador e o mundo.
E realmente é muito isso.
Já querem me trocar.
Não, pode continuar. [risos]
Ah, eu tenho muitos argumentos pra dizer. Eu acho que a renda interfere muito.
Perfeito.
Eu acho que é muito cômodo pras pessoas escutarem que as mulheres são mais felizes no relacionamento. E eu não estou dizendo que não. Eu entendo que relacionamento é muito bom. Ele precisa ser vivido, mas desde que tenha o mutuo respeito. Agora, como é o formato hoje, atualmente, eu não concordo.
Obrigado.
Obrigada.
Eu que agradeço, querida.
Cheguei.
Você já tinha... [risos]
Eu tentei muito. Eu não me encaixo muito no que a nossa amiga tava falando de relacionamento abusivo e tudo mais, mas eu tive um divórcio há seis anos.
Uhum.
Eu tenho trinta e nove anos hoje.
Uhum.
Então considero que eu fiquei oito anos num relacionamento e acho que quando eu casei me veio uma maturidade que eu não tinha antes do casamento.
Perfeito.
E a minha felicidade hoje tá em viajar pelo mundo. Eu crio um conteúdo sobre isso. Eu sou muito feliz viajando sozinha e na minha própria companhia. Então às vezes eu sento num restaurante, eu gosto de escolher um prato, pegar uma bebida e apreciar o lugar. Eu gosto muito e foi uma escolha minha me divorciar pra ser sozinha, feliz, porque dentro do meu casamento eu não me sentia-
Feliz.
Feliz, justamente porque eu me sentia sozinha dentro de um relacionamento.
Eu concordo em partes, mas é que quando a gente olha a felicidade, eu tenho que olhar o contemplamento dela de tempo, espaço e perenidade. Porque se eu olho, por exemplo, a fotografia do momento, você tem muito mais prazer, por exemplo, em estar com-- começando um relacionamento, você vai ter muito mais prazer em estar em uma viagem super legal. Você vai ter muito mais prazer em tá vivenciando um momento épico com as amigas.
Uhum.
Só que prazer é diferente de felicidade. E quando a gente olha a felicidade, felicidade é um esta-- é um estado de contemplação, independente do que você faz.
Uhum.
Porque, por exemplo, eu estou absurdamente feliz apenas de acordar e dar um cheiro no cangote dos meus três filhos todas as manhãs.
Sim.
E medir isso é humanamente impossível.
Uhum.
Eu acredito que nem um espaço físico, nem um espaço de tempo, nem uma beleza natural seria tão mais gostoso que aquele cheirinho do seu filho pela manhã.
Sim.
Então quando você traz assim: "Ah, eu fazendo isso agora eu sou mais feliz do que em outro momento".
Uhum.
E é interessante que o casamento ele melhora com o tempo, e essa é a minha opinião verdadeira.
Uhum.
Hoje eu tenho mais felicidade do que quando eu tava com seis meses de casamento vivendo toda a paixão, porque eu entendo muito mais sobre eu, Thiago, e eu entendo muito mais sobre minha esposa.
Entendi, Thiago. É, pra mim não é só a questão sobre o momento, acho que é muito relativo também. Eu sei que o senhor trouxe estudos, né, mas eu acredito que a felicidade seja relativa nesse caso, porque eu sou uma pessoa que acredita no amor, acredito em casamento, inclusive. Eu sou canceriana, eu sou daquelas que lutam até o fim. Então não é como se eu tivesse desistido do meu casamento, ah, pra ser feliz viajando.
Não, mas foi algo que aconteceu na minha vida e hoje eu me considero muito mais feliz-
Perfeito.
Do que se tivesse num casamento.
E esse é o seu perfil.
Uhum.
Mas não é o padrão. O seu perfil ele é moldado pelas tuas experiências.
Uhum.
Pelo que teus pais te criaram, de como eles te criaram.
Uhum.
Pelos relacionamentos que você teve pra você chegar e agora aos seus trinta e nove anos falar: "Não, eu acredito que eu sou mais feliz fazendo isso". Pra mim, como eu te falei, isso é apenas um momento, é o prazer e não a plena felicidade.
Perfeito. É, o que eu quero só colocar aqui, na verdade, é porque você vai ter a sua opinião, eu vou ter a minha, claro, mas é fazer mulheres na minha idade, por exemplo, entender. Eu me divorciei com trinta e dois anos.
Uhum.
Jovem, né? Me considerava jovem. Então entender que tem um caminho pra felicidade, não só socialmente aceito pelas pessoas, porque casou. Eu tive muito receio de me divorciar, porque eu pensei na minha família, pensei nos meus amigos.
Desculpa.
Tá certo. Obrigada, Thiago.
Obrigado, tá? Foi um prazer, tá? Vem, vem de novo.[risos] Olá, tudo bem?
Meu nome é Solange Feliciano, eu sou executiva de conselho administrativo de empresa. Eu acredito muito que um relacionamento é muito além do que a gente vive no dia a dia, sabe? Eu venho de um relacionamento, de um litígio, então eu tenho alguns pontos pra debater a respeito de filhos, de, de vivência e tudo mais.
Qual é seu nome?
Sol.
Sol, vou ligar aqui, Sol.
Eu tô divorciada há um ano e cinco meses. Vim de um casamento de trinta anos. Então, assim, quando a gente fala em casamento duradouro, que foi na outra pauta que você trouxe. Sou muito mais feliz agora do que quando vivia casada há trinta anos. Sou mãe atípica, né? Então, assim, a gente ainda tem, é-- eu vivi durante trinta anos uma relação. Separada, eu emagreci cinquenta e cinco quilos.
Voltei a olhar pra mim e pros meus filhos com olhar mais humano. Eu não tenho mais aquela, o meu peso extra. Eu tenho só os meus dois filhos. Tenho o meu momento de solitude, aquele momento meu, sabe? De você poder deitar na cama e ó, essa cama, esse quarto é meu, essa cama é minha, eu vou fazer a comida agora, a comida que eu quero, não porque ele não gosta daquilo, eu tenho que fazer uma comida pra ele, é minha.
Ah, eu vou viajar, tenho a rede de apoio pra fazer isso.
Perfeito.
Ai, sabe, eu não tenho essas cobranças. Mas quando a gente olha pras estatística, que nem no meu caso, a gente descobriu a, o TEA do meu filho fazem três anos. Eu acabei entrando pra estatística, né? A mãe que acabou sendo separada por causa disso.
Mas olha só, você falou o fim, mas você não falou o meio. Quando é que de fato vocês desistiram desse casamento? Porque, em via de regra, esse casamento ele não acabou nesse dia, trinta anos depois. Esse casamento ele acaba quando você não decide, dia após dia, ser a sua melhor versão e ser a versão pra amar o outro, sobre o que o outro precisa. Por exemplo, se nós somos casados, o que te faz feliz?
Porque a tua felicidade é o meu contentamento. O problema do a, do casamento é que as pessoas acreditam que elas estão no casamento pra ser feliz. E nós estamos no casamento muitas vezes pra fazer o outro feliz. Porque se eu faço você feliz, e na teoria você tem a mesma mentalidade e me faz feliz, a gente chega no denominador comum. Os casamentos se rompem não é porque o casamento é ruim, até porque nós temos uma geração de jovens que nos assistem, que estão escutando vocês dizendo: "Olha, o casamento é triste.
É depois do casamento que eu fiquei mais magra, mais feliz e que tem meu tempo e que tem tudo isso." Mas a pergunta é: o que foi construído nesse casamento para que ao final de trinta anos ele fosse um casamento de contemplação? Por isso que eu afirmo que estar divorciada não necessariamente faz feliz. Como você manejou durante a sua vida este casamento, é apenas o fim do meio todo.
Estar divorciada faz você, sim, muito mais feliz, ao ponto de você se enxergar. Quando você vive muito tempo com aquela pessoa, que nem, ah, teu exemplo, você trouxe um exemplo aqui, estou viajando, minha mulher está em casa. Quando a gente se separa e o marido tem que assumir a guarda do seu filho, ele começa a entender qual é o lugar da mulher.
Perfeito.
Né? Porque aí ela consegue, ele consegue enxergar a, os desafios que a mulher tem em casa. Ainda mais quando uma criança é autista, tem TEA, né? Que aí vê que a responsabilidade que a mulher, além dela gerar a casa, a carreira e o filho.
Por isso o homem tem que carregar o peso maior. Por isso o homem tem que dar uma qualidade de vida melhor pra mulher. E não é uma fala machista, é uma fala assim: eu quero te proteger, eu quero te servir. Se precisar, eu trabalho o dobro pra que você não possa trabalhar. E se você quiser trabalhar, você pode, você só não tem que, mas você pode. Ou seja, esse é o papel meu enquanto homem de protetor e criador desses filhos.
Mas nem todo homem age assim.
Tudo bem, mas é-
É isso que a gente tem que colocar em pauta.
Eu sei.
Nem todo homem age assim. Quando ele começa a enxergar que aquela criança, que ele acreditava ser uma criança normal perante a sociedade, tem um diagnóstico, ele já começa a enxergar o casamento dele e a mulher dele como ela vai ficar com esse peso. Eu não fico com esse peso.
Nosso tempo acabou, tá bom?
É, eu já vi. [risos]
Qual é, qual o nome do seu filho?
Rodrigo.
Legal. Com quantos anos ele tá?
Catorze.
Legal. Depois cê me conta.
Ah, depois a gente conversa.
O sexto e último tema é: quem se divorcia sempre acaba sozinho.
Oi, gente.
Deixa eu fazer algo aqui rapidinho pro pessoal.
Pois não.
É, a gente tava falando sobre inclusão ali, eu queria fazer a minha autodescrição, tá bom? Eu sou uma pessoa branca, de um metro e oitenta e quatro, peso noventa quilos, tenho cabelo grisalhos e também uso barba branca. Eu tô usando um terno preto e pras pessoas que têm deficiência auditiva, oi, tudo bem? Eu sou o Thiago, obrigado por vocês estarem aqui. Vamos continuar agora. Quem se divorcia sempre acaba sozinho.
E como, né?
Ah, então a gente tá de acordo.
Não. Fica, é, acaba sozinho, que eu diga, é, não em termos de, de, de, de ficar sozinho, ficar sozinho. Mas é, é, a outra... Não, eu fiz confusão, gente.
Ficou, não tem problema.
Desculpa.
Ela, ela concorda comigo que quem separa fica sozinho. Vem outro, pronto. Deixa eu ir. Vem. Eu fiz confusão.
Bem, eu acho que quem acaba sozinho é quem menos amou, porque quem mais amou, ele não acaba sozinho.
Perfeito.
Ele guarda lembranças boas.
Perfeito.
Então não tem como você acabar sozinho se você guardar lembrança boas. Você acaba sendo uma ótima companhia pra você, porque você sabe que você deu tudo de você, independente de ser homem ou mulher.
Perfeito.
Se você deu o melhor de você, você vai colher o melhor pra você, independente o que, da separação.
Sabe qual é a maior queixa das pessoas na vida final delas? É que elas não têm com quem conversar. Elas queriam conversar. Com oitenta, com setenta e cinco anos, com noventa anos, elas sempre querem pessoas pra conversar. E sabe o que muitas vezes elas ouvem, é, dos filhos e das pessoas à sua volta? Mas quando eu queria conversar com você, você não quis conversar comigo, não quis estar presente.
E o senhor falou que o senhor é um bom pai, o senhor falou que o seu filho fala frequentemente com o senhor. Então não é sobre o senhor. A verdade é que quem opta por viver a vida de comizeres, de prazeres, quem opta por uma vida de facilidades, não de resiliência, quem opta pela, pelas inclinações ao invés dos valores e virtudes, a tendência natural é essa pessoa terminar sozinha, depressiva, com isolamento social.
Eu, eu não concordo com isso, porque, na realidade, eu acho que o relacionamento é, é fundamental na vida das pessoas. Quando os dois, nós estamos falando com o colega ali, quando, quando dois, é, bois, eles puxam uma carroça, os dois andam junto. Se um puxa pra um lado, o outro pro outro, não vai dar certo. Entendeu? Então, na realidade, a pessoa que se separa, que fica sozinha, ah, mas ele vai ser, ele vai ficar sozinho no final.
Não Se foi uma escolha, vocês entraram num acordo, conversaram, cada um seguiu. Meu filho falou-
Mas quando o senhor olha casados versus pessoas frequentemente divorciadas e solteiras-
Sim.
Ou enfim, qual desses dois grupos tem a inclinação natural a terminar mais isolado e sozinho? A pessoa que constituiu família, ficou casada e se manteve no casamento ou a pessoa-
Não, não.
Que é solteira-
Não, não, não.
Que deixou a família pra às vezes a-- a moça falou-
Sim.
Que ela saiu ali, o marido foi pra deixar pra outra família. Como é que esses filhos desse primeiro casamento? E não só isso, como é que os filhos do outro casamento olham pra esse pai quando ele deixou também outro casamento?
Hoje em dia não existe mais isso.
Sim.
Hoje em dia os filhos-- meu filho disse pra mim assim: "Pai, por que você não separa e vai ser feliz?"
Uhum.
Falou: "A maioria dos meus amigos na escola", falou: "Eles todos têm duas casas. Eles moram um com, um passa um final de semana com o pai, outro final de semana com a mãe." Então, hoje é comum, os adolescentes já aceitaram isso como uma coisa que nós sabemos que não é natural, não é normal, mas se tornou uma coisa comum, não normal.
Perfeito.
Eles têm-- ou então pros filhos não tem esse problema.
Perfeito. Só pra corrigir a palavra. Perfeito. Pode passar. Obrigado. De nada. Olá, como é que é o nome da senhora? Bom dia, Samara. Tudo bem, Samara? Fique à vontade. Tudo bem. Ah, eu discordo primeiro porque quem tem Deus não tá sozinho. Você tem razão. Tá? E eu me divorciei e nem sempre quem se divorcia vai viver nos prazeres da carne. Não. Tá? A gente pode viver dentro das- Sabia que essa fala é muito mais pra homem do que pra mulher?
Sabe por quê? Porque quando a gente tem uma ruptura de relacionamento, quem foi embora geralmente é o homem. Uhum. E a mulher é quem fica com os filhos, ela quem fica com a família. É no ambiente, é no lar dessa mulher que é construído os valores. Então essa minha fala, eu vou discordar comigo mesmo. Nem sempre acontece. O homem que vai embora, o homem que abandona o lar, ele vai muitas vezes terminar sozinho.
A mulher que foi abandonada, ela não vai terminar sozinha. [aplausos] Ela vai terminar com os filhos. Obrigada. Perfeito. Obrigada. Imagina.
Eu ainda tenho tempo? Vou, vou. Tudo bom, Thiago?
Tudo bem, como é que cê tá?
Meu nome é Marina, quarenta e três anos, tô na segunda separação já. Eu acho que não tem sentimento pior dentro de um casamento do que a gente se sentir sozinho.
Perfeito.
Então não ter com quem conversar, não ter com quem dividir, não ter com quem contar. Estando na relação é muito pior do que estando separado. E estando separado eu tenho muito mais rede, muito mais relações, muito mais apoio, muito mais do que eu tinha dentro da relação. Então é muito subjetivo a gente entender que: "Ah, vamos acabar sozinho." Nunca, nunca. É muito mais fácil eu acabar sozinha estando numa relação que eu estou sozinha, mesmo tendo uma pessoa do meu lado, do que eu estando separada e me abrindo pra outras relações.
Então...
Mas aí você tá buscando um novo casamento, uma nova relação?
Não necessariamente. Não necessariamente. Talvez, sei lá, grupos de pessoas.
Perfeito.
Talvez mais amigos, talvez mais relações mais próximas com a minha família, que eu deixei lá atrás quando eu casei, talvez. Enfim, não fico sozinha.
Perfeito.
Então assim, eu já, eu sou realmente uma pessoa extremamente comunicativa que não gosta de ficar sozinha.
Tá tudo bem. É que relacionamentos-
Eu não curto a solidão.
Relacionamentos sólidos, eles são feitos geralmente com o tempo. Uma empresa só é grande o suficiente quando ela tem tempo. É dificilmente você vai pegar uma empresa que ela cresceu do dia pra noite.
Claro.
Essa empresa ela precisa de uma estrutura, ela precisa de pilares e tudo mais.
E o casamento é uma sociedade.
Exato. Depende. Mas sim, é isso mesmo. É, nós entramos com dinheiro, vocês entram com gasto e fica tudo bem. Tô brincando.
Nem...
Tô brincando, tô brincando.
Não é a realidade da maioria. [riso]
Não, não, não. É uma brincadeira, tá? Lá em casa a minha esposa ganha tanto dinheiro quanto eu, tá bom?
É.
E o dinheiro é nosso. Não é nem dela e nem meu, tá bom?
Não é uma realidade.
Não. Mas voltando esse, esse princípio dessa discussão, quando você fala: "Ah, tem várias outras pessoas e todas nós nos reunimos, e todas nós somos rede de apoio", eu fico pensando quem são todas essas outras pessoas pra começar. Porque se eu vou pre-procurar no meu núcleo, eu sou uma pessoa, é, que tem uma história, que tem um-uma resiliência, que tem um trabalho, eu talvez eu conte em duas mãos quais são as pessoas que verdadeiramente eu posso contar.
Existe uma tendência que eu vejo muito mais fora do Brasil do que dentro do Brasil.
Uhum.
Que é as pessoas que estão, hã, já do meio pro fim da vida, já programando uma aposentadoria, ou sei lá, separando, casando, enfim.
Nas, nos, nas casas.
Já na segunda etapa da vida-
Tudo bem, mas isso não é uma realidade. Essa não é uma realidade do Brasil.
Vamos colocar da segunda, dos cinquenta pra frente.
Sim.
É, é muito comum a gente ter as casas de, de, de-
De idosos, lares de pessoas de sessenta mais.
De idosos, de pessoas que convivem. E eu também achei lugares assim, de, são domicílios coletivos, vai, vamo colocar assim.
Sim.
Que foi maravilhoso na minha primeira separação.
Perfeito.
Então assim, eu fiz amigos pra vida-
Mas, mas-
Que eu não teria se eu não tivesse me separado.
Perfeito. Encontrar amigos, encontrar apoios, encontrar pessoas, não é um problema, muito pelo contrário, é bom. Mas a gente tá falando, será que isso é perene pra sustentar os próximos quarenta anos? Será que essas pessoas vão estar sendo sua verdadeira rede de apoio daqui quarenta anos?
Tranquilamente, porque se dentro do casamento eu também me sentia sozinha, e eu também tinha que segurar essa bronca sozinha, e eu também tenho que fazer as, tudo praticamente, né-
Uhum.
Sem poder contar com o outro.
Uhum.
Nada muda.
Mas aí-
Eu não preciso estar casada.
É que aí o perfil de-
Eu posso muito bem estar separada. [riso]
Perfeito. Mas aí a gente, aí a gente vai pra um perfil de relacionamento patológico, o que não é, na minha opinião-
Não necessariamente. Eu acho que patologia todo mundo tem, de perto todo mundo é doido.
Não, eu não posso afirmar isso. [riso] Eu estudo muito, eu estudo com muito com transtornos, e aí seria uma fala até capacitista, tal como falar que foi normal.
De perto todo mundo tem algum tipo de transtorno, e a gente tem que lidar, a gente tem que aceitar ou não.
Perfeito.
Às vezes a questão de aceitar o defeito da pessoa já faz com que a gente se separe. Então pra, pra eu tomar essa decisão dessa, dessa segunda vez, é, de me separar, porque eu não, eu sou uma pessoa que eu não gosto da solidão.
Uhum.
Eu não, não consigo lidar com a solitude.
Uhum.
Eu realmente tenho uma dificuldade com isso.
Certo. Ah, ok.
É, não gosto de estar sozinha. Eu gosto de estar sempre acompanhada e sou heterossexual, então teoricamente eu vou estar acompanhada com um homem.
De homens.
É, mas a partir do momento que me fez tomar essa decisão de me separar, foi justamente a solidão dentro do casamento.
Sim.
Eu estou sozinha para tudo. Ah, é, mas é patológico.
É que mais uma vez-
Não necessariamente.
É um relacionamento, é um relacionamento que não é um relacionamento saudável, não é um relacionamento bom. E aqui não há discussão quando o relacionamento não é bo-
Mas é a grande maioria.
Não dá pra você dizer que é a grande maioria. As pessoas vivem problemas no relacionamento-
Thiago, passou dez pessoas na sua mão, todo mundo que cê falou: "Sinto muito pela sua relação." [riso]
Mas é porque são, são trinta pessoas divorciadas.
Todo mundo é a maioria.
Vocês são a maioria aqui. Se fosse o contrário, trinta casados versus um solteiro, nós seríamos a maioria.
Ah, mas a gente já tem estatística de cartório. Depois que foi aprovado o divórcio, que as mulheres antigamente não podiam se divorciar.
Mas, exato, mas o meu papel-
Hoje a gente pode se divorciar.
Olha, vamo lá. Veja só, sobre cartório.
Então, as estatísticas explodiram.
Presta atenção. Hoje, aproximadamente dez por cento das crianças que nascem não têm o nome do pai na certidão.
Mais até.
Porque as pessoas estão banalizando relacionamento e casamento. Hoje, vinte e cinco por cento das crianças-
Mais.
Têm o seu pai e a sua mãe se separando antes do primeiro ano de idade. Essa criança nem aprendeu falar pai e mãe, o pai já foi embora. E cinquenta por cento dos casamentos se rompem em até uma década. Por quê? Porque a gente tá banalizando o casamento. O casamento deixou se, deixou de ser-
Mas será que não é porque a gente pode se divorciar?
Mas e-
Porque antigamente a gente nem podia se divorciar.
Não, é porque a gente quer consumir tudo. E pra nós vivermos aquilo dali, viver de fato o casamento, é sobre resiliência, sobre desenvolver virtudes.
Eu acho que é sobre terapia-
Porque, não, também é.
Porque se uma pessoa fizer terapia e a outra pessoa não faz terapia, não dá pra segurar a bronca.
Não é, não é. É, é, o quanto você estudou sobre temperamentos, o quanto você estudou sobre linguagens de amor, o quanto você estudou sobre camadas de personalidade, o quanto você estudou sobre você e sobre o outro.
Mas e a sua esposa estudou?
Estudou.
Então, a gente tem uma relação perfeita aqui. É um, um em um milhão.
Não, não é um em um milhão.
A gente não acha uma pessoa que tope fazer terapia junto.
E a questão, mas tudo bem. Mas veja bem.
Que tope ali, tá numa guerra junto.
A questão, a questão é justamente o contrário.
Sabe?
A questão é dizer que o casamento é um problema, porque o casamento não é um problema.
Só?
Acabou. É justamente viver pra isso, pra fazer dar certo.
Pausa, tempo. [riso]
E aí, querido, como é que tá o senhor?
Eu tô bem. O senhor também. Eu discordo, que eu tô divorciado já há mais de trinta anos. Não me sinto sozinho.
Perfeito.
Eu muitas vezes, até recentemente, me separei de, de uma relação, porque eu me encontrei. Então eu não tinha a minha companhia. Só tinha muito do outro, do outro, do outro, do outro.
O senhor está completo, realizado e feliz?
Sim.
Perfeito. E como é que é o relacionamento dos seus filhos com o senhor?
Não tenho filhos.
E como serão os últimos dias?
Meus últimos dias? Só Deus sabe. [risadas]
Deus faz o papel dele, né? Por exemplo-
Não, eu também tô fazendo o meu.
Alguém depende do senhor hoje pra sobreviver?
Não.
Exato. Eu tenho várias pessoas que dependem de mim hoje pra sobreviver. Quando a gente entende-
Ah, serve plantas?
Não, planta não.
As plantas dependem de mim.
Não, é, são pessoas. E até na nossa morte a gente tem que pensar das pessoas que a gente ama e que a gente cuida. Então, se eu morro hoje voltando pra minha casa, eu tenho um seguro de vida, onde eu vou deixar os meus filhos pelo menos seguros nos próximos anos. E esse é o papel enquanto eu, enquanto eu tenho pessoas pra isso. Ou seja, até mesmo na minha morte, eu estou servindo a minha família.
E aí, qual é o contrário? O contrário é o que eu converso com meu filho. Sempre-- lembra aquele que eu falei de nove anos, que eu fico falando que a mulher mais importante vai ser a mulher dele?
A mulher dele.
Eu falo pra ele sobre a minha morte. E se eu morrer agora, qual que é o nosso discurso? E tem, a gente tem que ter diálogo de gente grande, com amor com os nossos filhos, e não ficar falando de gibi da Turma da Mônica.
Sim.
E eu falo pra ele: "Filho, quando eu estiver fazendo cocô na fralda, porque isso vai acontecer, quem vai cuidar de mim? Você sabe que é você, não sabe?" Ele fala: "Sim, pai, e eu vou cuidar com muito carinho". E quando o senhor tiver fazendo cocô na fralda, porque isso pode acontecer, quem que vai tá lá segurando a sua mão? Quem que vai tá do seu lado, olhando nos seus olhos e falando assim: "Você não está sozinho".
Porque talvez não haja nada tão triste quanto terminar a sua vida sem ninguém. Falando assim: "Eu tô aqui do seu lado. Pode ir em paz. Pode encontrar Deus". É isso. Acabou o nosso tempo. Obrigado.
Mas o senhor, você é uma pessoa fora da curva.
Obrigado. [risadas]
Tem dos trinta, né?
É. O senhor tem que se virar nos trinta, tá?
Sim, trinta e oito.
Trinta e oito segundos. Eu não vou nem fazer, eu não vou nem fazer a réplica. Vou deixar só o senhor falar aqui pro senhor complementar a nossa fala, tá? É sobre a solido-- a solitude final, quando você não tem uma parceira, quando você não tem filhos próximos, quando você não construiu uma jornada.
Quando literalmente se está sozinho, abandonado e sem uma estrutura que sustente a vida dele naquele finalzinho.
Qual o nome do senhor?
Meu nome é Jamir.
Seu Jamir, então vai lá.
É um prazer estar aqui.
O senhor tem trinta e oito segundos.
Puts, mais do que os trinta, tá ótimo. Na realidade, é, a, o meu pensamento é que há uma escolha, por uma decisão, você é obrigado, tem, qualquer um tem que assumi-la. Ao decidir separação, pode sim acontecer uma situação de, ao fim da vida, ele se encontrar sozinho. Aí nós tivemos aí a contribuição de todos falando dos relacionamentos. Como você interage com os tios, com os, os sobrinhos, com toda aquela rede que você tem, não necessariamente com a pessoa com que você casou.
Então, nesse sentido, eu acho, eu discordo.
Perfeito.
Porque a pessoa pode se estruturar de alguma maneira e receber isso como um castigo ou como uma benção.
Tá bom. Obrigado, tá bom?
Agradeço.
Seu Jamir, foi um prazer. Foi um prazer. [aplausos] Eu quero dizer pra vocês e pra todos vocês, tá? É, é uma tristeza que vocês tenham vivido os relacionamentos difíceis, abusivos, é, mas a gente não pode desistir da instituição família, porque esses jovens que nos assistem, é, eles pegam muitas vezes vocês como ponta, como referência, e essa não deveria ser a naturalidade, a normalidade. Eles precisam olhar pro casamento falando: "Isso é bom, isso é agradável aos olhos de Deus, isso é agradável aos olhos da sociedade".
Homens que são casados, eles são mais bem remunerados do que os homens separados ou divorciados. Homens que são casados, eles, eles constroem mais patrimônio do que homens que não são casados ou divorciados. Ou seja, casamento é tudo de bom. Só que desde o dia um, ele tem que ser construído. Perguntaram aqui: e o homem perfeito, né? O homem perfeito, você não acha, você o faz, tal como a mulher perfeita.
Ela é construída dia após dia, desde o primeiro dia um do casamento, onde vocês comungam, onde vocês estudam, onde vocês refletem, onde vocês se tornam melhores. E é assim que tem o homem perfeito. E sim, o homem perfeito existe. É o seu. A mulher perfeita tá lá na minha casa, chama Gabriela Castro. Assim como eu desejo que cada um encontre um casamento perfeito. Não é facilidade, não é simplicidade, tem que ter resiliência, tem que ter paciência, mas acima de tudo, tem que amar o outro mais do que ama a si mesmo.
Muito obrigado por me dar a oportunidade de falar com todos vocês. [aplausos]
Se Deus existisse, ele não se esconderia. [som de microfone] Como é que a gente encontra Deus, no final das contas? Tem tantos ateus por aí.
Sim.
Tantas pessoas buscando um contato com essa divindade e ela não se apresenta.
O criador desse relógio não existe, porque eu não tô vendo ele. Mas tá aqui a prova. O ser humano é a maior prova da existência de Deus.
Então se Cristo chega e fala assim: "Ó, a partir de agora acabou a escravidão", o Império Romano tinha matado ele muito antes, ele não tinha nem conseguido terminar o ministério dele, entende?
Se o inferno não existisse, a conotação de Deus não poderia ser bom e a presença dele constante no homem.
Ele acreditava que o fim dos tempos estava prestes a acontecer. E é um exemplo de profecia dele que não se cumpriu. E é uma das profecias mais importantes, talvez, de Jesus, porque muitos de vocês desta geração testemunharão tudo isto que estou dizendo aqui e não aconteceu. E a gente tá há mais de dois mil anos esperando essa profecia. Se eu começar a flutuar aqui, eu me converto, hein?